Gravação com o pessoal da RPC

Hoje estive com o pessoal do programa Studio C, da RPC Globo. Eles estiveram em minha cidade gravando parte de um programa especial de verão, que vai ao ar daqui alguns dias. O produtor do programa tinha entrado em contato comigo alguns dias antes para obter informações. Ele me descobriu através aqui do blog. No fim eles acabaram indo gravar em Campo Mourão e fui convidado para ir no local onde estavam. Acabou sendo uma manhã agradável, onde pude conhecer todo o pessoal envolvido na gravação, que foram muito simpaticos. E pude ver de perto como é gravado um programa de TV junto a natureza. Por fim ajudei a carregar o equipamento e dei uma entrevista falando sobre a região de Campo Mourão.

Yves, Ana, Vander e Renan.

Shurastey

Hoje entrei numa loja da Livrarias Curitiba, em Maringá, e me deparei com o livro póstumo SHURASTEY, de Jesse Koz. Peguei o livro nas mãos, dei uma folheada e comecei a chorar. Não sei explicar bem o motivo das lágrimas. Talvez os dias difíceis pelos quais tenho passado, somados a história triste contada no livro, me fez derramar algumas lágrimas. Acabei comprando o livro, mas só vou ler daqui um tempo quando estiver melhor. Pois sei que de qualquer jeito vou molhar as páginas do livro com minhas lágrimas.

Jesse Koz viajava de fusca pelas Américas e faleceu em 23 de maio último, junto com seu cachorro, Shurastey, em um acidente de carro nos Estados Unidos. Eu acompanhava tal viagem e achava muito legal a viagem com o cachorro. Mas nessas surpresas desagraveis que acontecem ás vezes, tanto Jesse quanto Shurastey, morreram poucos dias antes de chegar no Alasca, que era o destino final da viagem que começou na Patagônia, extremo sul da América do Sul.

Poucos sabiam, eu inclusive, que Jesse tinha deixado um livro quase pronto. Quando passou por Porto Alegre escreveu o livro, que foi completando depois conforme sua viagem ia acontecendo. Vai ser difícil ler tal livro, pois você começa a leitura sabendo que tal livro não tem final feliz, que a história da viagem de Jesse e Shurastey acaba antes do final, com a morte dos dois. Mas vou tentar ler, mesmo que encha algumas xicaras de lágrimas durante a leitura.

Caminhada na Natureza – Luiziana

Mesmo cansado, com sono e preguiça, fui participar de minha segunda Caminhada Internacional na Natureza, em 2022. A caminhada aconteceu na cidade de Luiziana, onde ainda não tinha caminhado. Fazia muito sol, mas a temperatura estava amena. Caminhei a maior parte do tempo pensando na vida, nos problemas e em cercas decisões que preciso tomar. Caminhar sozinho pelo mato ajudou um pouco, meio que estou econtrando um norte em relação as decisões que preciso tomar.

Passámos por lugares bonitos e por uma cachoeira enorme e com grande volume de água. Tinha que se aproximar dela com cuidado, pois cair no rio perto dela era perigoso. A caminhada foi muito bem organizada e nos postos de controle não faltaram água e comida. O pessoal da organização também foi muito simpático.

Alemão, Vander e Tefa. (Eu no auge de peso em toda minha vida: 91,5 kg. Depois dessa caminhada comecei o processo de emagrecimento.)

Consurso de fotografia

Participei com duas fotos no Concurso de Fotografia Imagens da Cidade, promovido pela Fundação Cultural de Campo Mourão. Uma foto ficou em terceiro lugar e a outra não foi classificada.

“Uma Escada Para o Céu” – Foto premiada em 3° Lugar
“Mosaíco de Sombras” – Foto não premiada.
www.boca.santa.com.br

Concurso de fotografias 2022

Participei pela segunda vez do concurso de fotografia “Imagens da Cidade” promovido pela Fundação Cultural de Campo Mourão. Dessa vez fiquei em terceiro lugar, recebendo uma premiação de R$ 500,00.

1° Lugar: “Os Invísiveis da Socieda” – Giuliana Florêncio
2° Lugar: “Catedral Solar” – Leonardo de Souza Molina
3° Lugar: “Uma Escada Para o Céu” – José Vanderlei Dissenha
Os vencedores.

Caminhada na Natureza – Fênix

Após muito tempo, voltei a participar de uma caminhada do circuito Caminhada Internacional na Natureza. A última caminhada de que tinha participado foi em março de 2020, poucos dias antes da pandemia da Covid 19 aparecer e paralizar com muita coisa, inclusive com as caminhadas.

Resolvi voltar na caminhada de Fênix, que é uma caminhada que já fiz antes. Gosto da região, da paisagem e de caminhar pelo Parque Estadual Vila Rica do Espiríto Santo. A caminhada que iniciou com muito frio, terminou com muito calor. Depois teve um saboroso almoço, cujo cardápio foi Vaca Atolada. Acabei almoçando, algo que raramente faço nas caminhadas.

Homenagem do Coldplay a Olivia Newton-John

Coldplay, Natalie Imbruglia e Jacob Collier fizeram uma bela homenagem a recém falecida atriz e cantora Olivia Newton-John. A homenagem aconteceu durante um show em Londres, quando cantaram a música Summer Nights, do filme Grease, de 1978. Foi simplesmente emocionante!

 

Morte de Olivia Newton-John

Hoje morreu uma atriz/cantora da qual gostei muito no passado. Olivia Newton-John faleceu aos 73 anos vítima de câncer. Ela foi protagonista de um dos filmes que marcaram minha adolescência. O filme Grease é de 1978, mas só fui assisti-lo na TV em 1986. Adorei o filme e sua trilha musical. No dia seguinte fui comprar o LP com a trilha sonora do filme e tenho ele guardado até hoje.

O filme Grease foi baseado em um musical da Broadway, que fez muito sucesso. A primeira montagem do musical ficou em cartaz de 1972 até 1980. Depois teve outra montagem, que após novo sucesso na Broadway, viajou o mundo. Em 1995 assisti a essa montagem no Teatro Guaíra, em Curitiba. Foi muito legal ver esse musical ao vivo em sua versão original em inglês.

Esse ano estreou uma versão brasileira do musical Grease, em São Paulo, mas não tive interesse em assistir, poisa nessa montagem as músicas tem uma versão em português e no final da apresentação, o elenco volta ao palco para cantar as principais canções nas versões originais em inglês. Essa versão brasileira ainda está em cartaz, mas não sei se tem feito muito sucesso, pois ouvi falar pouco dela.

Olivia Newton-John parte deixando os fãs tristes. Mas ficará eternizada como Sandy, do filme Grease. Aliás, em razão do filme hoje existem muitas Sandy por aí, inclusive a Sandy cantora (irmã do Junior).

Cartaz do filme Grease (1978).
Cena do filme Grease.
Olivia Newton-John no filme Grease.
Olivia Newton-John é Sandy, no filme Grease.
Cartaz da primeira montagem de Grease (1972).
Cartaz da montagem brasileira de Grease. (São Paulo – 2022)

Elvis – O filme

Após cinco meses de espera, desde que ouvi pela primeira vez sobre o seu lançamento,  finalmente fui assistir ao filme ELVIS. Fui com amigos ao cinema, numa segunda-feira a noite onde a sala de projeção estava com menos da metade das poltronas ocupadas e bem silenciosa, do jeito que gosto. Reparei que a maioria dos presentes tinham idade acima dos 25 anos e muitos, como no meu caso, idade bem acima disso. Só de não ter crianças e adolescentes barulhentos na sala de cinema, foi muito bom.

No geral gostei do filme, que não é muito convencional. Baz Luhrmann, o diretor do filme, usou uma linguagem cinematográfica que foge um pouco do tradicional, mas que me agradou. Você precisa ficar atento a tudo o que aparece na tela, ler tudo o que aparece. Não gosto de filmes dublados, mas por falta de opção tive que assistir ao filme na versão dublada. Por um lado isso foi bom, pois apareceram muitas informações na tela e pude me preocupar em olhar e ler essas informações em vez de ficar atento as legendas.

