Quando foi que o Dia dos Namorados ficou chato para todo mundo?

Saindo do pilates na terça (11), alguém pergunta se é hoje o Dia dos Namorados. Três amigas casadas se olham meio preocupadas (mas não muito): “ih, é hoje?” Alguém diz que não, é na quarta. Ninguém que é casado sabe muito bem quando é o Dia dos Namorados mais.

A data criada pelo pai de João Doria ficou chata para quem namora e é cobrado para gastar R$ 300 para pegar fila em um restaurante de fondue meio brega e ficou mais chata ainda para quem é solteiro e é soterrado por manifestações amorosas nem tão sinceras assim na internet. Tudo que é obrigatório perde a graça — inclusive achar um namorado em pleno outono.

É isso, você provavelmente acordou essa manhã ensolarada vendo as redes sociais repletas de gente declarando amor eterno enquanto, por cima do muro para a vizinha, confessa que não aguenta mais o par. O que tem de cônjuge que não sabe onde ficam os pregadores da casa porque nunca pendurou um varal de roupa dizendo no Instagram que faria tudo por seu amor…

Tiago Leifert disse outro dia que quando a galera posta muito é porque tem alguma coisa errada. Precisa declarar amor eterno na frente de todo mundo? No meu tempo, era uma vergonha quando alguém chamava um carro de som para mostrar para a vizinhança toda que gosta de você. Faixa de amor pregada nos postes? Cafona.

Mas, pior do que postar sem sentir, é sentir que precisa postar para existir. E aí entra mesmo na lista de afazeres dessa semana complicada, entre fazer musculação quatro vezes até sábado e ir no hortifrúti na quinta, o item: arrumar um par. Em terra de carente, uma curtida no story é aliança dourada.

Ai, mas a colunista não acredita no amor? Nossa, acredito demais. Amor me levanta da cama todos os dias, às vezes, antes da hora certa. Sem amor, a gente nem existe. Eu não acredito é nessa patacoada de todo mundo bem hoje, uma quarta-feira qualquer, eleger um dia para amar demais — ou para sofrer demais por ser amado de menos.

Com tanta série boa na Netflix, tanto restaurante tailandês para pedir pad thai no Ifood, tanto malbec que o Pão de Açúcar entrega em casa, tanto grupo bom de meme no WhatsApp… é sério que hoje é dia de pensar no que poderia ser, mas não é?

Deve estar cheio de casal por aí que está ensaiando sozinho para começar o debate do Papo de Segunda, na segunda (10): a famosa crise da monogamia. Um monte de gente sem o rompante de sinceridade de Francisco Bosco no programa, mas pensando igual (“casamento é muito chato”, “desejo transar com outras pessoas todo dia”).

E enquanto uns estão ok com isso, outros sofreriam demais com o desejo do ser amado por um terceiro elemento. Nem acho casamento chato, mas que não é legal todo dia também não é.

Nada é fácil — ficar sozinho, ficar junto, ficar postando, ficar sem postar, ficar na fila do Chalezinho para comer um fondue de Lindt, ficar reclamando que não recebeu uma florzinha sequer. No fundo, gostoso mesmo é cuidar de si e saber estar só. Aí, todo resto acontece. E ninguém precisa reclamar de ninguém para vizinha (mas se quiser também pode).

Eu desejo uma excelente quarta-feira para você. E se for tomar um malbec, lembra de mim.

Luciana Bugni – www.uol.com.br

30 Anos da morte de Ayrton Senna

Comecei a acompanhar às corridas de Fórmula 1 pela TV, em 1980, influenciado por alguns amigos. Mas desde 1978 assistia uma ou outra corrida, sem entender direito o regulamento ou conhecer os pilotos. Mas a partir de 1980 tomei gosto pela coisa e foi através da narração do Luciano do Vale, na Globo, que comecei a me interessar para valer por Fórmula 1. Logo me tornei piquetista e no ano seguinte o Nelson Piquet conquistou seu primeiro título na Fórmula 1. Passei a assistir quase todas as corridas pela TV e em 1984 surgiu Ayrton Senna. Eu ainda torcia muito pelo Piquet, mas após a corrida de Mônaco, quando o Senna só não venceu a prova com seu fraco carro Toleman, por culpa dos juízes que encerraram a prova na metade em razão da chuva, passei a torcer muito pelo Senna.

E a partir de 1985, com o Senna na Lotus e vencendo suas primeiras corridas, passei a assistir todas as provas da temporada de Fórmula 1. Eu organizava minha vida e meus compromissos, para sempre poder assistir as corridas. E assim acompanhei o fenômeno Ayrton Senna desde o começo de sua carreira na Fórmula 1. Assisti ao vivo quase todas as provas de que Senna participou. Continuei tendo uma grande admiração pelo Piquet e também torcia por ele. Mas o Senna era diferente, ele era meio maluco e dirigia além do limite, corria mais riscos. Talvez seja por isso que o Piquet ainda esteja vivo e o Senna morreu há exatos 30 anos.

A morte do Senna foi um momento daqueles que você lembra para o resto da vida, principalmente para aqueles que gostavam de Fórmula 1. Eu que raramente perdia alguma corrida de Fórmula 1, acabei perdendo justamente a corrida em que o Senna morreu. Já tinha acompanhado as notícias do grave acidente do Rubens Barrichello na sexta-feira de treinos e da morte do Roland Ratzenberger, no treino de sábado. Naquela época eu vivia em Curitiba e não assisti a corrida no domingo, pois tinha dormido com um grupo de amigos na igreja que frequentava na época e íamos fazer uma apresentação no culto da manhã. Lembro que estava batendo papo na calçada em frente a igreja e meu amigo Cornélio veio contar que o Senna tinha sofrido um grave acidente e que dificilmente sobreviveria. Achei que ele estava exagerando, pois o Senna era meio que um super-herói imortal. Não me preocupei mais com o assunto, até que fomos almoçar no apartamento da Sônia e da Rosane e ligamos a TV. Estavam falando ao vivo sobre o estado de saúde do Senna. Sei que o almoço foi em clima de velório, onde ninguém falava nada. E finalmente veio a notícia confirmando a morte. Naquele momento todos perderam á fome e alguns que estavam a mesa ficaram com os olhos cheios de lágrimas.

No resto daquele domingo e nos dias seguintes, fiquei o tempo todo em busca de notícias na TV e nos jornais. A internet ainda caminhava a passos lentos naquele início de maio de 1994 e por essa razão não era tão fácil saber das notícias, igual é hoje em dia. E o mais comovente de tudo foi o dia do sepultamento do Senna, quando milhares de pessoas saíram às ruas de São Paulo para se despedirem do grande ídolo. Para um país carente de heróis, Senna foi o grande herói que o Brasil teve e que levava alegria e enchia de orgulho o sofrido povo brasileiro. Ver as vitórias de Senna pela TV, muitas conquistadas heroicamente e depois ouvir o hino nacional era motivo de orgulho para os brasileiros.

Depois da morte do Senna, a Fórmula 1 e o Brasil nunca mais foram os mesmos. E minha paixão pela Fórmula 1 foi esfriando um pouco. Cheguei a assistir uma corrida de Fórmula 1 ao vivo, no autódromo de Interlagos em 2000, mas nem isso fez meu velho interesse pelo automobilismo ser igual era antes da morte do Ayrton Senna. Entre 2010 e 2019, fiquei alguns anos sem ver corridas e no período da pandemia de Covid, meu antigo interesse e paixão pela Fórmula 1 voltou. Tenho assistido todas as corridas e acompanhado o noticiário. Mesmo não tendo piloto brasileiro atualmente na Fórmula 1, tenho achado os campeonatos interessantes e os carros de hoje são bem mais modernos e seguros do que os carros de 30 anos atrás, quando o Senna se acidentou.

Trinta anos se passaram desde a morte do Senna, o Brasil mudou, eu mudei, mas às lembranças do antigo ídolo e herói nacional permanecem e com certeza jamais teremos outro Senna e outros momentos de alegria iguais aos que ele nos proporcionava, principalmente nas manhãs de domingo.

Capacete do Ayrton Senna em 1994.
Lápide de Ayrton Senna, Cemitério do Morumbi – São Paulo, 1995.
Visitando o túmulo do Ayrton Senna – Julho /1995.

Oscar 2024

Como fiz nos últimos anos, estou escrevendo sobre os filmes que concorrem ao Oscar de Melhor Filme. Esse ano consegui assistir ao último filme concorrente, faltando menos de uma hora para a cerimônia de entrega do Oscar começar. Mais uma vez tive dificuldade em conseguir assistir alguns filmes. No cinema da minha cidade a maioria dos filmes não passou ainda e alguns nem vão passar. Dos dez filmes concorrentes, apenas um consegui assistir no cinema, que foi Oppenheimer. Quatro filmes assisti no streaming e outros cinco tive que encontrar outros meios de assistir. Diferente dos últimos anos, esse ano tem muitos filmes bons entre os dez concorrentes. Minha lista foi mudando conforme eu ia assistindo aos filmes. Mais uma vez acredito que meu filme favorito não vai vencer como melhor filme. Continuo achando que o pessoal da academia que escolhe o melhor filme não entende nada de cinema… kkkk

Os filmes concorrentes, na ordem de minha preferência e torcida:

1° – Os Rejeitados

O filme fala sobre a desventura de um professor mal-humorado de uma prestigiada escola americana, forçado a permanecer no campus para cuidar do grupo de alunos que não tem para onde ir durante as férias de Natal.

Gostei muito do filme, tenho certeza de que não vai vencer como Melhor Filme, mas é o primeiro da minha lista. Não vejo filmes como obras de arte, procurando mensagens subliminares ou não subliminares. Vejo filmes como diversão, passa tempo e por isso nunca meu filme preferido vence…

2° – Pobres Criaturas

Bella cometeu suicídio, mas algo muito inesperado aconteceu com ela. Graças à mente brilhante e controversa do cientista Dr. Godwin Baxter, Bella foi trazida de volta à vida. Agora, tudo o que ela mais deseja é descobrir o mundo. O que seu guardião não imaginava era que a jovem ressuscitada fugiria com um advogado para uma dramática jornada de autodescoberta.

