Curitiba: A crônica de uma cidade decadente

Na semana passada, meu destino era Porto Alegre, mas durante uma escala em Curitiba, tudo mudou na minha viagem. Por imprevistos de última hora, cancelei a sequência da viagem e resolvi passar meus quatro dias disponíveis na capital paranaense. Se arrependimento matasse, eu estaria fodido.

Vivi em Curitiba por 19 anos, entre idas e vindas — entre fevereiro de 1989 e agosto de 2010. Nos primeiros dois anos após minha partida, eu voltava com frequência; ainda havia amigos, laços e uma memória afetiva forte. Mas o tempo passa, os vínculos se afrouxam e, a cada retorno, a decepção aumenta. Notei uma cidade progressivamente mais suja, pichada e insegura. Quem vive nela talvez não perceba a gravidade dessa decadência, pois as mudanças vêm em “conta-gotas”. Para quem observa de fora, o choque é nítido. E esse é o meu caso. Após essa visita não programada da semana passada, não pretendo voltar tão cedo para passear. Só volto se o trabalho exigir.

O que mais me dói é ver o Centro da cidade, que já foi meu lugar favorito e onde inclusive morei em quatro endereços diferentes. A maioria dos meus refúgios antigos simplesmente fechou. Nesta última visita, descobri que uma tradicional padaria de uma galeria perto da Praça Generoso Marques — onde eu batia ponto para comer aquele cachorro-quente no pão francês com duas vinas — não existe mais. Ela já estava lá muito antes de eu chegar à cidade, e agora é apenas uma lembrança.

Outra constatação curiosa — notada há dois anos, em minha última visita à cidade, e reafirmada agora — é que o espanhol parece ganhar força como idioma local. Imigrantes hispânicos estão por toda parte, presentes na maioria dos postos de trabalho dos lugares que visitei. Dados confirmam que dos cerca de 20 mil estrangeiros na cidade, metade é hispânica, majoritariamente venezuelana. O contraste é incômodo: enquanto vejo estrangeiros trabalhando, vejo cada vez mais brasileiros mendigando ou dormindo pelas calçadas. Sei que tal debate é longo e complexo, e não é meu objetivo aprofundá-lo aqui, mas “algo errado não está certo”.

Sei que alguns curitibanos — e até amigos curitibanos — vão chiar ao ler isso. Mas é a mais pura verdade. Curitiba já foi bela, agradável, quase um “paraíso na terra”, como pregavam os políticos dos anos 1990. Aquela cidade que amei e jurei nunca abandonar morreu. Nesta última visita, encontrei algo mais próximo do Inferno de Dante do que do Céu. A vida seguiu, a fila andou e, como em tantas outras áreas, não pretendo olhar para trás. Sigo e olho somente em frente. Bye-bye, CWB!

*Algumas fotos da minha recente visita a Curitiba.

Alguns comentários sobre o Oscar 2026

Hoje foi noite de Oscar, e o vencedor de Melhor Filme foi minha 9ª opção na lista de preferências entre os dez concorrentes: Uma Batalha Após a Outra. Definitivamente não entendo de cinema pois, a exemplo do ano passado, um dos filmes de que menos gostei foi o vencedor.

O Brasil nunca tinha concorrido a tantos Oscars — foram cinco indicações — e, mesmo assim, não ganhou nada. Mas valeu a participação… O vencedor de Melhor Filme Internacional (categoria em que O Agente Secreto tinha mais chances) foi Valor Sentimental. Foi merecido!

Sean Penn venceu como Melhor Ator Coadjuvante. Muito justo! Ele não foi receber o prêmio. Foi o seu terceiro Oscar e, nas vezes anteriores, ele compareceu. Até o momento, não se sabe o real motivo de sua ausência.

Já na categoria de Melhor Ator, na qual Wagner Moura concorria, o vencedor foi Michael B. Jordan. Também foi merecido; o cara interpretou gêmeos e eu só soube disso meses depois de ter assistido ao filme. Na hora, achei que eram gêmeos de verdade atuando.

Pela primeira vez, assisti à cerimônia do Oscar no cinema. Foi uma experiência legal, com cerca de cem pessoas na sala. Na entrada, teve direito a tapete vermelho e champanhe (que não bebi, pois não gosto). Também dei uma entrevista ao vivo. Durante os intervalos, o pessoal do cinema distribuiu brindes para quem acertava perguntas. Eu estava na penúltima fileira e, sabia muitas respostas. Como a sala era em degraus, não valia o risco de descer correndo no escuro para responder no microfone. O risco de alguém que enxerga mal no escuro, como eu, cair e quebrar o pescoço era grande.

Mesmo assim, ganhei uma pipoca e um ingresso. Acertei duas perguntas, sendo uma delas das mais difíceis. Até recebi palmas! Como eram perguntas difíceis e ninguém correu para responder, pude descer a escadaria com calma. Na mais difícil, que exigia uma resposta dupla, avisei que sabia metade e chutaria o restante. E bingo! Chutei certo.

Cinemaxs – Campo Mourão.
Vander e Alemão, no tapete vermelho.

Primeiros mortos da FEB na Itália

Durante a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, a Força Expedicionária Brasileira (FEB) enviou cerca de 25 mil soldados — conhecidos como pracinhas — para lutar ao lado dos Aliados na campanha da Itália. A presença brasileira no conflito deixou diversas histórias marcantes, incluindo as primeiras perdas entre os soldados.

Antes mesmo da primeira morte em combate, ocorreu um episódio trágico envolvendo o soldado brasileiro, Antônio Oliveira, que morreu em um acidente. Nos primeiros dias da chegada da FEB à Itália, em 1944, alguns militares estavam em um momento de descanso próximo a um rio na região onde o contingente brasileiro estava instalado. Durante esse período de folga, um dos soldados entrou na água para nadar e acabou se afogando. Como essa morte ocorreu em circunstâncias acidentais e não durante uma operação militar, ela geralmente não é considerada a primeira baixa de guerra da FEB.

A primeira morte oficialmente registrada em combate entre os brasileiros aconteceu pouco depois. O soldado Constantino Marochi, nascido em 17 de julho de 1921 em Campo Largo, no Paraná, integrava o Exército Brasileiro e fazia parte do contingente enviado à Itália pela FEB. Em 21 de setembro de 1944, durante os primeiros confrontos dos brasileiros contra as forças alemãs na região de Vic Santine, Marochi foi atingido por estilhaços de um morteiro disparado pelo inimigo. Ele não resistiu aos ferimentos, tornando-se o primeiro brasileiro morto em combate na campanha italiana.

A morte de Constantino Marochi marcou profundamente os pracinhas que lutavam na Itália e acabou se tornando um símbolo do sacrifício dos soldados brasileiros na guerra. Ao final do conflito, cerca de 457 militares da FEB haviam perdido a vida. Em homenagem ao soldado paranaense, seu nome foi lembrado em diferentes monumentos e homenagens no Brasil, preservando a memória daqueles que participaram da luta contra o nazifascismo na Europa.

Marochi foi sepultado originalmente no Cemitério Militar Brasileiro de Pistoia, na Itália. Em 1960, seus restos mortais foram trazidos para o Brasil e sepultados no Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial — popularmente conhecido como Monumento aos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro. Ele repousa em um dos jazigos individuais do mausoléu subterrâneo do monumento.

No Batalhão do Exército (20º BIB), onde servi durante dois anos em Curitiba, havia uma rua dentro do próprio batalhão chamada Marochi. Naquele tempo (1989–1991), era ali que se realizavam os desfiles do batalhão. A Marochi ficava bem em frente ao prédio da minha companhia, e passei incontáveis horas nela, entre treinamentos e marchas.

A lembrança que mais ficou gravada, no entanto, aconteceu numa noite de inverno rigoroso, típica de Curitiba. Eu estava de serviço exatamente na Marochi, ao relento, com o vento cortante que parecia atravessar até os ossos. O frio era intenso; meus dedos e ombros quase não respondiam, e, para tentar amenizar, eu batia nos ombros do casaco para derrubar a fina camada de gelo que se formava. Foi nessa noite que, num gesto meio infantil, meio desafiador, consegui escrever meu nome no gelo que se acumulou sobre meu capacete.

Cada minuto parecia se arrastar, cada sopro de vento aumentava a sensação de solidão e desconforto. Sem exagero, posso dizer que foi uma das noites mais longas da minha vida — uma lembrança que, mesmo com o passar dos anos, continua viva, gelada e clara na memória.

Constantino Marochi.
Cemitério de Pistoia – Itália.
Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial.

Frascos lacrados por Darwin

Essa é uma história fascinante que parece saída de um romance de mistério científico. Na verdade, esses frascos lacrados por Charles Darwin, fazem parte de um “tesouro botânico” que ficou esquecido por quase dois séculos e agora está revelando segredos sobre como o mundo mudou desde a época vitoriana (período do reinado da rainha Vitória no Reino Unido, entre junho de 1837 e  janeiro de 1901).

O “Baú do Tesouro” de Darwin e Henslow

Os frascos em questão pertencem à coleção de John Stevens Henslow, que foi o mentor de Charles Darwin na Universidade de Cambridge. Foi Henslow quem conseguiu a vaga para Darwin no HMS Beagle.

Durante a década de 1830, enquanto Darwin coletava espécimes ao redor do mundo, Henslow estava montando uma biblioteca botânica massiva em Cambridge. Muitos desses frascos contêm amostras que o próprio Darwin enviou ou coletou sob a orientação de seu mestre.

O que há dentro dos frascos?

Ao contrário de herbários comuns, onde as plantas são secas e prensadas, essas amostras foram preservadas em espírito (álcool) dentro de frascos de vidro selados com cera e bexigas de animais.

  • Amostras de frutas e flores: Estruturas 3D que normalmente seriam esmagadas em papel.

  • Culturas agrícolas: Variedades de batatas, trigos e vegetais que não existem mais da mesma forma hoje.

  • DNA preservado: O álcool ajudou a manter o material genético relativamente intacto.


Por que estudá-los agora?

Cientistas do Jardim Botânico da Universidade de Cambridge iniciaram recentemente um esforço para catalogar e analisar essas peças. A importância vai muito além da nostalgia:

  1. Mudanças Climáticas: Ao comparar as plantas de 1830 com as atuais, os pesquisadores podem ver como o aumento do CO2 e das temperaturas alterou a fisiologia das espécies.

  2. Evolução Genética: O sequenciamento de DNA permite entender como as pragas agrícolas evoluíram. Por exemplo, eles podem estudar os patógenos da batata de antes da Grande Fome da Irlanda.

  3. Restauração de Biodiversidade: Algumas dessas amostras representam variedades extintas ou raras que podem conter genes de resistência a doenças que perdemos na agricultura moderna.

“É como ter um backup do disco rígido da natureza de 200 anos atrás.”


Aqui está como os cientistas trabalham com esses frascos de Darwin e Henslow:

1. Amostragem Minimamente Invasiva

Para não destruir o espécime histórico (que muitas vezes é único no mundo), os pesquisadores não retiram a planta inteira. Eles utilizam pinças de precisão para remover apenas um minúsculo fragmento de tecido, como um pedaço de folha ou uma semente, de preferência de uma área que não comprometa a identificação visual da planta.

2. O Problema do “Espírito” (Álcool)

Muitas dessas amostras foram preservadas em etanol ou outros tipos de álcool vitoriano.

  • A boa notícia: O álcool ajuda a fixar o DNA e impede que bactérias o comam.

  • A má notícia: Com o tempo, o álcool pode causar reações químicas que “grudam” o DNA em proteínas e outros componentes celulares, tornando a extração difícil.

3. Sequenciamento de DNA Antigo (aDNA)

Em vez de tentar ler o DNA como um livro inteiro, os cientistas usam uma técnica chamada Shotgun Sequencing:

  1. Eles quebram o que sobrou do DNA em pedaços ainda menores.

  2. Lêem cada pedacinho individualmente.

  3. Usam supercomputadores para alinhar esses fragmentos com o genoma de plantas modernas, como se estivessem montando um quebra-cabeça de um milhão de peças onde metade das peças sumiu.


Por que isso é revolucionário?

Imagine que uma doença ataque as plantações de trigo hoje. Ao estudar o DNA do trigo dos frascos de 1830, os cientistas podem encontrar genes de resistência que existiam antes da agricultura industrial “limpar” a diversidade genética das nossas sementes.

É literalmente recuperar ferramentas de sobrevivência que a evolução descartou ou que nós esquecemos no caminho.

O desafio da preservação

O maior problema é que o selante original (frequentemente uma mistura de cera de abelha e resina) está secando e rachando. Se o álcool evaporar, o material genético e a estrutura física da planta serão destruídos para sempre. Por isso, existe uma corrida contra o tempo para restaurar os lacres e digitalizar a coleção.

Foto: The Trustees of The Natural History Museum.

Quando o Amor se Perde Pelo Caminho

O que quase ninguém diz é que o amor, em certos casos, não termina por falta de sentimento. Ele termina por medo — medo de se entregar, de arriscar, de sair da zona de conforto. Termina por timing errado, quando dois corações estão na mesma sintonia, mas em momentos diferentes da vida. E termina por escolhas desencontradas, quando caminhos que poderiam se cruzar seguem direções opostas.

Símbolo do Exército Brasileiro

Se você já observou atentamente as viaturas militares brasileiras ou os uniformes históricos, deve ter notado um círculo branco com cinco estrelas no centro. Esse símbolo é a representação da constelação do Cruzeiro do Sul, o maior ícone da nossa soberania nos céus e na terra.

Mas você sabia que existe uma diferença visual entre o símbolo usado pelos “Pracinhas” na 2ª Guerra Mundial e o padrão utilizado pelo Exército após a guerra? Vamos entender essa história.

A Força Expedicionária Brasileira (FEB)

À esquerda, na imagem no início da página, vemos o símbolo da FEB. Durante a campanha na Itália (1944-1945), a identificação visual era vital.

  • O Desenho: Note que as estrelas estão dispostas de forma simétrica e centralizada dentro do círculo.

  • O Contexto: Este símbolo foi estampado em jipes, caminhões e tanques que lutaram contra o nazi-fascismo. Ele representava o Brasil como a única nação latino-americana a enviar tropas terrestres para o teatro de operações europeu.

O Exército Brasileiro (EB) Padrão

À direita, na imagem postada no início da página, temos o símbolo do Exército Brasileiro como passou a ser visto em manuais de sinalização e identificação de frota, após o fina da 2ª Guerra Mundial.

  • A Diferença: A principal distinção está na posição da “Intrometida” (a estrela Epsilon Crucis, a menor delas). No símbolo do EB, a disposição das estrelas segue fielmente a posição astronômica vista no céu e representada na Bandeira Nacional, onde a quinta estrela fica ligeiramente deslocada para a direita.

  • A Identidade: O círculo segmentado em quatro partes evoca a ideia de uma mira ou bússola, simbolizando a precisão e a direção da força terrestre em defesa do território nacional.

  • Desde o início da década de 1980, o principal símbolo do Exército Brasileiro mudou e apresenta vinte lâminas ou pontas de espadas que circundam um eixo vertical. Este símbolo representa principalmente a força, bem como bravura e virtude. Ademais, o interior é formado por elipses que sugerem a defesa por escudos de proteção. As cores do símbolos são as mesmas da Bandeira do Brasil. Por fim, o último elemento no centro é a constelação do Cruzeiro do Sul ou Crux, simbolizando uma cruz.

1º BIT Summit – Campo Mourão

Participei hoje do 1º BIT Summit, em Campo Mourão. O evento contou com dois grandes palestrantes: Steven Dubner, referência em motivação através do esporte adaptado, e William Paganelli, autor de “Marketing de Ajuda”.

Com o tema “Desafios do Empreendedor: Liderar, Motivar e Aumentar as Vendas”, o encontro foi transformador. Destaque especial para a palestra de Dubner; que apesar do nome e sotaque estrangeiros, ele é brasileiro e sua sensibilidade é contagiante. Algumas imagens de sua apresentação foram tão impactantes que me emocionaram profundamente.

Bate papo com os amigos, após as palestras.

 

*Um agradecimento especial à Moai Comunicação por nos presentear com o ingresso e tornar possível nossa participação nas palestras!

www.moaicomunicacao.com.br

Oscar 2026: Minhas Resenhas dos 10 Indicados a Melhor Filme

Como já é tradição no Blog, venho escrever sobre os filmes que concorrem ao Oscar de Melhor Filme. Diferente de 2024, quando assisti ao último filme concorrente poucas horas antes da cerimônia do Oscar, e de 2025, quando assisti ao último filme três dias antes, este ano terminei de assistir aos dez filmes 44 dias antes da cerimônia de entrega do Oscar. Pude até me dar o luxo de demorar alguns dias para escrever esta postagem.

Dos dez filmes, assisti somente um no cinema: F1 O Filme. Os demais assisti todos no conforto do meu quarto, na minha cama, na minha TV. Viva o streaming!

Este ano voltou à tona a questão sobre os blockbusters, filmes “arrasa-quarteirão”, que vão muito bem nas bilheterias, mas não têm muita arte. O pessoal mais intelectual da Academia de Cinema acha que filmes mais comerciais, os famosos blockbusters, não deviam concorrer ao Oscar de Melhor Filme. Esses intelectuais acreditam que somente filmes “de arte” deveriam disputar a categoria mais importante do Oscar. Essa polêmica é antiga e, de vez em quando, volta à tona, como aconteceu este ano. O que gerou mais discussão foi que o pessoal que curte blockbusters andou reclamando porque alguns filmes desse estilo, que foram muito bem nas bilheterias, ficaram de fora do Oscar. Um dos casos é a continuação de Avatar.


Os filmes concorrentes, na ordem de minha preferência e torcida:

1° – Marty Supreme
Carregado de energia estilizada, é um retrato contemporâneo de sonhos e obsessões de um campeão de pingue-pongue dos anos 50. É uma montanha-russa de ansiedade e estilo, focada na obsessão pela perfeição e na cultura das celebridades da época.


Esse filme foi uma surpresa positiva. Quando o assisti, não sabia absolutamente nada sobre ele e gostei do que vi. Tanto é que assumiu o primeiro lugar na minha lista de preferência dos concorrentes ao Oscar de Melhor Filme deste ano. Mas não deve ganhar o Oscar. Meus filmes favoritos não costumam ganhar…

2° – F1 O Filme
É um blockbuster que redefine as filmagens de corrida. Usando tecnologia de ponta para colocar o espectador dentro do cockpit dos carros, o filme equilibra a adrenalina das pistas com uma história clássica de redenção e mentoria no esporte. Impressiona tanto pela intensidade das cenas de corrida quanto pela profundidade emocional de seus personagens.


Até alguns dias atrás, esse era meu primeiro colocado na lista. Sei que não vai ganhar, mas é um bom filme. Ainda mais para mim, que sou fã de Fórmula 1 e acompanho as corridas pela TV desde 1981. O maior mérito do filme, ao meu ver, foi ser agradável e de fácil entendimento para quem nunca assistiu a uma corrida de Fórmula 1 na vida. E quem entende um pouco das corridas leva vantagem, pois há situações no filme que somente os mais entendidos no assunto percebem. O filme foi bem nas bilheterias e já se cogita uma continuação.

3° – Valor Sentimental
Drama norueguês sobre luto e as complexas relações familiares. Um drama íntimo sobre memórias, dor e reconexão familiar. É um filme sensível, “queridinho” da crítica, que explora como os objetos que deixamos para trás carregam nossas memórias.


Confesso que achei o início meio chato e não estava gostando. Mas logo ficou interessante e acabei gostando muito desse belo drama.

4° – Pecadores
Com um recorde de 16 indicações, mistura elementos de horror, música e emoção. A trama acompanha irmãos tentando recomeçar, apenas para confrontar um mundo ainda mais cruel, enfrentando forças sobrenaturais no Sul dos EUA dos anos 30.


Esse foi o primeiro dos dez concorrentes a que assisti, há quase um ano. Na época, não achei que teria chances de concorrer a Melhor Filme, muito menos em 16 categorias, sendo o novo recordista de indicações. Gostei da primeira meia hora e depois não gostei muito, pois ele vira um “terrorzão”. Quando assisti, não sabia nada sobre ele e fiquei surpreso ao descobrir que se tratava de um filme de vampiros. Achei o filme meia-boca e considero exageradas as 16 indicações que recebeu. Mas é cotado como forte vencedor a Melhor Filme.

5° – O Agente Secreto
Thriller político ambientado no Recife de 1977. Wagner Moura é um professor que, ao tentar escapar da vigilância da ditadura, mergulha em uma paranoia asfixiante. É um filme sobre sombras, silêncios e a resiliência humana diante da opressão.


Gostei da ambientação de época, muito bem feita, mostrando o Recife dos anos 1970. Mesmo só tendo conhecido Recife em 1997, achei que ficou bem retratado. Fora isso, achei o filme uma “novelona”, cheia de situações e personagens que não são bem finalizados. Ficou muita coisa no ar. Resumindo: achei um filme meia-boca. Mas os gringos gostaram e o filme ganhou vários prêmios pelo mundo. Ainda assim, acho impossível vencer como Melhor Filme.

6° – Frankenstein
Versão épica e humanizada do clássico de horror de Mary Shelley. O filme reinventa a icônica história com sensibilidade, explorando temas de identidade, criação e o desejo de conexão humana.


Já assisti não sei quantos filmes sobre Frankenstein e também uma série. Então, quando fui assistir, achei que seria mais do mesmo. Mas me surpreendi de forma positiva. Gostei do final, que fala sobre perdão, sobre entender por que o outro fez isso ou aquilo e como muitas vezes, sem querer, acaba nos ferindo e fazendo sofrer.

7° – Hamnet
O filme conta a história da família de William Shakespeare. O foco não é Shakespeare, mas sua esposa (Jessie Buckley) e a perda trágica do filho que inspiraria sua maior obra. Poético e devastador.


Filme mais ou menos, tem partes interessantes e algumas tristes. Acredito que pode ser a zebra deste ano, pois conta uma parte importante da vida de William Shakespeare, um inglês que faz muito sucesso nos Estados Unidos até hoje. Na Inglaterra, ele é um símbolo nacional. Nos Estados Unidos, é extremamente encenado, estudado e reinterpretado.

8° – Sonhos de Trem
É um retrato minimalista e épico da vida de um trabalhador ferroviário no Velho Oeste americano no início do século XX. Uma obra contemplativa sobre a passagem do tempo e as mudanças brutais de um mundo em modernização. Acompanha a vida de um homem comum ao longo de décadas, refletindo sobre amor, memórias e o tempo que transforma tudo.


O filme tem uma bonita fotografia. O diretor de fotografia é o brasileiro Adolpho Veloso, que inclusive recebeu indicação ao Oscar 2026 de Melhor Fotografia. Fora isso, achei o filme lento demais; cochilei algumas vezes assistindo.

9° – Uma Batalha Após a Outra
Com um elenco estelar, é considerado o grande favorito. O filme acompanha um grupo de ex-revolucionários (liderados por Leonardo DiCaprio e Sean Penn) em uma missão de resgate.


Apesar de ter alguns atores de que gosto muito, como Benicio del Toro e Sean Penn, não consegui gostar do filme. Assisti em três partes, durante uns dez dias. Quase desisti na metade, e um amigo disse que eu devia insistir, que acabaria gostando. Mas não gostei. Simplesmente não me apeteceu.

10° – Bugonia
É uma trama bizarra: dois conspiracionistas sequestram uma CEO acreditando que ela é uma alienígena. É uma sátira que mistura humor ácido e crítica à sociedade moderna. Personagens excêntricos e situações absurdas criam um universo tão singular quanto perturbador.


Posso definir o filme em duas palavras: uma merda! É um prato cheio para cinéfilos e entusiastas intelectuais e pseudo-intelectuais. Mas, para mim, que vejo filmes apenas para me divertir, rir, me emocionar e muitas vezes chorar, é chato e muito ruim. Tive vontade de parar após quinze minutos, mas como queria escrever sobre ele aqui no blog, assisti até o final. E confesso que joguei fora 118 minutos da minha vida, que é a duração do filme. E vale lembrar que sou fanzaço da Emma Stone, atriz principal do filme.

Análise literária: “De Bike pelo Caminho de Santiago de Compostela”

De Bike pelo Caminho de Santiago de Compostela — quando a viagem não quer te impressionar

Há livros de viagem que tentam convencer o leitor de que o autor viveu algo grandioso. O livro de Vander Dissenha faz o movimento oposto: diminui o tom — e, justamente por isso, tudo ganha mais força.

De Bike pelo Caminho de Santiago de Compostela não se apresenta como guia turístico, nem como relato espiritual, muito menos como uma saga heroica. É um diário cru, escrito por alguém comum atravessando estradas, limites físicos e silêncios internos — sem maquiagem literária.

O diferencial do Vander está aí: ele não escreve como herói da aventura, mas como alguém vivendo coisas extraordinárias sem precisar se colocar acima delas. Sua marca registrada é o perrengue honesto, acompanhado de um humor seco e autoconsciente, que nunca glamouriza o sofrimento, mas também não o transforma em drama épico. Há cansaço, desconforto, fome e dor — e tudo isso aparece sem pose.

A bicicleta, longe de ser símbolo de superação esportiva, funciona como um filtro de realidade. Pedalar intensifica tudo: o corpo dói mais, os encontros são mais breves, os pensamentos ficam mais insistentes. Não há atalhos emocionais. O livro não quer impressionar. Quer registrar. E, ao registrar com honestidade, acaba tocando mais fundo.

Um dos aspectos mais interessantes da narrativa é a forma como lida com a solidão escolhida. Vander encontra pessoas o tempo todo, mas o foco está no que acontece quando ninguém está falando. A solidão aqui não é abandono — é ferramenta. O livro a trata como algo funcional, não como carência.

Outro ponto forte está na percepção dos limites. Em um momento marcante, o autor percebe que o corpo reclama antes da mente desistir. A leitura deixa claro que a desistência raramente é física; ela nasce no pensamento, não nas pernas. O limite real aparece depois do desconforto, não antes.

Os encontros no Caminho também são tratados com uma naturalidade quase desconcertante. Pessoas surgem, caminham juntas por um tempo e desaparecem da rota, como parte do cenário. No Caminho, as pessoas não ficam — elas passam. Como quase tudo na vida. Essa abordagem transforma o livro em uma metáfora silenciosa da vida adulta: relações importantes podem ser breves e, ainda assim, verdadeiras.

Talvez uma das maiores qualidades do livro esteja na forma como aborda a espiritualidade. Vander não tenta convencer ninguém, nem se coloca como convertido. Ele entende que não é preciso acreditar em tudo para respeitar o significado. É uma espiritualidade sem dogma, sem frase pronta, sem moral da história — o que amplia enormemente o alcance da obra. O livro conversa tanto com quem acredita quanto com quem já cansou de discursos religiosos rasos. É espiritual sem ser religioso.

O final não faz barulho. A chegada, como não poderia deixar de ser, evita a euforia. Não há explosão emocional — há silêncio. Esse anti-clímax é proposital. A transformação não acontece no ponto final da viagem, mas no acúmulo silencioso do caminho. Quando o livro termina, a sensação é clara: o essencial já aconteceu antes. O final é calmo — como quem entende que a mudança verdadeira não precisa anunciar sua chegada.

Este é um livro para quem gosta de viagens com mais reflexão do que ostentação. Para quem prefere honestidade a frases motivacionais. Para quem entende que algumas jornadas não servem para vencer nada — apenas para atravessar.

De Bike pelo Caminho de Santiago de Compostela é menos sobre chegar a um destino e mais sobre aprender a sustentar o caminho, mesmo quando ele não promete aplausos. E talvez seja exatamente por isso que o livro fica na mente do leitor.

Fonte: www.cartografiapessoal.com

Pluviofilia

Nunca fui muito fã do sol. Praia nunca me atraiu tanto, e desde criança sempre tive uma preferência clara por dias nublados — especialmente os chuvosos. Enquanto a maioria das pessoas parecia torcer pelo céu azul, eu me sentia mais confortável quando as nuvens tomavam conta. Por muito tempo, cheguei a me perguntar se havia algo de errado nisso, já que quase todos ao meu redor reclamavam da chuva e celebravam os dias ensolarados.

Sempre gostei do frio também. Em dias frios e chuvosos, algo em mim muda: acordo mais disposto, mais centrado, e o dia simplesmente rende mais. O barulho da chuva, o clima mais fechado, o ar mais denso… tudo parece colaborar para que eu funcione melhor. Só recentemente descobri que esse sentimento é mais comum do que eu imaginava — e que ele tem um nome: pluviofilia.

Para mim, a chuva nunca foi apenas um fenômeno do tempo. Ela é o som suave das gotas no chão, o cheiro da terra molhada, o céu fechado que convida ao recolhimento. Quando chove, o mundo parece desacelerar, e eu desacelero junto. É nesse silêncio que encontro espaço para pensar, criar e simplesmente existir.

Há algo de profundamente terapêutico na chuva. Ela lava a paisagem e, de certa forma, também lava o que vai por dentro. Desperta memórias, traz conforto e uma sensação difícil de explicar, mas fácil de sentir. Enquanto muitos veem a chuva como um dia perdido, eu a vejo como um presente.

Em um mundo que corre o tempo todo, a chuva impõe sua própria cadência. Ela não tem pressa — e me ensina a não ter também. A pluviofilia me lembra que há beleza nos dias nublados, que nem toda luz vem do sol e que está tudo bem em preferir o cinza no céu.

Caminhando na chuva…
Correndo na chuva…
Pedalando na chuva…

Goodbye Arthur!

Hoje é um dia muito triste. Primeiro fiquei sabendo que meu amigo Arthur estava desaparecido em São Paulo desde a noite de domingo. Algumas horas depois, veio a notícia que eu mais temia: ele havia sido encontrado morto. Fiquei em choque.

Arthur era uma pessoa muito gente boa — e não digo isso porque ele se foi, é um fato. Eu o conheci anos atrás, quando ele veio morar aqui em Campo Mourão, vindo de Natal. Na época, ele namorava a sobrinha da minha namorada. Nos demos bem logo de cara. Tínhamos conversas interessantes, leves, descontraídas. Arthur era extremamente inteligente, tinha uma fala calma e estava quase sempre sorrindo, embora carregasse um ar meio melancólico.

Assim como eu, ele gostava de jogar UNO. São inesquecíveis as noites em que jogamos: na casa dele, na minha casa e, por último, no apartamento dele em São Paulo. Ele inventava nomes para algumas jogadas. Uma delas, em minha homenagem, chamava-se “Vanderô”. Sem ele, jogar UNO não terá mais a mesma graça. A partir de hoje, ao olhar para as cartas de UNO, sei que sentirei tristeza.

A última vez que nos vimos pessoalmente já faz alguns anos. Depois disso, mantivemos contato apenas pelo WhatsApp. Ainda assim, pude ajudá-lo em uma fase difícil pela qual passou, dando conselhos e compartilhando como consegui superar momentos muito difíceis da minha própria vida.

Adeus, meu amigo…

Você foi uma das pessoas que passaram pela minha vida e deixaram apenas coisas boas. 💔

Noite de UNO. (Campo Mourão)
A última vez que jogamos UNO. (São Paulo)
A última vez que nos vimos… (Aeroporto de Guarulhos)

Jovem desaparecido no Pico Paraná

Tenho acompanhado com bastante atenção o caso do jovem Roberto Farias Thomaz, de 20 anos, que está desaparecido no Pico Paraná desde o dia 1º de janeiro. Não conheço o jovem, mas, se na tarde do dia 30 de dezembro eu não tivesse desistido de ir passar o réveillon no Pico Paraná, fatalmente o teria encontrado no cume ao amanhecer do dia 1º de janeiro.

Já subi o Pico Paraná algumas vezes, assim como outras montanhas da região, e também já passei réveillon acampando em montanha. Nesta última virada de ano, estava com vontade de me isolar. Além de ser avesso a festas, comemorações e fogos de artifício, eu buscava uma passagem de ano diferente e, por isso, escolhi subir o Pico Paraná. Treinei durante um mês e convidei um amigo para me acompanhar nessa aventura.

Tudo estava certo e planejado para a viagem, mas, na terça-feira, dia 30, acordei com uma sensação estranha. Minha intuição dizia para não seguir com a viagem. Entrei em contato com o pessoal do IAT, no Parque Estadual Pico Paraná, e fui informado de que as trilhas estavam pesadas e perigosas, pois havia chovido todos os dias na última semana. A trilha molhada, por si só, não me fez desistir. O que realmente me fez cancelar a viagem foi saber que o parque estaria fechado no dia 31.

Eu sabia que existia a possibilidade de entrar mesmo com o parque fechado — como alguns fizeram, inclusive o jovem que se perdeu —, mas não sou adepto de atitudes irregulares e optei por desistir. Tinha consciência de que, ao entrar sem autorização em um parque estadual, correria o risco de ser multado e, em caso de acidente, o socorro poderia demorar. Com a decisão tomada, avisei meu amigo de que não iríamos mais e segui a vida.

No dia 1º de janeiro, comecei a ver as notícias sobre o jovem desaparecido e me dei conta de que, se tivesse insistido na viagem, talvez o tivesse encontrado. Pelo que li até agora, ele e a amiga que o acompanhava cometeram alguns erros que acabaram resultando em seu desaparecimento. Não julgo ninguém, pois não estava lá. Apenas faço essa reflexão com base em experiências que já vivi em montanha, inclusive nas trilhas do Pico Paraná.

Uma coisa que aprendi é que não se deve deixar um companheiro sozinho na trilha, principalmente quando ele não está se sentindo bem, como parece ter sido o caso. Já ajudei companheiros em dificuldades em trilhas de montanha, assim como já fui ajudado. Inclusive, na última vez que subi o Pico Paraná, na Páscoa de 2022, tive um mau jeito nas costas quase no final da subida. Na descida sofri bastante: fiquei lento e, para piorar, tive problemas com a lanterna. O final da trilha foi extremamente difícil, sob chuva, mas minha companheira não me abandonou e me guiou até o fim. Com dor e cansaço, meu raciocínio ficou comprometido e eu já não conseguia tomar as melhores decisões. Até escolher onde pisar na trilha molhada e escorregadia se tornava um desafio, e acabei sofrendo algumas quedas. Por isso, acredito que o jovem desaparecido possa ter passado por algo semelhante. Estando sozinho, cansado, sem comida (água até é possível encontrar nos riachos da região), molhado, com frio e sem conhecer bem o local, a chance de se perder ou sofrer uma queda na mata fechada é grande. Nessas condições, torna-se extremamente difícil se orientar e encontrar uma saída.

Desejo, de coração, que ele seja encontrado com vida e em boas condições. Fico me perguntando se, caso eu tivesse ido, algo poderia ter sido diferente. Pelo meu perfil de cuidar de quem passa mal na trilha — algo que já fiz outras vezes —, talvez eu pudesse ter ajudado de alguma forma, caso o tivesse encontrado. Por outro lado, talvez nem tivéssemos nos cruzado.

Como o “se” não muda a realidade, fico em paz por ter tomado a decisão certa ao não viajar. Tenho uma boa intuição, mas raramente costumo ouvi-la. A partir de agora, pretendo dar mais atenção a ela, pois isso pode fazer toda a diferença.

Roberto Farias Thomaz.
www.tribunapr.com.br
RPC/Rede Globo.

Retrospectiva 2025

Como eu esperava, 2025 foi bem melhor do que 2024. Também pudera: depois de ter vivido em 2024 um dos piores anos da minha vida, era difícil imaginar algo ainda pior. Posso dizer que cerca de 300 dos 365 dias do ano foram bons. Isso me faz lembrar algo que meu irmão costuma dizer: não devemos ficar reclamando das coisas, pois geralmente temos 65 dias ruins e 300 dias bons no ano. Só poderíamos reclamar se fosse o contrário — se tivéssemos 300 dias ruins e apenas 65 dias bons. E há muita gente cuja contagem é justamente essa, com mais dias ruins do que bons, ou até mesmo com os 365 dias do ano sendo ruins.

De fato, tive apenas uns 40 dias realmente ruins, quando enfrentei um problema de saúde meio chato. Além disso, nos últimos dois meses do ano passei por uma fase complicada com meu carro. Em um período de 47 dias, bateram duas vezes no meu carro, o teto foi danificado por uma chuva de granizo e, por fim, passei correndo por um buraco na estrada que estava escondido pela água da chuva. O resultado foi um prejuízo de R$ 1.200,00: tive que trocar um pneu, dois sensores de pressão, além de fazer balanceamento e alinhamento. Fora isso, meu ano foi muito bom. Conheci muita gente legal, algumas pessoas bem interessantes. Viajei um pouco e conheci Londres, que era um dos meus sonhos de infância.

Depois de ter ido a muitos velórios e enterros nos dois últimos anos, achei que em 2025 passaria em branco nesse quesito. Mas, na última semana do ano, acabei indo ao sepultamento de uma pessoa próxima.

Agora é esperar e torcer por um 2026 ainda melhor que 2025. Otimismo e pensamento positivo fazem bem e atraem coisas boas.

Feliz Ano Novo!

Túnel do Tempo: Réveillon do Milênio

O Réveillon de 1999 para 2000, a chamada Virada do Milênio (se bem que o Terceiro Milênio começou oficialmente somente em 2001), foi um dos momentos mais simbólicos e tensos do fim do século XX. Houve muita festa, mas também medos reais, exageros da mídia e algumas tragédias — embora muita coisa tenha sido mitificada depois.

Eu, que não gosto de festas ou datas comemorativas, coloquei meu kit de acampamento na mochila, comprei uma barraca nova (espanhola), peguei um trem e desci para a Serra do Mar. Na época, eu morava em Curitiba. Fiquei no camping do Marumbi. Tinha planos de subir o Conjunto Marumbi, mas choveu e fez frio — em pleno mês de dezembro — nos dois dias em que fiquei acampado.

Para passar o tempo, fiz caminhadas próximas ao camping e pela região da Estação Marumbi e da Estação Engenheiro Lange. Quando chovia, ficava dentro da barraca e, com a ajuda de uma lanterna, li o primeiro livro que o Waldemar Niclevicz escreveu, no qual ele contava sobre a primeira vez que colocou os pés no topo do Everest, a maior montanha do mundo.

À noite, pouco antes da virada do ano, escrevi uma carta para mim mesmo. Essa carta só poderia ser aberta dali a trinta anos. Ainda a tenho guardada a sete chaves, lacrada. Não faço a mínima ideia do que escrevi para mim mesmo. Daqui a cinco anos, abrirei a carta e saberei o que o eu do passado escreveu para o eu do futuro.

Além de mim, só havia no camping um jovem casal de São Paulo. Pouco antes da meia-noite, fui até as construções da área da estação, que ficam próximas ao camping. Tirei uma foto utilizando o timer da máquina fotográfica e logo voltei para a barraca, pois fazia muito frio. No conforto da barraca, logo peguei no sono e não vi o momento da virada. Aliás, metade das viradas de ano que tive na vida passei dormindo. Não curto datas comemorativas; acho que as pessoas exageram nas comemorações. Para mim, todos os dias são iguais, inclusive os do meu aniversário.

No dia seguinte, já no ano 2000, descobri que minhas coisas estavam todas molhadas. Exagerando um pouco, posso afirmar que chovia mais dentro da barraca do que fora. Na verdade, a barraca espanhola não tinha vedação nas costuras e isso, somado ao volume excessivo de chuva, fez com que entrasse muita água no interior da barraquinha. Dias depois, devolvi a barraca na loja onde a havia comprado e adquiri outra, da Trilhas & Rumos, maior e com vedação nas costuras. Usei muito essa barraca nos anos seguintes e, passados 25 anos, ainda a tenho — e acredito que ela ainda aguente mais alguns anos de uso.

A virada do ano de 1999 para 2000 era a Virada do Milênio, e isso assustava muita gente. Estava previsto que poderia acontecer o chamado “Bug do Milênio”. O maior medo não era exatamente o “fim do mundo”, mas um colapso tecnológico. Muitos sistemas antigos registravam o ano com apenas dois dígitos (“99” → “00”). Temia-se que, ao virar para 2000, os computadores interpretassem “00” como 1900. Isso poderia causar falhas em bancos (saldos errados), aviões e aeroportos, usinas elétricas, hospitais e sistemas militares. A mídia frequentemente amplificou o risco, falando em apagões globais e caos generalizado. Na prática, governos e empresas gastaram bilhões corrigindo sistemas — e essa é uma das razões pelas quais quase nada deu errado.

Além da tecnologia, houve um forte clima simbólico. O ano 2000 tinha peso bíblico e místico. Grupos religiosos falavam em Juízo Final, segunda vinda de Cristo e cumprimento de profecias. Seitas apocalípticas ganharam atenção — algumas já vinham desde os anos 1990. Isso gerou pânico real em pessoas emocionalmente mais vulneráveis.

Não houve uma onda global comprovada de suicídios diretamente ligada à virada do milênio. Casos isolados aconteceram, sim, especialmente associados a pânico religioso extremo, transtornos mentais agravados e influência de líderes sectários. Algumas pessoas, guiadas por fanatismo religioso e discursos extremistas, acabaram tirando a própria vida. Ainda assim, o número de suicídios foi menor do que muitos esperavam. Historiadores e sociólogos concordam que o medo existiu, mas a ideia de que “muita gente se matou achando que o mundo ia acabar em 2000” é exagerada.

Quando os relógios passaram da meia-noite, as luzes continuaram acesas, os bancos funcionaram e os aviões pousaram normalmente. Para muita gente, o sentimento foi de alívio, de ridículo coletivo (“a gente acreditou nisso?”) e de euforia.

A Virada do Milênio mostrou que a humanidade projeta medos profundos em datas simbólicas; que a tecnologia gera tanto dependência quanto pânico; que a mídia pode amplificar a ansiedade coletiva; e, principalmente, que pessoas vulneráveis sofrem mais nesses contextos. No fim das contas, todo o burburinho em torno da Virada do Milênio foi menos sobre computadores e mais sobre o medo do desconhecido.

Curtindo os últimos momentos de 1999.
A barraca onde chovia dentro.
Esperando o trem, no primeiro dia do ano 2000. Ao fundo, a esquerda, o camping onde fiquei.

Papai Noel da Coca-Cola

Essa semana eu estava na fila do caixa (não tão) rápido de um supermercado e fiquei ouvindo duas mulheres conversando. Uma delas, ao ver a imagem do Papai Noel em uma lata de Coca-Cola, começou a criticar como uma poderosa fabricante de bebidas norte-americana teria se apossado da imagem do Papai Noel, um dos símbolos mais conhecidos do Natal.

Não aguentei ver — ou melhor, ouvir — tanta ignorância e acabei me metendo na conversa. Contei a ela que, na verdade, o Papai Noel que conhecemos hoje, com roupa vermelha, é uma criação publicitária da Coca-Cola, de 1931. E ele usa vermelho justamente porque essa cor está profundamente ligada à identidade da marca. Disse também que, ao contrário do que ela pensava, não foi a Coca-Cola que se apropriou da imagem do Papai Noel; aconteceu o oposto: foi o “mundo” que se apropriou de um símbolo visual criado pela Coca-Cola.

Também contei às duas senhoras que, quando a Coca-Cola criou essa imagem gráfica do Papai Noel, o refrigerante sequer existia no Brasil. Ele só chegaria por aqui cerca de dez anos depois. A Coca-Cola chegou ao Brasil de forma informal em 1941, por meio das cidades de Recife (PE) e Natal (RN), onde foram montadas pequenas instalações de produção para atender principalmente os soldados norte-americanos estacionados no Nordeste durante a Segunda Guerra Mundial. Essas mini-fábricas produziam e distribuíam o refrigerante para as tropas como parte da logística americana.

A primeira fábrica “de verdade” da Coca-Cola no Brasil foi inaugurada no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, em abril de 1942. Essa instalação tinha maior capacidade de produção e marca o início formal da presença da marca no mercado brasileiro.

Como a Coca-Cola criou o Papai Noel que conhecemos hoje — e como a publicidade se apoderou dessa imagem:

Quando pensamos em Papai Noel, a imagem é quase universal: um senhor alegre, de barba branca, roupa vermelha, botas pretas e uma risada contagiante. O curioso é que essa figura, que hoje parece “eterna”, é na verdade resultado direto de uma das campanhas publicitárias mais bem-sucedidas da história.

Antes do século XX, o Papai Noel não tinha uma aparência padronizada. Inspirado em São Nicolau, um bispo do século IV, ele já foi retratado de várias formas ao longo do tempo:

  • Magro ou robusto

  • Vestindo roupas verdes, marrons, azuis ou até douradas

  • Às vezes sério, outras vezes quase assustador

  • Em alguns países, mais próximo de uma figura religiosa do que de um personagem infantil

Ou seja, o “Papai Noel” existia, mas não havia um consenso visual.

Em 1931, a Coca-Cola decidiu associar sua marca ao Natal para aumentar o consumo da bebida durante o inverno no hemisfério norte — justamente quando refrigerantes vendiam menos.

Para isso, a empresa contratou o ilustrador Haddon Sundblom, que criou um Papai Noel:

  • Simpático e humano

  • Gordo e bem-humorado

  • Vestido de vermelho (cor da marca Coca-Cola)

  • Próximo das pessoas, especialmente das crianças

Essas ilustrações foram usadas em anúncios, pôsteres e revistas por mais de 30 anos, sempre reforçando a mesma imagem. A repetição foi tão forte que o personagem se consolidou no imaginário coletivo. A partir desse momento, o Papai Noel deixou de ser apenas uma figura folclórica e passou a ser um símbolo publicitário global. O sucesso da Coca-Cola mostrou algo fundamental ao mercado: Quem controla os símbolos, controla as emoções.

Outras marcas rapidamente se apropriaram do Papai Noel para vender seus produtos:

  • Lojas de departamento

  • Brinquedos

  • Alimentos

  • Bebidas alcoólicas e não alcoólicas

  • Campanhas de fim de ano em geral

O Papai Noel virou um “garoto-propaganda” universal, capaz de despertar nostalgia, felicidade, generosidade e consumo — tudo ao mesmo tempo.

Com o tempo, o Natal passou a ser menos sobre tradição religiosa e mais sobre experiência, presente e compra. A publicidade transformou o Papai Noel em:

  • Um convite ao consumo emocional

  • Um símbolo de recompensa e merecimento

  • Uma figura que conecta infância, memória e desejo

O que antes era uma lenda regional se tornou um produto cultural global, impulsionado pela força do marketing. A Coca-Cola não “inventou” o Papai Noel, mas definiu sua forma final. A publicidade, por sua vez, percebeu que imagens bem construídas podem atravessar gerações e moldar comportamentos. Hoje, é quase impossível separar o Papai Noel do consumo natalino — e isso diz muito mais sobre o poder da propaganda do que sobre o personagem em si. Talvez a pergunta que fique seja: quantos outros símbolos que consideramos naturais também foram cuidadosamente desenhados por campanhas publicitárias?

Gravura publicitária da Coca-Cola, 1931.
Pai Noel (Santa Claus).
Papai Noel Coca-Cola.

Nina

A Nina foi abandonada ainda filhote na rua da casa dos meus pais, em meados de 2015. Meu pai se encantou com a cachorrinha peluda e resolveu adotá-la, mesmo contra a vontade da minha mãe. Na casa deles já havia outros cachorros, e minha mãe não queria mais um.

Os anos passaram, a Nina cresceu e teve uma vida feliz. Os outros cachorros foram morrendo com o tempo, pois já estavam idosos, e a Nina acabou se tornando a única cachorra da casa. Ela era muito apegada ao meu pai e, após o falecimento dele, em julho de 2024, ficou muito triste.

Depois da morte do meu pai, assumi a função de levá-la para passear uma vez por semana. Ela adorava esses passeios e fazia a maior festa ao sair de casa. E assim a vida seguiu por mais de um ano, até que a Nina adoeceu de repente, foi internada e, em menos de 24 horas, morreu.

Fiquei muito triste com a morte dela, pois, de certa forma, ela era uma ligação minha com o meu pai. Pensei no que meu pai faria com o corpo da Nina e, em vez de entregá-lo para ser jogado na fossa séptica da prefeitura, resolvi enterrá-la no fundo do quintal da casa da minha mãe, local onde a Nina passou boa parte de sua vida.

Agora ficam as boas lembranças de uma cachorra que alegrou a família durante anos e foi uma grande companheira do meu falecido pai.

A Nina quando foi adotada. (06/2015)
Voltando do veterinário. (08/2024)
Visitando o túmulo do meu pai. (07/2025)

Vô Valério

Hoje completa 50 anos do falecimento de meu avô materno. Ele morreu aos 54 anos, vítima de um infarto. Ou seja, ele era mais novo do que eu sou atualmente, pois tenho 55 anos. Quando meu avô faleceu, eu tinha cinco anos. Até então, nunca havia ido a um velório ou a um enterro e, para mim, a experiência de ver meu avô no caixão e depois acompanhar seu sepultamento foi bastante traumática.

O velório aconteceu na sala da casa de meus avós e, durante muitos anos, evitei entrar nesse cômodo quando ia visitar minha avó. Outra lembrança marcante que tenho do falecimento de meu avô é que não havia carro funerário disponível para levá-lo até a igreja para a missa de corpo presente. Como a igreja não ficava muito distante, o caixão foi carregado até lá em um cortejo fúnebre pelas ruas. Só voltei a ver algo parecido em 2016, no interior de Minas Gerais, quando chegava a uma pequena cidade durante uma viagem de bicicleta que fiz pela Estrada Real.

Meu avô se chamava Valério, mas apenas anos depois de seu falecimento descobri que, na verdade, seu nome era Valentim. Ninguém soube me explicar o motivo de ele ser chamado por outro nome. Décadas mais tarde, ao pesquisar sobre a família Kreticoski, fiquei sabendo que o pai de meu avô se chamava Paulo, mas era conhecido como André. Também ninguém soube me explicar isso. Sei lá! Talvez fosse uma tradição na família de meu avô materno batizar as pessoas com um nome e chamá-las por outro. Pensando bem, estou dando continuidade a essa tradição, pois me chamo Vanderlei e a maioria das pessoas que me conhece me chama de Vander.

Tenho poucas, mas boas lembranças de meu avô Valério (Valentim Kreticoski). Tive pouco tempo de convivência com ele, e a lembrança mais forte é do dia anterior à sua morte, quando esteve em casa e brincou comigo por um longo tempo, como se fosse uma criança de cinco anos, assim como eu.
Descanse em paz, meu vô!

Valentin Kreticoski. 
Meus Avós, Apolonia e Valentin, em frente a Basílica Velha de Aparecida – SP.
Meus avós em frente sua casa. (Campo Mourão – PR)
Túmulo de meu avô.

Exumação de Dom Pedro I e suas esposas

A história do Brasil Imperial ganhou novas luzes com a exumação dos restos mortais de Dom Pedro I, o primeiro imperador do Brasil, e de suas esposas, Dona Leopoldina e Dona Amélia. O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) entre 2012 e 2013, trouxe descobertas surpreendentes sobre a vida, a saúde e até as lendas envolvendo a família imperial.


🏰 O Contexto Histórico

Dom Pedro I (1798–1834) proclamou a Independência do Brasil em 1822 e foi o primeiro imperador do país. Após abdicar do trono em 1831, retornou a Portugal, onde faleceu em 1834. Inicialmente, foi sepultado no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

Em 1972, durante o sesquicentenário da Independência, seus restos mortais foram trasladados para o Brasil e depositados no Monumento à Independência, no bairro do Ipiranga, em São Paulo — local onde também repousam suas duas esposas, Dona Leopoldina de Habsburgo e Dona Amélia de Leuchtenberg.


🔬 A Exumação Científica (2012–2013)

O projeto foi conduzido pela arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (MAE-USP). Com autorização da Prefeitura de São Paulo, da Igreja Católica e da Família Imperial Brasileira, os sarcófagos foram abertos em ambiente controlado dentro do Monumento à Independência.

Os objetivos da pesquisa incluíam:

  • Avaliar o estado de conservação dos corpos;

  • Realizar tomografias e exames de imagem;

  • Investigar métodos de embalsamamento;

  • E verificar a veracidade de relatos históricos sobre a morte de Dona Leopoldina.


⚙️ Principais Descobertas

👑 Dom Pedro I

  • O corpo estava surpreendentemente bem preservado.

  • Exames confirmaram problemas respiratórios e cardíacos, compatíveis com tuberculose, causa oficial de sua morte.

  • O esqueleto revelou estrutura robusta e marcas de antigas lesões, coerentes com o perfil físico ativo do imperador.


👸 Dona Leopoldina

  • O estudo revelou múltiplas fraturas antigas, mas nenhuma recente no fêmur, como dizia a lenda de que teria sido empurrada por Dom Pedro I.

  • Conclusão: ela morreu de complicações pós-parto, não por agressão física.

  • A pesquisa ajudou a corrigir uma injustiça histórica e a valorizar o papel de Leopoldina na formação do Brasil.


💐 Dona Amélia

  • Seu corpo apresentava melhor estado de conservação graças a técnicas de embalsamamento mais modernas.

  • Nenhuma patologia grave foi identificada, confirmando que ela teve boa saúde até o fim da vida.


🧠 Impacto Histórico e Científico

Essa foi a primeira exumação científica da história do Brasil voltada à realeza.
Os resultados permitiram:

  • Reconstruções faciais em 3D dos três membros da família imperial;

  • Estudos inéditos sobre práticas funerárias do século XIX;

  • E o desmentido de mitos populares, especialmente sobre Dona Leopoldina.

A iniciativa abriu caminho para novos projetos, como o planejado estudo dos restos mortais de Dom Pedro II e Teresa Cristina, que ainda aguarda autorização.


🏛️ O Descanso Eterno

Após as análises, os corpos foram cuidadosamente recompostos e lacrados novamente em seus sarcófagos, no Monumento à Independência, em São Paulo. Hoje, o local funciona como um santuário da memória nacional, atraindo visitantes, historiadores e curiosos sobre a vida dos imperadores do Brasil.


Como a primeira exumação de Dom Pedro I e suas mulheres muda a História

Os restos mortais de Dom Pedro I e de suas duas mulheres, Dona Leopoldina e Dona Amélia, foram exumados para estudo. Realizados em sigilo entre fevereiro e setembro de 2012 pela historiadora e arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, os estudos revelam fatos até então desconhecidos da família imperial brasileira e compõem um retrato jamais visto dos personagens históricos, cujos corpos estão na cripta do Parque da Independência, na cidade de São Paulo, desde 1972.

Após removerem os tampões de granito de 400 quilos que cobriam os caixões de Dom Pedro I e de Dona Leopoldina, e aberto o nicho de parede de Dona Amélia, os pesquisadores fizeram uma lista minuciosa do que havia dentro de cada urna. Encontraram medalhas e insígnias de ordens de Portugal, joias de surpreendente baixa qualidade e até cartões de visita deixados por gente que acompanhou os traslados até o Ipiranga.

Ao longo de três madrugadas, os restos mortais da família imperial foram ainda transportados à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), para passarem por sessões de tomografias e ressonância magnética. Pela primeira vez, o maior complexo hospitalar do Brasil foi usado para pesquisar personagens históricos. Dom Pedro I, Dona Leopoldina e Dona Amélia foram transformados em ilustres pacientes, com fichas cadastrais, equipe médica e direito à bateria de exames.

Os resultados de toda essa pesquisa foram divulgados durante a defesa do mestrado de Valdirene Ambiel, no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP).

Dom Pedro I
Foi descoberto que a roupa militar com que Dom Pedro I foi enterrado, uma túnica provavelmente marrom e calça branca, tinha 54 botões ao todo, a maioria de metal, com brasão da coroa portuguesa em alto relevo. Ele usava botas, que entraram quase completamente em decomposição por causa da umidade. Restaram apenas dois saltos de couro e duas esporas de metal. Havia também botões feitos de osso, usados na época principalmente em cuecas.

A partir dos exames realizados na USP, descobriu-se ainda que, ao longo de sua vida, Dom Pedro I fraturou quatro costelas, todas do lado esquerdo, fato que praticamente inutilizou um de seus pulmões e pode ter ajudado a piorar a tuberculose que o matou aos 36 anos de idade, em 1834. Os ferimentos constatados foram resultado de dois acidentes a cavalo (queda e quebra de carruagem), em 1823 e 1829, ambos no Rio de Janeiro.

Mas o que deixou os cientistas mais surpresos foi o fato de não haver nenhuma comenda de ordens brasileiras entre as insígnias com que o imperador foi enterrado. “Esperava pelo menos a Ordem da Rosa, criada pelo próprio Dom Pedro I aqui no Brasil, para homenagear Dona Amélia. Foi uma pequena decepção”, diz Valdirene. A única menção ao período que governou o país foi uma expressão gravada na tampa do caixão: “Primeiro Imperador do Brasil”.

Dona Leopoldina
A pesquisa arqueológica revelou que a imperatriz Leopoldina foi enterrada exatamente com a mesma roupa que vestiu na coroação do marido, Dom Pedro I, em 1822, até mesmo com a faixa de imperatriz do Brasil. A informação foi obtida ao comparar as tomografias realizadas no Hospital das Clínicas com um retrato da imperatriz de 1826. O exame mostrou ornamentos idênticos aos da pintura. “O tomógrafo fatiou a imagem para que só aparecesse o bordado com fios de ouro e prata. Comparando com o retrato, entendemos que era a ‘carteira de identidade’ de Leopoldina”, afirma o diretor do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) Carlos Augusto Pasqualucci.

O estudo também desmente a versão histórica – já quase tratada como “lenda” – de que Leopoldina teria caído ou sido derrubada por Dom Pedro de uma escada no palácio da Quinta da Boa Vista, então residência da família real. Segundo a versão, propalada por alguns historiadores, ela teria fraturado o fêmur. Nas análises no Instituto de Radiologia da USP, porém, não foi constatada nenhuma fratura nos ossos da imperatriz.

Dona Amélia
No caso da segunda mulher de Dom Pedro I, Dona Amélia de Leuchtenberg, a descoberta mais surpreendente veio antes ainda de que fosse levada ao hospital: ao abrir o caixão, a arqueóloga descobriu que a imperatriz está mumificada, fato que até hoje era desconhecido em sua biografia. O corpo da imperatriz, embora enegrecido, está preservado, inclusive cabelos, unhas e cílios. Entre as mãos de pele intacta, ela segura um crucifixo de madeira e metal.

Em meio ao material histórico, houve espaço para curiosidades mais recentes: dentro do caixão do imperador foram colocados 24 cartões de visita, de militares, dentistas, diplomatas, brasileiros e portugueses. “Foram colocados no traslado dos restos do imperador ao Brasil, em 1972. É gente que gostaria de ser ‘lembrada’, mas não vamos divulgar os nomes”, diz a pesquisadora.

FONTE: https://www.tudoemdia.com

Exumação de Dom Pedro I (Foto: Divulgação/Valter Diogo Muniz)
Valdirene Ambiel com os restos de Dona Leopoldina (Foto: Prof. Dr. Luiz Roberto Fontes)
Tomografia de Dona Leopoldina (Foto: Divulgação/Valter Diogo Muniz)
Restos mortais de Dom Pedro I (Foto: Valter Diogo Muniz)
Restos mortais de Dona Leopoldina (Foto: Valter Diogo Muniz)
Corpo de Dona Amélia mumificado (Foto: Divulgação/Valter Diogo Muniz)
Dona Amélia segurando um crucifixo (Foto: Divulgação/Valter Diogo Muniz)
Dona Leopoldina, Dom Pedro I e Dona Amélia (Crédito: Creative Commons)
Cripta no Monumento à Independência, em São Paulo, onde estão sepultados Dom Pedro I, Dona Leopoldina e Dona Amélia (Foto: Vander Dissenha)
Sepultura de Dom Pedro I, que está vazia desde que seus restos mortais foram enviados ao Brasil em 1972. Lisboa – Portugal (Foto: Vander Dissenha)
Vander Dissenha, no quarto onde Dom Pedro I nasceu (1798) e morreu (1834). Palácio de Queluz, Sintra – Portugal. (Foto: Vander Dissenha)

A Teoria do Último Encontro

Há uma ideia silenciosa, mas poderosa: a teoria do último encontro. Ela parte de um princípio simples — e ao mesmo tempo profundo — de que qualquer encontro pode ser o último. A última conversa, o último abraço, a última risada compartilhada…

No campo emocional, a teoria do último encontro é um convite à consciência afetiva. Ela nos lembra de não deixar palavras presas, gestos adiados, perdões engasgados. Encerrar ciclos de forma consciente é um ato de coragem — e também de amor. Porque o tempo é imprevisível, e o que hoje parece rotineiro, amanhã pode ser apenas memória. Viver com essa percepção não significa viver com medo, mas com delicadeza. Significa reconhecer que a vida é feita de capítulos que se fecham, e que cada encontro tem o seu valor, mesmo quando chega ao fim. Também pode ajudar na aceitação de perdas, ao reconhecer que todo encontro é finito por natureza.

Há separações que não nascem do desamor, mas do destino. Quando duas almas cumprem a missão que tinham juntas, o universo simplesmente as afasta — não por castigo, mas por sabedoria. E não importa o quanto tenham se amado. Quando a lição é aprendida, o reencontro deixa de ser necessário. Vocês podem morar perto… ainda assim, os caminhos não se cruzam mais. É como se o próprio universo conspirasse para manter cada um onde precisa estar. Porque, mesmo que reste saudade, já não existe mais propósito. Esse é o tipo de separação que dói diferente: não há briga, não há drama — apenas um silêncio que cresce entre dois corações que um dia foram abrigo um do outro.

E talvez o que mais machuque seja isso: entender que o amor não acabou, mas a história sim.

Falecimento do Professor Jader

Faleceu hoje meu professor de Estudos Sociais da quinta série, no Colégio Estadual de Campo Mourão. Ele foi meu professor em 1982. O professor Jader Libório de Ávila era bem rigoroso e, certa vez, me deixou de castigo atrás da porta — pois, naquela época, ainda se podia aplicar certos castigos para disciplinar os alunos. Eu gostava muito de suas aulas, pois Estudos Sociais unia duas disciplinas que aprecio até hoje: Geografia e História. Gostava das aulas, das histórias e de quando ele falava sobre os lugares que conhecia.

Foi numa manhã preguiçosa, em abril de 1982, que pela primeira vez ouvi falar em Machu Picchu. Eu era um garoto meio tímido, cheio de sonhos, que adorava viajar de caminhão com meu pai. Na aula do professor Jader, ele mandou abrir o livro de Estudos Sociais em um determinado capítulo, e foi ali que vi, pela primeira vez, uma foto da cidade perdida dos incas — a lendária Machu Picchu. A foto mostrava a montanha de Huayna Picchu envolta por nuvens. Aquilo me chamou a atenção e, milagrosamente, fiquei calado durante toda a aula, prestando atenção em tudo o que o professor dizia, nos detalhes que contava sobre Machu Picchu, cidade que ele já havia visitado. No final da aula, disse a mim mesmo que um dia conheceria aquele lugar. Naquela época, eu mal sabia onde ficava o Peru, mas ao sair da aula tive uma certeza: um dia pisaria na cidade perdida dos incas.

Anos depois, mais precisamente em 2011, estive em Machu Picchu pela primeira vez. Quando lá coloquei os pés, lembrei-me da aula do professor Jader falando sobre a cidade perdida dos incas. Em 2012, voltei a Machu Picchu e, dessa vez, consegui conhecer Huayna Picchu — adorei o lugar. Gostei mais de Huayna Picchu do que da própria Machu Picchu.

Vá em paz, professor Jader. O senhor honrou sua profissão e deixou bons exemplos para muitos de seus alunos — assim como deixou para mim.

Professor Jader Libório de Ávila – 1936/2025.

Alguém em Algum Lugar

Fazia tempo que eu não assistia a uma série que me prendesse tanto a atenção. Escolhi ver Alguém em Algum Lugar depois de ler que ela vinha sendo bastante comentada recentemente e até ganhou alguns prêmios Emmy, mesmo sendo pouco conhecida.

A série tem três temporadas, com cinco a sete episódios cada, e eu acabei maratonando tudo em uma semana. E gostei muito. A inteligência da comédia não está apenas nas piadas, mas na forma como os personagens encontram alegria e humor em meio à tristeza, à tragédia e também nos momentos mais simples do dia a dia.

A protagonista, Bridget Everett, além de atriz, é uma excelente cantora. Na vida real, ela também se apresenta em um cabaré, onde costuma brilhar com números musicais de muito sucesso.

Alguém em Algum Lugar (Somebody Somewhere) é daquelas séries que chegam de mansinho, sem alarde, mas que acabam ficando com a gente por muito tempo. A história gira em torno da Sam, uma mulher que volta para sua cidade natal depois da morte da irmã e, a partir daí, precisa lidar com a família, com o luto e, principalmente, com a sensação de não se encaixar em lugar nenhum.

O que mais me pegou é como a série fala sobre a vida real — sem glamour, sem roteiro perfeito. Sam carrega mágoas, inseguranças, uma certa dificuldade em se abrir… mas também tem uma voz linda e, aos poucos, vai redescobrindo na música e nas amizades um espaço para ser ela mesma.

A amizade dela com Joel, por exemplo, é o coração da trama: duas pessoas que se encontram no meio do caos e criam juntas um espaço seguro, cheio de cumplicidade, risadas e pequenas vitórias.

Não espere grandes reviravoltas ou cenas mirabolantes. O charme da série está justamente nos detalhes: um jantar em família que dá errado, uma conversa no carro que muda tudo, o alívio de encontrar alguém que te entende sem precisar explicar demais.

Pra mim, “lguém em Algum Lugar é sobre isso: a beleza de ser imperfeito, de rir das próprias dores e de perceber que, mesmo quando achamos que não pertencemos a lugar nenhum, sempre existe alguém disposto a caminhar com a gente.

Joel (Jeff Hiller) e Sam (Bridget Everett).

Ozires – A esperança nasce nas atitudes

Hoje, mal cheguei de viagem e ainda com sono, fui ao lançamento do livro “Ozires – A esperança nasce nas atitudes”, obra do jornalista Dilmércio Daleffe.

Trata-se de uma biografia que narra a história de Ozires da Cruz, um mourãoense que morava em Curitiba e faleceu em 2022, aos 51 anos. Com um futuro promissor nos campos de futebol, seus sonhos foram interrompidos aos 13 anos, quando sofreu um acidente no Rio Paraná: mergulhou e bateu a cabeça em um banco de areia, ficando tetraplégico.

A partir desse momento, o livro acompanha toda a trajetória da família de Ozires: cirurgias, internações, adaptações e a busca por um novo sentido para a vida. Apesar do futebol ter sido cancelado, Ozires se reinventou e encontrou na informática a sua nova saída, transformando limitações em oportunidades.

Fiz questão de comparecer ao lançamento, pois conheci Ozires pessoalmente. Tivemos apenas um ano de convivência, em 1982, na escolinha de futebol. Mas, ainda que breve, guardo lembranças boas e marcantes dele.

Quando soube do acidente, já não tinha mais contato com Ozires, e a notícia me deixou profundamente triste. Anos depois, ao acompanhar sua história — infelizmente após sua morte — fiquei emocionado ao ver que, mesmo com tantas limitações, ele conseguiu dar a volta por cima, ser feliz e realizar grandes conquistas.

Receber o abraço da mãe de Ozires foi como tocar um fio invisível que a ligava ao filho. Ao abraçar seus amigos, parecia que ela segurava a própria presença dele, transformando saudade em calor humano.

Ozires – A esperança nasce nas atitudes.
Com o autor do livro, Dilmércio Daleffe.
Foto com a mãe do Ozires.

Black Hawk Down

O filme Falcão Negro em Perigo (Black Hawk Down) foi lançado em 2001 nos Estados Unidos e chegou ao Brasil em março de 2002. Eu me lembro bem da primeira vez que o assisti: um sábado à tarde, no cinema do Shopping Cristal, em Curitiba. Estava acompanhado de uma guria com quem tinha ficado pela primeira vez uma semana antes, num fim de semana de trilhas e camping no Parque Estadual do Marumbi.

Sentamos na última fileira. E confesso: me arrependi de tê-la convidado. Não porque ela não fosse uma boa companhia — pelo contrário, era linda, inteligentíssima, de olhos verdes marcantes (e eu sempre tive uma queda por olhos verdes). Mas porque, naquela tarde, tudo o que eu queria mesmo era assistir ao filme, e não me distrair com carinhos no escurinho do cinema.

Sempre gostei de filmes de guerra, e aquele me interessava de forma especial. Falcão Negro em Perigo narra um episódio real da guerra civil na Somália, em outubro de 1993. Uma força de elite americana é enviada para capturar generais locais, mas a missão se complica quando dois helicópteros UH-60 Black Hawk são derrubados. O que deveria ser uma operação rápida se transforma em uma batalha sangrenta que durou horas e deixou marcas profundas no exército dos EUA.

Naquele sábado, meus olhos estavam grudados na tela. A história era trágica, mas ao mesmo tempo fascinante. O filme acabou levando dois Oscars, e eu saí do cinema com uma impressão que carrego até hoje: o impacto da guerra, o peso da tragédia — e a potência daqueles helicópteros Black Hawk.

Voltei a assistir ao filme algumas vezes nos anos seguintes, e ele se consolidou como um clássico. Já a guria de olhos verdes, que no início eu achei que seria apenas uma aventura passageira, acabou ficando comigo por sete anos. Tivemos momentos maravilhosos, e outros que preferia esquecer. Se pudesse voltar no tempo, talvez não tivesse prolongado aquela história depois daquela sessão de cinema. Houve escolhas e atitudes dela, anos mais tarde, que me feriram profundamente, quase destruindo minha vida. Mas isso já pertence ao passado. Não vou entrar em detalhes. Vander sendo Vander — divagando e fugindo do assunto principal.

Voltemos ao Black Hawk.

O Sikorsky UH-60 Black Hawk é um helicóptero militar utilitário médio, desenvolvido nos Estados Unidos pela Sikorsky Aircraft e em serviço desde 1979. Versátil e robusto, tornou-se peça-chave em guerras e operações humanitárias ao redor do mundo: Guerra do Golfo, Afeganistão, Iraque. Pode transportar até 11 soldados equipados, carregar veículos leves, atuar em missões de evacuação médica ou combate, e ser armado com metralhadoras e sistemas de defesa.

No Brasil, entrou em operação em 2007, quando a Força Aérea Brasileira (FAB) recebeu as primeiras unidades, que aqui foram designadas como H-60L, incorporadas ao Esquadrão Harpia, em Manaus, para substituir os antigos Bell UH-1H. Desde então, esses helicópteros têm atuado em missões de busca e salvamento, combate a ilícitos na Amazônia, apoio em desastres naturais e transporte de tropas em áreas de difícil acesso. São considerados hoje os helicópteros mais versáteis da FAB.

E não é que, 23 anos e meio depois daquela tarde no cinema, tive a oportunidade de conhecer de perto — e até entrar em um Black Hawk! É impossível não ter lembrado do filme, e também daquela companhia de olhos verdes.

Por razões de segurança nacional, não pude fotografar o interior da aeronave. Do lado de fora, no entanto, as fotos estavam liberadas, e algumas delas compartilho aqui embaixo.

Quanto à guria de 23 anos e meio atrás, não a vejo há quatorze anos e meio. Não sei se ainda está viva, nem o que faz da vida. Segui em frente, e o passado (salvo algumas exceções) já não me importa tanto. Mas, se por acaso ela estiver lendo este texto — já que, em tempos distantes, costumava acompanhar meu blog — quero que saiba que a perdoei. Na época, talvez tenha agido por desespero, sem medir as consequências. Hoje eu entendo. Eu também já fiz escolhas impensadas, que podem ter prejudicado alguém. Quem sou eu, então, para não perdoar?

Vida que segue… E eu estou indo assitir mais uma vez “Falcão Negro em Perigo”.

Black Hawk H-60L.
Eu e meu irmão, conhecendo de perto o Black Hawk.
Fazendo pose em frente ao Black Hawk.
No Black Hawk, e ao fundo um lindo por do sol.

Membro Honorário da Força Aérea Brasileira

Meu irmão, Wagner Dissenha, recebeu o título de Membro Honorário da Força Aérea Brasileira (FAB). A solenidade de entrega aconteceu na Base Aérea de Campo Grande (MS), durante as comemorações dos 81 anos de sua fundação.

Esse título é concedido a personalidades civis e militares da reserva, brasileiros ou estrangeiros, que tenham prestado serviços relevantes à Aeronáutica brasileira.

Fiquei extremamente feliz por ver meu irmão ser homenageado, pois sei o quanto isso significa para ele. Desde criança, Wagner sempre demonstrou paixão por aviões e sonhava em se tornar piloto de caça. Aos 18 anos, chegou a se alistar na Base Aérea de Curitiba, mas não foi aceito: para ser piloto, é necessário ter saúde impecável, e, como muitos em nossa família, ele não possui visão perfeita.

Apesar da frustração inicial, ele seguiu em frente. Nos últimos anos, iniciou um trabalho de valorização da FAB e seu pessoal. Com isso, construiu fortes laços de amizade com integrantes da FAB, o que lhe possibilitou conhecer diversas instalações da Força Aérea. Essa trajetória culminou agora com a honraria de Membro Honorário da FAB.

De certa forma, o sonho de infância foi realizado. Não exatamente como ele imaginava, mas da maneira que a vida permitiu. E isso tem um valor imenso para ele — e também para todos nós, que acompanhamos sua dedicação e amor pela aviação.

Solenidade pelos 81 anos da Base Aérea.
Tropas em forma, na Base Aérea de Campo Grande – MS.

Entrega do título de Membro Honorário.
Wagner Dissenha.
Desfile da tropa.
Wagner Dissenha e Vander Dissenha. Ao fundo um EMB-312 Tucano – Aeronave de treinamento básico e ataque leve.

Em Campo Grande – MS

Estou em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. Esta é a minha quarta vez na cidade. Tenho uma tia e alguns primos que moram aqui; minha tia se mudou para cá em 1979. Como esta viagem foi de agenda cheia e curta, não consegui visitar os parentes.

Gosto muito da cidade, que mesmo no inverno é quente. Um dos pontos mais bonitos é o pôr do sol, com seu tom alaranjado. Outra coisa que me encantou foi a gastronomia. Como sou fã de cupim, tive a oportunidade de experimentar duas vezes um prato muito apreciado por aqui: o famoso “cupim craquelado”. Uma verdadeira delícia!

Campo Grande,  é conhecida como a “Cidade Morena” por causa da cor avermelhada de seu solo. Fundada oficialmente em 1899, a cidade cresceu como ponto estratégico de ligação entre diferentes regiões do país. Hoje, é um importante centro econômico, político e cultural do Centro-Oeste, com destaque para o agronegócio, comércio e serviços.

Com mais de 900 mil habitantes, Campo Grande se caracteriza por sua diversidade cultural, resultado da influência indígena, paraguaia, japonesa, árabe e de migrantes de várias partes do Brasil. A cidade também é reconhecida por suas áreas verdes, avenidas largas, vida universitária ativa e pela proximidade com o Pantanal, um dos maiores ecossistemas do mundo.

Cavaleiro Guaicuru, no Parque das Nações Indígenas.

José Amilton Dissenha – 80 anos

Hoje meu pai completaria 80 anos. Infelizmente, ele se foi há 13 meses. Hoje poderia ser um dia de festa, mas acaba sendo um dia de saudade. De qualquer forma, é também um dia para celebrar a vida — a vida que ele me deu e os bons momentos que compartilhamos. Quando alguém parte, as lembranças ruins perdem força, e o que fica são os instantes felizes. E é melhor assim, porque não podemos mudar o passado. O que podemos é guardar com carinho as boas recordações e seguir em frente.

Feliz aniversário, meu velhinho!

Meu pai (segundo a esquerda) com seus pais e todos os seus irmãos.

Show com Bia Socek

Ultimamente não tenho postado aqui sobre os shows ou stand-ups que tenho assistido. Mas hoje decidi compartilhar um pouco da experiência que tive ontem no show da cantora Bia Socek. Acompanho o trabalho dela há muitos anos, mas foi a primeira vez que tive a oportunidade de vê-la ao vivo — e gostei demais!

Mesmo em uma noite fria e com o público um pouco tímido, Bia fez o show valer a pena. Ela se entregou de corpo e alma à apresentação, mostrando não só seu talento, mas também muito profissionalismo.

Depois do show, tive a chance de ir até o camarim e tirar uma foto com ela. Meu lado fã falou mais alto…  Ainda batemos um papo rápido sobre Quitandinha (PR), a cidade onde ela mora. Além de talentosa e profissional, Bia se mostrou uma pessoa extremamente simpática.

 

Hoje o Blog completa 17 anos de existência

O hobby, que começou de forma despretensiosa, chegou longe. Jamais imaginei que fosse durar tanto tempo. Na verdade, hoje seria o seu fim — mas acabei mudando de ideia e vou continuar com ele por mais um tempo. Quanto tempo? Não sei! As postagens, porém, vão se tornar cada vez mais raras, tanto pela falta de tempo para cuidar do Blog quanto pela diminuição do meu interesse, que cai a cada ano. Acho que ele já deu o que tinha que dar. Seu auge ficou para trás e foi útil para muita gente — principalmente para mim. Agora, já não é mais tão importante, e talvez seja melhor encerrá-lo. Sinceramente, não sei se ele chega aos 18 anos. Vamos ver o que os próximos meses reservam para mim e para o Blog.

O “brinquedinho” está quase atingindo a maioridade. Olhando para trás, fico feliz por tudo o que construí aqui. Este Blog foi, muitas vezes, uma forma de terapia. Escrevendo nele, encontrei resultados que, talvez, nem teria em sessões de análise. Vocês não imaginam quantas postagens escrevi e nunca publiquei, acabando por excluí-las depois. E também houve textos que escrevi achando que logo apagaria… mas que permanecem aqui até hoje.

Para os próximos meses, tenho um projeto ousado: revisar grande parte das postagens, corrigindo erros de ortografia, concordância e outros detalhes. Depois, pretendo publicar o conteúdo do Blog em formato de livros — um volume para cada ano, reunindo as postagens correspondentes. Esses livros servirão como memória e arquivo de tudo o que foi postado aqui. Quando estiverem prontos, talvez seja a hora de encerrar e excluir o Blog. Os volumes ficarão disponíveis para impressão sob demanda, caso alguém se interesse por algum ano específico.

Então… parabéns para nós! São 17 anos no ar.

Adeus Curitiba! – 15 anos depois

Hoje faz exatamente 15 anos que deixei Curitiba e voltei para minha cidade natal, onde mora minha família. A ideia era passar apenas seis meses por aqui e depois retornar. Nunca mais voltei. Houve muitos motivos para essa permanência, mas o principal foi a vontade de estar mais próximo da minha família.

Tinha passado 20 anos longe da cidade onde nasci — 19 em Curitiba e um nos Estados Unidos. Nesse tempo, perdi muitos momentos em família e, aos poucos, fui me afastando, deixando vínculos importantes se dissolverem. No meu último ano em Curitiba, visitei minha família apenas três vezes. Três visitas em um ano inteiro.

Voltar depois de tanto tempo não foi simples. Eu não tinha mais amigos aqui, me sentia deslocado. Mas, com o tempo, fui criando novas amizades, construindo uma rotina diferente e redescobrindo o valor da paz e da simplicidade do interior.

Sair de Curitiba nunca esteve nos meus planos. Eu tinha uma vida sólida lá, gostava da rotina, dos amigos, da cidade em si. Mas uma sequência de acontecimentos desagradáveis me fez “dar um tempo” e buscar refúgio a quase 500 quilômetros de distância. Tive que zerar minha vida e recomeçar. Não foi fácil, mas encarei como uma oportunidade de fazer uma limpeza profunda em tudo. Aos poucos, me reconstruí. Rompi vínculos antigos, deixei amizades para trás, e comecei do zero.

