Viagem ao Peru e Bolívia (7° Dia)

21/05/2012 

Trilha Salkantay – 2° dia

Fui acordado ás 5h00min. Fazia muito frio e não dava a mínima vontade de sair de dentro do saco de dormir. Mesmo sentindo um pouco de frio eu tinha conseguindo dormir por várias horas à noite, tendo acordado brevemente por duas vezes. Durante a noite senti muita falta de meu colchão de ar, o qual deixa a noite dormida numa barraca muito mais confortável. Mas ele é pesado e por isso não o levei na viagem. Reuni coragem e levantei para ir escovar os dentes. Ainda fazia muito frio e fui olhar meu termômetro, que marcava 3 graus naquele instante. Fiz a higiene básica, fiz meu xixizinho matinal e fiquei alguns minutos olhando as montanhas nevadas. Vi que mais ninguém tinha levantado e então voltei para a barraca me deitar e me esquentar um pouco. Logo fui chamado para o café e ao chegar à mesa fui recebido com um Good morning caralho e um Buenos dias cacete. Pelo visto o pessoal está aprendendo cada vez mais palavrões brasileiros e não era eu quem estava ensinando. Sentei-me a mesa, mas não comi e não bebi nada, pois meu estômago não estava nada bom. O guia se ofereceu para fazer um chá para mim e recusei, pois lembrei do chá que me deram no ano anterior para o estômago durante a Trilha Inca e que foi uma das coisas mais ruins que coloquei em minha boca em toda minha vida. Preferi tomar um Eno que eu tinha trazido do Brasil do que encarar novamente o tal chá peruano para estômago.

Pouco depois das 7h00min todos estavam prontos e iniciámos a caminhada do dia. Esse seria o dia mais difícil na trilha, em razão de atingirmos a maior altitude. Comecei a caminhar todo agasalhado, pois o frio estava demais. Logo de cara tinha uma subida e ao caminhar esquentou um pouco. Segui sozinho, pensando na vida, mas logo fui caminhando ao lado de um ou outro companheiro do grupo. O sol surgiu e a temperatura subiu um pouco, o que para mim foi o suficiente para tirar o casaco mais grosso que estava usando e guardá-lo na mochila. Após caminhar um tempo por uma trilha estreita, passámos a caminhar por uma trilha mais larga e entramos num vale que aos poucos ia afunilando e ficando mais alto. Vez ou outra eu parava e olhava para trás, pois a vista era muito bonita. Bem ao fundo em um vale, era visível o local onde tínhamos dormido. Aos poucos conforme fomos caminhando o local do pernoite desapareceu atrás de uma montanha.

Quase no meio da manhã chegamos à parte mais difícil do caminho, que era uma trilha que seguia em caracol montanha acima. Ali a altitude já ficava acima dos quatro mil metros e o ar faltava. Fazer qualquer esforço físico nessa altitude nos deixava com falta de ar e ofegantes. Eu não senti nenhum outro tipo de problema causado pela altitude. Creio que ter vindo pela Bolívia e ter passado pela alta altitude de La Paz, tenha ajudado bastante em minha aclimatação. No ano anterior eu tinha passado muito mal no meu primeiro dia em Cusco, onde a altitude é um pouco mais de três mil metros. Continuei subindo a trilha em caracol e fui fazendo pequenas paradas, onde ao mesmo tempo aproveitava para descansar, observar a vista e tirar fotos. Teve um momento em que senti tontura e minha vista escureceu por alguns segundos. Na hora parei e procurei me sentar numa pedra, pois estava caminhando ao lado de um precipício. Respirei fundo e me senti melhor. Creio que o problema não tenha sido a altitude, mas sim o esforço físico com o estômago vazio, pois eu não tinha jantado direito e não comi nada pela manhã, em razão de não estar bem do estômago. No dia a dia eu não como nada pela manhã, apenas bebo um copo d’agua. Mas ali eu estava numa situação muito diferente do meu dia a dia, pois ali estava em alta altitude e fazendo um grande esforço físico. E ainda por cima tenho labirintite, que fica “atacada” na altitude. Logo me senti melhor, voltei a caminhar e não tive mais nenhum mal estar. De qualquer forma procurei ficar distante da beira do abismo.

Conforme fomos subindo em direção às montanhas nevadas, a paisagem foi ficando mais bonita. Logo estávamos caminhando ao lado das montanhas nevadas. trilha. Passámos por um pequeno lago, que deixava a paisagem muito mais bonita. O sol começou a castigar e o dia que tinha começado muito frio passou a ficar quente. Mesmo com calor mantive um casaco no corpo, pois o vento que vinha das montanhas nevadas era bastante gelado. Passei a caminhar um pouco com o Max, o argentino do grupo. Paramos tirar fotos em um local muito bonito, com grama e pedras e daí passou por nós o pessoal do grupo que não tinha aguentado caminhar e que pagou $ 100,00 bolivianos para percorrer de cavalo aquele trecho difícil da trilha. Que eu me lembre foram três ou quatro pessoas que seguiram de cavalo. Ao mesmo tempo em que fiquei contente por esse pessoal ter tido uma opção para atravessar a parte difícil da trilha, fiquei triste pelos cavalos, que devem ter sofrido bastante para subir a trilha com gente em cima.

Pouco antes das 11h00min chegamos finalmente ao ponto mais alto da trilha, os 4.600 metros de altitude. Eu tinha batido meu novo recorde de altitude, mas que não ia durar muito, pois logo eu chegaria à altitudes maiores na Bolívia dali uns dias. Esse ponto máximo de altitude ficava bem em frente a montanha Salkantay. Ali fizemos uma parada mais demorada e eu procurei me isolar um pouco e me sentei ao lado de uma grande pedra. Ali fiquei um tempo descansando e meditando. Também contei meus problemas e dilemas para uma pedrinha que peguei no chão e depois coloquei ela em cima de um dos muitos montes de pedras que estavam próximos. Isso de contar os problemas a pedrinhas e fazer pequenos montes de pedras é uma antiga tradição de que percorre trilhas pelo Peru. Logo o guia me chamou e fez uma reunião com todos, explicando a história do local. A montanha Salkantay é considerada uma montanha virgem, pois nunca atingiram o seu cume. A última vez que tentaram escalar a montanha já faz alguns anos, e foi uma expedição japonesa que acabou desaparecendo na montanha, atingida por uma avalanche. E por falar em avalanche, teve um momento em que escutei um ruído que pareciam fogos de artificio sendo estourados. Daí o guia falou que aquilo era barulho de avalanche do outro lado da montanha. Um tempo depois escutei o mesmo barulho, mas dessa vez mais forte. Olhei para a montanha e dessa vez o barulho era do lado em que estávamos. Era uma pequena avalanche, que ia levantando uma nuvem branca por onde passava e fazendo o tal ruído de fogos estourados. Achei tal imagem da avalanche linda e assustadora ao mesmo tempo.

Tiramos uma foto do grupo todo em frente a uma placa que indica a altitude do local e nos preparamos para continuar a trilha, dessa vez descendo. Segundo o guia o tempo naquele local muda muito e de uma hora para outra tanto pode começar a chover, quanto a nevar. Andamos ainda muito tempo tendo a nossas costas a montanha nevada de Salkantay. Vez ou outra eu parava e dava uma olhada para trás observando a beleza do lugar. Fiquei pensando se um dia voltarei ali novamente? Acho que não!! Cerca de uma hora após termos partido do ponto de altitude mais elevada, o tempo fechou e esfriou um pouco. Mais um tempo e chegamos ao local onde seria servido o almoço. Eu me sentia muito cansado e mal do estômago, então quando cheguei no local do almoço a primeira coisa que fiz foi tirar minha mochila e me deitar na grama. Mas não devo ter ficado nem um minuto deitado e começou a chover, uma chuva fina e gelada. Corremos para debaixo de um abrigo, que era uma cabaninha sem paredes laterais. Outra parte do pessoal e os cozinheiros correram para a lateral de uma pequena casa. O almoço foi servido e eu fiquei só olhando o pessoal, pois não conseguia comer. Só de pensar em comer eu me sentia ainda mais enjoado.

Após o almoço tivemos meia hora de descanso e logo tivemos que voltar à trilha. A chuva aumentou e alguns membros do grupo resolveram esperar um pouco para ver se a chuva diminuía. Eu coloquei minha nada discreta capa de chuva amarela e fiquei um tempo junto com o pessoal que esperava a chuva passar. Depois de meia hora de espera e vendo que a chuva não ia passar, eu, Alex e Florencia resolvemos seguir debaixo de chuva. No início foi meio complicado caminhar, pois tinha muito barro no caminho. Fizemos uma rápida parada em um local onde existe uma enorme pedra e em frente uma placa dizendo que aquele local era uma gruta. Ao lado tinha uma pequena casa de pedra, abandonada e que pelos vestígios deixados dentro dela, ultimamente tinha a função de banheiro. Voltamos a trilha e mais uma meia hora de caminhada a chuva cessou. Logo passámos a caminhar por uma estrada, no meio de uma floresta. De um lado muitas árvores e do outro um precipício, onde vez ou outra era possível ver um rio correndo lá embaixo.

Eu, Alex e Florencia seguimos caminhando juntos, sendo que algumas vezes eu me afastava um pouco dos dois, pois parava para tirar fotos. Logo a estrada virou uma trilha, que passou a ficar bastante empoeirada. Nem parecia que até pouco tempo atrás tínhamos caminhado sob chuva. Realmente o clima no local muda muito rápido. Quase no final da tarde passámos por um local onde uma placa dizia que ao lado existiam algumas ruínas antigas. Olhei por cima de uma cerca e vi somente uma porção de pedras semi soterradas. Eu já tinha conhecido muitas ruínas interessantes no ano anterior na Trilha Inca, então não senti vontade de parar no local para ver melhor aquelas poucas ruínas. Seguimos em frente e quase no final da tarde chegamos ao local do acampamento da noite. Ao lado de onde nossas barracas estavam montadas existiam algumas casas. Ao chegar ficamos sabendo que o italiano estava caminhando a frente do grupo sozinho e que passou direto pelo local do acampamento. Daí era possível vê-lo na estrada retornando ao local onde estávamos. Quando ele chegou ao acampamento todos que ali estavam ficaram rindo e pegando no pé dele.

Encontrei minha barraca e o suíço já estava lá alojado. Ele já tinha tomado seu banho de gato e estava descansando. Fiquei sabendo que no local tinha banheiro e chuveiro, mas que o banho era frio. Ou melhor, era gelado! Fui conversar com a Florencia e falei com ela sobre minha dúvida em tomar banho ou não. Ela então me respondeu que ela não precisava tomar banho, pois ela era francesa e as francesas são perfumadas por natureza. Caí na risada!!! Sei que enquanto estava na dúvida sobre tomar banho ou não, vi que a Florencia tinha decidido tomar banho. Então fui na porta do banheiro dar um apoio moral e emprestei meu chinelo do Corinthians para ela (chinelo que minha irmã me deu de aniversário). Sei que foi divertido ficar ouvindo os gritos dela que vinham do banheiro. Se a francesinha tinha tomado banho, eu é que não ia fugir da raia. Logo que a Florencia saiu do banheiro me enchi de coragem e fui tomar banho. O problema foi que ela demorou para devolver meu chinelo e tive que tomar banho descalço num banheiro sujo e gelado. Creio que num frio daqueles não corri o risco de pegar nenhuma frieira. A água era muito gelada e começar a molhar o corpo era algo que exigia muita coragem. Também dei uns gritos e logo estava de corpo inteiro debaixo da água. E como certas coisas na vida, o difícil é entrar, pois depois que entrou vai que é uma maravilha. Sei que ao sair do banho nem sentia frio do lado de fora, parecia que o dia estava quente. Nesse dia somente eu é a Florencia fomos os únicos corajosos que encaramos o banho frio. Mais ninguém tomou banho e apenas alguns poucos foram até um tanque de roupa e se limparam um pouco. Mas eu iria me arrepender amargamente desse banho nos próximos dias, pois foi aí que começou uma dor de garganta que me causou sérios problemas.

Após o banho fui negociar com a dona de uma das casas uma tomada para eu carregar uma das baterias da câmera. A mulher me emprestava uma tomada por uma hora, desde que eu comprasse algum dos produtos que ela vendia. Acabei comprando uma garrafa de água por $ 8,00 bolivianos. Na cidade uma garrafa igual custava $ 3,00. Os preços ali são mais altos, pois os produtos chegam quase sempre até o lugar em lombo de mula. Ao colocar o carregador na tomada a mulher foi me ajudar e sem querer passei meu nariz próximo ao cangote da dona. Cara, que fedor!!! Devia fazer muito tempo que ela não tomava banho, seja quente ou frio. Depois dessa experiência nada agradável, fui para a barraca descansar e quando já estava quase dormindo, alguém foi me chamar para jantar (não lembro quem foi). Eu continuava mal do estômago e achei melhor não jantar mais uma vez. Comi uns biscoitos do meu estoque e já estava pensando em me ajeitar para dormir, quando alguém foi me avisar que era aniversário do Peter, o suíço que era meu parceiro de barraca. Ele tinha trazido um litro de licor e um pacote de biscoitos suíços para comemorar a data. Fui até o refeitório para não fazer desfeita ao meu novo amigo. O mais difícil foi subir uma escada molhada de madeira que levava até o refeitório. E fui no escuro, pois descobri que minha lanterna tinha ligado sozinha dentro da mochila e que ficou sem bateria. Todo o pessoal estava na comemoração do Peter, que após um breve discurso fez um brinde. Eu não bebi o licor e dei o meu para o argentino. Mas fiquei de olho gordo nos biscoitos suíços, que pareciam apetitosos. E sou louco por biscoitos! Quando uma forma com os biscoitos passou pela minha frente, com a boca cheia de água peguei aquele que parecia ser o mais apetitoso. E com a boca ainda mais cheia de água dei uma bela mordida no biscoito. Quase quebrei o dente da frente! Que biscoito duro e ruim!!! Sei que escondi o que sobrou do biscoito no bolso e saí de fininho. No caminho até a barraca encontrei um cachorro faminto e dei a ele o que sobrou do biscoito. Só espero que o infeliz não tenha quebrado nenhum dente.

Fui escovar meus dentinhos no tanque e ao voltar vi uma cena que me fez rir muito. Pela primeira vez pude presenciar uma súdita da Rainha da Inglaterra escovando os dentes. E confesso que nunca na vida vi uma escovação dentária tão engraçada. A inglesinha (a loira) escovava um pouco os dentes estando em pé e então se abaixava até quase o chão para cuspir. E ao cuspir ela fazia um ruído com a boca que não tenho como descrever aqui, mas que era muito engraçado. E ao mesmo tempo em que ela cuspira e fazia tal ruído, ela dava um pulinho e jogava a cabeça para trás, além de fazer cara de nojo. Era uma cena ao mesmo tempo incomum, patética e muito engraçada. Nunca tinha visto algo igual! Não me aguentei e comecei a rir, ela percebeu, fez cara de brava, foi terminar de escovar os dentes em outro lugar e nunca mais olhou nos meus olhos ou me dirigiu a palavra (em inglês britânico) novamente. Tudo bem! Sou daqueles que perde o amigo, mas não perde a piada ou a chance de rir. Entrei na barraca, me deitei, comecei a ouvir música no MP4 e então começou a chover. Choveu a noite toda. Quem já dormiu em barraca com chuva sabe como é chato o barulhinho da chuva na barraca a poucos centímetros de seu rosto. Gosto de dormir com barulho de chuva batendo na janela! Já dormir com barulho de chuva batendo na barraca é muito chato!!!