Por um pentelho de lesma que esse filme não é o primeiro da minha lista. O filme é meio que uma versão feminina de Frankenstein. Tem muitas cenas digamos fortes, então quem tem estômago fraco ou altos pudores, não deve assistir ao filme. Alguns trechos do filme são em preto e branco, algo que não sei o motivo, sempre agrada aos votantes do Oscar.

3° – Assasinos da Lua das Flores

O filme conta a história a partir da relação de Ernest Burkhart e Mollie Kyle, um homem branco e uma mulher indígena. A trama foca nos indígenas do povo Osage, que enriqueceu após descobrir petróleo em suas terras.

Filme muito bom, que assisti já faz alguns meses e durante muito tempo era o primeiro lugar na minha lista de favoritos. Acredito que tem grande chance de ser o vencedor de Melhor Filme.

4° – Oppenheimer

É um filme histórico de drama, baseado num livro biográfico. Ambientado na Segunda Guerra Mundial, o filme conta a vida de J. Robert Oppenheimer, físico teórico da Universidade da Califórnia e diretor do Laboratório de Los Alamos durante o Projeto Manhattan – que tinha a missão de projetar e construir as primeiras bombas atômicas. A trama acompanha o físico e um grupo formado por outros cientistas ao longo do processo de desenvolvimento da arma nuclear que foi responsável pelas tragédias nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945.

Filmaço! Acredito que vença como Melhor Filme. O filme é cheio de fatos e personagens históricos. Considero um filme difícil de assistir, pois você tem que ficar atento a tudo o que acontece na tela, e que não é pouca coisa. Quem conhece fatos e personagens históricos que aparecem no filme (que é o meu caso!) vai entender melhor e gostar mais do filme. Minha amiga que viu o filme comigo no cinema, não entendeu nada e dormiu a maior parte do tempo, chegou a roncar. E também comeu todos os meus Sonhos de Valsa…

5° – Vidas Passadas

É um drama coreano que conta a história de Nora e Hae Sung, dois amigos de infância com uma conexão profunda, mas que acabam se separando quando a família de Nora decide sair da Coréia do Sul e se mudar para a cidade de Toronto. Vinte anos depois, os dois amigos se reencontram em Nova York e vivenciam uma semana fatídica enquanto confrontam as noções de destino, amor e as escolhas que compõem uma vida.

Foi o último filme dos dez que assisti. É um filme com muitos diálogos, mas que faz você pensar. Talvez pelo momento pessoal que estou passando, o filme me fez pensar muito mais do que faria normalmente. O filme fala sobre escolhas que fazemos na vida e nos últimos dias tenho pensado muito em algumas escolhas que fiz nos últimos anos. Mas o filme mostra que certas ou erradas, escolhas precisam ser feitas…

6° – Ficção Americana

Um escritor negro brilhante, cujos livros não são populares já que ele se recusa a retratar negros de forma estereotipada em seu trabalho. Ele é pressionado por seu editor a criar uma obra comercial e escreve uma história carregada de preconceitos como piada.

Filme interessante e gostoso de assistir. Mas acho que o final poderia ter sido um pouco mais estendido. Fiquei com a impressão de que o filme poderia ser mais longo.

7° – Anatomia de uma queda

Durante o último ano, Sandra, uma escritora alemã, e Samuel, seu marido francês, viveram juntos com Daniel, o filho de 11 anos do casal, em uma pequena e isolada cidade nos Alpes. Quando Samuel é encontrado morto, a polícia passa a tratar o caso como um suposto homicídio, e Sandra se torna a principal suspeita.

Filme francês que foi vencedor de alguns festivais na Europa. É um filme interessante, mostra uma forma diferente na solução de uma morte. Eu poderia viver muito bem sem ter assistido tal filme…

8° – Maestro

É um filme cinebiográfico que conta a história real da vida e carreira do compositor, músico e pianista Leonard Bernstein, responsável pela composição da trilha sonora de musicais aclamados da Broadway, como West Side Story, Peter Pan e Candice. O filme mostra sua complexa relação com a atriz de TV e teatro Felicia Montealegre, que se iniciou quando os dois se conheceram em uma festa, em 1946, passando pelo primeiro noivado do casal – que foi desmanchado – até chegar ao seu casamento de vinte e cinco anos de duração, que trouxe três filhos ao casal.

Filme parte em preto e branco, acho que para agradar os votantes do Oscar. Achei um filme meia boca, que em alguns momentos fica bem chato. Tive que me esforçar para ver o filme até o final…

9° – Zona de Interesse

Durante a Segunda Guerra Mundial, o comandante de Auschwitz, Rudolf Höss, e sua esposa, Hedwig, se esforçam para construir uma vida idílica para sua família em uma casa vizinha ao campo de concentração.

Pode ser um filme considerado “de arte” e talvez por isso esteja concorrendo a Melhor Filme. Achei um filme muito muito chato, sonolento. Muitas tomadas são longas e lentas. Então se for assistir ao filme, aconselho que não seja num dia que esteja cansado ou com sono, pois senão vai dormir com certeza…

10° – Barbie

Barbie começa a ter pensamentos estranhos e sua aparência muda, então ela parte para o mundo real com Ken para tentar encontrar uma solução e voltar a ser uma boneca perfeita.

Confesso que não vi o filme inteiro, pois não tive estômago para tal. Li e ouvi que o filme tem muitas “mensagens” importantes, mas não vi nada disso. Achei um filme bobinho, mas que foi um estrondoso sucesso de bilheteria e talvez por essa razão esteja concorrendo a Melhor Filme.

Caratuva 2024

Aproveitando que estava passando alguns dias em Curitiba, me desloquei até a Serra do Mar para subir uma montanha. Fazia quase dois anos que não subia montanhas, então estava sentindo saudade. Para um bate e volta escolhi o Caratuva, montanha que já subi duas vezes, em 2008 e 2021, mas em ambas as vezes não vi a paisagem lá do cume, pois estava tudo encoberto por nuvens. Dessa vez tinha esperança de ver algo lá do alto, pois o dia estava relativamente bom e não tinha previsão de chuva.

Comecei a subir pouco depois das dez da manhã e não levei muita coisa. Levei alguma comida e quatro litros de água. Segui num ritmo lento, pois o início da trilha é sempre a parte mais complicada e cansativa. Depois que o corpo foi aquecendo, aumentei um pouco meu ritmo e a primeira hora de subida foi tranquila. Encontrei algumas pessoas descendo, mas ninguém subindo pela trilha. Fiz algumas rápidas paradas para descanso e para beber água.

Chegando no Getúlio, encontrei um grupo de Ponta Grossa, que subia com mochilas cheias, pois pretendiam acampar no cume do Caratuva. Fiz uma parada mais rápida no Getúlio, onde lanchei, descansei e fiquei observando a paisagem para o lado da represa, que sempre é muito bonita. Me lembrei que a última vez que tinha estado no Getúlio tinha sido numa noite fria e chuvosa, quase dois anos antes. Como o tempo passou rápido desde aquela última vez ali…

Após meia hora parado no Getúlio, segui em frente. Na encruzilhada das plaquinhas encontrei novamente o pessoal de Ponta Grossa e um outro casal, que faria meia volta dali. Tiramos fotos, conversámos um pouco e segui pela trilha rumo ao Caratuva. Nesse trecho a trilha estava bem molhada, sinal de que tinha chovido por ali nas últimas horas. A trilha molhada significa mais dificuldade e atenção redobrada para não cair. Conforme ia subindo o tempo foi fechando e comecei a temer que mais uma vez não veria nada da bonita paisagem no alto do Caratuva.

Quase no final da trilha encontrei três soldados do 5º GAC AP, que estavam descendo. Paramos conversar rapidamente e me contaram que o tempo lá no alto estava completamente fechado. Senti vontade de voltar para traz dali mesmo onde estava. Mas como estava perto do cume, resolvi seguir em frente. Quando cheguei no cume do Caratuva, senti um misto de alegria e frustração. Alegria por ter vencido o desafio e por estar pisando pela terceira vez no cume dessa montanha, que é a segunda mais alta do sul do Brasil, perdendo em altura somente para o Pico Paraná. E frustração por mais uma vez não conseguir ver nada da bela paisagem que se vê lá do alto. Estava tudo branco, uma nuvem baixa deixava tudo branco em volta. Eventualmente era possível ver o Itapiroca no lado direito da montanha e mais nada. Definitivamente o Caratuva não gosta de mim! Justo ele que foi a primeira montanha que subi naquela região, no distante ano de 2008.

Achei uma pedra num canto, me sentei e lanchei. Logo comecei a ouvir raios e trovões bem próximos e resolvi iniciar logo a descida. Com temporal é perigoso ficar no alto da montanha, pois as antenas que ali existem costumam “puxar” raios. É bem visível nos cabos de aço que seguram as antenas, marcas de descargas de raios. Mal comecei a trilha de descida e caiu o maior temporal. Desci rápido até chegar na parte de floresta e dessa forma me senti mais protegido dos raios que escutava cair próximos de onde estava. A trilha se transformou numa grande enxurrada com a água que descia do alto da montanha. A descida prometia ser difícil e perigosa com tanta água na trilha.

Encontrei três membros do grupo de Ponta Grossa e parei para falar rapidamente com eles. Tinham decidido que continuariam a subida e acampariam no cume do Caratuva, mesmo com chuva. O restante do grupo tinha dado meia volta e desistido de acampar no cume. Me pediram para avisar os que desciam, que eles acampariam no Caratuva. Voltei a descer a montanha e logo encontrei o restante do grupo de Ponta Grossa. Dei o recado e resolvi descer junto com eles, pois era mais seguro do que descer sozinho. Durante boa parte da descida a chuva nos fez companhia. Conversamos um pouco e descobri que os quatro eram uma família, formados por pai, mãe, filho e nora. Acabei fazendo amizade com eles e na encruzilhada das placas, até tiramos foto juntos.