Hoje, raramente volto a Curitiba. As últimas visitas foram a trabalho. A cidade que conheci — aquela Curitiba limpa, organizada, onde vivi anos incríveis — já não existe mais para mim. Na última vez em que estive lá, ano passado, fui rever alguns lugares e me assustei: pichações por toda parte, lixo nas ruas, tráfico de drogas a céu aberto no centro, moradores de rua e pedintes em números que nunca havia visto. Não os julgo; apenas constato como a situação piorou desde que saí. Outra coisa que me chamou atenção (sem nenhum julgamento, nem a favor, nem contra) foi a quantidade de hispanos na cidade. Se continuar assim, logo o espanhol será o idioma oficial de Curitiba.

Hoje, não mantenho mais nenhum vínculo com a cidade. Até dos amigos mais próximos me afastei. Quando vou a Curitiba, não procuro ninguém. Não visito amigos, nem os poucos parentes que ainda vivem lá. Dos muitos amigos antigos, excluí todos das redes sociais. Não por mágoa, mas porque sinto que esse ciclo se encerrou. Com alguns poucos, ainda troco mensagens nos aniversários, por educação e carinho, mas sem proximidade.

Há exatos 15 anos saí de Curitiba pensando em voltar logo. Hoje, não tenho a menor vontade nem de visitar. Muita coisa aconteceu nesses anos — e, felizmente, a maior parte foi boa. Viajei muito, vivi mudanças profundas, amadureci como pessoa. Mas, acima de tudo, pude aproveitar minha família. Eu e meu pai tínhamos muitas diferenças, e conseguimos resolvê-las. Tive o privilégio de viver seus últimos anos com respeito, diálogo e carinho. Hoje, ajudo a cuidar da minha mãe, cuja saúde vem se debilitando. Só por isso, já teria valido a pena ter deixado Curitiba.

Nesses 15 anos, tive aprendizados que levo para a vida. Conheci pessoas incríveis, fiz amizades verdadeiras. Curiosamente, a maioria dos meus amigos atuais é bem mais jovem do que eu, o que torna as trocas de experiências ainda mais ricas. Além disso, conheci os dois grandes amores da minha vida. Duas mulheres extraordinárias (cada uma ao seu tempo) que me ajudaram a crescer, a querer ser um pessoa melhor, enfrentar questões internas que eu carregava há anos. Ambas não fazem mais parte da minha vida, mas guardo um carinho imenso pelo que vivemos juntos.

Por tudo isso — e muito mais — hoje posso afirmar, sem hesitação: valeu muito a pena ter deixado Curitiba. Minha vida é infinitamente melhor do que era há 15 anos. Só não digo que nunca mais morarei lá, porque a vida adora provar que o “nunca mais” às vezes nos prega peças. Melhor deixar o futuro em aberto. O que tiver que ser, será.

Última foto que tirei em Curitiba. Vista da cidade a partir do meu antigo lar. (02/08/2010)

F1: The Movie

Ontem fui ao cinema assistir ao tão esperado F1: The Movie. A estreia oficial no Brasil foi no dia 26 de junho, mas eu estava aguardando uma viagem para Curitiba, pois queria ver o filme numa sala IMAX. Afinal, ele foi filmado com câmeras IMAX, e no Brasil existem apenas seis salas com essa tecnologia — sendo que a maior tela em funcionamento está justamente em Curitiba.

Infelizmente, por vários motivos, acabei desistindo da viagem. Como o filme já estava em sua última semana de exibição, precisei correr para assistir numa sala convencional mesmo, aqui na minha cidade. E quer saber? Mesmo fora da telona IMAX, F1 ainda é uma experiência que vale muito mais ser vivida no cinema do que na TV. Ah, e tem um detalhe curioso: fui parar exatamente na poltrona F1. Coincidência? Talvez. Mas foi um bom presságio. Não gostei de ver o filme dublado, mas não existia outra opção. Então paciência!

🏁 Expectativas baixas, surpresa alta

Confesso que fui com os dois pés atrás. A decepção com a série da Netflix sobre Ayrton Senna ainda estava fresca — e olha que sou apaixonado por Fórmula 1 desde criança. Não consegui assistir nem ao primeiro episódio inteiro da série, de tão fraca que achei. Por isso, temi que o filme F1 seguisse o mesmo caminho. Mas, felizmente, estava completamente enganado.

F1 é um filme muito legal, construído de forma inteligente para agradar tanto os fãs hardcore da Fórmula 1 quanto aqueles que nunca viram uma corrida na vida. Claro que quem já acompanha o esporte leva uma certa vantagem — entende melhor algumas referências, reconhece personagens reais entre os atores, percebe nuances escondidas aqui e ali.

Por exemplo: pouca gente vai notar que a sede da equipe fictícia Apex Grand Prix, mostrada no filme, é na verdade a sede da McLaren. Ou que as imagens do acidente com o personagem Sonny Hayes (Brad Pitt) são, em parte, cenas reais do acidente que Martin Donnelly sofreu na Espanha, em 1990. No filme, o acidente ocorre durante a corrida, mas, na realidade, foi nos treinos livres. Essa mistura entre ficção e realidade é usada com liberdade poética, mas sem exageros — tudo muito bem encaixado para dar mais emoção ao enredo.

🎥 Para fãs e curiosos

Mesmo quem nunca se interessou por Fórmula 1 vai se envolver com a narrativa. O filme é uma experiência cinematográfica incrível e pode, inclusive, despertar a curiosidade de novos fãs para esse universo tão fascinante. A produção teve total apoio dos organizadores da F1, e não é por acaso: o objetivo é claro — popularizar ainda mais a categoria ao redor do mundo.

E está funcionando. O sucesso do filme é tanto que já se fala em uma continuação.

✅ Conclusão

F1: The Movie é uma volta rápida e emocionante pela pista da nostalgia, da adrenalina e da paixão por velocidade. Para quem já ama Fórmula 1, é um prato cheio. Para quem nunca ligou para carros de corrida, pode ser a porta de entrada perfeita. Não importa em que poltrona você sente — se for F1, melhor ainda —, o importante é embarcar nessa corrida.

Assistir ao filme F1, no assento F1.
CinemaXS – Campo Mourão / PR.
Foram 2 horas e 35 minutos de emoção.

Pensando sobre a morte

Nos últimos dias, tenho pensado muito sobre a morte. E não se preocupe, pois não estou querendo morrer. Acredito que a razão de tais pensamentos seja que, daqui a poucos dias, fará um ano que meu pai morreu. E hoje faz exatamente um ano que ele sofreu o AVC que, após alguns dias hospitalizado, o levou à morte. Tudo isso fez a saudade dele apertar nos últimos dias e, consequentemente, me levou a pensar, a meditar, a tentar entender a morte. Particularmente, não tenho medo de morrer. O que tenho mais medo do que morrer é ficar inválido numa cama, vegetando. Acredito que isso seja pior do que morrer, pois você está vivo e não está, ao mesmo tempo.

Eu era bem pequeno quando fui apresentado à morte pela primeira vez. Devia ter uns quatro anos e viajava de caminhão com meu pai. Teve um acidente, e havia um cara morto no acostamento. Eu dormia e acordei com o barulho e as luzes de sirenes. Me levantei e olhei pela janela, tentando entender o que acontecia. Meu pai ainda tentou me impedir de ver, mas não deu tempo. A imagem que vi me assombrou durante alguns dias. Ver uma pessoa morta, toda quebrada e ensanguentada, me fez descobrir que nossa vida tem fim um dia. Lógico que, nos dias seguintes, enchi meus pais de perguntas sobre morrer.

Um ano depois, a morte surgiu novamente em minha vida. Dessa vez veio com mais força e foi bem dolorida sua visita. Meu avô materno faleceu — foi de repente, um infarto aos 54 anos (um ano a menos que a idade que tenho hoje). E no dia anterior, ele tinha ido em casa e brincado comigo durante um tempão. Parecíamos duas crianças brincando. Relutei durante horas em ir vê-lo dentro do caixão. Eu não queria, mas fui forçado a vê-lo. Era a primeira vez que participava de um velório. O caixão no meio da sala da casa dos meus avós foi uma visão assustadora e traumatizante para mim, então um garotinho de cinco anos. No dia seguinte, vi pela primeira vez um sepultamento. Naquela época, o caixão era enterrado direto na terra, e o barulho e a imagem da terra cobrindo o caixão do meu avô nunca saíram da minha memória. Durante anos, evitei entrar na sala da casa da minha avó, pois sempre lembrava do meu avô no caixão, naquela sala.

Os anos foram passando, e a morte foi se tornando uma visita corriqueira em minha vida. Vez ou outra, morria algum parente que morava longe, ou então algum amigo da família ou vizinho. Mas logo começaram a morrer amigos meus, e isso foi devastador para mim. Ver crianças e depois adolescentes da minha idade morrendo era muito assustador. Com o passar dos anos, vi muita gente morta, sendo algumas em acidentes, e cujas imagens de corpos destroçados me fizeram perder noites de sono.

Conforme fui crescendo, fui entendendo e aceitando a morte. Mas evitava ir a velórios ou enterros. Se eu for a um velório e ver a pessoa no caixão, vou levar aquela imagem para sempre, e quando lembrar da pessoa, será a imagem dela morta no caixão que vou lembrar. Durante muitos anos, só ia a velórios e enterros quando era extremamente necessário. E um detalhe curioso: mesmo tendo o sobrenome DISSENHA, o primeiro DISSENHA cujo velório e enterro participei foi justamente o do meu pai, quando eu já tinha 54 anos de idade. Ou seja, passei mais de meio século “escapando” dos velórios e sepultamentos de familiares que têm o mesmo sobrenome que eu. Não foi somente por escolha isso — ocorreram muitas situações distintas que me impediram de ir aos velórios e sepultamentos.

Costumo brincar que sou igual a gato, pois tenho sete vidas. E já perdi as sete. Quando criança, um amigo do meu pai, sempre que me via, contava da vez que ele foi procurar um padre para me dar a extrema unção, pois achavam que eu não viveria até o dia seguinte. Fui um bebê doente, e somente por conta da fé e dos cuidados da minha mãe é que sobrevivi.

Aos 27 anos, vi a morte de muito perto, durante um assalto na empresa em que trabalhava. Um dos ladrões, em determinado momento, mandou eu encostar na parede, engatilhou a arma e a encostou na minha cabeça, dizendo que ia me matar. Achei mesmo que ia morrer e não senti medo — apenas fiquei inconformado em morrer jovem, tendo uma lista de planos e sonhos para realizar. Cheguei a olhar para o lado, vendo o chão onde cairia morto. E teve um momento em que quase perguntei para o ladrão se ele ia demorar muito para atirar, pois tal espera pelo tiro fatal era angustiante. No fim das contas, ele desistiu de me matar, e saí dessa apenas com algumas coronhadas no pé do ouvido e nas costas.

Há pouco mais de 15 anos, durante uma viagem, estava correndo demais e rodei numa curva. Vinham duas carretas em sentido contrário e, até hoje, não entendo como saí ileso de tal situação. Sempre ouvia dizer que, pouco antes de morrer, passa um pequeno filme em nossa mente. Não vi tal filme, mas tudo aconteceu como se estivesse em câmera lenta. E, dessa vez, cheguei a sentir o bafo gelado da morte no cangote. Teve um momento em que parecia que eu estava do lado de fora do carro, no alto, vendo tudo acontecer. Eu não bebo, nunca me droguei, e estava bem naquele dia, então o que aconteceu não foi alucinação. E não sei explicar direito tudo o que senti e o que aconteceu. Se outra pessoa me contasse tal história, eu não ia acreditar. Mas aconteceu comigo, então não tem como eu não acreditar. Sei que, no último segundo, consegui controlar o carro e escapar por meio metro de bater de frente com a primeira carreta. Até hoje, lembro da cara de desespero do motorista, vendo o acidente inevitável — ou quase! Da segunda carreta também consegui desviar e saí rindo… Olhei para o céu e agradeci a Deus pelo milagre de ter saído vivo de tal situação. Me safar de morrer ali foi realmente um milagre, não tem outra explicação. O detalhe é que, no momento do quase acidente, no som do carro tocava I Have a Dream, música da banda Abba. A tradução da música é “Eu tenho um sonho”, e naquela altura da minha vida eu tinha muitos sonhos ainda por realizar. E depois de quase ter morrido, corri para realizar a maioria dos sonhos que tinha então. Esses últimos 15 anos foram muito intensos, e isso graças ao quase acidente onde era para eu ter morrido. Sempre que passo naquela curva da estrada, tenho uma visão de uma cruz na beira da estrada, com meu nome. Parece loucura, mas isso sempre acontece quando passo lá. E sempre que possível, evito passar por tal trecho da estrada, pois sempre que passo por lá sou assombrado por tal visão. Talvez seja a morte me dando um recado de que uma força maior não a deixou me levar daquela vez. Mas sei que nosso encontro final um dia vai acontecer — mais cedo ou mais tarde. Espero que mais tarde!

Fora esses casos que contei acima, tem outras situações em que quase morri. Não vou contar todas aqui, pois senão esse texto vai ficar enorme. Por isso que digo que sou igual a gato, que tenho sete vidas. Mas pelas minhas contas, já perdi oito vidas, então estou ganhando dos gatos.

Apesar de não gostar de ir a velórios e enterros, gosto de visitar cemitérios, pois é um lugar bom para meditar e pensar na vida. Sempre que possível, visito algum cemitério novo durante viagens, tanto no Brasil quanto no exterior. Já estive em cemitérios muito legais, onde personagens históricos foram sepultados. E como gosto de história, ter visitado tais lugares foi uma experiência incrível.

Como mencionei mais acima, mais medo do que morrer, tenho medo de ficar vegetando. Ou então estar num estado de morte terminal que dure meses. Sou a favor da eutanásia. Tem um filme canadense que assisti em 2003, que se chama As Invasões Bárbaras (o nome não tem nada a ver com o conteúdo do filme), que fala sobre eutanásia e que me marcou muito quando o assisti. Eu gostaria de fazer igual foi feito no filme, caso venha a ter uma doença incurável no futuro. Não vou dar detalhes, mas se tiver curiosidade sobre tal filme, não deve ser difícil encontrá-lo na internet ou em algum streaming.

Outra coisa que acho estranho sobre a morte, é a questão do suicídio. Caso você tenha algum parente ou amigo que se matou, recomendo que pare de ler esse texto, pois o que vou escrever com certeza não vai te agradar. Enquanto milhares de pessoas lutam contra doenças ou outras questões para continuar a viver, vem um imbecil e tira a própria vida. Acho os suicidas egoístas, fracos e covardes. Pronto falei! Somente uma única vez pensei em tirar minha vida, e isso durou apenas poucos segundos. Foi quando sofria de uma difícil depressão e certa vez na estrada ao ver um caminhão vindo na pista contrária pensei que seria rápido e indolor jogar meu carro em frente ao caminhão e assim acabar com minha dor e sofrimento. Mas daí lembrei que tem muitas pessoas que gostam de mim e que iam ficar tristes com a minha morte. E também lembrei, que possivelmente não ia acabar com meu sofrimento pois, me matando só ia mudar meu sofrimento de dimensão. Ia levar minhas dores para o outro lado e lá ia pagar muito caro por ter tirado minha vida. E também lembrei que apesar de algumas vezes ter momentos de fraqueza, não sou fraco e nem covarde. Então desisti de tal pensamento idiota e fui enfrentar a vida e suas dificuldades. Me tratei, superei a tal depressão e depois disso vivi muitas coisas boas, vivi alguns dos meus melhores anos. Tenho certeza que fiz a escolha certa naquele sábado, que é viver, contra tudo e contra todos os problemas, viver é o que importa.

E tem um tipo de suicida ainda mais bosta e covarde. Já vi um caso desses, onde uma pessoa que diz algo como “se você não reatar o namoro, eu me mato”. Tal pessoa está usando uma forma de chantagem emocional extremamente grave e perigosa. E mais bosta do que a pessoa que faz tal chantagem, é a pessoa que aceita a chantagem. Anos atrás uma amiga do trabalho passou por uma situação dessas, aceitou a chantagem e se casou com o cara. A vida dela se tornou uma merda, pois qualquer coisa o cara falava para ela “eu me mato”. Acabei saindo do emprego e mudando de cidade e não tive mais contato com essa amiga. Então não sei como terminou essa história, se é que ela terminou, pois pode ser que minha ex-amiga esteja até hoje cedendo as chantagens suicidas do marido.

Usar a própria vida como moeda de troca para forçar alguém a ficar em um relacionamento é uma forma clara de manipulação. É emocionalmente abusivo e coloca a outra pessoa em uma posição de culpa injusta. Numa situação dessas, pode haver transtornos emocionais que precisam de ajuda profissional urgente. Você não é responsável pela vida de outra pessoa. Se alguém usa esse tipo de ameaça, é importante lembrar que ninguém é responsável pelas ações de outra pessoa. Forçar um relacionamento com base no medo não é amor, é coerção. E para ser sincero, acho difícil que o manipulador chegue as vias de fato. Ele é tão covarde em fazer tal ameaça, que duvido que tenha coragem de se matar. E se tiver coragem de se matar, a culpa é exclusiva dele e não de quem não cedeu a sua ameaça manipulativa.

Vou finalizando, e tenho plena consciência de que, mais dia, menos dia, vou morrer. Da morte, ninguém escapa! Essa é a maior certeza da vida — que, ao menos nisso, é justa, pois todos morrem. Seja feio, bonito, pobre, rico, famoso, desconhecido, burro ou inteligente — todos morrem. E o mais curioso é que muitos ainda se apegam a bens materiais, roubam e matam por um dinheiro que, no fim das contas, não vão levar consigo. Outra coisa interessante é que ninguém sabe, de fato, o que acontece depois da morte. Existem muitas teorias sobre o pós-morte, algumas com raízes religiosas. Mas nenhuma delas pode ser comprovada. Só depois que morrermos é que saberemos — ou não — o que acontece. Para ser sincero, gostaria que aquela história de “dormir para sempre” fosse verdadeira. Adoro dormir, e não me importaria nem um pouco se morrer fosse simplesmente isso: dormir por toda a eternidade…

O tempo está passando…

De Volta para O Futuro – 40 anos

Hoje faz 40 anos que De Volta para o Futuro (Back To the Future) estreou nos cinemas. Quarenta anos desde que Marty McFly pegou carona no DeLorean do Doc Brown e fez o mundo sonhar com viagens no tempo. E eu fui um desses sonhadores. Tinha 15 anos quando vi o filme, meses depois da estreia, no único cinema da minha cidade, no interior do Paraná. Foi amor à primeira vista — virou um dos meus filmes favoritos de todos os tempos.

O filme conta a história de Marty McFly, um adolescente que viaja no tempo com a ajuda de um DeLorean modificado pelo excêntrico cientista Doc Brown. Com orçamento de 20 milhões de dólares, o filme arrecadou cerca de 320 milhões, tornando-se uma das maiores bilheterias da década. O sucesso garantiu duas sequências, lançadas em 1989 e 1990, filmadas simultaneamente, que completaram uma das trilogias mais emblemáticas do cinema.

Anos depois de ter assistido ao primeiro filme da trilogia no cinema da minha cidade, tive a oportunidade, já nos Estados Unidos, de ver ao vivo o carro usado nas filmagens (um dos modelos, pois foram utilizados quatro carros nas gravações) e outros itens utilizados na trilogia.

No início dos anos 1990, a Universal Studios criou uma atração inspirada no filme em seu parque temático em Orlando. Era um “ride” no qual você entrava em um carro semelhante ao DeLorean do filme e “voava” pela cidade de Hill Valley (a cidade onde o filme é ambientado) e por outros cenários. Os carrinhos permaneciam fixos, mas se moviam de acordo com as imagens projetadas em um enorme telão à frente, dando a sensação de uma verdadeira viagem no tempo. Curiosamente, a atração incluía uma cena ambientada na era dos dinossauros — algo que não aparece em nenhum dos três filmes da trilogia. Isso se deve ao fato de que a Universal chegou a considerar a produção de um quarto filme, em que o DeLorean viajaria para o passado remoto, na época dos dinossauros. No entanto, esse plano foi abandonado com o lançamento de Jurassic Park. Tive a oportunidade de visitar essa atração algumas vezes, e foi inesquecível tal experiência.

Para muitos, De Volta para o Futuro não foi apenas um filme, mas uma experiência que marcou gerações. Para mim, foi um dos filmes que mais me marcaram. Até hoje, rever De Volta para o Futuro é uma viagem à minha própria adolescência.

Cartaz: De Volta para o Futuro
Marty McFly e Doc Brown.
Em frente a atração Back to the Future. (2003)
Trilogia: De Volta para o Futuro
Back to the Future, na Universal Studios. Orlando/2003
DeLorean utilizado no filme. Universal Studios (2011)
DeLorean utilizado no filme. Universal Studios (2011)

Os Sopranos

Este ano, tenho me dedicado mais a assistir séries do que filmes. Aproveitei para rever algumas que assisti há dez, quinze, até vinte anos e que gostei muito. Entre elas revi, Seinfeld, Two and a Half Men e The Big Bang Theory.

Na semana passada, comecei a assistir novamente Os Sopranos, que é uma das minhas séries favoritas de todos os tempos. Lembro que comecei a ver Os Sopranos, em Curitiba, pela Rede 21 (emissora da Rede Bandeirantes), por volta de 2004. Foi uma exibição limitada, e não cheguei a assistir a todos os episódios da primeira temporada. Dois anos depois, encontrei as primeiras cinco temporadas completas na locadora onde costumava alugar DVDs e maratonei todas. Anos depois, assisti as duas partes da última temporada, da mesma forma.

Sempre gostei muito do ator principal, James Gandolfini. Inclusive, fiz uma postagem aqui no blog quando ele faleceu, em 2013.

Segue o link da postagem:
👉 https://vanderdissenha.com.br/2013/06/familia-soprano/

Sempre considerei a abertura de Os Sopranos a mais sensacional entre todas as séries que já assisti. É uma sequência simples, mas extremamente eficaz do ponto de vista narrativo e estético. A câmera mostra Tony Soprano dirigindo, saindo de um túnel em Nova York, atravessando paisagens urbanas e industriais até chegar em sua casa, em Nova Jersey. Tudo é filmado a partir de dentro do carro, como se o espectador estivesse no banco do passageiro, acompanhando o trajeto. Ao fundo, a música “Woke Up This Morning”, da banda Alabama 3, dita o clima da série: sombrio, intenso e cheio de atitude. Uma abertura simples, simbólica e genial — que, com poucas imagens, já diz muito sobre o personagem, o ambiente e o tom da história que está por vir.

Um detalhe interessante é que no Brasil, a série ficou conhecida pelo nome “Família Soprano“.

  • Os Sopranos é uma aclamada série de televisão americana criada por David Chase, exibida originalmente entre 1999 e 2007 pela HBO. É considerada uma das melhores séries da história da TV.

    🧠 Enredo principal:

    A trama gira em torno de Tony Soprano, um mafioso ítalo-americano de Nova Jersey que tenta equilibrar sua vida como chefe do crime organizado com os desafios de sua vida familiar. Desde o início, ele passa por crises de ansiedade e começa a fazer terapia com a Dra. Jennifer Melfi, o que permite que o público tenha acesso ao seu lado mais humano e introspectivo.

    🎭 Temas centrais:

    • Vida dupla (crime e família)

    • Saúde mental

    • Masculinidade tóxica

    • Lealdade, poder e traição

    • Declínio da máfia nos EUA

    👥 Personagens principais:

    • Tony Soprano (James Gandolfini) – protagonista, líder mafioso e pai de família.

    • Carmela Soprano (Edie Falco) – esposa de Tony, que vive o dilema moral de apoiar um criminoso.

    • Dra. Jennifer Melfi (Lorraine Bracco) – terapeuta de Tony.

    • Christopher Moltisanti – sobrinho e protegido de Tony.

    • Paulie, Silvio, Junior Soprano – membros da máfia com diferentes relações com Tony.

    🏆 Reconhecimento:

    A série foi revolucionária na forma como retratou anti-heróis e trouxe temas psicológicos para o gênero policial. Recebeu diversos Emmys, Globos de Ouro e ajudou a consolidar a chamada “era de ouro da televisão”.

    📺 Curiosidades:

    • O final da série é um dos mais discutidos da história da TV, marcado por sua ambiguidade.

    • Influenciou muitas outras séries com protagonistas moralmente ambíguos, como Breaking Bad e Mad Men.

    “Os Sopranos” teve 6 temporadas, com um total de 86 episódios.

    📅 Lançamento:

    • Ano de estreia: 10 de janeiro de 1999

    • Ano de encerramento: 10 de junho de 2007

    🗂️ Divisão das temporadas:

    Embora oficialmente sejam 6 temporadas, a 6ª temporada foi dividida em duas partes (às vezes tratadas como “6ª e 7ª” em algumas listagens):

    1. Temporada 1 – 1999

    2. Temporada 2 – 2000

    3. Temporada 3 – 2001

    4. Temporada 4 – 2002

    5. Temporada 5 – 2004

    6. Temporada 6 (Parte 1) – 2006

    7. Temporada 6 (Parte 2) – 2007

    A série teve pausas relativamente longas entre algumas temporadas, especialmente antes da última, o que aumentou a expectativa dos fãs.

Origem dos motéis

Os motéis surgiram nos Estados Unidos no início do século 20 como uma resposta direta ao crescimento do uso de automóveis e à necessidade de hospedagem prática para viajantes. A palavra “motel” é uma junção de “motor” e “hotel”, significando literalmente um hotel para motoristas.

Origens:

  • Primeiro motel oficial: Foi o Milestone Mo-Tel, inaugurado em 1925 na cidade de San Luis Obispo, na Califórnia. Ele foi criado para acomodar viajantes de carro em viagens longas, oferecendo fácil acesso, estacionamento na porta e estadias rápidas.

  • Esses estabelecimentos eram simples, com quartos voltados para o estacionamento, permitindo aos hóspedes descarregar bagagens diretamente do carro.

Evolução:

  • Com o tempo, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, os motéis se espalharam pelos EUA e depois por outros países.

  • No Brasil, os motéis ganharam uma conotação diferente: a partir da década de 1950-60, começaram a ser usados não só para hospedagem temporária, mas como espaços de privacidade para casais, especialmente devido a restrições sociais quanto à sexualidade e à moradia com os pais.

No Brasil:

  • Adaptaram-se com foco em discrição, privacidade e encontros amorosos.

  • Tornaram-se populares com entrada reservada, suítes temáticas, espelhos, banheiras, entre outros atrativos.

Em resumo, os motéis nasceram da necessidade prática de hospedagem para motoristas, mas em alguns países (como o Brasil) acabaram se especializando como locais voltados ao erotismo e à intimidade.

Milestone Mo-Tel, o primeiro motel do mundo, está abandonado.
Em 2011 me hospedei em um motel, em Whashington – USA.

Brasil X Portugal

Estive recentemente visitando Portugal pela segunda vez. E, como nessa segunda visita pude conhecer melhor o país, algo me chamou muito a atenção: a quantidade de brasileiros que estão morando lá. Se continuar nesse ritmo, logo os portugueses vão deixar de falar seu português arcaico e começar a adotar o nosso, cheio de gírias. E por aí vai! Brasileiros e portugueses andam meio em pé de guerra por lá. Se os portugueses vacilarem, daqui a pouco deixam de ser nossos antigos colonizadores para virar nossa colônia — brincadeiras à parte, claro.

Conversando com amigos sobre isso, surgiu a pergunta: foi benéfico para o Brasil ter sido colonizado por Portugal? Abaixo, tento responder essa questão.


Do lado negativo (e a maioria dos historiadores concorda com isso):

  • Extermínio e opressão dos povos indígenas: Milhões de indígenas viviam no território antes da chegada dos portugueses. A colonização causou mortes em massa por doenças, guerras e escravização, além da destruição de culturas e línguas.

  • Escravidão brutal: Milhões de africanos foram sequestrados, trazidos à força para o Brasil e submetidos a séculos de trabalho escravo, com consequências sociais e raciais profundas que duram até hoje.

  • Economia de exploração: Portugal organizou o Brasil como uma colônia de extração: pau-brasil, cana-de-açúcar, ouro… Tudo era enviado para a Europa. A infraestrutura interna era mínima.

  • Dependência e atraso: A colonização não incentivou o desenvolvimento da educação, da indústria ou da autonomia. Quando o Brasil se tornou independente, era extremamente desigual e majoritariamente analfabeto.


Do lado de quem vê benefícios (visão mais tradicional, mas hoje bastante criticada):

  • Formação de uma identidade nacional: A colonização criou uma base linguística comum (o português) e certa unificação territorial, o que ajudou na formação do Brasil como país — ao contrário da fragmentação vista na América Espanhola.

  • Introdução de elementos culturais e tecnológicos europeus: Agricultura, criação de gado, escrita, arquitetura, religião (ainda que imposta)… Tudo isso chegou com os colonizadores. Mas é importante lembrar que veio acompanhado da destruição de culturas locais.

  • Inserção no sistema mundial: Como parte do Império Português, o Brasil esteve ligado ao comércio atlântico, o que em certos períodos trouxe crescimento econômico (como nos ciclos do açúcar e do ouro).


Em resumo:

Ser colonizado por Portugal foi mais prejudicial do que benéfico para os povos que viviam aqui e para o desenvolvimento autônomo do país. Os “benefícios” geralmente vieram acompanhados de muita violência, desigualdade e dominação. Muitos dos problemas sociais do Brasil hoje têm raízes diretas nesse passado colonial.


Analisando tudo isso, me peguei imaginando: será que teria sido melhor termos sido colonizados pelos ingleses, franceses, espanhóis ou holandeses? E a resposta é: talvez sim. O Brasil poderia ser mais desenvolvido se tivesse sido colonizado, por exemplo, pelos ingleses — especialmente se o modelo seguido fosse parecido com o de colônias como os Estados Unidos ou o Canadá.

Mas o problema não é só quem colonizou. É como foi feita a colonização.
Mesmo os ingleses, com seu modelo mais institucionalizado, praticaram genocídios, escravidão e mantiveram desigualdades profundas. No fim das contas, todos os impérios europeus colonizaram com um objetivo em comum: lucrar — nunca “ajudar” os povos locais.

Ou seja, não importa quem nos colonizasse: de qualquer forma teríamos sido explorados, e as riquezas do Brasil teriam ido parar na Europa. No fim, o colonizado sempre se dá mal — independente de quem o coloniza.

Praça do Comércio, Lisboa.

Expedição Quest (1921 – 1922)

✳️ Também conhecida como: Shackleton–Rowett Expedition

Nomeada assim devido ao patrocínio de John Quiller Rowett, amigo e financiador de Shackleton.

Contexto

Após a Primeira Guerra Mundial, Shackleton queria retornar à Antártida. Com as grandes descobertas da Idade Heroica praticamente concluídas, ele planejava uma nova expedição para: Explorar regiões desconhecidas do Oceano Antártico, especialmente em torno das ilhas subantárticas. Mapear e estudar a Ilha Bouvet (Noruega) e a costa do mar de Weddell.

🛳️ O navio: Quest

Pequeno baleeiro norueguês adaptado para exploração polar. Equipado com motor auxiliar (a vela era o principal meio de locomoção). Considerado inadequado para longas viagens antárticas — era lento e instável.

👨‍✈️ Liderança e equipe

Líder original: Sir Ernest Shackleton

Segundo em comando: Frank Wild (veterano das expedições anteriores)

Outros membros notáveis: Leonard Hussey (meteorologista), Frank Worsley (capitão do navio), James Marr e Norman Mooney, dois escoteiros britânicos escolhidos entre milhares — simbolizando a conexão da juventude com a exploração.

⚰️ A morte de Shackleton

Em 5 de janeiro de 1922, Shackleton morreu de ataque cardíaco a bordo do Quest, na Geórgia do Sul, pouco depois de chegar à ilha. Ele tinha apenas 47 anos. Shackleton foi sepultado ali mesmo, a pedido de sua esposa, tornando-se um símbolo eterno da presença britânica na região.

🧭 A continuação da expedição

Após a morte de Shackleton, Frank Wild assumiu o comando. A expedição tentou seguir os planos originais, mas teve vários problemas técnicos e climáticos. Enfrentou condições severas de gelo e mau tempo, dificultando a navegação. Realizou poucos estudos científicos e exploração limitada. Visitou a Geórgia do Sul, Tristão da Cunha, e outras ilhas do Atlântico Sul.

📉 Resultado e impacto

Considerada fracassada em termos de objetivos científicos e geográficos. No entanto, possui grande importância histórica, pois marca o fim da era dos grandes exploradores antárticos. Representa o encerramento simbólico da carreira de Shackleton, que foi um dos maiores líderes de expedições polares da história. Inspirou futuras gerações de exploradores.

🪦 Legado

O túmulo de Shackleton na Geórgia do Sul tornou-se um local de peregrinação para exploradores e admiradores. O navio Quest continuou em operação até 1962, quando afundou no Canadá. A expedição foi amplamente registrada em diários, fotos e filmes.

Shackleton em uma foto promocional.
Shackleton e os escoteiros Marr e Mooney.
O Quest passando pela Tower Bridge, Londres.
O Quest passando pela Tower Bridge.
O Quest no gelo marinho.
O Quest ancorado na baía de Geórgia do Sul.

SOBRE A MORTE DE SHACKLETON

Quando o Quest chegou ao Rio de Janeiro, durante sua viagem rumo à Antártida, Ernest Shackleton sofreu um ataque cardíaco. Apesar disso, recusou-se a se submeter a um exame médico adequado. O navio seguiu viagem em direção ao sul e, em 4 de janeiro de 1922, chegou à Geórgia do Sul. Nas primeiras horas da manhã do dia seguinte, Shackleton chamou o médico da expedição, Alexander Macklin, à sua cabine, queixando-se de dores nas costas e outros sintomas. De acordo com o relato de Macklin, ele aconselhou Shackleton a diminuir o ritmo e a “levar uma vida mais tranquila”. Em resposta, Shackleton perguntou: — “Estão sempre me dizendo para desistir das coisas… do que exatamente devo desistir?” Macklin respondeu: — “Do álcool, Chefe.”

Pouco tempo depois, às 02h50min da madrugada de 5 de janeiro de 1922, Shackleton sofreu um ataque cardíaco fatal, em sua cabine no Quest. Macklin, responsável pela autópsia, concluiu que a causa da morte foi um ateroma das artérias coronárias, agravado por esforço físico durante um período de grande debilidade. Leonard Hussey, veterano da Expedição Transantártica Imperial, prontificou-se a acompanhar o corpo até a Inglaterra. No entanto, durante uma escala em Montevidéu, recebeu um telegrama de Emily Shackleton, esposa de Ernest Shackleton, pedindo que seu marido fosse sepultado na própria Geórgia do Sul. Hussey então retornou à ilha a bordo do Woodville. Em 5 de março de 1922, Shackleton foi enterrado no cemitério de Grytviken, após uma breve cerimônia realizada na igreja luterana local. Macklin escreveu em seu diário:

“Acredito que esta era a forma como ‘o Chefe’ gostaria de ser enterrado — sozinho, em uma ilha afastada da civilização, rodeado por mares tempestuosos e próximo do cenário de uma de suas maiores explorações.”

Cabine onde Shackleton morreu.
O marco de Shackleton.
Sepultamento de Shackleton, na Geórgia do Sul.

O TÚMULO DE SHACKLETON ATUALMENTE

Atendendo ao pedido de sua esposa, Ernest Shackleton foi sepultado na Geórgia do Sul — a mesma ilha onde, anos antes, havia encontrado abrigo e socorro após a épica travessia da Ilha Elefante a bordo do pequeno barco James Caird, em consequência do naufrágio do Endurance.

Túmulo de Shackleton

 

DICAS DE LIVROS SOBRE O ASSUNTO

Não encontrei nenhum livro em português, sobre a Expedição Quest.

Seguem dica de dois livros em inglês.

Expedição Endurance (1914 – 1917)

A Expedição Endurance foi uma das mais impressionantes histórias de sobrevivência da Era Heroica da Exploração Antártica. Liderada pelo explorador britânico Ernest Shackleton, a expedição ocorreu entre 1914 e 1917, com o objetivo de atravessar a Antártica de costa a costa pelo Polo Sul. No entanto, o navio Endurance ficou preso no gelo do Mar de Weddell e acabou naufragando, dando início a uma extraordinária luta pela sobrevivência.

Contexto e Objetivo da Expedição

A Expedição Transantártica Imperial foi planejada por Shackleton para ser a primeira travessia do continente antártico. O plano consistia em desembarcar na costa do Mar de Weddell, atravessar o Polo Sul e emergir no Mar de Ross, onde um grupo de apoio deixaria suprimentos para a fase final da jornada. A tripulação era composta por 28 homens, incluindo cientistas, navegadores e marinheiros. O navio Endurance, um robusto veleiro de madeira de três mastros, partiu da Geórgia do Sul em 5 de dezembro de 1914.

O Naufrágio do Endurance

Pouco tempo após entrar no Mar de Weddell, o navio ficou preso no gelo em janeiro de 1915. Durante meses, a tripulação ficou a bordo, esperando que o gelo derretesse e liberasse o Endurance. No entanto, o gelo exerceu uma pressão esmagadora sobre o casco, e em 27 de outubro de 1915, Shackleton ordenou o abandono da embarcação. O navio afundou em 21 de novembro de 1915.

Sobrevivência no Gelo

Após o naufrágio, a tripulação passou meses vivendo sobre a banquisa (placa de gelo flutuante), sobrevivendo de estoques limitados de comida e da caça de focas e pinguins. Em abril de 1916, com o gelo se fragmentando, Shackleton ordenou que todos embarcassem em três botes salva-vidas rumo à Ilha Elefante, a mais próxima terra firme. Depois de cinco dias de viagem em condições extremas, os homens chegaram à Ilha Elefante, mas ainda estavam isolados e sem possibilidade de resgate.

A Jornada Heróica para o Resgate

Determinando que a única chance de salvação era buscar ajuda, Shackleton e cinco companheiros partiram no pequeno barco James Caird, em uma viagem épica de 1.300 km até a Geórgia do Sul. Durante 16 dias, enfrentaram ondas gigantes, frio extremo e tempestades violentas até chegarem à costa sul da ilha. Após desembarcar, Shackleton e dois homens ainda tiveram que cruzar a pé e sem mapas uma cordilheira montanhosa inexplorada até a estação baleeira de Stromness, onde finalmente conseguiram pedir socorro.

O Resgate e o Legado

Após várias tentativas frustradas devido ao gelo e às condições climáticas, Shackleton conseguiu voltar à Ilha Elefante a bordo do navio Yelcho, um rebocador da Marinha do Chile comandado por Luis Pardo. O resgate foi concluído em 30 de agosto de 1916, e todos os 28 homens sobreviveram, sem uma única perda.

A história da Expedição Endurance se tornou um dos maiores relatos de resistência, liderança e sobrevivência na história das explorações. Em 2022, os destroços do Endurance foram encontrados a 3.008 metros de profundidade no Mar de Weddell, extraordinariamente preservados.

Ernest Shackleton.
O Endurance abrindo caminho no gelo.
O Endurance, preso no gelo.
O Endurance, preso no gelo.
O Endurance, preso no gelo.
O Endurance, sendo esmagado pelo gelo.
Luta pela sobrevivência.
Na Ilha Elefante.
Em 2022, o Endurance foi encontrado no fundo do mar.

 

DICAS DE LIVROS SOBRE O ASSUNTO

Muitos livros sobre a Expedição Endurance foram publicados no Brasil. Li todos, e o que mais gostei foi Endurance – A Lendária Expedição de Shackleton à Antártida, de Caroline Alexander. Além de apresentar um relato bem escrito e detalhado sobre a expedição, o livro traz inúmeras fotos originais tiradas por Frank Hurley, o fotógrafo oficial da expedição. Ele embarcou no Endurance com a missão de documentar a primeira travessia a pé da Antártica. Embora a expedição não tenha alcançado seu objetivo, Hurley produziu um registro visual sem precedentes na história da fotografia.

Pequeno trecho do livro:

DIÁRIO DE SHACKLETON

O livro Sul – A Fantástica Viagem do Endurance foi escrito pelo próprio Shackleton e traz os relatos registrados em seu diário. É uma obra detalhada sobre a expedição, oferecendo um panorama completo da jornada. No entanto, em alguns trechos, a narrativa se torna cansativa, especialmente quando aborda aspectos técnicos da viagem, o que pode tornar a leitura monótona em certos momentos.

MAIS LIVROS SOBRE A EXPDIÇÃO ENDURANCE

Outros livros sobre a Expedição Endurance já foram publicados no Brasil, alguns com mais de uma edição por diferentes editoras. Ao comprar, fique atento para não adquirir um exemplar repetido, pois as capas podem variar entre as edições.

FILME

Foi feito um filme sobre a expedição Endurance, estrelado pelo ator Kenneth Branagh. Achei o filme muito ruim e não recomendo. Melhor ler qualquer um dos livros que citei acima do que perder tempo vendo o filme.

HISTÓRIA DO JAMES CAIRD

O James Caird era um dos três botes salva-vidas do navio Endurance, que ficou preso e acabou sendo esmagado pelo gelo no Mar de Weddell, na Antártida, em 1915. Após meses de sobrevivência no gelo, Shackleton e sua tripulação conseguiram alcançar a Ilha Elefante usando os botes. Porém, a ilha era inóspita e sem recursos suficientes para uma longa estadia.

Shackleton, determinado a buscar resgate, selecionou o James Caird, o maior e mais resistente dos botes, para uma ousada viagem de 1.300 km pelo traiçoeiro Oceano Antártico até a Geórgia do Sul, onde havia uma estação baleeira. No dia 24 de abril de 1916, Shackleton e cinco de seus homens zarparam da Ilha Elefante a bordo do James Caird. Enfrentaram tempestades, ondas gigantes e frio extremo por 16 dias, até finalmente alcançarem a Geórgia do Sul em 10 de maio de 1916. Depois, Shackleton e dois tripulantes ainda precisaram atravessar as montanhas da ilha a pé para chegar à estação baleeira de Stromness e conseguir o resgate para os demais homens.

O James Caird tornou-se um símbolo da resistência e habilidade náutica de Shackleton e sua equipe. O barco foi posteriormente restaurado e hoje está em exposição no Dulwich College, em Londres, onde Shackleton estudou quando jovem. A saga do James Caird é considerada uma das maiores histórias de sobrevivência e navegação da história marítima.

O James Caird, na Antártida, em 1915.

 

 

 

 

 

 

 

James Caird, no Dulwich College, em Londres.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

PS: Há dois meses, estive em Londres e queria muito visitar o Dulwich College para ver o James Caird de perto. No entanto, as visitas ao barco só são permitidas às sextas-feiras, e como fiquei apenas cinco dias na cidade – chegando em uma sexta-feira à noite –, infelizmente não tive a oportunidade de conhecê-lo.

Expedição Terra Nova (1910–1913)

Expedição

A Expedição Terra Nova, foi uma das mais famosas — e também trágicas — expedições à Antártida. Ela foi liderada pelo capitão Robert Falcon Scott entre 1910 e 1913, com o principal objetivo de alcançar o Polo Sul e realizar importantes estudos científicos.

🧭 Nome da Expedição:

Expedição Terra Nova (British Antarctic Expedition 1910–1913)

Nomeada a partir do navio Terra Nova, um antigo baleeiro reforçado para gelo. Organizada e financiada pelo governo britânico, instituições científicas e doações privadas.

🧑✈️ Líder: Robert Falcon Scott

Oficial da Marinha Real Britânica. Já havia liderado uma expedição anterior à Antártida (a Expedição Discovery, 1901–1904). Considerado um símbolo do espírito de exploração britânico da “Era Heroica da Exploração Antártida”.

🎯 Objetivos principais:

Alcançar o Polo Sul geográfico. Realizar pesquisas científicas extensas: meteorologia, biologia, geologia, glaciologia e magnetismo. Explorar áreas inexploradas do continente antártico.

🧊 Resumo da Jornada:

🚢 Chegada à Antártida:

O Terra Nova partiu do Reino Unido em 1910 e chegou ao continente antártico em janeiro de 1911. A base principal foi estabelecida em Cabo Evans, na Ilha de Ross.

🐴🛷 Métodos de transporte:

Usaram pôneis da Manchúria, trenós puxados por cães e motores de neve (protótipos de snowmobiles) — mas todos com eficiência limitada. Grande parte da jornada final foi feita a pé, puxando trenós manualmente.

🧊❄️ Corrida ao Polo Sul:

Scott e sua equipe partiram rumo ao Polo Sul em 1º de novembro de 1911.

A equipe final era composta por: Robert Falcon Scott, Edward Wilson, Henry Bowers, Lawrence Oates e Edgar Evans.

Chegaram ao Polo Sul em 17 de janeiro de 1912, mas… Encontraram a bandeira da Noruega: Roald Amundsen havia chegado 34 dias antes, em 14 de dezembro de 1911.

“O pior já aconteceu. Todos os dias tenho que forçar minha mente a contemplar o retorno.”
Robert Falcon Scott, em seu diário

💀 A tragédia na volta:

A volta foi devastadora: clima extremo, exaustão, fome e ferimentos. Evans morreu em fevereiro de 1912 após sofrer uma queda. Oates, com graves problemas de saúde e temendo atrasar o grupo, saiu da barraca e nunca mais voltou. Scott, Wilson e Bowers morreram em 29 de março de 1912, presos por uma nevasca, a apenas 17 km de um depósito de suprimentos. Seus corpos foram encontrados oito meses depois por uma equipe de busca.

🔬 Resultados científicos:

Apesar da tragédia, a expedição trouxe: 2.100 kg de amostras geológicas, fósseis e registros meteorológicos. Importantes descobertas sobre a fauna antártica, como pinguins e focas. Fotografias e diários que documentaram o continente com precisão nunca antes vista.

🏛️ Legado da Expedição Terra Nova:

Heróico e controverso:

Scott foi visto como um herói trágico britânico, símbolo de bravura e sacrifício. Mas, com o tempo, historiadores questionaram sua liderança, logística e decisões estratégicas. Ainda assim, o espírito de perseverança e dedicação da equipe é lembrado com admiração.

Destaques:

Edward Wilson, médico, naturalista e artista, deixou ilustrações científicas valiosas. E a história de Oates, o homem que se sacrificou pelo grupo, virou lenda. O diário de Scott virou um clássico da literatura de exploração.

📚 Frase final de Scott no diário:

“For God’s sake look after our people.”
(Pelo amor de Deus, cuidem dos nossos.)

Essa frase marcou o encerramento da era heróica da exploração polar — uma mistura de ciência, coragem e tragédia.

O Terra Nova, a caminho da Antártida.
Organizando suprimentos no acampamento em Cabo Evans
O Capitão Scott escreve em seus aposentos.
O navio Terra Nova.
Alguns membros da expedição.
Final da Geleira Barne na Ilha Ross.
Homens da expedição, em seu alojamento.
Um pinguim de adélia defende seu ninho.
Grupo de trenó saindo para uma exploração.
Dr. Wilson, Capt. Scott, Capt. Oates, Henry Bowers e Edgar Evans posam no Polo Sul. 18 de janeiro de 1912.
Sepultura de Scott, Wilson e Bowers. Sepultados dentro da própria barraca, no local onde seus corpos foram encontrados congelados.
A cabana de Scott, no Cabo Evans, está preservado até hoje na Antártida.

 

DICAS DE LIVROS SOBRE O ASSUNTO

A ÚLTIMA EXPEDIÇÃO

Traduzido para o português somente em 2002, os diários do capitão Robert Falcon Scott. O Livro conta sobre a Expedição do Terra Nova a Antártida e a famosa corrida pela conquista do Pólo Sul, em 1911. O capitão norueguês, Roald Amundsen, chegou ao ponto mais ao sul do planeta trinta e três dias antes do capitão inglês, Robert Falcon Scott, mas nem por isso ficou com toda a fama. Scott lutou bravamente até o final, apesar de todos os erros de planejamento e execução de sua expedição. Nesse livro, está a íntegra dos diários de Scott, inclusive suas cartas de despedida quando ele sabia que a morte era certa. Poucas expedições têm mais impacto de narrativa que a Expedição Polar de Scott, principalmente porque sabemos seu triste fim. Apesar disso, esse é um livro indispensável na estante de interessados nos temas aventura, Pólo Sul e determinação.

A PIOR VIAGEM DO MUNDO

Com prefácio de Amir Klink, esse é o relato da última expedição do capitão inglês Robert Falcon Scott à Antártida, escrito por um dos integrantes da expedição. Determinados a serem os primeiros a alcançar o Pólo Sul, os tripulantes do Terra Nova terminaram embarcando numa epopéia de fim catastrófico. Sob um frio de -40°C (que necrosava os pés) e tendo de contornar erros elementares de planejamento, Scott e quatro companheiros corriam contra o tempo para se adiantar à equipe capitaneada por Roald Amundsen. Chegaram ao Pólo um mês depois do norueguês. Morreram no caminho de volta, a apenas 17 quilômetros do depósito de alimentos mais próximo.

UM IMPÉRIO DE GELO

Um livro fascinante, que nos faz repensar a corrida entre Scott e Amundsen e considerar a ciência como a força motriz da exploração antártica e polar. No começo do século XX, a Antártida era o último continente ainda intocado pelo homem, e chegar primeiro ao Polo Sul era uma questão de honra. Em 1911, o norueguês Roald Amundsen e o inglês Robert Falcon Scott se lançaram numa verdadeira corrida ao ponto mais ao sul do planeta Amundsen chegou lá em 14 de dezembro, seguido pouco mais de um mês depois pela expedição de Scott, cujo grupo morreu no caminho de volta.

O ÚLTIMO LUGAR DA TERRA

Esse livro mostra que o triunfo de Amundsen não foi um acaso, ao vencer Robert Falcon Scott na corrida para ser o primeiro a chegar no Polo Sul geografico. O autor Roland Huntford, reconstitui a história da exploração polar desde seus primórdios e descreve em detalhe as duas expedições rivais. Acaba por desmontar corajosamente o mito de Scott como mártir do heroísmo britânico, revelando suas fraquezas como líder e a incompetência que marcou seu empreendimento. Com base em vasta pesquisa histórica, o livro recria passo a passo as jornadas paralelas de Amundsen e Scott, sem perder de vista, em nenhum momento, a dimensão trágica e humana dos acontecimentos. É um rigoroso trabalho historiográfico que se lê como um empolgante romance de aventura.

Expedição Nimrod (1907 – 1909)

A Expedição Nimrod foi uma das expedições britânicas de exploração da Antártida, liderada por Ernest Shackleton entre 1907 e 1909. Oficialmente chamada de Expedição Antártida Britânica, ficou mais conhecida como Expedição Nimrod por causa do nome do navio utilizado: Nimrod.

🧭 Objetivos principais da expedição:

Alcançar o Polo Sul geográfico (nunca antes alcançado até então). Fazer pesquisas científicas e geográficas no continente antártico. Explorar o Monte Erebus, um vulcão ativo. Realizar observações magnéticas e geológicas.

🛳️ O navio Nimrod:

Era um pequeno baleeiro de madeira de 41 metros. Não era o mais adequado para gelo antártico, mas foi o que Shackleton pôde conseguir com os recursos disponíveis. Foi equipado e adaptado para suportar as condições extremas.

🧑‍🔬 Principais membros da expedição:

Ernest Shackleton – líder da expedição.

Jameson Adams, Eric Marshall e Frank Wild – integraram a equipe que acompanhou Shackleton na tentativa de alcançar o Polo Sul.

Edgeworth David – geólogo importante da expedição, liderou a subida ao Monte Erebus e a viagem ao Polo Sul magnético.


🏔️ Principais conquistas da Expedição Nimrod:

Tentativa de alcançar o Polo Sul (geográfico)

Shackleton, Adams, Marshall e Wild chegaram a 88°23′S, a apenas 180 km do Polo Sul, o mais longe que qualquer humano havia ido até então. Por falta de suprimentos e exaustão física, Shackleton tomou a difícil decisão de voltar, priorizando a vida da equipe — algo que ficou como um de seus legados éticos.

Primeira ascensão ao Monte Erebus

Liderada por Edgeworth David. Realizaram estudos vulcanológicos, o que foi notável para a época.

Descoberta do Polo Sul Magnético

Outra equipe da expedição (David, Douglas Mawson e Alistair Mackay) chegou ao Polo Sul magnético (na época) — uma façanha científica impressionante.

🔬 Resultados científicos:

Estudos importantes sobre geologia, magnetismo, biologia e meteorologia. Recolhimento de fósseis e amostras rochosas. Ajudou a mapear partes do continente antártico até então inexploradas.

📜 Legado da Expedição Nimrod:

Embora não tenha alcançado o Polo Sul, a expedição foi considerada um grande sucesso. Shackleton foi saudado como herói e nomeado cavaleiro pela Coroa Britânica (Sir Ernest Shackleton). Demonstrou liderança, ética e coragem, influenciando futuras expedições (como a de Scott em 1911 e a própria Endurance de Shackleton em 1914). Ajudou a abrir caminho para a conquista do Polo Sul por Roald Amundsen em 1911.

A expedição Nimrod foi a primeira a levar um automóvel (que tinha sido recém-inventado) para a Antártida, mas ele quebrava constantemente devido ao superaquecimento e ficava preso até mesmo na neve rasa.

O navio Nimrod.
Acampamento durante a caminhada até próximo ao Polo Sul.
Momento de descanso, rumo ao Polo Sul.
Primeiro automóvel na Antártida.
Shackleton e outros membros da expedição.

DICA DE LIVRO SOBRE O ASSUNTO

A EXPEDIÇÃO ESQUECIDA DE SHACKLETON

Uma emocionante história de ambição e aventura ao longo de uma jornada que até para seu protagonista pareceu incrível. No Ano Novo de 1908, Ernest Shackleton, um explorador ainda pouco conhecido, sedento da fama e riqueza, zarpou no seu pequeno navio – o Nimrod – rumo ao sul, até as misteriosas regiões da Antártida. Naquele ano, Shackleton realizaria um dos maiores feitos da sua carreira e se envolveria em grandes aventuras, para depois retornar à Inglaterra como herói. O autor – historiador especializado em exploração – baseia-se numa extensa pesquisa e em relatos verídicos. O livro é, por fim, um relato fiel da expedição que serviu de pano de fundo para a Endurance, a célebre expedição de Shackleton.

Expedição Discovery (1901 – 1904)

A Expedição Discovery foi a primeira expedição oficial britânica à Antártida no século XX, organizada principalmente por instituições científicas como a Royal Society e a Royal Geographical Society. Seu nome vem do navio RRS Discovery, construído especialmente para a missão. O objetivo era tanto científico quanto geográfico, incluindo estudos sobre a fauna, flora, clima, geologia e magnetismo, além da exploração do interior do continente antártico.

👤 Liderança e Participantes

Comandante: Capitão Robert Falcon Scott

Segundo em comando: Albert Armitage

Outros membros notáveis:

Ernest Shackleton – mais tarde lideraria suas próprias expedições à Antártida

Edward Wilson – médico, naturalista e artista

O Navio: RRS Discovery

Foi construído em Dundee, Escócia. Especialmente projetado para suportar o gelo antártico. Tinha propulsão mista: vela e vapor, e era equipado com laboratórios e espaço para estocagem de suprimentos por anos.

🎯 Objetivos Principais

Exploração geográfica do continente antártico, pesquisa científica nas áreas de: Biologia, Geologia, Oceanografia, Meteorologia e Magnetismo terrestre. Também tinha como objetivo, alcançar o ponto mais ao sul possível.

🗓️ Linha do Tempo

6 de agosto de 1901: Partida do Reino Unido

8 de fevereiro de 1902: Chegada à Ilha de Ross, na Antártida

1902–1904: Inverno em McMurdo Sound; exploração do planalto antártico e estudos científicos

Outubro de 1902: Início da viagem ao sul com Scott, Wilson e Shackleton

Avanço até 82°17′ S (recorde da época), condições extremas: escorbuto, cegueira por neve, fome. Shackleton ficou gravemente doente e foi enviado de volta antes da missão terminar.

Fevereiro de 1904: Discovery é libertado do gelo com ajuda de navios auxiliares (Morning e Terra Nova)

Abril de 1904: Retorno ao Reino Unido

🧪 Conquistas Científicas

Coleta de milhares de espécimes de plantas e animais, estudos meteorológicos e magnéticos detalhados, mapas topográficos de áreas inexploradas, primeiras descrições científicas do pinguim-imperador, registro fotográfico e artístico extenso da região.


🏔️ Conquistas Geográficas

Exploração do Planalto Polar Antártico, alcance recorde de latitude sul até então, descoberta de diversas formações geográficas, como: Planalto Antártico, Cadeias montanhosas e geleiras. O Vulcão Monte Erebus foi observado de perto.

⚠️ Dificuldades Enfrentadas

Condições climáticas extremas: frio, ventos e escuridão, doenças como escorbuto e congelamento, falta de experiência com trenós puxados por cães (usaram mais homens para puxar) e isolamento prolongado e problemas de moral.

🏆 Legado

Marco inicial da “Heroic Age of Antarctic Exploration” (Era Heroica da Exploração Antártica).

Formação de futuros líderes como Scott e Shackleton.

Estabeleceu métodos científicos e logísticos usados em futuras missões.

A Discovery foi preservada e hoje é um navio-museu em Dundee, Escócia.

Durante essa expedição, Robert Falcon Scott e Ernest Shackleton participaram juntos da mesma missão. Ambos viriam a se tornar dois dos nomes mais importantes da história da exploração antártida. No futuro, Scott morreria na Antártida durante a Expedição Terra Nova, enquanto Shackleton morreria a caminho da Antártida, durante a Expedição Shackleton-Rowett.

O navio Discovery.
Membros da Expedição Discovery.
Cabana da Expedição Discovery, na Antártida.
Shackleton, Scott e Wilson.

DICAS DE LIVROS SOBRE O ASSUNTO

Nunca encontrei livros em português, sobre a Expedição Discovery.

Recomendo dois livros em inglês, ambos escritos por membros da tripulação do Discovery.

Livro escrito pelo Capitão Scott.
Livro escrito por Edward Wilson.

Expedição Franklin (1845 – …)

A Expedição Franklin foi uma missão britânica de exploração ao Ártico liderada pelo explorador Sir John Franklin em 1845. O objetivo era encontrar a Passagem Noroeste, uma rota marítima que ligaria o oceano Atlântico ao Pacífico pelo norte do Canadá. A expedição partiu com dois navios, o HMS Erebus e o HMS Terror, transportando 129 tripulantes.

Inicialmente, a expedição parecia promissora. Franklin, de 59 anos, contava com a experiência de seus oficiais superiores, Francis Crozier e James Fitzjames, ambos veteranos da exploração polar. Além disso, o Erebus e o Terror haviam sido especialmente adaptados para enfrentar as adversidades do Ártico. Suas proas foram reforçadas com camadas extras de madeira e ferro para resistir ao gelo. As embarcações estavam equipadas com motores a vapor para complementar as velas, sistemas de aquecimento e equipamentos para a produção de água doce. O suprimento incluía gado, porcos e galinhas, além de três anos de sopas e vegetais enlatados. Essa era a maior, mais tecnológica e mais bem equipada expedição polar realizada até então.

A expedição partiu da Grã-Bretanha em 19 de maio de 1845. Franklin comandava o Erebus, com Fitzjames como seu segundo em comando, enquanto Crozier era o capitão do Terror. Os navios fizeram uma última parada na Groenlândia para reabastecimento. No final de julho de 1845, dois navios baleeiros avistaram o Terror e o Erebus na Baía de Baffin, Canadá, antes de a expedição desaparecer na imensidão gelada. Nenhum homem branco os viu novamente.

Por dois anos, não houve qualquer notícia de Franklin ou sua tripulação. Em 1848, Lady Jane Franklin, segunda esposa do explorador, persuadiu o Almirantado Britânico a lançar um dos maiores esforços de busca da história naval. No entanto, a expedição havia se transformado em uma das maiores tragédias da exploração polar. Ambos os navios ficaram presos no gelo no Estreito de Victoria, obrigando os tripulantes a abandoná-los. A marinha britânica conduziu buscas extensivas, mas encontrou poucos corpos e nenhum vestígio das embarcações. Demorou quase 170 anos para que o Erebus e o Terror fossem finalmente localizados, naufragados nas águas árticas do Canadá.

Durante anos, expedições terrestres e marítimas vasculharam a região em busca de pistas, encontrando apenas alguns artefatos e restos humanos dispersos. Análises forenses revelaram que os tripulantes sofreram de fome, escorbuto e envenenamento por chumbo, possivelmente causado pelos mantimentos enlatados. Estudos também identificaram marcas de corte em alguns ossos, sugerindo que, em desespero, os homens recorreram ao canibalismo. A maioria da tripulação simplesmente desapareceu.

A busca pela expedição perdida de Franklin continuou ao longo dos séculos XIX e XX. Uma sequência aproximada de eventos foi reconstruída com base em expedições de busca, relatos orais inuítes e análises de exploradores. Um dos achados mais importantes foi a “Nota de Victory Point”, escrita por Crozier e Fitzjames e datada de 25 de abril de 1848. Descoberta em 1859 dentro de um marco de pedra na Ilha King William, a nota revelou que a expedição passou o inverno de 1845-1846 na Ilha Beechey e, no verão de 1846, seguiu pelo Estreito de Peel. No entanto, os navios ficaram presos no gelo, forçando os tripulantes a passar dois invernos seguidos na Ilha King William. Sir John Franklin faleceu em 11 de junho de 1847. Crozier, Fitzjames e os sobreviventes abandonaram os navios e tentaram chegar ao continente canadense através da região do rio Back River, uma jornada de 400 quilômetros. Relatos inuítes (indigenas que vivem no Ártico) mencionam que 35 a 40 homens brancos morreram próximo à foz do Back River, mas o destino dos demais tripulantes permanece desconhecido.

No início da década de 1980, pesquisadores canadenses realizaram um estudo que durou mais de cinco anos. Autorizados pelo governo do Canadá, eles exumaram e realizaram autópsias em três corpos de membros da Expedição Franklin. Eram os primeiros tripulantes a falecer e haviam sido enterrados pela própria expedição. Suas localizações eram conhecidas há décadas. Enterrados em solo congelado, os corpos estavam incrivelmente preservados, dando a impressão de que poderiam simplesmente acordar, apesar de terem morrido há mais de um século. Um dos pesquisadores envolvidos na exumação era descendente de um dos falecidos, vivendo um momento único e emocional ao olhar e tocar um ancestral perdido no tempo. Utilizando tecnologia de ponta do final do século XX, os cientistas conduziram um verdadeiro trabalho de CSI histórico, tentando desvendar o que levou à morte daqueles homens e lançando luz sobre o trágico destino da expedição.

O mistério dos navios foi finalmente resolvido graças a uma combinação de pesquisa histórica, relatos orais inuítes e tecnologia subaquática moderna. O Erebus foi localizado em 2014 no Golfo Queen Maud, e o Terror, em 2016, na Baía do Terror. Ambos os naufrágios estavam próximos da Ilha King William, onde os homens haviam tentado sobreviver. Diversos artefatos foram recuperados por mergulhadores, oferecendo novas pistas sobre os últimos dias da expedição.

Essas descobertas ressaltam a importância das narrativas inuítes na investigação da tragédia. Por décadas, os relatos dos povos indígenas sobre sofrimento, canibalismo e o destino da tripulação foram ignorados pelos pesquisadores britânicos. Apenas no século XXI esses testemunhos foram levados a sério, revelando-se inestimáveis para a compreensão do desastre. Hoje, a tragédia da Expedição Franklin é reconhecida como um dos eventos mais marcantes da história da exploração polar.

Sir John Franklin.

Latas de comida, que perteceram a Expedição Franklin.

Gravura do Erebus e do Terror.

Exumação de membro da Expedição Franklin.

Exumado 130 anos após sua morte.

 

DICAS DE LIVROS SOBRE O ASSUNTO

CONGELADOS NO TEMPO

É um livro que investiga o mistério da Expedição Franklin, uma missão britânica ao Ártico em 1845. A obra detalha as escavações realizadas nos anos 1980, quando pesquisadores exumaram três corpos incrivelmente preservados de tripulantes enterrados na Ilha Beechey. As análises forenses revelaram sinais de fome, escorbuto e envenenamento por chumbo, possivelmente causado pelas latas de comida contaminadas. Com uma abordagem quase CSI histórico, o livro combina ciência, história e investigação para explicar como a tripulação sucumbiu ao frio extremo e às condições adversas do Ártico.

MIRAGEM POLAR

O que transformou a maior expedição ártica do século XIX na maior tragédia de que se tem noticia? Miragem Polar, investiga um dos mistérios mais duradouros nos anais da exploração – duas embarcações da mais poderosa marinha do mundo, ultramodernas para seu tempo, HMS Erebus e HMS Terror, 129 homens escolhidos a dedo, um comandante que sobreviveu a três viagens árticas anteriores, desaparecidos sem sinal de vida.  O que aconteceu? Por um século e meio a pergunta sobre o que aconteceu com a expedição Franklin, o pior desastre nos anais das viagens polares – permaneceu um mistério. Agora, baseado em pesquisa realizada no Almirantado Britânico, o autor recria a saga completa da malsucedida expedição e chega a uma conclusão aterradora para um dos mais longos enigmas da história das explorações humanas. Esta obra é para quem aprecia literatura de aventuras.

SÉRIE THE TERROR

The Terror é uma série de televisão, que estreou em 26 de março de 2018. Baseada no romance homônimo de Dan Simmons, a produção mistura história e ficção, explorando o mistério da Expedição Franklin, desaparecida no Ártico em 1845. Embora a série apresente eventos e personagens reais, ela incorpora elementos fictícios para preencher as lacunas da história, já que o destino exato da expedição ainda é desconhecido. Um dos aspectos mais marcantes da narrativa é a presença de uma criatura sobrenatural, que ataca e aterroriza a tripulação. Apesar das liberdades criativas, The Terror oferece uma ambientação detalhada e realista das condições extremas enfrentadas pelos exploradores, tornando-se uma excelente introdução ao tema. No Brasil, a série está disponível no Amazon Prime Video.

OSCAR 2025

Como faço nos últimos anos, estou escrevendo sobre os filmes que concorrem ao Oscar de Melhor Filme. Este ano, consegui assistir ao último filme concorrente três dias antes da cerimônia de entrega do Oscar. Bem melhor do que no ano passado, quando vi o último filme faltando apenas uma hora para a cerimônia.

Novamente, tive bastante dificuldade para assistir a alguns filmes. No cinema da minha cidade, a maioria ainda não foi exibida, e alguns nem chegarão a ser. Dos dez filmes concorrentes, assisti a um no cinema, a outro no avião durante uma viagem e aos outros oito em casa, na TV, por meio de diversos serviços de streaming.

Diferentemente do ano passado, quando havia muitos filmes bons entre os dez concorrentes, este ano achei a maioria dos filmes bastante fraca. E, como acontece todo ano, minha lista de preferências foi mudando à medida que eu assistia aos filmes. Pela primeira vez desde que comecei a postar sobre os concorrentes ao Oscar, acredito que minha primeira opção será a vencedora na categoria de Melhor Filme.

Os filmes concorrentes, na ordem de minha preferência:

1° – O brutalista

A trama explora a vida de um controverso arquiteto e suas criações que desafiam as normas sociais. O arquiteto e sua esposa fogem da Europa devastada pela guerra em busca de um novo começo na América. Na jornada da reconstrução do legado, eles passam a testemunhar o surgimento da América moderna e se deparam com uma oportunidade que pode mudar suas vidas para sempre.

O filme é longo, com mais de três horas de duração. Em alguns cinemas, há um intervalo de 15 minutos no meio da exibição para que o público possa ir ao banheiro. Achei o filme muito interessante, com algumas cenas bastante fortes. Foi bom ver Guy Pearce de volta a um grande papel. Acredito que o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante deve ficar com ele ou com Edward Norton.

2° – Um completo desconhecido

Biografia sobre a vida de Bob Dylan. Situado na cena musical de Nova York do início dos anos 1960, Dylan, o jovem músico de Minnesota, tem apenas 19 anos e caminha rumo à sua ascensão na música. Passando de cantor folk, para as salas de concerto e ao topo das paradas, culminando em sua performance inovadora de rock and roll elétrico no Festival Folclórico de Newport em 1965, definindo um dos momentos mais transformadores da música do século XX.

Foi o último dos dez filmes que assisti. Achei bem feito e bem ambientado na década de 1960. A história de Bob Dylan, cantor de quem conheço poucas músicas, é envolvente e agradável de assistir. Na tela, vê-se o talento superando as dificuldades e alcançando o sucesso. Demorei para reconhecer o Edward Norton no filme. Ele está bastante envelhecido. Para quem já fez o papel do Incrivel Hulk, fica estranho ver ele envelhecido no filme. O pior é que ele é somente um ano mais velho do que eu…

3° – Ainda estou aqui

Este drama brasileiro, dirigido por Walter Salles, narra a luta de uma mulher em busca de seu marido desaparecido durante a ditadura militar no Brasil. Ainda Estou Aqui se passa no Brasil, em 1970 e é uma adaptação do livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva sobre sua mãe, Eunice Paiva. A dona de casa se vê obrigada a virar ativista de direitos humanos após o desaparecimento de seu marido.

Fernanda Torres é uma excelente atriz e está muito bem no filme. Mas, apesar de torcer por ela, não acredito que vença o Oscar de Melhor Atriz. Na minha opinião, o prêmio vai para Demi Moore. Também não acho que o filme vencerá na categoria de Melhor Filme, mas acredito que tenha boas chances de ganhar como Melhor Filme Internacional – e digo isso mesmo sem ter assistido aos outros concorrentes da categoria.

No geral, gostei do filme, que, sendo uma produção nacional, é muito bom – algo raro de acontecer. Além disso, gosto de Marcelo Rubens Paiva, autor do livro no qual o filme foi baseado. A história gira em torno do pai do escritor. Já li outros livros dele, e todos foram ótimos.

No entanto, o filme tem seus problemas, pois é enviesado. Até mataram um cachorrinho na história para sensibilizar o público. A trama retrata uma família burguesa, de um ex-deputado da época, que morava em frente à praia e até possuía telefone – algo surreal para a maioria das pessoas naqueles tempos. Além disso, colocaram uma empregada branca, o que não era comum na época. Será que fizeram isso para ser politicamente corretos? Pesquisei, mas não consegui descobrir a verdadeira cor da pele da empregada.

Outro ponto é que o filme só mostra um lado da história. Ele retrata os militares como monstros – o que, de fato, eram –, mas não menciona que os militantes de esquerda também cometeram abusos. Os grupos de esquerda sequestraram, mataram, roubaram bancos, explodiram bombas e atacaram instalações militares e policiais. Era uma guerra, com exageros e violência de ambos os lados. Quem tinha mais poder, sofria menos. No caso da história contada no filme, quem sofreu foi Rubens Paiva e sua família.

Se, por um milagre, o filme vencer como Melhor Filme, acredito que será um tipo de protesto contra o crescimento da direita no mundo – especialmente nos Estados Unidos, terra do Oscar e da maioria dos membros da Academia, que votam e escolhem o vencedor. Da lista de dez filmes, foi o único que vi no cinema.

4° – A substância

Este filme de terror psicológico explora os limites da mente humana e as consequências de experiências científicas não convencionais. Uma celebridade em declínio que enfrenta uma reviravolta inesperada ao ser demitida de seu programa fitness na televisão. Desesperada por um novo começo, ela decide experimentar uma droga do mercado clandestino que promete replicar suas células, criando temporariamente uma versão mais jovem e aprimorada de si mesma.

Foi o primeiro dos dez filmes concorrentes que assisti. É um filme um pouco complexo, mas interessante. Ele mostra até que ponto certas pessoas, que não aceitam as marcas do tempo em seus rostos e corpos, chegam para tentar permanecer jovens — algo impossível. O filme me fez lembrar das notícias que surgem frequentemente no noticiário, mostrando pessoas que morreram ao fazer cirurgias plásticas ou outras intervenções na busca por melhorar seus corpos. Essas pessoas arriscam a saúde e até a vida para ficarem mais bonitas e, muitas vezes, acabam perdendo a vida nesse processo. Achei o final péssimo e de muito mau gosto. Se o filme tivesse terminado cinco minutos antes, teria sido melhor. E quem é fã da Demi Moore, vai curtir, pois ela fica nua boa parte do filme.

5° – Conclave

O filme mergulha nos bastidores da eleição de um novo Papa, revelando intrigas e segredos do Vaticano. Um arcebispo é escolhido a dedo pelo papa anterior antes de morrer, como o encarregado de conduzir esse processo confidencial, o conclave. Sem entender o motivo, o cardeal acaba no centro de uma conspiração e de um choque de interesses que não só abalarão sua fé, mas também os alicerces da Igreja Católica.

Achei que não ia gostar, mas acabei gostando do filme, que mostra o processo altamente secreto da escolha de um Papa. Só não gostei do final; achei que ele estragou o filme. Ao ver os cardeais no filme discutindo, destilando vaidade e tentando puxar o tapete uns dos outros na busca pelo poder, lembrei-me dos sete anos em que trabalhei com os padres jesuítas. No trabalho com os padres, cansei de ver atitudes iguais às que vi no filme. Onde há poder e dinheiro, até mesmo religiosos podem acabar deixando Deus de lado, na busca de mais poder.

6° – Anora

A jovem e bela Anora é uma trabalhadora do sexo da região do Brooklyn, nos Estados Unidos. Em mais uma noite de trabalho, a garota descobre que pode ter tirado a sorte grande, uma oportunidade de mudar o seu destino: ela acredita ter encontrado o seu verdadeiro amor após se casar impulsivamente com o filho de um oligarca, o herdeiro russo Ivan.

Nem sei o que dizer sobre esse filme. Hoje li em um site que ele está despontando de última hora como um sério concorrente ao Oscar de Melhor Filme. A atriz principal abusa das cenas de nudez, e a história é meio bobinha e sem graça. Talvez o filme esteja cheio de mensagens que o pessoal da Academia do Oscar consegue captar e adorar, assim como os críticos de cinema gostam de comentar. Eu, no entanto, não vi nada além de um filme fraco e sonolento.

7° – Nickel boys

O filme aborda as injustiças sofridas por jovens afro-americanos em uma escola reformadora no sul dos Estados Unidos. Dois jovens negros norte-americanos, Elwood e Turner, tornam-se melhores amigos enquanto vivem uma das experiências mais cruéis de sua juventude: a detenção em um reformatório no ápice da aplicação das leis segregacionistas.

Quando li a sinopse do filme e vi que era baseado em uma história real, fiquei animado para assistir. Mas, ao ver o filme, foi uma grande decepção. Simplesmente não gostei do que vi. Além disso, tentaram um enquadramento diferente ao gravar muitas cenas, e, em vários momentos, dá a impressão de que o cinegrafista filmou estando deitado no chão. Filme ruim!

8° – Wicked

É uma adaptação do famoso musical da Broadway, o filme reimagina a história das bruxas de Oz antes da chegada de Dorothy. O filme conta a inesperada amizade entre Glinda e Elphaba, antes de serem conhecidas por toda Terra de Oz como a Bruxa Boa e a Bruxa Má do Oeste. No início de suas juventudes, cada uma está à procura dos próprios desejos, mas caminhos tão diferentes podem trazer olhares distintos sobre a verdade. Essa é a história não contada da Bruxa Boa e da Bruxa Má do Oeste.

Filme meio bobinho, com um toque de musical cansativo. Foi difícil assistir até o final, e acabei cochilando algumas vezes. Acredito que também esteja cheio de mensagens subliminares, inclusive sobre racismo, já que uma das personagens principais é verde e sofre discriminação por isso. No entanto, não percebi nem entendi nenhuma mensagem subliminar ou explícita no filme.

9° – Emilia Pérez

O filme conta a história de uma mulher transgênero enfrentando desafios pessoais e sociais. Tudo muda quando uma proposta indispensável surge para a advogada Rita: ajudar um temido chefe de cartel a sumir por definitivo e viver seu verdadeiro eu fora do radar das autoridades.

Sinceramente, não entendo como esse filme conseguiu 13 indicações ao Oscar. É péssimo! Um meio musical, com várias músicas ruins sendo cantadas ao longo da trama. Para piorar, assisti dentro de um avião, sobrevoando o Atlântico, em meio a muita turbulência. Detestei tanto a experiência quanto o filme!

10° – Duna: Parte 2

É a sequência da épica saga de ficção científica, que continua a jornada de Paul Atreides em um deserto cheio de perigos e intrigas políticas. Paul Atreides se une a Chani e aos Fremen enquanto busca vingança contra os conspiradores que destruíram sua família.

Já não gostei do primeiro filme, e a continuação me pareceu ainda pior. Não tenho nada a acrescentar, exceto um conselho: não assista, não perca seu tempo!

 

Viagem Europa 2025: Ingalterra – Dia 5

Após dormir até um pouco mais tarde, chegou a hora de levantar e terminar de arrumar minhas coisas para ir embora. Após vários dias de viagem, já estava sentindo saudades de casa, principalmente da minha cama, pois há dias vinha sentindo dores nas costas por não ter me adaptado às camas onde dormi.

Tudo ajeitado e, pouco antes do meio-dia, fizemos o check-out no hotel. Antes de seguir para o aeroporto, resolvemos almoçar em um Nando’s, que é um restaurante que serve comida indiana. Por ser hora do almoço, o restaurante estava cheio; inclusive, havia alguns indianos de turbante almoçando no local. Na Inglaterra, vivem muitos indianos que, por vários motivos, se mudaram para a terra de seus colonizadores. Para evitar surpresas, olhei o cardápio de ponta a ponta duas vezes e escolhi um sanduíche. Como sou muito chato para comer, prefiro não arriscar em lugares onde vou comer pela primeira vez.

Após almoçar, atravessamos a rua em frente e entramos na estação de metrô Southwark. Até o aeroporto de Heathrow, foi quase uma hora de viagem, e tivemos que trocar de metrô em uma estação quase no meio do caminho. Para evitar problemas, sempre procuramos chegar bem cedo aos aeroportos.

Fomos para a fila de check-in da Latam e ficamos quase uma hora esperando abrir. Então, fizemos o check-in, despachamos nossas malas e fomos passar pela imigração. Sair de um país sempre é mais fácil do que entrar, então não tivemos problemas. Em seguida, fomos para a sala VIP da British Airways, que é parceira da Latam. Ficamos o resto da tarde e o começo da noite na sala VIP, conversando, descansando, comendo e bebendo. Tínhamos à disposição vários freezers de bebidas, principalmente latas de refrigerante pequenas, de 150 ml. Eu e o Wagner bebemos várias latas. Acabei provando uma Ginger Ale cítrica. Adorei esse refrigerante e só não bebi mais porque não tinha espaço no estômago. A Ginger Ale é um refrigerante à base de gengibre. As opções de comida disponíveis eram bem inglesas, e provei algumas com moderação. Acabei gostando de um feijão enorme, com carne de ovelha, que mais parecia uma feijoada feita com feijão marrom. Exagerei e, depois, fiquei passando mal antes, durante e após o voo.

Pouco antes das 21 horas, horário local, embarcamos no avião. Mais uma vez, viajaríamos na classe executiva. Dessa vez, fiquei em um canto, bem no final da classe executiva, e meu irmão ficou em uma poltrona à minha frente. A viagem até o Brasil teria duração de onze horas, o que, mesmo na classe executiva, é desgastante. Serviram o jantar menos de duas horas após a partida. A sobremesa, assim como na ida, era sorvete. Só que, dessa vez, não era Häagen-Dazs. Como eu era o último da fila, não tive opção de escolher o sabor, e me trouxeram um sorvete de chocolate com pedaços de laranja, de uma marca inglesa cujo nome não lembro. O sorvete era horrível, e não sei por que comi tudo. Eu, que já estava mal do estômago, fiquei ainda pior. Não conseguia dormir e vi dois filmes e seis episódios de uma série. Só consegui dormir quando começamos a sobrevoar o Brasil. E justo quando comecei a dormir, iniciou-se uma turbulência severa.