Da forma como o filme foi feito, acredito que aqueles que conhecem um pouco sobre a história de Elvis Presley, terão uma experiência cinematográfica mais interessante e completa. Esses vão conseguir linkar o que sabem sobre a vida do Elvis, com algumas coisas que aparecem no filme de forma resumida.

O filme tem 02h39min de duração e muita música. Ele é narrado segundo a ótica do Coronel Tom Parker, o empresário de Elvis. O Coronel é interpretado por Tom Hanks, que rouba a cena. Creio que ano que vem ele tem grandes chances de ganhar mais um Oscar de melhor ator. Tenho lido que o filme não tem agradado aos críticos, mas conseguiu agradar bastante ao público. Para mim críticos de cinema são descartáveis, pois quase sempre as criticas que leio não vão de encontro ao que vejo nos filmes que assisto. Gostei do filme e isso é o que importa…

Rise

Vejo muitos filmes, mas só indico aqui no blog os filmes de que tenha gostado muito. E esse é o caso do filme Rise, uma produção da Disney que conta a história de três irmãos nascidos na Grécia e que são filhos de imigrantes nigerianos ilegais. Eles começam a jogar basquete meio por acaso e acabam indo parar nos Estados Unidos como astros da NBA. Se tornam o primeiro trio de irmãos a se tornarem campeões da NBA na história da liga. Essa é uma história sobre família, força de vontade e superação. Os dois irmãos mais velhos dividiam o mesmo tênis para jogar, pois não podiam comprar um tênis para cada um. Hoje eles tem um contrato milionario com a Nike. Aqueles que gostam de basquete não podem perder esse filme. E quem não gosta também não pode perder, pois é uma história emocionante e motivadora.

O ataque de 24 horas ao Pico Paraná – Parte 2

Continuação da postagem anterior…

Ficamos no cume do PP por cerca de uma hora. E o que chamou bastante atenção foi um cachorro que estava no cume. Reconheci ele como sendo da Fazenda Rio das Pedras. Ele ficava pedindo comida para todos que chegavam no cume e começavam a lanchar. Todo mundo ficava perguntando como ele tinha passado pela Carrasqueira. O cachorro era muito esperto e ganhou bastante agrados e comida. Fico imaginando como foi que ele encontrou um caminho para chegar até ali e quantas vezes por semana ele decide subir até o cume.

Após descansar e lanchar, Eliane e eu demos uma volta pelo cume, tiramos fotos e observamos a paisagem de todos os lados. Tinham algumas nuvens que ficavam encobrindo parte da paisagem, mas logo o vento mudava essas nuvens de lugar. Assinamos o caderno de cume, que fica guardado numa caixa metálica presa sobre um pedra. Mais algumas fotos, uma última olhada na paisagem e pouco depois do meio dia resolvemos iniciar o caminho de volta. O cume de uma montanha é somente a metade do caminho, então sempre é bom guardar energia para o retorno. Energia eu tinha, o que estava incomodando era a dor nas costas.

Quando seguimos para a trilha para iniciar a descida, tivemos que parar para dar passagem a algumas pessoas que estavam chegando. Logo iniciamos a descida, onde na primeira parte o mais difícil era transpor uma pedra com alguns grampos. Devido ao vai e vem de pessoas subindo e descendo a montanha, os grampos e parte das rochas estavam com barro e isso demandava cuidado extra para não escorregar e cair. Tive muita dificuldade em alguns trechos onde era necessário esticar a perna para descer, pois sentia uma dor muito forte ao esticar minhas pernas. Mas ficar parado no alto da montanha não era uma opção, então fui suportando as dores e descendo mais lentamente do que deveria. A Eliane estava bem e aparentemente não teve maiores problemas para descer.

Quando chegamos no acampamento A2, fizemos uma parada mais longa para descansar e tirar fotos. Também dividimos o resto de nossa água. Ali perto existe uma bica, mas chegar até ela é um pouco complicado e com as dores que sentia, achei melhor não pegar água no A2. O sol ficou encoberto pelas nuvens e era possível ver que algumas nuvens encobriam o cume do PP. Quem chegou mais tarde ao cume não deve ter visto muita coisa lá do alto. Demos sorte de termos chegado ao cume com o tempo relativamente limpo.

Saímos do A2 e continuamos descendo, tomando cuidado com a trilha que continuava molhada e lisa em muitas partes. Mesmo tendo feito algumas horas de sol durante o dia, o barro era tanto nas trilhas que não secou com o sol. Pelo caminho fomos encontrando bastante gente que subia com mochilas cargueiras nas costas. Esse pessoal planejava acampar no A2 ou no cume do PP. Quando vinha alguém subindo, sempre dávamos passagem e dessa forma aproveitávamos para descansar rapidamente enquanto ficávamos parados ao lado da trilha esperando o pessoal passar.

O sol voltou a aparecer quando chegamos na Carrasqueira. Descer aqueles paredões cheios de grampo e cordas é sempre mais difícil do que subir. E para piorar, os grampos estavam molhados e alguns com barro, pois muita gente passou por ali na última hora com as botas cheias de barro. Estava muito escorregadio e o cuidado teve que ser triplicado. A Eliane seguiu na frente. Depois ela me confidenciou que sentiu um pouco de medo nesse trecho e que não gostaria de passar por ali novamente. Eu só senti medo na metade da descida, quando escorreguei com os dois pés num grampo que tinha barro e fiquei meio pendurado segurando firme com as mãos o grampo que ficava pouco acima de minha cabeça. Foi um susto de sentir frio na barriga. Quase no final da Carrasqueira vi o cachorro que estava no cume, descendo pelo mato ao lado. Ele tinha descoberto um caminho que passava pelo lado das rochas, andando numa inclinação que humanos não conseguiriam. Esse cachorro realmente era muito esperto!

Vencida a Carrasqueira, descemos mais um pouco pela trilha e daí começou a parte de subida. Na subida sentia dores fortes toda vez que precisava erguer as pernas um pouco mais alto para vencer algum obstáculo. Estava muito mais lento do que deveria e comecei a me preocupar com o atraso que nos deixaria no escuro durante a travessia de parte da floresta. Para piorar ainda mais as coisas, a sede começou a apertar e a boca ficou seca. Mesmo com as dificuldades seguimos em frente, pois não tínhamos outra opção. Quando estávamos quase chegando no acampamento A1, o sol se escondeu de vez e nuvens cobriram o céu. Isso fez a temperatura baixar um pouco.

Passámos pelo A1 e entramos na trilha pelo meio do mato, que parecia estar ainda mais molhada e lisa do que pela manhã quando ali passámos. Eu e Eliane usávamos luvas e muitas vezes segurávamos em galhos e matos ao lado da trilha para não cair quando escorregávamos. E como tudo o que está ruim pode ficar ainda pior, começou a chover. Essa chuva durou mais de três horas e nos acompanhou até depois do Getúlio.

A sede foi aumentando e não via a hora de chegar no primeiro riacho da trilha. Saímos na parte limpa cheia de caratuvas, demos a última olhada para o PP que estava parcialmente encoberto e seguimos para a floresta. Depois do A2 não tirei mais nenhuma foto, pois estava tão cansado e com dores, que não tinha nenhum animo para fotos. Quando entramos na parte da floresta a chuva aumentou um pouco. A trilha cada vez mais lisa ia alterando subidas e descidas por entre pedras, galhos e raízes de árvores. Em muitas partes era necessário fazer pequenas escalaminhadas. Toda vez que tinha que erguer a perna para passar por algum galho, sentia fortes dores nas costas. Comecei a ficar preocupado em travar e não conseguir mais andar. A última coisa que eu queria era precisar ser resgatado. O jeito for reunir forças, suportar a dor e seguir em frente.