Walter, Berenice, Junior e sua esposa, formavam um grupo divertido e até o final da descida todos acabaram sofrendo ao menos uma queda. Sem querer acabei gravando a Berenice caindo próximo ao Getúlio. Eu tive uma queda daquelas bobas, quando meu pé direito tropeçou no meu pé esquerdo e caí de lado no mato. Fora o orgulho ferido, tive apenas um pequeno esfolado no cotovelo direito e uma mancha roxa enorme que surgiu no dia seguinte próximo ao cotovelo. Montanha sem queda, não é montanha…

Quase chegando na Fazenda Pico Paraná, a esposa do Junior (cujo nome não lembro) sofreu duas quedas em sequência. Ela ficou meio inconformada com isso, mas disse que as pernas não obedeciam mais…

Já na fazenda dei baixa na minha ficha de entrada, me despedi dos novos amigos pontagrossenses e mesmo molhado e enlameado, peguei o carro e resolvi partir antes de escurecer. A estrada que leva da Rodovia Régis Bitencourt até a Fazenda Pico Paraná, estava em péssimas condições e depois da chuva que tinha caído eu não queria passar por ela com o escuro da noite. Mesmo com chuva a viagem até Curitiba foi tranquila e apesar da frustação de mais uma vez só ver nuvens no cume do Caratuva, o bate e volta até a montanha foi válido.

Pouco mais de uma hora de subida.
No Getúlio.
Descanso no Getúlio.
A clássica foto nas plaquinhas.
Subida difícil.
A bela vista da represa.
Caixa de cume no Caratuva.
Marco geodésico no Caratuva.
No cume do Caratuva pela terceira vez.
O Itapiroca aparecendo entre nuvens.
Lanche no Caratuva.
Antenas no alto do Caratuva.
Na descida, com os amigos de Ponta Grossa.

Museu Ferroviário de Curitiba

Museu Ferroviário de Curitiba fica na antiga Estação Ferroviária de Curitiba, localizada dentro do Shopping Estação. O prédio da estação foi inaugurado em 1885, e fazia parte da Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá até o ano de 1972, quando foi inaugurada a Estação Rodoferroviária de Curitiba.

Aberto em 1982 o Museu Ferroviário de Curitiba contribui para a preservação da memória do sistema ferroviário do estado. Em seu acervo há mais de 600 peças históricas, como uma locomotiva do século XX, um vagão dormitório que foi utilizado pelo ex-presidente Getúlio Vargas e várias fotos que contam a história da construção da ferrovia e como seu desenvolvimento foi importante para a capital paranaense.

No museu ainda estão o guichê original em uma réplica do salão de passageiros, a plataforma de embarque com a “Maria Fumaça”, uma reconstrução da sala de telégrafos, livros, relógios, telefones, objetos que ficavam no interior das locomotivas e um painel que conta um pouco mais a história dos Engenheiros Antônio e André Rebouças. Os irmãos são considerados os primeiros engenheiros negros do Brasil.

 

 

 

Régua de 1970

Ganhei do meu irmão, uma régua calendário da Shell de 1970. Tal régua mesmo sendo antiga, se tornou mais interesssante em razão de 1970 ser o ano em que nasci. Na régua é bem visível o mês de abril e o dia 4, dia e mês que nasci. Ela vai ficar bem guardada, como uma recordação e registro histórico.

Sábado, dia 4, nasci às 14 horas.

Morte do João Carreiro

Faleceu durante uma cirurgia de coração, o cantor João Carreiro. A dupla João Carreiro & Capataz cantava uma de minhas músicas sertanejas favoritas, “Prefácio”. O clipe dessa música é muito bonito e foi gravado em 2013 na cidade de Antonina, que fica aqui no litoral do Paraná. Nos últimos anos sempre que ouvia ou cantava essa música, me lembrava de uma certa guria, mas nunca contei a ela que tal música me fazia lembrar dela…

Visitando a RPC Globo em Maringá

Hoje passei o dia em Maringá e aproveitei para passar na RPC Globo e deixar alguns presentes para a campanha de Natal que estão promovendo. Fui recebido pelo cinegrafista André Volochen, que me convidou para conhecer a RPC. Com ele visitei quase toda a RPC e conheci muitas pessoas que lá trabalham. Foi uma visita bastante agradável…

Vander e André.
Com as apresentadoras do Meio-Dia Paraná, Natalia Garay e Anelize Camargo

 

23 horas, 23 perrengues…

Sempre acontecem perrengues em minhas viagens, independente de que tipo de viagem eu faça. Nas minhas viagens acontecem problemas que parecem só acontecer comigo e com mais ninguém. Já até me acostumei a isso e raramente me estresso com os perrengues, pois aprendi que em viagens os problemas são resolvidos mais facilmente quando ficamos calmos e conseguimos raciocinar de uma forma clara.

Certa vez conversando com minha amiga Angela, sobre perrengues, e depois de ela ler meus livros e conhecer os muitos perrengues que já passei em minhas viagens pelo mundo… Ela contou que é igual a mim, que sempre que viaja perrengues acontecem aos montes. E a partir dessa conversa surgiu a curiosidade de saber como seria dois mestres do perrengue viajando juntos. Será que um “perrenguento” anularia os perrengues do outro “perrenguento”? Ou os perrengues se somariam e a viagem se tornaria um caos? A dúvida para essa pergunta descobriríamos no dia que desse certo de viajarmos juntos. E esse dia chegou no feriado de 15 de novembro, quando convidei a Angela para me acompanhar numa viagem bate e volta até a Argentina e Paraguai, para buscar muamba.

A Angela é uma moça fina, que faz viagens finas e que já esteve no Paraguai fazendo compras, mas nunca no esquema “muambeiro”, atravessando a Ponte da Amizade a pé, sob um sol escaldante. Quando fiz o convite deixei claro para ela que a viagem seria um “programa de índio” e mesmo assim ela topou o desafio. No fim a viagem foi mais que um “programa de índio”, ela foi um “programa de uma tribo inteira”. Aconteceram coisas que até nós duvidamos. E descobrimos que juntos devemos ter batido o recorde mundial de perrengues num mesmo dia. A Angela anotou muitos desses perrengues e conta sobre alguns no texto logo mais abaixo. Apesar de tudo voltamos para casa sãos, salvos e inteiros, mas com horas de atraso na viagem e com dor nas mandíbulas de tanto rir. Nessa viagem descobrimos mais uma cosia em comum que temos, que é não se estressar – ao menos tentar – com os problemas e rir deles. Rimos demais e esse bate e volta até a Argentina e o Paraguai, acabou sendo uma viagem inesquecível justamente pela enorme quantidade de perrengues que tivemos.

No dia seguinte a viagem, após estarmos em nossa cidade dando expediente em nossos trabalhos, a Angela me perguntou pelo WhatsApp qual foi o momento da viagem em que ela perdeu sua dignidade. Respondi sem pestanejar que foi no momento em que ela atravessou a Ponte da Amizade a pé…

 

**Texto: Angela Colombo

Algo em comum é primordial para aproximar pessoas, se grupos se reúnem são porque integrantes gostam de uma mesma atividade, e se eu e o Vander temos algo em comum, é gostar de viajar. Nossa primeira viagem juntos vai ficar marcada em nossas memórias, pois além de especial, divertida e perrenguenta, também foi duplamente internacional. Os opostos não se atraem, os dispostos realizam experiências memoráveis.

Os bons momentos dependem muito mais da nossa própria vontade em aproveitar as oportunidades que a vida oferece, transformando cada ação em uma experiência única… Muitos terão preguiça de acordar cedo para ver o sol nascer, outros não terão disposição de caminhar até o topo da montanha para contemplar a paisagem, mas a recompensa só será garantida para quem for atrás…

Ponto para a pontualidade! E aqui começa nossa jornada… E ainda que o mocinho chegou pela contramão da direção, seguimos aproveitando cada quilômetro para revelar segredos, desabafar mágoas e dividir sonhos…

23 horas de convivência, 23 horas de “programa de índio” até parecia uma profecia… 23 horas de gostinho de quero mais, 23 horas de que bom que eu aceitei, 23 horas e deu tudo certo!

Minhas viagens sempre costumam ter imprevistos que sempre foram solucionados – geram estresse? Sim! Mas é melhor me estressar viajando do que em casa – mas um dia ao ler, Caminho de Santiago de Compostela, disse ao meu autor favorito que: “nós dois viajando juntos seria perrengue atrás de perrengue” e ele ciente dessa afirmação ousou me convidar e sentir na pele a alegria de estrear perrengues comigo…

Viajar é altamente enriquecedor, independente do destino, a sua responsabilidade é observar e aprender, é buscar lições… e tudo começou com um símbolo no painel do carro, para mim era um sinal de exclamação espanhol de cor amarela, mas esse símbolo no painel do carro revela que o pneu está murchando…

E dito e feito, começou a peregrinação em busca aos calibradores de pneus. A estratégia era ir em um mercado fazer compras, depois parar num posto de gasolina e calibrar o pneu, e assim sucessivamente até encerrar as compras do lado argentino e encontrar uma borracharia, mas fomos parados na fiscalização da Receita Federal. Lógico que fomos cadastrados. Claro! Carro cheio, pesado, pneu esvaziando… Vinte minutos de fila… Metaforicamente é como se as mágoas e histórias tristes desabafadas estivessem sendo “esvaziadas, expulsadas, vomitadas através do ar do pneus” o peso do carro seria a nova “bagagem, a nova história” o tempo na fila necessário para exercer nossa paciência que aliás foi acompanhada de muita gargalhada…

Serviços de emergência são imprescindíveis e olha que interessante a junção do serviço tão antigo do borracheiro com o moderno sistema de pesquisa do Google Maps. Depois de algumas vezes calibrando o pneu dianteiro do lado do passageiro o Vander localizou um parafuso, então pesquisamos no celular e encontramos o serviço de borracheiro 24 horas, e pagando 20 reais o pneu novinho foi remendado e seguimos viagem para o Paraguai… Agora estávamos mais tranquilos porque o sinal do painel tinha apagado… Aprendi uma lição, que pneu novo atrai prego/parafuso, o Vander tinha recém trocado os quatro pneus do carro dele!