No início da caminhada, frio de 3 graus.
Com o suíço Peter.
O sol deixou a paisagem ainda mais bonita.
Momento de descanso.
Caminhando perto das montanhas nevadas.
Alex e Max.
Tropa de mulas.
Lago nas alturas.
Trilha acima de quatro mil metros de altitude.
O grupo reunido no ponto mais alto da trilha, a 4.600 metros.
Florencia, a francesinha do grupo.
Deixando a montanha Salkantay para trás.
Quase chegando no local do almoço.
Almoço com chuva.
Florencia e Vander caminhando na chuva.
Alex, Vander e Florencia.
Acampamento da segunda noite.

Viagem ao Peru e Bolívia (6° Dia)

20/05/2012 

Trilha Salkantay – 1° dia

Acordei ás 3h00min, quando o Tiago saiu para ir rumo à Machu Picchu. Nos despedimos rapidamente, eu nem saí da cama. Meia hora depois levantei com muita dificuldade, me arrumei, acordei o carinha da recepção, deixei duas mochilas guardadas no depósito do hostal e saí. Fazia frio e eram um pouco assustadoras as ruas escuras e desertas de Cuzco naquele horário, mas felizmente tais ruas eram seguras. Cheguei em frente a agencia na qual comprei o pacote para a Trilha Salkantay ás 4h15min. Não tinha ninguém ali e temi que me esquecessem em razão do cara com quem comprei o pacote estar bêbado no dia anterior quando passei ali falar com ele. Esperei vinte minutos e apareceu um cara perguntando meu nome. Respondi e ele pediu para segui-lo até uma van estacionada ali perto. Entrei na van e vi quatro pessoas dentro dela. Dei um “hi” e me sentei. Seguimos até uma praça ali perto e após meia hora de espera os demais integrantes do grupo foram chegando, bem como alguns peruanos que seriam guias, cozinheiros e ajudantes. O dia estava começando a clarear quando partimos rumo ao local do início da trilha. Fazia muito frio, encostei a cabeça no vidro e dormi. Um tempo depois acordei quando estávamos em uma serra, cheia de curvas e eu quase caindo do banco. Me ajeitei um pouco melhor e voltei a dormir.

Eram quase 8h00min quando chegamos num pequeno povoado. Desembarcamos da van e entramos nos fundos de uma casa. Ali estava preparada uma mesa com o café. Tomei apenas um chá quente e fiquei observando os demais integrantes do grupo. O grupo era formado por 16 pessoas. Logo notei um cara sentado isolado e fui falar com ele, pois tinha certeza de que era brasileiro. E era mesmo! Alex, gaúcho de Porto Alegre. Começamos a conversar e uma loira veio falar conosco. Isabel, brasileira de Curitiba, mas morando em São Paulo. Ela estava junto com seu namorado, um francês. Começamos a conversar os três e então uma francesa veio conversar conosco em português. Florencia já morou na Bahia e por isso domina bem o português. Atualmente está morando na Guiana Francesa. Ficamos conversando os quatro e logo o guia nos chamou para fora, pois seriam pesadas as mochilas que as mulas levariam nos dois primeiros dias de trilha. Minha mochila pequena pesava justamente os 5 kg permitidos para serem levados pelas mulas. Nessa mochila seguiam alguns biscoitos e outras guloseimas. Conforme fosse consumindo tais coisas eu ia passando coisas da outra mochila para essa pequena e dessa forma o peso que eu teria que carregar nos próximos dias ia sendo reduzido aos poucos.

Após tudo pesado e ajustado nas mulas, seguimos para a praça em frente. Ao lado da praça estava funcionando uma pequena feira, onde o produto principal negociado eram batatas de várias qualidades. Os feirantes e moradores locais não deram atenção para nós, talvez já acostumados com as várias expedições que partem dali quase diariamente rumo a Trilha Salkantay. Tivemos uma breve reunião de apresentação no meio da praça e tiramos uma foto com o grupo todo reunido, inclusive com os peruanos que dariam apoio a expedição. Nosso grupo era formado por 3 brasileiros, 2 franceses, 3 ingleses, 3 canadenses, 2 israelenses, 1 suíço, 1 argentino e 1 italiano. Era um grupo bem eclético, mas nos próximos dias se mostraria bastante unido.

Começamos a percorrer os primeiros metros da Trilha Salkantay. Passamos por dentro da cidade e logo começamos a caminhar por uma estrada empoeirada, sempre subindo. A Trilha Salkantay não é tão famosa quanto a Trilha Inca (que fiz em 2011), mas é mais longa, tendo 82 km contra os 42 km da Trilha Inca. As duas trilhas são bem diferentes, pois enquanto a Trilha Inca é quase toda em calçadas e escadarias de pedra, passando por ruínas e antigas construções incas, a Salkantay passa por estradas, florestas, trilhas próximo a montanhas nevadas. A Inca é mais isolada, enquanto a Salkantay passa por pequenos povoados no meio da floresta e também tem um longo percurso por estrada e ao lado do trilho do trem. A Inca é uma trilha clássica e tem o número de caminhantes controlados pelo Governo Peruano, pois passa dentro de um parque nacional. Na temporada é preciso reservar seu lugar na trilha com bastante antecedência. Então a Salkantay acaba sendo uma opção para aqueles que chegam ao Peru e não conseguem lugar para percorrer a Trilha Inca. As agencias de turismo costumam “vender” a Salkantay como substituta e igual à Trilha Inca, mas as são muito diferentes. Aconselho a quem puder, que faça as duas trilhas igual eu fiz, pois são experiências totalmente distintas e inesquecíveis.

No início da caminhada segui ao lado da Florencia, conversando. Depois da primeira parada de descanso passei a caminhar com a Izabel, que é astróloga e me contou algumas coisas muito interessantes sobre o tema. Ela tinha feito a Trilha Inca dezessete anos antes e dessa vez como não conseguiu lugar para percorrer a Trilha Inca, resolveu fazer a Salkantay. Creio que quase todos do grupo estavam fazendo a Salkantay por não terem conseguido lugar na Trilha Inca. Acho que eu era a única exceção, pois tinha ido fazer a Salkantay por já ter feito a Trilha Inca dezesseis meses antes.

Os primeiros quilômetros de trilha me fizeram lembrar das caminhadas que faço no Brasil, pois andamos por estradas próximas a pequenos sítios, regiões de agricultura. E vez ou outra passava por nós algum carro ou pequeno caminhão. A manhã toda percorremos lugares parecidos e vez ou outra atravessávamos algum local de mata, mas sempre subindo. A cada meia hora em média fazíamos uma pequena parada para descanso. Eu caminhei quase sempre no final do grupo, às vezes sozinho, outras vezes iniciando um papo com alguém. Pouco depois do meio dia paramos num local descampado onde ao lado tinha uma pequena venda onde eram vendidos água, chocolate, refrigerantes e mais uma porção de coisas. Dali era possível ver ao longe uma montanha nevada, a qual seria nossa companheira na paisagem pelo resto do dia. Sentei numa pedra e comi alguns biscoitos. Daí apareceram dois cachorros e duas ovelhas, querendo um pedacinho dos meus biscoitos. As ovelhas logo foram para outro lugar, mas os cachorros permaneceram ali e dividi com eles um pacote de biscoitos. Cachorros vi aos montes enquanto estive no Peru e quase todos eram magros, com cara de famintos. Se para os moradores da região a vida é dura, para os cachorros é mais ainda, pois eles não tem comida garantida todos os dias. Me lembrei dos cachorros de casa que tem três refeições ao dia e que se uma delas atrasa, eles reclamam latindo sem parar. Os cachorros que vi no Peru tem uma verdadeira vida de cão!

Continuamos nossa trilha e após uma hora paramos no local destinado ao almoço. Ao passar pelo cozinheiro vi o mesmo provando a sopa colocando a concha na boca e devolvendo o que sobrou direto na panela. Vi que nos próximos dias eu ia sofrer com a comida! No ano anterior eu tinha passado mal na Trilha Inca por culpa da comida. Além da higiene precária, o que me deixou mal do estômago foram os temperos que o pessoal utiliza no Peru e também a água com a qual fazem à comida, que é vinda direto da montanha. Dessa vez eu me precavi um pouco e levei bastante comida, principalmente biscoitos, frutas secas, leite condensado e chocolate. Se eu visse que a comida servida para o grupo fosse me fazer mal, eu recorreria a meu estoque próprio. O almoço foi servido e logicamente recusei a sopa. E achei melhor não contar para os demais membros do grupo o que tinha visto o cozinheiro fazer com relação à sopa, pois podia causar um mal estar geral. Depois da sopa veio o prato principal, que estava muito bom. Era arroz, com tiras de carne frita e alguns legumes. Até me surpreendi com o sabor da comida e pensei em perdoar o cozinheiro por seus hábitos não muito higiênicos no preparo da comida. Lembrei que era domingo e enquanto comia olhei para o Alex, o gaúcho que estava na minha frente e contei a ele que domingo era dia de churrasco em casa. Ele disse que na casa dele também era. Então comemos aquele rango peruano pensando no churrasco brasileiro. Depois da comida foi servido chá de coca, o qual recusei, pois no ano anterior o chá foi um dos causadores de problema ao meu frágil estômago. Vale lembrar que o chá de coca, bem como as folhas de coca, são consumidos na região há muitos séculos. Eles bebem o chá para combater o mal de altitude, o frio e também para ganhar mais força e disposição. O chá não faz mal, não é droga. A cocaína é feita tendo como base à mesma folha de coca consumida há séculos, mas o diferencial é que fazem uma mistura com produtos químicos, o que causa o vício. Então não confunda as coisas e ache que tomar chá de coca tem o mesmo efeito que cheirar cocaína. O único detalhe é que se você fizer um exame de sangue após consumir chá de coca, pode aparecer traços de cocaína no resultado. Ficou famoso o caso do ex-goleiro Zetti, que num jogo da seleção brasileira na Bolívia foi pego no exame antidoping por consumo de cocaína, quando na verdade tinha consumido chá de coca para amenizar os efeitos da altitude.

Após o almoço descansamos um pouco e quase que me machuco sem querer. Ao lado de uma cerca de arame tinha alguns troncos de madeira encostados no arame. Um dos israelenses encostou num destes troncos sem perceber que os mesmos não estavam fixos ao arame. O resultado foi que se criou um efeito dominó, derrubando uns quatro troncos e o último por apenas alguns centímetros não caiu sobre meu querido pé direito. O tronco era tão pesado que tentei erguer o mesmo e não consegui. Por muito pouco que minha trilha não acaba logo no primeiro dia! Fui escovar os dentes e o suiço veio perguntar se no Brasil é hábito escovar os dentes após todas as refeições. Respondi que sim e ele disse que na região onde ele mora o costume é escovar os dentes somente pela manhã e ántes de dormir.

Pouco antes das 15h00min seguimos com nossa caminhada, dessa vez seguindo por uma estrada poeirenta e sempre tendo a frente à montanha nevada que vimos pela primeira vez pouco antes do almoço. Em algumas partes do lado direito da estrada surgiu um enorme preciício. Começou a fazer bastante calor e caminhar e ficou um pouco desgastante caminhar. Caminhei alguns quilômetros com o suíço do grupo, que falava bem o espanhol por já ter morado um tempo no México. Ele é triatleta e trabalha numa empresa de informática na Suíça. Costuma passar em média quatro meses ao ano viajando pelo mundo a trabalho, tendo visitado dezenas de países. Conversar com ele foi muito interessante e enriquecedor.

Conforme o final da tarde foi chegando, começou a esfriar. E outro motivo do frio é que estávamos nos aproximando cada vez mais da montanha nevada e o vento que vinha dela era congelante. A estrada poeirenta se transformou numa estrada larga e cheia de pedras. Passamos por um riacho e alguns lugares muito bonitos. Quase no final da tarde chegamos ao local onde passaríamos a noite. Era uma grande barraca feita de lona azul, de chão batido e eternit como telhado. Dentro dessa grande barraca, algumas barracas para três pessoas estavam montadas e seria nelas que dormiríamos. Quando cheguei no acampamento vi que ao lado tinha outra montanha nevada, tão bonita quanto à montanha que “seguimos” a tarde toda.

Na separação das barracas, acabei dividindo uma com o suíço. Era bem mais cômodo ficar em dois do que em três numa barraca. Arrumei minhas coisas na barraca, coloquei no chão um isolante que tinha sido disponibilizado aos caminhantes e sobre ele estiquei meu saco de dormir. Me espantou o quão frio era o chão e vi que o isolante não era grosso o suficiente para isolar tamanho frio. Ou seja, eu passaria um pouco de frio a noite. Antes de escurecer resolvi ir tomar um banho de gato, pois banho é uma de minhas prioridades, seja onde for. Peguei uma pequena toalha e fui até um local onde duas torneiras despejavam uma água muito gelada. Lá encontrei meu companheiro de barraca, o suíço. Ele também estava se lavando na água fria e me senti aliviado por isso, pois no ano anterior na Trilha Inca dividi a barraca com um argentino porquinho que fedia a noite na barraca. Após me lavar como dava e passar a toalha molhada no corpo, fui até a barraca e passei pelo corpo alguns lenços umedecidos e perfumados que levará. Apesar de sentir muito frio após tal processo de limpeza, a sensação de banho tomado era muito boa.

Pouco depois das seis todos se reuniram na mesa montada ao lado das barracas para tomar café. Tinha pipoca e meu café foi somente pipoca. O guia, Daniel, veio conversar comigo e vi que ele sabia um bom repertório de palavrões brasileiros. Conversei um pouco com a Florencia e fui até a barraca dela passar pomada e fazer massagem no pescoço dela, pois ela sentia muitas dores provavelmente em razão do peso da mochila que tinha carregado o dia todo. Em trilhas e outras situações parecidas é comum um ajudar o outro no que for preciso e possível. Logo fomos jantar e não consegui comer. O cheiro da comida me deixou enjoado e comecei a me sentir mal do estômago, possivelmente por culpa do almoço. Eram 7h30min quando a maioria do pessoal foi se ajeitar nas barracas para dormir. Fazia muito frio e ainda tive coragem de ficar um tempo do lado de fora vendo o céu e as estrelas. Estava uma noite muito bonita, com o céu repleto de estrelas. E ao lado as montanhas nevadas deixavam a noite ainda mais bonita. Foi mais um daqueles momentos inesquecíveis, onde fotos ou gravações não conseguem captar a beleza do momento. Tal beleza é possível de se guardar na memória apenas. Comecei a sentir muito frio e fui para minha barraca. Me enchi de blusas e entrei no saco de dormir. Enquanto me aquecia olhei no relógio e vi que eram 9h30min no Brasil. Lembrei que estava passando o Fantástico e que em casa naquela hora o pessoal deveria estar terminando de jantar o que sobrou do tradicional churrasco do almoço de domingo. Também lembrei que era aniversário de minha amiga Andrea C. e fiz uma breve oração por ela. Mesmo sabendo que ela não é lá muito cristã, sei que Deus estaria abençoando a vida dela naquele momento, em mais um aniversário que ela completava. E assim adormeci…

Feira na pracinha.
Grupo reunido antes do início da trilha.
Caminhando pelo pequeno povoado.
Com Izabel, a curitibana do grupo.
Vista bonita.
Dando biscoito para os dogs.
Com Florencia, a francesinha que fala português.
O primeiro almoço na trilha.
A estrada percorrida a tarde.
Ao fundo a montanha nevada.
Tropa de mulas com parte de nossas coisas.
Paisagem bonita.
Pequena ponte no caminho.
Jantar no acampamento.