O resto da viagem se resume ao desembarque em São Paulo e, depois, pegar um voo de conexão para Maringá. Lá, passei o resto do dia e, no começo da noite, peguei meu carro, que tinha ficado na garagem do prédio do meu irmão, e segui para minha cidade, minha casa, meus gatos e minha cama querida…

Essa minha terceira viagem para a Europa foi muito legal. Conheci muitos lugares interessantes, conheci pessoas legais, provei comidas novas e diferentes. No geral, não tenho nada a reclamar. Só tenho a agradecer a Deus por tudo ter dado certo, mesmo com os pequenos perrengues que passei, e ao meu irmão pelo convite para viajar com ele, mesmo que tenha sido meio de última hora. No geral foi uma viagem inesquecível!

Deixando o hotel em Londres.

O sanduiche indiano do Nando´s.

E estação Southwark, que ficava quase ao lado do hotel.

A caminho do aeroporto.

No aeroporto de Heathrow.

Fazendo o chek-in.

Lanche na sala Vip da British.

A Ginger Ale que me conquistou.

Pronto para uma viagem de 11 horas.

Viagem Europa 2025: Ingalterra – Big Ben

Big Ben é um grande sino instalado na torre noroeste do Palácio de Westminster, sede do Parlamento Britânico, localizado em Londres. O nome oficial da torre era originalmente Clock Tower, mas foi renomeada como Elizabeth Tower em 2012 para marcar o Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth II. A torre foi inaugurada durante a gestão de Sir Benjamin Hall, ministro de Estado da Inglaterra, em 1859.

A torre abriga o maior relógio de quatro faces do mundo e é a décima quarta torre de relógio mais alta do planeta. Construída em estilo neogótico, possui 96 metros de altura, tendo sido concluída em 1858 e iniciando suas atividades em 7 de setembro de 1859.

A Torre do Big Ben é um ícone cultural britânico, um dos símbolos mais proeminentes do Reino Unido, frequentemente presente em filmes, séries de televisão e documentários ambientados em Londres.

Em 15 de fevereiro de 1952, o sino tocou 56 vezes, uma por minuto, durante o funeral do Rei Jorge VI, falecido aos 56 anos. Em 27 de julho de 2012, tocou por 3 minutos (das 8h12 às 8h15) para anunciar a abertura dos Jogos Olímpicos de Verão de 2012. Essa foi a primeira vez que o sino tocou fora de sua programação normal desde o funeral de Jorge VI.

História e Construção

A Elizabeth Tower, anteriormente chamada Clock Tower e popularmente conhecida como Big Ben, foi erguida como parte do projeto de Charles Barry para a reconstrução do Palácio de Westminster, após um incêndio devastador em 16 de outubro de 1834. Barry, o arquiteto-chefe, contou com a colaboração de Augustus Pugin para o projeto da torre do relógio, inspirado nos trabalhos anteriores de Pugin, como Scarisbrick Hall, em Lancashire. Esse foi o último projeto de Pugin antes de sua morte.

A torre possui uma estrutura de 96 metros de altura. Os primeiros 61 metros são compostos de alvenaria revestida de calcário Anston, enquanto o restante da torre é de ferro fundido. A base da torre é quadrada, com 15 metros de lado e feita de concreto com 3 metros de espessura, situando-se a 4 metros abaixo do nível do solo. Os mostradores do relógio estão localizados a 55 metros do chão, e o volume interno da torre é de 4.600 metros cúbicos.

Apesar de ser uma das atrações turísticas mais famosas do mundo, o interior da torre não está aberto a visitantes estrangeiros. Apenas residentes do Reino Unido podem agendar visitas através de seus parlamentares. A torre também não possuía elevador, mas um está sendo instalado, eliminando a necessidade de subir seus 334 degraus.

Inclinação da Torre

Devido a mudanças nas condições do solo, a torre sofreu uma ligeira inclinação para o noroeste. Em outubro de 2011, a inclinação era de 0,26 graus, resultando em um desvio de meio metro entre a base e o topo. Especialistas indicam que a inclinação aumentou desde 2003, sem razão aparente. No entanto, autoridades britânicas afirmam que levaria cerca de 10 mil anos para que a torre atingisse uma inclinação crítica semelhante à da Torre de Pisa.

O Relógio

Os quatro mostradores do relógio foram projetados por Augustus Pugin. Cada um tem 7 metros de diâmetro e contém 312 peças de vidro opaco, similares a vitrais. As molduras das bases são douradas, e na base de cada marcador há a inscrição em latim: “DOMINE SALVAM FAC REGINAM NOSTRAM VICTORIAM PRIMAM” (“Deus Salve Nossa Rainha Vitória I”).

O mecanismo do relógio foi projetado pelo horologista Edmund Beckett Denison e pelo astrônomo real George Airy, e construído pelo relojoeiro Edward John Dent. A precisão do relógio é ajustada adicionando ou removendo moedas de cobre no pêndulo. Cada moeda altera a velocidade em 0,4 segundos por dia. O relógio é manualmente acionado três vezes por semana, levando cerca de 1,5 horas.

O Sino Big Ben

O sino original, fundido em 1856 pela John Warner & Sons, pesava 16 toneladas, mas rachou antes de ser instalado. O sino atual, fundido em 1858 pela Whitechapel Bell Foundry, pesa 13,76 toneladas e tem 2,74 metros de diâmetro. Foi erguido na torre em uma operação de 18 horas. Em setembro de 1859, o sino rachou novamente. Para repará-lo, um pedaço de metal foi removido e o martelo foi reposicionado. Desde então, o som do sino é ligeiramente diferente.

Impacto Cultural e Manutenção

O Big Ben é um dos símbolos mais icônicos do Reino Unido. Seu som é transmitido pela BBC Radio 4 desde 1923. A torre passou por uma grande restauração entre 2017 e 2021, com um orçamento que ultrapassou 80 milhões de libras. As obras incluíram a remoção de telhas de ferro fundido, instalação de um elevador e restauração da cor original azul da Prússia nos mostradores do relógio.

Após quatro anos de trabalho, a torre foi reinaugurada em novembro de 2021, a tempo para as festividades de Ano Novo. O Big Ben continua sendo um dos monumentos mais reconhecidos e admirados no mundo inteiro.

 

Viagem Europa 2025: Ingalterra – Dia 4

Saímos cedo do hotel e fomos pegar o metrô na estação ao lado. Fazia mais um dia de frio e céu nublado. Eu queria visitar a casa do Capitão Scott, o explorador polar que morreu na volta do Polo Sul. Em Londres, as casas onde personagens famosos da história moraram são sinalizadas com uma placa azul. Existe um aplicativo que mostra, num mapa da cidade, onde ficam essas casas.

A casa de Scott era a única que me interessava visitar. Na verdade, a visita se resumia a tirar uma foto em frente à casa, pois entrar nela estava fora de questão, já que foi modificada e tem novos moradores, que com certeza não devem gostar de visitantes estranhos. Pegamos o metrô até perto do local onde a casa ficava e depois um Uber.

Desci em frente à casa, tirei algumas fotos e fiquei observando-a por uns dois minutos, tentando imaginar o que se passava pela cabeça do Capitão Scott quando saiu dali pela última vez, em 1910, para seguir rumo à Antártica numa expedição de três anos da qual não voltou. O local devia ser um pouco diferente e mais calmo do que é atualmente.

Notei que, um pouco antes da casa do Capitão Scott, havia uma plaquinha na porta de outra casa informando que Bob Marley morou ali. Como não gosto de Bob Marley nem de suas músicas, não tive o menor interesse em tirar uma foto da casa onde ele viveu em 1977. Depois dessa visita, voltamos a estação do metrô e fomos rumo ao Palácio de Buckingham.

Descemos numa estação próxima ao Palácio de Buckingham. Atravessamos um grande parque e chegamos em frente ao Palácio, bem na hora da troca da guarda. O local estava cheio de gente, a maioria turistas. Também havia muitos policiais. O Palácio de Buckingham é ao mesmo tempo escritório e residência da família real quando eles estão em Londres. O Palácio também sedia cerimônias oficiais, como banquetes para chefes de Estado visitantes. Cerca de 500 pessoas trabalham no Palácio, incluindo funcionários para assuntos oficiais e domésticos do Rei Charles. A casa original que existia no local foi transformada em Palácio entre 1820 e 1830. A Rainha Vitória foi a primeira monarca a morar no Palácio, de 1837 a 1901.

Assistimos à troca da guarda e tiramos fotos em frente aos enormes portões do Palácio. Depois, ficamos um tempo em uma pequena praça em frente, onde existem muitas esculturas, inclusive uma da Rainha Vitória. Seguimos nosso passeio e fomos caminhando até a Abadia de Westminster. A Abadia é o lugar de descanso final da maioria dos monarcas britânicos e onde se realizam também as coroações e outros grandes eventos que envolvem a família real. Para entrar na Abadia, havia uma fila gigantesca e desistimos de visitá-la. Do outro lado da rua, em frente à Abadia, há uma praça repleta de estátuas de figuras importantes. Gostei muito da estátua de Gandhi. Havia uma manifestação nos arredores, com muitos carros travando o trânsito e um buzinaço sem fim.

Seguimos nosso passeio e chegamos à esquina do Parlamento. Há mais de 500 anos o Palácio de Westminster é a sede das duas Casas do Parlamento: a dos Lordes e a dos Comuns. Seria algo parecido com a nossa Câmara dos Deputados e o Senado, mas o sistema inglês é o parlamentarismo, que é bastante diferente do nosso sistema presidencialista. Num dos cantos do prédio do Palácio de Westminster fica o famoso Big Ben.

O Big Ben é um grande sino instalado na torre noroeste do Palácio de Westminster. O nome oficial da torre em que o Big Ben está localizado era originalmente Clock Tower, mas ela foi renomeada como Elizabeth Tower em 2012 para marcar o Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth II. A torre foi inaugurada durante a gestão de Sir Benjamin Hall, ministro de Estado da Inglaterra, em 1859. A torre do Big Ben é um ícone cultural britânico, um dos símbolos mais proeminentes do Reino Unido e frequentemente aparece em cenas de filmes, séries de televisão, programas ou documentários ambientados em Londres. O sino do Big Ben toca a cada hora, e quatro sinos menores soam a cada quinze minutos.

Um pouco à frente do Parlamento, do outro lado da rua, nas margens do rio Tâmisa, fica a London Eye, uma roda-gigante enorme. Tiramos fotos em frente a ela e só. Meu irmão já tinha dado uma volta nela em uma viagem anterior e disse que demora muito. Eu tenho um trauma de infância com relação a rodas-gigantes, então não tinha o mínimo interesse em andar nela.

Pegamos o metrô na Estação Westminster, que ficava próxima de onde estávamos, e fomos até Piccadilly Circus. Andamos um pouco pela região e também próximo à Trafalgar Square. Fomos até Chinatown. A história desse lugar remonta à década de 1950. A comunidade chinesa da Londres do pós-guerra tinha poucos recursos, e muitos não tinham um lugar para morar, encontrando na área aluguéis baratos. Aconteceu que os soldados britânicos que voltavam do Oriente se apaixonaram pela culinária chinesa e, por isso, surgiram tantos supermercados e restaurantes. Seu sucesso atraiu mais empresários chineses do East End em busca de fortuna, e foi se formando uma reputação de vida noturna.

Após caminhar um pouco pela região, ficamos com fome, pois já era meio da tarde. Paramos numa churrascaria brasileira que fica em Chinatown e ali almoçamos um belo churrasco. Depois, fomos andar pelo Soho e voltamos a Piccadilly Circus, onde entramos em algumas lojas. Anoiteceu, esfriou e resolvemos voltar para nosso hotel. Precisávamos arrumar nossas malas, pois no dia seguinte, ou melhor, na noite seguinte, embarcaríamos de volta ao Brasil.

Antes de ir para o hotel, passamos no Tesco, que fica ao lado da estação do metrô, e fizemos algumas compras, inclusive a nossa janta. Minha janta se resumiu a quatro cupcakes com cobertura de chocolate e uma garrafa de Coca-Cola. Gosto de cupcakes e, no Brasil, nunca encontrei nenhum tão saboroso quanto os que comia nos Estados Unidos, quando lá vivi. Descobri que os cupcakes ingleses eram tão bons quanto, ou até melhores do que, os norte-americanos.

Algo que me chamou atenção tanto em Portugal quanto na Inglaterra é que as garrafas PET, sejam de água, suco ou refrigerante, ficam com as tampas presas à garrafa. Elas não se soltam totalmente, como as garrafas PET no Brasil. Depois, fiquei sabendo que, na Europa em geral, as tampas de garrafas PET ficam presas às garrafas. Isso tem por objetivo garantir que a tampa seja reciclada junto com a embalagem e também evitar que a tampa seja perdida após a abertura da garrafa, reduzindo o risco de serem jogadas em rios ou praias. Achei isso bastante interessante, e tal prática bem que podia ser adotada no Brasil.

Após comer, tomar banho e arrumar minha mala e mochila, foi hora de procurar nos bolsos moedas e notas de libras. As notas não são problema se sobrarem, pois podem ser trocadas no Brasil. Já as moedas não são trocadas e acabam se perdendo, gerando um certo prejuízo. Nas últimas semanas, tinha andado com notas de euro e de libras na carteira. Agora, tinha que me livrar delas para, em breve, voltar a ter na carteira somente as desvalorizadas notas de real.

O local onde Scott morava.

Casa do Capitão Scott.

Policial londrina.

Palácio de Buckingham.

Troca da guarda.

Em frente aos portões do Palácio de Buckingham.

Palácio de Buckingham.

Estátua da Rainha Vitória.

Palácio de Buckingham.

Palácio de Buckingham.

Abadia de Westminster.

Ao fundo o Big Ben.

Estátua de Gandhi.

Wagner, tendo ao fundo o Parlamento.

London Eyes.

Chinatown.

Churrascaria brasileira em Chinatown.

Soho.

Confeitaria no Soho.

Jantando cupcakes e Coca-Cola.

Garrafa com tampa presa.

Euros e Libras que sobraram na carteira.

Viagem Europa 2025: Ingalterra – Dia 3

Dormimos até um pouco mais tarde. Alguns podem achar estranho que viajamos para o exterior e, em vez de levantar cedo e ir passear, ficamos dormindo. Explico que, além de ser cansativo andar o dia todo, havia o fator frio, que era muito desgastante. Então, preferimos dormir um pouco mais, pois também não aguentaríamos passar o dia todo na rua. Já fiz muito disso no passado, de andar quilômetros e mais quilômetros quando ia para uma cidade que não conhecia. Na primeira vez que estive em Nova York, no segundo dia na cidade, caminhei cerca de 21 quilômetros. Hoje estou mais velho e não aguento tais exageros, então prefiro descansar bastante e assim aproveitar melhor os passeios quando saio à rua.

Fazia sol, o céu estava limpinho, mas o frio tinha aumentado. Quando saímos do hotel, fazia 3 graus, com sol. Pegamos o metrô na estação próxima de onde estávamos e, após uma viagem curta, descemos, caminhamos um pouco e entramos em outra estação de metrô. Ali pegamos o metrô rumo a Greenwich. Saímos da estação e pegamos um ônibus de dois andares. Sentamos no terceiro banco, mas logo fomos para o primeiro banco da frente, na parte de cima do ônibus. Foi interessante viajar ali e observar o movimento do bairro em sua rotina matinal.

Descemos próximo ao Greenwich Park, que é um dos Parques Reais de Londres, um antigo parque de caça e um dos maiores espaços verdes da cidade. Ele foi o primeiro da cidade a ser fechado, isso em 1433. Logo na entrada, passamos pelo Cutty Sark, que é um clíper (veleiro) britânico. Da classe “extreme clipper”, ele é a última das embarcações de transporte de chá, preservada como símbolo de uma era. Foi construído em 1869. Perto do Cutty Sark, há um túnel subterrâneo que liga Greenwich à Isle of Dogs.

No parque também fica o Observatório Real, onde estão expostos instrumentos científicos. Nele também está a Queen’s House, construída entre 1614 e 1617, sendo um dos mais importantes edifícios da história da arquitetura britânica e o primeiro edifício conscientemente clássico a ser construído na Grã-Bretanha.

Greenwich Park é famoso por lá se situar o Observatório Real de Greenwich, a partir do qual é definido o Meridiano de Greenwich, onde, por definição, a longitude é 0º 0′ 0″ E/W, e que serviu de base para a definição do tempo médio de Greenwich (GMT). Você estudou sobre isso na quinta série. Achei o máximo estar em tal lugar. Andamos por entre as várias construções do parque e algumas partes reconheci de ter visto em filmes. Num canto, vi um pequeno monumento, na verdade um jardim, em homenagem aos mortos no naufrágio do Titanic. Lembro que o navio afundou quando ia da Inglaterra para os Estados Unidos, em 1912.

Sem querer, acabei descobrindo algo que me deixou muito feliz. No parque funcionava o Museu Marítimo Nacional, dedicado à Marinha do Reino Unido, sendo o maior do mundo nesse estilo. Foi inaugurado em 27 de abril de 1937 e recentemente passou por uma reforma completa. Sou um apaixonado pelas aventuras e histórias dos navegadores James Clark Ross, Ernest Shackleton, Robert Falcon Scott, pelas expedições do Terra Nova, do Discovery, do Endurance e da desaparecida Expedição Franklin. Durante muitos anos, colecionei livros sobre tais assuntos e expedições, principalmente as que tentavam chegar pela primeira vez ao Polo Sul. São mais de 30 anos lendo tudo o que encontro sobre tais assuntos, vendo filmes, documentários. E agora, sem querer, eu descobria um museu que até então desconhecia a existência, que com certeza teria objetos originais das expedições e personagens que citei pouco acima.

Meu irmão estava reclamando das dores no joelho e queria ir embora, mas acho que ele entendeu o quanto visitar o museu era importante para mim, devido ao meu sorriso e grau de excitação. Então ele falou para eu visitar o museu, enquanto ele ficaria sentado num banco na recepção, um local confortável e quentinho. Prometi que seria rápido na visita. Melhor ainda, descobri que a entrada era gratuita. Visitei todos os cantos do museu e demorei mais no andar superior, onde existia uma enorme sala dedicada às expedições polares. Eu estava vendo ao vivo diversos objetos originais de muitas expedições polares. Alguns objetos ali expostos, eu tinha ouvido falar muitas vezes nas páginas dos livros que li. Esse foi, sem dúvida, um dos melhores momentos da visita a Londres. Somente quem gosta muito de história e de fatos históricos vai realmente entender o quanto foi maravilhoso para mim visitar tal lugar e ver esses objetos originais das expedições e dos personagens que fizeram parte delas.

Num canto, vi um Ninho de Corvo, que pertenceu à Expedição Discovery, uma expedição oficial britânica das regiões antárticas entre 1901 e 1904, liderada pelo Capitão Robert Falcon Scott. O Ninho de Corvo era uma estação de observação usada para guiar o navio através de águas geladas. Ele ficava preso ao mastro principal do navio, e um homem ficava dentro dele observando o mar à sua frente. Era o único objeto em exposição que não estava totalmente protegido por vidro. Dei uma olhada em volta e não tinha ninguém olhando. Vi algumas câmeras de segurança no teto, mas estavam viradas para o lado oposto. Não resisti e toquei rapidamente o Ninho de Corvo. Parece que pude sentir a energia que emanava de tal objeto e estive mais próximo de todos os homens que fizeram parte da expedição Discovery. Difícil explicar tal sensação e o significado que esse gesto teve para mim. Você com certeza não vai entender!

Tinha uma seção com objetos em exposição que foram usados pelo Capitão Robert Falcon Scott na corrida pelo descobrimento do Polo Sul, em 1911. O norueguês Amundsen e sua equipe chegaram 33 dias antes dos britânicos ao Polo Sul e retornaram em segurança à sua base. Já os britânicos morreram no retorno. A equipe de Scott era formada por cinco homens; dois morreram antes, e o Capitão Scott e dois de seus homens foram encontrados oito meses depois, congelados dentro de sua barraca. Tinham morrido de exaustão, frio e fome, distantes apenas 14 quilômetros de um depósito de comida. Foram sepultados como estavam, dentro da barraca. Quando a notícia das mortes chegou a Londres, a cidade parou. Tinham perdido um de seus grandes exploradores.

Terminada a visita ao museu, onde tirei muitas fotos, fui encontrar meu irmão. Demos como encerrada a visita a Greenwich. Já passava das 13h00, e pegamos um ônibus em frente ao local e fomos até o Millennium Leisure Park, que é uma mistura de shopping e local de shows. Meu irmão queria almoçar no Jimmy’s, um restaurante onde já tinha estado antes e que serve comida de várias partes do mundo. Apesar do horário avançado, o restaurante ainda estava cheio. Metade das comidas servidas eu não tinha a mínima ideia do que eram. Arrisquei provar algumas e gostei. No mais, confiei nas saladas que conhecia e na pizza, que também era servida. Acabei comendo mais do que devia, mas valeu a pena.

Após almoçar, demos uma volta pelo lugar, e meu irmão reclamava cada vez mais das dores no joelho. Resolvemos voltar para o hotel. Após pegar um ônibus e dois metrôs, chegamos ao hotel. Começava a escurecer e, enquanto meu irmão ia para o quarto repousar, resolvi dar uma volta sozinho. Meu irmão me deu algumas sugestões do que visitar ali perto, e fui caminhar. Liguei o Strava, um aplicativo de celular que marca a distância percorrida. Saí caminhando pela avenida em frente ao hotel, depois atravessei uma das pontes do Tâmisa e segui em direção à St Paul’s Cathedral, que é uma catedral anglicana.

Lembro que a Igreja Anglicana é a religião oficial do Estado inglês. Para entrar na catedral, é necessário passar por uma revista com seguranças. Notei que fui o último a entrar e, após eu ter passado pela segurança, começaram a desmontar os equipamentos que barravam a entrada. Ao entrar na catedral, entendi o motivo: estava começando a missa, e ninguém mais podia entrar após o seu início. Fiquei curioso em saber se poderia sair antes do final da missa, pois não tinha o mínimo interesse em assisti-la, ainda mais missa em inglês. Havia uma fita e dois seguranças separando quem queria assistir à missa de quem queria apenas visitar a catedral. Essa fita acabava me impedindo de visitar toda a catedral, mas visitar sua parte de trás e algumas partes da lateral foram suficientes para mim. A catedral é atualmente um dos locais de maior visitação na cidade de Londres. Foi também nesta catedral que o Rei Charles casou-se com Lady Diana Spencer, em 1981. No local da catedral, foi erguida, em 604 d.C., a primeira igreja da Inglaterra, feita de madeira. A cúpula da catedral é a segunda maior do mundo, sendo ultrapassada apenas pela da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Durante a Segunda Guerra Mundial, Londres foi bastante bombardeada pelos alemães, nas famosas blitz. Duas vezes, grandes bombas caíram na catedral e não explodiram. Uma dessas bombas, se tivesse explodido, teria destruído a catedral, deixando uma cratera de 30 metros de profundidade no local. Podemos dizer que foi um milagre o que aconteceu.

O que me chamou atenção foi que, em muitas partes das paredes, existiam placas com homenagens a pessoas que morreram, principalmente em guerras ou combates menores. A catedral abriga cerca de 200 memoriais que servem à Ordem do Império Britânico e ao Tesouro Nacional. Porém, muitos tesouros foram perdidos ou furtados da catedral em 1810, quando um grande assalto resultou na perda de importantes artefatos preciosos do local. A catedral ainda abriga os túmulos de notáveis cidadãos britânicos.

Saindo da catedral, fiquei na dúvida se voltava para o hotel ou seguia com meu passeio. Estava esfriando ainda mais e, como estava bem disposto, resolvi caminhar mais um pouco. Segui por uma longa avenida que passa em frente à catedral e, após muitos quarteirões, acabei chegando ao West End, que é a região de Londres comparada à Broadway de Nova York, sendo considerada a Broadway londrina. É um distrito teatral que abriga a maioria dos teatros da capital inglesa. Vi em um teatro que estava em cartaz o musical Mamma Mia!, mas que só teria apresentações no dia em que eu iria embora de Londres. Sou fã do Abba, cujas músicas compõem o musical, e nas visitas que fiz a Nova York em 2003 e 2011, o musical estava em cartaz na Broadway. Em 2003, achei o ingresso muito caro e não fui ver o musical. Depois, me arrependi disso. Em 2011, o musical estava em um teatro mais distante da Broadway, havia fila de espera para reservas, e acabei desistindo de assistir. Também me arrependi depois. Ou seja, essa era a terceira vez que eu tinha a chance de assistir Mamma Mia! e não assisti. Paciência!

Continuei com meu passeio e andei por algumas ruas movimentadas, tomando o cuidado de observar bem os lugares por onde passava para não me perder na volta. Chegou o momento em que achei que já tinha caminhado o suficiente e resolvi voltar para o hotel. Peguei outro caminho e atravessei a Ponte do Milênio, uma ponte suspensa de aço inaugurada em 2000, que cruza o rio Tâmisa e une a zona de Bankside com a City de Londres. Situa-se entre a Ponte de Southwark e a Ponte de Blackfriars. Foi a primeira ponte construída na cidade desde a Tower Bridge, em 1894.

Ao entrar no quarto, acordei o meu irmão. Perguntei se queria sair para comer e ele respondeu que sim. Saímos, apanhámos o metrô na estação ao lado e descemos na estação Piccadilly Circus. Andámos um pouco e parámos para ver os famosos outdoors localizados num prédio na esquina da Shaftesbury Avenue. Neles, os anúncios da TDK, Sanyo, McDonald’s, Coca-Cola, Samsung e Nescafé marcam presença há décadas. Desde 1908, as luzes de Piccadilly Circus são uma atração turística, iluminando a praça de dia e de noite. Os outdoors gigantes de publicidade foram desligados em 16 de janeiro de 2017 e assim permaneceram até outubro do mesmo ano, quando foram substituídos por outdoors digitais curvos. A única vez em que estiveram desligados por um longo período foi durante a Segunda Guerra Mundial.

A região de Piccadilly Circus foi bastante alterada nos últimos anos e hoje está rodeada de centros comerciais. Durante a década de 1960, era um dos centros da Londres moderna. A área conta com várias atrações turísticas, incluindo a estátua de Eros, os bares e os teatros do West End londrino. A Shaftesbury Memorial Fountain, mais conhecida como Fonte de Eros, foi erguida entre 1892 e 1893. Ela ficava em um outro local e foi movida pela primeira vez, por conta de obras do metro. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela foi retirada e guardada, para não ser destruida pelos bombadeios alemães. Em 1947 ela foi colocada no local atual, onde permanece até hoje.

Parámos numa Pizza Hut para jantar. Como já era tarde, o local estava praticamente vazio e quase fechando. Jantámos pizza e saladas que faziam parte de um rodízio. Confesso que a pizza não foi das melhores que já comi. Quanto à salada, tanto eu como o meu irmão confundimos jalapeños com pepinos e ficámos com a boca ardendo durante um bom tempo.

Ao sair da pizzaria, demos mais uma volta pela região, tirámos algumas fotos e fomos apanhar o metrô, que estava bem vazio. Mesmo dentro da estação, fazia bastante frio. Seguimos diretamente para o hotel e fomos dormir.

Cutty Sark.

Memorial a desaparecida Expedição Franklin.

Túnel subterrâneo que liga Greenwich à Isle of Dogs.

Greenwich.

Memorial ao Titanic.

Memorial ao Titanic.

Museu Marítimo Nacional

Guia marítimo inglês, de 1671.

Alguns objetos do Capitão Scoth.

Objetos da Expedição do Terra Nova.

Cesto do corvo, do navio Discovery.

Greenwich.

Greenwich.

Queen’s House.

Greenwich.

Jimmy´s restaurante.

Millennium Leisure Park.

O Wagner no metrô.

St Paul’s Cathedral.

Homenagens a mortos em batalha.

Missa na St Paul’s Cathedral.

O musical Mamma Mia!, em cartaz num teatro.

As tradicionais cabines telefônicas.

Ponte do Milênio, ao fundo o domo da St Paul’s Cathedral.

Túnel que passa sob a Ponte de Southwark.

Ponte de Southwark.

Na estação de metrô Southwark.

Stranger Things, sendo apresentado num teatro em West End.

Outdoors na esquina da Shaftesbury Avenue.

Fonte de Eros.

Na estação de metrô Piccadilly Circus.

Viagem Europa 2025: Ingalterra – Dia 2

Acordamos um pouco mais tarde, fazia frio e o tempo estava fechado. Criamos coragem para sair à rua e fomos direto para a estação do metrô, que ficava perto do hotel. Como ficaríamos poucos dias na cidade, o plano era visitar os pontos turísticos mais conhecidos e frequentados. Havia um lugar que eu queria muito conhecer: o museu de um colégio tradicional nos arredores da cidade. Lá, entre outras coisas, está em exposição o James Caird, um pequeno barco utilizado por Ernest Shackleton e alguns membros da expedição Endurance para chegarem até a Ilha Geórgia do Sul, após perderem seu navio no gelo. Li alguns livros sobre essa expedição e me apaixonei pelo tema. Ainda postarei no blog algo sobre a expedição Endurance.

Infelizmente, o museu só abre uma vez por semana, justamente no dia em que iríamos embora de Londres. Fiquei frustrado, mas fazer o quê? Fica essa visita para uma próxima viagem à cidade.

Começamos nosso passeio por Southwark Wharves, que no passado foi um cais onde atracavam navios com mercadorias. Atualmente, o local tem ruas, áreas para caminhadas e muitos prédios modernos ao redor. Atracado em frente, no rio Tâmisa, está o navio HMS Belfast, que foi utilizado pela Marinha Real na Segunda Guerra Mundial e, desde 1971, tornou-se um museu. Passamos por dentro da Hay’s Galleria e depois paramos em um Starbucks, onde meu irmão tomou seu café da manhã e eu apenas um macchiato bem quente. Aproveitamos para usar o banheiro do local e ficamos um tempão na fila. Algo que notei nos passeios pela cidade foi a dificuldade em encontrar banheiros públicos.

Saímos do quentinho do Starbucks e voltamos a caminhar pelo frio. Fomos até a Tower Bridge, que estava cheia de turistas de todas as partes do mundo, andando por ali e tirando fotos e mais fotos. Vimos a Torre de Londres, visitamos alguns pontos turísticos menores nas redondezas e, então, pegamos um dos tradicionais ônibus vermelhos de dois andares. Seguimos até uma parte mais central da cidade, onde descemos do ônibus e caminhamos pelas ruas, observando tudo o que achávamos interessante.

Não vou descrever em detalhes tudo o que vimos, pois senão a postagem ficaria gigantesca. Nosso passeio nos levou até o Soho, que no passado foi um dos bairros mais elegantes da cidade, conhecido por seus habitantes e pelas festas extravagantes que realizavam. Desde seus primórdios, no fim do século XVII, o bairro é famoso pelos prazeres da mesa, da carne (se é que me entendem?) e do intelecto. Atualmente, o Soho é repleto de bares, restaurantes e cafés. Uma parte do bairro é bastante frequentada pela comunidade LGBTQ+.

Saindo do Soho, fomos caminhar por Trafalgar Square, uma grande praça muito movimentada de dia e de noite. Ela é repleta de restaurantes, cinemas e boates, além de largas avenidas e suntuosos prédios públicos. Eu caminhava atento a tudo ao meu redor, observando o que mais me chamava a atenção. Também observava as pessoas, que passavam aos montes por mim.

Fomos por uma rua que se transformava em uma larga avenida e, no final dela, uns dois quilômetros depois, ficava o Palácio de Buckingham, residência oficial da família real. Achei que seria interessante caminhar até o Palácio, mas meu irmão estava com dor no joelho e resolvemos deixar essa visita para outro dia. Passamos um tempo admirando estátuas de personagens e eventos históricos e depois pegamos o metrô rumo a Notting Hill.

Notting Hill é o bairro mais romântico de Londres, com suas bancas de flores, jardins escondidos e sobrados coloridos. Visitar o bairro foi um pedido meu, e meu irmão, meio a contragosto, não teve como recusar. O filme Um Lugar Chamado Notting Hill (cujo nome original é Notting Hill) é um dos meus favoritos; já assisti várias vezes desde que foi lançado em 1999. Mesmo sem visitar a famosa porta azul da casa de William Thacker (personagem de Hugh Grant no filme), gostei muito do passeio. A casa em questão ficava bem distante de onde estávamos e não valia o esforço de ir até lá, principalmente porque a porta original, que aparece no filme e se tornou famosa, foi trocada há alguns anos.

Após caminharmos por Notting Hill, a fome bateu, pois ainda não tínhamos almoçado. Eram quase 17 horas e já estava escuro, parecendo noite. Ficamos na dúvida sobre onde comer e acabamos escolhendo uma lanchonete indiana de hambúrguer. Foi meio que um tiro no escuro, mas acertamos. O lanche era muito saboroso e a batata frita parecia ter sido submersa em algum tipo de molho antes de ir para a fritura. Estava deliciosa!

Saindo de Notting Hill, pegamos o metrô e voltamos para o hotel. Fazia frio e a temperatura estava caindo ainda mais. Após sair da estação do metrô, paramos em um mercadinho ao lado. Fizemos algumas compras, e aproveitei para comprar algumas águas com gás produzidas na Escócia e na Irlanda. Gosto muito de água com gás e, por onde ando, tanto no Brasil quanto no exterior, procuro novas marcas para experimentar. Voltamos para o hotel e não saímos mais. Dormimos cedo.

Rio Tâmisa e Tower Bridge.

Navio museu, HMS Belfast.

Torre de Londres, fundada por volta do final do ano de 1066.

Tower Bridge.

Wagner e Vander, com a Tower Bridge ao fundo.

Tower Bridge.

Tâmisa, o rio que cruza Londres.

Andando num ônibus de dois andares.

Wagner com dores no joelho.

Na região de Trafalgar Square.

No final da avenida o Palácio de Buckingham.

Em Notting Hill.

O fast food indiano em Notting Hill.

Estação de metrô de Notting Hill.

Viagem Europa 2025: Ingalterra – Dia 1

Após deserbarcarmos do avião em Londres, passámos pela imigração e, após algumas perguntas, fomos autorizados a entrar na Inglaterra. Algo que achei diferente foi que, no carimbo do passaporte, em vez do nome da cidade, constava o nome do aeroporto, Heathrow. Pegamos um trem que circula pelo aeroporto e fomos até o local onde estavam nossas malas na esteira.

Heathrow Airport é o aeroporto mais movimentado da Inglaterra e um dos mais movimentados do mundo em termos de passageiros internacionais. Heathrow tem cinco terminais e está localizado a cerca de 24 km a oeste do centro de Londres.

Ao sairmos do aeroporto, sentimos o impacto do frio intenso, com uma sensação térmica próxima de zero. Pegámos o metrô e, após uma baldeação e cerca de 40 minutos de viagem, descemos na estação Southwark. Caminhámos cerca de 150 metros até chegarmos ao hotel Ibis, onde ficaríamos hospedados.

Fizemos o check-in e subimos para o nosso quarto, localizado no sétimo andar. Já me hospedei em muitos hotéis da rede Ibis, tanto no Brasil quanto no exterior, e o quarto estava dentro do padrão esperado. No entanto, achei o banheiro muito estranho. Era completamente feito de plástico, parecendo o banheiro de um barco. Além disso, ao andar dentro dele, o chão fazia ruídos e parecia ligeiramente mole, o que me causou uma sensação estranha.

Já era tarde, mas estávamos com fome. Meu irmão lembrou-se de que havia algumas boas lanchonetes próximas ao hotel. Era a sua sétima vez em Londres, e ele já tinha se hospedado antes no mesmo hotel. Acabámos por ir a um estabelecimento que era uma mistura de pizzaria e lanchonete, situado numa esquina próxima ao hotel. Inicialmente, pensamos em comer pizza, mas acabámos por optar por um sanduíche norte-americano. Para acompanhar, pedimos uma Coca-Cola bem gelada. No entanto, achei o sabor da Coca-Cola inglesa bastante inferior ao da Coca-Cola portuguesa, que vínhamos bebendo nos últimos dias. Era demasiadamente adoçada, e não gostei dela. Além disso, se já achava caro pagar, em média, R$ 19,00 por uma garrafinha de Coca-Cola em Portugal, na Inglaterra o preço era ainda mais elevado: cerca de R$ 24,00.

Após comermos, demos uma volta pelas proximidades. Estávamos perto do rio Tâmisa, que atravessa a cidade de Londres e é famoso pelas suas diversas pontes. Fomos até uma delas, tirámos algumas fotos e voltámos para o hotel, pois o frio estava intenso. Já no quarto, organizei algumas coisas da minha mala e mochilas, tomei um banho quente e demorado no banheiro peculiar e, finalmente, deitei-me. Estava feliz por estar em Londres, uma cidade que sempre sonhei em conhecer desde criança.

No aeroporto de Heathrow.

Meu irmão no metrô.

Na estação Southwark, que ficava perto de nosso hotel.

Rio Tâmisa, próximo ao nosso hotel.

As três cidades…

Quando tinha por volta de nove anos, existiam três cidades que eu sonhava em conhecer: Nova York, Paris e Londres. Tal sonho era motivado pelos gibis e livros que lia, e pelos filmes que assistia. Mas, naquela época, conhecer uma dessas cidades era para mim o equivalente a viajar para a Lua. Em 1979, vivíamos a época de maiores dificuldades financeiras em minha vida, pois meu pai tinha se acidentado no ano anterior e ficou muito tempo sem trabalhar. Era minha mãe quem se virava em mais de um emprego para sustentar a casa. Ou seja, naquela época éramos “pobre, pobre, pobre, de marré deci.”

Os anos passaram. Muita coisa boa e ruim aconteceu na minha vida, e novos sonhos fizeram parte da minha lista. Mas eu sempre me lembrava das três cidades que queria conhecer. Quando elas apareciam em algum filme, eu prestava mais atenção, observava os lugares que um dia sonhava visitar. Mais anos se passaram, mais coisas aconteceram, e vindo de uma família pobre de uma cidade pequena do interior do Paraná, tive que trabalhar e estudar muito para conseguir realizar alguns sonhos.

Em setembro de 2003, estive pela primeira vez em Nova York. Quando pisei na cidade, não acreditava que estava conhecendo uma das três cidades que sempre sonhei visitar. Em 2011, voltei a Nova York e pude explorar mais lugares que via nos filmes. Minha vida tinha mudado. Eu continuava pobre, mas não era mais “pobre, pobre, pobre, de marré deci”. E tinha aprendido, nos últimos anos, que até mesmo sonhos que muitas vezes parecem impossíveis podem ser concretizados.

Em 2017, conheci Paris. Foi uma visita rápida, mas suficiente para realizar mais uma parte do sonho de muitos anos atrás. Agora só faltava Londres! E, se eu não a conhecesse, não teria problema, pois meu sonho impossível em 1979, em 2017, já estava 66,66% concluído.

E finalmente, em 2025, estou conhecendo Londres. Não foi planejado, foi de última hora. Estou muito feliz em realizar o sonho impossível daquele garotinho de nove anos, que em 1979 sonhava em conhecer lugares distantes, mesmo vivendo num bairro periférico de uma cidade pequena, cujas ruas, na época, nem asfalto tinham — era tudo poeira.

Hoje sou um homem feito, quase chegando aos 55 anos, mas ainda trago no coração muito daquele garotinho do passado. Sou muito grato por chegar onde cheguei, pois fui muito além do que sonhei e acredito que irei ainda mais além. E sonhos, mesmo os impossíveis, podem ser realizados. Sou prova disso!

Nova York: 2003 e 2011

Paris 2017

Londres 2025

Viagem Europa 2025: Portugal – Dia 14

A cama do hotel era bem mais confortável do que a minha cama no alojamento da Nova, o que ajudou a aliviar a dor nas costas que vinha me incomodando nos últimos dias. Acordamos mais tarde e ainda tivemos tempo de tomar no hotel o café da manhã, que em Portugal é chamado de pequeno-almoço. Foi a minha última oportunidade de comer pastéis de nata portugueses.

Por volta do meio-dia, pegamos uma van do hotel que fazia o transfer para o aeroporto. No aeroporto ficamos um bom tempo à espera da abertura do balcão de check-in da British. Chamou-me a atenção uma equipa de resgate holandesa que estava acompanhada por vários cães, alguns de raça e outros não. Assim que o balcão da British abriu, fizemos o check-in, despachamos as malas grandes e seguimos para a sala VIP da companhia.

A sala VIP era espaçosa, mas estava bastante cheia. Almocei um macarrão à carbonara, mas nem de longe se comparava ao carbonara do restaurante da faculdade. Também comi alguns sanduíches e provei doces portugueses que ainda não conhecia. Senti falta dos pastéis de nata. Algo que me chamou a atenção foi que praticamente todos os passageiros na sala VIP eram brancos, enquanto todos os funcionários — da segurança, da limpeza e da cozinha — eram negros. Não vou comentar nada sobre isso, deixo para você refletir sobre o assunto.

Não pudemos ficar muito tempo na sala VIP. Fomos passar pela imigração e depois seguimos para o nosso portão de embarque. Depois de meia hora de espera, passamos pelo portão e embarcamos num ônibus que nos levou até o avião na pista. O avião era um A320, e sentamo-nos em uma das primeiras filas. O voo teria duração de duas horas e meia. Tentei dormir, mas não consegui. Foi servido um lanche, e notei que o refrigerante vinha numa lata de 150 ml, um tamanho meio que padrão em alguns países europeus. Descobrimos que um dos comissários era brasileiro. Ele foi muito simpático e nos atendeu muito bem durante toda a viagem.

Achei que não haveria mais nenhuma refeição após o lanche, mas foi servido o jantar. Escolhi uma massa, com salada de grão-de-bico. Já estava escuro quando chegamos ao nosso destino. Ao desembarcar, fiz questão de me despedir do comissário brasileiro, cujo nome acabei esquecendo. Ele sorriu e segurou minha mão com suas duas mãos.

Ao sair do avião e entrar no finger, senti um frio intenso. Havíamos saído de uma cidade fria para outra ainda mais fria. Fazia cerca de zero graus.

A vista de nosso quarto no hotel.

Hotel de nossa última noite em Lisboa.

Equipe de resgate holandesa.

Sala VIP da British.

Minha última refeição em Portugal.

Já embarcado no A320,

Vander e Wagner.

Lanche no avião.

Mosteiro de São Vicente de Fora

História

Durante o cerco a Lisboa, em 1147, D. Afonso Henriques fez uma promessa: caso conseguisse conquistar a cidade mandaria erguer um mosteiro dedicado a São Vicente, um santo muito venerado entre os moçárabes. Esse mosteiro foi fundado no mesmo ano, do lado de “fora” das muralhas da cidade e assim se justifica a toponímia do edifício.

Mais tarde, em 1580, dava-se início à Dinastia Filipina, cuja grande obra deixada foi a reconstrução do Mosteiro de São Vicente de Fora. Este projeto teve como principais arquitetos Filippo Terzi, Juan Herrera e Baltazar Álvares, e é considerada a primeira grande construção Maneirista em Portugal, que serviu de modelo a outras edificações religiosas.

No entanto, foi nos faustosos reinados de D. Pedro II e D. João V (séculos XVII e XVIII) que se aplicou o rico recheio artístico decorativo que se pode observar atualmente, nomeadamente os mármores embutidos e os painéis de azulejos.

O Mosteiro esteve ocupado por cónegos da Ordem Regrante de Santo Agostinho, desde a sua fundação até 1834, data da extinção das ordens religiosas. Neste período destaca-se a passagem de Santo António pelo Mosteiro, local onde viveu os seus primeiros tempos enquanto monge. No século XIX passa a pertencer ao Estado e nele é instalado o Liceu Gil Vicente, entre outros serviços estatais. Atualmente, o Mosteiro acolhe a Cúria do Patriarcado.

Pontos de Interesse:

Portaria

Entrada nobre do mosteiro, também funcionou num curto período de tempo como capela privada do Patriarca D. José Neto. Foi ricamente decorada no século XVIII com mármores embutidos, azulejos que retratam a reconquista cristã e a fundação do mosteiro, e uma pintura no teto de Vicente Bacchareli.

Cisterna

A cisterna é uma construção do século XII e é o principal vestígio do que resta do mosteiro medieval fundado por D. Afonso Henriques. Tinha como principal função armazenar a água das chuvas que seria utilizada nas lides domésticas do mosteiro.

Claustros

Existem dois claustros a sul da Igreja que se encontram revestidos com painéis de azulejos barrocos. Estes retratam cenas profanas variadas, que foram inspiradas em gravuras francesas.

Igreja

Foi mandada construir por D. Afonso Henriques em 1147 logo após a conquista da cidade de Lisboa, exatamente no local onde se encontrava instalado um dos acampamentos dos cruzados. Afirmando politicamente a nova dinastia, D. Filipe I em 1582 decide reconstruir este monumento, que se tornou um dos pioneiros do Maneirismo em Portugal.

Sacristia

A sacristia é ainda utilizada nos dias de hoje e é considerado o ex-libris do mosteiro devido à sua decoração com mármores coloridos embutidos, do século XVIII, com motivos florais. Nas escavações ali realizadas foram encontrados túmulos antropomórficos pertencentes aos cruzados de D. Afonso Henriques.

Panteão Real

D. João IV escolheu implantar o panteão da sua dinastia no Mosteiro de São Vicente de Fora para assim se apropriar de forma simbólica da refundação dos seus antecessores. Neste panteão encontram-se os túmulos de quase todos os elementos da Dinastia de Bragança, a última e a maior da História de Portugal.

Panteão Patriarcal

Foi na antiga Sala do Capítulo que o Cardeal-Patriarca Manuel Gonçalves Cerejeira, em 1949, decidiu erguer o Panteão dos Patriarcas, cujo supervisor de obra fora Raul Lino. Nele é possível observar os túmulos de quase todos os patriarcas, desde D. Carlos da Cunha até D. José Policarpo.

Capela Palhavã

Os “Meninos de Palhavã” eram três filhos ilegítimos do rei D. João V, e nesta capela estão sepultados apenas dois deles. Anteriormente o espaço funcionava como capela da Nossa Senhora da Encarnação.

Capela de Santo Antônio

Este foi o primeiro espaço conventual onde Santo Antônio entrou enquanto monge. Cumpriu o seu noviciado na Ordem Regrante de Santo Agostinho e acredita-se que o local desta capela corresponde à localização do aposento do santo no mosteiro medieval.

Vista Panorâmica

A partir do terraço do mosteiro é possível aceder a uma das mais belas paisagens sobre a cidade. É considerado um dos miradouros secretos de Lisboa, com uma vista panorâmica a 360º.

Mais fotos do Mosteiro

Exposição de trajes antigos.

Um dos lados do Claustro.

Panteão Real dos Bragança.

Viagem Europa 2025: Portugal – Dia 13

Hoje foi o dia de fazer meu último passeio por Lisboa, e escolhi um lugar que há muito queria conhecer: o Mosteiro de São Vicente de Fora. A construção do mosteiro teve início em 1147, sendo posteriormente reconstruído em 1580, e, nos séculos XVII e XVIII, recebeu seu rico acervo artístico e decorativo.

O mosteiro é deslumbrante. Subi até seu telhado e tive a oportunidade de contemplar uma vista panorâmica de 360 graus da cidade de Lisboa. Entre os principais atrativos, destacam-se: a Cisterna, uma construção do século XII que é o principal vestígio do mosteiro medieval fundado por D. Afonso Henriques; o Panteão Real, onde estão sepultados quase todos os membros da Dinastia de Bragança, a última e mais longa da história de Portugal. Dom Pedro I também foi sepultado ali, mas seu túmulo está vazio, pois, em 1973, seus restos mortais foram exumados e enviados para o Brasil, onde repousam no Memorial da Independência, em São Paulo. Outro ponto de destaque é a Capela de Santo Antônio. Foi nesse mosteiro que Santo Antônio iniciou sua vida religiosa, após entrar no mosteiro como monge. Acredita-se que a capela esteja no local exato onde ficava o aposento do santo durante sua permanência no mosteiro. Aproveitei a visita para tocar no pé de Santo Antônio e ter uma conversa séria com ele. Tenho uma situação delicada que vem se arrastando há muito tempo e pedi ajuda para ele: se não resolver este ano tal situação, vou desistir definitivamente de casar. Ou resolvo tal situação e caso esse ano, ou desisto de vez de casamento e filhos. Agora o Santo que lute, para resolver tal problema…

O Mosteiro de São Vicente de Fora tem muitas outras áreas interessantes, por isso, farei uma postagem exclusiva sobre ele e seus principais atrativos. Após a visita ao mosteiro, retornei a Carcavelos, onde comi meu último prato de carbonara no restaurante da faculdade. Já estou sentindo saudades desse delicioso macarrão! Depois, organizei minhas coisas e arrumei as malas. No final da tarde seguimos para um hotel, próximo ao aeroporto de Lisboa. Carcavelos ficava para trás, mas sempre levarei boas lembranças dos dias que passei na simpática cidade litoranêa.

Ônibus que pegavámos pra ir da Nova até a estação de trem.

Entrada do Mosteiro de São Vicente de Fora.

Rua ao lado do Mosteiro.

Parte da Cisterna medieval.

Vendo fantasmas, no Panteão dos Bragança.

A sepultura vazia de D. Pedro I (também conhecido com D. Pedro IV, Rei de Portugal).

Vista do alto do telhado do Mosteiro.

Capela de Santo Antonio.

Lisboa.

Viagem Europa 2025: Portugal – Dia 12

Hoje foi um dia tranquilo, dedicado ao trabalho e ao encerramento do curso da VCW. Aproveitei para descansar bastante, pois não estava me sentindo muito bem. Ter tomado chuva e passado frio no dia anterior, durante a visita ao Palácio de Queluz, não me fez muito bem. Estava com receio de pegar um resfriado, então, em vez de sair para passear à tarde, preferi ficar descansando.

À noite, fomos jantar fora e comemos comida brasileira, da qual eu já estava sentindo falta. Para acompanhar, experimentei uma Coca-Cola alemã. Uma das vantagens de estar em um país que faz parte da União Europeia é a facilidade de encontrar produtos fabricados em diversos países do bloco. Eu já conhecia a Coca-Cola alemã de anos atrás, mas não lembrava mais do sabor – que, na minha opinião, perde para a Coca-Cola portuguesa.

Ainda falando sobre produtos fabricados e comercializados dentro da União Europeia, vou compartilhar uma curiosidade. Sou fã do chocolate Smarties, que não é produzido no Brasil. Ele lembra bastante o Confeti, que por muitos anos foi fabricado pela Lacta. Conheci o Smarties quando morei nos Estados Unidos e, confesso, me viciei. Nos últimos anos, tenho encontrado a versão americana no Paraguai, mas aqui em Portugal achei Smarties em vários supermercados e aproveitei para fazer um pequeno estoque.

Mais tarde, descobri que os Smarties que comprei vieram de quatro países diferentes: Portugal, Alemanha, Itália e Irlanda. Foi divertido provar um de cada caixa para comparar os sabores, já que há pequenas diferenças entre eles. Depois de degustar todos, cheguei à conclusão de que o Smarties mais gostoso ainda é o fabricado nos Estados Unidos.

Junto com o Pastel de Nata e os Smarties, algo que comi quase todos os dias aqui em Portugal foi o flan de baunilha. Conheci esse flan na Espanha em 2017, quando percorri o Caminho de Santiago de Compostela. Depois, ainda em 2017, também o encontrei nos supermercados de Portugal. Agora, nesta viagem, estou comendo quase uma bandeja de flan por dia. Sorte que são baratos!

Os flans vendidos no Brasil, que são semelhantes a esse, têm um sabor muito inferior. Aliás, em outras viagens, percebi que muitos produtos vendidos no Brasil, como iogurtes e sorvetes, também são de qualidade inferior. São mais “aguados” e menos cremosos. Os sorvetes brasileiros, por exemplo, contêm muita gordura hidrogenada, excesso de água e pouco leite.

Voltamos cedo para o alojamento. Comecei a arrumar minhas coisas, pois o dia de ir embora de Portugal está se aproximando. Percebi que preciso dar um destino (comendo) aos alimentos que ainda tenho no balcão e no frigobar.

Ainda me sentindo um pouco mal, com princípio de resfriado, resolvi ir dormir logo. O curioso é que, do lado de fora, a temperatura está perto de zero graus, enquanto dentro do quarto permanece sempre em 23°C. Confesso que, no próximo inverno no Brasil, em casa vou sentir falta desse sistema de aquecimento do nosso alojamento, que o mantém quente 24 horas por dia.

Encerramento do VCW.

Posando para o foto oficial do curso.

Smarties, uma de minhas perdições.

Confeti, que era vendido no Brasil.

Flan de baunilha.

Sempre tenho algum alimento no quarto.

Viagem Europa 2025 – Palácio de Queluz

O Palácio de Queluz, localizado em Sintra, Portugal, é um dos palácios mais emblemáticos do país e um dos melhores exemplos da arquitetura rococó em Portugal. Construído no século XVIII, foi inicialmente uma residência de verão da família real portuguesa e, mais tarde, tornou-se a residência oficial de D. João VI e da corte portuguesa antes da fuga para o Brasil em 1807.

📜 História do Palácio

  • Construção (1747-1789): Encomendado pelo Infante D. Pedro de Bragança, futuro marido e rei consorte de D. Maria I, o palácio foi projetado pelo arquiteto Mateus Vicente de Oliveira e, mais tarde, por Jean-Baptiste Robillon, que introduziu um estilo mais elaborado e inspirado em palácios franceses.
  • Residência Real: Durante o reinado de D. Maria I, tornou-se um importante centro da vida da corte portuguesa.
  • Declínio e Preservação: Após a ida da corte para o Brasil (1807), o palácio perdeu importância, mas foi restaurado no século XX e hoje é um dos monumentos históricos mais visitados de Portugal.

🏛 Arquitetura e Decoração

O palácio combina estilos barroco, rococó e neoclássico, destacando-se por:

  • Salão do Trono: Rico em talha dourada e espelhos.
  • Sala dos Embaixadores: Um dos espaços mais luxuosos, com decorações douradas e teto pintado.
  • Jardins de Queluz: Inspirados nos jardins franceses, com lagos, fontes e estátuas, destacando-se o Canal dos Azulejos.
  • Quarto de D. Quixote: Onde nasceu e faleceu D. Pedro I, Imperador do Brasil e Rei de Portugal como D. Pedro IV.

🎭 Curiosidades

  • Apelidado de “Versailles Português”, devido à sua arquitetura e jardins requintados.
  • Foi cenário de bailes e festas luxuosas da corte portuguesa no século XVIII.
  • Atualmente, além de museu, é usado para cerimônias oficiais do governo português.

O Palácio de Queluz, pelo lado de fora.

Sala de Dança.

Capela.

Parte das louças do Palácio.

Sala dos Embaixadores (ao fundo os tronos do Rei e da Rainha).

Sala dos Embaixadores.

Quarto onde Dom Pedro I nasceu, em 1798, e morreu em 1834.

Canal dos Azulejos.

Fundos do Palácio.

Parte dos Jardins do Palácio.

Parte interna do Palácio de Queluz.

Viagem Europa 2025: Portugal – Dia 11

Mais uma manhã fria e chuvosa, com atividades na NOVA. À tarde, decidi passear e, antes de sair, juntei todas as moedas de euro espalhadas pelo quarto. Se no Brasil as moedas são escassas, aqui em Portugal, sobram. Em qualquer lugar que você vá, ao pagar em dinheiro, recebe uma porção de moedas de troco. Como minha partida de Portugal se aproxima, quero me livrar das moedas o quanto antes.

Em minhas experiências gastronômicas locais, experimentei um iogurte de melancia e melão. Fui mais pela curiosidade, mas, para minha surpresa, o sabor era agradável.

Após pegar dois ônibus e rodar quase uma hora, cheguei a Sintra, uma cidade turística no sopé da serra de Sintra, perto de Lisboa. Durante muito tempo, Sintra foi um refúgio da realeza, e sua paisagem arborizada é pontuada por quintas e palácios em tons pastéis. Meu destino na cidade era um palácio: fui visitar o Palácio de Queluz, residência de três gerações da Família Real portuguesa. Foi lá que Dom Pedro I nasceu e, anos depois, faleceu no mesmo quarto em que veio ao mundo. Não me estenderei muito sobre o palácio nesta postagem, pois ele vai merecer uma publicação à parte.

Passei o resto do dia explorando o Palácio de Queluz, que é imenso e belíssimo. Seus jardins são enormes, mas a chuva atrapalhou bastante meu passeio. Chovia e parava, parava e chovia… Acabei me molhando um pouco, mesmo com minha jaqueta corta-vento. O que mais sofreu foram meus pés. Tenho bastante resistência ao frio, mas, quando os pés se molham, essa resistência desaparece. Ainda assim, a visita valeu muito a pena—o Palácio de Queluz foi um dos lugares que mais gostei nesta viagem a Portugal.

Aqui tem o equivalente a R$ 109,25.

Iogurte de Melancia e Melão.

Em Sintra.

Entrada do Palácio de Queluz.

No interior do Palácio.

No quarto em que Dom Pedro I, nasceu e morreu.

Vista de parte dos jardins do Palácio.

Nos fundos do Palácio de Queluz.

Esperando o ônibus próximo ao Palácio de Queluz.

Viagem Europa 2025: Portugal – Dia 10

Mais uma manhã de atividades na Nova, e à tarde consegui ir a Lisboa dar uma volta. Mas, na verdade, eu deveria ter ficado no alojamento. Primeiro, porque mal saí começou a chover e a temperatura caiu bastante. E segundo, porque o trem quebrou e fiquei mais de uma hora na estação esperando que o problema fosse resolvido.

Andei um pouco pelo centro de Lisboa, me perdendo pelas ruas e conhecendo novos lugares. A chuva caiu forte, e eu já estava me preparando para ir embora, quando ela deu uma trégua e consegui visitar uma velha amiga. A Maria Helena é da minha cidade, estudamos juntos o ensino médio, e ela mora em Portugal há quase 20 anos. A visita foi rápida, mas foi muito agradável, e ainda pude conhecer uma de suas netas.

Decidi voltar antes que a chuva recomeçasse. Depois de pegar dois metrôs, um trem e um ônibus, finalmente cheguei ao alojamento. Já estava tarde, fazia muito frio e, após um banho demorado e um lanche rápido, fui direto para a cama.

Esperando o trem que quebrou.

Entrada de uma estação do Metrô.

Vander, Maria Helena e Nicole.

Rua estreita.

No Metrô.

Viagem Europa 2025: Portugal – Dia 9

O dia amanheceu com sol e pouco frio. No entanto, conversando mais tarde com algumas pessoas que acordaram antes de mim, descobri que o dia tinha começado com chuva forte e até granizo. O clima daqui é realmente meio imprevisível! Pela manhã, assisti às aulas do curso de certificação VCW. Teve até um coffee break, onde aproveitei para comer alguns pastéis de nata. No almoço, comi um sanduíche no quarto e passei boa parte da tarde trabalhando no meu notebook.

Quase no final da tarde, fui com meu irmão até Carcavelos. Fomos de Uber e voltamos de patinete. Lá, visitamos uma loja de informática e depois passamos no supermercado próximo à estação de trem, onde fizemos algumas compras. Aproveitei para comprar uma Fanta, pois estava curioso para saber se, assim como a Coca-Cola, a versão portuguesa da Fanta seria mais saborosa que a brasileira.

À noite, lanchei no quarto e passei um bom tempo fazendo a inscrição para um mestrado em História em uma faculdade da minha cidade. Para ser sincero, nem sei se realmente quero fazer esse mestrado, caso seja aprovado. Hoje foi só a inscrição; no próximo mês, haverá duas etapas de provas e outras avaliações antes de eu saber se fui aceito.

Antes de dormir, resolvi experimentar a Fanta portuguesa. Achei o sabor horrível, parecia Cebion, e a cor é amarelada, diferente da brasileira, que é alaranjada. Pelo menos matei minha curiosidade. Daqui para frente, vou manter distância da Fanta de Portugal!

Curso de certificação VCW.

Equipe VCW Brasil.

Prestando atenção na aula.

Fachada de uma casa, achei bonito.

No centro de Carcavelos.

Vendo o por do sol no centro de Carcavelos.

Liberando o patinete.

Fanta portugesa (ruim a beça!).

Viagem Europa 2025: Portugal – Dia 8

Depois do almoço, fui lavar roupas. Como não trouxe meias, camisetas e cuecas suficientes para todos os dias da viagem, já sabia que precisaria encontrar uma lavanderia self-service em algum momento. Dei sorte, pois no subsolo do alojamento onde estava hospedado havia uma lavanderia. Já utilizei lavanderias desse tipo em outras viagens, sempre no esquema de colocar moedas para que a máquina de lavar e a secadora funcionassem. No entanto, a lavanderia do alojamento funcionava por aplicativo. Tive que baixar um app, adicionar créditos, escolher a máquina que iria utilizar (identificada por números em uma lista) e, só depois disso, a máquina foi liberada para uso. Se eu não tivesse um celular com acesso à internet, teria ficado com minhas roupas sujas.

Enquanto esperava as roupas lavarem, fui para uma sala de repouso ao lado da lavanderia e fiquei lendo um guia sobre Lisboa, confortavelmente sentado em um puff. O aplicativo enviou uma mensagem avisando que o processo de lavagem tinha terminado. Voltei à lavanderia e coloquei as roupas na secadora. O problema dessas máquinas de secar é que elas costumam encolher roupas feitas no Brasil, especialmente as de algodão de baixa qualidade. Quando morei nos Estados Unidos, entre 2002 e 2003, o apartamento onde vivia não tinha varal nem espaço para instalar um. Ele era equipado com máquinas de lavar e secar, e, após um mês lavando as roupas que trouxe do Brasil, tive que jogar fora todas as meias, cuecas e camisetas de algodão porque encolheram demais. Acabei comprando roupas de algodão fabricadas nos Estados Unidos, e, mesmo após dezenas de lavagens, elas não encolhiam. Curioso, não!

Com as roupas lavadas e secas, fui esperar meu irmão na portaria do alojamento. Havíamos combinado de dar uma volta na praia e ver o pôr do sol. Alugamos patinetes em uma central que ficava dentro da faculdade e seguimos até a beira-mar. O dia estava ensolarado, mas ventava muito e fazia bastante frio. Ficamos cerca de meia hora andando de patinete e, depois de ver o pôr do sol, que aqui é no lado oposto ao que vemos no Brasil, resolvemos encerrar o passeio, pois o frio estava intenso. Minhas mãos estavam duras e vermelhas de segurar o guidão do patinete.

Devolvemos os patinetes em uma central de autoatendimento em frente à praia. O esquema de aluguel e devolução funcionava via aplicativo de celular. Seguimos rumo à faculdade e atravessamos o túnel que liga a praia até ela. Mesmo sendo cedo, por volta das 18h, resolvemos ir direto jantar. Fomos ao restaurante onde costumamos jantar quase todos os dias. Fomos os primeiros clientes da noite e comemos um delicioso calzone.

Depois do jantar, voltei para o meu quarto e fui direto me deitar. O vento frio tinha me causado uma dor de cabeça. Acabei pegando no sono e só acordei quase três horas depois, com o celular tocando. Era minha irmã reportando um problema com meus gatos. Atendi o celular assustado e meio sonolento. Confesso que estou um pouco traumatizado com ligações da minha mãe e da minha irmã em horários incomuns, pois, no ano passado, as chamadas delas “fora de horário” eram sempre para me informar sobre notícias ruins.

Depois de despertar, resolvi tomar banho e ler um pouco. Por fim, vim escrever no blog. Agora estou esperando o sono voltar para ir para a cama…

Lavando roupas.

Rolezinho na beira mar.

Um belo por do sol.

Mãos congelando de frio…

Viagem Europa 2025: Portugal – Dia 7

Domingo, o plano era dormir até mais tarde. Acordei às 11h, olhei pela janela e vi que o tempo estava ruim, com vento e chuva fina. Voltei para a cama, onde fiquei mais um tempo. Depois, levantei, tomei banho, me arrumei e, às 13h30, mandei uma mensagem para o meu irmão para saber se estava tudo bem com ele. Combinamos de nos encontrar na portaria às 14h30.

No horário combinado, nos encontramos na portaria e decidimos almoçar em um restaurante em frente, do outro lado da avenida e próximo à praia. Fomos caminhando até lá e, conforme nos aproximávamos da praia, o vento aumentava. O lado bom de ter ido almoçar mais tarde foi que não havia fila, algo comum nos restaurantes daqui nos finais de semana.

Escolhemos uma mesa e, após olhar o cardápio, pedimos risoto de funghi e um calzone. Íamos almoçar comida italiana em Portugal. Para acompanhar, pedimos a deliciosa Coca-Cola de garrafa. A comida demorou um pouco para chegar, mas valeu a espera, pois estava muito saborosa.

Depois de comer, fomos caminhar pela praia em frente e tiramos algumas fotos. O mar estava revolto, e o vento, cada vez mais forte. A chuva caía fraca às vezes, parava por um momento e logo voltava. Com o tempo ruim, não tínhamos a mínima vontade de passear por Lisboa ou outra cidade próxima. Meu irmão sugeriu alugar patinetes, pois havia uma central de aluguel próxima de onde estávamos. Usando um aplicativo de celular, foi muito fácil alugar os patinetes.

Andamos um pouco com os patinetes pela beira-mar e depois fomos até a Nova, pois meu irmão queria pegar algo no seu quarto. Ao atravessar a estrada em frente à faculdade, achei melhor empurrar o patinete. As pessoas respeitam muito a faixa de pedestres por aqui; é só se aproximar dela que os carros param. Cheguei a andar com o patinete em um trecho da rua, ao lado dos carros, mas não gostei da experiência. Achei inseguro andar muito perto de carros em movimento.

Após uma breve parada na faculdade, decidimos ir de patinete até o centro de Carcavelos. Foi uma experiência legal seguir pela ciclovia, mas não dava para se empolgar muito e correr, pois a ciclovia molhada fazia com que fosse fácil derrapar e cair. Devolvemos os patinetes em um local autorizado, próximo à estação de trem. Íamos ao supermercado onde sempre vamos, mas meu irmão sugeriu irmos a um supermercado maior, que ficava cerca de um quilômetro de onde estávamos. Caminhamos pela cidade até chegar nesse outro supermercado, que era grande e cheio de produtos diferentes. Fizemos algumas compras, basicamente de comida, e pegamos um Uber de volta para nossos alojamentos na faculdade.

Quando cheguei ao alojamento, já era quase fim de tarde e estava começando a escurecer. Fiquei no quarto escrevendo, assistindo a vídeos no notebook, comendo, usando o celular e, assim, terminou meu domingo, que foi mais voltado ao descanso. Alguns podem achar estranho uma pessoa de férias precisar descansar, mas prefiro assim: alternar momentos de passeios pela cidade com momentos de descanso. Principalmente em dias frios e chuvosos, quando não vejo razão para sair e enfrentar o mau tempo. Em dias assim, nada melhor do que um quarto quente, comida farta e uma cama gostosa.

Almoço italiano.

Esperando o Uber.

Viagem Europa 2025: Portugal – Dia 6

O dia amanheceu ensolarado e com pouco frio. Já que era sábado, eu e meu irmão decidimos passear. Pegamos um ônibus até o centro de Carcavelos, onde almoçamos em um restaurante em frente à estação de trem. Pedimos um bife na mostarda, com batatas fritas, que estavam deliciosas. Para acompanhar, tomamos Coca-Cola em garrafas de 350 ml. Como são difíceis de encontrar, sempre que vamos a um lugar que as vende, aproveitamos para beber o que é considerada a melhor Coca-Cola da Europa.

Fomos de trem para Lisboa e desembarcamos na Estação Cais do Sodré, que, aliás, é o ponto final do trem que parte de Carcavelos. Ao sair da estação, atravessamos a grande avenida em frente e fomos ao Time Out Market, uma espécie de mercado municipal moderno. Lá, aproveitamos para comer pastéis de nata — o nome correto dos pastéis que não são produzidos pela famosa Fábrica de Pastéis de Belém. Já estou viciado: como pelo menos um pastel de nata por dia. Ao sair do Time Out, seguimos para um passeio descompromissado na tranquila tarde de sábado, deixando o roteiro livre para explorar a cidade.

Seguimos caminhando em direção à Praça do Comércio, onde sentamos em um banco numa esquina para observar o movimento. Depois passeamos pela praça, tiramos fotos e subimos a Rua Augusta. Paramos em algumas lojas para dar uma olhada, mas os preços proibitivos em euros nos desanimaram de comprar qualquer coisa. Passamos pelo Hard Rock Café, onde meu irmão comprou algumas camisetas para sua coleção.

Continuamos nosso passeio, já que meu irmão queria visitar um shopping que ele conheceu na última viagem a Portugal. Ele queria pegar um Uber, mas o convenci a irmos a pé, pois assim poderíamos explorar de perto algumas áreas de Lisboa que ainda não conhecíamos. Ele topou, e seguimos caminhando. O problema é que boa parte do percurso era de subida. Fizemos uma pausa para descansar em um banco e, ao levantar, senti uma dor forte nas costas, como se fossem choques. Parece que meu ciático está querendo inflamar. A última vez que tive problemas com ele foi em 2017, quando estive na Espanha e precisei até ir ao hospital. Pelo jeito, meu ciático não gosta da Europa, porque no Brasil ele não tem me incomodado nos últimos anos. Acho que o verdadeiro motivo das dores é a cama que tenho dormido, que apesar de confortável, não tem feito bem para minhas costas, pois todo dia acordo com dores. E, principalmente, o clima frio e úmido daqui. De qualquer forma, fiz alguns alongamentos e consegui continuar a caminhada.

Chegamos a uma parte da cidade que muitos chamam de “Nova Lisboa”. É como se fosse outra cidade: os prédios são novos e têm um estilo moderno, nada que lembre as construções antigas que se vê no restante de Lisboa. Quando finalmente chegamos ao shopping, meu irmão ficou aliviado. Havíamos caminhado pouco mais de seis quilômetros desde o Cais do Sodré. Ele não está acostumado a caminhar tanto e ficou bem cansado. Eu não me cansei, já que quase todos os dias caminho três quilômetros na esteira da academia. Mesmo com as dores nas costas, a caminhada foi tranquila para mim.

No shopping, que é enorme, passeamos por várias lojas, fizemos algumas compras e decidimos jantar. Escolhemos um restaurante simpático na praça de alimentação. Ambos pedimos hambúrgueres, que estavam deliciosos. O pão era especialmente gostoso. Como no almoço, tomamos as famosas Coca-Colas portuguesas nas garrafinhas de 350 ml. Aqui, quase todos os lugares oferecem a opção de beber a Coca-Cola com limão e gelo, mas diferente do Brasil, aqui o limão é siciliano. Prefiro não comentar o preço do lanche, porque, se convertido para reais, assusta. A Coca-Cola saiu por volta de R$ 19,00 cada.

Quando saímos do shopping, já estava escuro e fazia frio. Brinquei com meu irmão perguntando se ele queria caminhar até a estação de trem. Ele quase me xingou! Pegamos um Uber direto para a Faculdade Nova. Estávamos a vinte quilômetros de distância, mas o trânsito estava tranquilo, e vinte minutos depois já estávamos em nossos quartos.

Fiquei no quarto, acordado até tarde, escrevendo no blog, lendo e, quando o sono finalmente chegou, fui dormir na cama, que, embora não seja tão confortável para minhas costas, é bem aconchegante e quente.

Trem para Lisboa.

Manteigaria.

Pastéis de nata.

Praça do Comércio.

Wagner e Vander.

A nova Lisboa.

Cantores na Rua Augusta.

Viagem Europa 2025: Portugal – Dia 5

O dia amanheceu com tempo fechado, com uma garoa fina e muito frio. No meio da tarde fui até o centro de Carcavelos, onde peguei o trem rumo a Cascais, no fim da linha, na direção oposta a Lisboa. Quase todo o percurso, de cerca de 11 quilômetros, segue próximo ao mar.

Em Cascais, caminhei bastante pelo centro da cidade e fui até a praia, que estava completamente deserta. A água estava congelante, e entrar nela seria arriscar uma hipotermia. Achei a cidade muito bonita e bem organizada, claramente voltada para o turismo. Poderia ser comparada a uma versão portuguesa de Balneário Camboriú, mas sem os enormes edifícios. A cidade tem origem no distante ano de 1364 e, hoje, é um dos principais destinos turísticos de Portugal.

Depois de explorar tudo o que achei interessante em Cascais, peguei o trem novamente, no sentido Lisboa. Após cerca de três quilômetros, desci em Estoril. A cidade faz parte do município de Cascais, mas seu centro não tem o mesmo apelo turístico. O que vi foram mais prédios e construções comerciais. No alto de uma grande praça está o Cassino Estoril, muito famoso e considerado o maior cassino da Europa.

Em Estoril, há também um autódromo que, entre 1984 e 1996, recebeu corridas de Fórmula 1. Foi lá, em 1985, que Ayrton Senna conquistou sua primeira pole position e sua primeira vitória na categoria, pilotando a icônica Lotus preta e dourada. Pensei em visitar o autódromo, mas descobri que ele fica no lado oposto e um pouco distante de onde eu estava. Como o dia já estava escurecendo, mesmo sendo pouco mais de 17 horas, decidi voltar para Carcavelos.

Embarquei novamente no trem e logo desci na estação de Carcavelos. Aproveitei para ir ao mercado próximo. Fiz algumas compras e segui para o alojamento da Nova. Meu irmão saiu para jantar com o pessoal do curso, então fiz um lanche no quarto e dormi cedo.

Cascais.

Cassino Estoril, o maior da Europa.

Estação de Estoril.

No trem para Carcavelos.

Viagem Europa 2025: Portugal – Dia 4

Saí para fazer alguns passeios. Peguei o micro-ônibus ao lado da faculdade e dei sorte: o caixa estava com defeito, então não precisei pagar os 2 euros da passagem. Desci na estação de Carcavelos e, de lá, peguei o trem rumo a Lisboa. O trem não demorou muito a chegar e, mais uma vez, estava quase vazio. Após 20 minutos de viagem, desembarquei na estação Belém.

Comecei minha caminhada pela margem do rio Tejo até chegar ao Padrão dos Descobrimentos (também chamado de Monumento aos Descobrimentos ou Monumento aos Navegantes). Trata-se de uma caravela estilizada “zarpa ao mar”, levando na proa o Infante D. Henrique, acompanhado por 32 figuras que marcaram a expansão ultramarina e a cultura da época: navegadores, cartógrafos, guerreiros, evangelizadores, cronistas e artistas, todos retratados com os símbolos que os representam.

No local onde hoje está o monumento (ou, pelo menos, nas proximidades), saíram as caravelas de Pedro Álvares Cabral, em 1500, rumo ao Brasil. A ideia de que “descobriram” o Brasil é discutível, pois eles já sabiam da existência dessas terras. Esse discurso de “descobrimento” é algo mais para os livros de história. Na realidade, a expedição de Cabral foi mesmo para tomar posse das terras brasileiras.

Depois de observar o local e tirar algumas fotos, segui caminhando pela margem do Tejo. O sol brilhava e o frio deu uma trégua, o que me permitiu ficar só de camiseta. Notei que eu era o único sem blusa por ali. Alguns minutos depois, cheguei à Torre de Belém. Tinha comprado o ingresso pela internet para visitar o interior da torre, mas a fila estava tão grande que acabei desistindo. Tirei algumas fotos do lado de fora e decidi voltar mais tarde para ver se a fila diminuía.

Continuei minha caminhada e cheguei ao Museu do Combatente, um museu militar. Olhei o exterior, mas não vi nada no interior que justificasse uma visita. Mais adiante, encontrei o Monumento aos Combatentes do Ultramar, uma homenagem aos soldados portugueses mortos nas guerras coloniais de 1961 a 1974. Passei algum tempo ali, observando e contando cerca de 1.700 nomes gravados em paíneis de mármore que formavam um enorme muro.

Atravessei uma passarela que passa sobre uma larga avenida e os trilhos do trem e segui rumo ao Mosteiro dos Jerónimos. O mosteiro é gigantesco. Sua construção começou em 1502 e levou cem anos para ser concluída. Anexa ao mosteiro, há uma igreja, onde logo na entrada estão os túmulos de Vasco da Gama e Luís de Camões. Passei mais de uma hora visitando o mosteiro e a igreja, embora esta última estivesse em restauração, o que dificultou bastante a visão de seu interior.

Próximo ao mosteiro, fui experimentar os famosos e originais Pastéis de Belém. Esses pastéis de nata, que podem ser encontrados por todo Portugal (e até em alguns lugares do Brasil), têm uma diferença: são os autênticos, feitos na fábrica localizada na rua Belém, no bairro Belém. Havia fila para sentar nas mesas, então comprei dois pastéis para viagem e os comi encostado em uma grade, na calçada em frente ao estabelecimento, como várias outras pessoas faziam. Junto com os pastéis, vieram dois envelopes: um com açúcar de confeiteiro e outro com canela. Eles estavam quentes, e o sabor… simplesmente indescritível! Foi uma experiência gastronômica incrível. Tenho certeza de que jamais comerei outros pastéis de nata tão saborosos. É triste pensar que talvez nunca volte ali para provar novamente os pastéis, mas só de ter experimentado uma vez já valeu a pena.

Atravessei a praça em frente ao Mosteiro dos Jerónimos e segui novamente rumo à Torre de Belém. Descobri que há um túnel sob a praça que leva à calçada em frente ao Tejo. Atravessando o túnel, cheguei à torre, e dessa vez dei sorte: apenas 16 pessoas na fila. Após cinco minutos, entrei e explorei tudo o que era possível dentro da torre. Subi até o quarto andar, tirei várias fotos e aproveitei a visita. Originalmente, a torre ficava a 250 metros da margem do rio e era cercada por água. Hoje, a área nos fundos foi aterrada, permitindo o acesso a pé por uma passarela de madeira.

Passei mais de uma hora explorando a torre e fui um dos últimos a sair, já ao final do horário de visitação. Caminhei até a estação de trem Belém e peguei o trem até o Cais do Sodré. Já estava escuro. Segui caminhando para a Praça do Comércio, onde andei por cerca de uma hora e meia pelas redondezas, até que o frio começou a apertar. Decidi que era hora de ir embora. Caminhei até a estação Cais do Sodré e peguei o trem para Carcavelos.

Cheguei ao alojamento da faculdade pouco antes das 21 horas. Foi o dia em que voltei mais tarde. Depois de tomar banho e descansar um pouco, meu irmão me chamou para jantar no restaurante da faculdade. Mais uma vez, pedi o carbonara de 11 euros. Desta vez, experimentei uma Pepsi, e achei o sabor muito melhor que o da versão brasileira.

Soube que a Coca-Cola portuguesa é considerada uma das mais saborosas do mundo porque a única fábrica no país usa água de uma região específica. Um amigo que foi diretor da Coca-Cola já me disse que o que mais interfere no sabor do refrigerante é a qualidade da água utilizada. Curiosamente, é raro encontrar Coca-Cola portuguesa por aqui; geralmente, é mais fácil achar a versão fabricada na Espanha. A produção local, ao que parece, é mais cara e acaba sendo exportada para outros países da União Europeia. Dizem que a Coca mais gostosa é a de 290 ml na garrafa de vidro. Ainda não encontrei essa versão aqui, mas lembro de ter tomado uma em 2017, na Espanha, e realmente era deliciosa.