Mal sabíamos que nossa reputação de perrengueiros estava apenas começando, e, agora iniciaria um efeito dominó que só vivendo é possível acreditar, perdemos várias vezes o sinal do Google Maps e assim nos perdermos e nos encontramos, mas algo que aprendi nessa viagem foi ser conduzida por ele – de olhos fechados – a capacidade que ele tem de se localizar é impressionantemente admirável… Com o carro devidamente estacionado, tomamos todas as medidas de segurança, acionamos o aplicativo Strava e seguimos rumo a famosa Ponte da Amizade… “Ei Angela, cadê a chave do carro? Vander não está comigo! – eu penso: não lembro de ter visto ele acionar o alarme – olho pra ele examinando o terceiro de seis bolsos da calça operacional dele e saio andando em direção ao carro pensando que a chave vai estar na ignição – meus vinhos estão dentro do carro dele – Corre Vander vamos lá no estacionamento… Ele vem andando atrás de mim, a gente ri, mas é de nervoso, ele abre a porta do carro e tira a chave da ignição…. Tenho certeza que se ele fosse de falar palavrão tinha soltado aos menos dois ali… Foi uma mistura de “não creio” com “como assim?” Ele é inteligente, atraente, carismático e acabou se distraindo conversando comigo e esqueceu a chave na ignição com o carro estacionado a menos de um quilometro da fronteira com o Paraguai. Mas tudo resolvido!

Eu tinha tomado meus remédios e vi ele tomando os dele… Inacreditável… Mas seguimos sob o sol, minha primeira vez cruzando a ponte a pé foi no esquema “boi no rio com piranha”… Ciudad del Leste o que dizer desse lugar? Caótico, muito óbvio! Mas enfim… Segui os passos do Vander, olhava a nuca dele e o suor escorria… Lembrava do parafuso no pneu e agradecia termos encontrado serviço 24 horas de borracharia… E inevitavelmente ria lembrando dele procurando a chave do carro nos seis bolsos da calça… O sol batia no asfalto e subia um mormaço, a temperatura estava quente… Eu queria um banho…

23 horas em três países, 23 horas de transparência e sinceridade, 23 horas transpirando feito maratonistas profissionais, 23 horas intensas, 23 horas revelaram que assunto não se esgotam quando a conversa é agradável, 23 horas observando, aprendendo e compreendo quem ele é…

Depois de sair do Paraguai, paramos num shopping center de rico em Foz do Iguaçu. O shopping estava lindo com decoração natalina e a melhor parte foi quando fui abordada por uma senhorinha pedindo ajuda com vinhos, me senti toda importante. O Vander empurrando o carrinho e a fiscal o parou perguntando se ele tinha pagado as caixas de cerveja que levava consigo. Eu não sei se a gente estava com cara de pobre, muambeiro ou com as vestimentas desalinhadas, meu cabelo parecendo que tinha acabado de sair da academia, ou se tal pergunta é um protocolo de praxe do estabelecimento. Não vou procurar saber também… Mas caloteiros não somos!

Mas culpar o Google Maps é fácil, a culpa é do aplicativo, o sinal está ruim, mas o que dizer quando se deixa o carro no estacionamento G3 do shopping, desce no G2 e quer insistir em encontrar o carro? É sério? Quando um imprevisto acontece é plausível, não há nada para comentar, mas eu e Vander tivemos tantos que chega virar piada e sabe que embora e lamentavelmente tenha tido o prejuízo financeiro a gente riu de doer a barriga… Enquanto ele procurava o carro no G2 – e nunca encontraria – eu pagava o estacionamento que tinha esquecido de pagar – fiquei com o ticket na mão, papel foi suando, entreguei pra ele e ao passar no código de barras o leitor não leu – leitor analfabeto – um carro estacionou atrás de nós – vai leitor – uma moto atrás do carro que estava atrás de nós, segurança do estacionamento se aproxima e Vander me pergunta: “você pegou o comprovante que pagou?” Eu respondo dando risada: “não”! Outro carro atrás da moto. Segurança olha pra nós, Vander olha para o segurança e diz “eu paguei!”, enfim a cancela sobe… Fazia tempo que não me divertia tanto como nesse dia…

Um dia li sobre a Lei de Murphy, não penso que ela se encaixa em nossa viagem, mas a verdade é que nunca, até hoje, escutei alguém contar que viajou e o pneu furou duas vezes… Pois é! É raro mais acontece! Na viagem de volta para casa, já quase no meio do caminho, seguíamos em uma conversa mais íntima, e ele solta um palavrão, o pensamento veio na velocidade da luz: “o Vander falando palavrão, algo de errado não está certo”! Vander disse que o símbolo de pneu esvaziando novamente apareceu no painel! Paramos em Medianeira e ele tentou entrar em contato com a seguradora, vi que foi o primeiro momento que realmente ficou irritado e desapontado! Eu consegui encontrar um borracheiro 24 horas – que serviço essencialmente útil – e lá vamos nós seguindo para um lugar desconhecido onde iríamos depositar toda confiança no trabalho de um borracheiro para seguir nossa viagem! Esse momento estávamos cansados e lidar com mais uma borracharia não era nada que queríamos, mas tudo bem! Encontramos o lugar, o borracheiro arrumou o pneu, mas, pasme! A luz do painel continuava acessa! Um segundo parafuso de rosca infinita no pneu traseiro do lado do motorista – efeito Vander! Nós dois juntos somos imparáveis! Pra que homem bomba? Um segundo pneu remendado…

Teve um momento que realmente acreditei na promessa que ele ia me mandar voltar de ônibus, porque depois que ele passou com o farol apagado no posto da Polícia Rodoviária Federal que já tinha multado ele em um viagem passada, eu falei que era minha vez de conduzir o carro, ele aceitou, e estava tudo bem, e pra fechar a última hora de viagem eu passei acima da velocidade permitida em um radar…Vander sendo Vander e Angela sendo Vander!

23 horas que não voltam mais e que ficaram no passado mas que foram vividas intensamente, 23 horas que deixam recordações que valem a pena serem relembradas e por isso foram fotografadas, filmadas e agora escritas, gratidão por proporcionar 23 horas, 23 perrengues…

O primeiro furo… Foz do Iguaçu – PR.
Rindo para não chorar…
Angela em frente a sua loja…
Vida de muambeiro…
Ciudad del Este.
Perdendo a dignidade…
Refazendo o remendo do primeiro furo e descobrindo o segundo furo… Medianeira – PR.

Concurso de Fotografia 2023

Esse ano participei mais uma vez do Concurso de Fotografia promovido pela Fundação Cultural de Campo Mourão. Diferente do ano passado quando fui premiado em terceiro lugar, esse ano fiquei de fora da lista de vencedores.

Abaixo as fotos que enviei para o o concurso:

Catedral na chuva.
A roda que é gigante…

Reforma do Ônibus 142 – Parte 4

Quando o ônibus 142 foi retirado de helicóptero da Stampede Trail pela Guarda Aérea Nacional do Exército, foram feitos buracos no piso e no teto para fixação ao chassi. Esses buracos foram reparados pelos conservadores recolocando os componentes originais.

A Guarda Aérea Nacional do Exército fez grandes buracos no teto e no chão para apoiar com segurança a estrutura do ônibus 142 ao sair da Stampede Trail de helicóptero. Equipe de conservação B.R. Howard recolocou os painéis do telhado soldando ou usando parafusos conforme apropriado, tomando cuidado para não obscurecer nenhum grafiti, que foi preservado.

Os poços das rodas foram parcialmente cortados quando a Guarda Aérea Nacional do Exército removeu o ônibus da Stampede Trail em 2020. Conservadores do B.R. Howard soldaram essas peças novamente para restaurar a aparência visual e manter o grafiti. Embora o principal objetivo da conservação continue sendo a preservação, é necessário reformar este componente do ônibus para encerrar e proteger o interior. Embora esta recolocação do componente original não seja tecnicamente reversível como a maioria dos trabalhos de conservação, a continuidade visual foi mantida. Os conservadores pintaram a costura soldada para que combinasse com a aparência geral.

Os itens menores que compõem o restante da coleção do Ônibus 142 foram submetidos a uma limpeza superficial mínima e foram quase completamente catalogados, fotografados e alojados em caixas de arquivo personalizadas. O fogão a lenha e as estruturas da cama foram aspirados, o excesso de ferrugem acumulado foi escovado e uma camada protetora consolidante foi aplicada. Componentes soltos e destacados foram fixados com suportes fabricados sob medida, principalmente, os furos feitos no telhado e no piso que ocorreram durante sua retirada do campo, bem como o reparo da tubulação do fogão barril e degraus de entrada. A remediação através de montagens anexas foi determinada através de consulta à equipe de assessoria interpretativa.

O fogão a lenha estava muito enferrujado e continuaria a deteriorar-se se não fosse abordado pela equipa de conservação B.R. Howard. Depois que os conservadores examinaram o conteúdo do fogão, um estudante assistente de curadoria do museu e gerente de projeto escovou a superfície para se preparar para a aplicação de uma camada protetora de consolidante, para retardar o processo de ferrugem. Os conservadores também substituíram o tubo enferrujado do fogão e recolocaram a tampa do lado de fora, reparando o buraco para estabilidade estrutural e para impedir a entrada de outros agentes de deterioração, como pragas e umidade. O fogão foi colocado de volta dentro do ônibus onde estava originalmente localizado.

As duas camas dentro do ônibus 142 consistem em uma cama de tamanho normal, box spring e colchão, bem como uma cama de solteiro com molas. As estruturas da cama e o box spring foram aspirados para remover o excesso de sujeira e fibras, e foram pulverizados com uma camada protetora para retardar a descamação da tinta e a ferrugem do metal. O colchão grande estava muito sujo e sofreu grandes danos causados ​​por insetos e pragas depois de décadas na Stampede Trail. Para evitar maiores danos, foi guardado no acervo do museu.

O ônibus 142 veio com mais de 200 itens em seu interior, todos catalogados na coleção Etnologia e História.

Os conservadores conseguiram e reduziram a corrosão ativa utilizando ferramentas manuais. Os tratamentos apropriados foram determinados para incluir Paraloid B-48N e B-72. As camadas de pintura internas e externas foram consolidadas e estabilizadas usando materiais reversíveis para evitar mais descamação, formação de tendas e perdas adicionais. Foi utilizado um consolidante transparente e não amarelado Paraloid B-72. Como o grafite na superfície é considerado um componente significativo da história do ônibus, todas as opções de tratamento foram ajustadas e modificadas de forma a evitar danos e não limitar a legibilidade.