Viagem ao Peru e Bolívia (5° Dia)

19/05/2012

Levantei cedo, banho, arrumei algumas coisas numa pequena mochila para levar no city tour que faria pelo Vale Sagrado. Pouco antes das 8h00min eu e Tiago saímos do hostal e fomos até o centro. Ao passar pela frente da catedral vi que estava tendo missa e me chamou atenção algumas pessoas pedindo esmola na porta. O contraste era grande, na porta os pedintes e dentro altares de ouro. Demos uma pequena volta pela Plaza de Armas e fomos até o local marcado para pegar a van que faria o city tour. Não demorou muito e a van chegou. Embarcamos e logo o guia pediu para o Tiago descer e entrar num micro ônibus. Isso fez com que ficássemos separados durante todo o city tour. Fui no último banco da van, ao lado de uma peruana e sua filha. A mulher ficou olhando “torto” para mim. O restante do grupo era todo de peruanos, sendo um casal em lua de mel, uma mulher com dois filhos pequenos e sua mãe idosa e mais um grupo de amigos. Pelo que entendi eram todos de outras cidades do Peru e estavam conhecendo Cuzco. O guia pediu que todos falassem seus nomes e de onde eram e quando disse que era brasileiro, a peruana que me olhava torto ficou toda derretida, me disse que sonhava em conhecer o Brasil, que achava os brasileiros maravilhosos.

Saímos da cidade e seguimos por uma estrada muito bonita, passando por montanhas e alguns vales. Logo fizemos uma rápida parada, num local cheio de barraquinhas com vários produtos de artesanato. O pessoal foi fazer compras e eu fiquei num canto esperando, pois além de não gostar desses locais de compras para turistas, eu estava com minhas mochilas cheias e não podia comprar nada, pois não tinha onde colocar. E cada coisa a mais que eu comprasse era um peso a mais para carregar nas costas, então não pretendia comprar nada ali ou em outro lugar.

Após meia hora o guia chamou todos de volta a van e a senhora que estava ao meu lado e sua filha se atrasaram. Quando apareceram estavam cheias de compras. Pelo que entendi elas estavam mais interessadas em fazer compras em Cuzco do que conhecer a cidade e as atrações da região. Elas eram de Lima, a capital e acho que alguns dos produtos que estavam levando era para vender lá em Lima. Seguimos com o passeio e fizemos uma rápida parada num mirante, de onde se tinha uma bela vista do Vale Sagrado. O vale tinha esse nome mais por se tratar de um local bonito e dedicado à agricultura, do que por razões religiosas ou sagradas. Após algumas fotos embarcamos novamente na van e seguimos com nosso tour. A senhora de idade que fazia parte do grupo começou a passar mal e sua filha ficou cuidando dela. E durante todo o tour a tal senhora passou mais tempo gemendo dentro da van do que aproveitando algum passeio.

Chegamos à entrada do parque nacional de Pisaq, que são ruínas espalhadas por uma montanha. O guia perguntou quem tinha o tíquete que dava direito a entrar em Pisaq e em outras atrações. Quase ninguém tinha e ele se disponibilizou a comprar os tíquetes. O preço era $ 80,00 soles. Disse a ele que eu mesmo preferia comprar o meu tíquete. Descemos todos da van e fui comprar o tíquete de um dia por $ 70,00 soles. Sempre fico esperto com guias turísticos, seja onde for, pois eles sempre dão um jeito de ganhar alguns trocados ás custas de turistas, seja ganhando comissão nas lojas e restaurantes onde leva os turistas, ou então intermediando algum serviço. O trabalho que o guia teve para comprar os tíquetes foi recolher o dinheiro na van, descer, andar cinco metros e ir na bilheteria que nem fila tinha. Pelos meus cálculos ele levou uns $ 60,00 soles da galera, somente nessa compra de tíquetes. O detalhe é que no tíquete vinha impresso o valor de $ 70,00 soles e não vi ninguém reclamar com o guia por estar pagando mais caro. Fiquei na minha, pois o problema não era meu, eu me preocupava com o meu dinheiro e se os demais não estavam nem aí por pagar mais caro pelas coisas o problema era deles.

Entramos em Pisaq e fomos seguindo por uma trilha, passando por algumas ruínas e fizemos uma parada onde o guia contou a história do local. Depois seguimos para um outro local, onde no alto de uma pequena montanha era visível algumas ruínas. A vista do local em geral era muito bonita. Pedi para o guia autorização para fazer o passeio sozinho por ali, pois ficar andando em grupo atrás do guia não faz o meu gosto, prefiro seguir sozinho, indo onde sentir vontade. O guia disse que tudo bem, apenas me alertou para o horário que eu deveria estar na saída do parque para não perder a van. Acho que ele ficou aliviado em me ter longe do grupo, talvez com medo de eu contar ao pessoal que ele tinha cobrado mais caro pelos tíquetes. Acabei encontrando a Marcelle e a Neusa, que são do grupo de Londrina. Conversamos um pouco e tiramos fotos juntos. Logo apareceu a Heverly com o restante do grupo de Londrina. Era a segunda vez que nos encontrávamos sem querer. O grupo de Londrina seguiu para outro local e eu fiquei andando sozinho por Pisaq. Acabei encontrando o Tiago, que chegava com seu grupo. Como estavam em um micro ônibus, o grupo dele sempre estava atrasado com relação ao meu, pois na van éramos mais velozes na estrada. O Tiago seguiu com o seu grupo e eu fui para a saída do parque, onde encontrei o meu grupo e embarcamos todos na van.

Seguimos com o tour e paramos num pequeno povoado, cujo nome não lembro. O local era cheio de lojinhas de artesanato. Mais uma vez encontrei a Heverly, sem querer, no meio de uma ruela. Fui com ela até o ônibus do pessoal de Londrina e ela me deu de presente uma foto, que tinha sido tirada em Cuzco no dia que nos encontramos pela primeira vez. O fotógrafo era da cidade e tirou a foto sem nós vermos. Ela acabou ficando com o presente e ia me mandar pelo correio quando chegasse ao Brasil, pois se eu ficasse com a foto ia acabar amassando em razão de carregá-la na mochila por muito tempo. O pessoal de Londrina seguiu seu tour e eu voltei para encontrar meu grupo. Acabei me perdendo nas ruas estreitas do povoado e só encontrei o caminho correto ao observar as montanhas em volta e conseguir me localizar. No caminho um morador local me chamou de brasileiro e na hora não entendi como ele tinha descoberto isso. Somente mais tarde é que me dei conta de que a camiseta que estava usando tinha uma pequena bandeira do Brasil pregada na barra direita.

Eram quase 14h00min quando paramos num restaurante no pequeno povoado de Urubamba. Eu não pretendia comer a comida local, da qual vinha fugido e muito menos naquele restaurante para turistas, onde certamente a comida seria pouca, ruim e cara. E o guia ia levar uma bela comissão. Avisei o guia que não ia comer ali e que voltava em uma hora, que seria o tempo que o pessoal ficaria ali. Ele disse que tudo bem e parecia preferir que eu ficasse cada vez mais longe do grupo. Caminhei um pouco, encontrei a avenida principal e fui caminhar por ela. O povoado era pequeno e muito organizado. Fui subindo pela avenida e observando as pessoas, as casas, as lojas, as montanhas em volta. Me chamou atenção os táxis, que na verdade eram motos com um largo banco atrás e uma capota. Outra coisa que me chamou atenção foi ao passar em frente a uma casa funerária e ver alguns caixões. Eles tem vidro em cima e nas laterais, ou seja, você pode ver o defunto pelos lados. Nunca tinha visto algo igual! Fui até o final da avenida e resolvi retornar. Ao passar em frente a um confeitaria o meu fraco por doces falou mais alto e entrei. Escolhi uma torta de chocolate recheada com doce de leite, que junto com um sorvete foi o meu almoço do dia. A torta estava deliciosa e só não comi outra por que não tinha espaço no estômago, seria gulodice comer outra. Vi que já tinha se passado quase uma hora desde que saíra do restaurante e resolvi voltar para junto do meu grupo.

Chegando no restaurante o pessoal já estava embarcando na van e ouvi alguns reclamando que a comida tinha sido pouca e o preço caro demais. Mais uma vez eu tinha acertado em não ficar junto ao grupo. Já viajei muito, tanto sozinho como em viagens guiadas e aprendi que ir nos lugares que o guia indica é furada, pois sempre são locais caros e nem sempre de boa qualidade. E que o guia sempre está ganhando alguma grana por levar os turistas nesses locais. Tudo bem, esse é o ganha pão dele, mas deixo que ele ganhe a vida em cima dos outros turistas menos avisados e não em minhas costas.

Seguimos para a próxima parada do tour, que seria o povoado de Ollantaytambo. Eu já conhecia esse povoado, pois foi ali a última parada antes de iniciar a Trilha Inca no ano anterior. Apenas não tinha conhecido as ruínas que ficam em montanhas em volta do povoado. Acho o lugar muito legal e foi bom retornar ali. Desembarcamos na entrada das ruínas e encontrei novamente o pessoal de Londrina, que tinha acabado de chegar ali. Pedi autorização ao guia para fazer o passeio pelas ruínas junto com meus amigos brasileiros e ele autorizou na hora.

Fiz todo o passeio com o grupo de Londrina, ouvindo as explicações da guia deles, que era muito melhor que o guia do meu grupo. Passei a maior parte do tempo junto com a Heverly e a Marcelle. A Marcelle sofria um pouco com as descidas de escadarias, um pouco por medo, outro pouco por se sentir mal. Ficamos cerca de uma hora fazendo o tour pelas ruínas de Ollantaytambo e o mais legal era a vista lá do alto, tanto a vista das montanhas em volta, quanto à vista do povoado lá embaixo. Ao me despedir dos amigos de Londrina, mais uma vez combinei com a Heverly de nos encontrarmos na Plaza de Armas a noite para irmos comer uma pizza juntos. O pessoal de Londrina foi embora e eu reencontrei o meu grupo. Embarcamos na van e mais uma vez ficou faltando à senhora de Lima e sua filha. Uns quinze minutos depois elas apareceram cheias de sacolas. Nem tinham feito o passeio pelas ruínas, apenas tinham ficado fazendo compras nas várias barracas de artesanato do local. Definitivamente o motivo da viagem delas não era cultural, mas sim comercial. E a senhora de idade estava cada vez passando mais mal e a filha dela pediu para a senhora de Lima e sua filha trocarem de lugar com ela, pois queria que a senhorinha seguisse deitada. O resultado de tal troca foi que fiquei espremido num canto com a senhorinha doente deitada ao meu lado e gemendo cada vez mais alto.

Seguimos para o próximo destino, que era um pequeno povoado chamado Chinchero. A estrada até lá era muito bonita e era possível ver algumas montanhas nevadas. O motorista da van mais uma vez mostrou ter o pé pesado e que gostava de ultrapassar em curvas. Chegamos à Chinchero no final da tarde e tive enorme dificuldade para descer da  van em razão da senhorinha doente estar deitada nos bancos ao meu lado. Mais uma vez preferi andar sozinho pelo povoado do que ficar seguindo o grupo e o guia. O que mais gostei foi da igreja do local, que é muito antiga e dentro tem uma infinidade de imagens, quadros e outros tipos de enfeites. Nunca vi nada igual e infelizmente não era permitido tirar fotos dentro da igreja. Dei mais uma volta por algumas ruínas próximas à igreja e entrei num pequeno museu. A noite chegou de vez e com ela o frio aumentou. Logo voltei para perto da van e fiquei esperando o pessoal das compras retornar. Ao lado uma mulher vendia milho cozido. Era um milho local, gigante. Fiquei na dúvida sobre comprar ou não uma espiga. O cheiro estava muito bom! Depois de observar por alguns minutos os cuidados higiênicos da vendedora de milho, desisti, pois comer um milho daqueles seria diarréia na certa. O pessoal retornou e fomos embarcar na van. A velhinha doente, sua filha e netos tinham desaparecido! O guia disse que embarcaram em outra van, pois não iam voltar a Cuzco, mas sim seguiriam de trem para Águas Calientes. Sinceramente não sei se a senhorinha chegou viva ao fim da viagem.

Chegamos à Cuzco às 19h15min. Desembarquei perto da Plaza de Armas, dei um tchau geral a todos e fui na agencia onde tinha comprado o pacote para a Trilha Salkantay, para acertar os detalhes do dia seguinte. Chegando lá encontrei o cara que me vendeu o pacote, ele estava completamente bêbado e não disse coisa com coisa. Era para eu estar em frente a agencia às 4h00min da manhã. Saí da agencia com receio de que o cara não se lembrasse do horário e do local que tinha marcado para eu encontrar o grupo da Trilha Salkantay.

Dei uma volta pelo centro da cidade e comprei algumas coisas para levar na trilha. Entre as compras uma lanterna de cabeça, alguns biscoitos, chocolate e pequenas latas de 100 ml de Leite Moça. Acabei comprando também uma mochila. Eu tinha levado uma mochila grande, de 70 litros e duas pequenas. Mas na trilha o ideal seria levar um mochila média, a qual eu teria que carregar e uma pequena com até 5 kg, que seria transportada por mulas nos dois primeiros dias. Voltei para o hostal, tomei banho e me arrumei para sair. Passei na recepção e deixei pago e reservado uma vaga num quarto coletivo para quando voltasse da trilha, dali quatro dias. Aquela seria minha última noite dividindo quarto com o Tiago, pois a partir do dia seguinte cada um seguiria para um destino diferente. Quando estava saindo o Tiago estava chegando do city tour. Ele comentou que tinha passado na agencia para acertar detalhes sobre sua ida para Machu Picchu no dia seguinte e que o guia estava bêbado. Ri do comentário dele e disse que também tinha falado com o guia bêbado.

Fui para o centro e fiquei uma hora no frio da Plaza de Armas tentando encontrar a Heverly. Pelo jeito é mais fácil nos encontrarmos por acaso, pois das vezes que marcamos algo não dá certo, nos desencontramos. E não foi somente no Peru que nossos encontros não dão certo, pois lembrei que meses antes ela tinha me dado um cano em Londrina. KKkkk… Desisti de encontrar a Heverly e da pizza e fui comer um lanche no Bembo’s. Em seguida voltei ao hostal, onde arrumei as coisas que ia levar para a Trilha Salkantay em duas mochilas, a média nova e numa pequena. E na mochila grande e na outra pequena, coloquei tudo o que não ia levar na trilha. Essas mochilas ficariam guardadas até minha volta em um depósito no hostal. Antes de dormir descobri que o terceiro quarto que tínhamos ocupado em dois dias no hostal, também estava sem água. O tal Hostal Samanapata era uma bela droga! Logo fui para a cama quentinha e aproveitei para dormir no conforto que não teria nos próximos dias na trilha, dormindo em barraca.

Contraste: pedintes na porta e altares de ouro.
Centro de Cuzco.
No Vale Sagrado.
Vale Sagrado.
Ruínas de Pisaq.
Pisaq.
Em Pisaq, com Tiago.
Em Pisaq, com as londrinenses Marcelle e Neusa.
Num povoado que esqueci o nome.
No centro de Urubamba.
Confeitaria onde almocei em Urubamba.
Peruanitas em Ollantaytambo.
Ruínas de Ollantaytambo.
Fazendo o tour por Ollantaytambo com o pessoal do Londrinapé.
Povoado de Ollantaytambo.
Ruínas de Ollantaytambo.
Artesanato a venda em Ollantaytambo.
Igreja de Chinchero.
Nas ruínas em Chinchero.

Viagem ao Peru e Bolívia (4° Dia)

18/05/2012

Chegamos à Cuzco pouco depois das 5h00min. Fazia frio e o desembarque na rodoviária foi tranqüilo. Logo que desembarcamos, eu e Tiago fomos abordados por um cara que dizia ser dono de um hostal. Resolvemos ir para o hostal dele, pois pelo folder que ele nos mostrou parecia ser bom e o preço não era ruim. Embarcamos num táxi e fomos até o centro de Cuzco, na parte alta, onde ficava o hostal. Logo fomos para um quarto com duas camas. Ao entrar no quarto constatamos que ele não era bem como mostravam as fotos do folder, mas já que estávamos ali era melhor ficar. Estavámos cansados, fazia frio e logo fomos para as camas dormir.