De volta ao meu quarto, passei algum tempo vendo notícias no celular e acabei perdendo o sono. Só consegui dormir depois das três da manhã. Isso era sinal de que, no dia seguinte, acordaria mais tarde do que de costume.

Em frente ao Padrão dos Descobrimentos.

Padrão dos Descobrimentos.

Torre de Belém.

Museu dos Combatentes.

Monumento dos Combatentes do Ultramar.

Travessia da Passarela.

Preça em frente ao Mosteiro dos Jerónimos.

Mosteiro dos Jerónimos e sua igreja.

Claustro do Mosteiro dos Jerónimos.

No antigo refeitório do Mosteiro.

Fabrica de Pastéis de Belém.

Interior de um dos andares da Torre de Belém.

Torre de Belém.

 

Viagem Europa 2025 – Pastéis de Belém

No início do século XIX, em Belém, próximo ao Mosteiro dos Jerónimos, funcionava uma refinaria de cana-de-açúcar associada a uma pequena loja de comércio variado. Com a Revolução Liberal de 1820, todos os conventos e mosteiros de Portugal foram fechados em 1834, resultando na expulsão do clero e dos trabalhadores.

Buscando uma forma de sobrevivência, alguém ligado ao Mosteiro começou a vender na loja alguns pastéis doces, que rapidamente passaram a ser chamados de “Pastéis de Belém”.

Naquela época, Belém era uma área afastada da cidade de Lisboa, e o trajeto até lá era feito por barcos a vapor. Apesar disso, a grandiosidade do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém atraía muitos visitantes, que logo se acostumaram a saborear os deliciosos pastéis originários do Mosteiro.

Em 1837, teve início a produção dos “Pastéis de Belém” em instalações anexas à refinaria, seguindo a antiga “receita secreta” vinda do Mosteiro. Essa receita, transmitida exclusivamente aos mestres pasteleiros que os preparam artesanalmente na chamada “Oficina do Segredo”, permanece a mesma até os dias de hoje.

Atualmente, a única fábrica legítima dos “Pastéis de Belém” preserva o sabor autêntico da antiga doçaria portuguesa, graças à criteriosa seleção de ingredientes e ao rigoroso processo de fabricação. O único pastel de nata que pode ser chamado de “Pastel de Belém” é o feito na fábrica de pastéis localizada próximo ao Mosteiro dos Jerónimos, na Rua Belém, no atual Bairro Belém.

Balcão histórico.

Viagem Europa 2025 – Igreja Santa Maria de Belém

A Igreja do Mosteiro dos Jerónimos, também conhecida como Igreja de Santa Maria de Belém, apresenta uma planta em cruz latina, composta por três naves de igual altura, configurando uma imponente igreja-salão.

Logo à entrada, destacam-se os túmulos de Vasco da Gama e de Luís de Camões, esculpidos no século XIX pelo artista Costa Mota. Avançando pelo interior, na parede norte encontram-se confessionários trabalhados, enquanto no lado sul sobressaem grandes janelas decoradas com vitrais concebidos por Abel Manta.

A abóbada do cruzeiro, com uma largura impressionante de 30 metros, cobre o espaço de forma contínua, exemplificando a ambição tardomedieval de criar amplos vãos com o mínimo de suportes. Neste espaço grandioso, onde se concentram símbolos régios, a ornamentação atinge o seu auge, refletindo a riqueza e a sofisticação da época.

No transepto, os túmulos de figuras históricas reforçam a relevância do monumento. No braço esquerdo estão sepultados o Cardeal-Rei D. Henrique e os filhos de D. Manuel I. Já no braço direito encontram-se os restos mortais do Rei D. Sebastião e dos descendentes de D. João III.

A Igreja é reconhecida como monumento nacional e está classificada como Património Mundial pela UNESCO, um testemunho da sua importância histórica, artística e cultural. Atualmente passa por restauro e reforma, o que atrapalha um pouco a visita ao seu interior.

Trabalho de restauro.

Túmulo de Vasco da Gama.

Viagem Europa 2025 – Mosteiro dos Jerónimos

Obra-prima da arquitetura portuguesa, o Real Mosteiro de Santa Maria de Belém, comumente conhecido como Mosteiro dos Jerónimos, foi originalmente destinado à Ordem de São Jerónimo. Classificado como Monumento Nacional desde 1907, o mosteiro foi inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO em 1983.

Atualmente, a igreja, que ainda abriga serviços religiosos e está aberta para visitas patrimoniais, juntamente com o claustro, secularizado no século XIX, compõem o conjunto patrimonial mais visitado de Portugal.

O edifício foi construído por iniciativa do rei D. Manuel I, cujo reinado decorreu entre 1495 e 1521, e dependeu de meios financeiros avultados e de recursos artísticos exigentes, que este poderoso mecenas disponibilizou. Situa-se numa das zonas mais qualificadas de Lisboa, um cenário histórico e monumental junto ao rio Tejo, local de onde partiram as naus e caravelas no tempo das descobertas.

D. Manuel I mandou construir a Torre de Belém com a finalidade de proteger, não apenas o porto de Lisboa, a barra do Tejo, mas também o Mosteiro dos Jerónimos, então em construção. Na época, a configuração da barra do Tejo proporcionava efetiva proximidade e ligação visual entre os dois empreendimentos régios – a Torre construiu-se no rio, a 250 metros da margem, sobre um afloramento basáltico, e o Mosteiro foi erigido na margem, em frente da praia do Restelo.

A excelência do edificado é devedora da experiência do primeiro mestre, Diogo de Boytac, e de outros notáveis arquitetos e escultores provenientes de diferentes regiões da Europa. Entre estes, destacam-se o biscainho João de Castilho, que dirigiu as obras a partir de 1517, após ter concluído o portal sul da igreja – ricamente decorado, onde se destacam as imagens do Santo Patrono de Portugal, Arcanjo S. Miguel (ao cimo), e a imagem de Santa Maria de Belém (ao centro) –, e o escultor francês Nicolau Chanterene, a quem se deve o portal ocidental. Este portal ostenta com visível aparato os retratos dos reis patronos, D. Manuel I e D. Maria de Castela, referidos pelos cronistas como sendo “tirados do natural”.

O conjunto monástico conserva, além da igreja manuelina, grande parte das magníficas dependências conventuais que contribuíram para a sua fama internacional, incluindo o claustro quinhentista, o antigo refeitório dos monges e a sala da antiga livraria.

Claustro.

Capela.

Túmulo do poeta Fernando Pessoa.

Antigo refeitório dos monges.

Viagem Europa 2025 – Torre de Belém

A Torre de Belém, originalmente chamada de Torre de São Vicente a Par de Belém e oficialmente denominada Torre de São Vicente, é uma fortificação situada na margem direita do rio Tejo, onde outrora existia a praia de Belém. Inicialmente, a torre era completamente cercada pelas águas do rio em todo o seu perímetro. No entanto, ao longo dos séculos, o recuo das águas e a sedimentação fizeram com que a torre passasse a integrar a terra firme.

Com o tempo, a torre foi perdendo a sua função original de defesa da barra do Tejo. Durante a ocupação filipina, os antigos paióis militares foram convertidos em calabouços. Internamente, a torre mantém uma divisão clássica em quatro pisos: a Sala do Governador, a Sala dos Reis, a Sala de Audiências e, no topo, a Capela, com suas características abóbadas quinhentistas.

A Torre de São Vicente, cuja construção teve início em 1514, fazia parte de um sistema de defesa idealizado por João II de Portugal para proteger a entrada da bacia do Tejo. Esse sistema incluía ainda a Torre de São Sebastião da Caparica (1481), localizada na margem sul do rio, e a Torre de Santo António de Cascais (1488), situada a oeste.

O monumento é um exemplo marcante de nacionalismo, evidenciado pelas decorações que o adornam: brasões de armas de Portugal, inscrições com cruzes da Ordem de Cristo nas janelas do baluarte e outros elementos que remetem à época áurea do país como potência global durante o início da Idade Moderna.

A construção da torre foi iniciada em 1514, durante o reinado de D. Manuel I (1495–1521), sob a supervisão do arquiteto Francisco de Arruda. Erguida sobre um afloramento rochoso no leito do rio Tejo, em frente à antiga praia de Belém, a estrutura foi concebida para substituir uma nau artilhada que anteriormente exercia funções defensivas na área e marcava o ponto de partida das frotas para as Índias. Diogo Boitaca, responsável pelas obras do vizinho Mosteiro dos Jerónimos, também colaborou nos trabalhos iniciais da torre. A obra foi concluída em 1520, tendo como seu primeiro alcaide Gaspar de Paiva, nomeado em 1521.

Com a evolução das tecnologias de guerra, a torre foi gradualmente perdendo sua utilidade militar. Ao longo dos séculos, desempenhou diversas funções: registo aduaneiro, posto de sinalização telegráfico, farol e até prisão. Durante o reinado de Filipe II de Espanha (1580–1598), os seus paióis foram transformados em calabouços usados para deter presos políticos, função que também exerceu no reinado de D. João IV de Portugal (1640–1656). Um dos detidos mais notáveis foi o Arcebispo de Braga, D. Sebastião de Matos de Noronha, opositor do movimento restauracionista de D. João IV.

A torre passou por diversas remodelações ao longo dos séculos, destacando-se as intervenções do século XVIII, que incluíram a renovação das ameias, do varandim do baluarte, do nicho da Virgem voltado para o rio, e do claustrim. O design arquitetônico e volumétrico da torre, que remete à forma de uma nau, reflete uma síntese de beleza, originalidade e inovação.

Juntamente com o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém foi classificada como Património Mundial da UNESCO em 1983 e eleita uma das Sete Maravilhas de Portugal em 2007.

Lareira.

 

Viagem Europa 2025 – Padrão dos Descobrimentos

De autoria do arquiteto Cottinelli Telmo (1897–1948) e do escultor Leopoldo de Almeida (1898–1975), o monumento representa uma caravela estilizada, avançando ao mar com o Infante D. Henrique à proa, ladeado por um conjunto de 32 figuras históricas, personagens emblemáticos da expansão ultramarina e da cultura portuguesa da época. Entre os representados encontram-se navegadores, cartógrafos, guerreiros, evangelizadores, cronistas e artistas, cada um caracterizado pelos símbolos que os individualizam.

Um mastro estilizado, orientado no eixo Norte–Sul, exibe em cada uma das suas faces dois escudos portugueses com cinco quinas, circundados por uma faixa com 12 castelos. Ao centro, diversas flores-de-lis adornam o conjunto. Adossadas ao mastro encontram-se três estruturas triangulares curvas, que dão a ilusão de velas enfunadas pelo vento, reforçando o simbolismo marítimo do monumento.

A face norte é marcada por dois gigantes de cantaria, que contêm as seguintes inscrições em letras metálicas:

  • À esquerda, sobre uma âncora:
    AO INFANTE D. HENRIQUE E AOS PORTUGUESES QUE DESCOBRIRAM OS CAMINHOS DO MAR;
  • À direita, sobre uma coroa de louros:
    NO V CENTENÁRIO DO INFANTE D. HENRIQUE 1460–1960.

O acesso ao interior é feito por uma escadaria central de nove degraus, que conduz a um átrio com vista privilegiada sobre a área circundante. Um segundo lanço, com cinco degraus, leva a um portal com arco de volta perfeita, decorado por uma moldura formada por aduelas.

O monumento é ladeado por duas esferas armilares metálicas, posicionadas sobre plataformas paralelepipédicas que reforçam a ligação ao tema da navegação.

Características técnicas:

  • Altura: 56 m
  • Largura: 20 m
  • Comprimento: 46 m
  • Fundações: 20 m
  • Figura central (Infante): 9 m
  • Figuras laterais (32): 7 m

Atualmente o acesso ao interior do monummento não é permitido, pois o mesmo passa por reforma e restauro.

Viagem Europa 2025: Portugal – Dia 3

O dia amanheceu frio, mas desta vez com sol. No início da tarde, saí, peguei o ônibus até o terminal e de lá um trem para Lisboa. Sentei-me do lado direito do trem, que estava com poucos passageiros. Há um trecho em que o trem passa próximo à praia, oferecendo uma vista bonita. Desci na última estação, chamada Cais do Sodré, localizada no bairro que leva o mesmo nome. O Cais do Sodré é um animado destino de vida noturna e gastronomia em Lisboa.

Vi no mapa do celular que a Praça do Comércio ficava a apenas 800 metros de onde eu estava e fui caminhando até lá. Na minha viagem anterior a Portugal, em 2017, visitei a Praça do Comércio e seus arredores, mas naquela ocasião jamais imaginei que um dia voltaria a pisar naquele lugar. A Praça do Comércio está localizada junto ao rio Tejo, numa área que foi o local do palácio dos reis de Portugal durante cerca de dois séculos. Hoje, a praça é parcialmente ocupada por departamentos governamentais. É uma das maiores praças da Europa, com aproximadamente 36.000 m² (180m x 200m). Durante muito tempo, foi a entrada nobre de Lisboa. Nos degraus de mármore do cais em frente à praça, vindos pelo rio, desembarcaram chefes de Estado e outras figuras importantes.

A praça é enorme, cercada por construções antigas e embelezada por um portal monumental. Lembrei-me das aulas de história na faculdade: foi na Praça do Comércio que, em 1º de fevereiro de 1908, o rei D. Carlos (penúltimo rei de Portugal) e seu filho, o Príncipe Real D. Luís Filipe, foram assassinados enquanto passavam pelo local.

Depois de dar uma volta e tirar algumas fotos na praça, subi pela Rua Augusta, uma via fechada ao trânsito, famosa por sua concentração de lojas, muitas delas de grandes marcas internacionais. A rua é frequentemente tomada por turistas, artistas de rua, artesãos e vendedores ambulantes. Já conhecia a Rua Augusta e continuei caminhando até o final dela. A partir dali, tudo era novidade para mim. Comecei a explorar lugares desconhecidos, caminhando sem rumo por cerca de duas horas, subindo e descendo ladeiras, observando o que podia e tirando fotos do que achava interessante. Em alguns momentos, sentia-me completamente perdido, sem saber se estava me afastando ou me aproximando do rio Tejo, a região que conhecia melhor.

Gosto de me perder assim quando visito cidades novas ou pouco conhecidas. É uma forma de conhecer melhor o lugar e descobrir atrações e locais interessantes que não aparecem nos guias turísticos. Passei por uma parte da cidade com ruas estreitas, habitada majoritariamente por pessoas de origem árabe. Em uma das ladeiras, havia uma enorme escada rolante que usei para subir. Bem no meio da subida, começou a chover, e não havia onde me abrigar. Felizmente, a chuva foi fraca e rápida.

Voltei para a região mais próxima ao rio Tejo e continuei caminhando, descendo ladeiras. Passei em frente à Santa Casa da Misericórdia, que fica em um prédio antigo com uma igreja ao lado. Em frente, havia uma estátua do Padre Antônio Vieira e, na base da estátua, uma placa contando sobre seus anos de catequização de índios no Brasil. O Padre Antônio Vieira era jesuíta. Trabalhei por sete anos com padres jesuítas em Curitiba, em um colégio mantido por uma associação religiosa chamada Associação Antônio Vieira.

Quando começou a escurecer e esfriar mais, resolvi seguir em direção ao terminal de trens e metrô do Cais do Sodré. Recebi uma mensagem do meu irmão dizendo que estava no apartamento do Luís, amigo dele. Como o apartamento ficava perto de onde eu estava, decidi passar por lá. Chegando em frente ao prédio, sentei-me em um banco e mandei uma mensagem avisando onde estava. Mal enviei a mensagem e meu irmão e o Luís apareceram. Começou a chover, então resolvemos voltar para a faculdade, em busca do conforto e calor de nossos quartos. Em vez de pegar o trem, meu irmão achou melhor chamar um Uber. Assim que entramos no carro, a chuva apertou. Daquele ponto até nosso alojamento na Universidade NOVA eram 16 quilômetros. Mesmo sendo horário de pico e com chuva, a viagem foi rápida.

De volta ao meu quarto, descansei, tomei banho, escrevi um pouco e depois fui jantar com meu irmão. Mais uma vez comi o carbonara de todas as noites. Conversamos um pouco, e cada um foi para o seu quarto. Acabei dormindo cedo mais uma vez.

Caminho que fiz entre o Cais do Sodré e Praça do Comércio.

Praça do Comércio.

Elevador de Santa Justa.

Subindo ladeira de escada rolante.

Santa Casa de Misericórdia.

Estátua do Padre Antonio Vieira.

Ao fundo o rio Tejo.

Viagem Europa 2025: Portugal – Dia 2

Acordei cedo, após uma merecida noite de sono. Me ajeitei e fui encontrar meu irmão na portaria. Pegamos um ônibus ao lado da faculdade e fomos até o centro de Carcavelos. No ônibus encontramos alguns brasileiros que também estão fazendo o curso do VCW na faculdade NOVA Sbe. Estava sol, mas fazia um pouco de frio. A viagem de ônibus durou cerca de cinco minutos.

Demos uma volta pelo pequeno centro da cidade e paramos numa padaria para tomar café da manhã. A padaria era atendida por uma brasileira. Aliás, brasileiros víamos por toda parte. Nosso café da manhã foi misto quente e Pepsi. Depois do café, fomos até um supermercado próximo, chamado Pingo Doce, onde fizemos algumas compras. Pegamos o ônibus de volta para o nosso alojamento na faculdade. Meu irmão foi encontrar o pessoal do curso, e eu fui trabalhar no quarto.

Passei boa parte do dia trabalhando, pois esse era o dia de enviar a parte final do faturamento mensal para os clientes. Felizmente, levando meu notebook junto, consigo trabalhar em qualquer lugar que tenha conexão com internet. Meu plano era terminar o trabalho logo após o almoço e ir passear em Lisboa. No entanto, tive alguns problemas técnicos e, por conta disso, deixei o passeio para o dia seguinte.

Quase no final da tarde consegui passear pela praia, onde cheguei atravessando um túnel que sai da faculdade e leva até a praia do outro lado. Ventava muito e fazia frio, mas mesmo assim consegui caminhar cinco quilômetros, indo pela pista de caminhada ao lado da praia e voltando por uma calçada ao lado da estrada, onde ventava menos.

Voltando da caminhada, peguei o ônibus que leva até o centro da cidade e fui fazer mais compras no Pingo Doce. Como tinha pago a passagem de ônibus pela manhã, guardando o comprovante você tem direito a andar no mesmo ônibus várias vezes no mesmo dia. Quando saí do mercado já estava escuro e logo peguei o ônibus de volta para a faculdade.

De volta ao meu quarto, trabalhei mais um pouco enquanto esperava meu irmão voltar. À noite, fomos jantar no mesmo restaurante da noite anterior e comi novamente um prato de carbonara. Começou a chover e, mesmo sendo dentro da faculdade, o restaurante fica no lado contrário do nosso alojamento. Tivemos que voltar para o alojamento debaixo de chuva, que estava muito gelada e chegava a doer as orelhas quando a água batia nelas.

No meu quarto, arrumei algumas coisas, conversei com minha mãe e irmã pelo celular e WhatsApp e fui dormir cedo. Chuva e frio do lado de fora, cama quente do lado de dentro. Fico com a cama…

Em frente ao alojamento.

Brasileiros no busão.

Carcavelos.

Café da manhã.

No centro de Carcavelos.

Forte próximo a faculdade.

Caminhada a beira mar.

Trabalhando no quarto.

O carbonara de 11 Euros.

Viagem Europa 2025: Portugal – Dia 1

Após algumas horas de sono profundo, a comissária de bordo me despertou. Faltava cerca de uma hora para aterrissarmos em Lisboa. Fui ao banheiro fazer o que é costume fazer em um banheiro pela manhã e, ao retornar ao meu assento, serviram o café da manhã: farto e saboroso. Depois disso, fiquei olhando o monitor à minha frente, observando os dados do voo, especialmente a quilometragem restante até Lisboa. Acabei me distraindo e, como estava em um local sem acesso a visão das janelas, tomei um grande susto quando o avião pousou com uma pancada forte no chão. Não percebi que estávamos na fase final de aterrissagem. Ficamos parados na pista por alguns longos minutos antes de seguirmos para nossa posição de desembarque.

Fui o quarto passageiro a sair do avião. Lá fora, o tempo estava escuro, chuvoso e frio. Era minha segunda vez em Portugal. Em setembro de 2017, passei apenas um dia em Lisboa, depois de ficar um dia na cidade do Porto vindo da Espanha. Naquela ocasião, conheci muito pouco da cidade. Desta vez, com mais dias disponíveis, pretendo explorar melhor Lisboa e seus arredores.

Eu e meu irmão passamos pela imigração sem qualquer problema. O policial fez as perguntas básicas e logo nos liberou. Só não gostei do carimbo no passaporte, que estava com a tinta fraca, mal dando para ler. Para viajantes, os carimbos são como uma espécie de coleção: guardamos como lembranças dos países por onde passamos. Tenho um carimbo bastante raro que poucos brasileiros possuem. Mesmo meu irmão, que viaja mais do que eu, não tem. Trata-se de um carimbo do Brasil, que é exclusivo para estrangeiros. No entanto, anos atrás, ao voltar ao Brasil pela Bolívia, um agente de imigração sonolento carimbou meu passaporte brasileiro com o carimbo oficial. Quando percebeu o erro, pediu desculpas, mas eu disse que não havia problema. Sabia que tinha ganhado uma raridade.

Nossas malas demoraram bastante para aparecer na esteira e estavam um pouco molhadas. Seguimos para fora do aeroporto, pegamos um táxi e fomos ao centro de Lisboa, onde mora um amigo e sócio do meu irmão. Saí do táxi me sentindo mal, bastante enjoado. Acho que a culpa foi dos vários “cheirinhos” artificiais pendurados no carro. Tenho sensibilidade a alguns aromas, e esses artificiais em especial sempre me fazem mal.

O Luís, amigo do meu irmão, nos recepcionou calorosamente e logo entramos no espaçoso apartamento. Havia mais duas pessoas por lá, recém-chegadas do Brasil, que participariam do mesmo curso que meu irmão. Quando comentei com meu irmão que estava enjoado, Luís ouviu e me levou até a sacada, onde me fez sentar numa poltrona. Ele disse para eu respirar ar puro e trouxe uma garrafa de água gaseificada. Eu, que adoro água com gás, provei e aprovei a versão portuguesa de água com gás. Depois de alguns minutos na sacada, comecei a me sentir melhor.

Luís havia preparado um almoço especial para os visitantes: algo bem português. O problema é que eu, o enjoado da história, não como nada que venha da água. O almoço era bacalhau e polvo assados. Acabei comendo apenas os acompanhamentos: batatas e vagens assadas, que estavam deliciosas. Após o almoço, descemos para a garagem do prédio e embarcamos na van que Luís havia alugado para transportar os participantes do curso.

Dentro da van estava quentinho, enquanto do lado de fora o frio e a chuva predominavam. Seguimos por uma estrada à beira-mar rumo a Carcavelos, a 16 quilômetros dali. No caminho, passamos por construções históricas e Luís, se mostrando o melhor guia turístico possível (mesmo não sendo guia), nos contou suas histórias. Vimos a Torre de Belém de longe, parcialmente escondida por árvores. Esse é o ponto turístico de Lisboa, que mais tenho vontade de conhecer. Em 2017, na minha primeira passagem por Lisboa, não tive tempo de visitá-la. Desta vez, vou voltar para uma visita completa, o que certamente renderá uma postagem exclusiva no blog.

Chegamos à NOVA School of Business & Economics, onde o curso será realizado. Eu e meu irmão ficaremos hospedados no alojamento da faculdade. Como muitos alunos estão de férias, os quartos vazios são alugados para turistas. O alojamento fica a cerca de 300 metros do mar, mas, com o inverno rigoroso, não haverá chance de ir à praia. Fizemos o check-in, preenchi a ficha de hospedagem e a recepcionista, uma portuguesa chamada Maria, elogiou minha letra (de forma), que, segundo ela, é bonita. Pelo que me lembro, essa foi a primeira vez que alguém elogiou minha letra.

Os quartos são confortáveis, com cama, mesa, cadeiras, armários, frigobar, micro-ondas, utensílios básicos de cozinha e um banheiro aquecido a gás. Não gostei muito do estilo europeu do chuveiro tipo ducha, que você tem que fixar num cano se não quiser tomar banho com a ducha na mão. E também não gostei da cortina de plástico, que sempre deixa água ir parar no chão. Prefiro os chuveiros fixos e os boxes de vidro, ou acrilico, no estilo brasileiro. O aquecimento do quarto é central e fica ligado quase o dia todo.

Depois de ajeitar nossas coisas, fomos conhecer a faculdade. O campus é moderno, com uma estrutura que eu nunca vi no Brasil: restaurante, lanchonetes, mercado, academia, espaços de estudo e até um túnel que leva à praia. Passei a tarde sendo apresentado a pessoas e tentando ser discreto, pois não farei o curso que meu irmão e os demais brasileiros farão, então deixava o pessoal do curso trocar informações e conversar, evitava me intrometer na conversa deles. Ser discreto, ou seja, ficar quieto, só aumentava meu sono. No final do dia, nos levaram num local onde acontecem recepções e jantares. Duas máquinas de café gratuitas salvaram minha vida: três cappuccinos e um mocha resolveram o problema do sono sem fim.

Aqui escurece às 17h30min nessa época do ano, e estamos três horas à frente do horário do Brasil. Isso me deixa meio confuso: meu estômago fica maluco, sinto sono em horários errados. Demoro alguns dias para me acostumar com a mudança de horários e rotina. Daí, quando me acostumo, já estará na hora de voltar para o Brasil, e lá vou sofrer mais alguns dias para me adaptar à antiga rotina.

Após tomar banho e descansar um pouco, encontrei meu irmão na recepção, e fomos jantar em um restaurante que fica dentro da faculdade. Mesmo não sendo época de aulas normais, o lugar estava cheio. Sentamos em uma mesa em um canto, e meu irmão pediu um prato de macarrão com camarão. Vi no cardápio que a maioria dos pratos tinha peixe ou frutos do mar. Acabei escolhendo um macarrão carbonara, que é um dos tipos de macarrão que mais gosto. A alimentação nas lanchonetes e restaurante dentro da faculdade é subsidiada, ou seja, mais barata do que em estabelecimentos fora dali. Mesmo sendo mais barato, meu macarrão à carbonara custou 11,00 euros, o que dá cerca de R$ 66,00. Pensando em euros, é barato; já em reais, é caro. Mas, se você começar a calcular o preço das coisas em reais, fica meio maluco e passa fome. Então é melhor pensar no custo 1 x 1 e deixar para passar mal quando for pagar as faturas do cartão de crédito nos próximos doze meses, já que quase tudo estou parcelando em 10 ou 12 vezes.

Depois de comer, ficamos conversando com o garçom que nos atendeu, que é brasileiro e está há pouco tempo em Portugal. A recepcionista também era brasileira, com sotaque do Nordeste, enquanto o garçom nos contou que era do Rio de Janeiro. Eu e meu irmão voltamos para o alojamento, e cada um foi para o seu quarto. Terminei de arrumar minhas coisas e logo fui para a cama. Esse clima de inverno costuma me dar sono, e, após ter dormido poucas horas nos últimos dias, o que mais queria era poder dormir algumas horas numa cama quentinha e confortável… ZZZZzzz…

Café da manhã no avião.

Desembarque.

Água que curou meu enjoo.

Na van, vendo a Torre de Belém.

Nova School of Business and Economics.

Nova School.

Nova School.

Nova School.

Alojamento dos estudantes.

Momento de repouso.

Viagem Europa 2025

Eu estava planejando tirar alguns dias de férias em janeiro e ir para a Serra do Mar paranaense. Pretendia subir o Pico Paraná mais uma vez. Nos últimos dois meses, vinha treinando intensamente quase todos os dias. Porém, precisei interromper os treinos duas vezes de forma não planejada: a primeira, por causa de uma cirurgia na boca, em que levei vinte pontos e fiquei vários dias sem poder fazer qualquer esforço físico; e a segunda, devido a uma forte gripe causada pelo vírus da influenza.

No entanto, os planos mudaram de última hora quando recebi um convite do meu irmão para viajar a Portugal com ele. Cancelei a ida a Curitiba e à Serra do Mar e comecei a me preparar para atravessar o Atlântico. Seria a minha terceira viagem à Europa. Meu irmão estava indo para Portugal para cursar a segunda fase de um programa em uma faculdade de negócios em Carcavelos, uma cidade litorânea próxima a Lisboa. Dois anos atrás, ele já havia concluído a primeira etapa do curso e agora retornaria para finalizá-lo.

Embora não fosse o momento ideal para visitar a Europa, especialmente com o euro nas alturas, não resisti ao convite. Eu tinha algumas economias guardadas e planejei parcelar os custos extras em suaves prestações no cartão de crédito. Além disso, senti que merecia uma viagem dessas após o terrível ano de 2024, que quase não me permitiu viajar.

Com tudo acertado, e depois de passar uma noite em claro por ter ido a uma festa, finalizei os preparativos, ajeitei minhas coisas e saí de madrugada de carro rumo a Maringá. Lá, deixei meu carro na garagem do meu irmão e seguimos juntos para o aeroporto. Pegamos um voo da Gol direto para Guarulhos, onde passamos o dia aguardando nosso voo para Lisboa. Optamos pelo primeiro voo do dia para evitar problemas com os temporais previstos para o dia, já que não queríamos correr o risco de o aeroporto fechar ou o voo atrasar.

No aeroporto de Guarulhos, almoçamos e demos uma volta pelo terminal. Acabei me deparando com a Mariana Becker, a repórter de Fórmula 1 da Band, que também trabalhou muitos anos na Globo cobrindo o mesmo esporte. Como fã de Fórmula 1 e acompanhando as corridas desde 1980, não resisti e, educadamente, pedi para tirar uma foto. Ela foi muito simpática e até se desculpou por estar com os olhos inchados.

Seguimos para a sala VIP da Latam, onde passamos a maior parte do dia cochilando, mexendo no celular e, principalmente, comendo. O espaço oferecia muitas opções de comidas, lanches, doces, sorvetes e bebidas, tudo de graça. Por volta das 21h, deixamos a sala VIP e fomos procurar nosso portão de embarque. Fazia muito calor, e parecia que parte do aeroporto estava sem refrigeração. O embarque começou às 22h30 e foi tranquilo. Graças a algumas milhas acumuladas, eu teria a chance de viajar pela primeira vez na classe executiva. Para um voo de quase 10 horas, o conforto extra seria muito bem-vindo. Só preciso tomar cuidado para não me acostumar mal, porque, no futuro, provavelmente terei que voltar à classe econômica.

O início da viagem foi tranquilo, e, mesmo estando acordado há quase 40 horas, eu não sentia sono. Aproveitei para assistir a um filme e, em seguida, jantar, com direito a um sorvete Häagen-Dazs de sobremesa. Mais luxo, impossível! Após cerca de três horas de voo e algumas turbulências ao sobrevoar a Bahia, o sono finalmente chegou. Ajustei minha poltrona, que ficava completamente horizontal, e dormi quase o resto da viagem.

Tietando a Mariana Becker no aeroporto.

Descansando na sala vip.

Fui sentando na última fileira da classe executiva.

Meu irmão foi sozinho na janela.

Carta ao meu pai

Oi, velhinho!

Hoje faz seis meses que o senhor se foi. Às vezes parece que foi ontem; outras, parece que já faz tanto tempo… Seis meses, 180 dias, meio ano… Não importa como eu conte, a saudade é a mesma. Antes, eu achava que sabia o que era sentir saudade, mas descobri que não sabia nada. Não sabia sobre a falta que dói no peito, nem sobre como é perder para sempre alguém que amamos tanto. É uma dor parecida com a de amor, mas, ao mesmo tempo, diferente. Tem suas semelhanças, como lembrar da pessoa em momentos aleatórios, quando uma música, um filme ou uma comida trazem de volta tantas memórias.

Nunca imaginei que sentiria tanto a sua falta. O que me consola é saber que fiz a escolha certa anos atrás, quando decidi não sair de Campo Mourão novamente. Escolhi ficar porque sabia que o senhor e a mãe não viveriam muitos anos mais, e eu queria aproveitar esse tempo perto de vocês. Queria compensar os vinte anos que fiquei longe, perdendo festas, comemorações em família e o convívio diário.

Quem mais sofre com sua ausência é a Dona Vanda. Para ela, não tem sido fácil, principalmente porque está cercada de lembranças suas. Ela tentou se desfazer rapidamente de muitas das suas coisas. Talvez tenha sido uma maneira de aliviar um pouco a dor. Mas seu sofá continua vazio. Ninguém mais senta nele — nem os gatos. Às vezes, vejo um deles parado perto do sofá, olhando fixamente para o cantinho onde costumavam ficar com o senhor. Parece que eles também sentem sua falta e tentam entender por que o senhor não voltou mais para casa.

Sua TV nunca mais foi ligada. Seu carro continua exatamente no mesmo lugar e do jeito que o senhor deixou há seis meses. Quando vou à sua casa, evito entrar na sala ou olhar para o sofá. Foi nele que te vi pela última vez bem, sentado com um dos gatos no colo, conversando comigo. Mas também foi nesse sofá que te vi após o AVC, numa agonia que nunca vou esquecer.

Na noite de Natal, entrei na sala cheio de saudade e, ao ver o sofá vermelho, não resisti: me deitei nele. Foi impossível conter as lágrimas. Senti sua presença de alguma forma.

Aqui seguimos a vida, tentando cuidar da Dona Vanda da melhor forma possível. Tem dias que são difíceis. Dia dos Pais, seu aniversário, Natal, Ano Novo… Foram datas especialmente dolorosas porque a saudade apertou ainda mais.

O Tande continua fujão, mas a Dona Vanda está tentando segurá-lo um pouco. Ele, que não gostava de mim, agora vem pedir carinho e colo quando me vê. Talvez eu lembre o senhor de alguma forma, e isso o ajude a matar a saudade.

Às vezes, sinto sua presença. Sei que a mãe e meus irmãos também já passaram por situações parecidas. Dentro do que acredito, sei que o senhor pode nos visitar. Espero estar certo nas minhas crenças.

A maior dor não foi te ver nos seus últimos dias, agonizando até partir. Não foi te ver na UTI dentro de um saco plástico, escolher seu caixão, participar do velório ou do enterro. A maior dor acontece no dia a dia, de forma aleatória. É quando vejo algo que o senhor gostava, como uma comida, ou quando algo acontece e eu quero te contar — e aí lembro que o senhor não está mais aqui.

Fiquei com sua camisa do Santos, mesmo não sendo santista. Guardei como lembrança, porque sei o quanto o senhor gostava dela. Também fiquei com a camisa verde do grupo de caminhadas. Lembro de quando comprei aquela camisa e o senhor gostou tanto que acabei te dando a minha, pois não tinha mais delas a venda. Brinquei que era para cuidar bem dela, porque quando o senhor morresse, eu queria ela de volta. Nunca imaginei que isso realmente aconteceria, e que seria tão cedo. Na última terça-feira, usei a camisa e senti algo estranho que não consigo explicar.

Desde que o senhor partiu, tentamos resolver tudo que ficou pendente. Pagamos as contas, fomos às lojas onde o senhor tinha costume de assinar notas. Não queríamos que nada ficasse para trás. Se o senhor manteve o nome limpo em vida, não seria depois da morte que isso mudaria. Ainda falta cumprir uma promessa sua: levar uma muda de fruta-do-conde para sua otorrino. Em breve faremos isso.

Lembrei que, há quase um ano, o senhor veio me visitar pela última vez (foto no final da carta). Sentou ao meu lado, aqui onde estou escrevendo agora, e ficamos conversando. Não imaginei que seria sua última visita. Da mesma forma, não sabia que nossa conversa na sala de sua casa, no dia do AVC, seria a última. Agora percebo que, de alguma forma, o senhor sabia, pois não queria me deixar ir embora. Se pudesse imaginar que seria nossa última conversa, teria me sentado e passado a tarde contigo, conversando e vendo futebol na TV.

Não sei se um dia nos encontraremos novamente. Talvez sim, talvez não. Espero que o que acredito sobre espiritualidade seja verdade, mas não tenho certeza. Se eu demorar muito para partir, talvez o senhor já não esteja mais aí. Pode ser que tenha retornado ao mundo dos vivos, talvez até na mesma cidade ou na mesma família. Mas o que acredito pode estar completamente errado, porque ninguém sabe exatamente como são as coisas depois que morremos. O que temos são suposições e crenças, mas a verdade permanece desconhecida. Um dia eu vou saber. Mais cedo ou mais tarde, também terei que partir, e então descobrirei se existe um reencontro ou não. Seja como for, foi um privilégio te encontrar nesta vida.

Quero te agradecer por tudo, especialmente pela minha vida. Tivemos nossas diferenças, mas as resolvemos. Nos últimos anos, nossa convivência foi harmoniosa e amorosa. Conversando com a mãe e meus irmãos, percebemos que, nos últimos meses, o senhor parecia saber que sua hora estava chegando. Agora, algumas coisas que o senhor me falou e pediu nas suas duas últimas semanas de vida, fazem todo sentido.

Acredito que o senhor tenha visto, aí do outro lado, que não consegui chorar ao saber da sua morte. Também não chorei no velório nem no enterro. Eu queria chorar, mas não conseguia. De alguma forma, me fechei para encontrar forças e superar aquele momento de extrema dor. Só consegui chorar 29 dias depois, justamente no dia do seu aniversário. E foi assistindo a um filme! Não poderia ser diferente, já que os filmes, por alguma razão que desconheço, sempre foram a maneira mais fácil de me fazer chorar. Depois daquele primeiro choro, as lágrimas não pararam mais. Choro sempre que lembro do senhor ou vejo algo que me traz sua memória. Outro dia, chorei no Paraguai, ao olhar para um pacote de balas da marca que o senhor gostava e que eu sempre lhe trazia quando ia até lá.

Estou chorando agora, enquanto escrevo esta carta. Mas não me importo. Chorar é a minha forma de mostrar o quanto o senhor foi importante para mim.

Sinto muito a sua falta.

Até um dia (ou não)!

JVD

José Amilton e Vander (25/01/2024).

Vídeo que viralizou…

Em 11 de setembro passado, estava na cama, certa noite, sem sono, pensando numa conversa que tive pouco mais de um mês antes com uma pessoa que foi, e ainda é, muito importante para mim. Sentia uma enorme saudade dela e uma vontade imensa de entrar em contato, mas me segurava, pois havia decidido não incomodá-la mais.

Na insônia, resolvi assistir a vídeos no Instagram. Foi então que encontrei um vídeo com uma música que me tocou profundamente. Decidi repostar o vídeo no meu perfil e incluir uma mensagem dedicada à pessoa de quem sentia tanta falta. Não tinha nenhuma esperança de que ela visse o vídeo ou a mensagem, afinal, ela não me segue nas redes sociais e acredito que também não fique me stalkeando.

Dois meses depois, notei que o vídeo começou a viralizar. Agora, quatro meses após a postagem, ele já acumulou 43.679 curtidas e quase um milhão e oitocentas mil visualizações. Sinceramente, nunca esperei que isso fosse acontecer.

O mais irônico é que, apesar de o vídeo ter sido visto por quase 1,8 milhão de pessoas, acredito que a pessoa para quem ele foi dedicado ainda não o tenha visto. Coisas da internet. Coisas da vida!

Fonte: Instagram vander_dissenha

 

 

Adeus 2024!

Houve um tempo em que o blog funcionava como uma terapia para mim. Quando eu não estava bem, escrevia aqui, especialmente em 2010, um ano marcado por uma terrível depressão. Apaguei muitos textos daquela época e, hoje, não sei se fiz certo ou não ao apagá-los.

Agora, com o fim de 2024 se aproximando, percebo que esse ano não deixará saudades. Ainda estou em dúvida se 2024 foi o pior ano da minha vida ou se 2010 ocupa esse posto, ou se os dois empatam em termos de dificuldade. A principal diferença entre esses anos é que, em 2010, quase perdi a vontade de viver e, por muito pouco, não tomei uma decisão drástica. Já em 2024, apesar de todos os desafios e acontecimentos tristes, senti uma vontade ainda maior de viver. Talvez isso tenha ocorrido porque consegui resolver dúvidas, traumas e complexos que me acompanharam por quase toda a vida. Finalmente deixei essas coisas para trás e, hoje, tenho clareza sobre o que quero para meu futuro.

Este foi um ano muito difícil, repleto de situações complicadas e problemas de saúde, tanto meus quanto de familiares. Minha mãe quase morreu, meu pai morreu, minha irmã se acidentou, e até a cachorrinha que esteve conosco por 16 anos se foi. Nunca vou esquecer a cena de enterrá-la debaixo de um pé de manga no quintal da casa dos meus pais, com minha mãe e meu pai chorando ao meu lado. Foi um momento profundamente triste e simbólico de como 2024 acabou sendo marcado de forma negativa.

Passei o ano de mãos dadas com a resiliência e, sem dúvida, termino 2024 sendo uma pessoa diferente da que começou o ano. Posso afirmar que sou uma pessoa melhor, porque não é possível enfrentar tantas situações difíceis sem ser transformado por elas. Algumas das decisões e escolhas que fiz ao longo do ano não tiveram o resultado esperado, mas isso é parte da vida. Nem tudo acontece como desejamos, e estou em paz com isso. Não vou lamentar ou chorar pelo que deu errado. Sou do tipo que levanta, sacode a poeira, enxuga as poucas lágrimas e segue em frente sem olhar para trás.

Apesar dos pesares, 2024 também trouxe momentos bons. Como sempre acontece, pessoas entraram e saíram da minha vida. Algumas entraram e saíram no mesmo ano, enquanto outras permaneceram nos momentos mais complicados, ajudando-me a atravessar as dificuldades. Também houve pessoas que eu acreditava que nunca se afastariam, mas se foram. Talvez tenha sido melhor assim.

Neste ano, minha família se tornou ainda mais unida, especialmente diante das dificuldades que enfrentamos juntos. Sempre fomos próximos e solidários, mas em 2024 nos superamos. O amor entre nós prevaleceu e cresceu. Meu pai esteve ao nosso lado quando minha mãe enfrentou uma grave doença, e, após a morte inesperada de meu pai, minha mãe encontrou forças para nos ajudar a seguir em frente e eu e meus irmãos ajudamos ela a seguir em frente. Quando nos reunimos para tomar decisões importantes, não houve brigas por herança como acontece em tantas famílias. Pelo contrário, todos estavam dispostos a abrir mão de qualquer coisa para que os laços de amor e união permanecessem intactos. Isso nos uniu e nos fortaleceu ainda mais. Hoje, sinto ainda mais orgulho de ser filho da Dona Vanda e do Seu Amilton, e irmão da Vanerli e do Wagner. Apesar de tudo, o amor venceu e cresceu, e é isso que levo comigo ao encerrar 2024.

Este ano enfrentei situações para as quais não estava preparado, coisas pelas quais não queria ter passado, mas que foram inevitáveis. Presenciei acontecimentos que jamais gostaria de ter visto e vi cenas que nunca vou esquecer. Foram muitas coisas tristes, mas que, de certa forma, contribuíram para que eu amadurecesse ainda mais. Sempre me considerei uma pessoa forte, mas, durante um período, me senti enfraquecido. Contudo, neste ano, recuperei minha força, porque, se não tivesse sido forte, não teria conseguido lidar com tantas coisas ruins que aconteceram.

Foi estranho passar pelo primeiro Natal e Ano-Novo sem meu pai. Além disso, nunca fui a tantos velórios em um só ano como fui em 2024. Parece que todos que conheço estão partindo. Já vinha sentindo algo parecido nos últimos anos, mas, neste ano, essa sensação se intensificou. Talvez seja algo natural à medida que envelhecemos: as pessoas que conhecemos, principalmente as mais velhas, acabam nos deixando. Mas isso é muito triste!

O ano de 2024 me judiou até o final, pois os dois últimos dias do ano passei doente, não conseguindo comer. Enquanto pôde 2024 me testou, me desafiou, me fez sofrer, mas ele morre daqui poucas horas e eu continuo vivo e mais forte do que nunca. No fim quem venceu fui eu!

Vou encerrar por aqui, pois o que era para ser uma retrospectiva de 2024 acabou se transformando em um desabafo. Vou postar isso, mas talvez, depois de dez minutos ou um dia, eu me arrependa e apague…

Desejo, do fundo do coração, que 2025 seja melhor que 2024. Historicamente, anos ímpares costumam ser melhores para mim. Embora tenha nascido em um ano par, os anos pares geralmente me trazem mais desafios e tristezas.

Feliz 2025!

 

LIVRO: Muito Além do Grid

O jornalista especializado em Fórmula 1, Reginaldo Leme, lança oficialmente hoje a sua autobiografia, “Muito Além do Grid”. O livro explora mais de 50 anos de uma trajetória marcante no jornalismo esportivo e na Fórmula 1. Reginaldo Leme, atualmente comentarista na Band é um dos maiores nomes da cobertura esportiva no Brasil. Com 436 páginas divididas em 30 capítulos, o livro narra episódios memoráveis, como os títulos mundiais de Emerson Fittipaldi, Ayrton Senna e Nelson Piquet, e bastidores de grandes escândalos do automobilismo, como a batida proposital de Nelsinho Piquet no GP de Singapura de 2008.

O livro foi escrito em colaboração com o jornalista Alfredo Bokel e editado por Tiago Mendonça, fruto de cinco anos de depoimentos e pesquisas. O livro também inclui um caderno de fotos e reflexões sobre a vida pessoal e profissional de Reginaldo Leme, que descreve os momentos difíceis e as grandes vitórias de sua carreira com a honestidade e a paixão que marcaram sua trajetória.

O livro “Muito Além do Grid” está disponível para compra por R$ 79,90 no site da editora Oficina 259:  www.automotoresporte.com/loja ou pelo e-mail vendas@oficina259.com.br. O lançamento oficial está marcado por uma noite de autógrafos hoje, dia 11 de dezembro, na Livraria da Vila, que fica na Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena, São Paulo, a partir das 19h00min.

Reginaldo Leme.

 

O Vampiro morreu

Hoje faleceu aos 99 anos, Dalton Trevisan, “O Vampiro de Curitiba”. Maior escritor paranaense, deixou muitas obras publicadas. Li algumas de suas obras e gosto de seu estilo literário. Vi ele na rua uma vez, em meados da década de 1990.

 

O paranaense Dalton Trevisan, um dos maiores escritores brasileiros do século XX, morreu nesta segunda-feira, 9, aos 99 anos. A informação foi confirmada pela agente do autor.

Conhecido pelo apelido de “Vampiro de Curitiba”, ele morreu em casa. Segundo a agente, informações sobre a causa da morte e o velório do autor não foram reveladas para manter a privacidade.

Nascido em Curitiba, no Paraná, em 14 de junho de 1925, filho de um proprietário de fábrica de vidros, Trevisan cresceu sonhando em ser atleta, mas se descobriu mesmo nos livros – e, em especial, no conto, gênero do qual é considerado um dos grandes mestres no país.

Em suas quase oito décadas de carreira, venceu todos os grandes prêmios da literatura brasileira (Jabuti, Machado de Assis, Biblioteca Nacional) e lusófona (como o prestigioso Camões, pelo conjunto da obra, em 2012). Entre 1945 e 2023, publicou cerca de 50 obras, marcadas pelas repetição de temas como a solidão, a angústia e a complexidade da vida urbana.

Em seus livros e em sua imagem pública, Trevisan construiu uma mitologia particular, que passa por uma Curitiba anacrônica e idealizada, um espaço em ruínas que já não existe nem mais nos cartões-postais. Assim como o autor que buscava a economia narrativa até o limite do desaparecimento, o homem Trevisan parecia desejar a invisibilidade.

Além do minimalismo, que podia se manifestar em microcontos de poucas linhas, suas marcas são o pastiche e a metaficção. Sua linguagem peculiar se apropria de termos populares e chulos, explorando artifícios como o kitsch e o grotesco. A obsessão pela síntese alcançou sua mais perfeita expressão na coletânea “Ah, é?”, de 1994. De tão reduzidos, os textos da publicação foram comparados a haikais pelo próprio autor. Trevisan, por sinal, costumava dizer que seu vocabulário não ultrapassava 80 palavras. Seu único romance publicado é “A polaquinha”, de 1985, sobre uma moça de classe média que se prostitui para pagar seus estudos.

Em 2025, ano de seu centenário, a Todavia passará a publicar toda a sua obra. Além disso, a editora prepara também uma antologia de contos, organizada por Felipe Hirsh e Caetano Galindo. O livro será lançado em junho e ainda não tem título.

O apelido “Vampiro de Curitiba” surgiu por conta de um de seus personagens, que aparece pela primeira vez em uma obra homônima publicada em 1965. Mas a alcunha também tem origem na sua personalidade folclórica, com aversão a fotos e entrevistas. Nos anos 1970, uma repórter de televisão tentou uma entrevista com o escritor e foi recebida por um senhor atencioso e gentil, que a mandou esperar por Trevisan. Durante a longa conversa com a jornalista, o homem sempre reforçava que o escritor estava a caminho. No fim, era o próprio Trevisan, pregando uma peça na imprensa.

Quando lançou “A trombeta do anjo vingador”, em 1977, Trevisan conversava com a jornalista paranaense Adélia Maria Lopes quando a orientou a não publicar nada do que estava dizendo. Para comprovar a seriedade do assunto, avisou que cortaria relações com quem descumprisse o seu pedido. “Não falo mais com quem trair o compromisso de não divulgar minhas conversas”, teria dito. Depois disso, os amigos mais fiéis passaram a dedurar os repórteres que tentavam se aproximar do autor através de sua “entourage”.

A distância da mídia alimentou a fama de “recluso”, sempre rechaçada por amigos e próximos. Trevisan circulava a pé pelas ruas de Curitiba. Alguns dizem que ele só andava em público disfarçado com boné e cavanhaque, mas há fotos em que ele aparece de cara limpa. O autor, por sinal, costumava espalhar pistas falsas sobre os seus hábitos, o que torna impossível dizer hoje se realmente almoçava em restaurantes vegetarianos ou se batia ponto no Clube de Xadrez da cidade. Seu endereço, por outro lado, era bem conhecido e frequentado por muitos amigos.

Durante 68 anos, viveu em uma casa centenária, simples e sem muros, no Centro da capital paranaense. O autor não gostava de fazer obras e não se preocupava sequer em camuflar as pichações na fachada. Nos anos 2000, ele protestou contra o barulho de uma sala gay que havia se instalado na vizinhança. O episódio inspirou o poema “Amintas 749”, do livro “Rita Ritinha Ritona”.

Apesar do aspecto decadente e das marcas do tempo, que davam ela uma aura de mistério, estava longe de ser uma fortaleza onde o “Vampiro” ia se esconder. Em 2021, Trevisan se mudou para um apartamento em uma área agitada do centro da capital paranaense.

Formado em direito pela Universidade Federal do Paraná, ele abandonou a profissão após sete anos e passou a trabalhar na fábrica da família. Liderou, entre 1946 e 1948, o grupo literário responsável pela publicação da revista “Joaquim”, que tornou-se símbolo e porta-voz daquela geração de artistas. O próprio Trevisan controlava a tipografia, a montagem e a distribuição da revista, que reunia escritos de autores como Antonio Cândido, Mário de Andrade e Carlos Drummond de Andrade, além de ilustrações de Di Cavalcanti e Heitor dos Prazeres.

A publicação chegava por mala direta aos amigos de Trevisan no Rio de Janeiro, como Rubem Braga, Ledo Ivo e Vinicius de Moraes, tornando pela primeira vez Curitiba uma cidade conhecida no meio literária. Mais do que isso: graças a “Joaquim”, a cidade se tornou uma espécie de “meca da vanguarda” na época. Junto com outras publicações artesanais do gênero, como a carioca “Orpheu” e a paulista “Revista Brasileira de poesia”, consolidou a Terceira Geração Modernista, conhecida como “Geração de 45”.

Foi na “Joaquim” que Trevisan publicou seus dois primeiros livros (“Sonata ao luar”, de 1945; e “Sete anos de pastor”, de 1948), que depois foram renegados pelo autor. Sua estreia “oficial” seria em 1959, com a coletânea de contos “Novelas nada exemplares”, pela qual ganhou o Prêmio Jabuti, o mais tradicional do país, no ano seguinte. Ele venceria o Jabuti outras três vezes ao longo da carreira: em 1965 (“Cemitério de elefantes”), 1995 (“Ah, é?”) e 2011 (“Desgracida”).

Em 2012, o escritor foi eleito por unanimidade vencedor do Prêmio Camões. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras.

Fonte: https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2024/12/09/morre-o-escritor-dalton-trevisan-aos-99-anos.ghtml 

Dalton Trevisan.

Algumas obras de Dalton Trevisan. (Brazil Journal)

FILME: Aumenta que é Rock’n Roll

Não sou muito de ver filmes nacionais, pois é raro algum que preste. Mas acabei assistindo ao filme, Aumenta que é Rock’n Roll, em razão da temática Rock Nacional dos anos 80 e adorei o filme. O filme, que é baseado em acontecimentos reais, conta a história do jovem Luiz Antônio, responsável por criar a primeira rádio de rock brasileira na década de 1980: a Rádio Fluminense, que ficou popularmente conhecida como “A Maldita”. Luiz, de forma inesperada acaba no comando de uma rádio falida e faz dela um grande sucesso, se não comercial, ao menos de público. Foi a Rádio Fluminense que abriu as portas para muitas bandas nacionais que estavam em começo de carreira e eram pouco conhecidas. Blitz, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, Barão Vermelho (com Cazuza) e outras bandas, começaram a ficar conhecidas pelo público ao terem suas músicas tocadas pela Rádio Fluminense. Também foi através de uma votação entre os ouvintes da rádio, que foram escolhidas as bandas e cantores que participaram do primeiro Rock in Rio, em 1985.

Um personagem importante no filme e melhor amigo de Luiz Antônio, é Samuel Wainer Filho, que foi produtor musical e jornalista. Ele foi repórter da Rede Globo e faleceu em um acidente de carro, ao voltar da cobertura da morte de um outro repórter da Globo, que tinha morrido num acidente de avião ao voltar da gravação de uma reportagem. O filme não menciona que Samuel trabalhava para a Rede Globo, então somente quem conhece um pouco da história do jornalismo brasileiro nos anos 1980 é que vai entender um pouco mais sobre Samuel. Em breve pretendo fazer aqui no Blog uma postagem sobre ele.

E por falar sobre entender, acredito que somente a minha geração é que vai curtir o filme tanto quanto eu curti, pois vai coneguir entrar na atmosfera do filme e com certeza vai ter muitas lembranças de sua vida na primeira metade da década de 1980. Os mais novos não vão entender muito bem o filme, não vão conseguir linkar muitas passagens que acontecem no filme e que não são tão explicitas.

Umas da atrizes do filme é Flora Diegues, filha do cineasta Cacá Diegues. Flora, entre outros trabalhos fez novelas na Rede Globo e morreu em 2 de junho de 2019, aos 34 anos, em decorrência de um câncer no cérebro. O que me chamou atenção foi que Flora faleceu em junho de 2019 e o filme foi lançado nos cinemas em abril de 2024, ou seja, quase cinco anos após sua morte. Isso mostra que o filme demorou muitos anos entre sua produção e lançamento.

Luis Antônio e Samuel.

Rádio Fluminense: A Maldita.

Elenco do filme.

Flora Diegues.

Família Dissegna/Dissenha

A origem da família Dissegna/Dissenha é a cidade de Romano d´Ezzelino, que fica no norte da Itália. Os primeiros Dissegna/Dissenha chegaram no Brasil em 1870, e depois de rodarem por algumas regiões do Paraná, próximas ao litoral, se estabeleceram na Colônia Italiana do Barro Preto, onde hoje fica o bairro Barro Preto, na cidade de São José dos Pinhais, próxima a Curitiba.

Os italianos (inclusive os Dissegna / Dissenha), deixaram seu país basicamente por motivos econômicos. A emigração, que era muito praticada na Europa, aliviava os países de pressões socioeconômicas, além de alimentá-los com um fluxo de renda vindo do exterior, em nada desprezível, pois era comum que imigrantes enviassem economias para os parentes que haviam ficado. Entre 1870 e 1930, vigorou no Brasil a imigração subvencionada pelo governo com o objetivo de estimular a vinda de estrangeiros. Nesse período, cerca de sete milhões de italianos deixaram sua terra de origem em busca de uma nova vida.  Na Itália, depois de um longo período de mais de 20 anos de lutas para a unificação do país, sua população, particularmente a rural e mais pobre, tinha dificuldade de sobreviver quer nas pequenas propriedades que possuía ou onde simplesmente trabalhava, quer nas cidades, para onde se deslocava em busca de trabalho. Nessas condições, portanto, a emigração era não só estimulada pelo governo italiano, como era, também, uma solução de sobrevivência para as famílias. A imigração subvencionada se estendeu de 1870 a 1930 e visava a estimular a vinda de imigrantes: as passagens eram financiadas por fazendeiros e pelo governo brasileiro, bem como o alojamento e o trabalho inicial no campo ou na lavoura. Os imigrantes se comprometiam com contratos que estabeleciam não só o local para onde se dirigiriam, como igualmente as condições de trabalho a que se submeteriam.

Como a imigração subvencionada estimulava a vinda de famílias, e não de indivíduos isolados, nesse período chegavam famílias numerosas, de cerca de uma dúzia de pessoas, e integradas por homens, mulheres e crianças de mais de uma geração. Muitos desses imigrantes italianos vieram ao Brasil para trabalhar nas lavouras de café, substituindo a mão de obra escrava, após a abolição da escravatura no Brasil, em maio de 1888.

Meu trisavô, Antonio Dissegna, juntamente com sua esposa e seus oito filhos, embarcaram no porto de Genova rumo ao Brasil,  em 7 de dezembro de 1886. Viajaram no vapor Righi e após uma longa e sofrida viagem, desembarcaram no Brasil em 22 de janeiro de 1887. Como muitos dos imigrantes italianos que chegaram ao Brasil, eles desembarcaram na Ilha das Flores, em São Gonçalo, Rio de Janeiro.  O vapor atracava na Bahia de Guanabara e barcos menores iam buscar os imigrantes e os levava até a Hospedaria de Imigrantes, que funcionava na Ilha das Flores. No local os imigrantes ficavam de quarentena por um tempo e depois seguiam para os locais que constavam em seus contratos de trabalho.

O sobrenome original de minha família é Dissegna. Por muito tempo se pensou que ele foi mudado para Dissenha, quando da chegada ao Brasil, onde tinham mudado a escrita do nome para ficar igual a sua pronúncia. Mas verificando registros antigos, descobri que ainda na Itália, em 1877, meu trisavô Antonio registrou seu quinto filho (no caso filha), como Margherita Dissenha. Esse é o primeiro registro do sobrenome Dissenha que encontrei. Posteriormente (já no Brasil) meu trisavô registrou mais dois de seus filhos com o sobrenome Dissenha, inclusive meu bisavô José Benjamin. Dos doze filhos que meu trisavô teve, nove filhos ele registrou com o sobrenome Dissegna e três filhos com o sobrenome Dissenha. O meu bisavô José Benjamin registrou todos os seus treze filhos (oito  do primeiro casamento e cinco do segundo casamento, pois ficou viúvo) com o seu sobrenome, com a escrita Dissenha. E a partir daí toda a minha família levou o sobrenome Dissenha. O motivo da mudança da escrita do sobrenome de Dissegna para Dissenha é um segredo que ninguém sabe e acredito que tal segredo morreu com meu trisavô.

Após longa pesquisa consegui cópias de vários documentos de minha família e consegui montar a Árvores Genealógica de nove gerações, chegando a cerca de trezentos anos no passado. Ainda continuo minhas pesquisas, procurando mais informações para preencher as lacunas que faltam na Árvore Genealógica e na história da Família Dissegna/Dissenha.

Primeiros registros com o sobrenome DISSENHA.

Lista de passageiros do Vapor Righi.

Na lista de passageiros, os nomes de meus Trisavós e seus oito filhos.

Documento de embarque (frente). Aqui constavam as informações de saída da Itália. É como se fosse um passaporte para todos os membros da família em um único documento.

Documento de embarque (verso). Aqui contavam as informações da chegada ao Brasil. Observe o carimbo do Império, pois chegaram ao Brasil ainda no tempo da Monarquia, pouco antes da Proclamação da República.

Desembarque de imigrantes na Ilha das Flores.

Ilha das Flores.

Recepção aos imigrantes na Ilha das Flores.

Refeitório na Ilha das Flores.

Alojamento na Ilha das Flores.

Ilha das Flores.

Árvore Genealógica – parte 1.

Árvore Genealógica – parte 2.

Árvore Genealógica – parte 3.

Árvore Genealógica – parte 4.

Romano d´Ezzelino.

A marca vermelha indica Romano d´Ezzelino.

 

*Atualmente na Ilha das Flores, no local onde funcionava a Hospedaria de Imigrantes, funciona um Batalhão dos Fuzileiros Navais.

Dia de Nossa Senhora Aparecida

Não sou católico, mas já estive três vezes no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, sendo que duas vezes fui até lá de bicicleta em viagens de mais de 500 km. Em todas às vezes senti uma energia muita forte no lugar e chorei ao ver a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Não sei explicar o motivo do choro…

Concurso de Fotografia Imagens da Cidade – Edição 2024

Participei mais uma vez do Concurso de Fotografia Imagens da Cidade, promovido pela Fundação Cultural de Campo Mourão. Dessa vez fiquei em sexto lugar e minha irmã ficou em nono.

Eu e minha irmã…

Minha foto que ficou na sexta colocação.

Vanerli, em nono lugar.

Palestra com Flávia Alessandra

 

 

Flávia Alessandra Martins da Costa nasceu em Arraial do Cabo, região dos lagos do Rio de Janeiro, no dia 7 de junho de 1974. Aos sete anos ela começou a estudar teatro e participou das primeiras edições das oficinas de atores da Globo, quando fez figuração em algumas produções. A sorte começou a mudar em 1989, quando ela participou de um quadro do Domingão do Faustão que escolheria uma jovem atriz para participar da novela Top Model.

Palestra com Orkut Büyükkökten

 

Cristhiane, Tefa, Alemão e Vander.

 

Orkut foi uma rede social filiada ao Google, criada em 24 de janeiro de 2004 e desativada em 30 de setembro de 2014. Seu nome é originado no projetista chefe, Orkut Büyükkökten, engenheiro turco do Google. O alvo inicial do Orkut era os Estados Unidos, mas a maioria dos usuários foram do Brasil e da Índia. No Brasil a rede social teve mais de 30 milhões de usuários, mas foi ultrapassada pelo líder mundial, o Facebook. Na Índia também foi a segunda rede social mais visitada.

 

Show com Bruna Viola

Após seis anos, voltei a assitir show com a Bruna Viola. Dessa vez foi em praça pública, na cidade de Peabiru. Apesar de ter começado com duas horas de atraso, por culpa do padre da cidade que não queria o show antes da missa, o show foi muito bom e teve pouco mais de duas horas de duração. De negativo foi a Bruna ter cantado poucas músicas dela. Cantou mais músicas de outros cantores famosos do que muitas de suas músicas de sucesso.

Vala dos 21

Aconteceu na noite de 22 de outubro de 1912, o confronto entre as tropas do Regimento de Segurança Pública do Paraná, comandado pelo coronel João Gualberto e os caboclos, comandados pelo monge José Maria. Este confronto entrou para a história como sendo o primeiro combate da Guerra do Contestado (1912 – 1916) denominado de Combate do Irani (ou Batalha do Irani). Na ocasião morreram, entre outros, o coronel João Gualberto e o monge José Maria. Ali foram enterrados o coronel e outros 21 corpos, entre caboclos e militares, no que foi chamado de “vala dos 21”. O monge José Maria foi enterrado em separado. O corpo do coronel João Gualberto permaneceu enterrado por apenas três dias e logo após foi transladado para Curitiba.

Guerra do Contestado

Com a criação da Província do Paraná no ano de 1853, o Governo dessa nova Província passou a contestar junto ao Supremo Tribunal Federal uma área de 48 mil quilômetros quadrados da área territorial catarinense, alegando pertencer primeiro à Província e com a proclamação da República ao Estado do Paraná, fato esse que ficou denominado como Questão Contestada.

Além da questão litigiosa entre os dois estados; Paraná e Santa Catarina, havia, nas primeiras décadas do século XX, a questão social no meio oeste catarinense, de um lado o capital estrangeiro representado pelos empreendimentos de Percival Farquhar: Estrada de Ferro e a Lumber em Três Barras – SC, e os interesses dos Coronéis fazendeiros, e do outro lado, os habitantes mais antigos da região, os Caboclos que contestavam as ações dos primeiros, os quais ancorados pelos governos federal e estaduai, exploravam as riquezas vegetais da área contestada, alijando do território o Caboclo. Assim visto, haviam duas questões contestadas, o litigio territorial entre os dois estados e a questão social no meio oeste catarinense.

Todavia, até que se chegasse a uma solução para o litígio entre os dois estados foi definido um limite territorial provisório, ficando o oeste catarinense sob a jurisdição do Paraná. E, no meio oeste, na região de Curitibanos, Caboclos e Coronéis disputavam terras. No linguajar caboclo, em conversa com o Capitão Matos Costa, enviado à região para apaziguar os ânimos: “Nóis só queremos um parminho de terra, porque os coroné querem tanto? ”

Em Curitibanos, nesse ano de 1912 estava ocorrendo uma grande concentração de caboclos aconselhados pelo monge José Maria. Os Coronéis temendo um grande conflito na região solicitam apoio armado do governo estadual catarinense, que de imediato os atende, enviando o contingente da Força de Segurança Pública de SC para prender o líder e desfazer o movimento. Tomando conhecimento dos fatos o monge decide sair da região seguido pelos seus “Pares de França” e outros caboclos, deslocando-se para os Campos do Irani, de domínio paranaense, para evitar derramamento de sangue. Entretanto, esse deslocamento foi visto como “Manobra de invasão”. O governo do Paraná, não aguardando a decisão do supremo Tribunal Federal, o qual estava a julgar o litígio entre Paraná e Santa Catarina, decidiu mandar suas tropas expulsarem os posseiros. Os caboclos que cercavam José Maria nos campos de Irani estavam em fase de exaltação mística, pois se ocupavam da reza a maior parte do tempo.

A 20 de outubro, o Coronel João Gualberto intima o Monge a comparecer a sua presença para explicar-lhe os motivos do agrupamento armado, alarmando os habitantes da região. José Maria prometeu ir, mas não foi. Os emissários do comandante, que haviam visto os homens do Monge, tentaram dissuadi-lo de atacar, com os poucos soldados que lhe tinha restado, um bando tão numeroso, mas João Gualberto não os atendeu. A 22 de outubro se deu o ataque. As primeiras horas do amanhecer, os soldados da vanguarda trocaram tiros com uma guarda supostamente dos fanáticos. A qual se retirou. A tropa chegou no lugar de nome Banhado Grande, onde se daria o combate. O regimento de Segurança do Paraná havia partido de Curitiba com aproximadamente 400 homens, dos quais o Coronel João Gualberto tirou 43. Reunidos estes ao contingente do Tenente Busse, somavam uma força de apenas 64 homens, que assim atacaram os fanáticos do Irani. Sob as ordens de João Gualberto, a tropa do governo enfrentou pouco mais de 200 sertanejos. Uns a cavalo, outros a pé, eles evitaram ao máximo o tiroteio e atravessando uma funda canhada onde desapareciam da vista das forças legais, caíram de supetão, a garrucha e a facão de pau sobre os soldados. O combate terminou com a morte do Coronel João Gualberto, com a morte de muitos soldados e com a morte do Monge José Maria. No Irani, o palco desse primeiro conflito ficou conhecido, nas palavras de Vicente Telles: “A vala dos 21”.

Para o Paraná foi o maior conflito armado do Contestado, porém houve um engano, pois não foi o Estado Catarinense que invadiu a área em litigio, mas sim pessoas simples correndo das Forças de Segurança de Santa Catarina. E, para muitos historiadores foi o Primeiro Grande Combate do Contestado.

Lembrando o Prof. Dr. Nilson Thomé “Em Canudos com a morte de Conselheiro acabou a guerra. No Contestado com a morte do Monge José Maria, começou a guerra”.

Prof. Ms Sandro César Moreira (Historiador)

No mapa aparece a região do Contestado.

O Coronel João Gualberto (o segundo da direita para a esquerda) embarcando em Curitiba, para dias depois morrer na primeira batalha da Guerra do Contestado.

Caboclos.

Pintura mostrando João Gualberto em batalha no Constestado.

Museu Histórico do Contestado

A Guerra do Contestado foi uma das maiores e mais sangrentas batalhas da história do Brasil. O confronto aconteceu em Irani, no Oeste catarinense. Para entender melhor essa história, existe um museu dedicado a contar como foi esse confronto no qual um dos resultados foi a mudança da divisa entres os estados do Paraná e Santa Catarina. O Paraná “encolheu” em 1916, ao perder a região do Contestado para Santa Catarina. A nova definição de limites tirou do território paranaense 28.000 km².

O Museu Histórico do Contestado está localizado próximo a cidade de Irani – SC, no Sítio Histórico e Arqueológico do Contestado, onde além do Museu, fazem parte o Local do Primeiro Combate da Guerra do Contestado (Combate do Irani), a Sepultura do Monge José Maria, o Cemitério do Contestado,  a Vala dos 21 e o Monumento do Contestado.

Monumento do Contestado

Museu Histórico do Contestado.

Cemitério do Contestado

O Cemitério do Contestado é um marco da história brasileira, principalmente no que diz respeito aos episódios que passaram a ser conhecidos como a Guerra do Contestado. O local onde hoje se encontra o cemitério era próximo a uma extensa área à margem direita do rio do Peixe, mais precisamente, no que era denominado por Banhado Grande. Neste terreno já existia um pequeno cemitério. A região era disputada pelos estados do Paraná, Santa Catarina e pela Argentina.

Houve, na noite de 22 de outubro de 1912, o confronto entre as tropas do Regimento de Segurança Pública do Paraná, comandado pelo coronel João Gualberto e os caboclos, comandados pelo monge José Maria. Este confronto entrou para a história como sendo o primeiro combate da Guerra do Contestado (1912 – 1916) denominado de Combate do Irani (ou Batalha do Irani). Na ocasião morreram, entre outros, o coronel João Gualberto e o monge José Maria. Ali foram enterrados o coronel e outros 21 corpos, entre caboclos e militares, no que foi chamado de “vala dos 21”. O monge José Maria foi enterrado em separado. O corpo do coronel João Gualberto permaneceu enterrado por apenas três dias e logo após foi transladado para Curitiba.

A partir deste episódio, o local entrou no esquecimento até ser reconstruído, no final da década de 1970, por ocasião da construção de uma rodovia. Nas escavações para esta obra foram encontrados, numa vala comum, os restos mortais dos personagens que tombaram na longínqua noite da primavera de 1912. Diversas cruzes de madeira, a maioria sem identificação, indicam as sepulturas de vítimas da guerra. Até meados da década de 1990, os moradores da região podiam sepultar seus entes no local; mas atualmente o cemitério é considerado campo histórico, não sendo mais permitida a abertura de novas sepulturas.

Mesmo sabendo que os corpos dos comandantes do episódio, de ambos os lados, não se encontravam entre as ossadas achadas na vala comum, foram instaladas lápides para o monge José Maria e para o coronel João Gualberto no cemitério.

Hoje o Cemitério do Contestado faz parte do Sítio Histórico do Contestado, que fica em frente à rodovia BR-153, km 64, precisamente, a 4 km de distância do centro da cidade de Irani no estado de Santa Catarina.

Jogos Olímpicos de Paris 2024

Hoje começam os Jogos Olímpicos de Paris. E me lembrei que no dia que Paris foi anunciada como cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2024, eu estava em Paris. Isso mesmo! Foi em setembro de 2017 e eu estava em Paris para uma rápida visita, antes de seguir para percorrer o Caminho de Santiago de Compostela, que tem início no sul da França e depois segue pela Espanha. Por acaso fui visitar o local onde seria feito o anúncio de Paris como cidade sede dos Jogos Olímpicos e acabei meio sem querer assistindo ao evento. Abaixo segue a narrativa desse momento, que consta em meu diário de viagens.

PARIS, 13/09/2017 (Quarta-feira)

Voltei a caminhar e fui até o final da avenida onde estava. A chuva voltou e fiquei na dúvida sobre o que fazer. Peguei o mapa e vi que a Torre Eiffel não estava muito distante. E no mapa vi menção à estação Trocadéro. Lembrei de já ter lido que a praça do Trocadéro é de onde se tem a vista mais bonita da Torre Eiffel. Não pensei duas vezes, e como estava perto de uma estação do metrô, fui até lá, comprei o bilhete e logo estava dentro de um vagão rumo ao meu último passeio por Paris. Poucas estações depois, desci na estação Trocadéro. 

A praça do Trocadéro (Jardins du Trocadéro), é uma grande explanada não muito distante, e em frente à Torre Eiffel. O Trocadéro é o lugar ideal para tirar fotos frontais da Torre Eiffel. Por estar em um promontório, tem uma vista semi-panorâmica da cidade. Durante o inverno, as fontes de água ali existentes congelam e se transformam em improvisadas pistas de patinação no gelo. No verão, essas fontes de água refrescam os pés. Do local também faz parte o Palácio de Chaillot, museus, jardins e um grande aquário subterrâneo. Em 1878 foi construído no local o Palácio do Trocadéro, de inspiração bizantina. Ele foi construído para a exposição universal de 1878. Este imenso palácio era ocupado por um teatro e dois museus. Ele não deveria sobreviver muito após a exposição e sua demolição estava programada. Mas ele acabou sendo conservado por quase 60 anos. Foram anos de críticas ferozes sobre seu estilo e sua péssima acústica. E finalmente em 1935 ele foi demolido e parte de suas esculturas foram distribuídas por outras construções de Paris.

Mal saí da estação e coloquei o pé na rua, voltou a chover. Meu plano era tirar algumas fotos e ir embora. Mas o Trocadéro estava fechado! Tinham cercas provisórias impedindo a entrada, e muitos policiais controlando tudo e todos. Ia acontecer ali um evento com a presença de muitos políticos, artistas e esportistas, pois Paris seria oficializada como a cidade sede da Olímpiada de 2024. Em julho último, Los Angeles tinha desistido da candidatura para sediar a Olímpiada e sobrou somente Paris como candidata. Agora o COI – Comitê Olímpico Internacional, ia confirmar Paris como sede. Dei muito azar na minha visita! Dia e hora errados para visitar o local. Só me restou achar um cantinho de onde dava para ver a Torre Eiffel lá no fundo e tirar algumas fotos. Já estava de saída quando um grupo de pessoas apressadas passou por mim e uma mulher me acertou a testa com a lateral de seu guarda-chuva, que estava aberto. Ela percebeu que a pancada foi forte, então parou, colocou a mão no meu ombro e falou um monte de coisas em francês que entendi serem pedidos de desculpa e perguntando se eu estava bem. Respondi em inglês que estava tudo bem, que não tinha problema. Daí ela perguntou se eu queria entrar com ela no local do evento. Não entendi completamente o que ela falou, mas pelos gestos que ela fez, entendi que era esse o convite. Respondi sim em inglês e segui ao lado dela até uma entrada cheia de seguranças e policias. Foi aí que entendi que ela era uma repórter de TV, pois junto com ela seguiam dois cinegrafistas e um auxiliar. Parece que ela era famosa por lá! Ela falou com os seguranças e apontou em minha direção. Caprichei no sorriso e na cara de bom moço. Um dos seguranças fez sinal para eu entrar. Mal dei dois passos e dois policias me pararam, e um deles me revistou de ponta a ponta e o outro usou um detector de metais para me examinar. Em seguida me mostraram uma pequena lanchonete fechada, que ficava ao lado, e me mandaram ir para lá. A repórter deu tchau e seguiu para outra entrada, que levava até um palco, onde na parte de trás tinham os círculos olímpicos cobertos. Pelo visto estava preparada uma grande produção para comemorar o anúncio de Paris como sede da Olímpiada. Ao menos a pequena lanchonete tinha uma cobertura onde eu poderia me proteger da chuva. E mesmo não participando do show que estava montado ao lado, estava muito perto da festança, bem mais perto do que a maioria do pessoal que estava se amontoado na calçada em frente.

Ao meu lado se escondendo da chuva, tinham dois caras altos, fortes, com cara de poucos amigos e corte de cabelo militar. Tive quase certeza de que eram seguranças disfarçados, pois um evento daquele seria um prato cheio para algum tipo de ataque terrorista. Lembro que pouco menos de dois anos antes, Paris tinha sofrido uma série de atentados terroristas que ocasionou 180 mortes. Desde então todo e qualquer evento na cidade tinha segurança redobrada. A chuva deu uma trégua e resolvi ir tirar fotos na famosa mureta do Trocadéro, onde até mesmo Hitler foi fotografado quando os alemães invadiram Paris durante a Segunda Guerra Mundial. Mas não fui muito longe, pois um dos caras que eu achava ser segurança confirmou minhas suspeitas quando de forma ríspida gritou comigo e mandou eu voltar para o lugar onde estava. Ele disse que estava proibido andar por ali. Baixei a cabeça e voltei para o lugar na lanchonete onde estava antes. Minutos depois passou um policial com uma farda cheia de estrelas e falou com meus dois “companheiros”. E entendi que ele perguntou quem eu era, e os caras responderam, mas não tenho a mínima ideia do que falaram. Depois desse dia fiquei com vontade de aprender francês.

Resolvi ir embora, pois ficar parado estava chato. Antes que eu desse o primeiro passo, finalmente começaram a falar no palco ao lado. Teve uma apresentação, alguém cantou e depois mostraram no telão imagens de Paris, de atletas franceses e símbolos olímpicos. Daí tiraram o pano que cobria os círculos olímpicos e todos pularam, gritaram, fogos de artificio foram soltos. Depois teve show e muita festa. Voltou a chover e nisso apareceu um cara jovem, barbudo e ficou parado perto de onde eu estava. Logo ele veio para o meu lado fugindo da chuva. Um dos policias que estava próximo fez sinal para o outro e mostrou o cara do meu lado. Nisso um deles saiu e logo voltou com dois outros policias e foram falar com esse cara. O cara começou falar em árabe e estava muito nervoso. Usei o bom senso e saí dali rapidinho, pois vai que o árabe era um homem bomba. E notei que um dos policias me seguiu até eu sair da área protegida.

 

 

Adeus ao meu pai!

A partir de hoje minha vida mudou, pois, meu pai faleceu e nada será como antes. Vivi minha vida toda tendo um pai e agora ele se foi… A preocupação maior no momento é cuidar da minha mãe, que não está bem de saúde. E tentar seguir a vida com esse vazio que nunca será preenchido. Essa semana foi uma das mais difíceis de minha vida, pois vi e fiz coisas, passei por situações para as quais não estava preparado. Mas consegui ser forte e dei conta de tudo. E tudo o que vivi nesses últimos dias, me ajudaram a amadurecer e a rever certas coisas em minha vida, certos conceitos e opiniões.

No passado eu e meu pai tivemos sérios problemas de relacionamento, que felizmente nos últimos anos foram resolvidos, pois nos perdoamos, deixamos o passado no passado. Hoje entendo que o furacão que aconteceu em minha vida em 2010 e que me fez voltar para minha cidade natal e viver perto da minha família, tinha muitas razões e uma delas era para eu viver os últimos anos de qualidade de vida de meu pais, junto com eles. Eu tinha ficado 20 anos distante e perdi muitos aniversários, natais, dia das mães, dia dos pais e uma infinidade de momentos em família. E nos últimos 14 anos pude compensar os 20 anos de ausência e participei de tudo o que foi importante junto de minha família.