A superfície externa do ônibus foi pintada em três camadas: uma camada base de verde Exército, seguida de amarelo para ônibus escolar, e uma camada superior de verde brilhante e branco para o Fairbanks City Transit System. Devido a anos de exposição na Stampede Trail, pichações e buracos de bala, a tinta estava descascando e descascando em muitas áreas, resultando em perdas. Os conservadores usaram Paraloid B-72 e um ferro de aderência para colar grandes flocos de tinta e revestiram toda a superfície para evitar mais descascamento.

Muitas áreas do ônibus 142 estavam fortemente enferrujadas devido a anos de exposição na Stampede Trail. Para tratar a ferrugem, os conservadores esfregaram a superfície usando uma variedade de ferramentas manuais, removendo a camada superior de pó de óxido de ferro para que uma camada protetora de Acryloid B-48N pudesse ser aplicada para retardar o processo de oxidação e preservar o metal abaixo.

O cuidado de longo prazo do Ônibus 142 é de grande importância para nossa equipe curatorial e essencial para a viabilidade contínua da exposição ao ar livre. Os conservadores fornecerão um conjunto de diretrizes de monitoramento de longo prazo. Pesquisas de condição semanais, mensais, semestrais e anuais serão programadas em nossa carga de trabalho para monitorar tratamentos e reparos e determinar se alguns tratamentos podem ser repetidos. Como o Ônibus 142 será exposto ao ar livre, o revestimento protetor aplicado pela B.R. Howard será monitorado e avaliado seguindo as diretrizes de cuidados contínuos estabelecidas em seu plano de tratamento de conservação.

Treinar estudantes da UAF em cuidados com coleções e ciência de materiais foi um objetivo complementar deste projeto. Os alunos auxiliaram os conservadores e o gerente de projetos na documentação, estabilização prática e catalogação da coleção do ônibus 142.

IMAGENS: Museum of the North

Palestra com Lars Grael

Estive participando da Empreende Week em Campo Mourão. Assisti a paletra do velejador e duas vezes medalhista olímpico Lars Grael. A palestra foi muito boa e teve algumas partes emocionantes, quando o Lars Grael conta sobre quando foi atropelado por uma lancha e perdeu uma perna. A história de sua recuperação, a volta as competições e suas vistórias depois disso, são uma grande lição de vida.

Reforma do Ônibus 142 – Parte 3

As portas foram reparadas e todas as vedações e janelas foram totalmente substituídas, a fim de fechar o ônibus e evitar a infiltração de chuvas e animais, além de reduzir a possibilidade de mais vandalismo. A maioria das janelas estava quebrada ou gravemente rachada antes de chegar à UAMN. Os caixilhos das janelas foram retirados, cada um exigindo a retirada de 12 parafusos. O vidro foi substituído pelas molduras originais através de uma generosa doação da Frontier Glass. Isto envolve e protege o interior do ônibus contra deterioração adicional.

As portas do lado do passageiro foram severamente danificadas pelo uso e tentativas anteriores de reparos no mecanismo, além de vidros quebrados e faltantes e ferrugem. Depois que o vidro doado da Frontier Glass foi instalado, os conservadores consertaram as dobradiças para que as portas pudessem abrir e fechar totalmente, vedando o ônibus contra mais precipitações e danos causados ​​por pragas.

A vedação da porta traseira do ônibus estava completamente apodrecida e impedia o fechamento total da porta. Os conservadores substituíram a vedação para impedir a entrada de precipitação e permitir o fechamento da porta, o que evitará ainda mais danos causados ​​por pragas.

Os buracos de bala foram suavizados limando, achatando ou rebarbando levemente as bordas. Alguns preenchimentos e coberturas ajudaram a combinar as superfícies adjacentes e evitar danos contínuos causados ​​por precipitação e pragas. Isto foi especialmente importante para a icónica área “142” estampada acima da janela do lado do condutor, que foi fortemente danificada por buracos de bala. O icônico 142 pintado no lado do motorista do ônibus foi severamente danificado por tiros e anos de precipitação na Stampede Trail. Para proteger o ônibus de pragas e ferrugem, uma camada de chapa metálica foi colocada sobre a área, cobrindo os danos por fora e permitindo que os buracos permanecessem visíveis por dentro. Os conservadores repintaram o 142 usando fotos de referência antes dos danos sofridos.

A parede traseira do ônibus possui uma quantidade significativa de pichações que foram importantes para proteção contra agentes de deterioração atuais e futuros. Essa mesma parede sofreu grandes danos causados ​​​​pela água na parte inferior e enferrujou alguns centímetros do metal. Para vedar totalmente o ônibus e reduzir ainda mais a deterioração climática e as pragas (dois dos dez agentes de deterioração), a parte inferior da parede foi recriada com fibra de vidro. Todo o painel, que tem anos de pichações de viajantes, foi então revestido com uma camada protetora para retardar novas perdas. A fibra de vidro foi pintada para combinar com o ambiente depois de reinstalada.

O ônibus 142 apresentava muitos buracos causados ​​por tiros, ferrugem e vandalismo. Esses buracos permitiram que agentes de deterioração, como precipitações e pragas, aumentassem a velocidade de deterioração do ônibus. Para retardar esse processo, os conservadores selaram todos os buracos usando vários métodos. Isso incluiu a aplicação de uma cobertura de plexiglass, espuma em spray, metal, fibra de vidro e calafetagem, conforme apropriado.

IMAGENS: Museum of the North

Castelo dos Arautos do Evangelho – Maringá

Os Arautos do Evangelho, foram fundados em 1999 por João Clá Dias, braço direito de Plínio Corrêa, na antiga Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, a famosa TFP — o grupo católico ultrarreacionário e anticomunista que teve papel importante no golpe de 1964 e na defesa da ditadura militar.

Os Arautos do Evangelho são uma Associação Internacional de Fiéis de Direito Pontifício, aprovado pelo Vaticano em 2001. As suas atividades em Maringá iniciaram em 2002, em uma casa alugada na Zona 7. Após alguns anos de trabalho com projetos sociais para jovens, os religiosos se mudaram para Londrina. Passaram-se poucos anos e regressaram para Maringá, onde se instalaram em uma casa que ficava na Rua Monteiro Lobato. Algum tempo depois se mudaram para o bairro Borba Gato, onde trabalharam durante oito anos. Em seguida Maringá foi escolhida para a construção de um mosteiro. Em 2017 começou a construção do mosteiro (conhecido por Castelo) e em 2018 se instalaram definitivamente no local.

O mosteiro (Castelo) dos Arautos do Evangelho, que começou a ser construído em 2017, possui 3.343 metros quadrados e 38 metros de altura e foi projetada pelo arquiteto Daniel Souza. Os Arautos do Evangelho, são uma sociedade hoje presente em 78 países com suas vestes militares medievais.

Os Arautos do Evangelho em Maringá, estão localizados na Estrada Morangueira, número 3.140, no Parque Industrial. O horário de visitação é somente aos domingos, entre 14h30 e 16h45.

SITE: https://maringa.arautos.org

Caminhada na Natureza – Maringá

Hoje foi dia de madrugar, pegar a estrada e viajar 100 quilômetros até Maringá, para participar de uma caminhada. A Caminhada Internacional na Natureza – Circuito Águas do Pirapó, tinha cerca de 1.200 participantes. Após o aquecimento iniciamos a caminhada com dois guias na frente, para indicar o caminho. Mas os guias estavam meio perdidos e erraram a trilha. Daí foi a maior confusão para o pessoal dar meia volta e seguir pela trilha certa. Aqui ficou valendo aquela máxima de que os últimos serão os primeiros, pois quem estava no início da fila de caminhantes acabou ficando por último. Eu como estava no meio, não mudou muita coisa.

A caminhada foi de 12 quilômetros e passamos por alguns lugares bonitos, com bastante verde. E também teve algumas subidas, sendo que a última exigiu bastante dos caminhantes. Quando passei por ela vi muita gente sentada na beira do caminho com a língua de fora. Nos metros finais da caminhada passamos pelo Castelo dos Arautos do Evangelho, uma construção enorme e muito bonita. Não pudemos visitas o interior do Castelo, só nos foi permitido visitar a parte externa e a capela que fica dentro do Castelo. Achei o lugar bem interessante.

Vander, Lu, Tefa e Alemão.

Reforma do Ônibus 142 – Parte 2

Dentro do ônibus, as camadas do piso estavam deterioradas e irreparáveis. Buracos abertos no chão e no teto para acomodar a remoção do ônibus da Stampede Trail pela Guarda Aérea Nacional do Exército, exigiram soldagem para reinstalar esses elementos. As camadas de pintura externa contam a história do ônibus, começando com o verde militar original, depois o amarelo do ônibus escolar e, finalmente, uma combinação de verde brilhante e branco para o Fairbanks City Transit System. Essas camadas de tinta estavam desaparecendo de forma irregular, parcialmente devido ao ângulo de exposição ao sol e ao vento no local da Stampede Trail e parcialmente devido à intervenção humana. O grafite cobria a pintura em algumas áreas enquanto cortava o metal em outras partes, e o crescimento biológico cobria a calha de chuva acima das janelas laterais.

O American Conservation Institute define conservação como ações tomadas para a preservação a longo prazo do patrimônio cultural. As atividades incluem exames, documentação, tratamento e cuidados preventivos, apoiados por pesquisa e educação. Para o projeto de conservação do Ônibus 142, isto consistiu principalmente em retardar ou interromper o progresso dos dez agentes de deterioração. Conservadores de B.R. Howard, uma equipe de conservação reconhecida nacionalmente, visitou Fairbanks por vários dias para fazer uma avaliação das condições no local durante o verão de 2021 e concluiu o trabalho de conservação no Ônibus 142 entre janeiro e abril de 2023. Esta equipe fez esforços há muito esperados para garantir o integridade histórica do ônibus (incluindo décadas de pichações) e danos estruturais reparados resultantes de idade, vandalismo e remoção do ônibus da Stampede Trail.

O primeiro grande passo foi a limpeza de todas as superfícies. Isto foi feito com aspiração e limpeza úmida conforme apropriado, dependendo da estabilidade. O crescimento biológico, a sujeira superficial e os poluentes transportados pelo ar nas superfícies externas pintadas foram removidos cuidadosamente para não alterar ou danificar as camadas históricas de tinta. A superfície externa do ônibus, devido aos seus 59 anos de vida na Stampede Trail, continha uma variedade de produtos biológicos crescendo – principalmente líquenes e mofo. Esses tipos de organismos são considerados “pragas” quando aderidos a um objeto, que é um dos dez agentes de deterioração. Estas são as principais ameaças aos itens do património cultural contra as quais os museus trabalham, pois aceleram o processo natural de degradação dos itens. O líquen já afetou a tinta subjacente, corroendo-a lentamente, expondo o metal abaixo. Os conservadores removeram-no suavemente com água.