Acordamos às 8h30min e descobrimos que nosso quarto não tinha água. Após uma rápida conversa na portaria, mudamos para outro quarto. Tomei um delicioso banho quente e fui dar uma olhada na parte dos fundos do hostal, de onde se tinha uma bela vista de parte da cidade.

Eu e Tiago saímos e fomos dar uma volta pelo centro da cidade e também pela região da Plaza de Armas. Tiramos fotos e fomos para uma região mais afastada, próximo ao Mercado Municipal. Nessa região funcionavam os açougues da cidade e o que vimos era um pouco assustador. As carnes e frangos ficavam em exposição nas portas ou em mesas na frente dos estabelecimentos, tudo sem refrigeração. Andamos mais um pouco pela região e também vimos gente vendendo carne no chão, em cima de um saco. Ao passar em frente a um estabelecimento vimos uma mulher tirando de dentro de um porco morto, um punhado de fezes com a mão e jogando na rua. Eu que já não pretendia comer em qualquer lugar enquanto estivesse no Peru, depois do que vi é que não ia comer carne onde quer que fosse. Tiramos algumas fotos, andamos mais um pouco pelo centro e então fomos pesquisar preços em algumas agencias de turismo. O Tiago queria saber preços para Machu Picchu e eu para a Trilha Salkantay. Entramos em algumas agencias e vimos que os preços não mudavam muito de uma para outra. Então fomos num escritório de informações turísticas que funciona bem no centro da cidade. Ali fomos informados que não podiam indicar agencias, mas que podíamos ir até lá com os nomes das agencias que tínhamos escolhido para ver se eram agencias autorizadas, ou se constavam da lista negra com alguma reclamação registrada.

Fomos a mais algumas agencias, pesquisamos preços, anotamos os nomes e retornamos ao centro de informações turísticas, para ver se elas tinham alguma reclamação registrada. Descobri que a agencia com a qual queria fechar a Trilha Salkantay tinha um reclamação registrada em setembro de 2011. O Tiago comprou no centro de informações um ingresso que dá direito a alguns passeios e entrada em museus. Pagou $ 110,00 soles por tal ingresso. Em seguida fechou com uma agencia um city tour pela cidade. Eu preferi não fazer tal city tour, pois já conhecia do ano passado parte dos locais por onde o city tour passaria.

O Tiago seguiu para o city tour e eu fui almoçar no Bembo’s que fica em frente a Plaza de Armas. O Bembo’s é uma rede peruana de fast food. Os preços são um pouco menores que o Mc Donald’s, que fica do outro lado da Plaza de Armas, mas minha escolha se deu em razão das opções de comida serem diferentes. Escolhi um prato com ovo frito e batatas fritas que estava muito bom. Após almoçar voltei ao hostal e separei algumas roupas sujas. Daí fui numa lavanderia próxima e deixei a roupa para lavar. Me cobraram $ 3,00 soles para lavar e passar 1 kg de roupa, que estaria pronta no final da tarde. Voltei ao hostal e descansei um pouco.

No meio da tarde resolvi sair, mas antes fiz uma “limpeza” em minha carteira, pois estava com dinheiro de quatro países diferentes. Guardei as notas de real, de bolivianos e algumas de dólar. Fui para o centro da cidade e ao passar ao lado da catedral vi minha amiga Heverly sentada na escadaria da igreja. Ela é de Londrina e estava em Cuzco junto com um grupo do Londrinapé Caminhadas. Foi uma grata coincidência encontrá-la ali. Eu sabia que o grupo estaria no Peru por aqueles dias, pois iam fazer a Trilha Inca. Após conversar um pouco com a Heverly e contar as novidades, fui andar um pouco com o grupo de Londrina, pois eles estavam com um guia fazendo um city tour pela cidade. Após meia hora eles embarcaram em um ônibus para continuar com o city tour e eu fui andar mais um pouco pela cidade. Combinei com a Heverly de nos encontrarmos a noite na Plaza de Armas para irmos comer uma pizza.

Caminhei um pouco pelo centro da cidade, usei internet, comi um empanada, olhei algumas lojas de artesanato e finalmente resolvi fechar a Trilha Salkantay com um agencia em frente a Plaza de Armas. O cara da agencia falava bem o português em razão de sempre atender clientes brasileiros. Fechei o pacote de quatro dias para a trilha por U$ 200,00 com tudo incluso; transporte, alimentação, guia, passagem de trem na volta, entrada para Machu Picchu. Aproveitei e também fechei por U$ 24,00 um tour pelo Vale Sagrado para o dia seguinte. Voltei para o hostal no final da tarde e no caminho passei pegar minha roupa na lavanderia. Estava tudo limpinho e passado, até meias e cuecas.

O Tiago chegou do city tour no começo da noite e contei a ele que tinha acabado de descobrir que o novo quarto também não tinha água. Ele desceu para reclamar na recepção e logo nos mandaram ir para outro quarto, no andar de baixo. Nos ajeitamos no novo quarto, tomamos banho e saímos. Fomos para o centro e após caminhar um pouco pela região da Plaza de Armas, o Tiago foi lanchar numa suqueria e eu no Bembo’s. Nos encontramos novamente e fomos dar mais um volta. Entramos num museu onde estava tendo um evento folclórico, com alguns músicos. Não nos demoramos ali e fomos andar mais um pouco. Logo nos separamos e enquanto o Tiago voltou para o hostal eu fui tentar encontrar a Heverly. Nos desencontramos e esperei por ela durante uma hora, até que resolvi voltar ao hostal, pois estava ficando muito frio. No hostal fiquei um pouco usando a internet e logo fui dormir, pois no dia seguinte teria que levantar bem cedo.

PS: Para saber mais sobre a cidade de Cuzco, acesso o link abaixo, que é do próprio Blog e foi postado em janeiro de 2011 quando de minha visita anterior à cidade.  http://vanderdissenha.wordpress.com/2011/01/28/cuzco/

Vista de Cuzco a partir dos fundos do hostal onde fiquei.
Frangos a venda.
Minha carteira com dinheiro de quatro diferentes países.
Uma das muitas igrejas de Cuzco.
Com Heverly, que encontrei sem querer em Cuzco.
Centro de Cuzco.
Cuzco.
Plaza de Armas.
Carmen Alto, a estreita rua do hostal.
Passeando na Plaza de Armas.

Viagem ao Peru e Bolívia (3° Dia)

17/05/2012

Acordei às 5h42min quando o ônibus fez uma parada na estrada, para o pessoal fazer um xixizinho. Desci do ônibus também e o local da parada era ao lado de um precipício. Homens de um lado, mulheres do outro, tudo muito organizado, um não olhava para o outro. Também que graça tem ver alguém fazendo xixi? Fazia muito frio, quando voltei para minha poltrona olhei no meu termômetro e fazia 7 graus. Me ajeitei dentro do saco de dormir e logo fiquei aquecido novamente. Fiquei um tempo vendo o sol nascer por trás de umas montanhas, uma imagem muito bonita. Logo peguei no sono.

Às 8h20min nova parada, dessa vez numa pequena cidadezinha a beira da estrada. Ao lado tinham alguns banheiros, onde se pagava $ 1,00 boliviano para usar. A descarga nos banheiros era despejar um balde com água após fazer o “serviço”. Tal método acabei vendo muitas outras vezes na Bolívia. Alguns passageiros ou por falta de dinheiro, ou por não se importarem em utilizar algum banheiro, foram fazer suas necessidades num terreno baldio ao lado. Algumas cholas (indígenas bolivianas que usam roupas típicas) tinham um método interessante, pois como usam grandes saias, elas se abaixavam em qualquer lugar para fazer suas necessidades e seguravam a saia de uma forma que ninguém visse o que estavam fazendo agachadas. Dei uma olhada no local onde o pessoal tomava café, mas não deu coragem de entrar, era muito sujo. Se bem que não costumo tomar café da manhã, então aproveitei o tempo de parada para me aquecer ao sol.

Quando comprei a passagem o vendedor disse que chegaríamos a La Paz às 8h00min em ponto. Falei com o motorista e ele me disse que o horário de chegada seria ao meio dia. Bem que eu tinha desconfiado que o vendedor estivesse mentindo em alguma coisa. Nas horas seguintes o ônibus se transformou numa espécie de pinga-pinga, parando em muitos lugares e gente embarcando. Quem embarcava ia sentando nas escadas, no chão dos corredores. Fui observando a paisagem pela janela do ônibus. Tudo era meio deserto, com muitas pedras e poeira. Algumas pequenas casas, bem simples feitas de barro era o que diferenciava um pouco a paisagem. Conforme fomos nos aproximando de La Paz, foram surgindo casas simples, lojas, algumas fábricas. A periferia de La Paz era suja, feia.

La Paz era a sexta capital de país que fico conhecendo. O detalhe é que não conheço Brasília, a capital do meu país. E não faço questão de conhecer, acho Brasília uma cidade feia e não curto arquitetura moderna. Se for a Brasília um dia será meramente por questões profissionais ou outras, mas a turismo para conhecer a capita brasileira, jamais. La Paz é a capital em altitude mais alta no mundo. Na verdade a cidade foi construída num canyon, um verdadeiro buraco. A parte alta da cidade, El Alto fica pouco acima dos 4.000 mil metros e a parte baixa fica a 3.700 metros. Chegamos pela parte alta e logo começamos a descer e descer. É impressionante essa diferença de altura dentro da mesma cidade. Em volta da cidade, numa distância não muito grande é possível ver o Illimani, uma montanha nevada com mais de 6.000 metros. La Paz foi fundada em 1548 e sua população atual é de pouco mais de um milhão de habitantes, sendo quase metade de origem indígena.

Desembarcamos em frente à rodoviária, o que confirmou minha suspeita de que a empresa pela qual viajei era pirata e não tinha autorização para entrar na rodoviária fazer o desembarque dos passageiros. Peguei minhas coisas e logo entrei na rodoviária. Estava começando a sentir os sintomas do soroche, o mal de altitude. Quanto maior a altitude, menos oxigênio temos para respirar e em conseqüência sentimos dor de cabeça, tontura, enjôo, ficamos ofegantes por qualquer esforço que fazemos, por menor que seja.  Eu já conhecia esse mal da viagem no ano anterior ao Peru. Comecei a sentir muita dor de cabeça e resolvi tomar uma das soroche pills que tinha levado e também algumas aspirinas. Isso aliviou um pouco a dor.

Dei uma volta pela rodoviária pesquisando preço de passagens até Cusco. Achei um local para trocar dólares por bolivianos. O câmbio ali também estava bom, U$ 1,00 valia $ 6,95 bolivianos. Acabei encontrando meus amigos japoneses. Eles precisavam ir até um determinado endereço no centro da cidade para alterar algumas passagens aéreas. Negociei com um taxista para levá-los até o tal endereço por $ 10,00 bolivianos. Nos despedimos, tiramos uma foto juntos e voltei para dentro da rodoviária. Fui dar mais uma pesquisada nos preço das passagens e acabei encontrando um brasileiro, Tiago, carioca de Niterói. Conversamos um pouco, ele também ia para Cusco e acabamos comprando passagem na mesma empresa. Pagamos $ 150,00 bolivianos na passagem. O Tiago saiu dar uma volta e eu fui procurar algo para comer. Dei uma volta fora da rodoviária, mas não encontrei nada que desse coragem de comer. Voltei para a rodoviária e depois de olhar todos os pequenos botecos e lanchonetes, resolvi comer um sanduíche de queijo e presunto. Até que estava gostoso acompanhado de uma Coca Cola sem gelo. Tanto na Bolívia quanto no Peru é raro encontrar refrigerante gelado, eles costumam servir o refrigerante a temperatura ambiente.

Comprei dois sanduíches onde tinha lanchado, eles seriam minha janta na viagem. Reencontrei o Tiago e logo fomos para o embarque. Antes tive que ir comprar um tíquete que é a taxa de embarque da rodoviária. Essa prática de descobrir na hora de embarcar que você tem que comprar tal tíquete se tornaria comum tanto na Bolívia quanto no Peru. O embarque foi rápido, o ônibus não era dos melhores, mas as poltronas era confortáveis. Não estava cheio e os passageiros eram todos estrangeiros, aquilo parecia uma Babel. Teve serviço de bordo, mas não encarei o sanduíche que serviram, fiquei apenas com um saquinho de suco de maçã.

Como o ônibus estava vazio arrumei uma poltrona para ir sozinho, pois seria mais confortável. Conversei um bom tempo com o Tiago, ele contando como tinha sido sua visita à região do salar. Logo começou a escurecer e pela janela do ônibus foi possível ver um belo pôr do sol. Um tempo depois paramos num posto de fiscalização e um policial subiu no ônibus e perguntou de quem era a mala com número tal (que estava no tíquete de embarque) e o dono da mala teve que descer e acompanhar a revista da mala. Tal procedimento se repetiu mais duas vezes e felizmente não fui um dos sorteados para ter a bagagem revistada. A viagem seguiu e depois de duas horas nova parada, dessa vez na fronteira com o Peru. Desembarcamos do ônibus e seguimos a pé, passamos pela fiscalização boliviana e atravessamos a fronteira caminhando. O local era numa pequena cidade, muito feia e suja. Na fiscalização peruana um cara veio com a guia obrigatória para preenchimento e pediu meus dados para preencher. Eu mesmo podia preencher tal guia, mas resolvi deixar o tal cara preencher, pois vi que aquele era o ganha pão dele. Pelo serviço lhe dei $ 5,00 bolivianos. Passaporte carimbado e saí com o Tiago à procura de nosso ônibus. Tinha orientação de amigos para tomar cuidado com os guardas peruanos, pois se der bobeira do lado de fora eles chamam você para entrar na salinha deles e tentam te extorquir, principalmente se você tiver dólares. E se for brasileiro pior ainda, pois são as vitimas preferências dos guardas. Encontramos nosso ônibus e ficamos perto da porta esperando a ordem de embarque. Daí vimos que um cara entrou no bagageiro e meio que se trancou lá dentro. Ficamos assustados, achando que era algum guarda ou outra pessoa mexendo nas bagagens para furtar alguma coisa. Depois ficamos aliviados quando descobrimos que era um outro motorista e que tinha entrado no bagageiro para trocar de roupa.

Seguimos viagem e optei por ir sentado na última poltrona. Peguei uma das mantas que estavam disponíveis para os passageiros, meu MP4 e fiquei ouvindo música e olhando o céu. A noite estava bonita, cheia de estrelas. Fiquei um bom tempo assim, olhando o céu, ouvindo música e pensando na vida. Passamos por algumas pequenas cidades e fiquei observando as casas, lojas, as pessoas na rua… E logo adormeci, em terras peruanas, em minha segunda vez no país.

Parada para o café da manhã.
Paisagem vista pela janela do ônibus.
Em La Paz com meus amigos japoneses.
Rodoviária de La Paz.
Almoço na rodoviária.
Pronto para o embarque.
Belo pôr do sol visto pela janela do ônibus.

Viagem ao Peru e Bolívia (2° Dia)

16/05/2012

O dia amanheceu e quando deu 7h00min resolvi sair do aeroporto. Tinham alguns táxis em frente e fui perguntar o preço da corrida até a Estação Bimodal, no caso Rodoviária, mas que tinha esse nome de “bimodal” por ser ao mesmo tempo estação de ônibus e de trem. O preço era o mesmo em todos os táxis que perguntei; 50 bolivianos o que dava uns R$ 18,00. Então embarquei num táxi que era bastante velho, mas espaçoso. Estava com muito sono e não demorou muito para eu dormir. Um tempo depois acordei bruscamente com o barulho de uma freada e os xingamentos do taxista. Olhei para o lado e um outro carro por muito pouco não tinha batido no meu lado da porta. O trânsito era caótico e a buzina bastante utilizada. Ninguém usava seta ou dava preferência aos outros motoristas quando necessário. Aquilo me fez lembrar do trânsito de Lima, no Peru. E também me fez sentir saudade dos motoristas barbeiros de Campo Mourão. Olhei no relógio e vi que já tinha se passado 20 minutos desde que saímos do aeroporto. O sono continuava me chamando e resolvi me entregar de vez a ele. Acordei quando estávamos chegando ao Terminal Bimodal. Foram 45 minutos de viagem até ali. Desci do táxi, peguei minhas mochilas (uma grande e duas pequenas) e fui em direção ao Terminal. O local era feio, sujo, cheio de ambulantes e de pessoas berrando tentando vender passagens para vários lugares.