Nos últimos dois anos fiz muitas viagens para consultas médicas e exames, levando meus pais. E nessas viagens pude saber de histórias da vida deles que eu jamais tinha ouvido. As duas últimas noites que meu pai passou sedado num quarto de hospital, dormi numa cama ao lado da cama dele. Eu ouvia a respiração dele ao meu lado, e isso me fez lembrar de quando era criança e viajava com ele de caminhão e dormíamos lado a lado no sofá cama do caminhão. Fiquei ao lado de meu pai quase todas as últimas horas de vida dele e só não pude ficar o tempo todo ao lado dele quando ele foi transferido para a UTI. Eu que nunca tinha entrado numa UTI, de repente fiz várias visitas ao meu pai, vendo ele conectado a uma infinidade de aparelhos. E o pior momento foi quando ele faleceu e ao entrar na UTI vi ele dentro de um saco plástico. Esse foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Depois tive que passar pela desgastante função de avisar sobre a morte dele, ir no cemitério providenciar o enterro, ir no Prever escolher caixão, no cartório fazer a certidão de óbito. Meu irmão me ajudou, pois acho que sozinho não teria dado conta.

E então veio o velório, algo que não gosto e procuro nunca ver a pessoa falecida dentro do caixão. Muitas pessoas se fizeram presentes, sendo familiares, amigos de meu pai, de minha mãe, de meus irmãos e meus. Alguns amigos passaram a noite toda no velório me fazendo companhia. Nem sei como agradecer todo esse carinho. Recebi dezenas de abraços e palavras de carinho. E me mantive forte, preocupado em cuidar de minha mãe. Quase no final do velório uma amiga usou as palavras certas e me convenceu a ver meu pai no caixão. Toquei na mão dele e baixinho falei as últimas palavras de despedida. Fiquei um longo tempo ali ao lado do caixão e finalmente perdi minha fobia de ver as pessoas dentro de um caixão.

Ver o sepultamento foi outro momento muito difícil. E dizer que uma semana antes eu tinha ido ao cemitério visitar o túmulo da Família Dissenha. Naquela visita eu jamais podia imaginar que uma semana depois meu pai estaria sepultado naquele túmulo. O que mais me incomodou nisso tudo, foi que não consegui chorar. O tempo todo não derramei nenhuma lágrima. Eu queria chorar, pois sentia algo me sufocando, mas não consegui chorar. Isso não significa que eu não amo meu pai, que não tenho sentimentos. Sempre tive grande dificuldade para exteriorizar sentimentos, falar o que sinto. Tive problemas em relacionamentos passados, por culpa disso, pois nunca conseguia demonstrar o que sentia pela companheira. Ainda não chorei pela morte do meu pai e não sei se vou chorar. Mas sei que a dor que sinto é enorme, é intensa e só vai diminuir com o tempo. O que conforta é saber que ele morreu sabendo que eu o amava e eu sabendo que ele me amava. Nos perdoamos pelo passado. A última lembrança que vou levar dele é de horas antes do AVC que o levou a morte, quando na tarde de domingo me despedi dele, que estava sentado no sofá da sala de sua casa, com seu gato favorito ao seu lado, repousando a cabeça em sua perna. Os dias seguintes, as imagens dele sofrendo no hospital, morrendo aos poucos, essas quero apagar da minha mente.

E a vida não pode parar… Minha preocupação agora é cuidar e apoiar minha mãe, pois ela perdeu o grande amor de sua vida, o homem que entre altos e baixos dividiu o mesmo teto com ela nos últimos 58 anos. A saúde de minha mãe está frágil, mas vou cumprir uma promessa que fiz ao meu pai ao lado de seu caixão, que é cuidar e proteger ela até os seus últimos dias.

Vai em paz meu pai!

A útima foto com a família toda reunida. (28/04/2024)

 

F1 – Filme de Fórmula 1 com Brad Pitt

Acompanho as corridas de Fórmula 1 desde 1980 e desde entao nenhum filme sobre o assunto foi lançado. Mas isso mudou, pois está em fase final de gravação um filme sobre Fórmula 1 estreado pelo astro Brad Pitti. Hoje foi lançado um teaser sobre o filme e pelas imagens dá para ver que estão caprichando. O filme tem sido gravado em muitas corridas que aconteceram esse ano e em muitas cenas os atores se misutram com os pilotos verdadeiros.

Brad Pitt vive Sonny Hayes, um veterano piloto de Fórmula 1 fictício. A trama traz uma história original no cenário das corridas. Hayes deixou as corridas após um acidente, mas retorna como mentor de um jovem piloto, Joshua Pearce, interpretado por Damon Idris (Zona de Perigo, Snowfall). O teaser também destaca que o filme será em IMAX, com direção de Joseph Kosinski, de “Top Gun: Maverick”.

O problema é que o cinema com tela IMAX mais perto de casa, fica a quase 500 quilômetros de distância. Mas tudo bem, em 2025 quando o filme estrear dou um jeito de viajar para ver o filme…

Morte do Rodrigo Raineri

O alpinista Rodrigo Raineri, morreu hoje em um acidente de parapente no norte do Paquistão. Raineri fazia parte de um grupo com sete pessoas que estavam a caminho de um acampamento na base do K2, que é a segunda montanha mais alta do mundo. Ele foi o único do grupo que decidiu praticar parapente durante a expedição. O acidente fatal ocorreu após o rompimento do paraquedas de Raineri durante o voo, resultando em uma queda fatal.

Rodrigo Raineri tinha 55 anos e era um dos alpinistas mais experientes do Brasil. Engenheiro de Computação pela Unicamp, foi empresário, palestrante e consultor. Grande escalador, possuía vasta experiência em rocha, gelo e alta montanha. Formou com Vitor Negrete (falecido no Everest) a única dupla brasileira a escalar a temida Face Sul do Aconcágua, uma das escaladas mais difíceis do mundo. Ele foi o 6º brasileiro a escalar o Everest e o 7º a completar o projeto 7 Cumes. Ele escalou o Everest três vezes. Rodrigo foi autor dos livros No Teto do Mundo e Imagens do Teto do Mundo e fazia palestras pelo Brasil.

Li o seu livro alguns anos atrás e achei muito bom. Em 2012 fui confundido com ele no aeroporto de Campo Grande, acontecimento que achei muito engraçado.

Que descanse em paz!

Rodrigo no topo do Everest.

De parapende, pouco antes de morrer.

Livro: No Teto do Mundo (Rodrigo Raineri)

 

Paulo Betti em Autobiografia Autorizada

Hoje foi noite de ir ao teatro com alguns amigos, para assistir a peça “Autobiografia Autorizada”, com o ator Paulo Betti.

“Autobiografia Autorizada” é um monólogo caprichado com iluminação, figurino, trilha sonora, cenário e belas projeções escritas e protagonizadas por Paulo Betti, dirigidas por ele e por Rafael Ponzi. O espetáculo é um amálgama do Brasil profundo, inspirada pela inusitada história de superação de Paulo, que percorre o trajeto riquíssimo da roça à cidade, contando um pouco da história da Imigração Italiana no Brasil.

Quando foi que o Dia dos Namorados ficou chato para todo mundo?

Saindo do pilates na terça (11), alguém pergunta se é hoje o Dia dos Namorados. Três amigas casadas se olham meio preocupadas (mas não muito): “ih, é hoje?” Alguém diz que não, é na quarta. Ninguém que é casado sabe muito bem quando é o Dia dos Namorados mais.

A data criada pelo pai de João Doria ficou chata para quem namora e é cobrado para gastar R$ 300 para pegar fila em um restaurante de fondue meio brega e ficou mais chata ainda para quem é solteiro e é soterrado por manifestações amorosas nem tão sinceras assim na internet. Tudo que é obrigatório perde a graça — inclusive achar um namorado em pleno outono.

É isso, você provavelmente acordou essa manhã ensolarada vendo as redes sociais repletas de gente declarando amor eterno enquanto, por cima do muro para a vizinha, confessa que não aguenta mais o par. O que tem de cônjuge que não sabe onde ficam os pregadores da casa porque nunca pendurou um varal de roupa dizendo no Instagram que faria tudo por seu amor…

Tiago Leifert disse outro dia que quando a galera posta muito é porque tem alguma coisa errada. Precisa declarar amor eterno na frente de todo mundo? No meu tempo, era uma vergonha quando alguém chamava um carro de som para mostrar para a vizinhança toda que gosta de você. Faixa de amor pregada nos postes? Cafona.

Mas, pior do que postar sem sentir, é sentir que precisa postar para existir. E aí entra mesmo na lista de afazeres dessa semana complicada, entre fazer musculação quatro vezes até sábado e ir no hortifrúti na quinta, o item: arrumar um par. Em terra de carente, uma curtida no story é aliança dourada.

Ai, mas a colunista não acredita no amor? Nossa, acredito demais. Amor me levanta da cama todos os dias, às vezes, antes da hora certa. Sem amor, a gente nem existe. Eu não acredito é nessa patacoada de todo mundo bem hoje, uma quarta-feira qualquer, eleger um dia para amar demais — ou para sofrer demais por ser amado de menos.

Com tanta série boa na Netflix, tanto restaurante tailandês para pedir pad thai no Ifood, tanto malbec que o Pão de Açúcar entrega em casa, tanto grupo bom de meme no WhatsApp… é sério que hoje é dia de pensar no que poderia ser, mas não é?

Deve estar cheio de casal por aí que está ensaiando sozinho para começar o debate do Papo de Segunda, na segunda (10): a famosa crise da monogamia. Um monte de gente sem o rompante de sinceridade de Francisco Bosco no programa, mas pensando igual (“casamento é muito chato”, “desejo transar com outras pessoas todo dia”).

E enquanto uns estão ok com isso, outros sofreriam demais com o desejo do ser amado por um terceiro elemento. Nem acho casamento chato, mas que não é legal todo dia também não é.

Nada é fácil — ficar sozinho, ficar junto, ficar postando, ficar sem postar, ficar na fila do Chalezinho para comer um fondue de Lindt, ficar reclamando que não recebeu uma florzinha sequer. No fundo, gostoso mesmo é cuidar de si e saber estar só. Aí, todo resto acontece. E ninguém precisa reclamar de ninguém para vizinha (mas se quiser também pode).

Eu desejo uma excelente quarta-feira para você. E se for tomar um malbec, lembra de mim.

Luciana Bugni – www.uol.com.br

30 Anos da morte de Ayrton Senna

Comecei a acompanhar às corridas de Fórmula 1 pela TV, em 1980, influenciado por alguns amigos. Mas desde 1978 assistia uma ou outra corrida, sem entender direito o regulamento ou conhecer os pilotos. Mas a partir de 1980 tomei gosto pela coisa e foi através da narração do Luciano do Vale, na Globo, que comecei a me interessar para valer por Fórmula 1. Logo me tornei piquetista e no ano seguinte o Nelson Piquet conquistou seu primeiro título na Fórmula 1. Passei a assistir quase todas as corridas pela TV e em 1984 surgiu Ayrton Senna. Eu ainda torcia muito pelo Piquet, mas após a corrida de Mônaco, quando o Senna só não venceu a prova com seu fraco carro Toleman, por culpa dos juízes que encerraram a prova na metade em razão da chuva, passei a torcer muito pelo Senna.

E a partir de 1985, com o Senna na Lotus e vencendo suas primeiras corridas, passei a assistir todas as provas da temporada de Fórmula 1. Eu organizava minha vida e meus compromissos, para sempre poder assistir as corridas. E assim acompanhei o fenômeno Ayrton Senna desde o começo de sua carreira na Fórmula 1. Assisti ao vivo quase todas as provas de que Senna participou. Continuei tendo uma grande admiração pelo Piquet e também torcia por ele. Mas o Senna era diferente, ele era meio maluco e dirigia além do limite, corria mais riscos. Talvez seja por isso que o Piquet ainda esteja vivo e o Senna morreu há exatos 30 anos.

A morte do Senna foi um momento daqueles que você lembra para o resto da vida, principalmente para aqueles que gostavam de Fórmula 1. Eu que raramente perdia alguma corrida de Fórmula 1, acabei perdendo justamente a corrida em que o Senna morreu. Já tinha acompanhado as notícias do grave acidente do Rubens Barrichello na sexta-feira de treinos e da morte do Roland Ratzenberger, no treino de sábado. Naquela época eu vivia em Curitiba e não assisti a corrida no domingo, pois tinha dormido com um grupo de amigos na igreja que frequentava na época e íamos fazer uma apresentação no culto da manhã. Lembro que estava batendo papo na calçada em frente a igreja e meu amigo Cornélio veio contar que o Senna tinha sofrido um grave acidente e que dificilmente sobreviveria. Achei que ele estava exagerando, pois o Senna era meio que um super-herói imortal. Não me preocupei mais com o assunto, até que fomos almoçar no apartamento da Sônia e da Rosane e ligamos a TV. Estavam falando ao vivo sobre o estado de saúde do Senna. Sei que o almoço foi em clima de velório, onde ninguém falava nada. E finalmente veio a notícia confirmando a morte. Naquele momento todos perderam á fome e alguns que estavam a mesa ficaram com os olhos cheios de lágrimas.

No resto daquele domingo e nos dias seguintes, fiquei o tempo todo em busca de notícias na TV e nos jornais. A internet ainda caminhava a passos lentos naquele início de maio de 1994 e por essa razão não era tão fácil saber das notícias, igual é hoje em dia. E o mais comovente de tudo foi o dia do sepultamento do Senna, quando milhares de pessoas saíram às ruas de São Paulo para se despedirem do grande ídolo. Para um país carente de heróis, Senna foi o grande herói que o Brasil teve e que levava alegria e enchia de orgulho o sofrido povo brasileiro. Ver as vitórias de Senna pela TV, muitas conquistadas heroicamente e depois ouvir o hino nacional era motivo de orgulho para os brasileiros.

Depois da morte do Senna, a Fórmula 1 e o Brasil nunca mais foram os mesmos. E minha paixão pela Fórmula 1 foi esfriando um pouco. Cheguei a assistir uma corrida de Fórmula 1 ao vivo, no autódromo de Interlagos em 2000, mas nem isso fez meu velho interesse pelo automobilismo ser igual era antes da morte do Ayrton Senna. Entre 2010 e 2019, fiquei alguns anos sem ver corridas e no período da pandemia de Covid, meu antigo interesse e paixão pela Fórmula 1 voltou. Tenho assistido todas as corridas e acompanhado o noticiário. Mesmo não tendo piloto brasileiro atualmente na Fórmula 1, tenho achado os campeonatos interessantes e os carros de hoje são bem mais modernos e seguros do que os carros de 30 anos atrás, quando o Senna se acidentou.

Trinta anos se passaram desde a morte do Senna, o Brasil mudou, eu mudei, mas às lembranças do antigo ídolo e herói nacional permanecem e com certeza jamais teremos outro Senna e outros momentos de alegria iguais aos que ele nos proporcionava, principalmente nas manhãs de domingo.

Capacete do Ayrton Senna em 1994.

Lápide de Ayrton Senna, Cemitério do Morumbi – São Paulo, 1995.

Visitando o túmulo do Ayrton Senna – Julho /1995.

Oscar 2024

Como fiz nos últimos anos, estou escrevendo sobre os filmes que concorrem ao Oscar de Melhor Filme. Esse ano consegui assistir ao último filme concorrente, faltando menos de uma hora para a cerimônia de entrega do Oscar começar. Mais uma vez tive dificuldade em conseguir assistir alguns filmes. No cinema da minha cidade a maioria dos filmes não passou ainda e alguns nem vão passar. Dos dez filmes concorrentes, apenas um consegui assistir no cinema, que foi Oppenheimer. Quatro filmes assisti no streaming e outros cinco tive que encontrar outros meios de assistir. Diferente dos últimos anos, esse ano tem muitos filmes bons entre os dez concorrentes. Minha lista foi mudando conforme eu ia assistindo aos filmes. Mais uma vez acredito que meu filme favorito não vai vencer como melhor filme. Continuo achando que o pessoal da academia que escolhe o melhor filme não entende nada de cinema… kkkk

Os filmes concorrentes, na ordem de minha preferência e torcida:

1° – Os Rejeitados

O filme fala sobre a desventura de um professor mal-humorado de uma prestigiada escola americana, forçado a permanecer no campus para cuidar do grupo de alunos que não tem para onde ir durante as férias de Natal.

Gostei muito do filme, tenho certeza de que não vai vencer como Melhor Filme, mas é o primeiro da minha lista. Não vejo filmes como obras de arte, procurando mensagens subliminares ou não subliminares. Vejo filmes como diversão, passa tempo e por isso nunca meu filme preferido vence…

2° – Pobres Criaturas

Bella cometeu suicídio, mas algo muito inesperado aconteceu com ela. Graças à mente brilhante e controversa do cientista Dr. Godwin Baxter, Bella foi trazida de volta à vida. Agora, tudo o que ela mais deseja é descobrir o mundo. O que seu guardião não imaginava era que a jovem ressuscitada fugiria com um advogado para uma dramática jornada de autodescoberta.

Por um pentelho de lesma que esse filme não é o primeiro da minha lista. O filme é meio que uma versão feminina de Frankenstein. Tem muitas cenas digamos fortes, então quem tem estômago fraco ou altos pudores, não deve assistir ao filme. Alguns trechos do filme são em preto e branco, algo que não sei o motivo, sempre agrada aos votantes do Oscar.

3° – Assasinos da Lua das Flores

O filme conta a história a partir da relação de Ernest Burkhart e Mollie Kyle, um homem branco e uma mulher indígena. A trama foca nos indígenas do povo Osage, que enriqueceu após descobrir petróleo em suas terras.

Filme muito bom, que assisti já faz alguns meses e durante muito tempo era o primeiro lugar na minha lista de favoritos. Acredito que tem grande chance de ser o vencedor de Melhor Filme.

4° – Oppenheimer

É um filme histórico de drama, baseado num livro biográfico. Ambientado na Segunda Guerra Mundial, o filme conta a vida de J. Robert Oppenheimer, físico teórico da Universidade da Califórnia e diretor do Laboratório de Los Alamos durante o Projeto Manhattan – que tinha a missão de projetar e construir as primeiras bombas atômicas. A trama acompanha o físico e um grupo formado por outros cientistas ao longo do processo de desenvolvimento da arma nuclear que foi responsável pelas tragédias nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945.

Filmaço! Acredito que vença como Melhor Filme. O filme é cheio de fatos e personagens históricos. Considero um filme difícil de assistir, pois você tem que ficar atento a tudo o que acontece na tela, e que não é pouca coisa. Quem conhece fatos e personagens históricos que aparecem no filme (que é o meu caso!) vai entender melhor e gostar mais do filme. Minha amiga que viu o filme comigo no cinema, não entendeu nada e dormiu a maior parte do tempo, chegou a roncar. E também comeu todos os meus Sonhos de Valsa…

5° – Vidas Passadas

É um drama coreano que conta a história de Nora e Hae Sung, dois amigos de infância com uma conexão profunda, mas que acabam se separando quando a família de Nora decide sair da Coréia do Sul e se mudar para a cidade de Toronto. Vinte anos depois, os dois amigos se reencontram em Nova York e vivenciam uma semana fatídica enquanto confrontam as noções de destino, amor e as escolhas que compõem uma vida.

Foi o último filme dos dez que assisti. É um filme com muitos diálogos, mas que faz você pensar. Talvez pelo momento pessoal que estou passando, o filme me fez pensar muito mais do que faria normalmente. O filme fala sobre escolhas que fazemos na vida e nos últimos dias tenho pensado muito em algumas escolhas que fiz nos últimos anos. Mas o filme mostra que certas ou erradas, escolhas precisam ser feitas…

6° – Ficção Americana

Um escritor negro brilhante, cujos livros não são populares já que ele se recusa a retratar negros de forma estereotipada em seu trabalho. Ele é pressionado por seu editor a criar uma obra comercial e escreve uma história carregada de preconceitos como piada.

Filme interessante e gostoso de assistir. Mas acho que o final poderia ter sido um pouco mais estendido. Fiquei com a impressão de que o filme poderia ser mais longo.

7° – Anatomia de uma queda

Durante o último ano, Sandra, uma escritora alemã, e Samuel, seu marido francês, viveram juntos com Daniel, o filho de 11 anos do casal, em uma pequena e isolada cidade nos Alpes. Quando Samuel é encontrado morto, a polícia passa a tratar o caso como um suposto homicídio, e Sandra se torna a principal suspeita.

Filme francês que foi vencedor de alguns festivais na Europa. É um filme interessante, mostra uma forma diferente na solução de uma morte. Eu poderia viver muito bem sem ter assistido tal filme…

8° – Maestro

É um filme cinebiográfico que conta a história real da vida e carreira do compositor, músico e pianista Leonard Bernstein, responsável pela composição da trilha sonora de musicais aclamados da Broadway, como West Side Story, Peter Pan e Candice. O filme mostra sua complexa relação com a atriz de TV e teatro Felicia Montealegre, que se iniciou quando os dois se conheceram em uma festa, em 1946, passando pelo primeiro noivado do casal – que foi desmanchado – até chegar ao seu casamento de vinte e cinco anos de duração, que trouxe três filhos ao casal.

Filme parte em preto e branco, acho que para agradar os votantes do Oscar. Achei um filme meia boca, que em alguns momentos fica bem chato. Tive que me esforçar para ver o filme até o final…

9° – Zona de Interesse

Durante a Segunda Guerra Mundial, o comandante de Auschwitz, Rudolf Höss, e sua esposa, Hedwig, se esforçam para construir uma vida idílica para sua família em uma casa vizinha ao campo de concentração.

Pode ser um filme considerado “de arte” e talvez por isso esteja concorrendo a Melhor Filme. Achei um filme muito muito chato, sonolento. Muitas tomadas são longas e lentas. Então se for assistir ao filme, aconselho que não seja num dia que esteja cansado ou com sono, pois senão vai dormir com certeza…

10° – Barbie

Barbie começa a ter pensamentos estranhos e sua aparência muda, então ela parte para o mundo real com Ken para tentar encontrar uma solução e voltar a ser uma boneca perfeita.

Confesso que não vi o filme inteiro, pois não tive estômago para tal. Li e ouvi que o filme tem muitas “mensagens” importantes, mas não vi nada disso. Achei um filme bobinho, mas que foi um estrondoso sucesso de bilheteria e talvez por essa razão esteja concorrendo a Melhor Filme.

Caratuva 2024

Aproveitando que estava passando alguns dias em Curitiba, me desloquei até a Serra do Mar para subir uma montanha. Fazia quase dois anos que não subia montanhas, então estava sentindo saudade. Para um bate e volta escolhi o Caratuva, montanha que já subi duas vezes, em 2008 e 2021, mas em ambas as vezes não vi a paisagem lá do cume, pois estava tudo encoberto por nuvens. Dessa vez tinha esperança de ver algo lá do alto, pois o dia estava relativamente bom e não tinha previsão de chuva.

Comecei a subir pouco depois das dez da manhã e não levei muita coisa. Levei alguma comida e quatro litros de água. Segui num ritmo lento, pois o início da trilha é sempre a parte mais complicada e cansativa. Depois que o corpo foi aquecendo, aumentei um pouco meu ritmo e a primeira hora de subida foi tranquila. Encontrei algumas pessoas descendo, mas ninguém subindo pela trilha. Fiz algumas rápidas paradas para descanso e para beber água.

Chegando no Getúlio, encontrei um grupo de Ponta Grossa, que subia com mochilas cheias, pois pretendiam acampar no cume do Caratuva. Fiz uma parada mais rápida no Getúlio, onde lanchei, descansei e fiquei observando a paisagem para o lado da represa, que sempre é muito bonita. Me lembrei que a última vez que tinha estado no Getúlio tinha sido numa noite fria e chuvosa, quase dois anos antes. Como o tempo passou rápido desde aquela última vez ali…

Após meia hora parado no Getúlio, segui em frente. Na encruzilhada das plaquinhas encontrei novamente o pessoal de Ponta Grossa e um outro casal, que faria meia volta dali. Tiramos fotos, conversámos um pouco e segui pela trilha rumo ao Caratuva. Nesse trecho a trilha estava bem molhada, sinal de que tinha chovido por ali nas últimas horas. A trilha molhada significa mais dificuldade e atenção redobrada para não cair. Conforme ia subindo o tempo foi fechando e comecei a temer que mais uma vez não veria nada da bonita paisagem no alto do Caratuva.

Quase no final da trilha encontrei três soldados do 5º GAC AP, que estavam descendo. Paramos conversar rapidamente e me contaram que o tempo lá no alto estava completamente fechado. Senti vontade de voltar para traz dali mesmo onde estava. Mas como estava perto do cume, resolvi seguir em frente. Quando cheguei no cume do Caratuva, senti um misto de alegria e frustração. Alegria por ter vencido o desafio e por estar pisando pela terceira vez no cume dessa montanha, que é a segunda mais alta do sul do Brasil, perdendo em altura somente para o Pico Paraná. E frustração por mais uma vez não conseguir ver nada da bela paisagem que se vê lá do alto. Estava tudo branco, uma nuvem baixa deixava tudo branco em volta. Eventualmente era possível ver o Itapiroca no lado direito da montanha e mais nada. Definitivamente o Caratuva não gosta de mim! Justo ele que foi a primeira montanha que subi naquela região, no distante ano de 2008.

Achei uma pedra num canto, me sentei e lanchei. Logo comecei a ouvir raios e trovões bem próximos e resolvi iniciar logo a descida. Com temporal é perigoso ficar no alto da montanha, pois as antenas que ali existem costumam “puxar” raios. É bem visível nos cabos de aço que seguram as antenas, marcas de descargas de raios. Mal comecei a trilha de descida e caiu o maior temporal. Desci rápido até chegar na parte de floresta e dessa forma me senti mais protegido dos raios que escutava cair próximos de onde estava. A trilha se transformou numa grande enxurrada com a água que descia do alto da montanha. A descida prometia ser difícil e perigosa com tanta água na trilha.

Encontrei três membros do grupo de Ponta Grossa e parei para falar rapidamente com eles. Tinham decidido que continuariam a subida e acampariam no cume do Caratuva, mesmo com chuva. O restante do grupo tinha dado meia volta e desistido de acampar no cume. Me pediram para avisar os que desciam, que eles acampariam no Caratuva. Voltei a descer a montanha e logo encontrei o restante do grupo de Ponta Grossa. Dei o recado e resolvi descer junto com eles, pois era mais seguro do que descer sozinho. Durante boa parte da descida a chuva nos fez companhia. Conversamos um pouco e descobri que os quatro eram uma família, formados por pai, mãe, filho e nora. Acabei fazendo amizade com eles e na encruzilhada das placas, até tiramos foto juntos.

Walter, Berenice, Junior e sua esposa, formavam um grupo divertido e até o final da descida todos acabaram sofrendo ao menos uma queda. Sem querer acabei gravando a Berenice caindo próximo ao Getúlio. Eu tive uma queda daquelas bobas, quando meu pé direito tropeçou no meu pé esquerdo e caí de lado no mato. Fora o orgulho ferido, tive apenas um pequeno esfolado no cotovelo direito e uma mancha roxa enorme que surgiu no dia seguinte próximo ao cotovelo. Montanha sem queda, não é montanha…

Quase chegando na Fazenda Pico Paraná, a esposa do Junior (cujo nome não lembro) sofreu duas quedas em sequência. Ela ficou meio inconformada com isso, mas disse que as pernas não obedeciam mais…

Já na fazenda dei baixa na minha ficha de entrada, me despedi dos novos amigos pontagrossenses e mesmo molhado e enlameado, peguei o carro e resolvi partir antes de escurecer. A estrada que leva da Rodovia Régis Bitencourt até a Fazenda Pico Paraná, estava em péssimas condições e depois da chuva que tinha caído eu não queria passar por ela com o escuro da noite. Mesmo com chuva a viagem até Curitiba foi tranquila e apesar da frustação de mais uma vez só ver nuvens no cume do Caratuva, o bate e volta até a montanha foi válido.

Pouco mais de uma hora de subida.

No Getúlio.

Descanso no Getúlio.

A clássica foto nas plaquinhas.

Subida difícil.

A bela vista da represa.

Caixa de cume no Caratuva.

Marco geodésico no Caratuva.

No cume do Caratuva pela terceira vez.

O Itapiroca aparecendo entre nuvens.

Lanche no Caratuva.

Antenas no alto do Caratuva.

Na descida, com os amigos de Ponta Grossa.

Museu Ferroviário de Curitiba

Museu Ferroviário de Curitiba fica na antiga Estação Ferroviária de Curitiba, localizada dentro do Shopping Estação. O prédio da estação foi inaugurado em 1885, e fazia parte da Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá até o ano de 1972, quando foi inaugurada a Estação Rodoferroviária de Curitiba.

Aberto em 1982 o Museu Ferroviário de Curitiba contribui para a preservação da memória do sistema ferroviário do estado. Em seu acervo há mais de 600 peças históricas, como uma locomotiva do século XX, um vagão dormitório que foi utilizado pelo ex-presidente Getúlio Vargas e várias fotos que contam a história da construção da ferrovia e como seu desenvolvimento foi importante para a capital paranaense.

No museu ainda estão o guichê original em uma réplica do salão de passageiros, a plataforma de embarque com a “Maria Fumaça”, uma reconstrução da sala de telégrafos, livros, relógios, telefones, objetos que ficavam no interior das locomotivas e um painel que conta um pouco mais a história dos Engenheiros Antônio e André Rebouças. Os irmãos são considerados os primeiros engenheiros negros do Brasil.

 

 

 

Régua de 1970

Ganhei do meu irmão, uma régua calendário da Shell de 1970. Tal régua mesmo sendo antiga, se tornou mais interesssante em razão de 1970 ser o ano em que nasci. Na régua é bem visível o mês de abril e o dia 4, dia e mês que nasci. Ela vai ficar bem guardada, como uma recordação e registro histórico.

Sábado, dia 4, nasci às 14 horas.

Morte do João Carreiro

Faleceu durante uma cirurgia de coração, o cantor João Carreiro. A dupla João Carreiro & Capataz cantava uma de minhas músicas sertanejas favoritas, “Prefácio”. O clipe dessa música é muito bonito e foi gravado em 2013 na cidade de Antonina, que fica aqui no litoral do Paraná. Nos últimos anos sempre que ouvia ou cantava essa música, me lembrava de uma certa guria, mas nunca contei a ela que tal música me fazia lembrar dela…

Visitando a RPC Globo em Maringá

Hoje passei o dia em Maringá e aproveitei para passar na RPC Globo e deixar alguns presentes para a campanha de Natal que estão promovendo. Fui recebido pelo cinegrafista André Volochen, que me convidou para conhecer a RPC. Com ele visitei quase toda a RPC e conheci muitas pessoas que lá trabalham. Foi uma visita bastante agradável…

Vander e André.

Com as apresentadoras do Meio-Dia Paraná, Natalia Garay e Anelize Camargo

 

23 horas, 23 perrengues…

Sempre acontecem perrengues em minhas viagens, independente de que tipo de viagem eu faça. Nas minhas viagens acontecem problemas que parecem só acontecer comigo e com mais ninguém. Já até me acostumei a isso e raramente me estresso com os perrengues, pois aprendi que em viagens os problemas são resolvidos mais facilmente quando ficamos calmos e conseguimos raciocinar de uma forma clara.

Certa vez conversando com minha amiga Angela, sobre perrengues, e depois de ela ler meus livros e conhecer os muitos perrengues que já passei em minhas viagens pelo mundo… Ela contou que é igual a mim, que sempre que viaja perrengues acontecem aos montes. E a partir dessa conversa surgiu a curiosidade de saber como seria dois mestres do perrengue viajando juntos. Será que um “perrenguento” anularia os perrengues do outro “perrenguento”? Ou os perrengues se somariam e a viagem se tornaria um caos? A dúvida para essa pergunta descobriríamos no dia que desse certo de viajarmos juntos. E esse dia chegou no feriado de 15 de novembro, quando convidei a Angela para me acompanhar numa viagem bate e volta até a Argentina e Paraguai, para buscar muamba.

A Angela é uma moça fina, que faz viagens finas e que já esteve no Paraguai fazendo compras, mas nunca no esquema “muambeiro”, atravessando a Ponte da Amizade a pé, sob um sol escaldante. Quando fiz o convite deixei claro para ela que a viagem seria um “programa de índio” e mesmo assim ela topou o desafio. No fim a viagem foi mais que um “programa de índio”, ela foi um “programa de uma tribo inteira”. Aconteceram coisas que até nós duvidamos. E descobrimos que juntos devemos ter batido o recorde mundial de perrengues num mesmo dia. A Angela anotou muitos desses perrengues e conta sobre alguns no texto logo mais abaixo. Apesar de tudo voltamos para casa sãos, salvos e inteiros, mas com horas de atraso na viagem e com dor nas mandíbulas de tanto rir. Nessa viagem descobrimos mais uma cosia em comum que temos, que é não se estressar – ao menos tentar – com os problemas e rir deles. Rimos demais e esse bate e volta até a Argentina e o Paraguai, acabou sendo uma viagem inesquecível justamente pela enorme quantidade de perrengues que tivemos.

No dia seguinte a viagem, após estarmos em nossa cidade dando expediente em nossos trabalhos, a Angela me perguntou pelo WhatsApp qual foi o momento da viagem em que ela perdeu sua dignidade. Respondi sem pestanejar que foi no momento em que ela atravessou a Ponte da Amizade a pé…

 

**Texto: Angela Colombo

Algo em comum é primordial para aproximar pessoas, se grupos se reúnem são porque integrantes gostam de uma mesma atividade, e se eu e o Vander temos algo em comum, é gostar de viajar. Nossa primeira viagem juntos vai ficar marcada em nossas memórias, pois além de especial, divertida e perrenguenta, também foi duplamente internacional. Os opostos não se atraem, os dispostos realizam experiências memoráveis.

Os bons momentos dependem muito mais da nossa própria vontade em aproveitar as oportunidades que a vida oferece, transformando cada ação em uma experiência única… Muitos terão preguiça de acordar cedo para ver o sol nascer, outros não terão disposição de caminhar até o topo da montanha para contemplar a paisagem, mas a recompensa só será garantida para quem for atrás…

Ponto para a pontualidade! E aqui começa nossa jornada… E ainda que o mocinho chegou pela contramão da direção, seguimos aproveitando cada quilômetro para revelar segredos, desabafar mágoas e dividir sonhos…

23 horas de convivência, 23 horas de “programa de índio” até parecia uma profecia… 23 horas de gostinho de quero mais, 23 horas de que bom que eu aceitei, 23 horas e deu tudo certo!

Minhas viagens sempre costumam ter imprevistos que sempre foram solucionados – geram estresse? Sim! Mas é melhor me estressar viajando do que em casa – mas um dia ao ler, Caminho de Santiago de Compostela, disse ao meu autor favorito que: “nós dois viajando juntos seria perrengue atrás de perrengue” e ele ciente dessa afirmação ousou me convidar e sentir na pele a alegria de estrear perrengues comigo…

Viajar é altamente enriquecedor, independente do destino, a sua responsabilidade é observar e aprender, é buscar lições… e tudo começou com um símbolo no painel do carro, para mim era um sinal de exclamação espanhol de cor amarela, mas esse símbolo no painel do carro revela que o pneu está murchando…

E dito e feito, começou a peregrinação em busca aos calibradores de pneus. A estratégia era ir em um mercado fazer compras, depois parar num posto de gasolina e calibrar o pneu, e assim sucessivamente até encerrar as compras do lado argentino e encontrar uma borracharia, mas fomos parados na fiscalização da Receita Federal. Lógico que fomos cadastrados. Claro! Carro cheio, pesado, pneu esvaziando… Vinte minutos de fila… Metaforicamente é como se as mágoas e histórias tristes desabafadas estivessem sendo “esvaziadas, expulsadas, vomitadas através do ar do pneus” o peso do carro seria a nova “bagagem, a nova história” o tempo na fila necessário para exercer nossa paciência que aliás foi acompanhada de muita gargalhada…

Serviços de emergência são imprescindíveis e olha que interessante a junção do serviço tão antigo do borracheiro com o moderno sistema de pesquisa do Google Maps. Depois de algumas vezes calibrando o pneu dianteiro do lado do passageiro o Vander localizou um parafuso, então pesquisamos no celular e encontramos o serviço de borracheiro 24 horas, e pagando 20 reais o pneu novinho foi remendado e seguimos viagem para o Paraguai… Agora estávamos mais tranquilos porque o sinal do painel tinha apagado… Aprendi uma lição, que pneu novo atrai prego/parafuso, o Vander tinha recém trocado os quatro pneus do carro dele!

Mal sabíamos que nossa reputação de perrengueiros estava apenas começando, e, agora iniciaria um efeito dominó que só vivendo é possível acreditar, perdemos várias vezes o sinal do Google Maps e assim nos perdermos e nos encontramos, mas algo que aprendi nessa viagem foi ser conduzida por ele – de olhos fechados – a capacidade que ele tem de se localizar é impressionantemente admirável… Com o carro devidamente estacionado, tomamos todas as medidas de segurança, acionamos o aplicativo Strava e seguimos rumo a famosa Ponte da Amizade… “Ei Angela, cadê a chave do carro? Vander não está comigo! – eu penso: não lembro de ter visto ele acionar o alarme – olho pra ele examinando o terceiro de seis bolsos da calça operacional dele e saio andando em direção ao carro pensando que a chave vai estar na ignição – meus vinhos estão dentro do carro dele – Corre Vander vamos lá no estacionamento… Ele vem andando atrás de mim, a gente ri, mas é de nervoso, ele abre a porta do carro e tira a chave da ignição…. Tenho certeza que se ele fosse de falar palavrão tinha soltado aos menos dois ali… Foi uma mistura de “não creio” com “como assim?” Ele é inteligente, atraente, carismático e acabou se distraindo conversando comigo e esqueceu a chave na ignição com o carro estacionado a menos de um quilometro da fronteira com o Paraguai. Mas tudo resolvido!

Eu tinha tomado meus remédios e vi ele tomando os dele… Inacreditável… Mas seguimos sob o sol, minha primeira vez cruzando a ponte a pé foi no esquema “boi no rio com piranha”… Ciudad del Leste o que dizer desse lugar? Caótico, muito óbvio! Mas enfim… Segui os passos do Vander, olhava a nuca dele e o suor escorria… Lembrava do parafuso no pneu e agradecia termos encontrado serviço 24 horas de borracharia… E inevitavelmente ria lembrando dele procurando a chave do carro nos seis bolsos da calça… O sol batia no asfalto e subia um mormaço, a temperatura estava quente… Eu queria um banho…

23 horas em três países, 23 horas de transparência e sinceridade, 23 horas transpirando feito maratonistas profissionais, 23 horas intensas, 23 horas revelaram que assunto não se esgotam quando a conversa é agradável, 23 horas observando, aprendendo e compreendo quem ele é…

Depois de sair do Paraguai, paramos num shopping center de rico em Foz do Iguaçu. O shopping estava lindo com decoração natalina e a melhor parte foi quando fui abordada por uma senhorinha pedindo ajuda com vinhos, me senti toda importante. O Vander empurrando o carrinho e a fiscal o parou perguntando se ele tinha pagado as caixas de cerveja que levava consigo. Eu não sei se a gente estava com cara de pobre, muambeiro ou com as vestimentas desalinhadas, meu cabelo parecendo que tinha acabado de sair da academia, ou se tal pergunta é um protocolo de praxe do estabelecimento. Não vou procurar saber também… Mas caloteiros não somos!

Mas culpar o Google Maps é fácil, a culpa é do aplicativo, o sinal está ruim, mas o que dizer quando se deixa o carro no estacionamento G3 do shopping, desce no G2 e quer insistir em encontrar o carro? É sério? Quando um imprevisto acontece é plausível, não há nada para comentar, mas eu e Vander tivemos tantos que chega virar piada e sabe que embora e lamentavelmente tenha tido o prejuízo financeiro a gente riu de doer a barriga… Enquanto ele procurava o carro no G2 – e nunca encontraria – eu pagava o estacionamento que tinha esquecido de pagar – fiquei com o ticket na mão, papel foi suando, entreguei pra ele e ao passar no código de barras o leitor não leu – leitor analfabeto – um carro estacionou atrás de nós – vai leitor – uma moto atrás do carro que estava atrás de nós, segurança do estacionamento se aproxima e Vander me pergunta: “você pegou o comprovante que pagou?” Eu respondo dando risada: “não”! Outro carro atrás da moto. Segurança olha pra nós, Vander olha para o segurança e diz “eu paguei!”, enfim a cancela sobe… Fazia tempo que não me divertia tanto como nesse dia…

Um dia li sobre a Lei de Murphy, não penso que ela se encaixa em nossa viagem, mas a verdade é que nunca, até hoje, escutei alguém contar que viajou e o pneu furou duas vezes… Pois é! É raro mais acontece! Na viagem de volta para casa, já quase no meio do caminho, seguíamos em uma conversa mais íntima, e ele solta um palavrão, o pensamento veio na velocidade da luz: “o Vander falando palavrão, algo de errado não está certo”! Vander disse que o símbolo de pneu esvaziando novamente apareceu no painel! Paramos em Medianeira e ele tentou entrar em contato com a seguradora, vi que foi o primeiro momento que realmente ficou irritado e desapontado! Eu consegui encontrar um borracheiro 24 horas – que serviço essencialmente útil – e lá vamos nós seguindo para um lugar desconhecido onde iríamos depositar toda confiança no trabalho de um borracheiro para seguir nossa viagem! Esse momento estávamos cansados e lidar com mais uma borracharia não era nada que queríamos, mas tudo bem! Encontramos o lugar, o borracheiro arrumou o pneu, mas, pasme! A luz do painel continuava acessa! Um segundo parafuso de rosca infinita no pneu traseiro do lado do motorista – efeito Vander! Nós dois juntos somos imparáveis! Pra que homem bomba? Um segundo pneu remendado…

Teve um momento que realmente acreditei na promessa que ele ia me mandar voltar de ônibus, porque depois que ele passou com o farol apagado no posto da Polícia Rodoviária Federal que já tinha multado ele em um viagem passada, eu falei que era minha vez de conduzir o carro, ele aceitou, e estava tudo bem, e pra fechar a última hora de viagem eu passei acima da velocidade permitida em um radar…Vander sendo Vander e Angela sendo Vander!

23 horas que não voltam mais e que ficaram no passado mas que foram vividas intensamente, 23 horas que deixam recordações que valem a pena serem relembradas e por isso foram fotografadas, filmadas e agora escritas, gratidão por proporcionar 23 horas, 23 perrengues…

O primeiro furo… Foz do Iguaçu – PR.

Rindo para não chorar…

Angela em frente a sua loja…

Vida de muambeiro…

Ciudad del Este.

Perdendo a dignidade…

Refazendo o remendo do primeiro furo e descobrindo o segundo furo… Medianeira – PR.

Concurso de Fotografia Imagens da Cidade – Edição 2023

Esse ano participei mais uma vez do Concurso de Fotografia Imagens da Cidade, promovido pela Fundação Cultural de Campo Mourão. Diferente do ano passado quando fui premiado em terceiro lugar, esse ano fiquei de fora da lista de vencedores.

Abaixo as fotos que enviei para o o concurso:

Catedral na chuva.

A roda que é gigante…

Reforma do Ônibus 142 – Parte 4

Quando o ônibus 142 foi retirado de helicóptero da Stampede Trail pela Guarda Aérea Nacional do Exército, foram feitos buracos no piso e no teto para fixação ao chassi. Esses buracos foram reparados pelos conservadores recolocando os componentes originais.

A Guarda Aérea Nacional do Exército fez grandes buracos no teto e no chão para apoiar com segurança a estrutura do ônibus 142 ao sair da Stampede Trail de helicóptero. Equipe de conservação B.R. Howard recolocou os painéis do telhado soldando ou usando parafusos conforme apropriado, tomando cuidado para não obscurecer nenhum grafiti, que foi preservado.

Os poços das rodas foram parcialmente cortados quando a Guarda Aérea Nacional do Exército removeu o ônibus da Stampede Trail em 2020. Conservadores do B.R. Howard soldaram essas peças novamente para restaurar a aparência visual e manter o grafiti. Embora o principal objetivo da conservação continue sendo a preservação, é necessário reformar este componente do ônibus para encerrar e proteger o interior. Embora esta recolocação do componente original não seja tecnicamente reversível como a maioria dos trabalhos de conservação, a continuidade visual foi mantida. Os conservadores pintaram a costura soldada para que combinasse com a aparência geral.

Os itens menores que compõem o restante da coleção do Ônibus 142 foram submetidos a uma limpeza superficial mínima e foram quase completamente catalogados, fotografados e alojados em caixas de arquivo personalizadas. O fogão a lenha e as estruturas da cama foram aspirados, o excesso de ferrugem acumulado foi escovado e uma camada protetora consolidante foi aplicada. Componentes soltos e destacados foram fixados com suportes fabricados sob medida, principalmente, os furos feitos no telhado e no piso que ocorreram durante sua retirada do campo, bem como o reparo da tubulação do fogão barril e degraus de entrada. A remediação através de montagens anexas foi determinada através de consulta à equipe de assessoria interpretativa.

O fogão a lenha estava muito enferrujado e continuaria a deteriorar-se se não fosse abordado pela equipa de conservação B.R. Howard. Depois que os conservadores examinaram o conteúdo do fogão, um estudante assistente de curadoria do museu e gerente de projeto escovou a superfície para se preparar para a aplicação de uma camada protetora de consolidante, para retardar o processo de ferrugem. Os conservadores também substituíram o tubo enferrujado do fogão e recolocaram a tampa do lado de fora, reparando o buraco para estabilidade estrutural e para impedir a entrada de outros agentes de deterioração, como pragas e umidade. O fogão foi colocado de volta dentro do ônibus onde estava originalmente localizado.

As duas camas dentro do ônibus 142 consistem em uma cama de tamanho normal, box spring e colchão, bem como uma cama de solteiro com molas. As estruturas da cama e o box spring foram aspirados para remover o excesso de sujeira e fibras, e foram pulverizados com uma camada protetora para retardar a descamação da tinta e a ferrugem do metal. O colchão grande estava muito sujo e sofreu grandes danos causados ​​por insetos e pragas depois de décadas na Stampede Trail. Para evitar maiores danos, foi guardado no acervo do museu.

O ônibus 142 veio com mais de 200 itens em seu interior, todos catalogados na coleção Etnologia e História.

Os conservadores conseguiram e reduziram a corrosão ativa utilizando ferramentas manuais. Os tratamentos apropriados foram determinados para incluir Paraloid B-48N e B-72. As camadas de pintura internas e externas foram consolidadas e estabilizadas usando materiais reversíveis para evitar mais descamação, formação de tendas e perdas adicionais. Foi utilizado um consolidante transparente e não amarelado Paraloid B-72. Como o grafite na superfície é considerado um componente significativo da história do ônibus, todas as opções de tratamento foram ajustadas e modificadas de forma a evitar danos e não limitar a legibilidade.

A superfície externa do ônibus foi pintada em três camadas: uma camada base de verde Exército, seguida de amarelo para ônibus escolar, e uma camada superior de verde brilhante e branco para o Fairbanks City Transit System. Devido a anos de exposição na Stampede Trail, pichações e buracos de bala, a tinta estava descascando e descascando em muitas áreas, resultando em perdas. Os conservadores usaram Paraloid B-72 e um ferro de aderência para colar grandes flocos de tinta e revestiram toda a superfície para evitar mais descascamento.

Muitas áreas do ônibus 142 estavam fortemente enferrujadas devido a anos de exposição na Stampede Trail. Para tratar a ferrugem, os conservadores esfregaram a superfície usando uma variedade de ferramentas manuais, removendo a camada superior de pó de óxido de ferro para que uma camada protetora de Acryloid B-48N pudesse ser aplicada para retardar o processo de oxidação e preservar o metal abaixo.

O cuidado de longo prazo do Ônibus 142 é de grande importância para nossa equipe curatorial e essencial para a viabilidade contínua da exposição ao ar livre. Os conservadores fornecerão um conjunto de diretrizes de monitoramento de longo prazo. Pesquisas de condição semanais, mensais, semestrais e anuais serão programadas em nossa carga de trabalho para monitorar tratamentos e reparos e determinar se alguns tratamentos podem ser repetidos. Como o Ônibus 142 será exposto ao ar livre, o revestimento protetor aplicado pela B.R. Howard será monitorado e avaliado seguindo as diretrizes de cuidados contínuos estabelecidas em seu plano de tratamento de conservação.

Treinar estudantes da UAF em cuidados com coleções e ciência de materiais foi um objetivo complementar deste projeto. Os alunos auxiliaram os conservadores e o gerente de projetos na documentação, estabilização prática e catalogação da coleção do ônibus 142.

IMAGENS: Museum of the North

Palestra com Lars Grael

Estive participando da Empreende Week em Campo Mourão. Assisti a paletra do velejador e duas vezes medalhista olímpico Lars Grael. A palestra foi muito boa e teve algumas partes emocionantes, quando o Lars Grael conta sobre quando foi atropelado por uma lancha e perdeu uma perna. A história de sua recuperação, a volta as competições e suas vistórias depois disso, são uma grande lição de vida.

Reforma do Ônibus 142 – Parte 3

As portas foram reparadas e todas as vedações e janelas foram totalmente substituídas, a fim de fechar o ônibus e evitar a infiltração de chuvas e animais, além de reduzir a possibilidade de mais vandalismo. A maioria das janelas estava quebrada ou gravemente rachada antes de chegar à UAMN. Os caixilhos das janelas foram retirados, cada um exigindo a retirada de 12 parafusos. O vidro foi substituído pelas molduras originais através de uma generosa doação da Frontier Glass. Isto envolve e protege o interior do ônibus contra deterioração adicional.

As portas do lado do passageiro foram severamente danificadas pelo uso e tentativas anteriores de reparos no mecanismo, além de vidros quebrados e faltantes e ferrugem. Depois que o vidro doado da Frontier Glass foi instalado, os conservadores consertaram as dobradiças para que as portas pudessem abrir e fechar totalmente, vedando o ônibus contra mais precipitações e danos causados ​​por pragas.

A vedação da porta traseira do ônibus estava completamente apodrecida e impedia o fechamento total da porta. Os conservadores substituíram a vedação para impedir a entrada de precipitação e permitir o fechamento da porta, o que evitará ainda mais danos causados ​​por pragas.

Os buracos de bala foram suavizados limando, achatando ou rebarbando levemente as bordas. Alguns preenchimentos e coberturas ajudaram a combinar as superfícies adjacentes e evitar danos contínuos causados ​​por precipitação e pragas. Isto foi especialmente importante para a icónica área “142” estampada acima da janela do lado do condutor, que foi fortemente danificada por buracos de bala. O icônico 142 pintado no lado do motorista do ônibus foi severamente danificado por tiros e anos de precipitação na Stampede Trail. Para proteger o ônibus de pragas e ferrugem, uma camada de chapa metálica foi colocada sobre a área, cobrindo os danos por fora e permitindo que os buracos permanecessem visíveis por dentro. Os conservadores repintaram o 142 usando fotos de referência antes dos danos sofridos.

A parede traseira do ônibus possui uma quantidade significativa de pichações que foram importantes para proteção contra agentes de deterioração atuais e futuros. Essa mesma parede sofreu grandes danos causados ​​​​pela água na parte inferior e enferrujou alguns centímetros do metal. Para vedar totalmente o ônibus e reduzir ainda mais a deterioração climática e as pragas (dois dos dez agentes de deterioração), a parte inferior da parede foi recriada com fibra de vidro. Todo o painel, que tem anos de pichações de viajantes, foi então revestido com uma camada protetora para retardar novas perdas. A fibra de vidro foi pintada para combinar com o ambiente depois de reinstalada.

O ônibus 142 apresentava muitos buracos causados ​​por tiros, ferrugem e vandalismo. Esses buracos permitiram que agentes de deterioração, como precipitações e pragas, aumentassem a velocidade de deterioração do ônibus. Para retardar esse processo, os conservadores selaram todos os buracos usando vários métodos. Isso incluiu a aplicação de uma cobertura de plexiglass, espuma em spray, metal, fibra de vidro e calafetagem, conforme apropriado.

IMAGENS: Museum of the North

Castelo dos Arautos do Evangelho – Maringá

Os Arautos do Evangelho, foram fundados em 1999 por João Clá Dias, braço direito de Plínio Corrêa, na antiga Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, a famosa TFP — o grupo católico ultrarreacionário e anticomunista que teve papel importante no golpe de 1964 e na defesa da ditadura militar.

Os Arautos do Evangelho são uma Associação Internacional de Fiéis de Direito Pontifício, aprovado pelo Vaticano em 2001. As suas atividades em Maringá iniciaram em 2002, em uma casa alugada na Zona 7. Após alguns anos de trabalho com projetos sociais para jovens, os religiosos se mudaram para Londrina. Passaram-se poucos anos e regressaram para Maringá, onde se instalaram em uma casa que ficava na Rua Monteiro Lobato. Algum tempo depois se mudaram para o bairro Borba Gato, onde trabalharam durante oito anos. Em seguida Maringá foi escolhida para a construção de um mosteiro. Em 2017 começou a construção do mosteiro (conhecido por Castelo) e em 2018 se instalaram definitivamente no local.

O mosteiro (Castelo) dos Arautos do Evangelho, que começou a ser construído em 2017, possui 3.343 metros quadrados e 38 metros de altura e foi projetada pelo arquiteto Daniel Souza. Os Arautos do Evangelho, são uma sociedade hoje presente em 78 países com suas vestes militares medievais.

Os Arautos do Evangelho em Maringá, estão localizados na Estrada Morangueira, número 3.140, no Parque Industrial. O horário de visitação é somente aos domingos, entre 14h30 e 16h45.

SITE: https://maringa.arautos.org

Caminhada na Natureza – Maringá

Hoje foi dia de madrugar, pegar a estrada e viajar 100 quilômetros até Maringá, para participar de uma caminhada. A Caminhada Internacional na Natureza – Circuito Águas do Pirapó, tinha cerca de 1.200 participantes. Após o aquecimento iniciamos a caminhada com dois guias na frente, para indicar o caminho. Mas os guias estavam meio perdidos e erraram a trilha. Daí foi a maior confusão para o pessoal dar meia volta e seguir pela trilha certa. Aqui ficou valendo aquela máxima de que os últimos serão os primeiros, pois quem estava no início da fila de caminhantes acabou ficando por último. Eu como estava no meio, não mudou muita coisa.

A caminhada foi de 12 quilômetros e passamos por alguns lugares bonitos, com bastante verde. E também teve algumas subidas, sendo que a última exigiu bastante dos caminhantes. Quando passei por ela vi muita gente sentada na beira do caminho com a língua de fora. Nos metros finais da caminhada passamos pelo Castelo dos Arautos do Evangelho, uma construção enorme e muito bonita. Não pudemos visitas o interior do Castelo, só nos foi permitido visitar a parte externa e a capela que fica dentro do Castelo. Achei o lugar bem interessante.

Vander, Lu, Tefa e Alemão.

Reforma do Ônibus 142 – Parte 2

Dentro do ônibus, as camadas do piso estavam deterioradas e irreparáveis. Buracos abertos no chão e no teto para acomodar a remoção do ônibus da Stampede Trail pela Guarda Aérea Nacional do Exército, exigiram soldagem para reinstalar esses elementos. As camadas de pintura externa contam a história do ônibus, começando com o verde militar original, depois o amarelo do ônibus escolar e, finalmente, uma combinação de verde brilhante e branco para o Fairbanks City Transit System. Essas camadas de tinta estavam desaparecendo de forma irregular, parcialmente devido ao ângulo de exposição ao sol e ao vento no local da Stampede Trail e parcialmente devido à intervenção humana. O grafite cobria a pintura em algumas áreas enquanto cortava o metal em outras partes, e o crescimento biológico cobria a calha de chuva acima das janelas laterais.

O American Conservation Institute define conservação como ações tomadas para a preservação a longo prazo do patrimônio cultural. As atividades incluem exames, documentação, tratamento e cuidados preventivos, apoiados por pesquisa e educação. Para o projeto de conservação do Ônibus 142, isto consistiu principalmente em retardar ou interromper o progresso dos dez agentes de deterioração. Conservadores de B.R. Howard, uma equipe de conservação reconhecida nacionalmente, visitou Fairbanks por vários dias para fazer uma avaliação das condições no local durante o verão de 2021 e concluiu o trabalho de conservação no Ônibus 142 entre janeiro e abril de 2023. Esta equipe fez esforços há muito esperados para garantir o integridade histórica do ônibus (incluindo décadas de pichações) e danos estruturais reparados resultantes de idade, vandalismo e remoção do ônibus da Stampede Trail.

O primeiro grande passo foi a limpeza de todas as superfícies. Isto foi feito com aspiração e limpeza úmida conforme apropriado, dependendo da estabilidade. O crescimento biológico, a sujeira superficial e os poluentes transportados pelo ar nas superfícies externas pintadas foram removidos cuidadosamente para não alterar ou danificar as camadas históricas de tinta. A superfície externa do ônibus, devido aos seus 59 anos de vida na Stampede Trail, continha uma variedade de produtos biológicos crescendo – principalmente líquenes e mofo. Esses tipos de organismos são considerados “pragas” quando aderidos a um objeto, que é um dos dez agentes de deterioração. Estas são as principais ameaças aos itens do património cultural contra as quais os museus trabalham, pois aceleram o processo natural de degradação dos itens. O líquen já afetou a tinta subjacente, corroendo-a lentamente, expondo o metal abaixo. Os conservadores removeram-no suavemente com água.

A fita adesiva foi aplicada no teto do ônibus quando ele foi removido da Stampede Trail pela Guarda Aérea Nacional do Exército em 2020. O adesivo ácido da fita danificou a superfície e a pintura do ônibus. Os conservadores Howard removeram a fita adesiva usando xileno, que retirou facilmente o adesivo, mas não afetou a pintura.

Muitos visitantes perguntam se o ônibus foi levado até seu local na Stampede Trail. Porém, o motor do ônibus 142 foi retirado antes de ser um dos dois ônibus que foram rebocados para a trilha pela família Mariner em 1961 para usar como moradia durante o projeto de melhoria da trilha. O compartimento do motor foi usado como espaço de armazenamento coberto por condutores de cães, caçadores e caçadores que visitavam o ônibus durante décadas. As paredes internas estavam cobertas de sujeira e graxa, altamente ácida e corrosiva. Conservadores de B.R. Howard passou dias dentro do compartimento removendo as camadas de resíduos corrosivos e adicionando uma camada protetora que retardaria quaisquer outros agentes de deterioração.

As rodas do ônibus são um componente essencial da narrativa para a eventual exposição. A razão pela qual o ônibus foi deixado na Stampede Trail foi porque a roda dianteira do lado do motorista se soltou do cubo, impedindo que o ônibus fosse facilmente rebocado de volta para Fairbanks. Depois de levantar o ônibus em macacos, os conservadores da B.R. Howard removeu as rodas para limpar a sujeira acumulada ao redor e dentro dos cubos. Eles então aplicaram uma camada protetora no metal e nas superfícies pintadas.

O chassi do ônibus estava fortemente coberto de sujeira da Stampede Trail. Conservadores de B.R. Howard passou dias esfregando o material rodante para aplicar uma camada protetora para retardar a ferrugem da estrutura de base.

O piso interior foi totalmente removido para estabilizar completamente o substrato de aço. O primeiro degrau da escada lateral do passageiro estava totalmente apodrecido, necessitando de substituição e estabilização para preservar sua aparência e proporcionar acesso seguro ao ônibus para as gerações futuras. O ônibus possui uma camada de base estrutural metálica, que foi coberta por uma camada de compensado que foi delaminado por anos de exposição às intempéries. Além disso, havia uma camada de vinil branco, uma camada de linóleo vermelho e uma camada de carpete, todas em ruínas. Infelizmente, nenhuma das camadas pôde ser recuperada, então os conservadores cortaram uma seção de 30 x 30 centímetros para preservar o conhecimento histórico e removeram o resto. A camada base de metal estava muito enferrujada e tinha muitos buracos e problemas estruturais, que foram remendados com metal de reposição e fibra de vidro, revestido com paralóide B-48N para evitar mais ferrugem. Uma camada de papel de alcatrão serve como barreira de vapor, sobre a qual colocaram novo compensado para maior resistência, seguido de novo linóleo para combinar com o piso original. Isto proporciona a estabilidade estrutural necessária para futuros visitantes do ônibus.

Como resultado de anos de uso e precipitação, o degrau de entrada inferior foi fortemente danificado e apresentava um grande buraco. O degrau foi construído com duas camadas: uma base de aço e uma placa de piso texturizada. Por segurança, o degrau foi removido e uma réplica da base de aço foi fabricada pela Facilities Services e instalada pela equipe de conservação. A placa de piso original foi reparada com fibra de vidro e reinstalada no topo do novo degrau estabilizado, preservando a aparência original do degrau e garantindo segurança e estabilidade aos futuros visitantes. O degrau de base de aço original foi catalogado na coleção do museu.

IMAGENS: Museum of the North

Valorização do município de Campo Mourão nas mídias sociais

*Texto de Vitória Almeida (Curso de Turismo – Unespar)

O município de Campo Mourão tem potencial e influência pela região que se situa, entretanto, é importante que uma divulgação da cidade seja feita e registrada para que possa alcançar mais pessoas que não precisam ser necessariamente da região. Com isso, além de possuir o potencial para atrair mais pessoas, também mostra um lado do cidadão mourãoense valorizando seu município. Com essa perspectiva, temos o site “Histórias, viagens e bobagens…”, criado por Vander Dissenha, um residente apaixonando por Campo Mourão onde ele faz o uso do próprio site para enaltecer, contar histórias de sua infância, suas primeiras experiências e compartilhar alguns atrativos que o município possui. O mourãoense sempre deixa muito explícito em suas postagens o orgulho da sua história em Campo Mourão. Os relatos são muito pessoais e nota-se muito amor nas palavras utilizadas. Em uma experiência que ele relata ao retornar quarenta anos depois ao local onde ele nasceu, algumas mudanças no local e o quanto aquela esquina emociona e traz memórias afetivas, em seus próprios questionamentos ele se pergunta qual seria o porquê dele ter nascido exatamente naquele lugar, percebendo que não havia respostas para isso, o criador do site deixa claro sua gratidão por ter sido exatamente como e onde foi “se pudesse escolher possivelmente escolheria a mesma esquina onde nasci e a mesma família em que nasci. Tenho orgulho de ser do interior do Paraná, pé vermelho de Campo Mourão […]”. Ademais, em uma publicação feita em 2009 por Vander, uma foto do time de futebol de Campo Mourão de 1976, onde na época foi o único esporte que Campo Mourão recebeu medalha de ouro, destaca-se que muitas pessoas que estão na foto fizeram parte da infância do autor e deixa um espaço de registros de acesso de aspecto socioculturais do município, a partir do momento que o site traz registros antigos, de certa maneira, mesmo indiretamente ele se transforma em um diretório de referências históricas da sociedade de Campo Mourão. O site é um lugar muito rico nesse aspecto histórico cultural da visão de um morador local, não só Campo Mourão, mas o autor também fala sobre outros municípios da região e as experiências internacionais. Com base nisso, estas observações vêm de encontro com o que foi iniciado pelo autor do quadro das Andorinhas, anteriormente citado neste trabalho, quando se nota a importância de criar memórias afetivas com os residentes de um município e a valorização dos aspectos que o torna único ou o destaca dos demais. Ou seja, quando se pensa em aprimorar a cidade para receber mais turistas, temos que priorizar quem sempre esteve aqui, pois é com base nessas pessoas que podemos avaliar se nosso município é hospitaleiro o suficiente e se vai marcar a vida das pessoas de forma positiva então torna-la legível, valorizada, única, acolhedora e que tenha esse cuidado com os residentes é fazer nossa cidade ganhar destaque e lugar eterno na vida das pessoas sendo de forma digital, física ou nas memórias afetivas de quem um dia viveu ali. Portanto, a criação digital de memórias afetivas e históricas da cidade é um conteúdo muito rico e agregador, os lugares mudam o tempo todo e ter esses registros em um site com a experiência de um morador local é muito interessante ter essas referências fazendo jus as considerações referentes a criação de meios para preservar a identidade de um local e proporcionar memórias nas pessoas até porque existem segmentos associados a história cultural e patrimônios que o turismo possui pelo turismo cultural, isso também é um meio de complementar a compreensão da sociedade a partir de segmentações como é o caso do turismo cultural e patrimônio histórico.

*Esse texto é parte de um trabalho insterdisciplinar sobre os elementos socioculturais de Campo Mourão – Paraná, apresentado no curso de Turismo da Unespar, campus de Campo Mourão.   

Vitória Almeida

15 anos do Blog

Hoje o blog está comemorando quinze anos de sua criação. Confesso que ao criar o blog, não imaginava que ele pudesse durar tanto tempo. Achava que a exemplo do primeiro Blog que criei, esse não duraria um ano. Mas felizmente me enganei e aqui estamos comemorando os quinze anos de sua existência.

E nesses quinze anos muita coisa boa e ruim aconteceu, felizmente mais coisas boas. Como todo mundo, tive altos e baixos na vida. E na pior fase da minha vida, o blog serviu como terapia. Muitas postagens dessa fase difícil, acabei excluindo e isso é algo que me arrependo.

Nos primeiros anos o Blog teve seu auge, com milhares de visualizações mensais. Nessa época o Facebook, Instagram e YouTube ainda estava engatinhando, então os blogues eram mais acessados do que são hoje em dia. Nossas postagens foram acessadas em quase todos os países do mundo e através delas fiz muitas amizades. E também ajudei muita gente através do Blog, sendo que a ajuda que considero mais importante foi a uma adolescente do interior de São Paulo, que estava com planos de se suicidar. Após ler uma postagem no Blog, ela entrou em contato comigo e trocamos muitas mensagens. Ela acabou desistindo de seu plano suicida e contou seu problema para sua mãe e foi em busca de ajuda médica. Só por esse caso já valeu a pena ter criado o Blog, pois salvar uma vida é algo que não tem preço.

Teve períodos em que fazia postagens diárias aqui no Blog, mas atualmente as postagens são esporádicas. Isso não significa que tenho menos interesse no Blog, mas sim que tenho menos tempo para me dedicar a ele. Independente de fazer poucas postagens atualmente, o seu acervo de postagens é imenso e não faltam assuntos interessantes para serem lidos aqui.

Não sei dizer se o Blog vai ficar ativo por mais um ano ou mais quinze anos. Só sei dizer que enquanto ainda sentir um pouco de prazer em manter o Blog no ar, assim o farei.

Reforma do Ônibus 142 – Parte 1

Após um longo tempo, finalmente as obras de conservação do Ônibus 142 estão concluídas. Ele ainda permanece no prédio de Engenharia do Campus da UAF – Universidade do Alasca, na cidade de Fairbanks. E em breve vai ocupar um local ao ar livre, possivelmente no Museu do Norte, onde ficará em exposição permanente.

A reforma do Ônibus 142 exigiu um complicado processo de equilibrar a preservação dos elementos existentes enquanto foram reparados e restaurados componentes perdidos. A conservação do Ônibus 142 ocorreu no Edifício de Aprendizagem e Inovação de Engenharia Joseph E. Usibelli, no Laboratório de Testes Estruturais da ConocoPhillips Alaska High Bay, de janeiro a abril de 2023, e foi visível pelo público a partir das janelas do 2º e 3º andares do edifício. Este trabalho foi possível graças a uma bolsa federal Save America’s Treasures, administrada pelo Instituto de Serviços de Museus e Bibliotecas, além do apoio de financiamento coletivo contínuo.

Quando o Museu do Norte adquiriu o Ônibus 142 em 2020, sob um acordo de repositório com o Estado do Alasca, ele tinha 74 anos e estava estacionado ao longo da Stampede Trail, no sopé norte da Cordilheira do Alasca, há mais de meio século. Devido a sua exposição às condições ambientais extremas do interior do Alasca, o Ônibus 142 estava fortemente deteriorado. Além disso, vandalismo direcionado na forma de tiros aparecem espalhado por grande parte do ônibus, resultando na perda de quase 100% dos vidros das janelas. Esses buracos de bala expuseram o metal descoberto ao ambiente hostil, acelerando a deterioração do aço, resultando em ferrugem generalizada.

IMAGENS: Museum of the North

Caminhada na Natureza – Engenheiro Beltrão

Após uma ausência de quase dez meses, voltei a participar de uma Caminhada Internacional na Natureza. O motivo de ter me afastado das caminhadas é que já participei de muitas, então repetir caminhada acabou ficando chato, pois em muitas cidades fui mais de uma vez caminhar. Nessa caminhada em Engenheiro Beltrão já fui duas ou três vezes, mas por ser uma caminhada que acho legal, em razão de se caminhar muito ao lado do rio Ivaí, resolvi participar mais uma vez.

A 8ª Caminhada Internacional na Natureza de Engenheiro Beltrão, na verdade foi realizada no distrito de Ivailândia, que pertence a Engenheiro Beltrão. Apesar de ser uma manhã de inverno, não estava frio e o sol brilhava forte no céu. Fui com alguns amigos, parceiros de muitas outras caminhadas. Nesse dia estávamos inspirados, pois conversamos muito, zoamos, rimos bastante. Foram pouco mais de quatro horas caminhando e quase não vimos o tempo passar de tão gostoso que foi.

Nas outras vezes que participei dessa caminhada, informavam que seriam dez quilômetros e sempre passava um pouco dos doze quilômetros. Dessa fez informaram que seria pouco mais de quatorze quilômetros e foram quase dezoito. Não sei se o pessoal da organização informa uma quilometragem menor com receio de que muitos caminhantes não se inscrevam em razão da quilometragem, ou então são ruins de medição de distância. Particularmente não tive problemas com a distância, pois mesmo tendo ganhado uns quilos nos últimos meses em razão de remédios que tenho tomando, estou em excelente forma física e os quase dezoito quilômetros me pareceram uma tranquila caminhada no parque.

Banheiros ecológicos…

Salto das Bananeiras.

Vander, Alemão, Stephanie e Luciele.

Fim de caminhada.

Show de João Bosco & Vinícius

Hoje fui na praça assistir ao show de João Bosco & Vinícius, que fez parte da Festa Nacional do Carneiro no Buraco. Essa foi a segunda vez que assisti a um show deles, a outra vez tinha sido no final de 2010, também aqui em Campo Mourão. O show foi muito bom, a praça estava cheia e o público bem animado.


Vista áerea do show.

Com minha amiga Andrea.

Série Vaga-Lume 50 anos

Hoje a Série Vaga-Lume, da Editora Atica, está completando 50 anos. Sou um dos milhões de leitores que começou a gostar de livros a partir da Série Vaga-Lume. No início de 1983 estava entediado numa manhã chuvosa sem tem o que fazer, quando me deparei com o livro Menino de Asas, que minha irmã estava lendo para um trabalho do colégio. Peguei o livro e comecei a ler as primeiras páginas e acabei gostando. Tive que parar a leitura na metade do livro, pois precisava me arrumar para ir ao colégio, pois na época estudava a sexta série no período da tarde. Naquele dia não via a hora de voltar para casa e terminar a leitura do Menino de Asas. Após terminar o livro, vi na contra capa que existiam outros livros na coleção e perguntei para minha irmã como conseguir mais desses livros. Ela me falou para ir na Biblioteca Pública (onde nunca tinha ido até então) fazer uma carteirinha, que daí me emprestavam os livros sem nenhum custo. E fui o que fiz no dia seguinte! Em pouco tempo li todos os livros da Série Vaga-Lume que existiam na biblioteca e passei a ler outros livros também. Graças a Série Vaga-Lume eu tinha adquirido o gosto pela leitura de livros. Já lia gibis antes mesmo de aprender a ler. E tal gosto pela leitura permanece até hoje, apesar de atualmente ler bem menos do que gostaria.

Ao todo a Série Vaga-Lume tem 106 livros publicados, sendo o último em 2021 (Os Marcianos, de Luiz Antônio Aguiar). Não li todos os 106 livros da Série. Devo ter lido algo em torno de 80 livros. Com o passar dos anos fui me interessando por outros tipos de leitura e deixei os livros juvenis da Vaga-Lume de lado. Mas tal série será inesquecível, pois foi ela que me fez entrar para valer no belo mundo dos livros e da leitura. E meu autor favorito da série era o global Marcos Rey, com seus livros de mistério.

O primeiro Vaga-Lume que li.

Alguns livros da Série Vaga-Lume.

Oscar 2023

Mais um ano estou escrevendo sobre os concorrentes ao Oscar de melhor filme e dando meus palpites. Até agora o meu favorito nunca venceu, o que me leva a acreditar que o pessoal da Academia de Cinema de Hollywood não entende nada de cinema… kkk

Depois que aumentaram a quantidade de filmes que concorrem ao Oscar de melhor filme, ficou mais difícil conseguir assistir a todos os concorrentes antes da cerimônia de entrega do Oscar. E esse ano são nada menos do que dez concorrentes. Minha maior dificuldade é morar numa cidade do interior do Paraná, onde no cinema só passam filmes que dão grande retorno de bilheteria. E os concorrentes a melhor filme, a maioria não são filmes que costumam dar grande bilheteria. Dos dez concorrentes, assisti a três no cinema, um na Netflix, um na Amazon Prime Vídeo e os demais tive que utilizar meios escusos para conseguir assistir. Se não utilizasse meios escusos para assistir aos filmes, não conseguiria ver os dez filmes antes da cerimônia do Oscar. E sem assistir aos dez filmes, não tinha razão de estar escrevendo essa postagem.

Esse ano não tenho a mínima ideia de qual filme vai vencer. Se fosse apostar em um filme, apostaria em Tudo no Mesmo Lugar ao Mesmo Tempo. Esse filme recebeu muitas críticas positivas e parece ser o favorito dos votantes da Academia de Cinema de Hollywood. Particularmente achei tal filme uma porcaria!

Minha torcida vai para Top Gun: Maverick. Gostei muito do filme, assisti junto com meu irmão no cinema. Tal continuação após 36 anos do filme original, foi um grande presente aos fãs do primeiro filme. O primeiro filme assisti no cinema quanto tinha 16 anos e foi um filme marcante para mim naquela época. Por tudo isso é que minha torcida vai para Top Gun Maverick, que acho que não tem nenhuma chance de vencer como melhor filme.

 

Os filmes concorrentes, na ordem de minha preferência e torcida:

1° – Top Gun: Maverick

Após mais de 30 anos de serviço como um dos principais aviadores da Marinha dos Estados Unidos, Pete “Maverick” Mitchell  volta para ensinar novos pilotos da academia Top Gun. No mundo contemporâneo das guerras tecnológicas, Maverick enfrenta drones e prova que o fator humano e a experiência ainda são essenciais.

Ver tal filme foi para mim uma sessão de nostalgia. E na falta de opções melhores, ele fica como primeiro em minha lista, mas tenho certeza de que não vai ganhar.

 

2° – Elvis

O filme conta sobre a vida de Elvis Presley, desde sua ascensão até o estrelato. E mostra sua relação muitas vezes conturbada com seu empresário, Tom Parker, por mais de 20 anos.

O filme é legal, principalmente para quem gosta de Elvis Presley, o que é meu caso.

 

3° – Nada de Novo no Front

Um adolescente é convocado para lutar na linha de frente da Primeira Guerra Mundial. O jovem começa seu serviço militar de forma idealista e entusiasmada, mas logo é confrontado pela dura realidade do combate.

Achei um filme interessante e gostoso de assistir.

 

4° – Os Fabelmans

Um jovem se apaixona por filmes e começa a fazer seus próprios filmes em casa.

Achei um filme mais ou menos, mas que vale a pena assistir.

 

 

5° – Os Banshees de Inisherin

Numa quase deserta ilha irlandesa, dois amigos de longa data se encontram num impasse quando um deles resolve desfazer a amizade.

O filme fica monótono em algumas partes, mas vale a pena ver a confusa história entre os amigos.

 

6° – Avatar O Caminho da Água

O filme é uma continuação do primeiro filme, que foi muito premiado e campeão de bilheteria. Fora isso, essa continuação parece mais que foi feita apenas para angariar alguns milhões de dólares de bilheteria.

Achei um filme mediano, que fica abaixo do primeiro filme, o que é algo comum em continuações.

 

7° – Entre Mulheres

Um grupo de mulheres que vive numa colônia rural isolada, se une para decidir que rumo devem tomar após cansarem das agressões e exploração por parte da maioria dos homens do lugar.

O filme traz uma mensagem interessante e deve ser adorado por boa parte das feministas. Mas me deu sono…

 

 

8° – Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo

Uma ruptura interdimensional bagunça a realidade e uma inesperada heroína precisa usar seus novos poderes para lutar contra os perigos do multiverso.

O filme é meio louco, foge totalmente do tipo de filme de que gosto. Mas parece que será o vencedor…

 

9° – Tár

Uma famosa maestrina lidera o caminho na indústria da música clássica dominada por homens.
O filme me deu sono e nada mais!

 

10° – Triângulo da Tristeza

Um navio de cruzeiro para mega ricos afunda e eles tem que conviver em uma ilha deserta.

Achei o filme sem graça, sem um roteiro muito definido.

 

A física e o amor

O Efeito de Ressonância Eletro-paramagnético (Efeito ERP), um mecanismo da física, foi matematicamente teorizado pelo físico John Stewart Bell em 1964 e, mais tarde, comprovado pelo físico John Clauser em uma experiência de laboratório na qual fótons subatômicos foram expostos à mesma polarização e depois disparados em direções opostas. Clauser, auxiliado por Stuart Freedman, descobriu que após dois fótons polarizados serem separados, eles ainda respondiam ao mesmo estímulo. Em outras palavras, quando um era estimulado, o outro, embora a uma certa
distância, também respondia. Uma vez exposto, os dois fótons relacionados não podiam mais ser considerados objetos separados, mas de alguma forma mantinham um vínculo misterioso. Alguns
físicos teorizaram que após compartilharem uma polarização comum, independente do quanto duas partículas possam estar distantes uma da outra, ou de quanto tempo passe, elas continuarão
a compartilhar a mesma polarização e algo em comum uma com a outra, mesmo talvez pela eternidade e pelo infinito.

Podemos comparar esse experimento com um casal que se separou por qualquer motivo. Se eles se gostavam, se amavam, a partir do momento da separação vão continuar ligados um ao outro de alguma forma, querendo eles ou não. Então o movimento que um deles faz, vai afetar e até mesmo gerar um movimento da outra parte do casal (no caso, ex-casal). Se após o final da relação existir mágoas, ressentimentos, sofrimento, mas um poquinho de amor ainda restar, mais o vinculo entre o casal, mesmo que distantes e sem se falarem, vai existir.

A física tenta explicar a vida e até mesmo o amor, o qual não se explica muito, apenas você sente, você vive ele. O amor é algo que muitos passam a vida toda querendo encontrar. E outros encontram e por algum motivo obcuro que foge de sua vontade, deixam ir embora. E tem também aqueles que por orgulho ou falta de diálogo, de perdão, de tentar um novo recomeço, de dar uma nova chance para o parceiro fazer tudo diferente, acabam deixando o amor ir embora e talvez nunca mais encontrarão um amor tão bom, tão pleno e verdadeiro quanto o último amor que viveram.

Escrevendo sobre esse assunto, me lembrei de um filme de 1994, estrelado por Meg Ryan. No filme ela é sobrinha do gênio da física, Albert Einstein, que tenta descobrir uma maneira de fazer sua sobrinha se apaixonar por um rapaz. Ou seja, Einstein tenta descobrir a “Fórmula do Amor”. Como estámos na semana do Oscar, fica a dica de um filme gostosinho de assitir.

A Teoria do Amor (1994).