Finalmente chegamos num riacho e pouco acima da trilha a Eliane encontrou um local para pegar água. Se não estava cem por cento limpa, ao menos a água não tinha sabor ruim e estava geladinha. Nessa parada ao lado do riacho, além de matar a sede fizemos um pequeno lanche com o resto da comida que tínhamos levado. Resolvido o problema da sede seguimos em frente, andando pelo meio da mata na trilha lisa e molhada e vencendo os muitos obstáculos. Pouco depois das 19h00min escureceu e tivemos que ligar as lanternas. A minha estava quase zerada, mas mesmo assim consegui andar algum tempo com ela. Quando escureceu de vez ficamos somente com a lanterna da Eliane. Ela seguia na frente, andava um pouco, parava, se virava e iluminava o caminho para eu poder passar. Isso nos fez atrasar ainda mais a volta. Mas não tínhamos outra opção. Minha maior preocupação era dar pane na lanterna dela, pois aí sim estaríamos enrascados. Sem lanterna não tem como andar naquele lugar, pois andar no escuro ali é quase suicídio.

A chuva continuou nos fazendo companhia, às vezes mais forte e outras vezes menos. Estávamos parcialmente molhados e isso nos deixava com um pouco de frio. E descobri que minha bota impermeável não era assim tão impermeável. Ela não suportou as horas andando no barro sob chuva e fiquei com os pés molhados. Nossa situação não era das mais cômodas, pois tínhamos fome, nossa água era pouca, tínhamos somente uma lanterna, o que nos obrigava a fazer revezamento, chovia, sentíamos frio, eu sentia cada vez maios dores nas costas. E somado a isso tudo comecei a ficar preocupado com relação aos nossos amigos que estavam nos esperando e deviam estar preocupados com nosso atraso e falta de notícias. Diante de todos os problemas, só nos restava seguir em frente e foi o que fizemos. Pelo caminho encontramos algumas poucas pessoas que subiam a montanha. Mas depois de certo horário não vimos mais ninguém subindo.

Chegamos na bica de água que fica na parte final da floresta. Ali me sentei numa pedra e a Eliane foi encher nossas garrafinhas com água. O sabor da água da bica era bem melhor do que da água do riacho. A chuva deu uma aumentada e quando o frio começou a apertar, seguimos em frente. A Eliane foi guerreira, sempre indo na frente escolhendo o melhor caminho e ao mesmo tempo iluminando o meu caminho e me ajudando em alguns trechos mais difíceis, principalmente em descidas onde eu tinha mais dificuldade por culpa das dores. Se não fosse ela, acho que teria que ter sido resgatado.

Finalmente chegamos nas plaquinhas na encruzilhada das trilhas. Ali era o final da floresta, cuja descida por ela foi com certeza a pior e mais demorada parte da aventura. Seguimos pela trilha em direção ao Getúlio e quando saímos da parte de mata, a chuva e o vento começaram a nos castigar. O cansaço e dores me fizeram ficar lento de raciocínio e quando chegamos no Getúlio fiquei em dúvida sobre qual trilha seguir. Até então só tinha passado por ali a noite durante subidas e nunca em descidas. Meu receio era pegar uma trilha errada e nos perdemos. A bateria de nossa única lanterna estava quase no final e não podíamos nos dar ao luxo de pegar uma trilha errada e nos atrasarmos ainda mais. Seguimos devagar e com cuidado, prestando atenção na trilha e quando a chuva deixava, nas montanhas em volta. Esse foi o único momento em que senti a Eliane preocupada durante a descida. Vimos o clarão de duas lanternas vindo da mata atrás de nós e resolvemos esperar. Era um casal que andava rápido e logo se aproximou de onde estávamos. Pararam quando nos viram e contamos que estávamos em duvida sobre a trilha e nos disseram para segui-los. Foi difícil acompanhar o ritmo deles, mas no momento eles eram nossa salvação. Em dois momentos eles erraram a trilha. Passamos por algumas pessoas que estavam acampando no Getúlio. O cara que seguíamos pediu informação sobre qual trilha seguir e o pessoal de uma barraca indicou a direção correta. Mais alguns minutos e finalmente encontramos a trilha certa. Aí eu e Eliane diminuímos o ritmo e deixamos o casal seguir em frente. A lanterna da Eliane ficou de vez sem bateria e ela pegou o celular para iluminar a trilha. A luz do celular era forte, a bateria estava cheia e o celular foi nossa salvação. Sentia cada vez mais dores nas costas e minhas pernas meio que começaram a travar. Era meu nervo ciático avisando que tinha sido machucado.

A parte final não é das mais difíceis, pois é quase toda em descida e somente em algumas partes tem obstáculos. Mas a trilha estava tão molhada e lisa que levamos alguns escorregões feios. Caí sentado duas vezes. A chuva parou e durante alguns minutos a lua cheia deu as caras. Eu cada vez mais lento e travado. Em alguns trechos a Eliane tinha que segurar minha mão e me ajudar a descer pequenos obstáculos. Nunca tinha sofrido tanto numa trilha e dado trabalho. Se não fosse pela ajuda da Eliane eu não teria conseguido chegar ao fim. Não inteiro! Fica aqui meu agradecimento a ela, pela ajuda e por não ter reclamado em nenhum momento. E ela sabe que se fosse ao contrário, eu a teria ajudado da mesmo forma.

Eram quase 23h00min quando chegamos na última encruzilhada e seguimos pela larga trilha que leva até o IAP. Quase não tinha forças, mas cheguei ao final. Foram quase 24 horas para subir e descer o Pico Paraná de ataque, sendo que próximo a 21 horas de efetiva caminhada. Tivemos muitas dificuldades, vários problemas, bem mais do que imaginaríamos ter. Mas não desistimos, seguimos em frente contra todas as dificuldades e obstáculos. Foi uma jornada e tanto! O que nos moveu foi a força de vontade, onde o foco era sempre seguir em frente e desistir jamais. Essa aventura foi um grande treinamento para nossa vida cotidiana. Nosso cérebro é exercitado, condicionado a seguir em frente mesmo diante de dificuldades e obstáculos que parecem ser intransponíveis.

No IAP demos baixa no cadastro que tínhamos feito antes da subida e fomos informados que dois amigos nossos tinham passado ali alguns minutos antes querendo saber informações sobre nós. Eles estavam preocupados com nosso atraso. O atendente do IAP informou que eles estavam nos esperando na Fazenda Pico Paraná e fomos ao encontro deles. Vi o Roberto sentado em uma pedra e quando ele me viu veio todo alegre me dar um abraço. O André logo apareceu e contou que falaram com o casal que nos ajudou no Getúlio, que contou que nos viu e que estávamos descendo lentamente. O André estava de carro e não recusamos a carona até a Fazendo Rio das Pedras, que não ficava longe dali.

Chegando no chalé fui tomar um longo banho quente. Sentia dores fortes nas costas e tive muita dificuldade para me abaixar e vestir roupas limpas. Logo depois foi a vez da Eliane tomar banho e depois jantamos. Na mesa tive rápidos cochilos, pois faziam quase 30 horas que estávamos sem dormir. De barriga cheia tomei um remédio para dor e fui me  deitar. A cama quente e confortável foi um prêmio para nossos corpos cansados e desgastados. Dormimos por várias horas um sono profundo. E o sentimento de ter vencido tantas dificuldades é um sensação difícil de explicar. Mas é um sentimento gostoso. Se voltaremos a subir o PP um dia, somente o tempo vai dizer. Particularmente acho que dou por encerrado minhas aventuras no PP. Foram três cumes lá, então acho que chegou a hora de me aventurar por montanhas mais baixas e mais fáceis, onde meus problemas físicos não atrapalhem tanto. A Eliane disse que do PP não quer mais saber, pois ficou meio traumatizada com a descida pela Carrasqueira com os grampos lisos. Mas não sabemos o dia de amanhã! Quem sabe no futuro não mudemos de ideia e voltamos a nos aventurar pelas encostas do PP? Quem viver verá…

No cume do Pico Paraná, 16/04/2022 – 10h40min.
As nuvens alteram a paisagem a todo instante.
Merecido descanso no cume do PP.
O cão pidão, no cume do PP.
Momento de contemplação e comemoração.
Um dos lados do cume do PP.
Eliane, mulher de muita fibra.
Começando a descer o PP.
Sofrendo com dores nas costas.
Eliane inciando a descida da Carrasqueira.