Dentro do Terminal também era tudo estranho, escuro, sujo e nem de longe lembrava as rodoviárias brasileiras. Vendedores de passagens tentavam te laçar literalmente. Andei de uma ponta a outra do Terminal vendo as placas das agencias e tentando descobrir se alguma empresa tinha ônibus direto de Santa Cruz até Cusco, no Peru. Não encontrei nenhuma e após me informar, me foram indicadas duas agencias. Fui até elas e achei caro o preço, queriam cobrar U$ 70,00 e ainda tinha que fazer uma longa parada em La Paz. Achei melhor comprar passagem direto para La Paz e lá comprar outra para Cusco. Após pesquisar um pouco acabei comprando a passagem na empresa San Miguel, que me pareceu confiável e o preço era equivalente a R$ 50,00. O vendedor foi bastante atencioso, o que me deixou meio com o pé atrás, pois prometeu mundos e fundos e algo me dizia que não seria bem como ele estava prometendo. De qualquer forma eu não tinha outra opção. Eram quase 11h00min no horário local, que é de uma hora a menos que no Brasil. Meu ônibus sairia somente às 17h00min, então resolvi me sentar e pensar no que fazer com o tempo livre que teria até o horário do embarque. Fiquei observando quem passava e vi um rapaz com jeito de ser brasileiro, mas a moça que estava com ele não tinha nada de brasileira. Fiquei mais um tempo sentado olhando quem passava para ver se via algum outro brasileiro perdido por ali. Logo me cansei e resolvi dar uma volta. Num canto no Terminal vi novamente o casal que tinha visto há pouco. Eles conversavam com um casal japonês. Ao passar por eles o rapaz se abaixou e vi na parte de cima da aba de seu chapéu uma bandeira do Brasil bordada. Parei e puxei conversa. O nome do rapaz era Caíque, ele é de São José dos Campos – SP. A moça que estava com ele era francesa, Julie. Ela trabalhava até pouco tempo atrás na Embaixada Francesa em Brasília e antes de retornar a França estava passeando um pouco pela América do Sul. Eles se conheceram no dia anterior, dentro do trem da morte, que seguia da fronteira entre Brasil e Bolívia até Santa Cruz de La Sierra. O casal de japoneses; Yukari e Yoshikatsu eles conheceram no trem. Os japoneses estavam em lua de mel e faziam três meses que viajavam pelo mundo. Conversamos um pouco e decidimos deixar nossas mochilas no guarda volumes e sair dar uma volta pela cidade. A Julie disse que tinha visto num guia de viagens que próximo ao Terminal existia uma parte da cidade que era bonita, com uma bela praça.

Saímos os cinco do Terminal Bimodal e após pedir informação para algumas pessoas seguimos no sentido do centro da cidade. Próximo ao Terminal a cidade era feia e suja e o trânsito caótico. Atravessar as ruas era uma arriscada aventura e as buzinas ecoavam de todos os lados. Chegamos à conclusão que quem buzinava primeiro era que tinha preferência para atravessar a rua ou fazer alguma conversão. Após caminharmos algumas quadras chegamos até uma parte onde entre as duas avenidas existia um canteiro com ciclovia no meio, então seguimos por ele, pois era mais seguro. Mais alguns pedidos de informação e olhadas no guia do Caíque e chegamos ao centro da cidade. Andamos um pouco por ali a procura da Catedral e da praça em frente, mas acabamos seguindo para o lado contrário. Uma coisa que incomodava ali era o excesso de monóxido de carbono que saía dos escapamentos dos carros, chegava a sufocar. Me parece que o combustível boliviano não é de boa qualidade e é altamente poluente.

Estávamos passando em frente a um restaurante e vimos algumas tortas expostas numa vitrine. Resolvemos entrar e descobrimos que ali tinha um buffet e a comida parecia ser boa. Um dos cuidados que eu teria tanto na Bolívia quanto no Peru seria com a comida. Nestes países não dá para comer em qualquer lugar, pois a higiene não é das melhores. E eu também pretendia passar longe das comidas típicas, pois sou chato para comer e comidas típicas evito em qualquer parte. Não tenho frescura para desconforto, frio, viajar de ônibus e outras coisas mais, mas com relação à comida sou extremamente chato e não como de tudo seja onde for. Até mesmo na casa de amigos e parentes acabo sendo chato com relação à comida e meu paladar depende muito do meu olfato, ou seja, se não gostar do cheiro não como, nem preciso provar para saber se o gosto da comida é bom ou ruim. Talvez por isso que não como peixe ou qualquer outra coisa que venha da água, pois acho peixe fedido e daí não consigo comer. Frescuras a parte, resolvemos almoçar no restaurante e a comida estava muito boa. Enquanto comíamos ficamos conversando, nos conhecendo melhor e trocando informações sobre viagens. Eu, Caíque e Julie conversávamos em português e os japoneses vez ou outra falavam algo em inglês. Foi legal logo no segundo dia de viagem fazer novas amizades. Em viagens do tipo mochilão é bastante comum conhecer pessoas, fazer coisas juntos e logo depois cada um seguir para um lado.

Após almoçar voltamos ao nosso passeio e logo encontramos a Catedral e a praça em frente, que realmente era muito bonita. A Catedral estava fechada e não conseguimos visitá-la. Já na praça ficamos certo tempo olhando o movimento e as dezenas de pombos que circulavam por ali. No guia dizia que bichos preguiça viviam nas árvores da praça, mas cansamos de olhar para cima e não vimos nada. Algo que nos chamou atenção foi um senhor com uma câmera fotográfica bastante antiga, que estava tirando fotos de uma moça e depois revelou as fotos ali mesmo utilizando água e produtos químicos. O processo era antigo e artesanal, mas o resultado foi muito bom, as fotos ficaram ótimas. Demos mais uma pequena volta pelo centro, paramos em uma praça ver alguns alunos de uma escola ensaiarem uma dança típica e entramos numa loja de produtos artesanais locais. Não me demorei na loja, pois sendo início de viagem era melhor não comprar nada para evitar ter peso extra nas mochilas. Fiquei do lado de fora da loja olhando o movimento enquanto o pessoal estava na loja. Seguimos para o Terminal Bimodal, paramos no caminho comprar água numa loja e depois numa farmácia, onde comprei um novo tubo de creme dental para substituir o que fora confiscado no aeroporto de Campo Grande.

De volta ao Terminal pegamos nossas mochilas no guarda volumes e fomos para um canto perto dos banheiros. Eu, Caíque e Julie resolvemos tomar banho. Pagamos 3,00 bolivianos e fomos para as duchas. O banho era frio e o banheiro não era dos mais limpos. Para piorar era complicado arrumar a mochila em cima de uma pequena banqueta, de modo que ela não se molhasse. Quando liguei a ducha descobri que o banho não era frio, na verdade era gelado. O difícil num banho frio é começar a se molhar, mas depois de um tempo e de alguns gritos você acostuma com a temperatura da água e tudo bem. Após o banho e de algumas manobras para trocar de roupa sem deixar nada cair no chão molhado e sujo do banheiro, finalmente saí e encontrei o pessoal do lado de fora. Fomos num bar onde compramos água e algumas guloseimas e então nos despedimos. Eu e os japoneses seguiríamos para La Paz, mas em ônibus diferentes. Já o Caíque e a Julie seguiriam para Sucre.

Quando chegou o horário de embarque fui até a agencia onde comprei a passagem e o vendedor pegou minha mochila grande e pediu que o seguisse. Fomos indo para um lado das plataformas de embarque e quando vi os dois últimos ônibus estacionados me assustei, pois eram muito velhos. Comecei a achar que tinha sido enganado, pois comprara assento cama, que para os Bolivianos é o leito ou semi leito no Brasil. Se bem que no Brasil já existem leitos cama, que ficam na horizontal. Sei que passamos pelos dois ônibus velhos e quase fora da área de embarque chegamos ao ônibus da empresa. Ele era dois andares e se não era novo, ao menos não era dos piores. O vendedor me entregou a mochila e disse para eu levá-la dentro do ônibus, para não deixá-la no bagageiro. Não perguntei a razão de tal conselho, mas decidi acatá-lo. Fiquei um tempo esperando o embarque, que já estava atrasado. Daí apareceu uma vendedora de bolinhos, que pareciam pão de queijo. Como não sabia em que tipo de local seria a parada para janta, resolvi garantir minha janta com um pacote daqueles bolinhos que estavam cheirosos. O problema é que eu não tinha dinheiro local trocado. Daí consegui convencer a vendedora a receber em reais. Dei R$5,00 a ela e falei que aquilo valia justamente o dobro do que ela estava me cobrando pelo bolinhos. E era verdade, eu jamais ia enganar a moça! Ela acabou topando o negócio e depois que embarquei no ônibus ainda ficou me dando tchauzinho.

Minha poltrona era na parte de cima do ônibus, do lado direito e sozinha, quase na frente. Era um poltrona larga e confortável e a frente ficava uma espécie de mesa que serviu para eu colocar os pés durante a viagem. Consegui a muito custo encaixar minha mochila grande em frente a poltrona e estava pronto para enfrentar 14 horas de viagem até La Paz. Descobri que eu era o único “diferente” no ônibus, ou seja, o único não boliviano embarcado, o mais branquinho a bordo. O ônibus partiu com 40 minutos de atraso e resolvi jantar logo meus bolinhos, enquanto ainda estavam quentes e cheirosos. Mesmo parecendo pão de queijo e sendo feitos com queijo, o sabor era bem diferente do sabor do pão de queijo, mas não era ruim. No pacote vinham dez bolinhos e logo descobri que tinham dois que não eram frescos, que de tão duros que estavam deviam ser de um ou dois dias atrás. Eu tinha sido enganado pela bela e simpática vendedora de bolinhos que ficou me dando tchauzinho. Paciência, ninguém está livre de ser passado para trás vez ou outra na vida! Após jantar os oito bolinhos comíveis, tirei meu saco de dormir da mochila e me ajeitei dentro dele, pois a noite prometia ser fria. Coloquei os fones do MP4 e comecei a ouvir alguns sertanejões. Logo peguei no sono, pois vinha de uma noite em claro.

Fui acordar três horas depois, em um local estranho no meio do nada. Fiquei sabendo que teríamos uma parada de 30 minutos para janta. Ao descer do andar de cima e passar pela porta do banheiro, descobri que o mesmo não funcionava. O local de parada para janta era uma barraquinha na beira da estrada, um local feio e sujo. E nem banheiro existia ali. Vi que os homens seguiram para um lado e as mulheres para outro. Um matinho ao lado os homens utilizaram como banheiro. Já algumas mulheres acho que tinham medo de escuro, não se distanciaram muito e logo abaixaram para fazer suas necessidades. Aquilo tudo era ao mesmo tempo surreal e curioso. Como não tinha outra opção, também fui no “matinho masculino” fazer meu xixizinho. Depois fiquei encostado no ônibus observando o pessoal comer.  Confesso que nem que eu estivesse com muita fome eu comeria naquele local. Pode ser frescura, mas já disse que sou fresco com comida e ainda lembro dos apuros que passei no ano anterior no Peru por culpa da comida que me fez mal. Então melhor ser um fresco bom do estômago, do que um não fresco com enjôo e diarréia. Passado trinta minutos embarcamos no ônibus e seguimos viagem. Eu voltei a dormir, mas não demorou muito tempo e paramos num posto policial. Após uns minutos um oficial de Polícia entrou no ônibus e queria saber quem eram os donos de tais e tais malas. Daí os donos tiveram que descer para dar explicações sobre o conteúdo das mesmas, que pelo que entendi eram produtos para serem vendidos em La Paz, produtos que iam desde sapatos até roupas para crianças. Foi aí que entendi o conselho do vendedor de passagens que disse para eu não colocar minha mochila embaixo. Ele sabia que as bagagens seriam revistadas e que eu poderia ter que dar explicações sobre o conteúdo de minha mochila caso algum agente da Lei resolvesse implicar com ela. Após uma meia hora parado ali, o pessoal que tinha descido voltou com a cara amarrada. Só não sei se perderam alguns produtos ou tiveram que pagar propina para terem suas malas liberadas. Voltei a dormir e não vi mais nada da viagem.

Terminal Bimodal de Santa Cruz de La Sierra. 
Interior do Terminal Bimodal.
Cidade suja e trânsito caótico.
Atravessar a rua era uma aventura.
Caíque olhando o guia.
Minha primeira refeiçao na Bolívia.
Após ao almoço um divertido bate papo. 
Catedral.
Dezenas de pombos na praça.
O fotógrafo e sua antiga câmera.
Julie, Vander, Caíque, Yukari e Yoshikatsu.
Compras na farmácia.

Viagem ao Peru e Bolívia (1° Dia)

15/05/2012

Após ter adiado a viagem por 15 dias em razão de dores em minhas hérnias de disco, finalmente chegou o dia de partir para a tão esperada viagem rumo a Bolívia e Peru. Essa viagem não estava programada, na verdade existia o plano de quando possível retornar ao Peru para conhecer melhor a cidade de Cusco e para fazer a Trilha Salkantay. Em 2011 passei uns dias em Cusco e me encantei pela cidade e prometi que voltaria. Nessa mesma viagem percorri a Trilha Inca até Machu Picchu e como não foi possível visitar a montanha de Wayna Picchu, que fica dentro de Machu Picchu, a vontade de retornar era imensa. E de repente tudo contribuiu para que tal viagem pudesse acontecer. Fiz os planos básicos e resolvi incluir a Bolívia no roteiro de viagem, pois queria fazer alguns passeios neste país, entre os quais descer a Estrada da Morte de bicicleta e também escalar minha primeira montanha nevada. Eu tinha milhas da Gol, mas seu único destino na Bolívia é Santa Cruz de La Sierra. Então resolvi ir até essa cidade utilizando minhas milhas da Gol e de lá seguir de ônibus até o Peru. Gosto de viajar de ônibus, para mim não é problema viajar longas distâncias utilizando tal meio de transporte.

Tinha dormido em Maringá e logo cedo fui encontrar meu irmão num shopping. Troquei dinheiro e creditei dólares em meu cartão da Confidence. É mais seguro viajar com um cartão para saques em terminais ATM do que viajar com dinheiro em espécie. O que me deixou um pouco triste foi que o dólar tinha subido 20 centavos nos últimos trinta dias, o que encarecia um pouco a viagem. Feito os últimos acertos para a viagem deixei meu carro no estacionamento do shopping, onde um amigo o pegaria depois e deixaria estacionado em outro local. Meu irmão me  levou ao aeroporto, onde almocei e depois fiz o chekin internacional, despachando minha mochila grande direto para a Bolívia. Em seguida me despedi de meu irmão e fui para a sala de embarque.