A fita adesiva foi aplicada no teto do ônibus quando ele foi removido da Stampede Trail pela Guarda Aérea Nacional do Exército em 2020. O adesivo ácido da fita danificou a superfície e a pintura do ônibus. Os conservadores Howard removeram a fita adesiva usando xileno, que retirou facilmente o adesivo, mas não afetou a pintura.

Muitos visitantes perguntam se o ônibus foi levado até seu local na Stampede Trail. Porém, o motor do ônibus 142 foi retirado antes de ser um dos dois ônibus que foram rebocados para a trilha pela família Mariner em 1961 para usar como moradia durante o projeto de melhoria da trilha. O compartimento do motor foi usado como espaço de armazenamento coberto por condutores de cães, caçadores e caçadores que visitavam o ônibus durante décadas. As paredes internas estavam cobertas de sujeira e graxa, altamente ácida e corrosiva. Conservadores de B.R. Howard passou dias dentro do compartimento removendo as camadas de resíduos corrosivos e adicionando uma camada protetora que retardaria quaisquer outros agentes de deterioração.

As rodas do ônibus são um componente essencial da narrativa para a eventual exposição. A razão pela qual o ônibus foi deixado na Stampede Trail foi porque a roda dianteira do lado do motorista se soltou do cubo, impedindo que o ônibus fosse facilmente rebocado de volta para Fairbanks. Depois de levantar o ônibus em macacos, os conservadores da B.R. Howard removeu as rodas para limpar a sujeira acumulada ao redor e dentro dos cubos. Eles então aplicaram uma camada protetora no metal e nas superfícies pintadas.

O chassi do ônibus estava fortemente coberto de sujeira da Stampede Trail. Conservadores de B.R. Howard passou dias esfregando o material rodante para aplicar uma camada protetora para retardar a ferrugem da estrutura de base.

O piso interior foi totalmente removido para estabilizar completamente o substrato de aço. O primeiro degrau da escada lateral do passageiro estava totalmente apodrecido, necessitando de substituição e estabilização para preservar sua aparência e proporcionar acesso seguro ao ônibus para as gerações futuras. O ônibus possui uma camada de base estrutural metálica, que foi coberta por uma camada de compensado que foi delaminado por anos de exposição às intempéries. Além disso, havia uma camada de vinil branco, uma camada de linóleo vermelho e uma camada de carpete, todas em ruínas. Infelizmente, nenhuma das camadas pôde ser recuperada, então os conservadores cortaram uma seção de 30 x 30 centímetros para preservar o conhecimento histórico e removeram o resto. A camada base de metal estava muito enferrujada e tinha muitos buracos e problemas estruturais, que foram remendados com metal de reposição e fibra de vidro, revestido com paralóide B-48N para evitar mais ferrugem. Uma camada de papel de alcatrão serve como barreira de vapor, sobre a qual colocaram novo compensado para maior resistência, seguido de novo linóleo para combinar com o piso original. Isto proporciona a estabilidade estrutural necessária para futuros visitantes do ônibus.

Como resultado de anos de uso e precipitação, o degrau de entrada inferior foi fortemente danificado e apresentava um grande buraco. O degrau foi construído com duas camadas: uma base de aço e uma placa de piso texturizada. Por segurança, o degrau foi removido e uma réplica da base de aço foi fabricada pela Facilities Services e instalada pela equipe de conservação. A placa de piso original foi reparada com fibra de vidro e reinstalada no topo do novo degrau estabilizado, preservando a aparência original do degrau e garantindo segurança e estabilidade aos futuros visitantes. O degrau de base de aço original foi catalogado na coleção do museu.

IMAGENS: Museum of the North

Valorização do município de Campo Mourão nas mídias sociais

*Texto de Vitória Almeida (Curso de Turismo – Unespar)

O município de Campo Mourão tem potencial e influência pela região que se situa, entretanto, é importante que uma divulgação da cidade seja feita e registrada para que possa alcançar mais pessoas que não precisam ser necessariamente da região. Com isso, além de possuir o potencial para atrair mais pessoas, também mostra um lado do cidadão mourãoense valorizando seu município. Com essa perspectiva, temos o site “Histórias, viagens e bobagens…”, criado por Vander Dissenha, um residente apaixonando por Campo Mourão onde ele faz o uso do próprio site para enaltecer, contar histórias de sua infância, suas primeiras experiências e compartilhar alguns atrativos que o município possui. O mourãoense sempre deixa muito explícito em suas postagens o orgulho da sua história em Campo Mourão. Os relatos são muito pessoais e nota-se muito amor nas palavras utilizadas. Em uma experiência que ele relata ao retornar quarenta anos depois ao local onde ele nasceu, algumas mudanças no local e o quanto aquela esquina emociona e traz memórias afetivas, em seus próprios questionamentos ele se pergunta qual seria o porquê dele ter nascido exatamente naquele lugar, percebendo que não havia respostas para isso, o criador do site deixa claro sua gratidão por ter sido exatamente como e onde foi “se pudesse escolher possivelmente escolheria a mesma esquina onde nasci e a mesma família em que nasci. Tenho orgulho de ser do interior do Paraná, pé vermelho de Campo Mourão […]”. Ademais, em uma publicação feita em 2009 por Vander, uma foto do time de futebol de Campo Mourão de 1976, onde na época foi o único esporte que Campo Mourão recebeu medalha de ouro, destaca-se que muitas pessoas que estão na foto fizeram parte da infância do autor e deixa um espaço de registros de acesso de aspecto socioculturais do município, a partir do momento que o site traz registros antigos, de certa maneira, mesmo indiretamente ele se transforma em um diretório de referências históricas da sociedade de Campo Mourão. O site é um lugar muito rico nesse aspecto histórico cultural da visão de um morador local, não só Campo Mourão, mas o autor também fala sobre outros municípios da região e as experiências internacionais. Com base nisso, estas observações vêm de encontro com o que foi iniciado pelo autor do quadro das Andorinhas, anteriormente citado neste trabalho, quando se nota a importância de criar memórias afetivas com os residentes de um município e a valorização dos aspectos que o torna único ou o destaca dos demais. Ou seja, quando se pensa em aprimorar a cidade para receber mais turistas, temos que priorizar quem sempre esteve aqui, pois é com base nessas pessoas que podemos avaliar se nosso município é hospitaleiro o suficiente e se vai marcar a vida das pessoas de forma positiva então torna-la legível, valorizada, única, acolhedora e que tenha esse cuidado com os residentes é fazer nossa cidade ganhar destaque e lugar eterno na vida das pessoas sendo de forma digital, física ou nas memórias afetivas de quem um dia viveu ali. Portanto, a criação digital de memórias afetivas e históricas da cidade é um conteúdo muito rico e agregador, os lugares mudam o tempo todo e ter esses registros em um site com a experiência de um morador local é muito interessante ter essas referências fazendo jus as considerações referentes a criação de meios para preservar a identidade de um local e proporcionar memórias nas pessoas até porque existem segmentos associados a história cultural e patrimônios que o turismo possui pelo turismo cultural, isso também é um meio de complementar a compreensão da sociedade a partir de segmentações como é o caso do turismo cultural e patrimônio histórico.

*Esse texto é parte de um trabalho insterdisciplinar sobre os elementos socioculturais de Campo Mourão – Paraná, apresentado no curso de Turismo da Unespar, campus de Campo Mourão.   

Vitória Almeida

15 anos do Blog

Hoje o blog está comemorando quinze anos de sua criação. Confesso que ao criar o blog, não imaginava que ele pudesse durar tanto tempo. Achava que a exemplo do primeiro Blog que criei, esse não duraria um ano. Mas felizmente me enganei e aqui estamos comemorando os quinze anos de sua existência.

E nesses quinze anos muita coisa boa e ruim aconteceu, felizmente mais coisas boas. Como todo mundo, tive altos e baixos na vida. E na pior fase da minha vida, o blog serviu como terapia. Muitas postagens dessa fase difícil, acabei excluindo e isso é algo que me arrependo.

Nos primeiros anos o Blog teve seu auge, com milhares de visualizações mensais. Nessa época o Facebook, Instagram e YouTube ainda estava engatinhando, então os blogues eram mais acessados do que são hoje em dia. Nossas postagens foram acessadas em quase todos os países do mundo e através delas fiz muitas amizades. E também ajudei muita gente através do Blog, sendo que a ajuda que considero mais importante foi a uma adolescente do interior de São Paulo, que estava com planos de se suicidar. Após ler uma postagem no Blog, ela entrou em contato comigo e trocamos muitas mensagens. Ela acabou desistindo de seu plano suicida e contou seu problema para sua mãe e foi em busca de ajuda médica. Só por esse caso já valeu a pena ter criado o Blog, pois salvar uma vida é algo que não tem preço.

Teve períodos em que fazia postagens diárias aqui no Blog, mas atualmente as postagens são esporádicas. Isso não significa que tenho menos interesse no Blog, mas sim que tenho menos tempo para me dedicar a ele. Independente de fazer poucas postagens atualmente, o seu acervo de postagens é imenso e não faltam assuntos interessantes para serem lidos aqui.

Não sei dizer se o Blog vai ficar ativo por mais um ano ou mais quinze anos. Só sei dizer que enquanto ainda sentir um pouco de prazer em manter o Blog no ar, assim o farei.

Reforma do Ônibus 142 – Parte 1

Após um longo tempo, finalmente as obras de conservação do Ônibus 142 estão concluídas. Ele ainda permanece no prédio de Engenharia do Campus da UAF – Universidade do Alasca, na cidade de Fairbanks. E em breve vai ocupar um local ao ar livre, possivelmente no Museu do Norte, onde ficará em exposição permanente.