A Baleia

Não costumo comentar muito aqui no blog sobre os filmes que vejo, pois vejo muitos filmes e séries. Só posto quando o filme me toca de alguma forma. E esse é o caso do filme A Baleia, que acabei de assistir no cinema. O ator principal é Brendan Fraser, que volta a ser destaque após anos de ostracismo causado por problemas pessoais e de saúde. Sempre gostei dos filmes dele e acompanho sua carreira desde o início, sendo que vi o primeiro filme com ele no distante ano de 1993.

Já fazia algum tempo que estava esperando o filme estrear em minha cidade e hoje, um sábado chuvoso, fui sozinho a noite ao cinema. E escolhi sentar bem na frente, numa poltrona bem no meio, onde não tinha ninguém sentado nas filas da frente, ou nas poltronas da minha fileira. Essa é a maneira como mais gosto de ver filmes no cinema, como se eu estivesse sozinho na sala de projeção. E entrei tão de cabeça no filme, que teve uma hora que eu não sabia se o barulho de chuva vinha do filme ou do lado de fora, onde também chovia. Foi interação total com a projeção.

Agora  falando um pouco sobre o filme, A Baleia fala sobre a última semana de vida de um homem que “desistiu de viver” descontando suas frustações e tristeza, na comida, se tornando morbidamente obeso. Parte do seu problema teve início ao perder o seu grande amor e ficou pior ao perder contato com sua filha. Acho que cada pessoa que assistir ao filme, pode entender a história de formas diferentes, pode tirar lições diferentes do que ver na tela. Eu entendi que o filme fala sobre a crença na bondade humana, que ele trata de triunfos e tragédias humanas, de perdas, de frustações, de fracasso e principalmente de esperança (dizem que ela é a última a morrer!). A narrativa do filme me fez ver que se um cara igual ao personagem principal, que está ferrado e nos seus últimos dias de vida, mesmo assim consegue ter esperança, então eu também consigo ter esperança de que dia melhores virão e que talvez eu ainda consiga conquistar o que tanto quero.

Saindo do cinema fiquei um longo tempo dentro do carro no estacionamento. Fiquei lembrando de algumas partes do filme e de algumas frases. De alguma forma A Baleia me ajudou, me deu coragem de seguir em frente. No filme o personagem principal se recusa a ir para o hospital se tratar, mesmo sabendo que está morrendo. Eu nos últimos meses vinha sofrendo de um grande problema de ansiedade. E mesmo tendo ciência de que isso estava me atrapalhando, de que eu estava fazendo e falando coisas que não deveria, que estava tomando atitudes sem pensar direito, que tratei mal e magoei algumas pessoas, não queria ir me tratar. Me achava forte o suficiente e que a qualquer momento ia ficar bom. O pior é que já cometi esse mesmo erro num passado não muito distante, quando tive depressão e achei que poderia sair sozinho do fundo do poço e me afundei cada vez mais até descobrir que o fundo do poço possui vários andares de subsolo. Se no filme o personagem principal tem pessoas que tentam ajudá-lo, mas não conseguem, aqui na vida real tive pessoas que conseguiram me ajudar. Ainda essa semana ouvi conselhos de um amigo e depois numa longa conversa com meu irmão, ele me convenceu a buscar ajuda médica e assim fiz. Agora estou bem, com os pés no chão e a cabeça no lugar novamente. Amanhã começo a fazer a lista de pessoas com as quais preciso me desculpar nas próximas semanas, sendo que um amigo em especial merece desculpas especiais, pois ele tentou me ajudar da forma errada e fui bem ríspido com ele. E uma outra pessoa merece desculpas em dobro, pois andei chateando ela demais nos dois últimos meses, de uma forma totalmente equivocada. O equivoco não foi no que eu queria dizer, mas sim na forma e no momento que tentei falar o que gostaria. O único problema é que não sei se tal pessoa vai aceitar minhas desculpas.

Eu que sempre fui de ver muitos filmes, pois desde criança sou apaixonado por cinema, muitas vezes vi a história do filme se confundir com minha vida, com o momento pelo qual estou passando quando assisto ao filme. E hoje não foi diferente, hoje o filme me mostrou que existe opções, que existe esperança, que onde existe amor existe cura interior e no meu caso uma vontade grande de seguir em frente, de me desculpar e recuperar algumas coisas que perdi. Ao menos vou tentar!

Charles, personagem principal do filme A Baleia.

Brendan Fraser nos filmes: George o Rei da Floresta (1997) e A Baleia (2022).

Novo nome do blog…

Após quase 15 anos no ar, o blog passa a ter um novo nome. Na verdade o novo nome é o velho nome reduzido. Saí do nome a palavra “fotos”.

A partir de hoje o blog deixa de se chamar HISTÓRIAS, VIAGENS, FOTOS E BOBAGENS… para se chamar HISTÓRIAS, VIAGENS E BOBAGENS…

A mudança do nome visa projetos futuros, os quais não vou citar no momento e que tendo um nome muito longo atrapalhava um pouco certas questões visuais desses projetos.

Rally de Verão RPC

Hoje foi ao ar o segundo episódio do Rally de Verão RPC. Esse foi o programa sobre o qual postei aguns dias atrás. Apareço no segundo programa, quando o Rally passou aqui por Campo Mourão.

Por questão de direitos autorais, não posso postar aqui o vídeo em que apareço.

Para assistir você deve clicar no link abaixo.

https://globoplay.globo.com/v/11338148/?s=0s

Apareço no minuto 03:45

Gravação com o pessoal da RPC

Hoje estive com o pessoal do programa Studio C, da RPC Globo. Eles estiveram em minha cidade gravando parte de um programa especial de verão, que vai ao ar daqui alguns dias. O produtor do programa tinha entrado em contato comigo alguns dias antes para obter informações. Ele me descobriu através aqui do blog. No fim eles acabaram indo gravar em Campo Mourão e fui convidado para ir no local onde estavam. Acabou sendo uma manhã agradável, onde pude conhecer todo o pessoal envolvido na gravação, que foram muito simpaticos. E pude ver de perto como é gravado um programa de TV junto a natureza. Por fim ajudei a carregar o equipamento e dei uma entrevista falando sobre a região de Campo Mourão.

Yves, Ana, Vander e Renan.

Shurastey

Hoje entrei numa loja da Livrarias Curitiba, em Maringá, e me deparei com o livro póstumo SHURASTEY, de Jesse Koz. Peguei o livro nas mãos, dei uma folheada e comecei a chorar. Não sei explicar bem o motivo das lágrimas. Talvez os dias difíceis pelos quais tenho passado, somados a história triste contada no livro, me fez derramar algumas lágrimas. Acabei comprando o livro, mas só vou ler daqui um tempo quando estiver melhor. Pois sei que de qualquer jeito vou molhar as páginas do livro com minhas lágrimas.

Jesse Koz viajava de fusca pelas Américas e faleceu em 23 de maio último, junto com seu cachorro, Shurastey, em um acidente de carro nos Estados Unidos. Eu acompanhava tal viagem e achava muito legal a viagem com o cachorro. Mas nessas surpresas desagraveis que acontecem ás vezes, tanto Jesse quanto Shurastey, morreram poucos dias antes de chegar no Alasca, que era o destino final da viagem que começou na Patagônia, extremo sul da América do Sul.

Poucos sabiam, eu inclusive, que Jesse tinha deixado um livro quase pronto. Quando passou por Porto Alegre escreveu o livro, que foi completando depois conforme sua viagem ia acontecendo. Vai ser difícil ler tal livro, pois você começa a leitura sabendo que tal livro não tem final feliz, que a história da viagem de Jesse e Shurastey acaba antes do final, com a morte dos dois. Mas vou tentar ler, mesmo que encha algumas xicaras de lágrimas durante a leitura.

Caminhada na Natureza – Luiziana

Mesmo cansado, com sono e preguiça, fui participar de minha segunda Caminhada Internacional na Natureza, em 2022. A caminhada aconteceu na cidade de Luiziana, onde ainda não tinha caminhado. Fazia muito sol, mas a temperatura estava amena. Caminhei a maior parte do tempo pensando na vida, nos problemas e em cercas decisões que preciso tomar. Caminhar sozinho pelo mato ajudou um pouco, meio que estou econtrando um norte em relação as decisões que preciso tomar.

Passámos por lugares bonitos e por uma cachoeira enorme e com grande volume de água. Tinha que se aproximar dela com cuidado, pois cair no rio perto dela era perigoso. A caminhada foi muito bem organizada e nos postos de controle não faltaram água e comida. O pessoal da organização também foi muito simpático.

Alemão, Vander e Tefa. (Eu no auge de peso em toda minha vida: 91,5 kg. Depois dessa caminhada comecei o processo de emagrecimento.)

Consurso de fotografia

Participei com duas fotos no Concurso de Fotografia Imagens da Cidade, promovido pela Fundação Cultural de Campo Mourão. Uma foto ficou em terceiro lugar e a outra não foi classificada.

“Uma Escada Para o Céu” – Foto premiada em 3° Lugar

“Mosaíco de Sombras” – Foto não premiada.

www.boca.santa.com.br

Concurso de fotografias 2022

Participei pela segunda vez do concurso de fotografia “Imagens da Cidade” promovido pela Fundação Cultural de Campo Mourão. Dessa vez fiquei em terceiro lugar, recebendo uma premiação de R$ 500,00.

1° Lugar: “Os Invísiveis da Socieda” – Giuliana Florêncio

2° Lugar: “Catedral Solar” – Leonardo de Souza Molina

3° Lugar: “Uma Escada Para o Céu” – José Vanderlei Dissenha

Os vencedores.

Caminhada na Natureza – Fênix

Após muito tempo, voltei a participar de uma caminhada do circuito Caminhada Internacional na Natureza. A última caminhada de que tinha participado foi em março de 2020, poucos dias antes da pandemia da Covid 19 aparecer e paralizar com muita coisa, inclusive com as caminhadas.

Resolvi voltar na caminhada de Fênix, que é uma caminhada que já fiz antes. Gosto da região, da paisagem e de caminhar pelo Parque Estadual Vila Rica do Espiríto Santo. A caminhada que iniciou com muito frio, terminou com muito calor. Depois teve um saboroso almoço, cujo cardápio foi Vaca Atolada. Acabei almoçando, algo que raramente faço nas caminhadas.

Homenagem do Coldplay a Olivia Newton-John

Coldplay, Natalie Imbruglia e Jacob Collier fizeram uma bela homenagem a recém falecida atriz e cantora Olivia Newton-John. A homenagem aconteceu durante um show em Londres, quando cantaram a música Summer Nights, do filme Grease, de 1978. Foi simplesmente emocionante!

 

Morte de Olivia Newton-John

Hoje morreu uma atriz/cantora da qual gostei muito no passado. Olivia Newton-John faleceu aos 73 anos vítima de câncer. Ela foi protagonista de um dos filmes que marcaram minha adolescência. O filme Grease é de 1978, mas só fui assisti-lo na TV em 1986. Adorei o filme e sua trilha musical. No dia seguinte fui comprar o LP com a trilha sonora do filme e tenho ele guardado até hoje.

O filme Grease foi baseado em um musical da Broadway, que fez muito sucesso. A primeira montagem do musical ficou em cartaz de 1972 até 1980. Depois teve outra montagem, que após novo sucesso na Broadway, viajou o mundo. Em 1995 assisti a essa montagem no Teatro Guaíra, em Curitiba. Foi muito legal ver esse musical ao vivo em sua versão original em inglês.

Esse ano estreou uma versão brasileira do musical Grease, em São Paulo, mas não tive interesse em assistir, poisa nessa montagem as músicas tem uma versão em português e no final da apresentação, o elenco volta ao palco para cantar as principais canções nas versões originais em inglês. Essa versão brasileira ainda está em cartaz, mas não sei se tem feito muito sucesso, pois ouvi falar pouco dela.

Olivia Newton-John parte deixando os fãs tristes. Mas ficará eternizada como Sandy, do filme Grease. Aliás, em razão do filme hoje existem muitas Sandy por aí, inclusive a Sandy cantora (irmã do Junior).

Cartaz do filme Grease (1978).

Cena do filme Grease.

Olivia Newton-John no filme Grease.

Olivia Newton-John é Sandy, no filme Grease.

Cartaz da primeira montagem de Grease (1972).

Cartaz da montagem brasileira de Grease. (São Paulo – 2022)

Elvis – O filme

Após cinco meses de espera, desde que ouvi pela primeira vez sobre o seu lançamento,  finalmente fui assistir ao filme ELVIS. Fui com amigos ao cinema, numa segunda-feira a noite onde a sala de projeção estava com menos da metade das poltronas ocupadas e bem silenciosa, do jeito que gosto. Reparei que a maioria dos presentes tinham idade acima dos 25 anos e muitos, como no meu caso, idade bem acima disso. Só de não ter crianças e adolescentes barulhentos na sala de cinema, foi muito bom.

No geral gostei do filme, que não é muito convencional. Baz Luhrmann, o diretor do filme, usou uma linguagem cinematográfica que foge um pouco do tradicional, mas que me agradou. Você precisa ficar atento a tudo o que aparece na tela, ler tudo o que aparece. Não gosto de filmes dublados, mas por falta de opção tive que assistir ao filme na versão dublada. Por um lado isso foi bom, pois apareceram muitas informações na tela e pude me preocupar em olhar e ler essas informações em vez de ficar atento as legendas.

Da forma como o filme foi feito, acredito que aqueles que conhecem um pouco sobre a história de Elvis Presley, terão uma experiência cinematográfica mais interessante e completa. Esses vão conseguir linkar o que sabem sobre a vida do Elvis, com algumas coisas que aparecem no filme de forma resumida.

O filme tem 02h39min de duração e muita música. Ele é narrado segundo a ótica do Coronel Tom Parker, o empresário de Elvis. O Coronel é interpretado por Tom Hanks, que rouba a cena. Creio que ano que vem ele tem grandes chances de ganhar mais um Oscar de melhor ator. Tenho lido que o filme não tem agradado aos críticos, mas conseguiu agradar bastante ao público. Para mim críticos de cinema são descartáveis, pois quase sempre as criticas que leio não vão de encontro ao que vejo nos filmes que assisto. Gostei do filme e isso é o que importa…

Rise

Vejo muitos filmes, mas só indico aqui no blog os filmes de que tenha gostado muito. E esse é o caso do filme Rise, uma produção da Disney que conta a história de três irmãos nascidos na Grécia e que são filhos de imigrantes nigerianos ilegais. Eles começam a jogar basquete meio por acaso e acabam indo parar nos Estados Unidos como astros da NBA. Se tornam o primeiro trio de irmãos a se tornarem campeões da NBA na história da liga. Essa é uma história sobre família, força de vontade e superação. Os dois irmãos mais velhos dividiam o mesmo tênis para jogar, pois não podiam comprar um tênis para cada um. Hoje eles tem um contrato milionario com a Nike. Aqueles que gostam de basquete não podem perder esse filme. E quem não gosta também não pode perder, pois é uma história emocionante e motivadora.

O ataque de 24 horas ao Pico Paraná – Parte 2

Continuação da postagem anterior…

Ficamos no cume do PP por cerca de uma hora. E o que chamou bastante atenção foi um cachorro que estava no cume. Reconheci ele como sendo da Fazenda Rio das Pedras. Ele ficava pedindo comida para todos que chegavam no cume e começavam a lanchar. Todo mundo ficava perguntando como ele tinha passado pela Carrasqueira. O cachorro era muito esperto e ganhou bastante agrados e comida. Fico imaginando como foi que ele encontrou um caminho para chegar até ali e quantas vezes por semana ele decide subir até o cume.

Após descansar e lanchar, Eliane e eu demos uma volta pelo cume, tiramos fotos e observamos a paisagem de todos os lados. Tinham algumas nuvens que ficavam encobrindo parte da paisagem, mas logo o vento mudava essas nuvens de lugar. Assinamos o caderno de cume, que fica guardado numa caixa metálica presa sobre um pedra. Mais algumas fotos, uma última olhada na paisagem e pouco depois do meio dia resolvemos iniciar o caminho de volta. O cume de uma montanha é somente a metade do caminho, então sempre é bom guardar energia para o retorno. Energia eu tinha, o que estava incomodando era a dor nas costas.

Quando seguimos para a trilha para iniciar a descida, tivemos que parar para dar passagem a algumas pessoas que estavam chegando. Logo iniciamos a descida, onde na primeira parte o mais difícil era transpor uma pedra com alguns grampos. Devido ao vai e vem de pessoas subindo e descendo a montanha, os grampos e parte das rochas estavam com barro e isso demandava cuidado extra para não escorregar e cair. Tive muita dificuldade em alguns trechos onde era necessário esticar a perna para descer, pois sentia uma dor muito forte ao esticar minhas pernas. Mas ficar parado no alto da montanha não era uma opção, então fui suportando as dores e descendo mais lentamente do que deveria. A Eliane estava bem e aparentemente não teve maiores problemas para descer.

Quando chegamos no acampamento A2, fizemos uma parada mais longa para descansar e tirar fotos. Também dividimos o resto de nossa água. Ali perto existe uma bica, mas chegar até ela é um pouco complicado e com as dores que sentia, achei melhor não pegar água no A2. O sol ficou encoberto pelas nuvens e era possível ver que algumas nuvens encobriam o cume do PP. Quem chegou mais tarde ao cume não deve ter visto muita coisa lá do alto. Demos sorte de termos chegado ao cume com o tempo relativamente limpo.

Saímos do A2 e continuamos descendo, tomando cuidado com a trilha que continuava molhada e lisa em muitas partes. Mesmo tendo feito algumas horas de sol durante o dia, o barro era tanto nas trilhas que não secou com o sol. Pelo caminho fomos encontrando bastante gente que subia com mochilas cargueiras nas costas. Esse pessoal planejava acampar no A2 ou no cume do PP. Quando vinha alguém subindo, sempre dávamos passagem e dessa forma aproveitávamos para descansar rapidamente enquanto ficávamos parados ao lado da trilha esperando o pessoal passar.

O sol voltou a aparecer quando chegamos na Carrasqueira. Descer aqueles paredões cheios de grampo e cordas é sempre mais difícil do que subir. E para piorar, os grampos estavam molhados e alguns com barro, pois muita gente passou por ali na última hora com as botas cheias de barro. Estava muito escorregadio e o cuidado teve que ser triplicado. A Eliane seguiu na frente. Depois ela me confidenciou que sentiu um pouco de medo nesse trecho e que não gostaria de passar por ali novamente. Eu só senti medo na metade da descida, quando escorreguei com os dois pés num grampo que tinha barro e fiquei meio pendurado segurando firme com as mãos o grampo que ficava pouco acima de minha cabeça. Foi um susto de sentir frio na barriga. Quase no final da Carrasqueira vi o cachorro que estava no cume, descendo pelo mato ao lado. Ele tinha descoberto um caminho que passava pelo lado das rochas, andando numa inclinação que humanos não conseguiriam. Esse cachorro realmente era muito esperto!

Vencida a Carrasqueira, descemos mais um pouco pela trilha e daí começou a parte de subida. Na subida sentia dores fortes toda vez que precisava erguer as pernas um pouco mais alto para vencer algum obstáculo. Estava muito mais lento do que deveria e comecei a me preocupar com o atraso que nos deixaria no escuro durante a travessia de parte da floresta. Para piorar ainda mais as coisas, a sede começou a apertar e a boca ficou seca. Mesmo com as dificuldades seguimos em frente, pois não tínhamos outra opção. Quando estávamos quase chegando no acampamento A1, o sol se escondeu de vez e nuvens cobriram o céu. Isso fez a temperatura baixar um pouco.

Passámos pelo A1 e entramos na trilha pelo meio do mato, que parecia estar ainda mais molhada e lisa do que pela manhã quando ali passámos. Eu e Eliane usávamos luvas e muitas vezes segurávamos em galhos e matos ao lado da trilha para não cair quando escorregávamos. E como tudo o que está ruim pode ficar ainda pior, começou a chover. Essa chuva durou mais de três horas e nos acompanhou até depois do Getúlio.

A sede foi aumentando e não via a hora de chegar no primeiro riacho da trilha. Saímos na parte limpa cheia de caratuvas, demos a última olhada para o PP que estava parcialmente encoberto e seguimos para a floresta. Depois do A2 não tirei mais nenhuma foto, pois estava tão cansado e com dores, que não tinha nenhum animo para fotos. Quando entramos na parte da floresta a chuva aumentou um pouco. A trilha cada vez mais lisa ia alterando subidas e descidas por entre pedras, galhos e raízes de árvores. Em muitas partes era necessário fazer pequenas escalaminhadas. Toda vez que tinha que erguer a perna para passar por algum galho, sentia fortes dores nas costas. Comecei a ficar preocupado em travar e não conseguir mais andar. A última coisa que eu queria era precisar ser resgatado. O jeito for reunir forças, suportar a dor e seguir em frente.

Finalmente chegamos num riacho e pouco acima da trilha a Eliane encontrou um local para pegar água. Se não estava cem por cento limpa, ao menos a água não tinha sabor ruim e estava geladinha. Nessa parada ao lado do riacho, além de matar a sede fizemos um pequeno lanche com o resto da comida que tínhamos levado. Resolvido o problema da sede seguimos em frente, andando pelo meio da mata na trilha lisa e molhada e vencendo os muitos obstáculos. Pouco depois das 19h00min escureceu e tivemos que ligar as lanternas. A minha estava quase zerada, mas mesmo assim consegui andar algum tempo com ela. Quando escureceu de vez ficamos somente com a lanterna da Eliane. Ela seguia na frente, andava um pouco, parava, se virava e iluminava o caminho para eu poder passar. Isso nos fez atrasar ainda mais a volta. Mas não tínhamos outra opção. Minha maior preocupação era dar pane na lanterna dela, pois aí sim estaríamos enrascados. Sem lanterna não tem como andar naquele lugar, pois andar no escuro ali é quase suicídio.

A chuva continuou nos fazendo companhia, às vezes mais forte e outras vezes menos. Estávamos parcialmente molhados e isso nos deixava com um pouco de frio. E descobri que minha bota impermeável não era assim tão impermeável. Ela não suportou as horas andando no barro sob chuva e fiquei com os pés molhados. Nossa situação não era das mais cômodas, pois tínhamos fome, nossa água era pouca, tínhamos somente uma lanterna, o que nos obrigava a fazer revezamento, chovia, sentíamos frio, eu sentia cada vez maios dores nas costas. E somado a isso tudo comecei a ficar preocupado com relação aos nossos amigos que estavam nos esperando e deviam estar preocupados com nosso atraso e falta de notícias. Diante de todos os problemas, só nos restava seguir em frente e foi o que fizemos. Pelo caminho encontramos algumas poucas pessoas que subiam a montanha. Mas depois de certo horário não vimos mais ninguém subindo.

Chegamos na bica de água que fica na parte final da floresta. Ali me sentei numa pedra e a Eliane foi encher nossas garrafinhas com água. O sabor da água da bica era bem melhor do que da água do riacho. A chuva deu uma aumentada e quando o frio começou a apertar, seguimos em frente. A Eliane foi guerreira, sempre indo na frente escolhendo o melhor caminho e ao mesmo tempo iluminando o meu caminho e me ajudando em alguns trechos mais difíceis, principalmente em descidas onde eu tinha mais dificuldade por culpa das dores. Se não fosse ela, acho que teria que ter sido resgatado.

Finalmente chegamos nas plaquinhas na encruzilhada das trilhas. Ali era o final da floresta, cuja descida por ela foi com certeza a pior e mais demorada parte da aventura. Seguimos pela trilha em direção ao Getúlio e quando saímos da parte de mata, a chuva e o vento começaram a nos castigar. O cansaço e dores me fizeram ficar lento de raciocínio e quando chegamos no Getúlio fiquei em dúvida sobre qual trilha seguir. Até então só tinha passado por ali a noite durante subidas e nunca em descidas. Meu receio era pegar uma trilha errada e nos perdemos. A bateria de nossa única lanterna estava quase no final e não podíamos nos dar ao luxo de pegar uma trilha errada e nos atrasarmos ainda mais. Seguimos devagar e com cuidado, prestando atenção na trilha e quando a chuva deixava, nas montanhas em volta. Esse foi o único momento em que senti a Eliane preocupada durante a descida. Vimos o clarão de duas lanternas vindo da mata atrás de nós e resolvemos esperar. Era um casal que andava rápido e logo se aproximou de onde estávamos. Pararam quando nos viram e contamos que estávamos em duvida sobre a trilha e nos disseram para segui-los. Foi difícil acompanhar o ritmo deles, mas no momento eles eram nossa salvação. Em dois momentos eles erraram a trilha. Passamos por algumas pessoas que estavam acampando no Getúlio. O cara que seguíamos pediu informação sobre qual trilha seguir e o pessoal de uma barraca indicou a direção correta. Mais alguns minutos e finalmente encontramos a trilha certa. Aí eu e Eliane diminuímos o ritmo e deixamos o casal seguir em frente. A lanterna da Eliane ficou de vez sem bateria e ela pegou o celular para iluminar a trilha. A luz do celular era forte, a bateria estava cheia e o celular foi nossa salvação. Sentia cada vez mais dores nas costas e minhas pernas meio que começaram a travar. Era meu nervo ciático avisando que tinha sido machucado.

A parte final não é das mais difíceis, pois é quase toda em descida e somente em algumas partes tem obstáculos. Mas a trilha estava tão molhada e lisa que levamos alguns escorregões feios. Caí sentado duas vezes. A chuva parou e durante alguns minutos a lua cheia deu as caras. Eu cada vez mais lento e travado. Em alguns trechos a Eliane tinha que segurar minha mão e me ajudar a descer pequenos obstáculos. Nunca tinha sofrido tanto numa trilha e dado trabalho. Se não fosse pela ajuda da Eliane eu não teria conseguido chegar ao fim. Não inteiro! Fica aqui meu agradecimento a ela, pela ajuda e por não ter reclamado em nenhum momento. E ela sabe que se fosse ao contrário, eu a teria ajudado da mesmo forma.

Eram quase 23h00min quando chegamos na última encruzilhada e seguimos pela larga trilha que leva até o IAP. Quase não tinha forças, mas cheguei ao final. Foram quase 24 horas para subir e descer o Pico Paraná de ataque, sendo que próximo a 21 horas de efetiva caminhada. Tivemos muitas dificuldades, vários problemas, bem mais do que imaginaríamos ter. Mas não desistimos, seguimos em frente contra todas as dificuldades e obstáculos. Foi uma jornada e tanto! O que nos moveu foi a força de vontade, onde o foco era sempre seguir em frente e desistir jamais. Essa aventura foi um grande treinamento para nossa vida cotidiana. Nosso cérebro é exercitado, condicionado a seguir em frente mesmo diante de dificuldades e obstáculos que parecem ser intransponíveis.

No IAP demos baixa no cadastro que tínhamos feito antes da subida e fomos informados que dois amigos nossos tinham passado ali alguns minutos antes querendo saber informações sobre nós. Eles estavam preocupados com nosso atraso. O atendente do IAP informou que eles estavam nos esperando na Fazenda Pico Paraná e fomos ao encontro deles. Vi o Roberto sentado em uma pedra e quando ele me viu veio todo alegre me dar um abraço. O André logo apareceu e contou que falaram com o casal que nos ajudou no Getúlio, que contou que nos viu e que estávamos descendo lentamente. O André estava de carro e não recusamos a carona até a Fazendo Rio das Pedras, que não ficava longe dali.

Chegando no chalé fui tomar um longo banho quente. Sentia dores fortes nas costas e tive muita dificuldade para me abaixar e vestir roupas limpas. Logo depois foi a vez da Eliane tomar banho e depois jantamos. Na mesa tive rápidos cochilos, pois faziam quase 30 horas que estávamos sem dormir. De barriga cheia tomei um remédio para dor e fui me  deitar. A cama quente e confortável foi um prêmio para nossos corpos cansados e desgastados. Dormimos por várias horas um sono profundo. E o sentimento de ter vencido tantas dificuldades é um sensação difícil de explicar. Mas é um sentimento gostoso. Se voltaremos a subir o PP um dia, somente o tempo vai dizer. Particularmente acho que dou por encerrado minhas aventuras no PP. Foram três cumes lá, então acho que chegou a hora de me aventurar por montanhas mais baixas e mais fáceis, onde meus problemas físicos não atrapalhem tanto. A Eliane disse que do PP não quer mais saber, pois ficou meio traumatizada com a descida pela Carrasqueira com os grampos lisos. Mas não sabemos o dia de amanhã! Quem sabe no futuro não mudemos de ideia e voltamos a nos aventurar pelas encostas do PP? Quem viver verá…

No cume do Pico Paraná, 16/04/2022 – 10h40min.

As nuvens alteram a paisagem a todo instante.

Merecido descanso no cume do PP.

O cão pidão, no cume do PP.

Momento de contemplação e comemoração.

Um dos lados do cume do PP.

Eliane, mulher de muita fibra.

Começando a descer o PP.

Sofrendo com dores nas costas.

Eliane inciando a descida da Carrasqueira.

O ataque de 24 horas ao Pico Paraná – Parte 1

 

Já estive duas vezes no cume do Pico Paraná (PP), em ambas acampando no A2 e partindo para o ataque ao cume de madrugada. Mas sempre defendi que isso não era o ideal, pois subir com mochilas cargueiras até o acampamento A2 era muito sacrifício. Subir pela Carrasqueira com mochilas pesadas nas costas, sempre achei algo insano. Nessa terceira tentativa de chegar ao cume do PP, finalmente poderia provar minha tese de que era melhor fazer o ataque ao cume saindo da Fazenda Pico Paraná, Fazenda Rio das Pedras ou do IAP, levando apenas uma pequena mochila de ataque.

Estava bem descansando após um ótima noite de sono, alojado em um chalé na Fazenda Rio das Pedras. Durante o dia tinha passeado pelo local, tinha feito boas refeições, dormido um pouco a tarde e para relaxar tinha até assistido um filme na Netflix, através do aplicativo do celular. Ás 22h00min tomei um banho para despertar, me vesti e arrumei a mochila de ataque, com água, Gatorade, garrafa térmica com capuccino, lanches doces e salgados e o equipamento básico que pretendia utilizar. A mochila devia estar pesando uns cinco quilos.

Junto comigo seguiriam a Eliane, em sua primeira vez no Pico Paraná, mas já tendo tido experiência em montanha na região do Pico Marumbi. Também seguiria a Carla, em sua primeira experiência numa montanha. Outro parceiro de subida seria o André, que já esteve no A2 do  Pico Paraná, esteve no Taipa e no Pico Agudo. E o companheiro mais experiente nesse ataque seria o Roberto, que já esteve no Taipa e chegou duas vezes ao cume do Pico Paraná. O grupo mesclava pouca com muita experiência e todos tinham se preparado fisicamente para o desafio que iriamos enfrentar. A única incógnita era saber se o André suportaria as dores em seu joelho esquerdo, que tinha machucado pouco tempo antes jogando futebol.

Saímos do chalé na Fazenda Rio das Pedras às 23h00min e seguimos até o IAP para preencher a ficha de subida, pois isso nos garantia uma certa segurança em caso de nos perdermos ou nos machucarmos na montanha. Fazia frio mas o céu estava limpo, sem nuvens e com uma bela lua cheia iluminando a paisagem. Partimos do IAP às 23h18min e resolvemos seguir pela trilha que saí da Fazenda Pico Paraná. Nos primeiros minutos tentei manter um ritmo leve, dando passos curtos e respirando fundo. Sempre achei esse trecho inicial o mais difícil, pois o corpo ainda não está adaptado ao esforço e não se encontra devidamente aquecido. Em subidas anteriores que fiz, não somente ao Pico Paraná, como também ao Caratuva e ao Itapiroca, já vi pessoas querendo desistir justamente nesse trecho inicial.

Passada a primeira meia hora meu corpo foi aquecendo e a caminhada seguiu normal. Fizemos breves paradas para descanso e assim fomos avançando montanha acima. Utilizava um casaco sem mangas e levei um casaco mais quente na mochila, para quando começasse a sentir muito frio. Até o Getúlio nossa caminhada foi relativamente tranquila. Chegando no Getúlio o tempo fechou, ventava forte e chovia. Passámos rápido por essa região e logo entramos na mata novamente, o que nos protegia um pouco da chuva. Quando paramos na encruzilhada onde ficam as plaquinhas que indicam as trilhas para as várias montanhas do lugar, fizemos uma parada para descanso um pouco mais longa. A partir dali começaria a parte que menos gosto da subida, que é a parte da floresta. Nessa parte quase sempre estamos subindo e tem muitos galhos, pedras, cordas e grampos para transpor. Para piorar, o terreno ali estava muito molhado, com barro e em algumas partes um lamaçal de dar medo.

Nosso plano inicial era chegar ao cume do Pico Paraná até 06h30min, para ver o sol nascer lá do alto. Mas quando vi como estava difícil a trilha na parte da floresta, percebi que não daria tempo de chegar ao cume no horário previsto. Por culpa da dificuldade do terreno, avançávamos mais lentamente do que deveríamos. Para mim o importante era avançar e chegar ao cume, já não importando mais o horário, tanto fazia chegar antes ou depois do sol nascer. Queria era chegar no cume e me concentrei e foquei muito nisso. Os demais membros do grupo seguiam com raça e vontade. Apenas a Carla mostrava sinais de estar sofrendo um pouco, o que era compreensível, pois essa era a primeira vez dela numa montanha. Ali na floresta cheguei à conclusão de que tinha sido um erro escolher o Pico Paraná como a primeira montanha dela. Seria melhor ter escolhido uma montanha mais fácil para o debute da Carla. Mas estando ali não dava mais para mudar isso.

Seguimos avançando pela floresta, vencendo os lisos, molhados e escorregadios obstáculos. Essa era a quarta vez que subia por ali, desde minha primeira vez no local em 2008. E confesso que foi a vez mais difícil, devido ao estado do terreno, ao frio e a chuva. Minha lanterna ficou fraca muito antes do previsto e isso me deixou um pouco preocupado, pois tinha baterias extras que previa utilizar somente dali umas duas horas. Segui com a lanterna clareando pouco, procurando enxergar o caminho através da lanterna da Eliane e do André, que seguiam na minha frente. Fizemos algumas paradas para descanso, que não podiam ser muito demoradas para que o corpo não esfriasse.

Passava um pouco das 04h30min quando o Roberto informou que ele e a Carla iam voltar, que o terreno estava muito difícil e perigoso e que ela estava tendo muita dificuldade. Achei a decisão dele assertiva, pois eu que tenho uma boa experiência em montanhas estava sofrendo um pouco, imagina a Carla em sua primeira experiência. O André resolveu voltar também, pois estava sentindo dores no joelho machucado e achou melhor parar ali do que seguir em frente tendo o risco de machucar ainda mais o joelho. Os três retornaram e junto com a Eliane segui em frente. A Eliane estava me surpreendendo, pois seguia na frente sem medo, escolhendo sempre o melhor lugar para pisar ou se segurar. E assim seguimos por mais 40 minutos até sair da floresta. A chuva parou e o céu ficou limpo e cheio de estrelas. Chegamos na parte das caratuvas (uma planta abundante naquela região) onde era possível avistar o Pico Paraná e o dia clareando por trás dele, o que deixava uma visão muito bonita. Ali achei que o pessoal devia ter seguido mais um pouco e dado meia volta naquele local, após a Carla ver o Pico Paraná. Seria um prêmio para o esforço dela ao menos ver a montanha. Mas como só pensei nisso ali, era tarde para dar tal sugestão. Vida que segue!

Fizemos rápida parada para descanso e para observar a beleza da paisagem, que mesmo a noite era maravilhosa. Voltamos para a trilha e tive um pouco de dificuldade para encontrar o caminho. Voltamos a caminhar pelo meio do mato, que cada vez ficava mais molhado e com barro. Minha lanterna morreu de vez e achei melhor trocar a bateria. Seguimos durante cerca de 20 minutos pela trilha enlameada e molhada, até que fiquei na dúvida sobre estar seguindo pelo caminho correto. Tinha passado outras vezes ali durante o dia, mas no escuro da madrugada acabei ficando com receio de estar seguindo pela trilha errada. Sugeri a Eliane voltarmos até as caratuvas e ali esperar o dia nascer. E assim fizemos o caminho de volta, mais 20 minutos pelo meio do mato até chegar nas caratuvas. Procuramos um local um pouco mais protegido e sentamos numa pedra para esperar o dia amanhecer.

O local que escolhemos não era dos mais protegidos e de vez em quando batia um vento de congelar. A temperatura era de seis graus e quando tinha vento a sensação térmica baixava bastante. Tirei meu casaco e dei ele para a Eliane, peguei o casaco mais quente que estava na mochila e vesti. Assim conseguimos nos proteger um pouco melhor do frio, mas não totalmente. Peguei minha garrafa térmica e tomei o capuccino que ainda estava quente. Cerca de uma hora depois descobriria que beber o capuccino foi uma péssima escolha, pois ele me fez mal ao estômago e fiquei um longo tempo sofrendo com tal incomodo. Ficamos meia hora sentados esperando o dia amanhecer e mesmo sofrendo um pouco com o frio, valeu apena ver o sol nascendo por trás do Pico Paraná.

Para não passar mais frio resolvemos voltar a caminhar, dessa vez sem precisar usar as lanternas. Seguimos pelo mesmo caminho pelo qual tínhamos retornado e mais tarde descobrimos que esse era o caminho correto. Esse trecho pela mata também foi bem difícil, por conta do barro e da trilha molhada. Chegamos no acampamento A1 quando o sol já aparecia no céu e amenizava um pouco o frio. Tinham algumas pessoas acampando no A1 e falamos rapidamente com algumas delas. Tivemos um pouco de dificuldade para encontrar a trilha e recebemos ajuda, com pessoas indicando a trilha correta a seguir. Essa trilha seguia pelo meio das caratuvas e não estava tão molhada. Paramos tirar algumas fotos e também para observar a linda paisagem do amanhecer no meio das montanhas. Voltamos a caminhar, dessa vez descendo pela trilha até chegar na encosta do Pico Paraná.

Pela frente mais um trecho desafiador, que era passar pela Carrasqueira, que são dois paredões de rocha quase na vertical, com cordas e grampos. Quem tem medo de altura ou sofre com vertigens, não pode encarar tal desafio. Ao menos subir da menos medo que descer, pois você olha para cima a procura do próximo grampo ou corda e dessa forma não se preocupa tanto com a altura em que está. A Eliane seguiu na frente e se sentiu medo não demonstrou. Não gosto de altura, mas já fiz tantas aventuras em altura, que aprendi como dominar meu medo e seguir em frente. Vencida a Carrasqueira seguimos em frente, alternando trilhas sob sombra, quando sentíamos um pouco de frio, e sob sol, quando nos sentíamos aquecidos. Paramos algumas vezes para tirar fotos rápidas e seguimos em frente. E assim chegamos no acampamento A2.

O A2 não estava muito cheio, mas tinha bastante gente acampada por lá. Fizemos uma breve parada para descanso e seguimos em frente. Nas outras vezes em que estive no Pico Paraná, do A2 até o cume levei uma hora. Mas dessa vez por culpa do terreno ruim fizemos o trecho até o cume em um tempo maior. Em algumas partes da trilha tinha um barro preto, fedido e em algumas partes muito fundo. Nunca tinha visto algo igual, tal barro fazia lembrar da areia movediça que vemos nos filmes. Teve um momento em que pisei nesse barro e minha bota do pé esquerdo quase ficou perdida no meio do barro. Pela trilhas fomos encontrando pessoas subindo e descendo, na verdade mais pessoas descendo do cume do que subindo. Esse pessoal devia ter subido na madrugada para ver o nascer do sol e agora estava descendo. Sempre que encontrávamos alguém, tanto descendo quando subindo, parávamos para dar passagem a eles. Dessa forma podíamos descansar um pouco e continuar seguindo no ritmo em que estávamos.

Nesse trecho da trilha existem alguns grampos e num deles ergui demais a perna para alcançar o próximo grampo e acabei dando mal jeito nas costas. Tenho duas hérnias de disco, que quando submetidas a esforço extremo costumam reclamar e doer e foi isso o que aconteceu. A partir desse momento em que senti dor nas costas, meio que perdi o encanto pela subida do PP. A partir daí segui na raça, superando as dores que sentia e cuidando para que o problema não ficasse mais grave. As dores, somadas ao cansaço, mais uma certa tremedeira que normalmente tenho, fez que em alguns trechos que demandavam mais esforço, minhas mãos tremessem muito. Isso fez com que uma moça que descia a montanha e me viu tremendo, ficasse preocupada achando que eu estava passando mal. Ela me ofereceu um carbogel, mas recusei e agradeci educadamente a oferta. Legal isso de um tentar ajudar o outro. Tal coisa é comum nas montanhas, mas sempre existem as exceções, aquelas pessoas que não estão nem aí para as outras, que não são nada gentis ou educadas. Felizmente isso é minoria!

Seguimos em frente e exatamente às 10h40min chegamos no cume do Pico Paraná. Estávamos no ponto culminante do sul do Brasil, sob um sol que se não era dos mais quentes, servia para queimar um pouco nossa pele. Era minha terceira vez no cume do PP e a primeira vez da Eliane. Estava mais cansado do que ela e com as dores nas costas não curti tanto estar ali no cume, como curti das outras duas vezes que ali cheguei. Nos sentamos numa pedra e enquanto descansávamos ficamos curtindo a linda paisagem em volta. Também aproveitamos para lanchar, beber água e dividir um Gatorade. E registramos nossos nomes no caderno de cume, que fica numa caixinha em cima de uma pedra. Estava preocupado com minhas dores, já pensando na descida. Sabia que descer com dor seria complicado e nos atrasaria. Outra preocupação era com relação a minha lanterna, pois sabia que ela não teria bateria suficiente para descer no escuro caso nosso atraso na descida fosse grande e o escuro nos alcançasse antes do previsto. Não externei muito minhas preocupações para a Eliane, pois não tinha porque deixá-la preocupada naquele momento. Queria que ela curtisse sua conquista e aproveitasse ao máximo os minutos que ficaria ali no cume. A descida e seus problemas, deixaria para me preocupar conforme eles acontecessem.

Continua na próxima postagem…

Prontos para sair no frio e encarar a montanha.

Vander, Carla, André, Roberto e Eliane.

Eliane chegando no Getúlio.

O dia nascendo por trás do Pico Paraná.

Frio de 6 graus.

Amanhecer com o Pico Paraná ao fundo.

No acampamento A1.

O sol apareceu para aquecer um pouco.

O sol surgindo ao lado do PP.

André, Carla e Roberto no retorno a Fazenda Rio das Pedras.

Já é possível ver pessoas no cume.

Último esforço antes de chegar ao cume…

Após quase 12 horas, finalmente chegamos no cume do Pico Paraná.

Feriado na Fazenda Rio das Pedras

Aproveitando o feriado da sexta-feira santa, peguei dispensa do trabalho na quinta-feira a tarde e junto com Eliane, André, Roberto e Carla, segui para a região de Campina Grande do Sul, cerca de 50 quilômetros após Curitiba. Nosso destino era a Fazenda Rio das Pedras, que fica ao lado da Fazenda Pico Paraná. As duas fazendas são o portão de entrada para as altas e belas montanhas que existem na região. As principais são o Pico Paraná e o Caratuva, respectivamente as duas maiores montanhas do sul do Brasil.

A viagem foi tranquila e conversamos e rimos muito. O mais difícil foi suportar a trilha sonora que o André colocou para tocar. Como o carro era dele, tinha direito de escolher as músicas. Fizemos uma parada no meio do caminho, pouco antes de chegar em Ponta Grossa. Nossa parada foi numa lanchonete especializada em pão de queijo. Depois dessa parada assumi a direção do carro e seguimos em frente, chegando em Curitiba quando já estava escuro. Por ser véspera de feriado o trânsito estava lento e atrasou um pouco nossa viagem.

Já quase no final da viagem, logo após sairmos da Rodovia Régis Bitencourt e entrarmos numa estrada de terra com muitas subidas e buracos, tivemos o primeiro problema da viagem. O carro morreu no meio de uma subida e para sair do lugar os passageiros tiveram que descer e alguns ajudarem a empurrar o carro, que por muito pouco não caiu em uma valeta ao lado da estrada. Felizmente deu tudo certo e chegamos em segurança na Fazenda Rio das Pedras. Passava um pouco das 21 horas, fazia frio e garoava.

Tiramos as bagagens do carro, nos ajeitamos nos três quartos do chalé de madeira que alugamos e nos reunimos para decidir o que fazer. O plano inicial era chegar e logo depois partir para o ataque ao Pico Paraná. Como estávamos cansados da viagem, que demorou mais que o planejado e fazia frio e chuviscava, por votação foi decidido adiar o ataque para a noite seguinte. Depois disso o jeito foi tomar banho e jantar uma deliciosa lasanha feita pelo Roberto. Em seguida cama, um merecido descanso após pouco mais de 500 quilômetros de viagem.

Na manhã seguinte cada um levantou num horário diferente. Após o café da manhã fomos passear pelo lugar, que é muito bonito. Fizemos uma rápida parada numa lanchonete para usar o wi-fi e depois fomos andar ao lado do rio que passa atrás do chalé. O rio é raso, a água transparente e muito gelada. Algumas fotos e voltamos para o chalé. Teve roda de chimarrão e bate papo e logo voltamos ao rio, dessa vez para entrar na água. Foi preciso muita coragem para entrar na água congelante. Era difícil entrar, mas após um minuto dentro da água o corpo acostumava com o frio e ficava relaxante a experiência.

De volta ao chalé teve almoço e a tarde foi de descanso. Aproveitei para dormir um pouco e depois deu até para assistir um filme da Netflix, devidamente baixado no aplicativo instalado no celular. Depois foi banho, janta e mais um pouco de descanso visando o ataque ao Pico Paraná logo mais tarde. Sobre tal ataque você pode ler na próxima postagem…

Pé na estrada…

Entrada da Fazenda Rio das Pedras e a direita o IAP.

Relaxando na água extremamente fria.

Roberto e o dog.

Vander e Eliane

Curitiba

Não visitava Curitiba há dois anos e meio. Morei 19 anos em Curitiba e desde 1988 que não ficava tanto tempo sem ir na cidade. E me assustei com o que vi. Cidade suja, cheia de pichações, muitos moradores de rua, tráfico correndo solto a luz do dia em algumas praças do centro da cidade.

Andei pela cidade a noite e aí sim me assustei. Em algumas regiões existem pedintes em todo semáforo. Nada contra os pedintes, mas é que não tem como você saber quem é realmente pedinte e quem está querendo te assaltar.

Definitivamente Curitiba é uma cidade decadente, que nada lembra os tempos em que morei por lá. Tão cedo não volto!

Mirante da Oi.

 

Bosque do Papa.

 

Passeio Público.

UFPR.  

Ilha do Mel

Desde 2010 que não ia na Ilha do Mel. E depois dessa visita não pretendo voltar tão cedo. Muito lixo, excesso de visitantes, muitas pousadas, bares e restaurantes. Comecei a frequentar a Ilha do Mel no final dos anos oitenta e naquela época a Ilha era mais deserta, não tinha tantos bares, pousadas, som alto e sujeira. Ficávamos em camping e a ilha era mais selvagem e paradisíaca.

Outro absurdo que presenciei, foram algumas casas de alto padrão construídas quase ao lado da Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres.

Fizemos um passeio a pé, maior parte na chuva, entre Nova Brasília e a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres. O passeio foi legal e a volta de barco foi com emoção devido a chuva e o mar cheio de ondas.

Morretes

Estivemos visitando Morretes, uma cidade que acho muito simpática. Fazia alguns anos que não visitava a cidade e me espantei com o aumento do número de restaurantes. Sendo o prato típico local o Barreado, muita gente visita a cidade exclusivamente para comer tal iguaria. Não é meu caso, pois não curto carne cozida e da vez que experimentei o Barreado não gostei.

A chuva acabou encurtando nosso passeio por Morretes, mas mesmo assim valeu a pena as poucas horas que ficamos na cidade.

Passeio de trem Morretes / Curitiba

Fizemos o passeio de trem entre Morretes e Curitiba. Na verdade embarcamos pouco depois de Morretes, na Estação Marumbi. Era a primeira vez que a Eliane fazia esse passeio e ela gostou da experiência. Eu já fiz várias vezes, sendo a última vez em 2010. Tal passeio é muito legal e a paisagem é incrível.

Farei duas observações que acho oportunas. A primeira é com relação as árvores do lado da estrada, que cresceram muito e impedem de se ver muitas paisagens que eram possíveis ver no passado.

A segunda observação é com relação ao preço da passagem. A passagem mais barata é R$ 160,00. Achei muito caro! Lembro dos tempos em que a RFFSA administrava o trem e os preços eram bem em conta. Era muito comum nos finais de semana, famílias inteiras pegarem o trem e irem até Morretes ou Paranaguá (naquela época o trem ia até lá) passarem o dia e no final da tarde pegarem o trem de volta para Curitiba. Hoje isso é meio que impossível de se fazer, pois um casal com um filho, gastaria R$ 960,00 para fazer tal passeio, isso comprando a passagem mais barata. A Serra Verde Express, empresa que administra o trem de passageiros atualmente, parece estar mais preocupada com os turistas endinheirados do que com os passageiros comuns, moradores de Curitiba e região metropolitana.

Ponte São João.

Cruz do Barão.

Véu da Noiva.

Parque Estadual Marumbi

Comecei o ano junto com a Eliane, desbravando o Parque Estadual Marumbi. Passámos dois dias andando pelo Parque. Fazia alguns anos que não visitava o lugar e constatei que as casas e as estações Engenheiro Lange e Marumbi, estão em péssimo estado de conservação.

Também caminhamos um pouco pelo Caminho do Itupava. O mesmo está fechado desde o início da pandemia e a trilha está suja, com muito mato e cobras. O camping do Marumbi também está fechado e o horário restrito, você precisa sair do Parque até 17 horas. Isso atrapalhou muito nossos planos, pois tivemos que ficar num camping distante seis quilômetros do Parque. E por conta do horário restrito de visitação, não chegamos ao cume do Marumbi.

Apesar dos pesares, foram dois dias muito agradáveis visitando o Parque Estadual Marumbi. O que nos fez sofrer bastante foi o calor intenso, mas no geral valeu o passeio.

Tinha uma cobra no caminho…

Caminho do Itupava.

Caminho do Itupava.

Com Waldemar Niclevicz, o maior montanhista brasileiro.

Estação Marumbi.

O camping está fechado há muito tempo.

 

Estrada da Graciosa

Descemos pela histórica Estrada da Graciosa. Fazia um dia de sol, o que deixou o passeio ainda mais bonito. Notei que a cada ano as árvores do lado da estrada crescem mais e isso faz com que cada vez menos se possa observar a bela vista que se tem ao passar por ali. Mas derrubar árvores é algo impensável, então o jeito é admirar a mata e as sinuosas curvas da estrada.

A Estrada da Graciosa é uma estrada pertencente ao governo do Paraná, que utiliza a antiga rota dos tropeiros em direção ao litoral do Estado, interligando o município de Quatro Barras, às cidades de antonina e Morretes. Foi a primeira estrada pavimentada do Paraná. A estrada atravessa o trecho mais preservado de Mata Atlântica do Brasil, marcado pela mata tropical e pelos belos riachos que nascem na Serra do mar. Por isso, em 1993, parte do trecho da Serra foi declarada pela UNESCO como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.

Portal da Graciosa.

Parque Estadual de Vila Velha

 

Após 11 anos desde minha última visita, voltei ao Parque Estadual de Vila Velha. E gostei do que vi! O Parque está bem cuidado, limpo, os passeios bem organizados. Tudo bem diferente da primeira vez que estive ali, no início de 2000. Naquela época tudo era meio caótico e bagunçado.

Fizemos o passeio clássico pelos arenitos e depois fomos de ônibus até Furnas. Uma pena que o elevador que leva até o fundo continua quebrado. Foi a primeira vez da Eliane no local e ela curtiu muito o passeio. Fazia bastante calor e mesmo sendo o primeiro dia do ano o Parque estava cheio.

Você paga um ingresso de R$ 48,00 e tem direito a fazer os três passeios disponíveis, que são: Arenitos, Furnas e Lagoa Dourada. Não fomos até a Lagoa Dourada, pois tinha muita fila para os ônibus e estávamos cansados após viajar quase a noite toda e queríamos seguir em frente com nossa viagem.

O Parque Estadual de Vila Velha  foi o primeiro Parque Estadual criado no Paraná, em 1953, pela Lei Estadual nº 1.292. Alguns anos depois, em 1966, foi tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico do Estado do Paraná. Hoje, é uma concessão do Governo de Estado do Paraná, por meio do Instituto Água e Terra, à Soul Vila Velha, uma empresa da Soul Parques.

Em frente ao Camelo. 
Taça.

Furnas.

Não Olhe Para Cima

Véspera de Natal e resolvi assistir um filme recém lançado na Netflix. E valeu muito a pena, pois o filme além de engraçado, fala sobre temas importantes e atuais, bem como chuta algumas canelas. E o elenco do filme também é muito bom, com atores oscarizados.

O filme Não Olhe Para Cima, conta a história de dois astrônomos que descobrem um cometa mortal vindo em direção à Terra, mas são desacreditados quando tentam alertar a população sobre o perigo…. No fundo o filme é uma bela crítica social, que mostra como o negacionismo vem ganhando força nos dias de hoje. Também mostra o problema climático que o mundo enfrenta e para o qual poucos dão a devida atenção.

Gostei muito do filme, principalmente porque no final acontece o que mais queria que acontecesse com o mundo real. Mas não vou contar aqui para não dar spoiler. Assita ao filme e vai saber sobre o que estou falando, sobre qual é esse meu sonho utópico.

LIVRO: Um Novo Olhar pelos Caminhos de Peabiru

Hoje estive presente no lançamento do livro Um Novo Olhar pelos Caminhos de Peabiru, da minha amiga Gessiane Pereira. O lançamento e noite de autógrafos foi em frente a Casa da Cultura de Peabiru e contou com a presença de um bom público. O livro é um coletânea de fotos da autora e poesias de alguns moradores da cidade de Peabiru.

II Caminhada Noturna São Franscisco de Assis

Aconteceu no último sábado a II Caminhada Noturna São Francisco de Assis. Essa caminhada foi adiada por quase um ano em razão da Covid19. A caminhada teve cerca de 140 participantes de diversas cidades. Seu início foi na localidade do Boicotó, que pertence ao munícipio de Corumbataí do Sul e seu término foi na cidade de Campo Mourão. Foram 40 quilômetros de caminhada, percorrendo principalmente estradas de terra.

A caminhada começou pouco antes das 20 horas do sábado. Logo nos primeiros quilômetros a lua cheia apareceu e isso possibilitou a muitos caminhantes poder caminhar sem a luz de lanternas. Carros de apoio acompanharam os caminhantes, disponibilizando água, bananas e paçoquinhas.

A caminhada passou por dentro da pequena comunidade de Silviolândia, onde muitos caminhantes aproveitaram para parar no único bar do local, para beber, comer e descansar um pouco. Após Silviolândia começou o trecho mais difícil da caminhada, com muitas subidas difíceis.

Cerca de 50 caminhantes não percorreram todo o percurso, tendo pegado carona com os carros de apoio para percorrer alguns quilômetros ou para serem levados até o ponto final da caminhada. Aqueles que percorreram todos os 40 quilômetros vivenciaram uma experiência de superação, força de vontade e descobriram como é bom o sentimento de missão cumprida ao chegar no final da caminhada sem ter pegado carona por um único metro sequer.

Para aqueles que desistiram ou pegaram carona, valeu o esforço de ter tentado e o aprendizado obtido com a experiência de  ter participado da caminhada noturna. E que na próxima edição possam se preparar melhor fisicamente e psicologicamente para completar os 40 quilômetros caminhando. Numa caminhada desse porte, 50 por cento é condicionamento físico e os outros 50 por cento é força de vontade.

A caminhada foi muito bem organizada e espero no próximo ano participar novamente dela, pois a experiência é enriquecedora.

No ônibus seguindo para o Boicotó.
Salto Boicotó.
Caminhantes reunidos.
Capela no início da caminhada.
A lua cheia surgindo.
Entrando em Silviolândia.
Em Silviolândia, uma Coca-Cola para refrescar.
Sombras na noite…
Pessoal da organização.

De volta ao Caratuva

No feriado de 15 de novembro, estive pela segunda vez no cume do Pico Caratuva, que é a segunda montanha mais alto do sul do Brasil, com 1.860 metros de altitude. A outra vez que estive nessa montanha foi em novembro de 2008. Na época eu ainda morava em Curitiba, então era mais fácil ir até a Fazenda Pico Paraná e iniciar a subida da montanha, pois a distância da fazenda até minha casa era de apenas 50 quilômetros. Atualmente moro a 500 quilômetros de distância, então a ida até lá demandou uma certa organização, tempo e gastos.

Saímos de Campo Mourão em dois carros, com quatro ocupantes cada um. Pegamos estrada no início da tarde de sábado, com um calor na casa dos 30 graus. Chegamos na Fazenda Pico Paraná a noite e com uma temperatura de 14 graus. Nós ficaríamos alojados em um chalé na Chácara Rio das Pedras, que fica ao lado da Fazenda Pico Paraná. Lá nos esperavam mais dois caras de Joinville – SC, que subiriam a montanha conosco e um amigo deles que não subiria. A viagem foi cansativa e após ajeitarmos as coisas e comermos, fui dormir.

Acordei às 02h30min, após ter dormido pouco mais de três horas. Fiz uma descoberta nem um pouco agradável. Cometi um erro de iniciante, esquecendo minhas botas. Tinha levado apenas um tênis velho, cujo solado estava completamente liso. Subir com aquele tênis por trilhas molhadas e cheia de barro era algo perigoso. Por alguns momentos cogitei desistir de subir o Caratuva, mas resolvi arriscar, sabendo que sofreria muitos escorregões com aquele par de tênis liso e teria que tomar muito cuidado para não sofrer nenhuma queda.

Fazia ainda mais frio. Rapidamente me arrumei e saí com os outros nove integrantes do grupo, rumo a montanha. O plano era ver o sol nascer lá do alto. O início da caminhada sempre é difícil, pois o corpo está meio frio e travado. Tinha chovido durante a semana naquela região e encontramos muito barro pelo caminho. Após duas horas de caminhada, um dos companheiros desistiu, devido a dores no joelho e deu meia volta. Começou a ventar forte e cair uma fina garoa.

A subida não foi das mais fáceis, mas seguimos em frente e nosso grupo acabou se separando, pois alguns seguiam mais rápidos e outros menos. Eu era um dos que ficou no grupo mais lento, pois desde o início vinha fechando o grupo. Devido a trilha ruim que encontramos, logo que o dia começou a clarear percebemos que não conseguiríamos chegar ao cume antes do nascer do sol. Logo baixou uma neblina densa o que era sinal de que no alto da montanha devia estar com o tempo fechado e não seria possível ver o sol nascer.

Quase que exatamente às 07h00min, atingimos o cume do Caratuva. Lá em cima estava tudo branco pela neblina, ventava e fazia muito frio. Após 13 anos eu voltava ao cume e encontrava o tempo igual da vez anterior. A vista lá do alto quando o dia está limpo é muito bonita, mas com o tempo fechado como estava não dava para ver nada. Estranhamos em não ter encontrado no cume quatro companheiros que tinham seguido na frente. Será que se perderam pelo caminho?

Ficamos uma hora no cume esperando para ver se o tempo limpava e que no mínimo pudéssemos ver o Pico Paraná lá do alto. Mas nada de o tempo limpar e ficar parado causava frio, então resolvemos descer. Na parte de trás da montanha, pelo caminho onde tínhamos subido, o tempo estava limpando e era possível ver a bela paisagem onde se destaca a Represa do Capivari. Ficamos alguns minutos admirando a paisagem e nos aquecendo ao sol.

Começamos a descer, o que teoricamente é mais fácil. Mas devido a trilha molhada e enlameada, não foi tão fácil a descida. Sem contar que ela estava mais perigosa. Era muito fácil escorregar e sofrer uma queda. Após pouco mais de uma hora de iniciarmos a descida, escorreguei e ao tentar me segurar numa árvore um pedaço de pau atravessou um dedo de minha mão esquerda. Saiu muito sangue e senti uma dor terrível. Fui socorrido pelos amigos Welison e Paulo, sendo que esse improvisou um curativo. Se a descida já estava difícil, com uma mão imobilizada e sentindo dor, o resto da descida foi ainda mais complicado. Mas ficar parado não era uma opção e o jeito foi seguir em frente.

Começamos a encontrar muita gente na trilha. Em razão do feriado, muitas pessoas tinham optado em seguir para as montanhas. Após passar frio de madrugada e no início da manhã, agora era vez de sofrer com o sol quente quando chegamos na região do Getúlio, onde a maior parte da trilha não é protegida pela sombra das árvores. Pouco antes do meio dia chegamos na Fazenda Pico Paraná e seguimos para nosso chalé. Me sentia muito cansando, com muita dor nas pernas e no dedo machucado.

Chegando no chalé, descobrimos que o Roberto, Ronaldo, Vitor e André, tinham errado a trilha e foram parar na montanha errada. Eles acabaram indo parar no Taipa. Tal erro foi motivo de muita zoação, principalmente com o Ronaldo e o André, que já tinham o histórico de ter tido problemas no Pico Paraná. Eles foram considerados pé frios de montanha.

Tomei um longo banho quente, limpei o dedo ferido e fiz um curativo mais caprichado. Fiz um lanche rápido e fui dormir. Dormi o resto do dia e a noite levantei para comer e conversar um pouco com o pessoal. O dedo machucado tinha inchado e estava latejando. Cogitei ir até um hospital em Curitiba, para dar uma olhada melhor no ferimento. Meu receio era de que alguma sujeira ou pedaço de madeira tivesse ficado dentro do dedo.

Nessa viagem o Roberto, que está fazendo um curso noturno de cozinha no Senac, foi nosso cozinheiro. Ele caprichou nas refeições e confesso que nunca comi tanto e tão bem durante uma viagem as montanhas. Ele se mostrou bem preocupado com meu dedo machucado e a noite tive tratamento vip por parte dele. A todo momento ele vinha me trazer churrasco e refrigerante, queria saber como estava meu dedo, perguntava se eu queria ir para um hospital e muita coisa mais.

Dormi cedo, tinha esfriado bastante e meu saco de dormir colocado em cima de um colchão no chão, estava bastante acolhedor. No dia seguinte levantamos cedo, arrumamos nossas coisas e pegamos a estrada de volta para casa. Meu dedo estava ainda mais inchado e doendo, o que me fez tomar alguns comprimidos para dor. Não vi necessidade de parar num hospital em Curitiba. Só fui buscar tratamento médico no dia seguinte, quando já estava em minha cidade e acordei com o dedo roxo, muito inchado e ainda mais dolorido. Tive que tomar antibióticos durante uma semana e também tomar vacina para tétano. A vacina (pra variar) me deu reação e fiquei um dia e meio muito mal, com dores pelo corpo, febre e desanimo. Mas no fim tudo deu cedo e o dedo está curado.

Essa foi uma viagem e uma aventura muito legal e nosso grupo se mostrou divertido e a parceria foi total. Agora que venham as próximas montanhas…

 

 

Vitor, Ronaldo e Cris.
Ao fundo a Represa do Capivari.
André, Vander, Roberto e Welison.

 

Vivian Maier

Uma de minhas paixões é a fotografia e hoje por acaso ouvi falar pela primeira vez sobre uma fotógrafa cuja obra foi descoberta há poucos anos e que está fazendo muito sucesso pelo mundo. O nome da fotógrafa é Vivian Maier. Ela nasceu em Nova York, trabalhou quase a vida toda como babá e governanta nas cidades de Nova York e Chicago. Ela sempre foi reservada e seu hobby era a fotografia. As famílias que a contrataram nessas duas cidades, não sabiam que ela fotografava de forma obsessiva.

Durante uma fase de sua vida, Vivian viajou por alguns países, tendo inclusive visitado a América do Sul. Por onde andava ela costumava carregar uma máquina fotográfica e gostava de tirar fotos do cotidiano, de pessoas aleatórias que via pelas ruas. E antes do selfie se tornar modinha, Vivian gostava de tirar auto retratos utilizando o reflexo de vitrines, espelhos, rodas de carros e etc.

Vivian faleceu em 2009 numa casa de repouso em Chicago, aos 83 anos. Deixou para a posteridade milhares de fotos, sendo a maioria em preto e branco. Poucas de suas fotos tinham sido reveladas. Ela deixou centenas de rolos de filmes guardados em um depósito público (depósitos comuns de se encontrar nos Estados Unidos, onde se paga uma taxa mensal para guardar coisas). Quando ficou velha e não tinha mais dinheiro para pagar o aluguel mensal do depósito onde estavam guardadas suas coisas, todo seu acervo acabou indo parar em um leilão. O comprador, John Maloof, de 27 anos, arrematou em 2007 por US$ 400,00 cerca de 30 mil negativos e 1.600 rolos de filmes não revelados. Ao olhar pela primeira vez o acervo de Vivian, não encontrou  nada interessante. Ele pesquisou sobre a autora e não encontrou nada sobre ela, então guardou o acervo no armário.

Em 2009, por acaso John Maloof leu num jornal o obituário falando sobre a morte de Vivian Maier. Curioso foi pesquisar sobre a desconhecida fotógrafa. Desvendou a vida dela, revelou os filmes que tinha guardado no armário e descobriu que tinha em mãos um verdadeiro tesouro, que mostrava através de fotografias tiradas entre 1953 e 1984, histórias de pessoas desconhecidas e do cotidiano de então. Jonh Mallof fez um documentário sobre Vivian Maier, o qual fez sucesso e tornou famosa a fotógrafa discreta que jamais sonhara em se tornar famosa.

O documentário “À procura de Vivian Maier”, que concorreu ao Oscar em 2015, foi parar na Netflix e muitas das fotos de Vivian foram parar em exposições em famosas galerias de arte e museus pelo mundo. Vivian Maier tinha grande talento para a fotografia, talento que ela desconhecia. 

Familiares próximos de Vivian, tendo como base a Lei de Direitos Autorais, entraram na justiça americana exigindo que o acervo volte para suas mãos. Enquanto a briga judicial está correndo, advogados da família exigiram que as imagens fossem retiradas de galerias, museus e que nada fosse comercializado. Processos desse tipo podem durar anos e por isso boa parte da obra de Vivian Maier pode ficar escondida por mais um longo tempo.

NovaYork, 1953.
Foto de 1956.
Uma das fotos coloridas de Vivian Maier.

ALGUNS AUTO RETRATOS DE VIVIAN MAIER

Documentário: “A Procura de Vivian Maier” (2013).

O Hóspede Americano

O Hóspede Americano é uma série que está estreando na HBO. Ela conta uma história real sobre a expedição que o ex-Presidente norte Americano Theodore Roosevelt, fez pela amazônia em companhia do Marechal Cândido Rondon. Existe um livro (esgotado) que conta essa história em detalhes, O Rio da Dúvida (Candice Millard).

Em O Hóspede Americano, após perder as eleições para a presidência dos Estados Unidos, o ex-Presidente Theodore Roosevelt (Aidan Quinn) desembarca em solo brasileiro para realizar uma expedição no último rio não explorado do país, o Rio da Dúvida em Rôndonia. Ele parte nessa aventura ao lado de seu amigo de longa data Farrel Nash (David Herman) e do filho Kermit (Chris Mason). Eles tem a ajuda do Marechal Cândido Rondon (Chico Diaz), responsável por interligar as regiões mais distantes do Brasil. As diferenças de personalidade dificultam a relação entre o ex-Presidente e o militar, mas eles precisararão aprender a trabalhar juntos para conduzir essa viagem.

O Hóspede Americano.
Livro: O Rio da Dúvida

Exposição do Magic Bus (ônibus 142)

O trabalho de conservação e reparação para colocar o ônibus 142 em exposição no Museu do Norte,da Universidade do Alaska, deve durar entre dois e três anos. O processo de trazer o ônibus 142 ao público é um pouco demorado, em razão do cuidadoso trabalho de conservação do ônibus e documentação dos objetos contidos nele e a história representada por eles. Documentar a história do ônibus 142 e as histórias associadas a ele é um processo de longo prazo que envolve pesquisa de arquivos, entrevistas e coleta de informações, fotos, vídeos e testemunho de pessoas que estiveram no local original onde o ônibus estava e que documentaram algo sobre ele. 

Enquanto o ônibus 142 estiver nesse processo de preparo e restauro, será possível acompnhar on-line seu estado e observar os processos pelo qual ele estará passando. A Universidade do Alaska criou um link onde em breve será possível acompanhar o ônibus 142 ao vivo. 

https://uaf.edu/museum/collections/ethno/projects/bus_142/

O ônibus 142 se muda para novo local

O ônibus 142 se muda para o prédio de engenharia da UAF. 

O ônibus 142 está de volta aos olhos do público. Na tarde de quarta-feira, o Museu do Norte da Universidade do Alasca transferiu o ônibus da década de 1940, que ficou famoso pelo livro "Into the Wild" (Na Natureza Selvagem) de Jon Krakauer e o filme de 2007 de mesmo nome, para o prédio de engenharia da universidade em Fairbanks. 

Ele passará o resto do ano acadêmico no laboratório de alto padrão do prédio, onde a equipe do museu, engenheiros e conservadores continuarão o trabalho meticuloso de prepará-lo para exibição no museu. O laboratório, que é visível do átrio do prédio, oferecerá um local aconchegante para trabalhar e a primeira chance do público de ver o ônibus desde sua remoção da Stampede Trail no ano passado.

“O processo de preparação do Ônibus 142 para exibição permanente é demorado, mas sua presença no prédio de engenharia permitirá que o público acompanhe esse processo, tanto aqui em Fairbanks quanto online”, disse a gerente sênior de coleção de etnologia e história do museu, Angela Linn. O museu planeja instalar uma webcam para que o público possa ver online o trabalho de conservação. 

A fama do ônibus 142 cresceu com a história de Chris McCandless, um homem de 24 anos que morreu no ônibus em 1992. O local remoto ao norte do Parque Denali tornou-se um destino frequentemente perigoso para visitantes inspirados na história de McCandless. Alguns desses visitantes ficaram feridos ou morreram durante a viagem, o que levou o Departamento de Recursos Naturais do Alasca a remover o ônibus da Stampede Trail em junho de 2020. Três meses depois, o ônibus chegou a um depósito em Fairbanks, onde a equipe do museu começou trabalho de conservação.

Durante o inverno, a equipe do museu tirará fotos detalhadas e digitalizações 3D do ônibus, e construirá uma estrutura para apoiar a estrutura do ônibus. Durante o semestre da primavera, eles trabalharão com estudantes de engenharia da UAF no projeto e fabricação de uma capa para a exposição, que está programada para ser ao ar livre ao norte do museu no campus Fairbanks da Universidade do Alasca em Fairbanks. No próximo ano, especialistas em conservação de veículos históricos começarão a preparar o ônibus para a exposição, processo que envolve tanto reparos e limpeza, quanto obras de preservação.

“Nosso objetivo é que os visitantes vivenciem a história completa do ônibus: sua jornada ao Alasca, seu papel nos últimos meses de Chris McCandless e as décadas de interesse público após sua morte”, disse Linn.

O público pode ver o ônibus do átrio do prédio de engenharia nos dias úteis das 8h às 20h e online por meio de uma webcam que será instalada em breve, que terá um link no site do museu.

MAIS INFORMAÇÕES

Apoie a preservação, interpretação e exibição do ônibus visitando https://uaf.edu/museum/collections/ethno/projects/bus_142/


PS: O link com o texto em inglês nos foi enviado por Bárbara Bezerra de Menezes.
O ônibus 142 do Fairbanks Transit System chega ao campus de Troth Yeddha na quarta-feira, 6 de outubro de 2021, no laboratório de testes estruturais da unidade de engenharia, aprendizado e inovação. (UAF photo by JR Ancheta)
O ônibus 142 é baixado no laboratório estrutural das Instalações de Engenharia, Aprendizagem e Inovação para preservação na quarta-feira, 6 de outubro de 2021 no campus de Troth Yeddha. (UAF photo by JR Ancheta)
Um grupo de alunos se reúne para observar o ônibus Fairbanks Transit 142 no Centro de Engenharia, Aprendizagem e Inovação na quarta-feira, 6 de outubro de 2021 no campus Fairbanks. (UAF photo by JR Ancheta)

Walt Disney World 50 anos

O Walt Disney World está completando 50 anos hoje. Foi em 1 de outubro de 1971 que o Magic Kingdom foi aberto aos visitantes pela primeira vez. O Walt Disney World atualmente recebe anualmente milhões de pessoas em seus parques temáticos e hotéis.

Disneyland Park, originalmente Disneyland e comumente referido em português como a Disneylândia, é o primeiro de dois parques temáticos construídos no Disneyland Resort em Anaheim, Califórnia, inaugurado em 17 de julho de 1955. É o único parque temático projetado e construído sob a supervisão direta de Walt Disney. Originalmente, era a única atração da propriedade; seu nome oficial foi alterado para Disneyland Park para diferenciá-lo do complexo em expansão na década de 1990. Foi o primeiro parque temático da Disney.

Com planos de expansão, Walt Disney não pode fazer isso com a Disneyland, pois a maioria dos terrenos em volta tinham sido ocupados por vários tipos de construções e os terrenos vagos custavam uma fortuna. Então Walt Disney teve a ideia de construir um novo parque e na surdina comprou enorme quantidade de terras na então pouco conhecida cidade de Orlando, no sul do estado da Flórida. Ali ele começou a construir o Walt Disney World. Infelizmente Walt Disney faleceu antes de ver seu novo parque inaugurado.

Graças ao Walt Disney World, a cidade de Orlando cresceu e hoje é uma das cidades mais visitadas no mundo e a cidade mais visitada dos Estados Unidos. O Walt Disney World possui quatro parques temáticos: Magic Kingdom, Epcot, Disney´s Hollywood Studios e Disney´s Animal Kingdom. Além dos quatro parques temáticos da Disney, a cidade de Orlando tem ainda dois parque da Universal Studios e um do Sea World.

Quando criança meu grande sonho era visitar a Disney, pois era grande consumidor dos quadrinhos e filmes da Disney. Mas para um garoto pobre de um bairro humilde de uma pequena cidade do interior do Paraná, tal sonho nessa época era impossível. Mas os anos passaram e logo após completar 32 anos de idade, o garotinho do interior do Paraná conseguiu realizar seu grande sonho de infância, ao visitar pela primeira vez a cidade de Orlando e o Walt Disney World. E para o sonho ser ainda mais completo, o garotinho sonhador do passado voltou outras vezes a Orlando e a Disney, tendo inclusive morado durante um ano na cidade de Orlando.

Isso prova que sonhos não tem preço e que passe o tempo que for é possível de serem realizados…

Minha primeira vez no Walt Disney World, 31/05/2002.
No Epcto, em 2003.
No Disney Hollywood Studios, em 2011.
Walt Disney no lançamento do projeto do Walt Disney World.

A Bela Adormecida do Everest

Francys Distefano Arsentiev se tornou a primeira mulher dos Estados Unidos a chegar ao cume do Monte Everest sem a ajuda de oxigênio em garrafa, em 22 de maio de 1998. Ela morreu durante a descida e ficou conhecida como “A Bela Adormecida”. Tinha 40 anos quando morreu.

Francys fez história no Everest ao atingir o cume, mas na descida algo deu errado e ela e o marido, Sergei, foram forçados a passar a noite na zona da morte e ficaram separados. Na manhã seguinte, Sergei sofreu uma queda fatal tentando resgatar Francys. Eles estavam por volta de 8.550m de altitude. Os escaladores Ian Woodall e Cath O´Dowd, chegaram até Francys às 5h00 e desistiram do cume, ficando com ela por uma hora em temperaturas extremas antes de serem forçados a deixarem agonizando e retornarem para a segurança do Campo 4. Algum tempo depois, Francys sucumbiu ao congelamento e à exaustão vindo a morrer.

Seu corpo ficou extirado próximo a trilha e devido a estar localizado em uma altitude muito alta, era muito difícil tirar ele de lá. O corpo de Francys passou a fazer companhia a outros cerca de 200 corpos que estão abandonados nas trilhas e encostas do Everest.

Anos se passaram e Woodall, que ficou com ela nas horas finais, se tornou assombrado pela incapacidade de salvá-la e muito chateado com o fato de seu corpo ter se tornado um ponto de referência. Em 2007, Woodall, retornou ao Everest especificamente para remover o corpo de Francys de vista. Woodall e um Sherpa que se voluntariou para ajudar, caminharam até o local onde ele lembrou ter deixado Francys. O plano original era criar uma lápide de pedras para ela, mas para o desânimo de Woodall, ele encontrou a área enterrada por um metro de neve. Os dois começaram a cavar e com um pouco de sorte encontraram Francys na segunda tentativa. Eles tinham corda o suficiente para abaixar o corpo dela ao longo da borda da montanha e foi isso que fizeram. Após envolverem seus restos mortais rígidos com a bandeira americana e dizerem algumas palavras, eles a desceram pela enconsta da montanha, aparentemente para o mesmo lugar onde Sergei estava. Levaram cinco horas para executar tal tarefa. Dessa forma o corpo de Francys desapareceu da vista dos montanhistas e deixou de ser ponto de referência.



Sargento Fahur

O Sargento Gilson Cardoso Fahur é paranaense, natural de Londrina, casado, católico e por 35 anos atuou como policial militar rodoviário. Foi integrante da Rotam (Rondas Ostensivas Tático Metropolitanas) da 4ª Companhia da Polícia Rodoviária Estadual do Paraná (PRE), cuja lotação é na cidade de Maringá.

Ele se tornou nacionalmente conhecido pelo sucesso nas operações que liderou e também pela linha dura em sua atuação como policial militar rodoviário quando, juntamente com sua equipe, realizou grandes apreensões de entorpecentes que ganharam o noticiário local e nacional. Somado a isso, também se tornou notório por suas declarações enérgicas contra criminosos em entrevistas a reportagens jornalísticas que viralizaram pelas redes sociais, particularmente aquelas contra o narcotráfico. Frequentemente, Sargento Fahur se declara contra a legalização das drogas, a favor da pena de morte e defende o direito da população civil a ter posse e porte de armas.

Em suas páginas no Facebook, ele conta atualmente com mais de 2 milhões de seguidores, além de possuir outras dezenas de milhares no Twiter, Instagram e YouTube. Em suas postagens nas redes sociais, ele costuma publicar frequentes mensagens contra criminosos.

Em junho de 2013, Sargento Fahur e sua equipe foram homenageados pela Câmara Municipal de Vereadores de Maringá pelos serviços prestados à corporação e ao Estado, com a entrega do título Mérito Comunitário e Brasão do Município.

Nas eleições de 2014, Sargento Fahur foi candidato a Deputado Federal representando o Estado do Paraná, quando obteve 50.608 votos (0.89%) e, embora não eleito, tornou-se primeiro suplente na respectiva coligação.

Em maio de 2015, o programa humorístico Pânico na Band apresentou o personagem cômico “Sargento Fagur”, em referência ao policial paranaense, sendo interpretado pelo humorista Márvio Lúcio, o “Carioca”. Em abril de 2017 o personagem voltou a aparecer na atração.

Em 2017, com a aposentadoria compulsória prevista na legislação estadual do Paraná, entrou para a Reserva Remunerada da Polícia Militar do Estado do Paraná, após 35 anos servindo na corporação.

Em março de 2018, com pretensões a uma cadeira na Câmara dos Deputados, filiou-se ao Partido Social Democrático (PSD). Inicialmente, era previsto que Fahur se filiasse ao Partido Social Liberal (PSL), mas, segundo Fahur, essa opção foi vetada por dirigentes deste partido por razões de estratégia eleitoral, o que fez então a sua escolha recair sobre o PSD, partido liderado no Paraná por Ratinho Junior, embora o sargento da reserva continue a apoiar o Presidente da República eleito, Jair Bolsonaro.