O primeiro trecho da viagem foi tranqüilo, um vôo de uma hora até Guarulhos. Aproveitei para ler um pouco durante a viagem. Em Guarulhos fiquei no setor de conexão e após duas horas de espera embarquei num vôo para Campo Grande. Pouco mais de uma hora de um vôo tranqüilo e desembarquei em Campo Grande. Estava com fome e resolvi sair para fora do aeroporto para ver se encontrava algum local próximo para comer algo, já que dentro de aeroportos os preços são abusivos, um verdadeiro assalto ao viajante. Dei sorte e vi que do outro lado da avenida em frente ao aeroporto tinha um posto de gasolina com lanchonete. Vi que era seguro ir até lá, pois tinham policiamento no local. Fui até o posto, lanchei por um preço bem em conta e retornei ao aeroporto. Fiquei seis horas esperando meu vôo para a Bolívia, contando o fuso horário de uma hora a mais de Campo Grande com relação ao horário de Brasília. Para passar o tempo fiquei vendo filmes no note book e também caminhei um pouco pelo aeroporto, que é bem pequeno.

Finalmente chegou a hora do embarque rumo à Bolívia. Já era quase meia noite quando passei pelo raio x e aduana. Meu tubo de pasta de dentes foi confiscado da bagagem de mão. Mesmo o tubo estando quase vazio a justificativa foi que era um tubo de mais de 100 ml, por isso não podia levá-lo na bagagem de mão. Achei uma idiotice isso, excesso de zelo idiota, mas deixei pra lá. Sentei-me na sala de embarque que é minúscula e fiquei esperando o embarque. Não foi a toa que Campo Grande ficou de fora na escolha das sedes da Copa do Mundo de 2014, pois seu aeroporto é muito pequeno para uma capital é menor que muito aeroporto de cidade de interior do Brasil.

O embarque foi feito na pista, com um vento de congelar. O avião estava lotado, com muita gente já embarcada vindas de São Paulo. O vôo até Santa Cruz de La Sierra foi tranqüilo e aproveitei para dormir um pouco. Chegando a Santa Cruz de La Sierra o desembarque foi rápido e segui para o setor de imigração. Eu estava com uma camiseta do Caminho de Peabiru e um rapaz que estava a minha frente na fila perguntou se eu era de Peabiru ou de Campo Mourão? Respondi que era de Campo Mourão e ele disse que era de Peabiru e que morava há quinze anos na Bolívia. Ele e a esposa estavam vindo de Curitiba. Ficamos conversando na fila, que era bem lenta. Um guarda pediu para ver meu passaporte e ao folhear viu que tinham muitos carimbos e ficou olhando um por um. Depois de um tempo ele resolveu olhar o passaporte novamente e dessa vez encontrou o visto canadense e o carimbo de minha visita ao Canadá em 2011, que estão numa folha separada mais a frente no passaporte. Então ele olhou mais duas vezes o passaporte, bem detalhadamente. Achei estranho tal procedimento por parte de tal guarda. Ao passar pela imigração o guarda me perguntou quanto tempo eu ficaria na Bolívia e respondi que apenas dois dias, pois estava de passagem rumo ao Peru. Então ele me disse para tomar cuidado no Peru, pois é um país muito perigoso. Achei engraçado seu comentário, pois é justamente o contrário, a Bolívia é mais perigosa que o Peru. Segui para outra fila onde dei sorte e ao apertar o botão de revista deu sinal verde e pude passar sem ter minha bagagem revistada. O casal de Peabiru estava me esperando para se despedirem.

Eram três e meia da manhã e não compensava ir para um hotel, pois logo cedo eu pretendia ir para a Rodoviária e pegar um ônibus para La Paz. Então fiquei de bobeira andando de um lado para outro no aeroporto. A Bolívia era o nono país que eu conhecia (sem contar o Brasil). Fui tentar sacar dólares, mas não encontrei nenhum caixa ATM. Por sorte eu tinha levado U$ 150,00 em espécie e troquei U$ 50,00 numa agencia de cambio. O boliviano (moeda local) estava valendo 3,18 por cada um real, o que era um bom valor, sinal de que o real está valorizado na Bolívia. Estava começando a ficar com fome e às 4h00min resolvi fazer um lanche num Subway dentro do eroporto. Depois fiquei lendo um gibi e daí resolvi ligar o note book para tentar piratear algum sinal de internet. Dei sorte e consegui acessar uma rede de alta velocidade que estava desprotegida. Então fiquei navegando na internet até o dia amanhecer.

Aeroporto de Santa Cruz de La Sierra.
No aeroporto esperando o dia amanhecer.

Soy loco por ti américa

O título dessa postagem retrata meu sentimento com relação à América do Sul. Sendo sul-americano e cada vez mais conhecendo a América do Sul e seu povo, vou me “apaixonando” por essa vasta e linda região. É claro que ela tem seus defeitos, é pobre em muitas partes e possui alguns governantes totalmente sem noção, daqueles chatos populistas e ditadores. Por outro lado, a América do Sul possui muitas belezas naturais e um povo cheio de contrastes, onde boa parte da população é receptiva, alegre e outra é malandra, quer passar o turista desavisado para trás. Conheço muita coisa do primeiro mundo, tendo visitado Europa e América do Norte e vivido por um ano nos Estados Unidos. Gosto de muita coisa do primeiro mundo, mas o meu coração pertence mesmo é ao terceiro mundo sul-americano.

E por essas e outras é que estou partindo para uma nova viagem pela América do Sul. Dessa vez vou conhecer a Bolívia e depois ir ao Peru pela segunda vez. Entre outras coisas pretendo fazer trilhas no meio da mata, nas altas montanhas e também em algumas montanhas nevadas. A viagem começou ontem e não tem data para terminar. Vai levar de 10 a 30 dias. A duração dela vai depender de vários fatores, entre os quais as condições climáticas dos lugares onde pretendo ir, dos gastos que não podem ultrapassar meu orçamento para essa viagem e principalmente de minhas condições físicas e de saúde. Tive que adiar essa viagem por 15 dias mesmo estando com passagem marcada, em razão de novo problema com minhas hérnias de disco. Então meu preparo físico não é o adequado para certas coisas que pretendo fazer e somado ao frio do outono nas regiões onde vou passar e que faz piorar minhas dores nas costas, à duração dessa viagem é uma incógnita nesse momento. Mas como sempre vou procurar superar e suportar as dores e realizar os meus planos com muita força de vontade e um pouco de sacrifício, mas sempre respeitando os limites do meu corpo. 

Então lhe convido para “viajar comigo” através das postagens que farei sobre essa viagem aqui no blog. Como vou para alguns lugares longe da civilização e da internet, as postagens ficarão atrasadas, pois farei as mesmas conforme for possível. Mas serão feitas de forma completa e em ordem cronológica. Além do blog, a narrativa dessa viagem também será postada como de costume no site mochileiros.com, para servir de ajuda a outros viajantes que pretendem passar pelos mesmos lugares que eu. 

Então é isso!! Torçam e orem por mim, pois essa é para ser talvez a maior de minhas “aventuras”…

www.echotalk.blogspot.com

Show de Jorge & Mateus – Expoingá 2012

Ontem (domingo) fui à Maringá assistir ao show de Jorge & Mateus na 40ª Expoingá. O show aconteceu na arena de rodeios, que é coberta e estava totalmente lotada. O show foi sensacional, o pessoal cantou todas às músicas junto com a dupla, que está fazendo enorme sucesso atualmente. No final das contas valeu a pena viajar 180 quilômetros entre ida e volta para ver esse show e chegar em casa às 4h00min da manhã, tendo que levantar 7h40min para ir trabalhar. Louco eu? Nem tanto!!!

Jorge & Mateus
Jorge & Mateus na 40ª Expoingá.
Jorge & Mateus na Expoingá/2012.

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Regiões Selvagens

“As regiões selvagens atraem aqueles que estão aborrecidos ou desgostosos com o homem e suas obras. Elas não só oferecem uma fuga da sociedade, mas também um palco ideal para o indivíduo romântico exercer o culto que frequentemente faz de sua própria alma. A solidão e a liberdade total da natureza criam o cenário perfeito para a melancolia ou a exaltação.”

Roderick Nash

Pedalar faz bem!

No domingo fui pedalar com o Luis Cesar, meu parceiro de pedal. Fez um dia bonito, não estava nem frio e nem calor, o que fez o passeio ser bastante prazeroso. E escolhemos um caminho onde tínhamos ido pela última vez em agosto de 2005, logo que começamos a pedalar juntos. Eu estava melancólico desde sábado e o sol na cabeça, o vento no rosto me fizeram deixar a melancolia pelo caminho. Após 31 km de pedaladas a alegria voltou.

Domingo de sol.
Pedalando no milharal.
Vander.
Luis Cesar.

Superlua

Eu que adoro lua cheia, ontem aproveitei para ver a superlua. Fui para fora da cidade, estacionei o carro na entrada de uma fazenda e fiquei encostado no carro ouvindo música e olhando para o céu. E fiz isso justamente a 0h35min, que foi o momento em que aconteceu o auge do fenômeno da superlua, onde ela ficou 14% maior e 30% mais brilhante que as outras luas cheias normais de 2012. Esse fenômeno tem o nome cientifico de “lua perigeu”. A lua segue uma trajetória elíptica ao redor da Terra com um dos lados – ou perigeu – cerca de 50 mil km mais perto que o outro – ou apogeu.

Fiquei um bom tempo olhando o céu e “conversando” com a lua – conversar com a lua é uma das muitas “esquisitices” que tenho… kkk – . Sei que esse foi mais um daqueles momentos em que a natureza mostra toda sua plenitude e beleza e que são difíceis de explicar. É mais fácil a pessoa “ir ver” e tirar suas próprias conclusões.

Superlua de 05.05.2012

Show de João Neto & Frederico

Fui ao show do João Neto & Frederico, dupla que está fazendo enorme sucesso atualmente. É deles a segunda música mais executada no Brasil em 2012 (LêLêLê), que só perde para “Ai se eu te pego”, do Michel Telo. O show foi na cidade de Araruna, que fica distante onze quilômetros de Campo Mourão. Era aniversário de dois anos da “Estancia Piseiro”. O show foi muito bom, pena que era a noite mais fria do ano até agora e tinha um vento de gelar as orelhas.

Estancia Piseiro – Araruna/Pr.
João Neto & Frederico

Novamente em Salvador

Fui novamente à Bahia, dessa vez à Salvador. Essa é minha quarta vez na Bahia, sendo a segunda vez em Salvador. Os baianos que me perdoem (meus amigos Orlando e Miralva principalmente), mas Salvador é a cidade mais “fedida” onde já estive e também é bastante suja. Salvador para mim foi uma grande decepção, pois pela fama que tem imaginava outra cidade. Acho que a maioria dos turistas que gostam de Salvador são aqueles que gostam de carnaval e vão à cidade nessa época de festa. Eu que não gosto de carnaval acabei me decepcionando muito com a cidade. E por gostar de história e de monumentos e construções históricas, outra decepção foi ver o estado de abandono e falta de cuidado em que se encontram muitas construções antigas da cidade, que foi a primeira Capital do Brasil. Em compensação o povo de Salvador é muito simpático e receptivo.

Se não gosto muito de Salvador, adoro o interior da Bahia principalmente o litoral sul, as cidades de Porto Seguro, Arraial D’Ajuda, Trancoso, Prado, Alcobaça e Caravelas, locais muito bonitos.  E pretendo voltar outras vezes à Bahia, menos a Salvador!

Farol da Barra.
Farol da Barra à noite.
No Farol da Barra.
Passeando pela orla de Salvador.

Sombra e água fresca.
Caminhando na praia...
Pelourinho.
Pelourinho.
Entrada do Elevador Lacerda, na cidade alta.
Elevador Lacerda.
Elevador Lacerda e Mercado Modelo.
Elevador Lacerda visto da cidade baixa.
Pelas ruas de Salvador...

Basquete de Campo Mourão

Após uma longa ausência, voltei a assistir jogos de basquete do time de Campo Mourão. Dessa vez vi jogos validos pela Copa Sul Brasil, onde o time de Campo Mourão venceu todos os três jogos da primeira fase. E o mais legal foi voltar ao Ginásio JK, local onde treinei e joguei basquete muitas vezes entre meus 13 e 17 anos. Boas lembranças daquela época, dos treinos de madrugada, das participações em Jogos Escolares, Jogos Estudantis, dos antigos amigos, de namorar no escurinho atrás do ginásio. Hoje isso não seria mais possível, já que está tudo iluminado, tem rua asfaltada e casas do outro lado da rua…  Kkkkkk

E foi graças ao basquete que arrumei minha primeira namorada. Eu tinha 15 anos e fomos participar da fase final dos Jogos Escolares na cidade de Rio Negro, bem na divisa do Paraná com Santa Catarina. Uma bela tarde eu estava no ginásio esperando a hora do meu jogo começar e uma garota veio conversar comigo. Ela estava passando férias na cidade, na casa da irmã. Perguntei de onde ela era e ela respondeu que era de Campo Mourão. Não acreditei, achei que estivesse brincando! Daí foi a vez dela perguntar de onde eu era e em vez de responder virei de costas e mostrei meu agasalho, onde estava escrito CAMPO MOURÃO. Ambos começamos a rir, pois era muita coincidência sermos da mesma cidade e termos viajado 600 quilômetros para nos conhecer. Trocamos telefone e duas semanas depois nos encontramos em Campo Mourão. Mais uma semana e começamos a namorar. Foram apenas três meses de namoro, que foi inesquecível por ser o primeiro. O nome da garota era Roseli (melhor não contar o sobrenome) e faz uns vinte anos que a vi pela última vez.

Bons e saudosos tempos!!!

Colégio Estadual. Estou em pé, segundo da direita para a esquerda. O Wagão, meu irmão é o garotinho com agasalho branco. (Ginásio JK - 1984)
Colégio Unidade Polo. Estou em pé, segundo da direita para a esquerda. (Ginásio JK - 1985)
Seleção de Campo Mourão. (Ginásio JK - 1985)
Ginásio JK - 2012.
Campo Mourão X Santa Cruz/RS. (Ginásio JK - 13/04/2012)

Turista em Curitiba

Ver Post

Após quase duas décadas vivendo em Curitiba é estranho hoje em dia ir à Curitiba como turista. Essa semana passei dois dias em Curitiba e tive meus momentos de turista. É diferente isso, pois agora posso andar calmamente pelas ruas observando tudo, ouvindo os ruídos, sentindo os cheiros da cidade. Quando lá morava isso não era possível, pois quase sempre passava pelos locais com pressa, estressado, bravo com o trânsito caótico. Agora percebo melhor até as diferenças que acontecem na cidade, como prédios reformados, prédios demolidos, novas construções, lojas que mudaram. Em alguns casos tenho certa dificuldade em lembrar o que existia antes em certos lugares, pois as mudanças são tantas que a memória não consegue processar tudo adequadamente.

E pelo que tudo indica daqui para frente visitarei Curitiba somente como turista. Tenho organizado minha vida de uma forma a ficar definitivamente vivendo no interior. Estou feliz, passando por um momento muito bom e totalmente adaptado a minha nova vida. Gosto de Curitiba, mas meu tempo por lá já expirou. Prefiro mais a tranqüilidade de uma cidade interiorana do que a correria da cidade grande. Tenho boas lembranças, centenas de histórias e vários amigos em Curitiba. Mas daqui para frente à tendência é que eu vá cada vez menos à Curitiba e somente para passear, para curtir momentos de turista despreocupado.