A reforma do Ônibus 142 exigiu um complicado processo de equilibrar a preservação dos elementos existentes enquanto foram reparados e restaurados componentes perdidos. A conservação do Ônibus 142 ocorreu no Edifício de Aprendizagem e Inovação de Engenharia Joseph E. Usibelli, no Laboratório de Testes Estruturais da ConocoPhillips Alaska High Bay, de janeiro a abril de 2023, e foi visível pelo público a partir das janelas do 2º e 3º andares do edifício. Este trabalho foi possível graças a uma bolsa federal Save America’s Treasures, administrada pelo Instituto de Serviços de Museus e Bibliotecas, além do apoio de financiamento coletivo contínuo.

Quando o Museu do Norte adquiriu o Ônibus 142 em 2020, sob um acordo de repositório com o Estado do Alasca, ele tinha 74 anos e estava estacionado ao longo da Stampede Trail, no sopé norte da Cordilheira do Alasca, há mais de meio século. Devido a sua exposição às condições ambientais extremas do interior do Alasca, o Ônibus 142 estava fortemente deteriorado. Além disso, vandalismo direcionado na forma de tiros aparecem espalhado por grande parte do ônibus, resultando na perda de quase 100% dos vidros das janelas. Esses buracos de bala expuseram o metal descoberto ao ambiente hostil, acelerando a deterioração do aço, resultando em ferrugem generalizada.

IMAGENS: Museum of the North

Caminhada na Natureza – Engenheiro Beltrão

Após uma ausência de quase dez meses, voltei a participar de uma Caminhada Internacional na Natureza. O motivo de ter me afastado das caminhadas é que já participei de muitas, então repetir caminhada acabou ficando chato, pois em muitas cidades fui mais de uma vez caminhar. Nessa caminhada em Engenheiro Beltrão já fui duas ou três vezes, mas por ser uma caminhada que acho legal, em razão de se caminhar muito ao lado do rio Ivaí, resolvi participar mais uma vez.

A 8ª Caminhada Internacional na Natureza de Engenheiro Beltrão, na verdade foi realizada no distrito de Ivailândia, que pertence a Engenheiro Beltrão. Apesar de ser uma manhã de inverno, não estava frio e o sol brilhava forte no céu. Fui com alguns amigos, parceiros de muitas outras caminhadas. Nesse dia estávamos inspirados, pois conversamos muito, zoamos, rimos bastante. Foram pouco mais de quatro horas caminhando e quase não vimos o tempo passar de tão gostoso que foi.

Nas outras vezes que participei dessa caminhada, informavam que seriam dez quilômetros e sempre passava um pouco dos doze quilômetros. Dessa fez informaram que seria pouco mais de quatorze quilômetros e foram quase dezoito. Não sei se o pessoal da organização informa uma quilometragem menor com receio de que muitos caminhantes não se inscrevam em razão da quilometragem, ou então são ruins de medição de distância. Particularmente não tive problemas com a distância, pois mesmo tendo ganhado uns quilos nos últimos meses em razão de remédios que tenho tomando, estou em excelente forma física e os quase dezoito quilômetros me pareceram uma tranquila caminhada no parque.

Banheiros ecológicos…
Salto das Bananeiras.
Vander, Alemão, Stephanie e Luciele.

Fim de caminhada.

Show de João Bosco & Vinícius

Hoje fui na praça assistir ao show de João Bosco & Vinícius, que fez parte da Festa Nacional do Carneiro no Buraco. Essa foi a segunda vez que assisti a um show deles, a outra vez tinha sido no final de 2010, também aqui em Campo Mourão. O show foi muito bom, a praça estava cheia e o público bem animado.


Série Vaga-Lume 50 anos

Hoje a Série Vaga-Lume, da Editora Atica, está completando 50 anos. Sou um dos milhões de leitores que começou a gostar de livros a partir da Série Vaga-Lume. No início de 1983 estava entediado numa manhã chuvosa sem tem o que fazer, quando me deparei com o livro Menino de Asas, que minha irmã estava lendo para um trabalho do colégio. Peguei o livro e comecei a ler as primeiras páginas e acabei gostando. Tive que parar a leitura na metade do livro, pois precisava me arrumar para ir ao colégio, pois na época estudava a sexta série no período da tarde. Naquele dia não via a hora de voltar para casa e terminar a leitura do Menino de Asas. Após terminar o livro, vi na contra capa que existiam outros livros na coleção e perguntei para minha irmã como conseguir mais desses livros. Ela me falou para ir na Biblioteca Pública (onde nunca tinha ido até então) fazer uma carteirinha, que daí me emprestavam os livros sem nenhum custo. E fui o que fiz no dia seguinte! Em pouco tempo li todos os livros da Série Vaga-Lume que existiam na biblioteca e passei a ler outros livros também. Graças a Série Vaga-Lume eu tinha adquirido o gosto pela leitura de livros. Já lia gibis antes mesmo de aprender a ler. E tal gosto pela leitura permanece até hoje, apesar de atualmente ler bem menos do que gostaria.

Ao todo a Série Vaga-Lume tem 106 livros publicados, sendo o último em 2021 (Os Marcianos, de Luiz Antônio Aguiar). Não li todos os 106 livros da Série. Devo ter lido algo em torno de 80 livros. Com o passar dos anos fui me interessando por outros tipos de leitura e deixei os livros juvenis da Vaga-Lume de lado. Mas tal série será inesquecível, pois foi ela que me fez entrar para valer no belo mundo dos livros e da leitura. E meu autor favorito da série era o global Marcos Rey, com seus livros de mistério.

O primeiro Vaga-Lume que li.
Alguns livros da Série Vaga-Lume.

Oscar 2023

Mais um ano estou escrevendo sobre os concorrentes ao Oscar de melhor filme e dando meus palpites. Até agora o meu favorito nunca venceu, o que me leva a acreditar que o pessoal da Academia de Cinema de Hollywood não entende nada de cinema… kkk

Depois que aumentaram a quantidade de filmes que concorrem ao Oscar de melhor filme, ficou mais difícil conseguir assistir a todos os concorrentes antes da cerimônia de entrega do Oscar. E esse ano são nada menos do que dez concorrentes. Minha maior dificuldade é morar numa cidade do interior do Paraná, onde no cinema só passam filmes que dão grande retorno de bilheteria. E os concorrentes a melhor filme, a maioria não são filmes que costumam dar grande bilheteria. Dos dez concorrentes, assisti a três no cinema, um na Netflix, um na Amazon Prime Vídeo e os demais tive que utilizar meios escusos para conseguir assistir. Se não utilizasse meios escusos para assistir aos filmes, não conseguiria ver os dez filmes antes da cerimônia do Oscar. E sem assistir aos dez filmes, não tinha razão de estar escrevendo essa postagem.

Esse ano não tenho a mínima ideia de qual filme vai vencer. Se fosse apostar em um filme, apostaria em Tudo no Mesmo Lugar ao Mesmo Tempo. Esse filme recebeu muitas críticas positivas e parece ser o favorito dos votantes da Academia de Cinema de Hollywood. Particularmente achei tal filme uma porcaria!

Minha torcida vai para Top Gun: Maverick. Gostei muito do filme, assisti junto com meu irmão no cinema. Tal continuação após 36 anos do filme original, foi um grande presente aos fãs do primeiro filme. O primeiro filme assisti no cinema quanto tinha 16 anos e foi um filme marcante para mim naquela época. Por tudo isso é que minha torcida vai para Top Gun Maverick, que acho que não tem nenhuma chance de vencer como melhor filme.

 

Os filmes concorrentes, na ordem de minha preferência e torcida:

1° – Top Gun: Maverick

Após mais de 30 anos de serviço como um dos principais aviadores da Marinha dos Estados Unidos, Pete “Maverick” Mitchell  volta para ensinar novos pilotos da academia Top Gun. No mundo contemporâneo das guerras tecnológicas, Maverick enfrenta drones e prova que o fator humano e a experiência ainda são essenciais.

Ver tal filme foi para mim uma sessão de nostalgia. E na falta de opções melhores, ele fica como primeiro em minha lista, mas tenho certeza de que não vai ganhar.

 

2° – Elvis

O filme conta sobre a vida de Elvis Presley, desde sua ascensão até o estrelato. E mostra sua relação muitas vezes conturbada com seu empresário, Tom Parker, por mais de 20 anos.

O filme é legal, principalmente para quem gosta de Elvis Presley, o que é meu caso.

 

3° – Nada de Novo no Front

Um adolescente é convocado para lutar na linha de frente da Primeira Guerra Mundial. O jovem começa seu serviço militar de forma idealista e entusiasmada, mas logo é confrontado pela dura realidade do combate.

Achei um filme interessante e gostoso de assistir.

 

4° – Os Fabelmans

Um jovem se apaixona por filmes e começa a fazer seus próprios filmes em casa.

Achei um filme mais ou menos, mas que vale a pena assistir.

 

 

5° – Os Banshees de Inisherin

Numa quase deserta ilha irlandesa, dois amigos de longa data se encontram num impasse quando um deles resolve desfazer a amizade.

O filme fica monótono em algumas partes, mas vale a pena ver a confusa história entre os amigos.

 

6° – Avatar O Caminho da Água

O filme é uma continuação do primeiro filme, que foi muito premiado e campeão de bilheteria. Fora isso, essa continuação parece mais que foi feita apenas para angariar alguns milhões de dólares de bilheteria.

Achei um filme mediano, que fica abaixo do primeiro filme, o que é algo comum em continuações.

 

7° – Entre Mulheres

Um grupo de mulheres que vive numa colônia rural isolada, se une para decidir que rumo devem tomar após cansarem das agressões e exploração por parte da maioria dos homens do lugar.

O filme traz uma mensagem interessante e deve ser adorado por boa parte das feministas. Mas me deu sono…

 

 

8° – Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo

Uma ruptura interdimensional bagunça a realidade e uma inesperada heroína precisa usar seus novos poderes para lutar contra os perigos do multiverso.

O filme é meio louco, foge totalmente do tipo de filme de que gosto. Mas parece que será o vencedor…

 

9° – Tár

Uma famosa maestrina lidera o caminho na indústria da música clássica dominada por homens.
O filme me deu sono e nada mais!

 

10° – Triângulo da Tristeza

Um navio de cruzeiro para mega ricos afunda e eles tem que conviver em uma ilha deserta.

Achei o filme sem graça, sem um roteiro muito definido.