O ataque de 24 horas ao Pico Paraná – Parte 1

 

Já estive duas vezes no cume do Pico Paraná (PP), em ambas acampando no A2 e partindo para o ataque ao cume de madrugada. Mas sempre defendi que isso não era o ideal, pois subir com mochilas cargueiras até o acampamento A2 era muito sacrifício. Subir pela Carrasqueira com mochilas pesadas nas costas, sempre achei algo insano. Nessa terceira tentativa de chegar ao cume do PP, finalmente poderia provar minha tese de que era melhor fazer o ataque ao cume saindo da Fazenda Pico Paraná, Fazenda Rio das Pedras ou do IAP, levando apenas uma pequena mochila de ataque.

Estava bem descansando após um ótima noite de sono, alojado em um chalé na Fazenda Rio das Pedras. Durante o dia tinha passeado pelo local, tinha feito boas refeições, dormido um pouco a tarde e para relaxar tinha até assistido um filme na Netflix, através do aplicativo do celular. Ás 22h00min tomei um banho para despertar, me vesti e arrumei a mochila de ataque, com água, Gatorade, garrafa térmica com capuccino, lanches doces e salgados e o equipamento básico que pretendia utilizar. A mochila devia estar pesando uns cinco quilos.

Junto comigo seguiriam a Eliane, em sua primeira vez no Pico Paraná, mas já tendo tido experiência em montanha na região do Pico Marumbi. Também seguiria a Carla, em sua primeira experiência numa montanha. Outro parceiro de subida seria o André, que já esteve no A2 do  Pico Paraná, esteve no Taipa e no Pico Agudo. E o companheiro mais experiente nesse ataque seria o Roberto, que já esteve no Taipa e chegou duas vezes ao cume do Pico Paraná. O grupo mesclava pouca com muita experiência e todos tinham se preparado fisicamente para o desafio que iriamos enfrentar. A única incógnita era saber se o André suportaria as dores em seu joelho esquerdo, que tinha machucado pouco tempo antes jogando futebol.

Saímos do chalé na Fazenda Rio das Pedras às 23h00min e seguimos até o IAP para preencher a ficha de subida, pois isso nos garantia uma certa segurança em caso de nos perdermos ou nos machucarmos na montanha. Fazia frio mas o céu estava limpo, sem nuvens e com uma bela lua cheia iluminando a paisagem. Partimos do IAP às 23h18min e resolvemos seguir pela trilha que saí da Fazenda Pico Paraná. Nos primeiros minutos tentei manter um ritmo leve, dando passos curtos e respirando fundo. Sempre achei esse trecho inicial o mais difícil, pois o corpo ainda não está adaptado ao esforço e não se encontra devidamente aquecido. Em subidas anteriores que fiz, não somente ao Pico Paraná, como também ao Caratuva e ao Itapiroca, já vi pessoas querendo desistir justamente nesse trecho inicial.

Passada a primeira meia hora meu corpo foi aquecendo e a caminhada seguiu normal. Fizemos breves paradas para descanso e assim fomos avançando montanha acima. Utilizava um casaco sem mangas e levei um casaco mais quente na mochila, para quando começasse a sentir muito frio. Até o Getúlio nossa caminhada foi relativamente tranquila. Chegando no Getúlio o tempo fechou, ventava forte e chovia. Passámos rápido por essa região e logo entramos na mata novamente, o que nos protegia um pouco da chuva. Quando paramos na encruzilhada onde ficam as plaquinhas que indicam as trilhas para as várias montanhas do lugar, fizemos uma parada para descanso um pouco mais longa. A partir dali começaria a parte que menos gosto da subida, que é a parte da floresta. Nessa parte quase sempre estamos subindo e tem muitos galhos, pedras, cordas e grampos para transpor. Para piorar, o terreno ali estava muito molhado, com barro e em algumas partes um lamaçal de dar medo.

Nosso plano inicial era chegar ao cume do Pico Paraná até 06h30min, para ver o sol nascer lá do alto. Mas quando vi como estava difícil a trilha na parte da floresta, percebi que não daria tempo de chegar ao cume no horário previsto. Por culpa da dificuldade do terreno, avançávamos mais lentamente do que deveríamos. Para mim o importante era avançar e chegar ao cume, já não importando mais o horário, tanto fazia chegar antes ou depois do sol nascer. Queria era chegar no cume e me concentrei e foquei muito nisso. Os demais membros do grupo seguiam com raça e vontade. Apenas a Carla mostrava sinais de estar sofrendo um pouco, o que era compreensível, pois essa era a primeira vez dela numa montanha. Ali na floresta cheguei à conclusão de que tinha sido um erro escolher o Pico Paraná como a primeira montanha dela. Seria melhor ter escolhido uma montanha mais fácil para o debute da Carla. Mas estando ali não dava mais para mudar isso.

Seguimos avançando pela floresta, vencendo os lisos, molhados e escorregadios obstáculos. Essa era a quarta vez que subia por ali, desde minha primeira vez no local em 2008. E confesso que foi a vez mais difícil, devido ao estado do terreno, ao frio e a chuva. Minha lanterna ficou fraca muito antes do previsto e isso me deixou um pouco preocupado, pois tinha baterias extras que previa utilizar somente dali umas duas horas. Segui com a lanterna clareando pouco, procurando enxergar o caminho através da lanterna da Eliane e do André, que seguiam na minha frente. Fizemos algumas paradas para descanso, que não podiam ser muito demoradas para que o corpo não esfriasse.

Passava um pouco das 04h30min quando o Roberto informou que ele e a Carla iam voltar, que o terreno estava muito difícil e perigoso e que ela estava tendo muita dificuldade. Achei a decisão dele assertiva, pois eu que tenho uma boa experiência em montanhas estava sofrendo um pouco, imagina a Carla em sua primeira experiência. O André resolveu voltar também, pois estava sentindo dores no joelho machucado e achou melhor parar ali do que seguir em frente tendo o risco de machucar ainda mais o joelho. Os três retornaram e junto com a Eliane segui em frente. A Eliane estava me surpreendendo, pois seguia na frente sem medo, escolhendo sempre o melhor lugar para pisar ou se segurar. E assim seguimos por mais 40 minutos até sair da floresta. A chuva parou e o céu ficou limpo e cheio de estrelas. Chegamos na parte das caratuvas (uma planta abundante naquela região) onde era possível avistar o Pico Paraná e o dia clareando por trás dele, o que deixava uma visão muito bonita. Ali achei que o pessoal devia ter seguido mais um pouco e dado meia volta naquele local, após a Carla ver o Pico Paraná. Seria um prêmio para o esforço dela ao menos ver a montanha. Mas como só pensei nisso ali, era tarde para dar tal sugestão. Vida que segue!

Fizemos rápida parada para descanso e para observar a beleza da paisagem, que mesmo a noite era maravilhosa. Voltamos para a trilha e tive um pouco de dificuldade para encontrar o caminho. Voltamos a caminhar pelo meio do mato, que cada vez ficava mais molhado e com barro. Minha lanterna morreu de vez e achei melhor trocar a bateria. Seguimos durante cerca de 20 minutos pela trilha enlameada e molhada, até que fiquei na dúvida sobre estar seguindo pelo caminho correto. Tinha passado outras vezes ali durante o dia, mas no escuro da madrugada acabei ficando com receio de estar seguindo pela trilha errada. Sugeri a Eliane voltarmos até as caratuvas e ali esperar o dia nascer. E assim fizemos o caminho de volta, mais 20 minutos pelo meio do mato até chegar nas caratuvas. Procuramos um local um pouco mais protegido e sentamos numa pedra para esperar o dia amanhecer.