Rua XV de Novembro. (16/04/2012)
Catedral em reformas. (16/04/2012)
Centro de Curitiba. (17/04/2012)
Praça Generoso Marques. (17/04/2012)
Universidade Federal do Paraná. (17/04/2012)

Christopher McCandless

Christopher McCandless nasceu em 12 de fevereiro de 1968 na cidade de El Segundo, localizada no estado americano da Califórnia. Em 1976 mudou-se com a família para Annandale, Virgínia, onde cresceu. O seu pai, Walt McCandless, trabalhou para a NASA como um especialista em antenas. A sua mãe, Wilhelmina “Billie” Johnson, foi secretária do pai de Chris e depois ajudou Walt a fundar e dirigir uma bem sucedida empresa de consultoria. Desde a infância os seus professores notaram que Chris era extraordinariamente enérgico, adorando esportes físicos. Conforme cresceu, ele uniu isso a um intenso idealismo e resistência física. Na escola, ele foi o capitão da equipe de cross-country onde ele estimulava os seus companheiros a considerarem a corrida como um exercício espiritual, no qual eles estavam “a correr contra as forças da escuridão… todo o mal do mundo, todo o ódio.” Ele se graduou no W.T Woodson High School em 1986 e na Emory University em 1990, especializando-se em história e antropologia. O fato de vir da classe média alta e ter graduação universitária escondeu um crescente desprezo interior para o que ele via como o materialismo vazio da sociedade americana. Os trabalhos de Jack London, Leon Tolstoy e Henry David Thoreau tiveram uma grande influência sobre McCandless, e ele sonhava em deixar a sociedade para um período thoreauniano de contemplação solitária.

Logo após acabar o curso na Universidade de Atlanta, em 1990, Christopher McCandless doou os seus 24 mil dólares que tinha no saldo bancário a instituições de caridade e desapareceu sem avisar a família. Já não era a primeira vez que Chris decidia fazer uma viagem pelos vários estados americanos, sozinho, dependendo da natureza e do que encontrava no caminho. Mas daquela vez foi diferente. A sua raiva quanto à civilização em que vivia, quanto às mentalidades e materialismos da época, foi fundamental para a sua tomada de decisão. A partir daquele dia, nunca mais regressou a casa. Devido a um problema com o seu velho Datsun amarelo, Chris foi impelido a abandonar seu carro junto ao lago Meade, em Detrital Wash, mas isso não o impediu de continuar. Encarou a situação como um sinal do destino e, abandonando junto ao carro grande parte dos seus pertences e queimando todo o dinheiro que trazia consigo – cerca de cento e vinte e três dólares – Chris McCandless partiu a pé em direção ao Oeste, adotando um novo estilo de vida, no qual era livre e assumia o nome de Alexander Supertramp, seguindo em busca de experiências novas e enriquecedoras.

Foi de carona que chegou a Fairbanks, no Alasca, fazendo amigos e conhecendo lugares magníficos pelo caminho. Entre as suas aventuras destacam-se uma descida do rio Colorado em canoa. Walt e Billie McCandless, pais de Chris, ainda tentaram encontrá-lo, mas em vão. Apenas a sua irmã Carine recebia uma carta de vez em quando, e mesmo ela não sabia a sua localização. Os anos foram passando, e Chris continuava sozinho, vagando pela América, passando por Carthage, Bullhead City, Las Vegas, Orick, Salton City, entre outros, até chegar finalmente ao destino pretendido: o Stampede Trail. Conheceu Jan e Bob Burres, Wayne Westerberg, Ronald Franz, que se tornaram seus amigos inseparáveis a quem se ia correspondendo por cartas; permaneceu em alguns endereços durante meses, mas partia em seguida para outras aventuras. Por onde passou, Chris alterou as vidas das pessoas que o conheceram. A sua personalidade forte, muito inteligente e simpática deu uma nova vitalidade a Jan, Franz e Westerberg. Raramente falava de Annadale e de casa, e eram muitas às vezes em que era reservado e ponderado. Mas o rapaz de vinte e quatro anos, que todos conheceram como Alex, cumpriu o seu destino e partiu de Fairbanks em direção ao Monte McKinley, dois anos depois de ter iniciado a sua viagem.

Gallien deu carona a Chris até ao Parque Nacional Denali, através do Stampede Trail, um caminho que levava ao interior do Alasca. Também ele simpatizou com o rapaz, que gentilmente lhe contou os planos de permanecer alguns meses na floresta. A única comida que levava era um saco com cinco quilos de arroz, e o seu equipamento era inadequado para quem planejava fazer o que ele se propunha. Ainda assim, o rapaz parecia determinado, e nada o podia dissuadir. Partiu assim para o desconhecido, ignorando a hora e o dia, numa quinta-feira de abril, sem deixar rastro. Através de um diário que manteve na contracapa de vários livros, com cento e treze anotações, podemos compreender o que realmente aconteceu a Chris McCandless na sua viagem ao interior do Alasca. O seu diário contém registros cobrindo um total de 113 dias diferentes. Esses registros cobrem do eufórico até ao horrível, de acordo com a mudança de sorte de McCandless.

Alimentou-se do que trazia e de algumas sementes que colheu na natureza, tal como de alguns animais que caçou, com sucesso; leu vários livros, rabiscando-os com pensamentos próprios sobre a vida; passeou por diversos bosques, mas o local onde permaneceu mais tempo foi logo abaixo da Cordilheira Externa, onde ainda hoje se encontra um ônibus abandonado, de número 142 do Fairbanks Transit System, que serviu de residência a Chris, onde pernoitou e escreveu algumas frases no seu interior, nos meses que se encontrou na floresta como: “(…) SEM JAMAIS TER DE VOLTAR A SER ENVENENADO PELA CIVILIZAÇÃO, FOGE E CAMINHA SOZINHO PELA TERRA PARA SE PERDER NA FLORESTA”. Permaneceu cerca de quatro meses nas montanhas, sobrevivendo à custa do que encontrava, totalmente sozinho, livre. Em 6 de setembro de 1992, dois trilheiros e um grupo de caçadores de alce acharam esta mensagem na porta do ônibus: “S.O.S. Preciso de ajuda. Estou aleijado, quase morto e fraco demais para sair daqui. Estou totalmente só, não estou brincando. Pelo amor de Deus, por favor, tentem me salvar. Estou lá fora apanhando frutas nas proximidades e devo voltar esta noite. Obrigado, Chris McCandless.” O seu corpo foi encontrado em decomposição em agosto de 1992, embrulhado num saco de dormir no interior do ônibus, já morto há cerca de duas semanas. A causa oficial da morte foi inanição. Porém, alguns pensam que foi envenenado acidentalmente por algumas sementes que ingeriu. Nunca se saberá bem a verdade.

Jon Krakauer acredita que McCandless morreu por ingerir sementes de batata selvagem (Hedysarum alpinum), que McCandless mencionou nos seus registros, sendo os efeitos devastos para o organismo humano. Essa espécie de batata não é considerada venenosa — a sua raiz é comestível, mas há evidência de que as suas sementes contêm um alcalóide que interfere no metabolismo da glicose pelo organismo. Entretanto, o Dr. Thomas Clausen da Universidade de Fairbanks no Alasca conduziu testes extensivos nas sementes encontradas no acampamento de McCandless e constatou que não continham toxinas ou alcalóides. (Note que esta é a teoria que Krakauer apresenta no seu livro sobre McCandless, e difere da teoria anterior que ele relatou no seu artigo da revista Outside, envolvendo outra planta, Hedysarum boreale mackenzii, uma ervilha de cheiro semelhante à batata selvagem e conhecida por ser venenosa). Na edição mais recente do seu livro, Krakauer modificou sutilmente a sua teoria com respeito à causa de morte de McCandless. Ele acredita que as sementes da batata selvagem encontravam-se com mofo e foi este o agente que contribuiu para sua toxicidade. Mas Chris McCandless morreu feliz; ele próprio o disse numa anotação no diário, percebendo o seu fraco estado de saúde: “Tive uma vida feliz, e agradeço ao Senhor. Adeus e que Deus vos abençoe a todos”.

Quando foi descoberto no Alasca, sem vida, a tarefa de escrever um artigo sobre o viajante, na altura desconhecido, foi incumbida a Jon Krakauer, jornalista da revista Outside. A história de McCandless tocou-o profundamente, e o fato de a sua própria vida se assemelhar à do rapaz, levou-o a investigar a fundo, obsessivamente toda a sua jornada desde Anandale até ao Alasca: – “Quando era adolescente, eu era teimoso, introvertido, sempre imprudente, de humor variável. Desapontei o meu pai das formas que são habituais. Tal como McCandless, as características de autoridade provocavam em mim uma combinação confusa de fúria contida e ânsia de agradar. Se qualquer coisa despertava a minha imaginação indisciplinada, perseguia-a com um zelo que atingia a obsessão e, desde os dezessete anos até quase aos trinta essa coisa era a escalada.” – Tudo o que descobriu, depois de falar com diversas pessoas, e visitar vários locais por onde o viajante Alex passou, foi agrupado num livro ao qual deu o nome de “Into The Wild – Na Natureza Selvagem”. O livro, bestseller desde que foi lançado, em 1996, deu origem a um filme, com o mesmo nome, realizado por Sean Penn.

O livro de Krakauer fez de McCandless uma figura heróica para muitos. Em 2002, o ônibus abandonado em Stampede Trail onde McCandless acampou tornou-se um atrativo turístico de aventura. O filme de Sean Penn, Into the Wild, baseado no livro de Jon Krakauer, lançado em setembro de 2007 foi bem recebido pela crítica. Um filme documentário sobre a viagem de McCandless feito pelo produtor de filmes independente Ron Lamothe, The Call of the Wild, também foi lançado em 2007. A história de McCandless também inspirou um episódio da série de TV Millenium e canções populares do cantor Ellis Paul, Eddie From Ohio, e Funck, assim como Eddie Vedder, da banda Pearl Jam, que se disponibilizou para fazer toda a trilha sonora do filme de Sean Penn.

Diferente de Krakauer, assim como Sean Penn, e muitos leitores de seu livro, que possuem uma visão simpática de McCandless, alguns alasquianos possuem uma opinião negativa tanto de McCandless como daqueles que romantizam a sua morte. McCandless estava inconsciente de que vagões operados manualmente cruzavam o rio a 400 metros do Stampede Trail, enquanto um abrigo nas redondezas estava abastecido com alimentos de emergência, como descrito no livro de Krakauer. O guarda-florestal do Parque Alasquiano Peter Christian escreveu: “Eu estou exposto continuamente ao que chamo de fenômeno McCandless”. Pessoas, quase sempre homens jovens, vêm ao Alasca para se desafiarem contra um implacável cenário selvagem onde oportunidade de acesso e possibilidade de resgate são praticamente inexistentes… quando você considera McCandless da minha perspectiva, você apercebe-se que o que ele fez não foi particularmente corajoso, apenas estúpido, trágico e inconsciente. Primeiro de tudo, ele gastou muito pouco tempo a aprender como realmente se vive na selva. Ele chegou em Stampede Trail sem um mapa da região. Se ele tivesse um bom mapa ele poderia ter saído daquela situação difícil. Basicamente, Chris McCandless cometeu suicídio”. Muitos o acusam de egoísmo e superficialidade, considerando a sua atitude de abandonar tudo, sem falar com a família, e partir para o desconhecido, como uma forma de satisfação pessoal e ostentação, e até mesmo de suicídio. – Suicídio este, que segundo muito dos simpatizantes de MacCandless, como Krakauer e Sean Penn, e os seus próprios pais rejeitam, pois McCandless ao deixar a mensagem no ônibus a pedir que o resgatassem, claramente não era um suicida, e sim um jovem em busca de uma aventura para mais tarde recordar. – Judith Kleinfeld escreveu no Notícias Diárias do Ancoradouro que “muitos alasquenses reagiram com raiva a essa estupidez apelidada por muitos de “aventura”. Tem-se que ser um completo idiota, para morrer de fome no verão a 30 kmde distância da estrada do parque, disseram eles.”

No entanto, Roman destaca o quão é difícil para qualquer pessoa aventurar-se e fazer o que McCandless fez: “Claro, ele fez porcaria. Mas admiro o que estava tentando fazer, depender completamente da terra como ele fez, mês após mês, é extremamente difícil. Nunca o fiz. E aposto com vocês que muitas poucas, ou mesmo nenhumas das pessoas que chamaram de incompetente a McCandless, também não o fizeram, pelo menos não por mais de uma semana ou duas. Viver no interior da floresta por um longo período, subsistindo apenas do que se consegue caçar e apanhar – a maioria das pessoas não sabe o quanto isso é difícil. E McCandless quase o conseguiu. – Acho que não consigo deixar de me identificar com o tipo – confessa Roman – Detesto admiti-lo, mas ainda não há muitos anos seria fácil ter sido eu a estar metido neste tipo de dificuldades. Quando comecei a vir para o Alasca, provavelmente era muito parecido com McCandless: inexperiente como ele, orgulhoso como ele. E tenho a certeza de que há muitos outros habitantes do Alasca que tinham muito em comum com McCandless quando chegaram cá, incluindo muitos dos seus críticos. E talvez seja por isso que são tão severos com ele. Talvez McCandless lhes recorde demasiado como eram.” Outros, como Krakauer, admiram a sua coragem inabalável de viver melhor, com simplicidade, tirando partido das pequenas coisas da vida, vivendo aventuras e experiências que mais tarde poderia contar aos seus netos; sendo livre e feliz. Os dois anos que viveu servem ainda hoje de exemplo para milhares de jovens que decidem mudar não só o seu futuro, mas o seu presente, tal como outros serviram de inspiração à viagem do próprio Chris McCandless.

A acrescentar ao fascínio irrealista pelo lado selvagem da América Chris McCandless idolatrava o eremitismo de Thoreau e mimetizou as paisagens ficcionadas de Jack London. Todavia, já era tarde quando percebeu que entre a ficção e a realidade por vezes o fosso é abissal. Essa foi a dolorosa experiência de Chris McCandless que muitos perspectivam como própria de um maníaco misantropo desprovido de qualquer responsabilidade. Mas, por outro lado, o radicalismo de Chris McCandless é um ato de liberdade numa sociedade que diluiu o indivíduo à escala de um mero contribuinte ou de um número de segurança social de massas. O livro de Krakauer pode pois repousar na estante ao lado da “Geração X” de Douglas Coupland que, seguramente, compreendeu o êxodo de Chris McCandless em busca da última fronteira Americana. Para lá dessa fronteira fica-nos o livro como alegoria contra o conformismo que consome a nossa própria natureza.

Fonte: Diversas, na internet

Nota pessoal de Vander Dissenha: Faço parte daqueles que não concordam que Chris McCandless foi um idiota, ou um suicida. Acredito que ele morreu por falta de tomar alguns cuidados e por uma fatalidade. E fatalidades acontecem, mesmo quando se está preparado e que se tenha tomado todos os cuidados necessários quando se decide viver uma aventura, seja qual for. Eu como um semi-aventureiro, já me machuquei sem gravidade e escapei por muito pouco de situações que poderiam ter me custado a vida. Chris McCandless com certeza morreu feliz, pois morreu realizando seu grande sonho, e sonhos não tem preço.

Chris McCandless me serviu e serve de inspiração. Tanto o livro quanto o filme que contam sua história, me são fonte de releituras e consultas e sempre aprendo algo novo. Teve um tempo em que eu era meio “psicopata” em minhas aventuras e ia na base do conseguir ou morrer tentando. Hoje já não arrisco tanto, e procuro planejar bem minhas aventuras e viagens e principalmente ter o discernimento de saber o momento de mudar os planos, e se for o caso desistir. Acho que isso ocorreu em conseqüência da experiência e da idade, o que nos torna mais sábios e cuidadosos. E foi isso justamente o que no meu ponto de vista faltou ao jovem Chris McCandless e lhe custou a vida.

Chris McCandless.

Sean Penn (filme) e Jon Krakauer (livro) sobre Chris McCandless.

Cenas do filme Into the Wild.

BUS 142

Assistindo novamente “Into The Wild”

Hoje assisti novamente ao filme “Na Natureza Selvagem” (Into The Wild), que é um de meus filmes favoritos. O livro no qual o filme foi baseado também é um de meus favoritos. A história de Christopher McCandless, mesmo tendo final infeliz é para mim inspiradora. E mais uma vez vendo o filme tive idéias de novas viagens e aventuras. Então aguardem que em breve terei novidades para contar aqui no Blog!!