Em outubro de 2018 foi eleito Deputado Federal pelo estado do Paraná. Foi o candidato mais votado para o cargo no Paraná, com 314.963 votos.

Fonte: Wikipédia

BIOGRAFIA

  • Nome Civil: GILSON CARDOSO FAHUR
  • Nascimento: 06/11/1963
  • Naturalidade: Londrina , PR
  • Profissões: Policial
  • Filiação: Amin Fahur e Aparecida Cardoso
  • Escolaridade: Ensino Fundamental

Mandatos na Câmara dos Deputados:

Deputado Federal – 2019-2023, PR, PSD

Data de posse: 01/02/2019

CÂMARA DOS DEPUTADOS – 56ª Legislatura:

COMISSÃO PERMANENTE:
Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional – CREDN: Suplente, 10/03/2021 – , Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado – CSPCCO: Titular, 12/03/2019 – 03/02/2020, 10/03/2021 .

COMISSÃO ESPECIAL:
PL 1645/19 – PROTEÇÃO SOCIAL DOS MILITARES: Suplente, 21/08/2019 – 10/12/2019, PL 1595/19 – AÇÕES CONTRATERRORISTAS: Suplente, 23/06/2021.

Atividades Profissionais e Cargos Públicos:

1º Sargento da Policia Militar do Paraná, Governo do Estado do Paraná / PMPR, Maringá , PR, 1983 – 2017.

Para saber mais sobre o Sargento Fahur, visite seu canal no Youtube, no link abaixo:

https://www.youtube.com/c/SargentoFahur1

Henrique Paulo Schmidlin (Vitamina)

As peripécias de Henrique Schmidlin sobre as montanhas começaram bem cedo. O menino, nascido em 1930, costumava passar as férias escolares na casa da família de sua mãe, na região de Bocaiúva do Sul. Lá, por horas admirava o sobe e desce que os morros faziam ao redor do terreno da propriedade. Um dia seu tio resolveu levá-lo até um deles. A subida exigente para as pernas de 8 anos, a possibilidade de encontrar algum bicho no caminho, a luta por entre a vegetação para alcançar o ponto mais alto, todo o percurso foi fascinante. Era apenas um morro, mas para Henrique, admirador dos aventureiros personagens dos livros do alemão Karl May, parecia um gigante desafio. Depois da primeira subida, as férias do menino passaram a ser uma alegria só. Henrique gastava todo o tempo que podia explorando cada morro que encontrava na região. Mas, ao voltar para Curitiba, onde morava, limitava-se a alguns passeios com a família, além disso, era preciso se dedicar aos cadernos e livros do colégio católico em que estudava. E foi lá que Henrique, na década de 1940, viu algo que mudaria sua vida

Um dia, em um quadro no colégio, viu pendurada uma folha que estampava a figura de uma montanha. O menino parou, encantado com aquele desenho: no mesmo instante em que seus olhos se fixaram sobre a imagem, ele soube que precisava subir aquela montanha. Em cima do cartaz havia um nome:

“Marumby”, na grafia da época. Com o sangue aventureiro pulsando forte, Henrique, com um amigo, embarcou em um trem em Curitiba, para descer na estação Marumbi. Lá, os dois pegaram uma trilha e alcançaram o cume do Olimpo, na época, considerada a montanha mais alta do Sul do Brasil, com uma altitude atribuída de 1.810 metros, numa região não muito distante da capital. A mesma sensação encontrada nos morros, quando mais novo, capturou Henrique, mas de uma maneira tão maior quanto a montanha que havia agora encarado. Fim de semana após fim de semana, o jovem voltou a subir as elevações. Pelas trilhas do conjunto Marumbi, conheceu ilustres montanhistas, muitos deles que haviam, inclusive, sido os primeiros homens a tocarem o alto das elevações daquele conjunto.

Simpático e falante, Henrique logo já era amigo de todos, e, seguindo a tradição da época, ganhou o apelido que deixaria seu nome completo sempre em segundo plano. Em uma época na qual sardinha e carne eram os alimentos preferidos de muitos brasileiros, o jovem de descendência alemã levava para todos os seus passeios uma mochila farta de frutas e verduras, ricas em vitamina.

Pertencendo agora a um grupo de montanhistas que era motivado por aventuras e conquistas, Vitamina participava de desafios inventados pelo engenhoso colega de montanha Rudolfo Stamm. As propostas incluíam ver quem subia mais montanhas, quem conseguia subir por uma trilha, voltar por outra, escalar as paredes rochosas, entre outras aventuras. Um grande alvo surgiu quando o geógrafo Renhard Maack descobriu outro ponto culminante na serra, mais alto do que o Olimpo, e lhe deu o nome de Pico Paraná. Com altitude inicial calculada de 1.979 metros, o pico foi conquistado por uma expedição que contava com Reinhard Maack, Rudolfo Stamm, Alfredo Mysing, Josias Armstrong e Benedito Lopes de Castro, em 1941, e logo viraria febre entre os outros montanhistas, que lutavam para chegar ao cume, em uma época em que se aproximar da região daquelas montanhas já era uma aventura. Outras competições surgiram para tentar chegar aos cumes da Serra da Graciosa, Serra da Farinha Seca e da Serra da Prata. Em 1947, Rudolfo Stamm e outros montanhistas fundaram o famoso Círculo de Marumbinistas de Curitiba (CMC) e o nome de Vitamina aparecia como um dos primeiros integrantes.

Aos poucos, com a maioria das montanhas já conquistadas, o interesse começou a se voltar para os paredões rochosos, convidativos à prática da escalada. As primeiras subidas surgiram com a Via dos Bandeirantes e a Chaminé do Gavião, essa última considerada o marco inicial da escalada em rocha no Marumbi. Vitamina, os irmãos Curial, Tarzan e Sobanski logo foram enfeitiçados pela grandiosa parede norte da montanha Esfinge. Ali, passaram quase quatro anos investindo em escaladas para abrir uma via. Como se já não bastasse a imensidão daquela rocha, primeiro, era necessário caminhar por uma trilha durante quase duas horas para chegar até o início da parede. Sem esquecer de levar nas costas os pesados equipamentos para a escalada, que incluíam talhadeira, grampos e outros aparatos para abertura da via, além da corda de sisal, pesada, que fazia a “segurança” do escalador. A parede começou a ser desbravada em fevereiro de 1950, por Orisel e Osires Curial. No dia 26 de fevereiro de 1954 lá estavam Vita e Tarzan, ainda investindo nessa via. Os dois iniciaram as grampeações já a noite, com a ajuda de um precário lampião que a certa altura os deixou na mão. Mesmo assim prosseguiram, agarrando a parede, juntando[1]se a ela até tornar-se um só na imensa escuridão. Na metade da madrugada resolveram descansar, dormiram sobre as rochas. Com o despontar forte do sol, retomaram o trabalho, com pouca reserva de água potável. A cada grampo fixado ao grande paredão, um sentimento de vitória, a cada esforço que o braço já cansado lutava para fazer, os montanhistas ficavam mais próximos de concluir a via. Com sede e um grande cansaço de repente avistaram o cume da montanha e, finalmente, puderam nela pisar a partir de um caminho até então inexplorado. Até hoje, os 230 metros desse pare[1]dão são respeitados como uma escalada de dificuldade técnica ainda alta, mesmo com o uso de equipamentos mais modernos.

Não contente em subir e escalar as elevações rochosas, Vita também promovia diversas atividades pela região da Serra do Mar, para atrair as pessoas para perto das montanhas e da natureza. A tão famosa descida de boia realizada ainda hoje pelo curso do rio Nhundiaquara teve uma de suas primeiras edições com o “boia-cross” de Vitamina — um evento idealizado por ele que separou 400 boias para os participantes. No dia programado para a descida mais de mil pessoas compareceram. A descida com carrinho de rolamento pelas belas curvas da estrada da Graciosa também era outra tradição, que Vita organizou durante nove anos. Além disso, pescas, passeio de caiaque, prova de mergulho, de orientação e até corrida pelas montanhas ele inventou.

Chamadas quase todo fim de semana para resgatar novatos que se perdiam na mata. Para dar um fim ao problema, ele começou a pintar as trilhas do conjunto Marumbi, mas, a força da floresta logo fazia questão de sumir com a tinta. Quando um amigo lhe trouxe fitas de plástico, o montanhista encontrou a solução para sinalizar o caminho. Escolheu uma cor para simbolizar cada trilha, amarrou as fitas em árvores ao longo dos percursos e seus serviços como “socorrista de montanha”, para seu alívio, foram se tornando desnecessários. Curador do patrimônio natural do Paraná, logo na criação do cargo, nele permaneceu por quase 20 anos, ajudando a preservar, não somente as montanhas, como também outras belezas naturais do estado. São muitas as histórias desse inquieto aventureiro, mas elas ainda não terminaram. Aos, 84 anos, em 2014, ele continua ativo, desbravando as elevações que tanto o fascinam, trilhando novos caminhos, fazendo jus ao apelido que a montanha carinhosamente o deu.

O incansável Vitamina também prestou socorro a muitos que se perdiam pelas trilhas. Muito antes do Cosmo (Corpo de Socorro em Montanha) chegar ao Marumbi, o montanhista recebia chamadas quase todo fim de semana para resgatar novatos que se perdiam na mata. Para dar um fim ao problema, ele começou a pintar as trilhas do conjunto Marumbi, mas, a força da floresta logo fazia questão de sumir com a tinta. Quando um amigo lhe trouxe fitas de plástico, o montanhista encontrou a solução para sinalizar o caminho. Escolheu uma cor para simbolizar cada trilha, amarrou as fitas em árvores ao longo dos percursos e seus serviços como “socorrista de montanha”, para seu alívio, foram se tornando desnecessários. Curador do patrimônio natural do Paraná, logo na criação do cargo, nele permaneceu por quase 20 anos, ajudando a preservar, não somente as montanhas, como também outras belezas naturais do estado. São muitas as histórias desse inquieto aventureiro, mas elas ainda não terminaram. Aos, 84 anos, em 2014, ele continua ativo, desbravando as elevações que tanto o fascinam, trilhando novos caminhos, fazendo jus ao apelido que a montanha carinhosamente o deu.

Texto do livro: O Chamado da Montanha (Letícia Toledo)

Vitamina (Foto: Gazeta do Povo)

PS: O Vitamina está com 90 anos, e junto com o Cesar Fiore acaba de lançar o livro Puro Montanhimo – Os Conquistadores.

Viagens e Aventuras – 09

Hoje o programa Viagens e Aventuras recebeu o historiador Arléto Rocha, que entre outros assuntos falou sobre os Caminhos de Peabiru.

Para assistir ao programa na íntegra, basta acessar o link no vídeo abaixo:

https://www.facebook.com/radiolivefmbr/videos/200842085336080

André, Arléto e Vander.

Mickey’s Toontown Fair

Cresci lendo revistinhas em quadrinhos Disney. Na verdade comecei a ver as revistinhas Disney, anos antes de aprender a ler. Sempre fui fã dos gibis, filmes e personagens Disney. Em 2002 estive pela primeira vez na Disney de Orlando, o Magic Kingdom. Uma das atrações que mais gostei foi a Mickey’s Toontown Fair, onde ficava a Casa do Mickey. Dentro da casa, construída em tamanho real, eu me sentia dentro de uma das histórias em quadrinhos de que tanto gostava. Esta parte do parque foi construída em 1988, na comemoração de 60 anos do Mickey. Tudo na casa tinha tamanho infantil e se parecia com uma cena de desenho animado.

Faziam parte da Mickey’s Toontown Fair:

  • Mickey’s Country House: A casa de Mickey.
  • Goofy’s Wiseacres Farm: A fazenda do Pateta, tinha uma mini montanha russa, desenhada especialmente para crianças, chamada The Barnstormer.
  • Minnie’s Country House: A casa de Minnie, em azul e rosa bebê, mostrava os predicados da ratinha namorada do Mickey.
  • Toon Park: Playground para crianças pequenas.
  • Donald’s Boat: O barco do Pato Donald.

Em 2012 o Mickey’s Toontown Fair foi removido para dar lugar a novas atrações da Fantasyland. Deixou saudades!

Mickey’s Toontown Fair
Mickey’s Country House
Cozinha do Mickey.
Geladeira do Mickey.
Cama do Mickey.
Donald’s Boat
Goofy’s Wiseacres Farm
Pete’s Garage
Em uma de minhas visitas à casa do Mickey.

Viagens e Aventuras – 08

Hoje o programa Viagens e Aventuras recebeu o Paulo Weber, que nos contou sobre algumas de suas aventuras em montanhas e trilhas da serra do mar paranaense.

Para assistir ao programa na íntegra, basta acessar o link no vídeo abaixo:

https://www.facebook.com/radiolivefmbr/videos/108241961446319

Vander, Paulo Weber e André.

Livro: Puro Montanhismo

Encontra-se em fase de pré-lançamento o livro PURO MONTANHISMO – Os Conquistadores. Obra de Cesar Fiore e do Vitamina (Henrique Paulo Schmidlin), tem 365 páginas e muitas fotografias de época. O livro conta sobre todas as fases do Montanhismo Paranaense, desde a conquista do Marumbi, em 1879, até os dias atuais.

Interessados em adquirir o livro, entrem em contato com o Fiore pelo Facebook:

https://www.facebook.com/cesar.fiori

80 anos da conquista do Pico Paraná

Oitenta anos atrás, cinco aventureiros molhados até os ossos saem das barracas de lona sem forro, para contemplar um amanhecer espetacular de frente para o majestoso Pico Paraná. No dia anterior avançaram para o Pouso da Sorte (A1) com o tempo levemente melhorando depois de suportarem três dias e noites de feroz aguaceiro no cume do Caratuva.

Alfredo Mysing, Benedito Lopes de Castro, Josias Armstrong, Reinhard Maack e Rudolf  Stamm, se preparam para o ápice de sua jornada épica. A frente uma profunda e desconhecida grota os separa do gigante de pedra que se ergue altivo em direção ao céu. A estreita crista do Fio de Ligação é povoada por arbustos duros e retorcidos que lhes oferecem aguerrida resistência até o fundo da grota, quando enfim começa a escalada. Sobem pela parede quase vertical carregando pesados fardos com instrumentos de medição, agarrados em frágeis moitas de capim que se desprendem ao mais leve toque. Unhas cravadas nas saliências da pedra, o sangue quente pulsando nas veias, a morte lambendo seus calcanhares.

Lentamente vencem cada obstáculo que a natureza, rija e cruel daquele lugar lhes impõe. Vencem o desconhecido e o medo para ás 13h45min plantarem firmemente os pés sobre o falso cume onde o vento feroz já não encontra freios. Uma parede magnífica de pedra vertical ainda se ergue a frente e o cientista volta a se impor sobre o aventureiro Reinhard Maack, que imediatamente passa a operar seus equipamentos de medição, auxiliado por Josias Armstrong.

Cinqueta metros de pedra nua e vertical os separam da vitória definitiva. O castelo de cume os desafia com sua altivez. A mente de aventureiros natos ardem em desejos, as mãos coçam e partem resolutos para a luta contra seus mais profundos temores. Seremos capazes de vencer o gigante? Benedito Lopes de Castro retorna abatido pela fadiga, mas Alfred Mysing e Rudolf Stamm prosseguem resolutos.

Gritos de júbilo e o espocar de 2 rojões anunciaram a vitória sobre o ponto mais alto do Paraná (e do sul do Brasil). Estavam no dia 13 de julho de 1941.

Texto: Cesar Fiori

Grupo Trilhas do Paraná (Facebook)

Reinhard Maack
Rudolf Stamm
Vander Dissenha no cume do Pico Paraná.

80 anos da Primeira Ascensão do Pico Paraná

Hoje fazem 80 anos que o Pico Paraná foi conquistado pela primeira vez. A montanha mais alta do sul do Brasil, com 1.877 metros, foi conquistada em 13 de julho de 1941, por Rudolfo Stamm e Alfred Mysing. Tal conquista foi motivada pela pesquisa científica realizada pelo famoso geógrafo alemão Reinhard Maack, que desejava descobrir a verdadeira altitude da montanha, num capítulo em comum entre a história do montanhismo e das geociências.

Viagens e Aventuras – 06

O programa Viagens e Aventuras de hoje, recebeu Welisson Ribas para uma conversa descontraida sobre vários assuntos.

Para assistir ao programa na íntegra, basta acessar o link no vídeo abaixo:

https://www.facebook.com/radiolivefmbr/videos/348467753328267

Vander, Welisson e André.

Livro: Casa Ipiranga

LANÇAMENTO DO LIVRO HISTÓRICO DA CASA IPIRANGA

Será lançado, no dia 15 de junho, às 20 horas, o livro que resgata a história da Casa Ipiranga, o chalé mais charmoso da Serra do Mar.O evento será transmitido numa live pelo canal do YouTube, pesquisando pelo título do livro: Casa Ipiranga o Palácio da Serra do Mar.

Construído a 132 anos, em 1889, serviu de residência para o engenheiro Bruno Lange e sua família, responsável pela manutenção da estrada de ferro Paranaguá-Curitiba, no trecho da Serra, nos seus primeiros anos de funcionamento. Convidado da família, o pintor Alfredo Andersen também morou por uns tempos na Casa. A sua presença no local, influenciou o surgimento do pintor Lange de Morretes, filho mais velho do engenheiro Lange.Chamado carinhosamente de Palácio da Serra, a Casa Ipiranga teve destino e ocupação até 1996. Ficou órfã durante o processo de privatização da Rede e, a partir daí, começou a ser destruída por vândalos.Hoje, o aspecto da Casa mais se parece com as ruinas de uma construção abalada num conflito militar.Passados 25 anos de abandono, eis que surge um grupo interessado na sua reconstrução. A criação da Associação SOS Casa Ipiranga vem realizando gestões para viabilizar o projeto. O livro, em lançamento, aborda toda a história deste Chalé, incluindo depoimentos e informações contidas em relatórios do Arquivo Histórico Nacional, da Rede e bibliografia que tratou do tema ao longo de décadas, além de depoimentos orais.Mais de 200 fotografias estão impressas na publicação, coloridas e em sépia, muitas inéditas , enriquecendo o seu conteúdo.O autor do livro, Rubens Habitzreuter , relata com detalhes o seu conhecimento da Casa, onde pernoitou muitas vezes, na década de 50, acompanhando o seu pai, que fazia a manutenção da pequena usina hidrelétrica existente no local.Parte da receita oriunda da venda do livro, será destinada à Associação SOS Casa Ipiranga, como donativo ao projeto para a sua reconstrução.

Caminho de Cora Coralina

O Caminho de Cora Coralina é uma trilha de longo curso com aproximadamente 300 quilômetros de extensão, que cruza as cidades históricas de Corumbá de Goiás, Pirenópolis, São Francisco de Goiás, Jaraguá e a Cidade de Goiás, abrangendo também os municípios de Cocalzinho de Goiás, Itaguari e Itaberaí. Idealizado em 2013, o projeto teve como propósito interligar os municípios, povoados, fazendas e atrativos, passando por antigos caminhos, numa rota turística para Caminhantes e Ciclistas.

Para a definição do traçado tomou-se como principais fontes documentais o relato de viagem “A Jornada a Goiás de Luís da Cunha Menezes, desde Salvador, em 1778”, quando este veio empossar-se no Governo da Capitania de Goiás; os livros “Viagem à Província de Goiás” e “Viagem ao Interior do Brasil” dos naturalistas Auguste de Saint’Hilaire e Johan Emanuel Pohl respectivamente, que passaram por esses caminhos entre 1818 e 1821; “Viagem às Terras Goyanas”, de Oscar Leal, extraordinário relato escrito nos anos 1880; e o “Relatório Cruls” – Relatório da Comissão Exploradora do Planalto Central do Brasil que explorou, entre 1892 e 1893, uma ampla região do entorno do Distrito Federal para definir a localização da nova Capital do Brasil.

Foi, também, de fundamental importância para a definição do traçado as informações obtidas de moradores locais que, em alguns casos, acompanharam a equipe de pesquisa de campo nas expedições exploratórias em busca de locais citados nos documentos, ou em longos bate-papos onde a tradição oral difundia fatos e feitos ocorridos na região.

Em 2017 foi retomada a implementação do Caminho de Cora Coralina pela Goiás Turismo – Agência Estadual de Turismo que ofereceu apoio em sua estruturação através do Programa Experiências na Natureza, viabilizando a inclusão dos Parques Estaduais e outras Unidades de Conservação no roteiro, mobilizando as comunidades locais e dando os primeiros passos para a organização da Associação Caminho de Cora Coralina. Ao mesmo tempo o ICMBio projetava os caminhos de longo curso pelo Brasil afora, contemplando o Caminho de Cora como a parte mais ocidental do Caminho dos Goyazes que ligará a Chapada dos Veadeiros a Cidade de Goiás num roteiro de mais de 1000 km.

Hoje o roteiro Caminho de Cora Coralina encontra-se consolidado, atendendo a caminhantes e ciclistas com pousos e alimentação ao longo de todo o seu percurso, tem uma associação formalizada com mais de 30 empreendedores e conta com mais de meia centena de colaboradores e voluntários que oferecem apoios em diversas áreas, cumprindo a missão de transformar o Caminho de Cora Coralina num roteiro de história, natureza, gastronomia e poesia. Um Caminho de Encontros!

Para maiores informações acesse o site http://www.caminhodecoracoralina.com.br

Viagens e Aventuras – piloto

Hoje foi ao ar o piloto do programa Viagens e Aventuras. A partir da próxima semana o programa será apresentado toda segunda-feira, das 21h00min às 22hoomin. Em cada programa receberemos um convidado.

No piloto de hoje, eu e o André Luiz tivemos uma conversa descontraida sobre algumas de nossas aventuras. Hoje o programa serviu para testarmos algumas situações, nem tinha sido divulgado.

www.livefm.com.br

Para assistir ao programa na íntegra, clique no link abaixo:

Pinheiro de Dom Pedro II

Na Estrada da Graciosa, próximo a cidade de Quatro Barras existe um marco de pedra que marca a passagem do Imperador Dom Pedro II, em 1880 a caminho de Curitiba. Nesse local existia um grande pinheiro e a comitiva do Imperador parou sob sua sombra, na localidade hoje denominada Florestal. O pinheiro (araucária) não existe mais, foi destruído por um raio há muitos anos.

Pintura retratando a passagem da comitiva imperial.
Antiga foto de pessoas visitando o pinheiro.
Foto colorizada, de pessoas visitando o famoso pinheiro.

Ímola 1994

Para quem igual a mim curte Fórmula 1, está sendo lançado o livro Ímola 1994. O livro foi escrito pelo Flavio Gomes, jornalista com 39 anos de profissão e que cobriu durante muitos anos as corridas de Fórmula 1. O Flavio Gomes estava presente em Ímola no dia 1 de maio de 1994, quando aconteceu o acidente que matou Ayrton Senna.

O livro está na fase de pré-venda, o que significa que não está sendo comercializado nos canais convencionais. É uma compra direto com o autor. Para saber mais informações e adquirir o livro, você pode escrever direto para o Flavio Gomes, no e-mail flaviogomes@warmup.com.br

ÍMOLA 1994 narra minha trajetória jornalística como correspondente de Fórmula 1 de vários veículos de imprensa entre o final dos anos 1980 e início da década de 1990 até a cobertura dos acidentes do fim de semana do GP de San Marino de 1994. São 27 capítulos contando histórias passadas em autódromos pelo mundo que retratam uma época em que o trabalho da imprensa era muito diferente de hoje. Não é meu primeiro livro com temática de Fórmula 1. Em 2005 lancei “O Boto do Reno”, com crônicas de viagem. Ele foi reeditado no começo de 2021, mas esgotou em 12 dias. Por isso, quem tiver interesse vai ter de esperar pela terceira, que devo lançar no segundo semestre.

ÍMOLA 1994 tem quase 300 páginas e foi produzido nos primeiros meses deste ano. São textos inéditos com relatos de episódios sobre os quais eu nunca tinha escrito antes, envolvendo os principais personagens de um momento muito específico da Fórmula 1. Gente como Senna, Prost, Mansell, Piquet, Schumacher, Barrichello, Jean-Marie Balestre, Bernie Ecclestone, Luca di Montezemolo, Flavio Briatore, Jean Todt e muitos outros. E fala também da imprensa — brasileira e estrangeira. ÍMOLA 1994, como definiu o escritor e jornalista Mário Magalhães no prefácio do livro, é uma obra sobre automobilismo, viagens, aventuras e, também, “uma história de paixão arrebatadora pelo jornalismo”.

Flavio Gomes

Oscar 2021

A exemplo do que faço há alguns anos, venho falar brevemente sobre os filmes concorrentes ao Oscar de Melhor Filme. Esse ano por culpa da Covid-19, a cerimônia de entrega do Oscar não aconteceu em fevereiro, como é tradição. Ela foi atrasada em dois meses e acontecerá no final de abril.

Pela primeira vez não vi no cinema nenhum dos concorrentes a melhor filme. Historicamente a maioria dos concorrentes não são exibidos em minha cidade. E dessa vez, para piorar as coisas alguns filmes concorrentes nem foram lançados no Brasil e tem filme que será lançado somente após a entrega do Oscar.

Três dos oito concorrentes a melhor filme, já estão disponíveis em plataformas de streaming há alguns meses. É o caso de Mank e de Os 7 de Chicago, que estão na Netflix. E o Som do Silêncio, que está no Amazon Prime. Os outros cinco filmes, para conseguir assistir tive que recorrer a meios escusos, os quais prefiro não mencionar.

Nesses anos todos que faço a postagem sobre os concorrentes a melhor filme, nunca o meu preferido venceu. Não sou nenhum especialista em cinema, vejo filmes desde criança por pura paixão. Então não ligo se o filme que mais gostei ganhou o Oscar ou não. O que vale é ver os filmes, falar sobre eles e torcer.

Esse ano acredito que o vencedor será Mank, que é justamente o filme que menos gostei entre os oito concorrentes. Os filmes vencedores são escolhidos por cerca de 8 mil membros da Academia de Cinema de Hollywood. E o pessoal da Academia costuma escolher filmes que falam sobre Hollywood, sua história, seus personagens marcantes. E Mank tem todos esses ingredientes que agradam a maioria dos membros da Academia. E ainda por cima foi gravado em preto e branco. Ou seja, é o tipo de filme feito para vencer o Oscar, independente de ser bom, de ter ido bem na bilheteria ou ter agradado aos consumidores comuns de filmes. Mank é chato, dá sono, mas acho que vai ganhar.

Os filmes concorrentes, na ordem de minha preferência e torcida:

1° – Minari

O filme se passa nos anos 1980 e conta a história de uma família de imigrantes coreanos que passa a viver numa área rural do Estado do Arkansas. O filme mostra a dificuldade de adaptação ao novo ambiente e idioma, onde para melhorar de vida é preciso arriscar sem ter certeza que as coisas vão dar certo.

Gostei de Minari, que apesar de ter muita coisa falada no idioma coreano é um filme totalmente produzido nos Estados Unidos. Ele não pode concorrer ao Globo de Ouro, pois diferente do Oscar, não aceita concorrentes que não sejam cem por cento falados na língua inglesa. A história do filme é baseada em eventos reais e gostei muito da família coreana, que apesar das dificuldades tenta se unir.

PS: Os fãs da série The Walking Dead, vão poder matar saudades de Steven Yeun, que fazia o personagem Glenn. Em Minari ele é o personagem principal, um típico pai de família coreano.

2° – Nomadland

Após uma cidade na zona rural de Nevada, nos Estados Unidos, praticamente falir após o fechamento de um grande indústria, uma mulher na faixa dos 60 anos passa a morar em sua van. Ela meio que não aceita ter que deixar o lugar onde morava. Passa então a viver para a estrada, vivendo e trabalhando um pouco em cada lugar como uma nômade moderna. 

Por muito pouco Nomadland não foi minha escolha como filme favorito. O que me desagradou no filme é que algumas passagens são um pouco monótonas. Ao mesmo tempo o filme despertou a parte nômade que existe em mim. Quem sabe daqui alguns anos eu siga o mesmo rumo que a personagem do filme, mas por motivos diferentes.

3° – Os 7 de Chicago

Baseado em uma história real, o filme conta sobre as manifestações contra a guerra do Vietnã que interrompeu o congresso do partido Democrata em 1968, nos Estados Unidos. Existiram muitos confrontos entre os participantes do congresso e a polícia. E meio como bodes expiatórios, 16 pessoas foram indiciadas como culpadas pelos confrontos. Boa parte do filme se passa dentro de um Tribunal, mostrando o julgamento dos indiciados.

Bom filme, ótimos atores, histórias real e interessante. Os fatos narrados no filme tem um link com os fatos narrados em Judas e o Messias Negro, então sugiro que vejam os dois filmes.

4° – Judas e o Messias Negro

Baseado em uma história real, o filme conta sobre a ascensão e queda de Fred Hampton, um ativista dos direitos dos negros e líder do partido dos Panteras Negras. Ele atrai a atenção do FBI, que infiltra William O’Neal nos Panteras Negras, causando o assassinato de Hampton.

Filme bem caracterizado nos anos 1960, conta sobre fatos importantes da luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Aconselho a assistir antes Os 7 de Chicago, pois os fatos (reais) contados no filme, são mencionados em Judas e o Messias Negro. Filme bom, bem feito, bons atores, te prende a atenção.

5° – Bela Vingança

Uma mulher que carrega alguns traumas do passado, passa a frequentar bares a procura de homens mal-intencionados. Ela se aproxima desses predadores sexuais para aprontar com eles e de alguma forma aplacar sua sede de vingança.

Filme interessante, que começa meio chato mas logo prende a atenção. E o final me surpreendeu de forma positiva. E gostei de rever  Alison Brie, que é coadjuvante no filme. Gosto dela e não a via desde a última temporada da encerrada série Glow.

6° – Meu Pai

Meu Pai é a adaptação de uma peça teatral. O filme fala sobre temas como velhice, paternidade e deveres familiares. O personagem principal do filme começa a sofrer do Mal de Alzheimer, e num processo típico de quem é acometido pela velhice, ele se torna vítima de um sistema frio disfarçado de companhia. Muito boas as intepretações de Anthony Hopkins e Olivia Colman, dois de meus atores favoritos, que fazem os papéis de pai e filha no filme.

Apesar de muitos pontos positivos e de gostar dos atores principais, não gostei do filme. A história é interessante, mas achei um pouco confusa em alguns momentos. Simplesmente é um filme que não me agradou.

7° – O Som do Silêncio

Um baterista jovem começa a ficar surdo. Desesperado ele busca tratamento para sua doença e com isso precisa ficar afastado da namorada que tanto ama.  O medo de perder de vez a audição e sua namorada, trazem muita tensão e angústia para sua vida.

A premissa do filme é interessante, mas não gostei muito da forma como a história é contada.

8° – Mank

Baseado numa história real, o filme conta a história do roteirista Herman J. Mankiewicz e da obra-prima de Orson Welles, o filme Cidadão Kane (1941).  Acontece uma batalha entre Mankiewicz e Orson Welles pelo crédito do script do famoso filme.

Filme chato, que dá sono. Mas deve ganhar o Oscar de melhor filme, pois traz todos os ingredientes que agradam os membros (e votantes no Oscar) da Academiade Cinema de Hollywood. E foi o filme que teve maior número de indicações esse ano, sendo indicado em 10 categorias.

Morte do ex-jogador Alcântara

Faleceu hoje vítima de infarto, o ex-jogador Alcântara, aos 57 anos. Ele foi encontrado morto em seu sítio, em Santo Antônio da Platina. Alcantâra foi artilheiro do Campeonato Paranaense de 1991, com 30 gols, jogando pelo Sport Campo Mourão. No ano seguinte foi jogar no Paraná Clube, onde foi Campeão Brasileiro da Série B de 1992 e Campeão Paranaense de 1993.

Foi relevado no futebol paranaense no Matsubara, de Cambará. Em 1983, teve rápida passagem pelo Palmeiras. Também atuou por Taquaritinga-SP, Taubaté-SP, Esportivo-RS, Caxias-RS, Anapolina-GO, Hercílio Luz-SC, Platinense-PR, EC Corinthians, Maringá Atlético Clube, Sport de Campo Mourão, Paraná Clube, Patrocinense-MG, Marília-SP, Juventus-SC, Rio Branco-PR e encerrou a carreira no Londrina, em 1996.

Em 2003 quando morei em Orlando – USA, trabalhei junto e me tornei amigo do Guilherme, irmão do Alcântara. E em 2013 conversei com o Alcantâra durante o lançamento do livro “Nos Campos do Mourão”, quando ele veio até Campo Mourão para participar do lançamento do livro escrito pelo Raoni de Assis.

Vander e Alcântara (2013).

Canionismo rio São Jerônimo

No Feriado de Carnaval, segui com dois amigos para a cidade de Guarapuava. Lá encontramos o pessoal da Caête Vida ao Ar Livre, e seguimos para a região de Entre Rios, que é uma colônia de imigrantes alemães. Lugar muito bonito, onde tinha ido pela última vez há 40 anos. Na verdade fomos um pouco além de Entre Rios. Fomos no rio São Jerônimo, onde fizemos aquatrekking e canionismo em duas cachoeiras. Mesmo com sol passamos um pouco de frio, principalmente quando quase no final da tarde o tempo fechou e caiu uma fraca garoa. Essa foi mais uma aventura sencional!

Vander, Ione e André
Cachoeira São Jerônimo I
Cachoeira São Jerônimo I
André, Ione e Vander.
Borda do Infinito

Carta de um suicida

“Espero que compreendam que em cada mente habita um universo repleto de ideias, que cada escolha sempre trará uma consequência, e tive certeza daquilo que queria e de tudo que já não suportava. Saibamos reconhecer que dentre meus sorrisos sempre escondi a verdadeira sensação de insatisfação e desmazelo, que embora não seja compreensível, tive cansaço e desgaste de erros que me consumiram por inteiro. Gostaria que as coisas tivessem sido diferentes e por vezes até tentei, digo isto não por capricho, mas por exaustão. Não poderei deixar tantas dádivas como tantos que por aqui passaram, mas deixarei as mágoas de um peito cansado e atordoado pela injustiça que é habitar em uma mente e um coração tão intenso, e por falar em intensidade, me vejo perdido em meio a tanta gente rasa que se instalou em minha leviana vida como um parasita que absorve tudo de benéfico e depois descarta o hospedeiro num sepulcro de solidão e agonia. Peço perdão aos poucos e próximos que cultivei, saberão que a vida continua e que onde eu estiver, serei um hóspede para um novo ciclo, embora acredite que previra o sofrimento para que assim possa estar estabelecido todo discernimento que o umbral fará e resignará para a colheita esperada. Aos meus amores, em especial o último que consumi tanto em desespero para que não fosse desgarrado de seu seio, peço paciência e autoconhecimento para que não hajam culpas mentais e nem fadigas sentimentais de uma mente resumida em desistência. Assim eu espero que o tempo leve o que há de levar e cure o que preciso for. Aos meus familiares, sinto em vos dizer que minha ausência sirva de reconciliação e proximidade para outros que necessitam. Por fim rogo a Deus que não me esqueça, ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte. E para os que muito cansei nessa Terra, peço que me perdoem, que me compreendam, pois desta vida nada levamos e nada trazemos, sendo assim não é justo tanto julgamento de uma pessoa digna de pena, misericórdia e perdão. Sabeis que toda inconstância é resultado de desordem. Como poderia eu organizar tudo se sou tempestade? Peço aos que são calmaria, que cultivem o amor e o perdão, porque nenhuma mágoa e ódio vale tanto a pena assim…Somos instantes e num instante não somos nada.”

Fiquem com Deus a adeus!

João Ricardo Moreira Libório

**Essa carta de despedida foi escrita por um Polial Militar, que se enforcou na última segunda-feira, numa cidade no interior da Bahia. Não nos cabe jugar o seu ato, pois somente ele sabe realmente a razão de tal atitude que tomou. O que me chamou a atenção nessa carta foram suas plavras falando de amor e de perdão. E concordo com ele quando diz que somos instantes e num instante não somos nada. A vida passa rápido e o importante é procurar curtir os momentos e as pessoas que nos são importantes…

 

Biketour nas Cataratas do Iguaçu

O sábado foi dia de madrugar e pegar a estrada rumo à Foz do Iguaçu. Viajamos em três; eu, André e Eliane. E tivemos uma desistência de última hora, o nosso amigo Welison não conseguiu acordar às três da manhã. O motivo da viagem de quatro horas e 320 quilômetros, foi fazer o biketour dentro do Parque Nacional do Iguaçu. São 11 quilômetros de pedal entre o Centro de Visitantes e as Cataratas.  Em menos de um mês é a segunda vez que visito as Cataratas do Iguaçu. Não levamos as bikes, pois daria muita mão de obra. Foi mais fácil alugar, e mesmo não estando acostumados com as bikes, fizemos o biketour sem nenhum problema. É muito legal pedalar pela estrada que leva até as Cataratas, e tendo o risco de encontrar uma onça pela frente.

Após 11 quilômetros de pedal, deixamos as bikes em um bicicletário e fomos fazer a pé a trilha que leva até as passarelas. Tinha chovido nos últimos dias, e as quedas estavam com bom volume de água. E como ventava bastante, andar pela passarela era como andar na chuva. Como fazia bastante calor, se molhar com o spray da água foi algo gostoso. E descobrimos que a Eliane tem medo de altura, pois ela se recusava em ir nas partes das passarelas com maior altura.

Fizemos todo o circuito obrigatório de quem visita as Cataratas do lado brasileiro. Depois pegamos um dos muitos ônibus que circulam pelo Parque, e ele nos deixou no bicicletário, onde pegamos as bikes e pedalamos os 11 quilômetros de volta até o Centro de Visitantes. O passeio foi muito divertido e já estamos planejando retornar em breve para Foz do Iguaçu, dessa vez para atravessar Itaipu de bike.

Quem tiver interesse em fazer tal biketour, para alugar as bikes entrem em contato com o pessoal da Iguassu Bike Tour, pelo telefone (45) 99812-4602.

Vander, Eliane e André.

 

 

Centro de Visitantes do Parque Nacional do Iguaçu.

Pico Agudo – Sapopema

O despertador do celular me acordou às duas da manhã. Meu amigo André roncava ao lado, enrolado no meu saco de dormir, que ele tinha “roubado” durante a noite enquanto eu dormia. Fui ao banheiro fazer a higiene matinal e logo voltei para a barraca. Olhando em volta vi que mais algumas pessoas já tinham acordado no camping. Fui me vingar do André, que tinha me acordado quando chegou tarde da noite. Liguei a lanterna, virei a luz nele e comecei a gritar… Ele ficou puto, me xingou e tentou voltar a dormir, o que seria impossível. Ele sempre acorda mal humorado, e sendo acordado de uma forma tão delicada com certeza seu humor não seria dos melhores nas primeiras horas do dia.

Após pouco mais de meia hora todos estavam prontos e saímos em dois carros. Seguimos por uma estrada de terra cheia de curvas, subindo rumo aos pés do Pico Agudo. Há pouco mais de dez anos estive em outro Pico Agudo, que fica na região de Campos do Jordão, no Estado de São Paulo. O outro Pico Agudo possui plataformas para salto de asa delta, e do alto dele, onde se chega de carro por uma estrada ruim, se tem uma vista de 360 graus do Vale do Paraíba. Já o Pico Agudo paranaense, é considerado o pico mais alto do Norte do Paraná, com 1.100 metros de altitude. Do alto dele se tem uma vista muito bonita da região. Nos últimos anos ele se tornou um lugar bastante procurado, e meio que virou modinha tirar fotos no alto do pico. E como subir ele não é tão difícil, cada vez mais pessoas vão até seu cume.

Chegamos no posto de entrada do Pico Agudo pouco depois das três da manhã, e após preencher uma ficha de controle e pagar uma taxa de entrada, tivemos um pequeno briefing com o guia que nos acompanharia até o alto do pico. Eu que estava preocupado com meu joelho dolorido, me espantei com o mesmo não estar doendo e após andar um tempo no final do nosso grupo, passei a caminhar na frente logo atrás do guia. Segui num bom ritmo e não sentia nenhuma dor. Será que foi resultado da mina milagrosa do dia anterior? A primeira parte da subida foi tranquila, sem grandes dificuldades causadas pelo terreno e em muitos trechos a trilha era bem larga. Quando chegamos nos paredões, o problema maior foi o trânsito de pessoas subindo. Tinha muita gente, e alguns eram visíveis que tinham pouco preparo físico e iam subindo lentamente e muitas vezes parando pelo caminho, travando a subida de quem vinha atrás. O jeito foi negociar “ultrapassagens” e seguir paredão acima utilizando os degraus de ferro, cordas e correntes existentes na encosta do morro. Fui economizando a lanterna, apagando-a sempre que não via necessidade de ficar com ela ligada. A trilha para subir tem cerca de três quilômetros e meio, e com algumas paradas fizemos ela em uma hora e vinte minutos.

Chegamos no cume pouco depois das cinco da manhã e o sol começava a despontar no horizonte. Ao chegar no cume fiquei espantado com a quantidade de pessoas que estavam lá no alto. Já subi muitas montanhas em minha vida e nunca vi uma tão congestionada. Mal tinha lugar para se sentar e esperar o sol nascer. Fazia um pouco de frio, mas nada que um casaco não muito grosso não resolvesse. Conforme o sol foi levantando no horizonte a paisagem foi ficando cada vez mais bonita. Em alguns locais tinham filas para tirar fotos. Absurdo total! O lado onde fica o rio Tibagi, e que permite as fotos mais bonitas do alto do pico, infelizmente estava com muita neblina e não dava para ver quase nada daquele lado.

Tirei fotos minhas e dos amigos, andei de um lado a outro pelo cume, a procura de um novo ângulo para fotos ou observando algo novo na paisagem. E meu amigo Alemão me chamou para fotografar seu esperado pedido de casamento. Felizmente a Stefane mesmo ralada por conta da queda do cavalo no dia anterior, conseguiu subir o pico. Ele foi com ela até uma pedra que é famosa pelas belas fotos que proporciona lá do alto do pico. Mas por conta da neblina daquele lado, a paisagem não era das melhores. Lá na pedra ele se ajoelhou e fez o pedido de casamento. Fiquei de longe fotografando e foi difícil conseguir fotografar sem que não aparecesse mais ninguém além do novo casal de noivos. Algumas fotos ficaram com o pé de um cidadão aparecendo, pois não tinha mais o que fazer para evitar de que pessoas ou parte delas aparecessem nas fotos. Notei muita gente se arriscando na borda da montanha para tirar fotos. Infelizmente acho que não vai demorar para ver no noticiário que alguém despencou lá do alto…

Ficamos mais um tempo no alto do pico e finalmente revolvemos descer, pois tão cedo a neblina que existia do lado do rio não ia desaparecer. No caminho da descida encontramos alguns amigos da cidade de Peabiru. A descida foi bem travada, pois tinham muitas pessoas descendo e também subindo. Muitos que preferiram acordar mais tarde, estavam agora subindo. Sei que a descida demorou mais do que a subida, por conta do congestionamento na trilha. No final tiramos uma foto do nosso grupo reunido e partimos rumo ao camping.

Subir o Pico Agudo foi uma experiência boa e ao mesmo tempo frustrante. Não esperava o excesso de pessoas lá no alto. E a neblina de um dos lados no pico, acabou atrapalhando bastante. Pretendo voltar lá novamente, mas será no auge do inverno e durante a semana, para não correr o risco de encontrar novamente o cume do Pico Agudo super lotado.

De volta ao camping desmontamos acampamento e pegamos a estrada. A viagem de volta foi tranquila e fizemos uma breve parada em Londrina, para almoçar. Depois voltamos para a estrada e chegamos em casa no meio da tarde. Foi um final de semana gostoso e divertido, e valeu muito a pena ter ido para Sapopema, apesar das pequenas decepções. No geral foi muito valida a experiência!

Sapopema

Há tempos queria ir para Sapopema e visitar o Pico Agudo, local famoso pela vista encantadora que se tem do alto do seu cume. E após o Natal recebi um convite para ir com alguns amigos passar o final de semana num camping próximo a Sapopema. Mesmo com o joelho inchado e sofrendo com dores há vários dias, não pensei muito e aceitei o convite. E assim arrumei minhas coisas para o final de semana, e sem dormir parti rumo a Sapomema no meio da madrugada de sábado.

A viagem de pouco mais de 300 quilômetros foi tranquila. Apenas tivemos alguns perdidos ao passar por Londrina, mas de resto foi tudo bem. Chegamos na região de Sapopena nas primeiras horas do sábado, e fazia um dia ensolarado e com algumas nuvens no céu, mas nada que trouxesse chuva. Ficamos no camping de uma pousada rural. O local era muito bonito e tinha boa estrutura para camping. Tudo muito simples, mas que satisfazia nossas necessidades. Armei minha velha barraca, que estava completando 20 anos de ótimos e bons serviços prestados. Se essa barraca falasse, ela teria muitas e ótimas histórias para contar.

Ao todo nosso grupo era formado por 12 pessoas, sendo que conhecia mais da metade do pessoal. Dividi a barraca com meu amigo André Luiz. Após todos instalados no camping, o pessoal foi explorar a região e eu preferi ficar na barraca dormindo, pois tinha passado a noite sem dormir e também precisava repousar meu joelho machucado para a subida do Pico Agudo na madrugada seguinte.

Almoçamos na casa dos donos da Pousada, um almoço rural muito saboroso, onde exagerei um pouco nos torresmos. Depois de almoçar, para fazer a digestão fui dar uma volta com meu amigo Alemão. Ele foi me mostrar uma gruta, onde segundo a lenda local um curandeiro veio a morrer no local muitos anos atrás, onde existia uma pequena mina. Após sua morte algumas pequenas curas foram alcançadas ao usarem ou beberem a água da pequena mina, e no local construíram uma gruta. Como não custa acreditar, resolvi molhar meu joelho machucado com a água da mina, pois beber não dava, a água estava muito suja. O fato é que na madrugada seguinte consegui subir o Pico Agudo, andando na frente da maioria do pessoal e desde então meu joelho quase que parou de doer. Se foi resultado da água da gruta ou não, jamais saberei!

Quando voltamos do passeio ficamos sabendo que a Stefane, namorada do Alemão, tinha caído de um cavalo e se machucado um pouco. Ele ficou extremamente preocupado, pois pouco antes tinha me confidenciado que pediria a mão dela em casamento na manhã seguinte no alto do Pico Agudo. Caso ela não pudesse subir o Pico, os planos dele teriam literalmente caído do cavalo…

No meio da tarde fomos conhecer uma cachoeira bem famosa na região. O pessoal aproveitou para entrar na água e pular no rio do alto de uma rocha. Eu fui o único a não entrar na água e fiquei sentando num canto olhando o pessoal e preservando meu joelho, que até então estava bastante inchado e dolorido. No final da tarde demos uma volta pelas proximidades da cachoeira, e consegui furar minha mão em vários lugares ao me enroscar num espinheiro.

De volta ao camping, era hora de tomar banho, jantar e preparar as coisas para a subida do Pico, de madrugada. Alguns foram jantar na pequena comunidade que ficava próxima ao local onde estávamos acampados. Eu preferi ficar no camping e ir dormir cedo. Não eram nem oito horas e eu já estava dormindo o sono dos justos dentro da barraca. Acordei algumas horas depois quando meu amigo André chegou e me acordou ao entrar na barraca. Mas minha vingança viria pouco depois…

Stefane e o cavalo do qual caiu…

Aventuras & Aventureiros – Viagem de ônibus pela América do Sul

Hoje o programa Aventuras & Aventureiros, falou sobre uma viagem de ônibus que passou por alguns países da América do Sul. Quem contou sobre essa viagem foi o Rodrigo “Alemão” Weiss.

Você pode assistir ao programa na íntegra, pelo link abaixo:

Parque das Aves

Uma das poucas atrações de Foz do Iguaçu que eu ainda não conhecia é o Parque das Aves. Nunca tive interesse em conhecer o lugar, pois achava que não seria interessante. Grande engano! Dessa vez fui visitar o Parque das Aves porque minha sobrinha queria conhecer e acabei adorando o lugar. Achei muito interessante o trabalho que fazem no Parque e vale a pena conhecer a enorme quantidade de animais que são preservados. Se você passar por Foz do Iguaçu, faça uma visita!

O Parque das Aves é a única instituição do mundo focada na conservação das aves lindas e exuberantes da Mata Atlântica, oferecendo uma experiência de contato próximo, imersivo e encantador com elas. Visitando o Parque das Aves você também conhece o que fazemos para ajudar a reverter a crise de conservação que essas aves e a Mata Atlântica estão vivendo. Aqui você pode ter uma experiência completa de conexão e conhecimento sobre as aves e as suas florestas, um patrimônio natural de importância global ao seu alcance. As aves da Mata Atlântica são lindas, exuberantes e únicas, e o Parque oferece ao seus visitantes a oportunidade de viver uma experiência imersiva de conexão com elas e as florestas que habitam. Isso fez com que o Parque das Aves se tornasse o atrativo mais visitado de Foz do Iguaçu depois das Cataratas. O Parque das Aves trabalha por um mundo melhor, onde as pessoas possam viver em harmonia com a natureza. Para isso, mantém 16 hectares de Mata Atlântica e mais de 1.300 aves, de cerca de 130 espécies, sendo mais de 50% proveniente de apreensões. O Parque também participa de diversos programas de conservação.

De volta as Cataratas do Iguaçu

Após 10 anos voltei a visitar as Cataratas do Iguaçu, do lado brasileiro. Ano passado estive visitando o lado argentino, que para mim é mais bonito. Mas o lado brasileiro também teus seus encantos. Minha primeira visita foi há 35 anos, também em um mês de dezembro. Daquela época para cá muita coisa mudou para melhor no parque. E proibir a entrada dos carros dos turistas foi a melhor coisa que fizeram. Lembro que nessa primeira visita que fiz em 1985, tinha um carro caído dentro do rio. Para sorte do motorista o carro ficou enroscado numa pedras e não foi queda abaixo. Dessa vez levei minha sobrinha, que não conhecia as Cataratas do Iguaçu.

Com minha sobrinha, Erica.

Arvorismo

Estou passando uns dias em Foz do Iguaçu e tive a oportunidade de fazer arvorismo, que é algo que há muito tempo queria fazer. O arvorismo é uma prática esportiva de aventura que consiste na travessia de um percurso suspenso entre plataformas montadas nas copas das árvores. Esse percurso é preparado utilizando cabos de aço e cordas, com o objetivo maior de aumentar o desafio.

No Wish Resort, onde fiquei hospedado, era oferecida a pratica do arvorismo aos  hospedes e fui aproveitar a experiência. Quando olhei a estrutura montada no alto das árvores, imaginei que seria chato e sem emoção. Mas no final teve emoção e até um certo medinho em alguns momentos. Durou cerca de 25 minutos o percurso de arvorismo e foi uma experiência bastante interessante. Super recomendo!

Aventuras & Aventureiros – Dicas de Caminhadas

Hoje o programa Aventuras & Aventureiros, deu dicas sobre caminhadas de longa distância e também informou detalhes sobre a caminhada noturna que acontecerá em breve na cidade de Campo Mourão. Participaram do programa o casal Karina Legnani e Andrey Legnani.

Andrey, Vander e Karina.

AVENTURAS & AVENTUREIROS -Estrada da Morte, Bolívia

Hoje no programa Aventuras & Aventureiros, falamos sobre a ESTRADA DA MORTE, que é um dos roteiros mais procurados por ciclistas do mundo todo. Curiosamente, após ser considerada na década de 1990 a estrada mais perigosa do mundo pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, a ESTRADA DA MORTE se transformou em atração turística. Desde que ela foi aberta para o turismo, há registros da morte de 25 ciclistas, todos turistas. Em uma descida contínua e brusca, o caminho vai de 4.700 metros à 1.200 metros de altitude em menos de 65 km de extensão! Quase uma queda livre!

Para assistir ao programa na íntegra, acesse o link abaixo:

Canionismo em Guarapuava

Mais uma vez viajei 200 quilômetros até a cidade de Guarapuava, para participar de uma atividade na natureza. Dessa vez fiz pela primeira vez Canionismo, que consiste na exploração progressiva de um rio, transpondo os obstáculos que encontrar pela frente. Resumindo, entramos em um rio e fomos seguindo em frente sem sair do rio. Entre os obstáculos que encontramos tinham cinco cachoeiras, sendo a menor com 18 metros e a maior com 50 metros. Os guias eram o Bruno e o Rodrigo, da Caetê Vida ao Ar Livre. Foi com eles que meses antes fiz o rapel de 75 metros no Salto das Pombas, um local próximo a Guarapuava. No grupo que ia participar do Canionismo também estava alguns amigos de Campo Mourão.

Nos encontramos na rodoviária de Guarapuava e depois seguimos até um posto na BR 277, sentido Curitiba, bem no início da Serra da Esperança. No estacionamento do posto colocamos os equipamentos e teve uma breve reunião. Em seguida seguimos de carro por alguns minutos e paramos no acostamento. Após atravessar a rodovia, seguimos morro abaixo e logo entramos no mato, que no local era bastante fechado e preservado. Logo chegamos no rio e ali começou o Canionismo. Seguimos por dentro do rio, que era raso e cheio de pedras. Não demorou muito e chegamos na primeira cachoeira do dia. O pessoal foi montar o rapel e fiquei conversando com alguns amigos. O tempo estava nublado e a temperatura era de 10 graus. Mesmo estando com casaco impermeável e bem agasalhado, acabei me molhando no rapel, pois ele era quase todo no meio da  água. Após a descida troquei de camisa e de casaco, mas com os as botas e a calça molhados não tinha como não sentir frio. Fiquei um bom tempo tremendo e batendo os dentes.

Após todos descerem, continuamos andando por dentro do rio e logo chegamos na segunda cachoeira. E assim foi durante todo o dia, sempre seguindo por dentro do rio e descendo de rapel quando tinha uma cachoeira pela frente. Ao meio dia fizemos uma parada para almoço, onde cada um comeu o lanche que levou. Somente no almoço que conseguimos ficar num local onde o sol batia e foi possível nos aquecer um pouco.

Ao todos foram cinco cachoeiras, sendo que duas delas não descemos pelo meio da água. Numa delas não era preciso descer pelo meio da água, pois ela tinha o formato de um tobogã e o volume de água não era muito. E na outra os guias quebraram nosso galho e encontraram uma via pela lateral da cachoeira. Durante quase todo o dia passamos frio, pois como estávamos no fundo de um vale e no meio da mata fechada, os raios do sol não chegavam até nós. E o pior é que em alguns momentos ventava bastante e a sensação térmica despencava.

No final do dia, para aquecer um pouco subimos um morro até o local onde os carros estavam. Foi um dia intenso, cheio de emoções e muito frio… Mas foi uma experiência maravilhosa! Gostei muito de ter praticado meu primeiro Canionismo e pretendo voltar para fazer de novo em outras rotas. Mas dessa vez quero ir no auge do verão, para que não tenha que sofrer com o frio.

 

Aventuras & Aventureiros – Canionismo

Hoje o programa Aventuras & Aventureiros, falou sobre canionismo. Participaram do programa dois especialistas no assunto; Bruno Banhuk e Rodrigo Hohl Mendes. Os dois são de Guarapuava – PR e a frente da Caetê Vida ao ar Livre, uma agência de turismo ecológico, guiam grupos em atividades de canionismo, rapel, trekking, escalada e muito mais. Para maiores informações entrem em contato com a Caetê pelo telefone (42) 99902-2627.

Você pode assistir ao programa na íntegra, pelo link abaixo:

Livro: Caminhos de Peabiru História e Memória

O amigo Arléto Rocha está lançando o livro Caminhos de Peabiru História e Memória. O livro revela os Caminhos de Peabiru por quatro diferentes visões: a do não indígena, a visão dos Historiadores, a visão dos Geógrafos, e a quarta e mais importante que é a visão do Indígena pelos relatos dos próprios indígenas.

O livro será lançado no próximo domingo, 8 de novembro. O local do lançamento será na praça central da cidade de Peabiru, respeitando todos os cuidados que a pandemia de Covid-19 exige. Interessados em adquirir o livro devem entrar em contato pelo WhatsApp (44) 99975-8280.

O Gambito da Rainha

Vejo muito filmes e séries, mas posto pouco sobre tal assunto. Tenho por hábito postar aqui somente quando gosto muito de um filme ou série. E foi isso que aconteceu quando assisti a mini série O Gambito da Rainha, da Netflix. E não precisa saber jogar xadrez para entender e gostar da mini série. Mas eu sei jogar!

O Gambito da Rainha conta a história de uma órfã, que aprende a jogar xadrez no porão do orfanato. A história se passa na década de 1960 e os figurinos e cenários são perfeitos. O xadrez é a forma que a órfã Beth Harmon (Anya Taylor) vence a solidão do orfanato, cresce e se torna jogadora profissional. Pela frente ela vai enfrentar muitos demônios e tristes lembranças do passado, e o xadrez será sempre seu porto seguro. Sensacional a mini série, super recomendo!

Aventuras & Aventureiros – Ferrovia do Trigo

O programa Aventuras & Aventureiros de hoje falou sobre a Ferrovia do Trigo. O programa contou com a participação de Bruna Cardoso.

Para assistir ao programa na íntegra, acesse o link abaixo:

Aventuras & Aventureiros – Caminhos de Peabiru

O programa Aventuras & Aventureiros de hoje, falou sobre os Caminhos de Peabiru e suas trilhas. O programa contou com a participação de Arléto Rocha.

Para assistir ao programa na íntegra, acesse o link abaixo:

Aventuras & Aventureiros – Pico Paraná

O programa Aventuras & Aventureiros de hoje, falou sobre o Pico Paraná, a montanha mais alto do sul do Brasil. O programa contou com a participação de Roberto Elyeser, Krisley Gongra e Wesley Lemes.

Para assistir ao programa na íntegra, acesse o link abaixo:

Roberto Elyeser, Vander Dissenha, Wesley Lemes e Krisley Gongra.

Aventuras & Aventureiros – Trilha Salkantay

O programa Aventuras & Aventureiros de hoje, falou sobre a Trilha Salkantay, uma das trilhas que levam até Machu Picchu, Peru. O programa contou com a participação de Debora Rosa de Paula.

Assista ao programa na íntegra, através do link abaixo:

Aventuras & Aventureiros – Aventuras em Turvo – PR

O programa Aventuras & Aventureiros de hoje, falou sobre Turvo, uma pequena cidade localizada no Paraná e que tem muitos atrativos turisiticos e de aventura. O programa contou com a a participação de Mauricio Pilati e Camila Maciel.

Para assistir ao programa na íntegra, acesse o link abaixo:

Turvo – PR 2º dia

Segunda-feira, feriado da Independência, acordei bem disposto e com menos dores pelo corpo. Dispensei o café da manhã para poder ficar um pouco mais na cama. Logo me reuni ao grupo da Gralha Azul Turismo, para começar as atividades do dia. Algumas pessoas do dia anterior tinham ido embora e novas pessoas tinham acabado de chegar. Entre elas alguns amigos das cidades de Campo Mourão e Peabiru.

O dia iniciou com uma viagem de Kombi até uma região cheia de montanhas e muito bonita. Começamos uma caminhada pela mata e passamos por alguma pequenas cachoeiras. Depois entramos em uma caverna. Mais um pouco de caminhada e chegamos numa alta e bela cachoeira, onde seria feito rapel. Mais uma vez não participei e fiquei conversando e observando o pessoal fazendo rapel.

Pouco depois do meio dia teve almoço e em seguida uma longa viagem de Kombi. Paramos em um sítio, onde teve início um aquatrekking. Andamos pela água, por um local muito bonito. Passámos por algumas cachoeiras e terminamos o dia fazendo boia Cross.

O boia cross foi muito gostoso e passamos por algumas quedas velozes o que deu mais emoção a brincadeira. Terminamos o boia cross no final do dia. De negativo apenas que o sol tinha ido embora e a água estava gelada. Teria sido bem melhor se o boia cross tivesse sido realizado mais cedo, com sol quente. Após o boia cross teve um delicioso café, que foi servido quase na beira do rio. Eu estava congelando, pois esqueci de levar roupa seca. Fui salvo pelo empréstimo de um casaco do amigo Alemão. Depois seguimos de Kombi para o hotel, onde me despedi do pessoal e me arrumei para pegar a estrada de volta para casa. Foram dois dias intensos e muito gostosos. E certamente voltarei a Turvo para novas aventuras tão logo seja possível.

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Turvo – PR 1º dia

Aproveitando o feriado de sete de setembro, viajei quase 200 quilômetros até a cidade de Turvo. A cidade fica no meio de morros, possui muitas cachoeiras, matas, araucárias e paisagens deslumbrantes. O Mauricio Pilati a frente da Gralha Azul Turismo, tem feito um ótimo trabalho de receptivo, e explorando de forma correta as muitas atrações que a região de Turvo possui.

No primeiro dia fizemos uma caminhada de quase 20 quilômetros, passando por muita mata preservada, pastos, estradas vicinais, atravessando rios e conhecendo algumas cachoeiras. Almoçamos em um sítio, onde fomos muito bem recebidos. Fui fazer graça numa espécie de touro mecânico manual e levei um belo tombo, que felizmente não causou nenhum dano. No final do dia teve rapel ao lado de uma cachoeira, mas não participei, pois sentia muitas dores nas costas e no tornozelo direito.

No começo da noite jantamos em uma Casa Holandesa, que fica na região rural de Turvo. Foi servida uma deliciosa sopa de ervilhas, que passou horas sendo cozida em forno a lenha. Estava uma delícia e só não comi mais com medo de passar mal. Depois da janta teve sobremesa e um agradável bate papo com os novos amigos feitos durante o dia. Depois seguimos para o hotel, onde após um revigorante banho fui direto para a cama e dormi o sono dos justos, pois estava muito cansado após ter acordado de madrugada para pegar a estrada e do dia intenso que tivemos.

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Rapel em Jussara

Hoje foi dia de fazer rapel em um viaduto desativado da linha férrea, próximo a cidade de Jussara. O rapel foi organizado pelo meu amigo Alemão, como forma de comemorar seu aniversário de 34 anos. No rapel tive a oportunidade de encontrar alguns amigos e também de fazer novas amizades.

Mesmo já tendo feito  rapel outras  vezes, sempre fico  com frio na barriga. E esse  rapel era complicado a saída, pois não tinha apoio para os pés. Medo de lado, foi mais uma experiência inesquecível e com a adrenalina nas alturas literalmente.

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Aventuras & Aventureiros – Caminho da Fé

O programa Aventuras & Aventureiros de hoje, falou sobre o Caminho da Fé, a versão brasileira do Caminho de Santiago de Compostela. Participaram do programa, Donizeti Aparecido da Silva, Andrey Legnani e Karina Legnani.

AVENTURAS & AVENTUREIROS 12 - 18.08.2020

Para assistir ao programa na íntegra, acesso o link abaixo:

Donizeti, Vander, Andrey e Karina.

Aventuras & Aventureiros – Rapel

O programa Aventuras & Aventureiros de hoje, falou sobre Rapel e teve a participação de Éder Andrade e do Gaúcho, dois experiêntes praticantes e instrutores de rapel.

AVENTURAS & AVENTUREIROS 11 - 11.08.2020

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Éder Andrade, Vander Dissenha e Gaúcho.

Para assistir o programa na íntegra, acesse o link abaixo:

https://youtu.be/3A1CrUF1zCI

Betty Boop – 90 anos

Hoje Betty Boop faz 90 anos. Ela é uma personagem criada por Max Fleischer e desenhada por Grim Natwick. Betty Boop fez sua primeira aparição em 9 de agosto de 1930, em Dizzy Dishes, o sexto episódio na série Talkartoon de Fleischer.

Betty tinha um jeito de garota independente e provocadora, sempre com as pernas de fora, exibindo uma cinta-liga. A personagem estreou em 9 de agosto de 1930, no curta Dizzy Dishes, espelhando-se nas divas desta década, ao som de muito jazz. Mas Betty Boop ficou famosa mesmo quando interpretou Boop-Oop-a Doop-Girl, de Helen Kane, e, enfim, entrou para a história, participando de mais de 100 animações.

Apesar de ter sido atenuada em meados dos anos 1930, como resultado do Código Hays para parecer mais recatado, ela se tornou uma das personagens de desenhos animados mais conhecidas e populares do mundo.

Os comerciantes redescobriram Betty Boop na década de 1980. Os produtos inspirados em Betty Boop se distanciam muito dos desenhos animados, uma vez que muito não têm conhecimento dela como uma criação cinematográfica. Grande parte desse produtos a colocam na sua forma mais sexy, tornando a personagem popular em todo mundo.

A propriedade dos desenhos animados de Betty Boop mudou de mãos ao longo das décadas devido a uma série de fusões, aquisições e alienações.  Atualmente, a Olive Films (sob licença da Paramount) detém os direitos de hoem vídeo e a Trifecta mantém direitos de transmissão televisiva. A personagem e a marca registrada são de propriedade do Fleischer Studios, com produtos licenciados pela King Features Syndicate.

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Com a Betty Boop, no Island Adventure, em Orlando (2002).

Livro Into The Wild – 1ª Edição

O livro Into The Wild, de Jon Krakauer, foi lançado em 1997 nos Estados Unidos e logo fez grande sucesso. Depois se tornou filme também de sucesso. A história trágica de Christopher McCandless, conquistou o coração e a mente de jovens e adultos em todo o mundo.

A primeira edição do livro Into The Wild, se tornou uma raridade e as poucas edições que eventualmente são colocadas a venda em sites ou sebos, já alcançam preços na casa dos U$ 150,00 (R$ 799,50 no câmbio de hoje).

Abaixo algumas fotos de uma primeira edição do livro Into The Wild:

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Livros: Na Natureza Selvagem

Publicado em 2007 nos Estados Unidos, o livro Into the Wild (Na Natureza Selvagem), logo fez bastante sucesso e se tornou filme também de sucesso. No Brasil, o livro foi publicado em 1998. Em 2017 foi publicado uma edição com um posfácio do autor, Jon Krakauer, onde ele revisa sua opinião sobre a real causa da morte de Christopher McCandless. Essa nova edição tem poucas páginas a mais no final, e não muda em praticamente nada a história.

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Edição de 1998.

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Edição de 2017, com o posfácio.

O Magic Bus vai para um museu…

Após ser retirado do seu local original (ver postagens de junho) e correr até mesmo o risco de virar sucata, o Magic Bus (ônibus 142), vai parar em um museu. O famoso ônibus que ficou conhecido através do livro que virou filme; Na Natureza Selvagem (Into the Wild), finalmente vai ganhar um lugar digno para ficar e ser preservado.

O Departamento de Recursos Naturais do Alasca, anunciou que o famoso ônibus 142 ficará exposto no Museu do Norte da Universidade do Alasca, em Fairbanks. O museu fica cerca de duas horas de distância do local de onde o ônibus foi retirado em junho último. Foi informado que o museu foi a instituição que melhor atendeu as condições exigidas para ter o ônibus em suas instalações. No museu o ônibus terá a garantia de que será um objeto histórico e cultural preservado. O ônibus 142 ao ser exposto no museu de Fairbanks, também irá preservar a história de todas as pessoas que se arriscaram e algumas que perderam a vida indo até ele.

Mesmo o museu de Fairbanks sendo a casa oficial do ônibus daqui para frente, ele ainda é de posse do Departamento de Recursos Naturais do Alasca e eventualmente poderá sair em exposição itinerante.

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Museu do Norte da Universidade do Alasca.

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O ônibus 142 quando seguia para Fairbanks.

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O ônibus 142 ainda em seu local original.

Aventuras & Aventureiros – Circuito Vale Europeu

O programa Aventuras & Aventureiros de hoje, falou sobre o Circuito Vale Europeu. Participaram do programa Eduardo Viana e Horacio Bagatolli,  que contaram sobre suas viagens de bike pelo Vale Europeu em Santa Catarina.

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Horacio Bagatolli, Vander Dissenha e Eduardo Viana.

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Horacio Bagatolli e Vander Dissenha.

Para assistir ao programa na íntegra, acesse o link  abaixo:

Aventuras & Aventureiros – Caminho do Itupava

Hoje o programa Aventuras & Aventureiros falou sobre o Caminho do Itupava, que fica na serra do mar paranense. Os convidados que participaram do programa foram Gessiane Pereira, Arléto Rocha e Marcella Chinaglia.

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Para assistir ao programa acesse o link abaixo: 

Alfredo Sirkis

Hoje faleceu Alfredo Sirkis em um acidente de automóvel no Rio de Janeiro. Alfredo Sirkis escreveu um dos livros que marcaram minha juventude. No livro Os Carbonários, Sirkis conta suas memórias de estudante e guerrilheiro urbano contra a ditadura no Brasil. Foi a partir da leitura de Os Carbonários,  que passei a compreender melhor o que significou o Ato Institucional Número 5 (AI-5), as passeatas de 1968, os sequestros dos embaixadores da Suíça e da Alemanha, a libertação de presos políticos e as ações da ditadura para aniquilar as oposições.

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Netflix e Amazon Prime

Demorei a aderir, mas após pouco mais de um ano assistindo Netflix, virei fã e posso dizer que me tornei um viciado nas séries produzidas por ela. As séries, mesmo as mais antigas são de boa qualidade e tem uma variedade enorme de estilos.

Alguns filmes mais antigos, são bem ruins, mas de uns tempos para cá as produções se tornaram melhores, os roteiros mais legais e a vinda de atores consagrados fez a qualidade dos filmes produzidos pela Netflix crescerem.

Outro fator que me fez virar fã da Netflix, são a enorme quantidade de filmes estrangeiros disponiveis. Sempre gostei de filmes de outros países, que não os Estados Unidos. E na Netflix encontrei muitos filmes franceses, espanhóis e indianos, que são os melhores fora do eixo Estados Unidos – Inglaterra. Já vi também filmes alemães, suecos, turcos, japoneses e até africanos. Já filmes brasileiros é dificil encontrar algum que valha a pena. Infelizmente!

Há dois meses assinei o Amazon Prime e descobri algumas séries interessantes. Os filmes perdem em quantidade para os da Netflix,  muitos são antigos e tem pouca produção original. Mas da para encontrar alguns filmes interessantes.

Durante o período de isolamento pela pandemia do Covid19, foram vários dias, noites e madrugadas ligado na Netflix. Algumas vezes eu chegava a amanhecer o dia em frente a TV. E adoro fazer maratona de séries. Quando começo uma série, quero chegar ao final dela o mais rápido possível.

Sei que agora boa parte do meu tempo livre e principalmente horas de sono, acabo ocupando com a Netflix e o Amazon Prime. E isso me fez deixar de lado a leitura de livros. Ganha-se de um lado e perde-se de outro! Mas para quem é amante de séries e filmes, como eu, Netflix e Amazon Prime vieram para nos deixar mais felizes…

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A ascensão Netflix

Em meados da década de setenta e início da década de oitenta, quem queria assistir à um filme, ia ao cinema. No final da década de oitenta e na década de noventa, quando batia aquela vontade de assistir aquele filminho, era só correr na locadora mais próxima e alugar uma sacola de VHS para passar o final de semana, além de (para quem podia, porque era o olho da cara), assistir seus filmes e séries preferidos através do serviço de alguma TV por assinatura. Na década de 2000, surgiram os DVDs, e uma nova febre se instaurou no mercado audiovisual, oferecendo alta qualidade de som e imagem, e aposentando o VHS. Surge então a era digital, e quase junto com caros disquinhos Blu-Rays, aparecem os torrents, vertente que permanece até hoje, apesar de sua ilegalidade. Os torrents, para quem não sabe, consiste em uma maneira de “baixar” qualquer filme, série, etc, pela internet, através de plataformas de download ilegais, o que torna mais fácil a vida dos cinéfilos que querem encontrar alguma raridade ou lançamento, e não querem gastar dinheiro nenhum com isso (a não ser seu serviço de provedor de internet).

Paralelo à tudo isso, no início desta década, se populariza entre nós a modalidade conhecida como “streaming”, serviço que se tornou tendência com o YouTube e que permite ao usuário o livre acesso a um grande número de vídeos que são disponibilizados através de transmissão instantânea de dados de áudio e vídeo através de redes. Por meio do serviço, é possível assistir a filmes ou escutar música sem a necessidade de fazer download, o que torna mais rápido o acesso aos conteúdos online.

O streaming se desenvolveu no Brasil nos últimos anos principalmente pela melhora em um dos seus principais pré-requisitos: a melhora na velocidade das conexões com a Internet. Com isso, os dados são armazenados temporariamente na máquina e vão sendo exibidos ao usuário em velocidade quase instantânea. Dentro dos serviços de streaming, um deles carrega o expoente máximo de conexão com o público. Estou falando da Netflix, hoje uma gigante do entretenimento, fundada por incrível que pareça no distante ano de 1997 pelos americanos Reed Hastings e Marc Randolph. Diferentemente do YouTube, não é possível ao usuário criar um “canal” e carregar seus próprios vídeos dentro da plataforma, já que o conteúdo é todo fornecido e abastecido pela plataforma. Hoje atuando no mundo todo, a Netflix mostra números impressionantes para um serviço que ganhou sua maturidade no início da década, com cerca de 155 milhões de usuários e um patrimônio de mais de 25 bilhões de dólares.

Alguns fatores foram determinantes para que a Netflix chegasse onde está, e o principal deles é a constante melhora de nível do conteúdo do serviço, aliada à exploração de outras formas de negociação do referido conteúdo. Explico: de início, a Netflix apenas produzia seus próprios filmes e séries para disponibilizá-los em sua plataforma de streaming, ao lado das produções já existentes adquiridas de outros selos para alimentar o catálogo de opções do serviço. Isso funcionou muito bem por um tempo, mas ao mesmo tempo, essa forma de operação limitava o crescimento do serviço. Neste período, a Netflix produzia boas séries, mas seus filmes originais, em sua grande maioria, deixavam muito a desejar.

Em 2016, entretanto, a Netflix lançou a obra que mudou para sempre a história e o alcance da marca: Estou falando da série Stranger Things, uma amálgama de diversas produções de sucesso da década de oitenta, que trazia uma história nova porém com elementos de filmes como E.T.: O Extraterrestre, Os Goonies, It: A Coisa, entre tantos outros. A série, hoje em sua terceira temporada, conta a história de um grupo de jovens de uma pequena cidade americana que acaba se metendo em uma história miscelânica envolvendo conspiração governamental, monstros e dimensões paralelas, sempre trazendo inúmeras referências à cultura pop dos anos 80. O sucesso foi absolutamente estrondoso, e a série em sua terceira temporada teve uma audiência recorde de mais de 40 milhões de pontos de transmissão em apenas quatro dias desde o lançamento.

Este novo patamar alcançado pela Netflix após a chegada do fenômeno Stranger Things permitiu que a Netflix implementasse duas novas modalidades que viriam a efetivamente transformá-la na potência do entretenimento que é hoje; a primeira delas, foi investir em superproduções. Até então condicionada à produzir filmes de pequeno alcance e orçamento modesto, a Netflix se aventurou pela primeira vez no terreno dos blockbusters no final de 2017, com a fantasia policial Bright, protagonizada por Will Smith, e o sucesso foi imediato. Depois vieram o thriller Bird Box, estrelado por Sandra Bullock, que chegou à marca de 26 milhões de espectadores em seus primeiros sete dias desde o lançamento no final do ano seguinte, e neste ano, produções como Operação Fronteira e Missão no Mar Vermelho mantiveram a tendência Netflix de produzir filmes com grandes nomes de Hollywood, no caso Ben Affleck e Chris Evans, respectivamente. A segunda tomada de decisão, e talvez a mais importante, foi passar a adquirir produções de outros estúdios e lançá-las em seu catálogo como produções Netflix.

Grandes filmes como o vencedor do Oscar Roma e a super-produção O Paradoxo Cloverfield iniciaram uma vitoriosa tendência que além de aumentar significativamente o catálogo de produções do selo, ainda permitiram que a Netflix chegasse às salas de cinema. Esta junção de fatores de sucesso na estratégia da empresa irão convergir agora no final de 2019, com a chegada de O Irlandês (The Irishman), superprodução dirigida por Martin Scorsese e protagonizada por Robert De Niro, Al Pacino e Joe Pesci, que além de ser a maior produção da Netflix até agora, já chega com lançamento programado nos cinemas e prováveis indicações ao Oscar do ano que vem.

Neste meio tempo, a Netflix ainda encontrou outra mina de ouro inesperada em uma improvável série espanhola batizada de La Casa de Papel. Se Stranger Things foi um sucesso importado dos EUA, La Casa de Papel foi um sucesso tipo exportação, que se tornou uma febre no Brasil e na América Latina para em seguida ganhar o mundo. A série, que acompanha um grupo de assaltantes durante um audacioso roubo à Casa da Moeda da Espanha, caiu na boca do povo e se transformou num verdadeiro fenômeno, à ponto de viralizar na internet brasileira, gerando uma infinidade de memes e até uma versão funk da canção italiana e hino anti-fascista Bella Ciao, que toca numa das melhores cenas da primeira temporada da série, que hoje também se encontra em sua terceira temporada.

É claro que, como tudo que cresce e se torna um sucesso, a Netflix passou a incomodar certas vertentes da indústria do entretenimento. Diretores renomados como Steven Spielberg e Christopher Nolan já se mostraram insatisfeitos com a entrada do selo na indústria de Hollywood, e outros serviços de streaming também surgiram, como o Amazon Prime Video e o serviço de VOD (Video On Demand) também ganhou força, funcionando como um esquema mais específico de Pay-Per-View, onde você pode “alugar” determinado filme diretamente da plataforma que o oferece. Com medo do crescente ganho de público do streaming Netflix, a toda-poderosa Disney (agora detentora da Marvel e da Fox) e a HBO (pertencente ao grupo Warner), anunciaram a criação de seus próprios serviços de streaming, que além de já nascerem concorrentes diretos da Netflix, ainda retirarão todas as produções de seus respectivos selos do catálogo da concorrente. Tendo em vista o alto número de filmes da Disney, Marvel, Fox e Warner em seu portfólio, a Netflix deve se preparar para um forte golpe em seu faturamento.

Contudo, este revés chega em um momento em que a Netflix talvez seja capaz de suportar bem o impacto. Mesmo com uma significativa queda no número de produções de peso disponíveis em seu catálogo, o crescente número de produções próprias Netflix, entre filmes e séries, além da constante aquisição de produções de outros estúdios, pode funcionar como o fator de equilíbrio que a marca precisa para adentrar esta nova fase de sua história. É importante lembrar que, todos estes serviços, sejam eles de streaming, VOD, torrents, etc, funcionam como alternativas ao cinema, o que também incorre em um risco à indústria cinematográfica. Em uma pesquisa realizada este ano, mais de 70% dos jovens entre 14 e 22 anos preferem ficar em casa assistindo Netflix ou YouTube do que ir ao cinema. O ato de ir até o cinema ainda funciona como um passeio em família ou algo romântico entre namorados, porém, com exceção das superproduções, o cinema não oferece nada além. Os preços dos ingressos são altos e os da bomboniére nem se fala, e a massiva maioria dos filmes menores sequer chegam a ser lançados nos cinemas, e se a indústria quiser continuar existindo nos próximos anos, terá que se reinventar. Independente do que venha a acontecer em todo este cenário, uma coisa é certa: Depois da Netflix, o mundo do entretenimento nunca mais será o mesmo.