O local que escolhemos não era dos mais protegidos e de vez em quando batia um vento de congelar. A temperatura era de seis graus e quando tinha vento a sensação térmica baixava bastante. Tirei meu casaco e dei ele para a Eliane, peguei o casaco mais quente que estava na mochila e vesti. Assim conseguimos nos proteger um pouco melhor do frio, mas não totalmente. Peguei minha garrafa térmica e tomei o capuccino que ainda estava quente. Cerca de uma hora depois descobriria que beber o capuccino foi uma péssima escolha, pois ele me fez mal ao estômago e fiquei um longo tempo sofrendo com tal incomodo. Ficamos meia hora sentados esperando o dia amanhecer e mesmo sofrendo um pouco com o frio, valeu apena ver o sol nascendo por trás do Pico Paraná.

Para não passar mais frio resolvemos voltar a caminhar, dessa vez sem precisar usar as lanternas. Seguimos pelo mesmo caminho pelo qual tínhamos retornado e mais tarde descobrimos que esse era o caminho correto. Esse trecho pela mata também foi bem difícil, por conta do barro e da trilha molhada. Chegamos no acampamento A1 quando o sol já aparecia no céu e amenizava um pouco o frio. Tinham algumas pessoas acampando no A1 e falamos rapidamente com algumas delas. Tivemos um pouco de dificuldade para encontrar a trilha e recebemos ajuda, com pessoas indicando a trilha correta a seguir. Essa trilha seguia pelo meio das caratuvas e não estava tão molhada. Paramos tirar algumas fotos e também para observar a linda paisagem do amanhecer no meio das montanhas. Voltamos a caminhar, dessa vez descendo pela trilha até chegar na encosta do Pico Paraná.

Pela frente mais um trecho desafiador, que era passar pela Carrasqueira, que são dois paredões de rocha quase na vertical, com cordas e grampos. Quem tem medo de altura ou sofre com vertigens, não pode encarar tal desafio. Ao menos subir da menos medo que descer, pois você olha para cima a procura do próximo grampo ou corda e dessa forma não se preocupa tanto com a altura em que está. A Eliane seguiu na frente e se sentiu medo não demonstrou. Não gosto de altura, mas já fiz tantas aventuras em altura, que aprendi como dominar meu medo e seguir em frente. Vencida a Carrasqueira seguimos em frente, alternando trilhas sob sombra, quando sentíamos um pouco de frio, e sob sol, quando nos sentíamos aquecidos. Paramos algumas vezes para tirar fotos rápidas e seguimos em frente. E assim chegamos no acampamento A2.

O A2 não estava muito cheio, mas tinha bastante gente acampada por lá. Fizemos uma breve parada para descanso e seguimos em frente. Nas outras vezes em que estive no Pico Paraná, do A2 até o cume levei uma hora. Mas dessa vez por culpa do terreno ruim fizemos o trecho até o cume em um tempo maior. Em algumas partes da trilha tinha um barro preto, fedido e em algumas partes muito fundo. Nunca tinha visto algo igual, tal barro fazia lembrar da areia movediça que vemos nos filmes. Teve um momento em que pisei nesse barro e minha bota do pé esquerdo quase ficou perdida no meio do barro. Pela trilhas fomos encontrando pessoas subindo e descendo, na verdade mais pessoas descendo do cume do que subindo. Esse pessoal devia ter subido na madrugada para ver o nascer do sol e agora estava descendo. Sempre que encontrávamos alguém, tanto descendo quando subindo, parávamos para dar passagem a eles. Dessa forma podíamos descansar um pouco e continuar seguindo no ritmo em que estávamos.

Nesse trecho da trilha existem alguns grampos e num deles ergui demais a perna para alcançar o próximo grampo e acabei dando mal jeito nas costas. Tenho duas hérnias de disco, que quando submetidas a esforço extremo costumam reclamar e doer e foi isso o que aconteceu. A partir desse momento em que senti dor nas costas, meio que perdi o encanto pela subida do PP. A partir daí segui na raça, superando as dores que sentia e cuidando para que o problema não ficasse mais grave. As dores, somadas ao cansaço, mais uma certa tremedeira que normalmente tenho, fez que em alguns trechos que demandavam mais esforço, minhas mãos tremessem muito. Isso fez com que uma moça que descia a montanha e me viu tremendo, ficasse preocupada achando que eu estava passando mal. Ela me ofereceu um carbogel, mas recusei e agradeci educadamente a oferta. Legal isso de um tentar ajudar o outro. Tal coisa é comum nas montanhas, mas sempre existem as exceções, aquelas pessoas que não estão nem aí para as outras, que não são nada gentis ou educadas. Felizmente isso é minoria!

Seguimos em frente e exatamente às 10h40min chegamos no cume do Pico Paraná. Estávamos no ponto culminante do sul do Brasil, sob um sol que se não era dos mais quentes, servia para queimar um pouco nossa pele. Era minha terceira vez no cume do PP e a primeira vez da Eliane. Estava mais cansado do que ela e com as dores nas costas não curti tanto estar ali no cume, como curti das outras duas vezes que ali cheguei. Nos sentamos numa pedra e enquanto descansávamos ficamos curtindo a linda paisagem em volta. Também aproveitamos para lanchar, beber água e dividir um Gatorade. E registramos nossos nomes no caderno de cume, que fica numa caixinha em cima de uma pedra. Estava preocupado com minhas dores, já pensando na descida. Sabia que descer com dor seria complicado e nos atrasaria. Outra preocupação era com relação a minha lanterna, pois sabia que ela não teria bateria suficiente para descer no escuro caso nosso atraso na descida fosse grande e o escuro nos alcançasse antes do previsto. Não externei muito minhas preocupações para a Eliane, pois não tinha porque deixá-la preocupada naquele momento. Queria que ela curtisse sua conquista e aproveitasse ao máximo os minutos que ficaria ali no cume. A descida e seus problemas, deixaria para me preocupar conforme eles acontecessem.

Continua na próxima postagem…

Prontos para sair no frio e encarar a montanha.
Vander, Carla, André, Roberto e Eliane.
Eliane chegando no Getúlio.
O dia nascendo por trás do Pico Paraná.
Frio de 6 graus.
Amanhecer com o Pico Paraná ao fundo.
No acampamento A1.
O sol apareceu para aquecer um pouco.
O sol surgindo ao lado do PP.
André, Carla e Roberto no retorno a Fazenda Rio das Pedras.
Já é possível ver pessoas no cume.
Último esforço antes de chegar ao cume…
Após quase 12 horas, finalmente chegamos no cume do Pico Paraná.

Feriado na Fazenda Rio das Pedras

Aproveitando o feriado da sexta-feira santa, peguei dispensa do trabalho na quinta-feira a tarde e junto com Eliane, André, Roberto e Carla, segui para a região de Campina Grande do Sul, cerca de 50 quilômetros após Curitiba. Nosso destino era a Fazenda Rio das Pedras, que fica ao lado da Fazenda Pico Paraná. As duas fazendas são o portão de entrada para as altas e belas montanhas que existem na região. As principais são o Pico Paraná e o Caratuva, respectivamente as duas maiores montanhas do sul do Brasil.

A viagem foi tranquila e conversamos e rimos muito. O mais difícil foi suportar a trilha sonora que o André colocou para tocar. Como o carro era dele, tinha direito de escolher as músicas. Fizemos uma parada no meio do caminho, pouco antes de chegar em Ponta Grossa. Nossa parada foi numa lanchonete especializada em pão de queijo. Depois dessa parada assumi a direção do carro e seguimos em frente, chegando em Curitiba quando já estava escuro. Por ser véspera de feriado o trânsito estava lento e atrasou um pouco nossa viagem.

Já quase no final da viagem, logo após sairmos da Rodovia Régis Bitencourt e entrarmos numa estrada de terra com muitas subidas e buracos, tivemos o primeiro problema da viagem. O carro morreu no meio de uma subida e para sair do lugar os passageiros tiveram que descer e alguns ajudarem a empurrar o carro, que por muito pouco não caiu em uma valeta ao lado da estrada. Felizmente deu tudo certo e chegamos em segurança na Fazenda Rio das Pedras. Passava um pouco das 21 horas, fazia frio e garoava.