 

A física e o amor

O Efeito de Ressonância Eletro-paramagnético (Efeito ERP), um mecanismo da física, foi matematicamente teorizado pelo físico John Stewart Bell em 1964 e, mais tarde, comprovado pelo físico John Clauser em uma experiência de laboratório na qual fótons subatômicos foram expostos à mesma polarização e depois disparados em direções opostas. Clauser, auxiliado por Stuart Freedman, descobriu que após dois fótons polarizados serem separados, eles ainda respondiam ao mesmo estímulo. Em outras palavras, quando um era estimulado, o outro, embora a uma certa
distância, também respondia. Uma vez exposto, os dois fótons relacionados não podiam mais ser considerados objetos separados, mas de alguma forma mantinham um vínculo misterioso. Alguns
físicos teorizaram que após compartilharem uma polarização comum, independente do quanto duas partículas possam estar distantes uma da outra, ou de quanto tempo passe, elas continuarão
a compartilhar a mesma polarização e algo em comum uma com a outra, mesmo talvez pela eternidade e pelo infinito.

Podemos comparar esse experimento com um casal que se separou por qualquer motivo. Se eles se gostavam, se amavam, a partir do momento da separação vão continuar ligados um ao outro de alguma forma, querendo eles ou não. Então o movimento que um deles faz, vai afetar e até mesmo gerar um movimento da outra parte do casal (no caso, ex-casal). Se após o final da relação existir mágoas, ressentimentos, sofrimento, mas um poquinho de amor ainda restar, mais o vinculo entre o casal, mesmo que distantes e sem se falarem, vai existir.

A física tenta explicar a vida e até mesmo o amor, o qual não se explica muito, apenas você sente, você vive ele. O amor é algo que muitos passam a vida toda querendo encontrar. E outros encontram e por algum motivo obcuro que foge de sua vontade, deixam ir embora. E tem também aqueles que por orgulho ou falta de diálogo, de perdão, de tentar um novo recomeço, de dar uma nova chance para o parceiro fazer tudo diferente, acabam deixando o amor ir embora e talvez nunca mais encontrarão um amor tão bom, tão pleno e verdadeiro quanto o último amor que viveram.

Escrevendo sobre esse assunto, me lembrei de um filme de 1994, estrelado por Meg Ryan. No filme ela é sobrinha do gênio da física, Albert Einstein, que tenta descobrir uma maneira de fazer sua sobrinha se apaixonar por um rapaz. Ou seja, Einstein tenta descobrir a “Fórmula do Amor”. Como estámos na semana do Oscar, fica a dica de um filme gostosinho de assitir.

A Teoria do Amor (1994).

A Baleia

Não costumo comentar muito aqui no blog sobre os filmes que vejo, pois vejo muitos filmes e séries. Só posto quando o filme me toca de alguma forma. E esse é o caso do filme A Baleia, que acabei de assistir no cinema. O ator principal é Brendan Fraser, que volta a ser destaque após anos de ostracismo causado por problemas pessoais e de saúde. Sempre gostei dos filmes dele e acompanho sua carreira desde o início, sendo que vi o primeiro filme com ele no distante ano de 1993.

Já fazia algum tempo que estava esperando o filme estrear em minha cidade e hoje, um sábado chuvoso, fui sozinho a noite ao cinema. E escolhi sentar bem na frente, numa poltrona bem no meio, onde não tinha ninguém sentado nas filas da frente, ou nas poltronas da minha fileira. Essa é a maneira como mais gosto de ver filmes no cinema, como se eu estivesse sozinho na sala de projeção. E entrei tão de cabeça no filme, que teve uma hora que eu não sabia se o barulho de chuva vinha do filme ou do lado de fora, onde também chovia. Foi interação total com a projeção.

Agora  falando um pouco sobre o filme, A Baleia fala sobre a última semana de vida de um homem que “desistiu de viver” descontando suas frustações e tristeza, na comida, se tornando morbidamente obeso. Parte do seu problema teve início ao perder o seu grande amor e ficou pior ao perder contato com sua filha. Acho que cada pessoa que assistir ao filme, pode entender a história de formas diferentes, pode tirar lições diferentes do que ver na tela. Eu entendi que o filme fala sobre a crença na bondade humana, que ele trata de triunfos e tragédias humanas, de perdas, de frustações, de fracasso e principalmente de esperança (dizem que ela é a última a morrer!). A narrativa do filme me fez ver que se um cara igual ao personagem principal, que está ferrado e nos seus últimos dias de vida, mesmo assim consegue ter esperança, então eu também consigo ter esperança de que dia melhores virão e que talvez eu ainda consiga conquistar o que tanto quero.

Saindo do cinema fiquei um longo tempo dentro do carro no estacionamento. Fiquei lembrando de algumas partes do filme e de algumas frases. De alguma forma A Baleia me ajudou, me deu coragem de seguir em frente. No filme o personagem principal se recusa a ir para o hospital se tratar, mesmo sabendo que está morrendo. Eu nos últimos meses vinha sofrendo de um grande problema de ansiedade. E mesmo tendo ciência de que isso estava me atrapalhando, de que eu estava fazendo e falando coisas que não deveria, que estava tomando atitudes sem pensar direito, que tratei mal e magoei algumas pessoas, não queria ir me tratar. Me achava forte o suficiente e que a qualquer momento ia ficar bom. O pior é que já cometi esse mesmo erro num passado não muito distante, quando tive depressão e achei que poderia sair sozinho do fundo do poço e me afundei cada vez mais até descobrir que o fundo do poço possui vários andares de subsolo. Se no filme o personagem principal tem pessoas que tentam ajudá-lo, mas não conseguem, aqui na vida real tive pessoas que conseguiram me ajudar. Ainda essa semana ouvi conselhos de um amigo e depois numa longa conversa com meu irmão, ele me convenceu a buscar ajuda médica e assim fiz. Agora estou bem, com os pés no chão e a cabeça no lugar novamente. Amanhã começo a fazer a lista de pessoas com as quais preciso me desculpar nas próximas semanas, sendo que um amigo em especial merece desculpas especiais, pois ele tentou me ajudar da forma errada e fui bem ríspido com ele. E uma outra pessoa merece desculpas em dobro, pois andei chateando ela demais nos dois últimos meses, de uma forma totalmente equivocada. O equivoco não foi no que eu queria dizer, mas sim na forma e no momento que tentei falar o que gostaria. O único problema é que não sei se tal pessoa vai aceitar minhas desculpas.

Eu que sempre fui de ver muitos filmes, pois desde criança sou apaixonado por cinema, muitas vezes vi a história do filme se confundir com minha vida, com o momento pelo qual estou passando quando assisto ao filme. E hoje não foi diferente, hoje o filme me mostrou que existe opções, que existe esperança, que onde existe amor existe cura interior e no meu caso uma vontade grande de seguir em frente, de me desculpar e recuperar algumas coisas que perdi. Ao menos vou tentar!

Charles, personagem principal do filme A Baleia.
Brendan Fraser nos filmes: George o Rei da Floresta (1997) e A Baleia (2022).

Novo nome do blog…

Após quase 15 anos no ar, o blog passa a ter um novo nome. Na verdade o novo nome é o velho nome reduzido. Saí do nome a palavra “fotos”.

A partir de hoje o blog deixa de se chamar HISTÓRIAS, VIAGENS, FOTOS E BOBAGENS… para se chamar HISTÓRIAS, VIAGENS E BOBAGENS…

A mudança do nome visa projetos futuros, os quais não vou citar no momento e que tendo um nome muito longo atrapalhava um pouco certas questões visuais desses projetos.

Rally de Verão RPC

Hoje foi ao ar o segundo episódio do Rally de Verão RPC. Esse foi o programa sobre o qual postei aguns dias atrás. Apareço no segundo programa, quando o Rally passou aqui por Campo Mourão.

Por questão de direitos autorais, não posso postar aqui o vídeo em que apareço.

Para assistir você deve clicar no link abaixo.

https://globoplay.globo.com/v/11338148/?s=0s

Apareço no minuto 03:45

Gravação com o pessoal da RPC

Hoje estive com o pessoal do programa Studio C, da RPC Globo. Eles estiveram em minha cidade gravando parte de um programa especial de verão, que vai ao ar daqui alguns dias. O produtor do programa tinha entrado em contato comigo alguns dias antes para obter informações. Ele me descobriu através aqui do blog. No fim eles acabaram indo gravar em Campo Mourão e fui convidado para ir no local onde estavam. Acabou sendo uma manhã agradável, onde pude conhecer todo o pessoal envolvido na gravação, que foram muito simpaticos. E pude ver de perto como é gravado um programa de TV junto a natureza. Por fim ajudei a carregar o equipamento e dei uma entrevista falando sobre a região de Campo Mourão.

Yves, Ana, Vander e Renan.

Shurastey

Hoje entrei numa loja da Livrarias Curitiba, em Maringá, e me deparei com o livro póstumo SHURASTEY, de Jesse Koz. Peguei o livro nas mãos, dei uma folheada e comecei a chorar. Não sei explicar bem o motivo das lágrimas. Talvez os dias difíceis pelos quais tenho passado, somados a história triste contada no livro, me fez derramar algumas lágrimas. Acabei comprando o livro, mas só vou ler daqui um tempo quando estiver melhor. Pois sei que de qualquer jeito vou molhar as páginas do livro com minhas lágrimas.

Jesse Koz viajava de fusca pelas Américas e faleceu em 23 de maio último, junto com seu cachorro, Shurastey, em um acidente de carro nos Estados Unidos. Eu acompanhava tal viagem e achava muito legal a viagem com o cachorro. Mas nessas surpresas desagraveis que acontecem ás vezes, tanto Jesse quanto Shurastey, morreram poucos dias antes de chegar no Alasca, que era o destino final da viagem que começou na Patagônia, extremo sul da América do Sul.

Poucos sabiam, eu inclusive, que Jesse tinha deixado um livro quase pronto. Quando passou por Porto Alegre escreveu o livro, que foi completando depois conforme sua viagem ia acontecendo. Vai ser difícil ler tal livro, pois você começa a leitura sabendo que tal livro não tem final feliz, que a história da viagem de Jesse e Shurastey acaba antes do final, com a morte dos dois. Mas vou tentar ler, mesmo que encha algumas xicaras de lágrimas durante a leitura.