Eduado Kacic   www.administradores.com

 

Parque Natural Municipal São Francisco da Esperança

Após realizar o rapel no Salto das Pombas (postagem anterior), estivemos visitando o Parque Natural Municipal São Francisco da Esperança. O parque é muito bonito e por vários aspectos achei ele parecido com o Parque do Caracol, que fica na cidade de Canela – RS.

A principal atração do parque é o Salto São Francisco. Ele está localizado na serra da Boa Esperança, na tríplice fronteira entre as cidades de Prudentópolis, Turvo e Guarapuava. Com 196 metros, o Salto São Francisco é uma das maiores cachoeiras do sul do Brasil.

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Parque Natural Municipal São Francisco da Esperança.

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Salto São Francisco.

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Salto dos Cavalheiros.

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Rapel no Salto das Pombas

Recentemente estive com amigos na cidade de Guarapuava, fazendo rapel no Salto das Pombas. Foi um rapel de 75 metros, com uma vista incrível. Confesso que ao chegar na borda do paredão, deu um enorme frio na barriga.

Depois do rapel, tivemos que fazer a trilha de retorno, que foi pelo meio da mata e com uma subida que exigiu certo grau de esforço. E a trilha também se mostrou interessante, tendo inclusive passado ao lado de um paredão com água escorrendo, que deixou a paisagem muito bonita.

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As igrejas trigêmeas

A catedral de minha cidade (Campo Mourão), possui mais duas irmãs. O arquiteto Simão Gramlich vendeu o mesmo projeto para três cidades. Dessa forma Campo Mourão – PR, Antônio Carlos – SC e São Bento do Sul – SC possuem igreja matriz quase idênticas.

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Campo Mourão (1968), Antonio Carlos (1967) e São Bento do Sul (1958). As igrejas trigêmeas.

Aventuras & Aventureiros – Mulheres na Montanha

Hoje foi ao ar mais um programa Aventuras & Aventureiros. O tema do programa foi Mulheres na Montanha, e contou com a participação de Cleide Couto e Amanda Pichontcoski.

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Cleide Couto, Vander Dissenha e Amanda Pichontcoski.

Abaixo o link para assistir ao programa na íntegra:

Destino do Magic Bus / Ônibus 142

Segue abaixo devidamente traduzido, nota do Departamento de Recursos Naturais do Alasca, contando sobre a remoção do Magic Bus (Ônibus 142) e seu destino. Todos os itens que estavam dentro do ônibus, bem como a placa colocada há anos pela família McCandless sob a escada de entrada do ônibus, foram cuidadosamente embalados e seguiram para serem guardados no mesmo local que o ônibus.

**Quem descobriu, traduziou e nos enviou o texto, foi a pernambucana Bárbara Bezerra de Menezes.

Para divulgação imediata: 19 de junho de 2020.

Transporte aéreo libera ônibus velho de passado trágico e oferece futuro positivo
Por Corri A. Feige

Por décadas, o ônibus urbano da década de 1940 abandonado em uma trilha remota a 40 quilômetros a oeste de Healy, serviu de várias formas como abrigo, símbolo, santuário, canto de cigarra e até mesmo um local de morte. A quinta-feira marcou o início de um novo capítulo na vida do ônibus 142.

Em 18 de junho, a pedido do Departamento de Recursos Naturais do Alasca (DNR), um helicóptero CH-47 Chinook da Guarda Nacional do Exército do Alasca removeu o ônibus chamado “Into the Wild” da Stampede Trail, para que possa ser transferido para um armazenamento seguro enquanto a DNR considera o próximo passo na história do ônibus mais famoso do Alasca.

Depois que seu serviço no sistema de trânsito da cidade de Fairbanks terminou na década de 1950, a Yutan Construction Co. comprou o agora famoso ônibus para abrigar funcionários durante a construção de uma estrada pioneira entre Lignite e Stampede. O ônibus foi abandonado após a conclusão da estrada em 1961.

Usado por caçadores e caminhantes como um abrigo de emergência ocasional, o ônibus ficou famoso depois que o livro de Jon Krakauer, de 1996, “Into the Wild”, e um filme do livro de 2007, popularizaram a história do viajante de 24 anos Chris McCandless, que, infelizmente, morreu sozinho em 1992, após uma estada de 114 dias, que ele caracterizou em um diário como uma fuga às restrições da civilização.

Desde a morte de McCandless, um número cada vez maior de viajantes tentou literalmente refazer os passos de McCandless, percorrendo uma trilha acidentada com clima severo e atravessando os rios Teklanika e Savage para chegar ao local do ônibus.

Enquanto muitos deles tiveram experiências satisfatórias, mesmo que sem intercorrências, muitos ficaram perdidos ou feridos ou precisaram de resgate. Tragicamente, desde 2010 duas mulheres se afogaram durante essas viagens, alimentando chamadas públicas para reduzir ou eliminar os riscos. Como o ônibus é um veículo abandonado há muito tempo, e está presente em terras estatais gerenciadas pela DNR, é tecnicamente propriedade do estado e é legalmente da responsabilidade do meu departamento. No entanto, determinar o que fazer com o ônibus exigiu o equilíbrio de interesses.

Por um lado, o Alasca acolhe moradores e visitantes, para os quais os verdadeiros desafios e riscos da recriação em nossas áreas selvagens aumentem seu prazer. Por outro lado, esse ônibus atraía muitos visitantes despreparados para os rigores do desafio. Eles estavam arriscando danos a si mesmos ou a outros, exigindo que as equipes de busca e resgate se colocassem em perigo, consumindo recursos públicos limitados e, em alguns casos, perdendo a vida.

Algumas vozes pediram para eliminar completamente a atração destruindo o ônibus. Outros queriam tornar o acesso mais seguro construindo pontes ou melhorando trilhas. Alguns queriam capitalizar sua mística, movendo-o para o sistema viário como uma atração turística. Outros ainda queriam vê-lo preservado como um santuário para o tipo de individualismo áspero que evita as restrições da civilização.

No final, a decisão da DNR de mudar o ônibus foi baseada em alguns fatores essenciais. Primeiro, tornara-se um incômodo atraente, que apresentava riscos inaceitáveis ​​para os visitantes, muitas vezes despreparados para os rigores da jornada. Segundo, a Guarda Nacional do Exército do Alasca concordou graciosamente em removê-la como uma maneira de praticar suas habilidades no rápido movimento aéreo-móvel de equipamentos sob condições selvagens. Terceiro, o ônibus estava impondo encargos financeiros ao distrito de Denali, ao Alaska State Troopers, ao DNR e a outras agências. Finalmente, e mais importante, simplesmente não podíamos ignorar que o ônibus era um fator em mais e mais frequente lesões, acidentes e mortes.

Reconhecer notícias sobre o ônibus pode reabrir velhas feridas nas famílias daqueles que morreram – e equilibrar isso com a necessidade de preservar a segurança e a integridade da operação – assim que o ônibus esteva em movimento, eu pessoalmente estendi a mão e falei com um membro da família McCandless para compartilhar as notícias e expressar minha esperança de que essa ação possa salvar outras pessoas do tipo de dor que suas famílias experimentaram. Como as diferenças de fuso-horário significariam perturbar com as ligações telefônicas noturnas os outros sobreviventes, minha equipe forneceu um aviso prévio por e-mail e convites para me ligar quando necessário.

Como o ônibus 142 provavelmente continuará sendo um símbolo potente e um artefato atraente, a DNR planeja mantê-lo seguro em armazenamento seguro enquanto considera opções para seu futuro a longo prazo, no Alasca. Embora continuemos a considerar as contribuições do público, é minha forte intenção impedir que o ônibus e seu legado sejam explorados para publicidade, lucro ou qualquer outro uso desrespeitoso. As decisões sobre sua disposição final refletirão nossa responsabilidade pela saúde, segurança e bem-estar de nossos residentes, visitantes, terra e recursos. O ônibus 142 teve um passado longo e fascinante. Ao movê-lo de maneira respeitosa, eficiente e segura, estamos preservando a oportunidade de que esse pedaço da história também tenha um futuro a longo prazo; não apenas no Alasca, mas também nos corações, mentes e lembranças de aventureiros e buscadores de todo o mundo.

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Corri A. Feige é comissária do Departamento de Recursos Naturais do Alasca

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Programa Aventuras & Aventueiros – Na Natureza Selvagem

Hoje o programa Aventuras & Aventureiros falou sobre o livro e filme Na Natureza Selvagem. O programa teve a aprticipação da Bárbara Bezerra de Menezes, que já esteve duas vezes no Alasca e visitou o Parque Nacional Denali, local que foi palco da história de Christopher McCandless e o “Magic Bus”.

AVENTURAS & AVENTUREIROS 23.06.2020

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Vander Dissenha e Bárbara Bezerra de Menezes.

Abaixo o link para assistir ao programa na íntegra:

Magic Bus

O Alasca é um lugar lindo, selvagem. Eu só conheci o filme Na Natureza Selvagem (Into the Wild), porque já estava com viagem comprada para conhecer o Alasca. Eu estive no parque Denali. Visitei o Magic Bus (ônibus 142) que foi usado para gravar o filme. Ele foi doado a uma cervejaria local, para as pessoas poderem visitar sem colocar a vida em risco.

O Alasca não é para amadores. Tentei fazer a visita ao Magic Bus original, mas não pude fazer a travessia do rio nas duas vezes que fui no Alasca. Você não faz ideia de como o povo alasquiano odeia a história do Christopher McCandless e do romantismo aventureiro em volta do Magic Bus.

Fico num mix de emoções com essa notícia da retirada do ônibus de seu local. Vidas serão poupadas, mas o prazer de muitos foi apagado. Eu amo essa história, mas amo mais as vidas. Não estou chateada nem triste, estou curiosa para saber onde vão colocar o ônibus. Tem outros lugares incríveis que ainda não conheço no Alasca e eu rodei mais de dois mil quilômetros por lá.

Juro que nada do meu sentimento mudou. Cada um de nós já viveu algo parecido com o que Chris viveu. Uma época de aventura e se descobriu.

Bárbara Bezerra de Menezes

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Bárbara em frente o Magic Bus utilizado nas gravações do filme. (2016)

 

Remoção do Magic Bus

O sonho acabou! Pelo menos para mim, que há anos tinha planos de visitar o Magic Bus (ônibus 142) do livro e filme Na Natureza Selvagem (Into the Wild). Hoje o famoso ônibus foi retirado do local onde estava há décadas e que serviu de palco para a maravilhosa e trágica história de Christopher McCandless, o jovem que deixou a vida confortável na cidade e foi viver uma grande aventura próximo a natureza. A história de Christopher McCandless foi contada em um livro (1996) do jornalista John Krakauer, que se tornou best seller e depois foi transformado em um filme de sucesso (2007) que concorreu a dois Oscar. O ônibus ficava na Stampede Trail, perto do rio Teklanika, em uma área remota do Alasca. O Magic Bus ficava a 40 quilômetros da trilha Stampede. A história de Christopher McCandless, de 24 anos, conquistou uma legião de admiradores. McCandless passou o verão de 1992 no ônibus 142, onde veio a morrer de fome dentro do ônibus, depois de 114 dias vivendo no local.

O Magic Bus era considerado um ponto turístico de alto risco. Viajantes do mundo todo, a maioria jovens, seguiam até o local onde o ônibus ficava, na busca de refazer o caminho que McCandless fez em 1992. Alguns desses viajantes estavam mal preparados e pouco conheciam da topografia do local. Por conta de tal despreparo acabavam se metendo em problemas. Os rios Teklanika e Savage, isolam a região e tornavam a aventura bem arriscada. Algumas mortes ocorreram e era algo frequente a Guarda Nacional do Alasca ser acionada para socorrer aventureiros perdidos e/ou feridos. Essas operações de resgate geravam um alto custo financeiro para o Estado do Alasca e isso estava desagradando muito o Governo e a população local.

Após muito debate, as autoridades locais decidiram que o mais apropriado era remover o ônibus da trilha. Em uma operação conjunta entre o Exército Americano e o Departamento de Recursos Naturais, com auxílio de um helicóptero de carga CH-47 Chinook, foram feitos buracos no teto e no chão do Magic Bus, para possibilitar a passagem de correntes, que tornaram possível sua elevação aérea. A Guarda Nacional do Alasca retirou o ônibus 142 como um treinamento para levar veículos por via aérea. O Magic Bus ficará em um depósito enquanto se decide opções e alternativas para visitas públicas, em um lugar mais seguro. Uma maleta de valor sentimental para a família McCandless foi preservada.

A história de Christopher McCandless serviu de inspiração à imaginação de jovens e aventureiros do mundo todo. Mas muitos moradores locais não nutriam nenhuma admiração por tal história. Muitos achavam McCandless um despreparado que morreu de forma idiota a pouco mais de 30 quilômetros de um local habitado. O povo do Alasca tem fama de ser durão, pois sobrevivem em uma região bastante inóspita e não digeriram bem a história do jovem sonhador e aventureiro que morreu de fome dentro de um ônibus que servia há anos como abrigo para caçadores da região.

Ao mesmo tempo em que a retirada do ônibus 142 deixa a população e as autoridades  locais aliviadas, importante parte da história da região desapareceu. Há alguns anos foi sugerido a construção de uma ponte sobre o rio na rota para chegar ao Magic Bus. Isso fomentaria o turismo na região e deixaria a trilha segura. Mas a proposta foi rejeitada, pois se temia que isso pudesse atrair ainda mais jovens e aventureiros despreparados.

A história de Christopher McCandless me serviu de inspiração em uma fase muito difícil de minha vida. Em 2010 eu enfrentava uma forte depressão e para sair do estado de desepero e de falta de motivação para seguir em frente, procurei histórias inspiradoras em pessoas, livros e filmes. E na busca da cura formulei uma lista de lugares que pretendia conhecer. Nos últimos dez anos realizei mais da metade das viagens que constam nessa lista. Mas visitar o Magic Bus em seu local original não vai ser possível, pois a partir de hoje o cenário da história bela e trágica de Christopher McCandless deixou de ser completo. Sou fã confesso do livro, filme e trilha sonora de Na Natureza Selvagem, e sempre que possível tento passar para outras pessoas o sentimento inspirador que nutro por tal história. Uma das mensagens mais importantes que a história de Christopher McCandless deixa é que as pessoas devem viajar e ter um contato mais íntimo com a natureza, mas que estejam preparadas para o que vão fazer.

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O Magic Bus antes de ser removido.

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Christopher McCandless no Magic Bus em 1992.

Aventuras & Aventuteiros – Travessias Serra do Mar Paraná

O programa Aventuras & Aventureiros de hoje, teve a participação do turismólogo Marcelo Knieling. E o tema do programa foram travessias na serra do mar parananese. O progama também teve a participação via live do experiente montanhista Paulo Weber.

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Marcelo Knieling, Vander Dissenha e Paulo Weber.

Abaixo o link para assistir ao programa na íntegra:

Aventuras & Aventureiros

Hoje tive uma nova experiência, que foi apresentar um programa de rádio na MaMa Live Rádio Web. Junto comigo no estúdio esteve presente o amigo Rodrigo “Alemão” Weiss. Foi um programa teste, cheio de nervosismo, sinais de inexperiência, erros, alguns exageros, mas com bastante participação de ouvintes e muitas risadas. No fim foi uma experiência divertida e caso esse programa teste se transforme em um programa permanente, falaremos sobre muita coisa interessante relacionada a viagens e aventuras. E se o programa ficar somente nesse primeiro, também valeu a pena, pois apresentá-lo foi uma verdadeira aventura.

Abaixo o link do Facebook que permite assistir ao programa na íntegra:

https://youtu.be/ZF3h8WTczJc

AVENTURAS & AVENTUREIROS 01 - 02.06.2020

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ES-PE-RAN-ÇA…

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E — ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

Mario Quintana

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Chamas do Destino

Chamas do Destino é uma série da Netflix, baseada na história real do incêndio no Bazar de la Charité (veja postagem anterior). Depois do terrível incêndio em Paris, em 1897, a vida de três mulheres sofre reviravoltas com traições, mentiras e conflitos amorosos. A série não é fiel ao trágico incêndio, ela se torna uma mistura entre ficção e realidade. Mas é muito bem feita e vale a pena assistir aos oito episódios de quase uma hora de duração.

A série foi gravada em 2019 e o nome original é Le Bazar de la Charité, que no Brasil teve o nome mudado para Chamas do Destino. Igual acontece com a maioria dos filmes, aqui no Brasil costumam mudar os nomes originais de muitas séries.

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Bazar de la Charité

Em 4 de maio de 1897, ocorreu em Paris um incêndio durante um bazar de caridade que entrou para a história da cidade. O Bazar de la Charité era um conhecido evento que marcava o início da temporada de verão da elite parisiense, desde 1885. Nesse bazar beneficiente, objetos diversos eram vendidos e a renda era revertidda em benefício dos pobres. Pessoas de baixa classe social, religiosos e crianças ajudavam na organização do evento, cujo responsável principal era o Barão de Mackau.

Para o bazar de 1897, o Barão de Mackau alugou um terreno vago, e num edifício temporário foram construídas 22 cabines de madeira, onde seriam vendidos os produtos do bazar. O prédio usado no evento não era muito grande e tinha sido  feito de madeira de pinho. O tema foi Idade Média, e decoraram o local para se parecer com uma rua de Paris daquela época. O interior tinha telas pintadas e tecidos que cobriam o teto. A principal atração era uma novidade para a época; a projeção cinematográfica. O cinema era um invenção rescente, dos franceses irmãos Lumière.

O primeiro dia do bazar foi de relativo sucesso de público. E no dia do incêndio cerca de  1.700 visitantes se encontravam no local, quando aconteceu um inesperado acidente. Uma das lâmpadas de éter utilizadas para iluminar o cinema explodiu, causando um incêndio que se espalhou rapidamente pelo teto coberto de tecidos. Em poucos minutos 126 pessoas morreram no local do bazar e nos dias seguintes outras mais morreram nos hospitais. Alguns sobriviventes ficaram com cicratizes causadas pelo fogo, para o resto de suas vidas.

Algumas pessoas pobres que ajudaram no resgate dos ricos, receberam medalhas. E muita gente se perguntava se o incêndio não foi um castigo divino dirigido aos ricos. Os  dois técnicos do cinema, causadores do acidente que provocou o incêndio, foram condenados à prisão. Mas o grande escândalo foi a constatação de que morreram muito mais mulheres do que homens. Testemunhas contaram que os nobres cavalheiros parienses, para fugir pela unica saída do bazar abusaram da brutalidade, socos, chutes e bengaladas contra as indefesas mulheres. A bengala era um item que os ricos usavam na época.

No local do desastre, posteriormente foi construída uma capela. A Capela Notre-Dame-de-Consolation de Paris, foi inaugurada em maio de 1900. No seu interior os nomes de 126 vítimas estão inscritos em seis placas de mármore preto, com letras de ouro. No Cemitério do Père-Lachaise, que é considerado o mais famoso do mundo, existe uma sepultura onde foram enterrados os corpos não reconhecidos na tragédia. Numa época em que não existia exame de DNA, o reconhecimento de vitímas de incêndio era uma tarefa bastante difícil.

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Interior do Bazar de la Charité.

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Túmulo das vitímas não reconhecidas. (Cemitério do Père-Lachaise)

Túnel do tempo: Ilha do Mel

O Túnel do Tempo de hoje é para lembrar dos anos românticos da Ilha do Mel. No final dos anos 80, a ilha era bem tranquila, não tinha tantas pousadas e bares. Naquela época não existia o trapiche, onde você desembarca sem molhar os pés. Você descia do barco longe da margem e algumas vezes com a água batendo no peito. E tinha que carregar suas coisas sobre a cabeça para não molhar. A gruta de Encantadas não tinha a escadaria que descaracterizou o local. A noite tinha uma animada lambateria, onde os casais tentavam se formar antes das 22h00min, pois a energia era na base do gerador e tinha horário para ser desligada. Depois que tudo ficava escuro, quem tinha encontrado uma paquera, procurava um canto sossegado para namorar. Também foi nessa época que tive pela última vez problema com bicho de pé. Peguei três de uma vez só e no mesmo pé. E também foi aí que tive bicho geográfico, que demorou três meses para ser curado e me fez perder todas as unhas do pé direito. Saudade da Ilha do Mel daquela época, quando ela se parecia mais com uma ilha, meio selvagem.

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Victor Noir e o culto sexual em sua sepultura

Em 10 de janeiro de 1870, o jornalista Victor Noir foi morto por Pierre-Napoléon Bonaparte, primo do imperador Napoleão III. Após a morte, Victor Noir se tornou um símbolo de oposição ao regime imperial. Passados 21 anos de sua morte, os restos mortais de Victor Noir foram transferidos do cemitério de Neuilly para o de Père Lachaise, em Paris. Sobre o túmulo foi colocada uma escultura muito bonita, feita por Jules Dalou. O detalhe é que a escultura tem uma notável protuberância nas calças, o que originou o culto sexual ao personagem décadas depois.  Noir foi morto por razões políticas, quando foi junto com um amigo marcar um duelo para outro amigo. Ocorreu uma discussão, onde Noir levou um tapa no rosto e em seguida um tiro, vindo a falecer. Seu assasino alegou legitima defesa e foi liberado no julgamento. Numa época em que o imperador já era impopular, a absolvição de seu primo Pierre pela acusação de assassinato, causou enorme indignação pública e várias manifestações violentas. Em 4 de setembro de 1870 ocorreu a derrubada do regime do imperador e o estabelecimento da  Terceira República.

O túmulo de Victor Noir tornou-se um símbolo de fertilidade. A escultura sobre o túmulo apresenta em certos lugares da anatomia (nariz, pés e sexo em particular), uma perda de sua oxidação verdigris. Isso acontece porque o túmulo de Victor Noir é objeto de um verdadeiro culto sexual. Diz a lenda que, ao esfregar a mão ou as partes intimas no local do sexo do falecido, é recuperada a fertilidade para as mulheres e a virilidade para os homens. Tocar nos pés permite que você encontre o amor da sua vida. E para trazer de volta o amor perdido, você tem que beijar seu nariz, queixo e lábios. Flores frescas são sempre colocadas no túmulo. Acontece mesmo de se encontrar sapatos de bebê no túmulo, provavelmente para agradecer a Victor Noir por permitir uma maternidade. Em 2004, uma cerca foi erguida ao redor da sepultura, para impedir que as pessoas tocassem na escultura. No entanto, devido a supostos protestos da “população feminina de Paris”, a tal cerca foi retirada.

Esse culto sexual existe de fato apenas desde os anos 1960, quando foi criado do zero por estudantes. No entanto, a tumba foi anteriormente objeto de um culto, mas este, um culto republicano.

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Victor Noir em seu leito de morte. (Foto: Yvan Salmon)

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Père-Lachaise – o cemitério mais famoso do mundo

O Cemitério de Père-Lachaise, também chamado de “Cemitério do Oriente”, é o maior cemitério de Paris e abrange 43 hectares. Ele é considerado o cemitério mais famoso do mundo em razão da grande quantidade de personagens históricos que nele estão sepultados. O cemitério de Père-Lachaise faz parte dos parques e jardins sob a administração da prefeitura de Paris. É um lugar único que convida a contemplação e devaneio, impregnado de arte, cultura e história, onde você viaja por seu labirinto de pedras e vegetação. Mais de 3 milhões de visitantes de todo o mundo o visitam todos os anos.

São 70.000 concessões funerárias. Muitas personalidades entre artistas, músicos e escritores estão sepultados no local: Frédéric Chopin, Rossini, Jim Morrison, Edith Piaf, Alain Bashung, Maria Callas, Sarah Bernhardt, Molière, Balzac, Colette, Marcel Proust, Jean de la Fontaine, Oscar Wilde, Allan Kardec, Isadora Duncan e muitos outros.

A origem do cemitério remonta ao século XII, quando o terreno estava repleto de vinhas pertencentes à Igreja. Em 1430 um comerciante adquiriu as terras e construiu uma residência pomposa, até que a propriedade passou para as mãos dos jesuítas no século XVII. Após a expulsão dos jesuítas, o terreno passou para as mãos da cidade de Paris graças a Napoleão Bonaparte, e assim foi construído o cemitério, inspirado no estilo dos jardins ingleses. O cemitério recebeu a sua denominação em homenagem a um sacerdote católico, François d’Aix de La Chaise (1624-1709), dito le Père La Chaise (“o padre La Chaise”), confessor do rei Luís XIV da França, sobre quem exerceu influência moderadora na luta contra o jansenismo.

No início do século XIX, vários novos cemitérios substituíram as antigas necrópoles parisienses. Fora dos limites da cidade foram criados o cemitério de Montmartre ao norte, o cemitério do Père-Lachaise a leste, o cemitério de Montparnasse no sul e o cemitério de Passy ao oeste. A concepção do Père-Lachaise foi confiada ao arquiteto neoclássico Alexandre Brongniarte em 1803 e, desde a sua abertura, o cemitério conheceu cinco ampliações: em 1824, 1829, 1832, 1842 e 1850, passando de 17 hectares para 44 hectares.

Em 21 de maio 1804, o cemitério foi oficialmente aberto para o sepultamento de uma menina de cinco anos, Adélaïde Paillard de Villeneuve. No início, os parisienses não aceitavam de bom grado a necrópole, localizada distante do centro, numa zona pobre e de difícil acesso. Esta situação só mudaria quando para lá foram transferidas ossadas de importantes personalidades, apaziguando as críticas da elite parisiense.

Ao sul do cemitério encontra-se o Muro dos Federados, contra o qual 147 dirigentes da Comuna de Paris foram fuzilados em 28 de maio de 1871.

Fontes: https://pere-lachaise.com/ e https://pt.wikipedia.org/

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Chopin.

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Allan Kardec.

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Jim Morrison.

O Chamado da Floresta

Vejo muito filmes, mas só posto aqui no blog sobre filmes que gostei muito. E O Chamado da Floresta é um desses casos. O filme é obra da Disney, baseada no clássico livro de Jack London, de 1903. É o sétimo filme baseado no livro nos últimos 100 anos. O detalhe é que os efeitos digitais atuais permitiram fazer um cachorro, que é o personagem principal do filme, que age igual ao cachorro do livro. Com cachorros de verdade, por mais que fossem treinados, não era possível chegar próximo ao cachorro do livro. Quem gosta de cachorros vai amar o filme…

O Chamado da Floresta narra as aventuras de Buck, o privilegiado cão doméstico de uma família californiana. Em meio à febre do ouro, Buck é roubado de seu ambiente e contrabandeado para o Alasca. No caminho, sofre uma série de maus-tratos, até que encontra refúgio em uma irmandade de cães e, assim como os corajosos garimpeiros, vê-se na necessidade de se adaptar à vida selvagem. Buck entra em contato com sua natureza primitiva, em uma jornada de autoconhecimento, e redescobre seus instintos

Fonte: http://www.listasliterarias.com/2013/01/7-livros-de-jack-london-para-ter-na.html

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Outro detalhe sobre o filme, é que o livro em que ele foi baseado é um dos livros que serviram de inspiração para Christopher McCandless realizar a aventura pelo Alasca, que custou sua vida. Essa história é bem conhecida através do livro e filme Na Natureza Selvagem.

Para saber mais sobre a história de Christopher McCandless , veja as postagens aqui no blog, que você encontra nos links abaixo:

Na Natureza Selvagem

Into the Wild

Mais sobre “INTO THE WILD”

+ Into The Wild

Documentário sobre Into The Wild

Assistindo novamente “Into The Wild”

Christopher McCandless

De volta à Natureza Selvagem

The Wild Truth

O homem que encontrou o corpo de Chris McCandless

https://vanderdissenha.wordpress.com/2017/05/17/a-felicidade-so-e-verdadeira-quando-compartilhada/ 

As Catacumbas de Paris

A história das catacumbas de Paris remonta ao final do século XVIII, quando grandes problemas de saneamento relacionados aos cemitérios da cidade levaram à decisão de transferir seu conteúdo para o subsolo. As autoridades de Paris escolhem um local de fácil acesso, localizado fora da capital: as antigas pedreiras de Tombe-Issoire, sob a planície de Montrouge. Exploradas desde pelo menos o século XV, então abandonadas, essas pedreiras constituem uma pequena fração do labirinto que se estende sob a cidade em aproximadamente 800 hectares. O desenvolvimento do local e a organização das transferências de ossos são confiados a Charles-Axel Guillaumot, inspetor a serviço da Inspeção Geral das pedreiras de Paris, ou IGC. Esse serviço, estabelecido em 4 de abril de 1777 por Luís XVI, é responsável pelo monitoramento e consolidação de pedreiras abandonadas, após uma série de graves colapsos do solo parisiense em meados do século XVIII.

As primeiras evacuações ocorreram de 1785 a 1787 e afetaram o cemitério mais importante de Paris, os Santos-Inocentes, condenado anteriormente em 1780, após um uso consecutivo de quase dez séculos. As sepulturas e valas comuns são esvaziadas de seus ossos, que são transportados ao anoitecer para evitar reações hostis do povo de Paris e da Igreja. Os ossos são então despejados por dois poços de serviço da pedreira, depois distribuídos e empilhados nas galerias pelos trabalhadores da pedreira. As transferências continuaram após a Revolução até 1814, com a remoção de cemitérios paroquiais no centro de Paris, como Saint-Eustache, Saint-Nicolas-des-Champs e o convento dos Bernardinos. Eles foram retomados novamente em 1840, durante o trabalho de planejamento urbano de Louis-Philippe e durante os trabalhos de Haussmann, de 1859 a 1860. O local foi dedicado ao “Ossuaire municipal de Paris” em 7 de abril de 1786 e apropriado a partir daquele momento o termo mítico das “Catacumbas”, em referência às catacumbas de Roma, um objeto de fascínio público desde a sua descoberta.

A partir de 1809, as Catacumbas tornaram-se acessíveis ao público mediante agendamento. Um registro é aberto no final da rota para coletar as impressões dos visitantes; enche-se muito rapidamente porque essas visitas são rapidamente muito bem-sucedidas com franceses e estrangeiros.

Durante o século XIX, as modalidades de visitas não pararam de mudar, entre o total de fechamentos e as aberturas mensais ou trimestrais. Hoje acessíveis a todos sem autorização, as Catacumbas de Paris recebem cerca de 550.000 visitantes por ano. Antes de sua abertura ao público em 1809, foi objeto de um consequente arranjo decorativo sob a égide do inspetor Héricart de Thury, que transformou o local de acordo com uma visão museográfica e monumental. Os ossos, anteriormente deixados soltos, são cuidadosamente organizados em paredes, no modelo das hages da pedreira. Na fachada, as fileiras de canelas se alternam com as de caveiras, enquanto atrás das faces empilham os ossos restantes, muitas vezes muito fragmentados.

Monumentos de alvenaria de estilo antigo e egípcio também são apresentados ao longo da rota, na forma de pilares dóricos, altares, cippi ou túmulos. Nomes inspirados na literatura religiosa ou romântica e na Antiguidade são dados em certos lugares: o sarcófago do Lacrymatoire, a fonte do Samaritaine ou a lâmpada sepulcral, por exemplo.

Ansioso também por trazer uma dimensão educacional à jornada, Héricart de Thury construiu armários com a tradição de armários de curiosidades, um dedicado à mineralogia e o outro à patologia. Este mostrou espécimes referentes às doenças e deformações dos ossos, segundo as pesquisas do médico Michel-Augustin Thouret em 1789. A última ferramenta de ensino é o conjunto de placas decoradas com textos religiosos e poéticos distribuídos nas galerias, com o objetivo de trazer a visitante em um estado de introspecção e reflexão sobre a morte.

Fonte: http://catacombes.paris.fr/

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Entrada de visitantes.

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Meus 50 anos!

Hoje estou completando 50 anos de vida… Uau! Confesso que assusta um pouco! Meio século de vida não é pouca coisa… A coincidência é que nasci em um sábado, e meu cinquentenário caiu também em um sábado. E após anos morando por aí, em meu cinquentenário, estou morando novamente na cidade onde nasci.

O que mais assusta é saber que mais da metade da minha vida eu já vivi. Eu não vou viver mais cinquenta anos, e nem quero! Se viver mais uns 30 anos com qualidade, já me dou por satisfeito. Vim parar nesse mundo sem ter sido planejado, culpa de um erro de tabelinha por parte da minha mãe. Já quase morri várias vezes, em duas delas eu tinha certeza de que iria morrer. Escapei só Deus sabe como e o porquê! Seria um milagre? Ou não tinha chegado minha hora? Sei lá! Prefiro não pensar muito nisso e seguir com a vida, procurando fazer o que gosto.

Lembrei de um falecido amigo de meu pai, que várias vezes olhou para mim e disse que não acreditava que eu estava vivo. Ele contava que certa vez quando eu era bebezinho, chegou a procurar um padre para me dar a extrema-unção. Mas sou teimoso, estou aqui “vivinho Dissenha” e tenho planos de ficar por aqui ainda por muito tempo. Já que vim para esse mundo sem ser planejado, quase morri algumas vezes, e continuo vivo e inteiro, então quero ficar muito mais tempo por aqui. Quero viver intensamente os anos que me restam e fazer tudo o que gosto. Muitas viagens ainda quero fazer, muitas bocas ainda vou beijar, muitos filmes assistir, diversos livros ler, milhares de quilômetros caminhar e pedalar, muitas partidas de UNO jogar, horas e mais horas dormir, e quem sabe “aquela” loira conquistar… Não custa acreditar, e acredito em milagres! Sou prova viva de que milagres existem! Se você tivesse visto as duas vezes em que escapei da morte, aos 45 minutos do segundo tempo da prorrogação, você também começaria a acreditar em milagres…

Olhando para trás, tenho mais a agradecer do que reclamar. Minha vida não foi nada fácil muitas vezes. E outras vezes, fui eu que a tornei difícil. Mas no geral, tive uma vida boa e feliz. Uma família maravilhosa, que teve e tem seus problemas, mas que amo todos mais do que tudo nessa vida. Se nascesse mil vezes mais, eu escolheria nascer na mesma família, com os mesmos pais e irmãos. Eu, quando bem criança tinha como maior sonho saber o que existia além do Lar Paraná (o bairro onde cresci), e cheguei muito mais longe do que sonhei ou imaginei um dia. Então o que vier daqui pra frente é lucro…

Chegar aos 50 anos não é para qualquer um… Lembro de diversos amigos e parentes que não chegaram a essa idade, que morreram antes. Então não vou reclamar de estar ficando mais velho, mas vou agradecer por estar vivo, com saúde, disposição e feliz…

Obrigado a todos que fizeram e fazem parte dessa história que hoje completa 50 anos!

Obrigado Deus!

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Cachoeira da Ponte Branca

E na busca por novas cachoeiras para conhecer e desfrutar, eu e alguns amigos estivemos na cidade de Luiziana. Na verdade, fomos alguns quilômetros para frente da cidade. O local fica escondido no meio do mato, perto de uma estrada de terra. A Cachoeira da Ponte Branca, não é muito alta, mas é muita bonita, o conjunto do local é muito belo. Vale a pena conhecer!

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Caminhada na Natureza – Borrazópolis

Hoje madruguei e enfrentei quase 150 km de estrada com três amigos, para participar da primeira Caminhada na Natureza de 2020. Fomos até a cidade de Borrazópolis, onde já participei de uma caminhada há alguns anos. Na estrada fomos cantando, conversando e rindo bastante. O chato foi depois chegar em Borrazópolis, e ter que enfrentar uma estrada esburacada de 11 km, até o local onde seria o início da caminhada.

Chegando ao local do início da caminhada fomos tomar café, e após um longo atraso teve início a caminhada. Boa parte do percurso foi pelas margens do rio Ivaí, inclusive com direito a passar pelo Salto Fogueira, um local muito bonito. Em alguns trechos era possível entrar no rio, e por ser uma região de areia, a água era muito limpa. Foi uma caminhada divertida, e de negativo foi uma longa subida no final, que por conta do atraso no início da caminhada, tal subida foi percorrida com o sol do meio dia e alguns caminhantes passaram mal.

Após descansar um pouco, fomos almoçar e daí aconteceu algo muito chato. Por ser ano de eleições municipais, alguns políticos espertalhões, utilizaram a caminhada para inaugurar não sei o que. E ficaram discursando e falando um monte de bobagens que nem dava para entender direito, devido ao som ruim e a péssima acústica do local. E para piorar não liberaram o almoço, ficaram esperando os políticos terminarem seus horríveis discursos primeiro. O problema é que o local do almoço foi enchendo, todas as mesas e cadeiras ficaram ocupadas e longas filas se formaram. Em tempos de “Corona Vírus”, quando a indicação mundial é evitar aglomerações de pessoas, os espertos políticos locais acabaram causando uma enorme aglomeração de pessoas (famintas). O pessoal cansou de esperar, e mesmo sem a liberação da organização começaram a se servir. Então os políticos encerraram os discursos e receberam mais vaias do que aplausos. Outro detalhe foi que boa parte dos participantes da caminhada eram de pessoas de outras cidades, cuja maioria não tem interesse nos políticos de suas cidades e muito menos nos políticos de Borrazópolis. E a demora em liberar o almoço por culpa da discurseira inútil, acabou atrasando a volta para casa do pessoal de outras cidades. No caso meu e de meus amigos, acabamos chegando em casa quase no final da tarde, e com certeza tão cedo não voltaremos a participar de eventos na cidade de Borrazópolis.

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Rapel em cachoeira

Aproveitando uma tarde de muito calor, fui debutar em um novo esporte, o rapel em cachoeira. O rapel aconteceu na Cachoeira Clauri, na localidade de Campina do Amoral. O local é um pouco isolado e de difícil acesso, mas valeu a pena.

No início dá um certo frio na barriga e até você pegar o jeito da coisa fica um pouco tenso. Depois vai ficando interessante e quando você percebe já está seguindo cachoeira abaixo, com a água batendo no rosto. Foi uma experiência muito gostosa e pretendo fazer novamente esse tipo de rapel, seja nessa cachoeira de 30 metros, como partindo para enfrentar cachoeiras mais altas.

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Freya Kreiling

Freya Kreiling era uma estudante de Santa Catariana, que morreu afogada aos 16 anos, na Serra do Mar paranaense. O acidente fatal aconteceu em 12 de março de 1944. Para comemorar sua formatura, Freya foi com alguns amigos percorrer trilhas na Serra do Mar. Ao atravessar o rio Ipiranga próximo ao Salto do Feitiço, ela caiu no rio. Devido a calça comprida que usava ter “inflado” com a água, ela com vergonha, largou a corda de segurança para segurar a calça e foi arrastada pela correnteza. Seu corpo foi encontrado somente quatro dias após o acidente. A operação de resgate do corpo mobilizou militares e experientes montanhistas, e foi destaque nos jornais da época. No local próximo onde encontraram o corpo, foi colocada uma cruz e uma placa, que até hoje estão lá e lembram a tragédia. A Cruz está próxima a um local conhecido como Salto Inferno.

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Esse postal antigo mostra Freya  Kreiling e outro turista que também morreu na Serra do Mar.

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Cruz em homenagem a Freya Kreiling.

Oscar 2020

Outra cerimônia do Oscar se aproximando, e novamente estou aqui falando brevemente sobre os filmes concorrentes ao Oscar de Melhor Filme. E até agora não aconteceu do filme que eu mais gostei entre os concorrentes, ter ganho o Oscar de melhor filme. Ano passado minha segunda opção foi que venceu. Dos nove filmes que concorrem ao Oscar de Melhor Filme esse ano, alguns tive dificuldade em conseguir assistir. Nenhum assisti no cinema. Dois vi na Netflix e os demais consegui ver por caminhos obscuros, que é melhor não comentar aqui. A culpe não é minha se os filmes não passam em minha cidade, ou até mesmo não estreiam no Brasil antes da cerimônia de entrega do Oscar. E para piorar, esse ano a entrega do Oscar foi antecipada, o que dificultou ainda mais eu conseguir assistir a todos os filmes antes da data do Oscar.

Os filmes concorrentes, na ordem de minha preferência e torcida:

1° – Ford vs Ferrari

Na década de 1960, buscando mudar a sua imagem com o público, a montadora norte-americana Ford, decidiu entrar no ramo das corridas automobilísticas. Sem experiência em corridas, precisava encontrar um especialista. Encontraram Carroll Shelby (Matt Damon), um ex-piloto convertido em designer de automóveis de alta performance e o piloto Ken Miles (Christian Bale). Os dois acabam humanizando o que seria uma competição entre marcas de carros. Com certeza não será o filme ganhador, mas não sei explicar bem o motivo de ter sido o filme que mais gostei. É um filme gostoso de assistir e chega a emocionar em alguns momentos.

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2° – 1917

O filme narra a jornada de dois jovens soldados pela Primeira Guerra Mundial. É mostrado o horror da guerra e retrata o alto custo do heroísmo em uma jornada emocional. Foi gravado numa estética de um plano-sequência para fazer sua narrativa, o que o deixa movimentado e interessante. O filme é excelente, o plano sequência com poucos cortes é o diferencial do filme. Acho que será o vencedor!

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3° – Era Uma Vez Em… Hollywood

O filme conta a história de um ator e seu duble, na Hollywood dos anos setenta. E no meio da história aparece Sharon Tate, uma atriz que na vida real foi assassinada. Mas o filme mostra um outro final para a história de Sharon Tate. Ele se torna sem muito sentido para quem nunca ouviu falar de Charles Mansoon ou Sharon Tate. Se esse for o seu caso, então pesquise sobre estas duas pessoas antes de assistir ao filme, que começa meio chato, mas aos poucos vai engrenando.

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4° – Adoráveis Mulheres

O filme é a mais nova adaptação de Adoráveis Mulheres, clássico da literatura americana. É contada a história do amadurecimento do quarteto de irmãs e suas aventuras em uma época de escolhas restritas e mudanças constantes. O filme alterna entre o passado e o presente de suas vidas, explorando as diferentes facetas de cada uma delas, se aprofundando nos aspectos que formam a experiência feminina. O filme não é ruim, mas de longe prefiro a versão anterior de 1994, com Winona Ryder no auge de sua carreira, no papel principal.

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5° – O Irlandês

Frank Sheeran (De Niro), o irlandês do título, é líder sindical e assassino predileto da Máfia. Ele nos conta a sua história em retrospecto, enquanto estaciona sua cadeira de rodas numa sala tranquila do asilo onde mora. Sheeran está no fim da vida e carrega arrependimentos e culpas. Como bom católico, teme os castigos que lhe esperam após a morte. Gosto de filmes sobre a Máfia, e de filmes longos. Esse tem três horas, mas peca por ser meio confuso em algumas passagens.

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6° – Coringa

O Coringa é um dos vilões mais interessantes da história dos quadrinhos. O filme usa a loucura do personagem como um recurso narrativo e nada é exatamente o que parece. Na verdade o filme não tem nada a ver com o universo de super heróis e vilões da DC. Ele é um drama para adultos. Não curto filmes sobre heróis e vilões da Marvel e DC. Só assisti ao filme, para poder postar sobre ele aqui. Na minha opinião o melhor do filme é a interpretação de Joaquin Phoenix.

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7° – História de um Casamento

O filme fala de casamento e separação com a mesma intensidade, pois entende o amor como a base das duas coisas. Um divórcio não é necessariamente o fim de um sentimento, mas a sua transformação. É por isso que História de um Casamento começa com declarações de amor para logo depois revelar a separação. O filme tem algumas passagens legais e só. Tem muito diálogo, o que não gosto. Em alguns momentos me deu sono.

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8° – Parasita

No fundo o filme é uma critica contra o Capitalismo. Uma família que passa por dificuldades financeiras, arruma um esquema para trabalhar em uma casa de ricos e explorar seus patrões. Mas nem tudo saí como planejado e tudo acaba saindo de controle e tendo um final ruim. Além de concorrer a melhor filme, também concorre a melhor filme estrangeiro, algo raro de acontecer no Oscar. Achei o filme estranho, esquisito e sem graça. Talvez eu não tenha entendido o filme… Mas na minha modesta opinião, não merecia estar concorrendo, pois tem filme melhor que ficou de fora.

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9° – JoJo Rabbit

O filme tem uma criança nazista como protagonista. Essa criança alemã tem Hitler como amigo imaginário e muitas lições a aprender sobre a vida. A história se torna emotiva e hilária, com a sua versão de Hitler sendo carismática demais. No fundo é um filme bobinho, mas que traz uma mensagem para os jovens carentes recrutados pela extrema direita hoje. Filme chato! Nada mais a dizer…

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V encontro da Família Caminhos de Peabiru

Domingo de sol forte, aconteceu na cidade de Peabiru o, V Encontro da Família Caminhos de Peabiru. Foi a segunda vez que participei de tal encontro, eu que sou meio que agregado da família. O encontro foi animado, até o Prefeito de Peabiru participou. Foi um dia de comilança, confraternização, risadas e piscina.

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Incêndio no Monumento à Cidade de Salvador

O Monumento à Cidade de Salvador, foi construído em 1970 e ficava na Praça Cairu, em frente ao Elevador Lacerda. Com 16 metros de altura, a peça foi feita com fibra de vidro e metal. Obra do artista baiano Mário Cravo Júnior. Tirei a foto abaixo em 2010. Hoje tal monumento pegou fogo e foi destruído. Sinceramente, acho que o local vai ficar até mais bonito sem o monumento…

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Foto: Vander Dissenha 27/09/2010.

Show do Loubet

Após o evento de palestras que participei em Peabiru, permaneci na cidade com alguns amigos e após lanchar fomos assistir ao show do cantor Loubet. O show foi gratuito, em praça pública, em comemoração ao aniversário de 67 anos de Peabiru. Pena que começou a chover forte bem no início do show, e a maioria do público foi embora. Eu e meus amigos ficamos num local abrigado da chuva, e somente quase no final do show, quando a chuva deu uma trégua, é que fomos assistir ao show. Detalhe, esse é o segundo show do Loubet em que vou, e que chove forte e não posso ver o show por completo. A outra vez foi em 2015, em Campo Mourão. Acho que eu e o Loubet “juntos” no mesmo local, atraímos chuva…

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Palestras: Por que trilho?

Hoje a noite aconteceu na cidade de Peabiru, o evento: Por que Trilho? Na Casa da Cultura da cidade, teve exposição de fotos e palestras. As fotos eram sobre viagens e paisagens relacionadas a natureza. E as palestras foram sobre viagens pelo Caminho da Fé, Caminho da Luz, Caminho do Itupava, Vale Europeu, Machu Picchu e Caminho de Santiago de Compostela. Foi um evento interessante, principalmente para quem gosta de viagens. Sempre aprendemos um pouco ouvindo histórias de outros viajantes. Fui um dos palestrantes da noite, e contei um pouco sobre minhas duas viagens para Machu Picchu, e também sobre sua história e seu descobrimento cientifico em 1911.

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Caminhada Noturna São Francisco de Assis

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Nesse final de semana participei de uma caminhada noturna, que foi desafiadora, mas muito legal. Não era para eu ter caminhado, pois na noite anterior a caminhada, tinha ido parar no hospital com dores abdominais. O médico estava achando que era um começo de inflamação de apendicite. Perguntei a ele se sendo um começo de inflamação, eu deveria ficar em repouso. Ele respondeu que tanto fazia eu ficar em repouso, ou jogar futebol, pegar peso e etc. Que isso não iria impedir a inflamação de se tornar algo mais grave. Diante de tal resposta, mesmo com dor, fui participar da primeira Caminhada Noturna São Francisco de Assis.

Nos reunimos no final da tarde de sábado, em frente a Paroquia de São Francisco de Assis, em Campo Mourão. Seriam 21 participantes, sendo alguns vindos de outras cidades. Ali tiramos uma foto do grupo reunido e embarcamos em um ônibus rumo a região do Boi Cotó. Já estive algumas vezes no Boi Cotó, participando de caminhadas e outros eventos. É uma região muito bonita, com muitas subidas e matas, um local excelente para caminhar de noite. A caminhada seria de 40 quilômetros.

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Os participantes da caminhada reunidos.

Antes de iniciar a caminhada, foi servida uma deliciosa galinhada. Comi um pouco mais do que deveria, antes de uma longa caminhada. Mas é que estava tão bom, que não resisti e comi bastante. Então me dei conta de que tinha esquecido minha lanterna em casa. Caminhar durante a noite sem lanterna, seria meio problemático. Após todos comerem, tivemos um breafing, onde foi explicado como seria a caminhada, horários, paradas, carros de apoio, segurança. Em seguida tivemos um momento de oração e meditação.

Passava um pouco das 20h00min, quando iniciamos a caminhada. Segui conversando com alguns amigos e pegando carona na claridade da lanterna deles. Os primeiros quilômetros de caminhada, como esperado foram tranquilos e rolou muita conversa. Eu ia alternando as pessoas com quem caminhava ao lado e conversava. Enfrentamos algumas subidas bem pesadas, e descidas com pedras soltas, que dificultavam um pouco o caminhar. Mas nada disso era problema e a caminhada transcorreu bem em seus primeiros quilômetros.

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Fizemos uma parada mais longa no povoado de Silviolândia. Aproveitei para repor meu estoque de água e também para colocar micropóro no calcanhar direito, onde estava começando a surgir uma bolha. Após muito pensar nos dias anteriores, decidi caminhar de tênis e não de bota de caminhada. O solado do tênis era mais confortável para caminhadas longas, do que o solado da bota, que no caso da minha, era indicada para trilhas mais curtas. Se por um lado eu perdia a segurança do cano médio da bota, que reduzia o risco de virar os pés, por outro lado eu ganhava em leveza e conforto.

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Passando por Silviolândia.

Retornamos a caminhada e logo passamos da marca de 10 quilômetros. Até aqui tudo bem, eu não sentia dores e o temor de não conseguir terminar a caminhada que me acompanhou no início, foi desaparecendo. E a dor no abdômen que me levou ao hospital na noite anterior, talvez pelo efeito dos remédios que estava tomando, tinha diminuído. Era noite de lua crescente e quando ela ficou alta no céu, a noite ficou tão clara, que era possível caminhar sem utilizar a lanterna. Passamos por alguns lugares onde a paisagem noturna, iluminada pela luz da lua, era de uma beleza sem fim. Você via a estrada ao longe, a mata, morros próximos, e tudo isso envolto numa atmosfera meio que de mistério, entre a claridade e a escuridão. É uma pena que fotos e filmagens não sejam capazes de captar tão bela paisagem e cores, e principalmente a sensação de estar ali naquele lugar caminhando.

A região por onde caminhamos é conhecida por eventualmente ter onças. Mas acredito que ninguém tenha ficado com medo. A não ser quando escutávamos algum barulho estranho vindo da mata! Chegamos ao vigésimo quilômetro da caminhada e a partir daí é que as coisas começariam a complicar, pois seria o inicio das dores físicas. Cada um dos participantes tinha um condicionamento físico diferente e isso fez com que o pessoal se dispersasse. Alguns iam mais a frente e outros lá atrás. Fiquei na galera que seguia atrás, pois queria curtir a experiência e não caminhar quase correndo, pois não era uma competição. Para mim o importante era caminhar todo o percurso e chegar ao final, independente de ser o primeiro ou o último. Teve um pequeno trecho de lamaçal, onde atravessamos de carona com dois “gaioleiros” que nos acompanhavam como carros de apoio.

Passava das duas da manhã quando deixamos de caminhar por estradas de terra e passamos a caminhar pela recém recapada estrada do Barreiros das Frutas. Esse trecho é uma longa subida de uns três quilômetros. Nessa parte optei por caminhar sozinho, e meditei, conversei um pouco com Deus. Pedi uns conselhos, agradeci algumas coisas, fiz dois propósitos para 2020, lembrei de algumas coisas ruins do passado e de uma pessoa em especial, que mesmo estando próxima fisicamente, ficou muito distante de minha vida… Deixa pra lá! Eu estava muito preocupado com a possibilidade da suspeita de apendicite se tornar algo real, e eu ter que passar por uma cirurgia nos próximos dias. Para mim esse foi o momento mais especial da caminhada, pois me senti conectado com algo meio sobrenatural, uma coisa superior, algo difícil de explicar. Sei que de repente algumas lágrimas correram pelo rosto, meio que desabafando, descarregando coisas ruins… Isso me fez bem! Quando cheguei no final desse trecho de subida e voltamos a caminhar em estrada de terra, eu me sentia mais leve… E mais dolorido! Cada quilômetro a mais que percorria, se tornava mais difícil. Mas a partir daí parei de contar quantos quilômetros tinha percorrido e passei a contar os que faltavam para encerrar a caminhada. Psicologicamente isso ajudava e ver as luzes da cidade, cada vez mais próxima, dava uma motivação a mais.

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Pouco depois das três da madrugada, fizemos uma parada mais longa, para lanchar. O local era estratégico, ficava debaixo de uma placa enorme de publicidade, próximo ao anel viário da cidade. Mesmo tendo comido bastante no jantar, eu já estava faminto. Uma caminhada longa igual à que estávamos fazendo, consome muitas calorias. Depois do lanche papeamos um pouco e voltamos a caminhar. Acho que a parada não me fez muito bem, pois o corpo esfriou e passei a sentir ainda mais dores, principalmente nos pés. Segui conversando com alguns amigos, e seguindo outros amigos que pegaram o caminho errado, também erramos o caminho e tivemos que voltar até a estrada correta. No final esse perdido rendeu algumas boas piadas.

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Parada para o lanche da madrugada.

Conforme íamos nos aproximando da cidade e o dia começou a amanhecer, as dores nos pés e pernas aumentaram. Superação é a palavra que descreve para mim o que foram esses quilômetros finais. Venho de um problema no joelho e de uma tendinite no pé, que trato há meses e não sara. Somado a isso, as dores no abdômen, que me levaram ao hospital horas antes da caminhada. Ou seja, não era para eu estar caminhando a noite toda, era para estar na cama. Mas, se me convidam para algo que é difícil, que exige superação, sofrimento e que vou passar dor, tenha certeza que não recusarei o convite. Convivo há quase dez anos com dores crônicas, e nesse período realizei as viagens de aventura mais difíceis e inesquecíveis de minha vida. Aprendi que superar as dores, sejam físicas ou da alma, nos ajuda a evoluir como seres humanos, nos torna mais fortes.

A caminhada noturna acabou com o dia amanhecendo, na igreja onde nos reunimos no final da tarde do dia anterior. A caminhada que era para ter 40 quilômetros, acabou tendo 38,87 quilômetros. Até pensei em andar um pouco mais pelas ruas próximas para fechar os 40 quilômetros redondos. Mas o cansaço e as dores eram tamanhos, que desisti de tal ideia. Eu já tinha feito caminhadas de 50, 60 e até 70 quilômetros. Mas divididas em dois ou três dias. Os quase 40 quilômetros dessa caminhada noturna foi meu recorde de caminhada no mesmo dia. No salão paroquial da igreja, estava sendo servido um saboroso café para todos os caminhantes. Comi um pouco, me despedi do pessoal e fui para casa, pois estava sentindo muito sono. Passei o domingo na cama, dormindo a maior parte do tempo e sentindo aquela sensação gostosa de dever cumprido, de mais um desafio atingido.

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Segue um agradecimento especial ao Andrey e a Karina Legnani, que foram os idealizadores dessa primeira Caminhada Noturna São Francisco de Assis. E outras virão, pois ficou definido que essa caminhada passará a ser realizada todos os anos, no mês de outubro.

E meu problema no abdômen não era apendicite e não vou precisar passar por cirurgia. O problema é outro, não muito grave, mas que com os cuidados adequados será curado com o tempo. Então valeu ter conversado com Deus, e ter entrado num acordo com Ele sobre não precisar passar por cirurgia. Naquela noite de lua, caminhando sozinho na estrada, Deus estava de ouvidos bem abertos para minhas preces… Valeu Deus!

Norte Verdadeiro – Peary, Cook e a Corrida ao Polo

Pouco mais de dez anos após ter lido o livro; Norte Verdadeiro – Peary, Cook e a Corrida ao Polo, resolvi reler tal livro. Sempre faço isso com livros de que gosto muito, guardo eles na estante, e anos depois releio. Após dez anos, muita coisa já não lembrava mais, e fica parecendo que nunca tinha lido o livro.

Sou apaixonado pelas histórias sobre a conquista do Polo Sul. Li cerca de quinze livros sobre o assunto, ou seja, todos que consegui encontrar que foram publicados no Brasil. Alguns desses livros eram os diários de viagem das expedições comandadas pelo norueguês Roald Amundsen e pelo inglês Robert Falcon Scott. Os dois comandaram expedições na famosa “corrida” pela descoberta do Polo Sul, sendo que os noruegueses foram vencedores e os ingleses derrotados vieram a morrer no retorno do Polo. A história do Polo Sul tem outros nuances e personagens interessantes, mas nela ficou bem claro quem foi o “descobridor”. Já no caso do Polo Norte, até hoje não se tem certeza de quem foi realmente o “descobridor”.

Dois norte-americanos reivindicaram ser o primeiro homem a colocar os pés no Polo Norte. Um levou os créditos, mas fica claro que ele mentiu. Também a história do “derrotado” Frederick Cook tem algumas controvérsias e mentiras. Documentos encontrados nas últimas décadas deixam mais claro que Peary mentiu mais do que Cook. Peary era militar da Marinha, era amigo de políticos poderosos na época e por isso praticamente todos acreditaram nele, que acabou levando a fama.

Nos livros de história hoje consta que o Polo Norte geográfico foi conquistado pelo americano Robert Edwin Peary, no dia 6 de abril de 1909. Mas nesses mesmos livros de história, não consta que tal conquista aconteceu não no gelo, mas nos tribunais. Para que seu feito fosse reconhecido, Peary teve de realizar uma monumental campanha de difamação contra Frederick Cook. Foi uma campanha suja, cheia de truques e artimanhas.

No livro que estou relendo; “Norte Verdadeiro – Peary, Cook e a Corrida ao Polo”, ao saber, voltando do Ártico, que Cook clamara ter estado no polo quase um ano antes dele, em 21 de abril de 1908, Peary mobilizou aliados políticos, forjou relatos de esquimós -além do próprio diário de viagem-, ameaçou gente de confiança de Cook e, segundo o autor do livro, até pagou um ex-companheiro de alpinismo do rival para que desse falso testemunho sobre uma conquista anterior deste. As histórias tanto de Peary quanto de Cook, na época foram tão mal contadas, que fica difícil escapar à conclusão de que a controvérsia jamais se encerrou, e de que possivelmente ambos os exploradores mentiram. E que jamais saberemos com absoluta certeza qual dos dois foi o primeiro a pisar no Polo Norte.

Após a leitura do livro acima citado, que estou relendo e de outros artigos sobre a conquista do Polo Norte, eu particularmente acho que o primeiro homem a pisar no Polo Norte, foi Cook. Inclusive anos atrás quando li o livro, fiquei tão puto com Peary, que jurei que se pudesse, um dia iria urinar no túmulo dele. Fiz isso movido pela emoção do momento! Kkk… Quando fiz tal “promessa” não tinha a mínima ideia de qual era o local onde ele tinha sido sepultado. E muito menos que um dia eu teria a chance de cumprir o que prometi. Mas nessas voltas que a vida faz, não é que numa visita a cidade de Washington – USA, em 2011, acabei visitando o Cemitério Nacional de Arlington, onde (descobri um pouco antes) Peary está sepultado. Arlington é o cemitério militar mais tradicional e conhecido dos Estados Unidos, onde foram sepultados seus maiores heróis e também soldados de todas as guerras que os Estados Unidos participaram. Por ser considerado o descobridor do Polo Norte, e por ser militar da Marinha, Peary está sepultado em Arlington. Quando entrei no cemitério fiquei pensando na promessa idiota que fizera anos antes e se teria coragem de cumprir o que prometi. Costumo cumprir minhas promessas! Meu maior risco era ser visto pelos seguranças do cemitério e acabar sendo preso por vandalismo e ato obsceno em público. Felizmente, para minha sorte acabei não vendo o túmulo de Peary. O cemitério é muito grande, e você precisa quase que de um dia inteiro para visitá-lo por completo. Eu e meu irmão passamos pouco mais de uma hora e meia andando pelo cemitério e não vi a sepultura de Peary, que devido a sua construção diferente da maioria das sepulturas do lugar -que possuem apenas uma cruz branca- ela seria visível de longe. Mas mesmo olhando com atenção por onde passei, não encontrei a sepultura de Peary e não precisei me arriscar para cumprir a promessa idiota que fiz. Melhor assim!

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Túmulo de Peary, no Cemitério Nacional de Arlington.

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Eu, no Cemitério Nacional de Arlington. (2011)

 

Ps: Caso queira saber mais sobre o Cemitério Nacional de Arlington, segue abaixo o link para ver a postagem sobre a visita que fiz ao cemitério em 2011:

Cemitério de Arlington

 

Caminhada na Natureza – Boa Esperança / PR

Hoje foi dia de levantar cedo e pegar a estrada até a cidade de Boa Esperança, para participar da última Caminhada na Natureza, de 2019. Eu não conhecia Boa Esperança. Minha mãe morou nessa cidade quando adolescente.

A cidade é simpática, bem organizada e um amigo que estava junto contou que ela tem a maior renda per capita da região. A recepção da caminhada foi em um parque, a beira de um lago. Local bonito e organizado. E todos foram recebidos com um farto e delicioso café da manhã. E gratuito! O café da manhã foi muito bom, e estava melhor do que muitos cafés que pagamos em outras caminhadas.

Inscrição feita, discurso de alguém, que eu acho que era o Prefeito da cidade. Estava conversando e não prestei atenção no discurso. Nunca dou atenção a discursos. Depois teve o aquecimento, do qual nunca participo também. Prefiro aquecer caminhando.

E foi dada a largada para a caminhada, que iniciou contornando o parque e logo entrou na mata. E seguimos por dentro da mata por quase todos os nove quilômetros da caminhada. Nos postos de apoio, sempre tinha água gelada, doces e frutas. Organização nota 10! Parabéns ao pessoal de Boa Esperança!

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Alemão, André, Eliane e Vander.

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Concurso de fotografias

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Pela primeira vez participei de um Concurso de Fotografias. Foi aqui na minha cidade, em um concurso organizado pela Secretaria de Cultura. Não fui premiado, mas foi uma experiência interessante. Pude aprender um pouco sobre como funcionam os concursos, sobre os critérios que são importantes ao decidir quais são as melhores fotos concorrentes. E na noite de premiação, pude conversar durante bastante tempo com um fotógrafo profissional, que participou da comissão julgadora do concurso. Ele me deu boas dicas sobre fotos e concursos. Quem sabe no próximo concurso eu não me saía melhor!

Abaixo as duas fotos com as quais concorri no Concurso, sendo uma colorida e a outra em preto & branco. As fotos concorrentes estão em exposição na Estação da Luz, em Campo Mourão.

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Textão sobre como foi subir o PP

Por: Amanda Pichontcoski

Eu nunca tinha pensado em subir o Pico Paraná, mas sempre gostei de altura e sempre me imaginei voando, sobre montanhas, mergulhando no céu. Meus melhores sonhos são com a leveza de ver tudo do alto.

Também sempre quis sentir as nuvens, seria possível tocar? Acho que muita gente já pensou nisso também.

Posso dar mais detalhes do enrosco que foi pra conseguir ir, demorou pra dar certo, mas fui, e quando decidi e deu tudo certo, que eu ia mesmo, já comecei a treinar certinho todo dia, dando o meu máximo para melhorar meu condicionamento físico. Não sei se naquela altura conseguiria melhorar muito, mas foi uma ótima motivação para relembrar o quanto amo me exercitar e ter certeza do quanto detesto academia.

Eu era a criança que brincava o dia todo, era moleza brincar nos brinquedos de escalar (longe da minha mãe, que me fazia ter medo de quebrar o braço por isso evitava ir muito alto, mas quando dava eu ia!). Por um tempo perdi isso, mas tenho reencontrado cada vez mais disposição e capacidade física com atividades que realmente gosto!

Me sinto grata por ter conseguido chegar até onde cheguei e voltado com pouca dor no corpo! E carregando uma mochila de 6 kg! Foi subida, descida, escalar em troncos, em pedras, com cordas, com grampos, inclinação de até 90° num paredão de pedra, muita umidade, escorregadio, engatinhando, escorregando (rasgou minha calça), com muita lama (coitada das meias), trechos na beiradinha do precipício, que aventura!

Inclusive, eu não tinha nada pra ir, não tinha ideia do que levar, nem roupa pra um evento desses! Foi tudo se ajeitando da melhor forma, grata amigos! Inclusive não ter conseguido capa de chuva foi ótimo porque nem choveu! Otimismo é tudo (ou saber pedir com jeitinho, por favor chuva não, quero te ver nascer Solzinho!)

Mas, se forem acampar numa montanha, levem saco de dormir ou algo pra se esquentar bem, uma blusa de lã e xale de lã não são o suficiente se você é friorento como eu. Grata aos amigos que passaram frio pra eu não morrer de hipotermia, vocês vão pro céu direto! Mas dependendo do ponto de vista vocês estavam lá, comigo ainda!

Que vista! E nuvens… Não dá pra pegar, mas deixa o ar bem úmido e tinha hora que não dava pra ver quase nada.

O pôr do Sol ficou entre as nuvens, e logo apareceu Vênus, Júpiter e Saturno pertinho da Lua! Logo o céu ficou todo repleto de estrelas (mas com o frio que eu estava vi bem pouquinho).

Que aventura! Mesmo já estando ali pertinho do céu percebi o quanto quero viver, conversando com a Terra, com as pedras, “belas ancestrais me ajudem a subir mais um pouquinho”. Teve tremedeira e choro, medos que eu nem sabia que eu tinha e mais uma vez o universo deu um jeitinho de fazer passar as pessoas certas para me auxiliar e me dar coragem para mais um trecho. Realmente percebi o quanto quero viver.

Estou extremamente feliz em ver o quanto as pessoas se unem, se ajudam, são solidárias nessas situações. Não apenas do meu grupo, mas todos que foram fazer a trilha, e posso citar muitos exemplos, desde um “bom dia” para todos que passavam, “vocês estão quase chegando”, “fiquem no A2 porque o pico está lotado”, “eu tenho curativo”, “alguém quer água?”, “tem “banheiro” ali”, até uma mão e um apoio para conseguir subir.

Subi, subi e vi o Sol! Faltava 15 minutos para chegar no pico do Pico, fiquei por ali mesmo. De onde eu estava podia jurar que faltaria mais uma hora pra chegar, parecia muito longe, meu corpo até aguentaria, mas talvez eu quisesse uma desculpa para voltar lá de novo. Começamos a subir 4:30, minha lanterna estava fraca, pelo menos não estava mais tão úmido e não levei nem água. Mesmo não tendo ido até o topo, me senti realizada, era para ser assim. Foi emocionante, meu objetivo era ver o Sol nascendo ali mesmo e vi, com os passarinhos voando logo ali, acordando, vendo toda natureza e o cenário mudar, renascer.

Tudo está diferente agora.

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Amanda Pichontcoski (02/11/2019)

De volta ao Pico Paraná – Parte 2

“Depois de termos conseguido subir a uma grande montanha, só descobrimos que existem ainda mais grandes montanhas para subir.”

NELSON MANDELA

O pessoal levantou pouco depois das quatro da manhã e partiu rumo ao cume do Pico Paraná, pois queriam ver o sol nascer lá do alto. Resolvi dormir mais meia hora e depois seguir sozinho, pois não teriam pessoas na trilha e isso evitaria filas em alguns pontos, e consequentemente a lentidão. E também estaria menos frio e mais claro, eu não precisaria utilizar lanterna na trilha e isso seria mais seguro. Eu já tinha visto o sol nascer uma vez no alto do Pico Paraná, então não fazia questão de ver novamente, podia fazer o ataque ao cume mais tarde. Dormi mais um pouco e quando acordei o dia estava começando a clarear. Me arrumei rapidamente e saí da barraca. Não fazia tanto frio igual na noite anterior. Vi que um companheiro também tinha ficado dormindo e fui chamá-lo para subir comigo. Ele disse que não dava, que sentia muita dor no joelho e se tentasse ir até o cume, talvez não tivesse condições físicas para fazer a trilha de volta mais tarde. Então subi sozinho!

No inicio senti fortes dores nas costas, culpa da noite dormida no chão duro. Mas felizmente, conforme o corpo foi esquentando, as dores sumiram. O que incomodava muito desde a metade do dia anterior, era meu joelho esquerdo, que carece de cirurgia há tempos. Evitei ao máximo forçar tal joelho. O caminho até o cume era basicamente de subida, e segui rápido, tendo encontrado apenas cinco pessoas pelo caminho. Acabei errando a trilha e fui parar num canto do paredão da montanha, um lugar com a vista muito bonita. Tirei algumas fotos no exato momento que o sol surgiu e retornei em busca da trilha correta. Passaram alguns minutos e pouco antes de chegar ao facãozinho, que é uma parte da trilha ao mesmo tempo bonita e perigosa por ser estreita, encontrei três membros do meu grupo. Eles tinham desistido de tentar o cume e estavam voltando ao acampamento. Tentei argumentar que estavam bem próximos, mas os três estavam decididos a desistir e achei melhor não insistir. Segui em frente e após quatorze minutos cheguei ao cume do Pico Paraná, pela segunda vez em minha vida. Encontrei o restante do meu grupo lá em cima, todos radiantes de alegria.

No cume ventava e fazia um pouco de frio, mas nada comparado ao frio que encontrei da outra vez que lá estivera, seis anos antes. Curti um pouco do visual em volta, tirei fotos sozinho e com o pessoal, e depois de quase uma hora começamos a descida. Vim no final do grupo, curtindo ainda a paisagem. Ao passar numa parte estreita da trilha, deixei minha mochila de hidratação cair debaixo de umas pedras. Fiquei na dúvida se seria possível resgatar a mochila. Acabei encontrando um caminho para descer, mas antes pedi para um cara do grupo de Florianópolis esperar eu voltar. Quando cheguei ao lugar onde a mochila estava, olhei em volta e no meio das pedras estava cheio de buracos. Fiquei com receio de que fossem tocas de cobra e dei um jeito de pegar a mochila e sair dali o mais rápido possível. A rapidez e medo foi tanta, que ao sair do buraco onde estava, bati forte com o joelho machucado numa pedra, e descolei uma unha da mão esquerda. Acho que esse foi o pior momento do final de semana, por culpa do medo e das dores que senti. E o jeito foi seguir em frente, morro abaixo. Trinta minutos depois estava de volta ao acampamento e comecei a desmontar a barraca.

Iniciamos a descida com sol a pino e bastante calor. Nem parecia que há poucas horas fazia um frio medonho. Na descida demoramos um pouco para passar pela carrasqueira, pois mesmo com sol, tinha muito barro nos degraus. A partir dali foi mais tranquilo e seguro a caminhada e logo entramos no primeiro trecho de mata. O calor fez todos consumirem muita água, e logo tivemos que racionar. Pouco antes de chegarmos ao acampamento A1, ouvimos o helicóptero dos bombeiros, que tinha vindo resgatar a garota de Florianópolis que se machucou no dia anterior. Por muito pouco não presenciamos o resgaste.

Após uma parada mais longa antes de entramos na parte mais extensa da mata, lanchamos e tiramos fotos do Pico Paraná ao longe. No dia anterior ele estava encoberto pelo nevoeiro quando passamos por esse local. De onde estávamos também era possível ver o mar, distante alguns quilômetros. Entramos na mata, e mais uma vez foi difícil vencer esse trecho cheio de galhos, troncos e barro. Meu joelho esquerdo doía muito, e tive que tomar cuidado em não forçar ele. Procurava sempre colocar a perna direita primeiro como apoio. Isso dificultou bastante a caminhada e também me cansou muito. Quase no final da mata paramos numa mina d´água e ali bebi quase dois litros de água. Seguimos em frente, saímos da mata e passamos pelo Morro do Getúlio. Depois a maior parte da trilha foi de descida. Mas o sol e o calor judiaram bastante, bem como a ansiedade de terminar logo a descida. A mochila nas costas parecia estar cada vez mais pesada.

No fim tudo deu certo e todos chegaram bem na Fazenda Pico Paraná. Depois foi hora de tomar banho, lanchar e arrumar as coisas para a longa viagem de volta para casa. Alguns diziam que nunca mais subiriam outra montanha, outros já queriam marcar uma data para subir nova montanha. No geral todos estavam cansados, um pouco doloridos, mas felizes pela aventura e conquista. Com certeza todos lembrarão por muitos anos desse final de semana, onde o grupo todo se uniu em torno de um objeto comum. E muitos membros do grupo tiveram que superar seus medos, limitações físicas e encontrar forças para seguir em frente… Valeu pessoal!

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O sol nascendo.

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Facãozinho.

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Meditando no cume.

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No cume do Pico Paraná. (03/11/2019)

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Bando de loucos!

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Lucas Spider-Man.

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Contemplação…

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Vander e Roberto.

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Descendo a carrasqueira.

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Pico Paraná e a direita o mar…

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Com a Amanda, que foi guerreira…

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Vander, Taise e Ronaldo, quase do fim da aventura.

 

De volta ao Pico Paraná – Parte 1

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Com 1.877 metros de altitude, o Pico Paraná é a montanha mais alta da Região Sul do Brasil. Está situado entre os municípios de Antonina e Campina Grande do Sul, no conjunto de serra chamado Ibitiraquire. Foi descoberto pelo pesquisador alemão Reinhard Maack que entre 1940 e 1941, efetuou diversas incursões à Serra do Ibitiraquire com o objetivo de obter medições e anotações sobre a fauna e a geomorfologia da região. Maack juntamente com os alpinistas Rudolf Stamm e Alfred Mysing e com auxílio de tropeiros da região, partiu em 28/06/1941 com o objetivo de conquistar o cume da montanha. Rudolf Stamm e Alfred Mysing conseguiram chegar ao cume da montanha no dia 13/07/1941.

Após pouco mais de seis anos, voltei ao Pico Paraná. Fomos num grupo de 12 pessoas, onde o único que já tinha subido uma montanha antes, era eu. Nosso grupo era composto por nove homens e três mulheres. Quarenta dias antes tínhamos iniciado o projeto de subir o Pico Paraná. Nesses 40 dias algumas pessoas entraram e outras saíram do grupo. O pessoal também aproveitou para treinar, pois desde o início deixei claro que a empreitada não era nem um pouco fácil. Também treinei bastante, e só não treinei ainda mais, por culpa de dores no meu joelho esquerdo bichado e da tendinite no pé direito, que trato há quase um ano e não quer sarar. Mesmo com as limitações causadas pelas dores físicas, cheguei bem fisicamente no dia de subir o Pico Paraná. E eu podia contar com algo que os demais não tinham, que era a experiência.

Após uma longa noite de viagem numa van não muito confortável, chegamos em Curitiba e já começou a chover. Felizmente a chuva durou pouco e quando chegamos na Fazenda Pico Paraná, o sol estava alto e quente no céu. Tivemos um pouco de dificuldade para encontrar a entrada da Fazenda, mas no fim deu tudo certo. Logo que desembarcamos, já começamos a nos preparar para subir o morro. Cerca de uma hora depois já nos encontrávamos em fila indiana subindo os primeiros metros da trilha. Nosso grupo era formado por: Vander, Krisley, Igor (irmão do Krisley), Marilda (tia do Krisley e do Igor), Roberto, Lucas, Wellison, André, Amanda, Sidinei, Ronaldo e Taise (noiva do Ronaldo). O grupo era bastante heterogêneo, com idades que iam dos 17 aos 49 anos. Mas mesmo com suas diferenças, desde o início nosso grupo foi bastante unido e aguerrido. O tempo todo um ajudava ao outro, e essa união fez nossa jornada ser muito mais fácil.

Sempre achei o início da caminhada a parte mais difícil, pois o corpo está frio, a mochila parece mais pesada do que realmente está, e o lado psicológico joga contra nós. Você se sente mal e extremamente cansado logo no início, então acaba achando que não vai conseguir caminhar por várias horas e quer desistir logo no início. Tivemos tal problema com um integrante de nosso grupo, mas com a união de todos e um pouco de conversa, o problema se resolveu e ninguém desistiu. Felizmente o sol deu uma trégua após meia hora de caminhada e isso facilitou as coisas. Pelo caminho encontramos um grupo de 17 pessoas, vindas de Florianópolis, e nas horas e no dia seguinte, tivemos contato mais próximo com muitas pessoas pertencentes a esse grupo de catarinenses. Após quase duas horas de caminhada chegamos ao Morro do Getúlio e ali fizemos uma longa parada para lanche. Depois seguimos em direção a mata fechada e boa parte da tarde ficamos subindo e descendo morro em meio a galhos, raízes de árvores, rochas, riachos e muita lama. Tinha chovido na mata e a trilha ficou lisa e perigosa. Quando saímos da mata, não era possível ver o Pico Paraná, pois ele estava encoberto por um denso nevoeiro.

Ainda no meio do nevoeiro, iniciamos a parte mais complicada e perigosa da subida, que é superar a carrasqueira, um longo paredão de rocha, com degraus e correntes que ajudam a subida. Como estava tudo molhado, os degraus ficavam com um pouco de barro que tinha soltado dos calçados do que passaram antes por ali, então isso aumentava o perigo. Qualquer descuido poderia causar algum acidente grave. No fim tudo correu bem, os que tiveram mais dificuldade em subir esse trecho, foram auxiliados pelos demais. A união do grupo fez uma enorme diferença nessa parte da subida. Depois tivemos mais um longo trecho de caminhada e finalmente chegamos ao A2, acampamento onde passaríamos a noite.

Tinham mais pessoas acampadas no A2, então o lugar onde montamos nossas barracas não era dos melhores. Alguns saíram buscar água numa mina próxima e a maioria preferiu descansar. Após tomar um banho de gato utilizando lenços umedecidos e colocar roupas limpas, aproveitei para dormir um pouco. Tinha dormido pouco na viagem e depois do esforço do dia ao percorrer quase nove quilômetros com mochila nas costas, eu estava exausto. No final da tarde vimos um helicóptero dos bombeiros passar pelo acampamento. Depois ficamos sabendo que ele tinha tentado resgatar uma moça do grupo de Florianópolis, que machucou o pé gravemente e estava esperando resgate no A1. Por culpa do mal tempo, não conseguiram realizar o resgaste, o que só foi feito no final da manhã do dia seguinte.

A noite chegou no acampamento e com ela o frio e muito nevoeiro. Aproveitei para “jantar” uma lata de salsichas e mais algumas guloseimas. Fui fazer xixi num matinho ao lado da barraca, e deu para ter noção do quanto tinha esfriado. O nevoeiro deixava o acampamento com um visual incrível, mas achei melhor voltar logo para a barraca e tentar me aquecer. Tinha gente no grupo passando frio, pois é natural que algumas pessoas sintam mais frio que outras. Como tenho boa resistência ao frio, talvez por já ter passado muito frio na vida e também por ter quase certeza de que fui um urso polar em outra encarnação (detesto calor e amo o frio!), emprestei minha blusa para a Amanda. Mesmo sentindo um pouco de frio, e com o desconforto da barraca, pois para eliminar peso optei por não levar saco de dormir e isolante térmico, consegui dormir muitas horas. O plano era levantar pouco antes do sol nascer e partir para o ataque ao cume do Pico Paraná.

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Em pé: Wellison, Vander, Ronaldo, Taise, Marilda, Igor, Amanda e Roberto. Agachados: Krilsley, Lucas, Sidinei e André.

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Primeira longa parada para descanso.

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Almoço no Getúlio.

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Começando a difícil parte da floresta.

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Kit alimentação.

 

Rapel

O sábado foi dia de fazer rapel na antiga Pedreira de Campo Mourão. Sol de rachar, muito calor e encontrei alguns conhecidos e outros aventureiros praticando rapel. Na hora que desci tive sorte, pois o sol ficou escondido atrás das nuvens, e o calorão diminuiu um pouco. Foi uma tarde divertida, e de negativo somente eu ter pisado no piche e em casa ter perdido um tempão para limpar as solas da bota.

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