Tiramos as bagagens do carro, nos ajeitamos nos três quartos do chalé de madeira que alugamos e nos reunimos para decidir o que fazer. O plano inicial era chegar e logo depois partir para o ataque ao Pico Paraná. Como estávamos cansados da viagem, que demorou mais que o planejado e fazia frio e chuviscava, por votação foi decidido adiar o ataque para a noite seguinte. Depois disso o jeito foi tomar banho e jantar uma deliciosa lasanha feita pelo Roberto. Em seguida cama, um merecido descanso após pouco mais de 500 quilômetros de viagem.

Na manhã seguinte cada um levantou num horário diferente. Após o café da manhã fomos passear pelo lugar, que é muito bonito. Fizemos uma rápida parada numa lanchonete para usar o wi-fi e depois fomos andar ao lado do rio que passa atrás do chalé. O rio é raso, a água transparente e muito gelada. Algumas fotos e voltamos para o chalé. Teve roda de chimarrão e bate papo e logo voltamos ao rio, dessa vez para entrar na água. Foi preciso muita coragem para entrar na água congelante. Era difícil entrar, mas após um minuto dentro da água o corpo acostumava com o frio e ficava relaxante a experiência.

De volta ao chalé teve almoço e a tarde foi de descanso. Aproveitei para dormir um pouco e depois deu até para assistir um filme da Netflix, devidamente baixado no aplicativo instalado no celular. Depois foi banho, janta e mais um pouco de descanso visando o ataque ao Pico Paraná logo mais tarde. Sobre tal ataque você pode ler na próxima postagem…

Pé na estrada…

Entrada da Fazenda Rio das Pedras e a direita o IAP.

Relaxando na água extremamente fria.
Roberto e o dog.
Vander e Eliane

Curitiba

Não visitava Curitiba há dois anos e meio. Morei 20 anos em Curitiba e desde 1988 que não ficava tanto tempo sem ir na cidade. E me assustei com o que vi. Cidade suja, cheia de pichações, muitos moradores de rua, tráfico correndo solto a luz do dia em algumas praças do centro da cidade.

Andei pela cidade a noite e aí sim me assustei. Em algumas regiões existem pedintes em todo semáforo. Nada contra os pedintes, mas é que não tem como você saber quem é realmente pedinte e quem está querendo te assaltar.

Definitivamente Curitiba é uma cidade decadente, que nada lembra os tempos em que morei por lá. Tão cedo não volto!

Mirante da Oi.

 

Bosque do Papa.

 

Passeio Público.
UFPR.  

Ilha do Mel

Desde 2010 que não ia na Ilha do Mel. E depois dessa visita não pretendo voltar tão cedo. Muito lixo, excesso de visitantes, muitas pousadas, bares e restaurantes. Comecei a frequentar a Ilha do Mel no final dos anos oitenta e naquela época a Ilha era mais deserta, não tinha tantos bares, pousadas, som alto e sujeira. Ficávamos em camping e a ilha era mais selvagem e paradisíaca.

Outro absurdo que presenciei, foram algumas casas de alto padrão construídas quase ao lado da Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres.

Fizemos um passeio a pé, maior parte na chuva, entre Nova Brasília e a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres. O passeio foi legal e a volta de barco foi com emoção devido a chuva e o mar cheio de ondas.

Morretes

Estivemos visitando Morretes, uma cidade que acho muito simpática. Fazia alguns anos que não visitava a cidade e me espantei com o aumento do número de restaurantes. Sendo o prato típico local o Barreado, muita gente visita a cidade exclusivamente para comer tal iguaria. Não é meu caso, pois não curto carne cozida e da vez que experimentei o Barreado não gostei.

A chuva acabou encurtando nosso passeio por Morretes, mas mesmo assim valeu a pena as poucas horas que ficamos na cidade.

Passeio de trem Morretes / Curitiba

Fizemos o passeio de trem entre Morretes e Curitiba. Na verdade embarcamos pouco depois de Morretes, na Estação Marumbi. Era a primeira vez que a Eliane fazia esse passeio e ela gostou da experiência. Eu já fiz várias vezes, sendo a última vez em 2010. Tal passeio é muito legal e a paisagem é incrível.

Farei duas observações que acho oportunas. A primeira é com relação as árvores do lado da estrada, que cresceram muito e impedem de se ver muitas paisagens que eram possíveis ver no passado.

A segunda observação é com relação ao preço da passagem. A passagem mais barata é R$ 160,00. Achei muito caro! Lembro dos tempos em que a RFFSA administrava o trem e os preços eram bem em conta. Era muito comum nos finais de semana, famílias inteiras pegarem o trem e irem até Morretes ou Paranaguá (naquela época o trem ia até lá) passarem o dia e no final da tarde pegarem o trem de volta para Curitiba. Hoje isso é meio que impossível de se fazer, pois um casal com um filho, gastaria R$ 960,00 para fazer tal passeio, isso comprando a passagem mais barata. A Serra Verde Express, empresa que administra o trem de passageiros atualmente, parece estar mais preocupada com os turistas endinheirados do que com os passageiros comuns, moradores de Curitiba e região metropolitana.

Ponte São João.

Cruz do Barão.
Véu da Noiva.

Parque Estadual Marumbi

Comecei o ano junto com a Eliane, desbravando o Parque Estadual Marumbi. Passámos dois dias andando pelo Parque. Fazia alguns anos que não visitava o lugar e constatei que as casas e as estações Engenheiro Lange e Marumbi, estão em péssimo estado de conservação.

Também caminhamos um pouco pelo Caminho do Itupava. O mesmo está fechado desde o início da pandemia e a trilha está suja, com muito mato e cobras. O camping do Marumbi também está fechado e o horário restrito, você precisa sair do Parque até 17 horas. Isso atrapalhou muito nossos planos, pois tivemos que ficar num camping distante seis quilômetros do Parque. E por conta do horário restrito de visitação, não chegamos ao cume do Marumbi.

Apesar dos pesares, foram dois dias muito agradáveis visitando o Parque Estadual Marumbi. O que nos fez sofrer bastante foi o calor intenso, mas no geral valeu o passeio.

Tinha uma cobra no caminho…

Caminho do Itupava.
Caminho do Itupava.

Com Waldemar Niclevicz, o maior montanhista brasileiro.
Estação Marumbi.

O camping está fechado há muito tempo.

 

Estrada da Graciosa

Descemos pela histórica Estrada da Graciosa. Fazia um dia de sol, o que deixou o passeio ainda mais bonito. Notei que a cada ano as árvores do lado da estrada crescem mais e isso faz com que cada vez menos se possa observar a bela vista que se tem ao passar por ali. Mas derrubar árvores é algo impensável, então o jeito é admirar a mata e as sinuosas curvas da estrada.

A Estrada da Graciosa é uma estrada pertencente ao governo do Paraná, que utiliza a antiga rota dos tropeiros em direção ao litoral do Estado, interligando o município de Quatro Barras, às cidades de antonina e Morretes. Foi a primeira estrada pavimentada do Paraná. A estrada atravessa o trecho mais preservado de Mata Atlântica do Brasil, marcado pela mata tropical e pelos belos riachos que nascem na Serra do mar. Por isso, em 1993, parte do trecho da Serra foi declarada pela UNESCO como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

Portal da Graciosa.

Parque Estadual de Vila Velha

 

Após 11 anos desde minha última visita, voltei ao Parque Estadual de Vila Velha. E gostei do que vi! O Parque está bem cuidado, limpo, os passeios bem organizados. Tudo bem diferente da primeira vez que estive ali, no início de 2000. Naquela época tudo era meio caótico e bagunçado.

Fizemos o passeio clássico pelos arenitos e depois fomos de ônibus até Furnas. Uma pena que o elevador que leva até o fundo continua quebrado. Foi a primeira vez da Eliane no local e ela curtiu muito o passeio. Fazia bastante calor e mesmo sendo o primeiro dia do ano o Parque estava cheio.

Você paga um ingresso de R$ 48,00 e tem direito a fazer os três passeios disponíveis, que são: Arenitos, Furnas e Lagoa Dourada. Não fomos até a Lagoa Dourada, pois tinha muita fila para os ônibus e estávamos cansados após viajar quase a noite toda e queríamos seguir em frente com nossa viagem.

O Parque Estadual de Vila Velha  foi o primeiro Parque Estadual criado no Paraná, em 1953, pela Lei Estadual nº 1.292. Alguns anos depois, em 1966, foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Paraná. Hoje, é uma concessão do Governo de Estado do Paraná, por meio do Instituto Água e Terra, à Soul Vila Velha, uma empresa da Soul Parques.

Em frente ao Camelo. 
Taça.

Furnas.

Não Olhe Para Cima

Véspera de Natal e resolvi assistir um filme recém lançado na Netflix. E valeu muito a pena, pois o filme além de engraçado, fala sobre temas importantes e atuais, bem como chuta algumas canelas. E o elenco do filme também é muito bom, com atores oscarizados.

O filme Não Olhe Para Cima, conta a história de dois astrônomos que descobrem um cometa mortal vindo em direção à Terra, mas são desacreditados quando tentam alertar a população sobre o perigo…. No fundo o filme é uma bela crítica social, que mostra como o negacionismo vem ganhando força nos dias de hoje. Também mostra o problema climático que o mundo enfrenta e para o qual poucos dão a devida atenção.

Gostei muito do filme, principalmente porque no final acontece o que mais queria que acontecesse com o mundo real. Mas não vou contar aqui para não dar spoiler. Assita ao filme e vai saber sobre o que estou falando, sobre qual é esse meu sonho utópico.

LIVRO: Um Novo Olhar pelos Caminhos de Peabiru

Hoje estive presente no lançamento do livro Um Novo Olhar pelos Caminhos de Peabiru, da minha amiga Gessiane Pereira. O lançamento e noite de autógrafos foi em frente a Casa da Cultura de Peabiru e contou com a presença de um bom público. O livro é um coletânea de fotos da autora e poesias de alguns moradores da cidade de Peabiru.

II Caminhada Noturna São Franscisco de Assis

Aconteceu no último sábado a II Caminhada Noturna São Francisco de Assis. Essa caminhada foi adiada por quase um ano em razão da Covid19. A caminhada teve cerca de 140 participantes de diversas cidades. Seu início foi na localidade do Boicotó, que pertence ao munícipio de Corumbataí do Sul e seu término foi na cidade de Campo Mourão. Foram 40 quilômetros de caminhada, percorrendo principalmente estradas de terra.

A caminhada começou pouco antes das 20 horas do sábado. Logo nos primeiros quilômetros a lua cheia apareceu e isso possibilitou a muitos caminhantes poder caminhar sem a luz de lanternas. Carros de apoio acompanharam os caminhantes, disponibilizando água, bananas e paçoquinhas.

A caminhada passou por dentro da pequena comunidade de Silviolândia, onde muitos caminhantes aproveitaram para parar no único bar do local, para beber, comer e descansar um pouco. Após Silviolândia começou o trecho mais difícil da caminhada, com muitas subidas difíceis.

Cerca de 50 caminhantes não percorreram todo o percurso, tendo pegado carona com os carros de apoio para percorrer alguns quilômetros ou para serem levados até o ponto final da caminhada. Aqueles que percorreram todos os 40 quilômetros vivenciaram uma experiência de superação, força de vontade e descobriram como é bom o sentimento de missão cumprida ao chegar no final da caminhada sem ter pegado carona por um único metro sequer.

Para aqueles que desistiram ou pegaram carona, valeu o esforço de ter tentado e o aprendizado obtido com a experiência de  ter participado da caminhada noturna. E que na próxima edição possam se preparar melhor fisicamente e psicologicamente para completar os 40 quilômetros caminhando. Numa caminhada desse porte, 50 por cento é condicionamento físico e os outros 50 por cento é força de vontade.

A caminhada foi muito bem organizada e espero no próximo ano participar novamente dela, pois a experiência é enriquecedora.

No ônibus seguindo para o Boicotó.
Salto Boicotó.
Caminhantes reunidos.
Capela no início da caminhada.
A lua cheia surgindo.
Entrando em Silviolândia.
Em Silviolândia, uma Coca-Cola para refrescar.
Sombras na noite…
Pessoal da organização.

De volta ao Caratuva

No feriado de 15 de novembro, estive pela segunda vez no cume do Pico Caratuva, que é a segunda montanha mais alto do sul do Brasil, com 1.860 metros de altitude. A outra vez que estive nessa montanha foi em novembro de 2008. Na época eu ainda morava em Curitiba, então era mais fácil ir até a Fazenda Pico Paraná e iniciar a subida da montanha, pois a distância da fazenda até minha casa era de apenas 50 quilômetros. Atualmente moro a 500 quilômetros de distância, então a ida até lá demandou uma certa organização, tempo e gastos.

Saímos de Campo Mourão em dois carros, com quatro ocupantes cada um. Pegamos estrada no início da tarde de sábado, com um calor na casa dos 30 graus. Chegamos na Fazenda Pico Paraná a noite e com uma temperatura de 14 graus. Nós ficaríamos alojados em um chalé na Chácara Rio das Pedras, que fica ao lado da Fazenda Pico Paraná. Lá nos esperavam mais dois caras de Joinville – SC, que subiriam a montanha conosco e um amigo deles que não subiria. A viagem foi cansativa e após ajeitarmos as coisas e comermos, fui dormir.

Acordei às 02h30min, após ter dormido pouco mais de três horas. Fiz uma descoberta nem um pouco agradável. Cometi um erro de iniciante, esquecendo minhas botas. Tinha levado apenas um tênis velho, cujo solado estava completamente liso. Subir com aquele tênis por trilhas molhadas e cheia de barro era algo perigoso. Por alguns momentos cogitei desistir de subir o Caratuva, mas resolvi arriscar, sabendo que sofreria muitos escorregões com aquele par de tênis liso e teria que tomar muito cuidado para não sofrer nenhuma queda.

Fazia ainda mais frio. Rapidamente me arrumei e saí com os outros nove integrantes do grupo, rumo a montanha. O plano era ver o sol nascer lá do alto. O início da caminhada sempre é difícil, pois o corpo está meio frio e travado. Tinha chovido durante a semana naquela região e encontramos muito barro pelo caminho. Após duas horas de caminhada, um dos companheiros desistiu, devido a dores no joelho e deu meia volta. Começou a ventar forte e cair uma fina garoa.

A subida não foi das mais fáceis, mas seguimos em frente e nosso grupo acabou se separando, pois alguns seguiam mais rápidos e outros menos. Eu era um dos que ficou no grupo mais lento, pois desde o início vinha fechando o grupo. Devido a trilha ruim que encontramos, logo que o dia começou a clarear percebemos que não conseguiríamos chegar ao cume antes do nascer do sol. Logo baixou uma neblina densa o que era sinal de que no alto da montanha devia estar com o tempo fechado e não seria possível ver o sol nascer.

Quase que exatamente às 07h00min, atingimos o cume do Caratuva. Lá em cima estava tudo branco pela neblina, ventava e fazia muito frio. Após 13 anos eu voltava ao cume e encontrava o tempo igual da vez anterior. A vista lá do alto quando o dia está limpo é muito bonita, mas com o tempo fechado como estava não dava para ver nada. Estranhamos em não ter encontrado no cume quatro companheiros que tinham seguido na frente. Será que se perderam pelo caminho?

Ficamos uma hora no cume esperando para ver se o tempo limpava e que no mínimo pudéssemos ver o Pico Paraná lá do alto. Mas nada de o tempo limpar e ficar parado causava frio, então resolvemos descer. Na parte de trás da montanha, pelo caminho onde tínhamos subido, o tempo estava limpando e era possível ver a bela paisagem onde se destaca a Represa do Capivari. Ficamos alguns minutos admirando a paisagem e nos aquecendo ao sol.

Começamos a descer, o que teoricamente é mais fácil. Mas devido a trilha molhada e enlameada, não foi tão fácil a descida. Sem contar que ela estava mais perigosa. Era muito fácil escorregar e sofrer uma queda. Após pouco mais de uma hora de iniciarmos a descida, escorreguei e ao tentar me segurar numa árvore um pedaço de pau atravessou um dedo de minha mão esquerda. Saiu muito sangue e senti uma dor terrível. Fui socorrido pelos amigos Welison e Paulo, sendo que esse improvisou um curativo. Se a descida já estava difícil, com uma mão imobilizada e sentindo dor, o resto da descida foi ainda mais complicado. Mas ficar parado não era uma opção e o jeito foi seguir em frente.

Começamos a encontrar muita gente na trilha. Em razão do feriado, muitas pessoas tinham optado em seguir para as montanhas. Após passar frio de madrugada e no início da manhã, agora era vez de sofrer com o sol quente quando chegamos na região do Getúlio, onde a maior parte da trilha não é protegida pela sombra das árvores. Pouco antes do meio dia chegamos na Fazenda Pico Paraná e seguimos para nosso chalé. Me sentia muito cansando, com muita dor nas pernas e no dedo machucado.

Chegando no chalé, descobrimos que o Roberto, Ronaldo, Vitor e André, tinham errado a trilha e foram parar na montanha errada. Eles acabaram indo parar no Taipa. Tal erro foi motivo de muita zoação, principalmente com o Ronaldo e o André, que já tinham o histórico de ter tido problemas no Pico Paraná. Eles foram considerados pé frios de montanha.

Tomei um longo banho quente, limpei o dedo ferido e fiz um curativo mais caprichado. Fiz um lanche rápido e fui dormir. Dormi o resto do dia e a noite levantei para comer e conversar um pouco com o pessoal. O dedo machucado tinha inchado e estava latejando. Cogitei ir até um hospital em Curitiba, para dar uma olhada melhor no ferimento. Meu receio era de que alguma sujeira ou pedaço de madeira tivesse ficado dentro do dedo.

Nessa viagem o Roberto, que está fazendo um curso noturno de cozinha no Senac, foi nosso cozinheiro. Ele caprichou nas refeições e confesso que nunca comi tanto e tão bem durante uma viagem as montanhas. Ele se mostrou bem preocupado com meu dedo machucado e a noite tive tratamento vip por parte dele. A todo momento ele vinha me trazer churrasco e refrigerante, queria saber como estava meu dedo, perguntava se eu queria ir para um hospital e muita coisa mais.

Dormi cedo, tinha esfriado bastante e meu saco de dormir colocado em cima de um colchão no chão, estava bastante acolhedor. No dia seguinte levantamos cedo, arrumamos nossas coisas e pegamos a estrada de volta para casa. Meu dedo estava ainda mais inchado e doendo, o que me fez tomar alguns comprimidos para dor. Não vi necessidade de parar num hospital em Curitiba. Só fui buscar tratamento médico no dia seguinte, quando já estava em minha cidade e acordei com o dedo roxo, muito inchado e ainda mais dolorido. Tive que tomar antibióticos durante uma semana e também tomar vacina para tétano. A vacina (pra variar) me deu reação e fiquei um dia e meio muito mal, com dores pelo corpo, febre e desanimo. Mas no fim tudo deu cedo e o dedo está curado.

Essa foi uma viagem e uma aventura muito legal e nosso grupo se mostrou divertido e a parceria foi total. Agora que venham as próximas montanhas…

 

 

Vitor, Ronaldo e Cris.
Ao fundo a Represa do Capivari.
André, Vander, Roberto e Welison.

 

Vivian Maier

Uma de minhas paixões é a fotografia e hoje por acaso ouvi falar pela primeira vez sobre uma fotógrafa cuja obra foi descoberta há poucos anos e que está fazendo muito sucesso pelo mundo. O nome da fotógrafa é Vivian Maier. Ela nasceu em Nova York, trabalhou quase a vida toda como babá e governanta nas cidades de Nova York e Chicago. Ela sempre foi reservada e seu hobby era a fotografia. As famílias que a contrataram nessas duas cidades, não sabiam que ela fotografava de forma obsessiva.

Durante uma fase de sua vida, Vivian viajou por alguns países, tendo inclusive visitado a América do Sul. Por onde andava ela costumava carregar uma máquina fotográfica e gostava de tirar fotos do cotidiano, de pessoas aleatórias que via pelas ruas. E antes do selfie se tornar modinha, Vivian gostava de tirar auto retratos utilizando o reflexo de vitrines, espelhos, rodas de carros e etc.

Vivian faleceu em 2009 numa casa de repouso em Chicago, aos 83 anos. Deixou para a posteridade milhares de fotos, sendo a maioria em preto e branco. Poucas de suas fotos tinham sido reveladas. Ela deixou centenas de rolos de filmes guardados em um depósito público (depósitos comuns de se encontrar nos Estados Unidos, onde se paga uma taxa mensal para guardar coisas). Quando ficou velha e não tinha mais dinheiro para pagar o aluguel mensal do depósito onde estavam guardadas suas coisas, todo seu acervo acabou indo parar em um leilão. O comprador, John Maloof, de 27 anos, arrematou em 2007 por US$ 400,00 cerca de 30 mil negativos e 1.600 rolos de filmes não revelados. Ao olhar pela primeira vez o acervo de Vivian, não encontrou  nada interessante. Ele pesquisou sobre a autora e não encontrou nada sobre ela, então guardou o acervo no armário.

Em 2009, por acaso John Maloof leu num jornal o obituário falando sobre a morte de Vivian Maier. Curioso foi pesquisar sobre a desconhecida fotógrafa. Desvendou a vida dela, revelou os filmes que tinha guardado no armário e descobriu que tinha em mãos um verdadeiro tesouro, que mostrava através de fotografias tiradas entre 1953 e 1984, histórias de pessoas desconhecidas e do cotidiano de então. Jonh Mallof fez um documentário sobre Vivian Maier, o qual fez sucesso e tornou famosa a fotógrafa discreta que jamais sonhara em se tornar famosa.

O documentário “À procura de Vivian Maier”, que concorreu ao Oscar em 2015, foi parar na Netflix e muitas das fotos de Vivian foram parar em exposições em famosas galerias de arte e museus pelo mundo. Vivian Maier tinha grande talento para a fotografia, talento que ela desconhecia. 

Familiares próximos de Vivian, tendo como base a Lei de Direitos Autorais, entraram na justiça americana exigindo que o acervo volte para suas mãos. Enquanto a briga judicial está correndo, advogados da família exigiram que as imagens fossem retiradas de galerias, museus e que nada fosse comercializado. Processos desse tipo podem durar anos e por isso boa parte da obra de Vivian Maier pode ficar escondida por mais um longo tempo.

NovaYork, 1953.
Foto de 1956.
Uma das fotos coloridas de Vivian Maier.

ALGUNS AUTO RETRATOS DE VIVIAN MAIER

Documentário: “A Procura de Vivian Maier” (2013).

O Hóspede Americano

O Hóspede Americano é uma série que está estreando na HBO. Ela conta uma história real sobre a expedição que o ex-Presidente norte Americano Theodore Roosevelt, fez pela amazônia em companhia do Marechal Cândido Rondon. Existe um livro (esgotado) que conta essa história em detalhes, O Rio da Dúvida (Candice Millard).

Em O Hóspede Americano, após perder as eleições para a presidência dos Estados Unidos, o ex-Presidente Theodore Roosevelt (Aidan Quinn) desembarca em solo brasileiro para realizar uma expedição no último rio não explorado do país, o Rio da Dúvida em Rôndonia. Ele parte nessa aventura ao lado de seu amigo de longa data Farrel Nash (David Herman) e do filho Kermit (Chris Mason). Eles tem a ajuda do Marechal Cândido Rondon (Chico Diaz), responsável por interligar as regiões mais distantes do Brasil. As diferenças de personalidade dificultam a relação entre o ex-Presidente e o militar, mas eles precisararão aprender a trabalhar juntos para conduzir essa viagem.

O Hóspede Americano.
Livro: O Rio da Dúvida