Eu não teria coragem para largar tudo e “cair no mundo” igual fez o jovem Chris, utilizando o pseudônimo Alexander Supertramp (Supertramp significa Super Andarilho). Mas consegui entender parte do que ele sentia e coloquei em prática isso faz algum tempo. Ficar atrelado a uma vida infeliz em troca de um bom salário, certa estabilidade e uma vida pequena burguesa cercada de muitos confortos da vida moderna, pode ser bom para muitas pessoas, mas com certeza afasta essas pessoas do seu “eu” ancestral, que é viver próximo, senão junto à natureza. E viver um tempo desapegado do dinheiro e do conforto, nos faz dar ainda mais valor as coisas simples da vida e as pessoas de que gostamos. Como disse o navegador Amyr Klink: “É preciso sentir frio para dar valor ao calor, sentir-se desabrigado para dar valor ao próprio teto”. Coloquei isso em prática – se bem que era algo que eu já fazia antes em menor grau – e desde então passei a dar valor às coisas que realmente importam. Não desisti de levar uma vida confortável, mas vez ou outra tenho que fazer alguma atividade, alguma viagem que me faça deixar de lado por algum tempo o conforto da vida moderna e viver de uma forma muito simples, valorizando as pequenas coisas.

Passei alguns anos infeliz e triste, me matando de trabalhar para ganhar cada vez mais dinheiro e depois descobri que isso não me trazia uma real felicidade. E bastaram alguns problema pessoais e de saúde, para que minha infelicidade se transformasse em uma depressão que quase me matou. Tive que recomeçar minha vida do zero, e ainda estou tentando dar um rumo definitivo a ela. Mas para isso tive que parar por um tempo e me aventurar por muitos lugares na busca de um novo rumo para minha vida e principalmente tentando me reconhecer, tentando descobrir quem era esse novo “eu”, a nova pessoa em que me transformei. Esse processo foi longo e muitas vezes doloroso, mas foi necessário e hoje encontrei finalmente meu novo norte e sei o que quero e o que não quero de/em minha vida daqui para frente. E nesse processo, tanto o livro quanto o filme “Na Natureza Selvagem” me ajudaram, serviram de inspiração. Para o personagem do livro/filme, infelizmente não foi possível recomeçar sua vida quando ele finalmente tinha encontrando o seu norte e decidira voltar a viver na “civilização”. Ele cometeu um erro que lhe custou à vida. Mas sua morte não foi em vão, pois ela serviu e serve de inspiração para pessoas no mundo todo.

Se você não conhece a história de Christopher McCandless, leia o livro e veja o filme. Garanto-lhe que alguma coisa, por menor que seja, vai mudar em sua mente e no seu coração. E se assistir ao filme, com certeza a trilha sonora de Eddie Vedder vai fazer valer a pena o tempo que “perdeu” vendo o filme.

NA NATUREZA SELVAGEM

INTO THE WILD

Livro: Na Natureza Selvagem

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Rodeio de Colorado (2ª Parte)

O segundo dia em Colorado foi tranqüilo. O chato foi que dormi pouco, pois não me deixaram dormir. Chegou mais um amigo nosso, o Percival. Eu e o Sid fomos acordar o Piti, que estava numa ressaca brava. Ele tentou resistir, mas não teve jeito e logo acabou levantando. Passamos boa parte da manhã sentados em frente à casa do Danilo, conversando. Chegaram mais três garotas de Maringá e a Dona Sueli, mãe do Danilo, providenciou almoço para todo mundo.

À tarde o sol estava forte e mesmo assim fomos para o centro da cidade, ver o movimento. Muitas ruas estavam fechadas, num verdadeiro “carnaval sertanejo”. Muita gente bebendo e dançando no meio da rua. Eram tantos carros com o som ligado no último volume que em alguns locais você não conseguia saber que música estava tocando, pois virava um mistura que chegava a doer nos ouvidos.

O pessoal ia ficar para a final do rodeio e para o show do Milionário & José Rico, que aconteceria a noite. Eu estava cansado e resolvi ir embora ao final da tarde. Mesmo cansativo acabou sendo um final de semana divertido e pude fazer muitos novos amigos. Em 2013 pretendo voltar ao rodeio de Colorado, dessa vez indo nos dois finais de semana, aproveitando mais o tempo, conhecendo mais pessoas e vendo mais shows.

Hora do almoço.

Almoçando.

Agito no centro da cidade.

Ruas cheias de gente.

Percival, Luciano, Vander, Sid e Piti.

O Luciano tava parecendo um pedinte...

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Rodeio de Colorado (1ª Parte)

No final de semana fui à Colorado, num dos rodeios mais famosos do Paraná. Fui com meus amigos Piti, Sid e Luciano. Nos encontramos em Maringá e de lá seguimos por quase 100 quilômetros até chegar à Colorado. A cidade estava lotada, com gente vinda de várias cidades do Brasil. Eu nunca tinha visto nada igual, centenas de pessoas acampando no meio da rua, dormindo em carros, calçadas, numa loucura total!!!

Ficamos na casa do Danilo, amigo do Piti. Ele, sua irmã Tuani e sua mãe nos receberam super bem. A casa estava servindo de “base” também para algumas meninas vindas de Maringá. De ponto negativo foi que logo ao chegar “chutei” sem querer um copo que estava no chão. O detalhe é que o copo era da Tuani, um copo de “estimação”. Fiquei super sem graça com tal incidente e ainda tive que agüentar o pessoal tirando sarro.

A noite fomos ao Parque de Exposições, onde teria prova de cavalo (três tambores) e rodeio de cavalos e touros. Eu não curto rodeios, pois não gosto que maltratem os animais, então sempre fico torcendo pelos animais. Não que eu queira que algum peão se machuque, apenas torço para que as montarias os derrubem rapidinho.

Após o rodeio teve show com a dupla Marcos & Belutti. A arena estava cheia e o pessoal bastante animado. Mesmo essa dupla não sendo de minhas favoritas, foi um bom show e valeu a pena ter ido.

Eu e o Piti voltamos para a casa do Danilo quando já passava das cinco da manhã. Estávamos nos guiando pelo GPS do Piti, pois não conhecemos muito bem a cidade. E daí o GPS ficou sem bateria quando estávamos quase chegando à casa. Sei que ficamos meia hora rodando para cima e para baixo por quase todas as ruas do bairro, até encontrar a casa. O mais engraçado foi descobrir depois que tínhamos passado pelas duas ruas laterais e não tínhamos encontrado a casa. O Piti estava bêbado e não ia encontrar nada mesmo naquela altura da madrugada! Já eu que não bebo nada alcoólico, não posso dar nenhuma desculpa por ter ficado perdido. Ou melhor, a desculpa é que tudo foi culpa do Piti, pois quando se saí junto com ele é normal se meter em alguma presepada.  KKKKkkkkk…

Luciano, Piti e Sid
Sid e seu “amigo” Red Label.
Arena de rodeios.

Show de Marcos & Belutti.
Patricia e Vander.
Piti e Tuani.
O Danilo vendo o show de “camarote”.
Marcos & Belutti.
Assistindo ao show.
Piti e Lorota.
Com minha prima, Adrielly Dissenha.

 

Parque Estadual do Marumbi

Todos nós temos nossos locais preferidos, seja um restaurante, um bar, um cinema, uma praça. No meu caso, um dos lugares que mais gosto no  mundo (e olha que conheci muitos lugares!!) é o Parque Estadual do Marumbi, uma cadeia de montanhas na Serra do Mar paranaense. A primeira vez que passei por esse lugar foi em 1989, de trem. E a primeira vez que coloquei os pés na região do Marumbi foi em 1995. A partir daí voltei várias vezes ao lugar e subi algumas vezes até o topo do Olimpo, que é um dos picos do conjunto Marumbi.

Acampei muitas vezes no camping próximo a Estação Marumbi, e passei ali a virada de ano de 1999 para 2000. Era a virada do milênio, todo mundo querendo festar e eu preferi me isolar e passei o réveillon sozinho no Marumbi, com muita chuva e frio. Foi um réveillon inesquecível em vários aspectos!

E além de meus momentos solitários no Marumbi, também tive momentos acompanhados por lá. Levei meu irmão e alguns amigos até o alto da montanha, com direito a muitas risadas e também alguns sustos. O Luis Cesar que o diga, pois ele quase morreu por lá!! E também levei alguns amores, com os quais passei momentos agradáveis e inesquecíveis tendo como testemunha o Marumbi. Mas sobre isso é melhor não contar aqui, pois esses amores hoje em dia estão casadas e são mães…

Atualmente vivendo no interior do Paraná, distante da Serra do Mar e das montanhas que tanto gosto, sinto falta de passar alguns momentos naquele lugar paradisíaco. Mas tenho certeza de que voltarei muitas vezes lá, pois quando gostamos de algo ou de alguém, sempre achamos um jeito de ficar perto do que gostamos.

Marumbi.

Estação Marumbi.

Sede do Parque Estadual do Marumbi.

Vander, tendo ao fundo o Marumbi.

IAP e ao fundo o Marumbi.

Estação Marumbi, vista do alto do Rochedinho.

Subindo o Rochedinho.

Mapa do Conjunto Marumbi.

Subindo o Olimpo.

Descansando na subida do Olimpo.

Camping do Marumbi.

Camping.

Fazendo almoço no camping.

Estação Marumbi.

Litorina chegando na Estação Marumbi.

Reveillon no Marumbi, 01/01/2000.

No alto do Olimpo, em 07/01/2001.

General Lee

Após alguns meses sem “pisar” em Cianorte, voltei à cidade com alguns amigos. Fomos ao General Lee, que é um bar muito interessante, com uma decoração exótica com muitos itens antigos. A noite era de “sertanejão”, com duas bandas cantando ao vivo. Foi muito divertido e teve um cara que dançou tanto que chegou a torcer o joelho e ao que tudo indica vai ter que passar por uma cirurgia. Depois dessa acho que esse meu amigo nunca mais vai esquecer Cianorte e uma certa moça com um vestido de onça… kkk!!!

Dudu, Pit e Vander.

General Lee – Cianorte/Pr

Interior do General Lee.

Interior do General Lee.

Show de Edson & Hudson em Campo Mourão

E ontem fui ao segundo show sertanejo do final de semana. Depois do show da Paula Fernandes no sábado à noite em Maringá, dessa vez fui ao show de Edson & Hudson, em Campo Mourão. A dupla de irmãos é uma de minhas favoritas e tinha lamentado muito a separação deles. Mas agora voltaram a formar a dupla e prometem fazer muito sucesso. O show foi bom, cantaram novas músicas e principalmente os antigos sucessos, que o público presente no show cantou junto. Foi um excelente programa para o domingo a noite, principalmente por que a segunda-feira é feriado por aqui.

Edson & Hudson.

O show correndo solto…

Edson & Hudson.

Vander, com sono!!!

Show da Paula Fernandes em Maringá

Como terei que passar os finais de semana em Maringá durante um tempo, estou aproveitando para sair e conhecer um pouco mais da cidade. E ontem fui no show da Paula Fernandes, que aconteceu num dos pavilhões da Expoinga.

O show começou quase uma da manhã e tinha bastante gente. E foi muito bom, pois a Paula Fernandes tem boas músicas, canta bem e tem boa presença de palco. Foi um programa muito divertido!!

Paula Fernandes.

Paula Fernandes.

Vander e Demar.

Mira e Vander.

Paula Fernandes.

 

Bingo!

Para finalizar a sexta-feira véspera de feriadão (segunda é feriado do padroeiro) fui com alguns amigos do trabalho em um bingo. O bingo promovido pela comunidade ucraniana de Campo Mourão foi realizado no salão de festas, ao lado da Igreja Ucraniana da cidade. Ao chegar ao salão de festas me lembrei que a última vez em que estive numa festa naquele local foi em 1978, logo após meu irmão ter nascido. Ou seja, fazia 34 anos que eu não pisava ali.

Além do bingo teve jantar, onde foi servido arroz carreteiro. E mesmo não tendo ganhado nenhum prêmio no bingo, acabou valendo o programa, pois demos boas risadas na mesa. E ganhei a noite quando a vice-prefeita passou por nossa mesa e disse que éramos um grupo de jovens bem alegres. Ser chamado de “jovem” estando próximo de completar 42 anos é um grande elogio!!! Kkk…

Fiquei por três pedras no prêmio principal, que era um cheque de R$ 5.000,00. E no nosso grupo teve uma menina que ficou faltando somente uma pedra para ganhar o prêmio principal. Se não ganhei nada, ao menos comi um monte. Mas não comi mais que o Guilherme e o Maico, pois estes são bons de garfo!!

Maico e sua noiva.

Sid e sua futura noiva.

Guilherme e sua quase noiva.

Hora do jantar.

Início do bingo.

Meninas com o pé “quase” quente.

Show de Fernando & Sorocaba

Fui a um show do Fernando & Sorocaba, que já faz tempo que é minha dupla sertaneja favorita. O show estava lotado e foi muito bom, com quase duas horas de duração. E tem um momento do show em que os dois entram em bolas de ar e vão para o meio do público. Os caras são loucos!!! De negativo apenas a quantidade excessiva de músicas de axé que cantaram no show. Talvez eles ainda estivessem no clima de Carnaval! Mesmo assim não gostei, principalmente por não gostar de músicas baianas. De qualquer forma valeu ter ido ao show, com direito a tratamento vip e camarote gratuito!!!

aa
Fernando & Sorocaba.

Acesso VIP.

No camarote assistindo ao show.

Fernando e Sorocaba, dentro das bolas de ar.

 

The Oscar Goes To

Ontem foi noite de entrega do Oscar. Assisti somente uma parte da premiação, pois estava cansado e precisava levantar cedo no dia seguinte. Ainda não assisti ao filme que levou a estatueta de melhor filme (O Artista), pretendo fazer isso em breve.

Abaixo segue a lista dos filmes que ganharam o Oscar de melhor filme, desde 1990. Dessa lista de filmes, além do filme vencedor desse ano, só não assisti ao filme vencedor de 2010 (Guerra ao Terror). Foi esquecimento meu, e pretendo assistir a esse filme o mais breve possível. E dos demais filmes, alguns marcaram momentos importantes de minha vida e se encontram na lista dos meus filmes favoritos (Forrest Gump, Dança com Lobos, Silêncio dos Inocentes). Dez deles eu assisti acompanhado, no cinema (boas lembranças!). Teve um dos filmes que assisti num cinema nos Estados Unidos (Chicago) e outro que assisti no avião, numa viagem ao Chile (Quem quer ser um milionário?).

Abaixo lista dos últimos filmes vencedores do Oscar:

2012 O Artista 
2011 O Discurso do Rei 
2010 Guerra ao terror 
2009 Quem quer ser um milionário? 
2008 Onde os fracos não tem vez 
2007 Os infiltrados 
2006 Crash – no limite 
2005 Menina de ouro 
2004 O Senhor dos Anéis: o retorno do rei 
2003 Chicago 
2002 Uma mente brilhante 
2001 Gladiador 
2000 Beleza americana 
1999 Shakespeare apaixonado 
1998 Titanic 
1997 O paciente inglês 
1996 Coração valente 
1995 Forrest Gump 
1994 A lista de Schindler 
1993 Os imperdoáveis 
1992 O silêncio do inocentes 
1991 Dança com lobos 
1990 Conduzindo Miss Daisy

James Mollison: Onde Crianças Dormem…

Vi esse ensaio fotográfico graças a minha amiga Stella Maris Ludwig. O nome do fotógrafo é James Mollison, e o ensaio em questão mostra algumas crianças e os locais onde elas dormem. É muito interessante o contraste, os diferentes quartos, as diferentes camas. Algumas pobres, algumas ricas, outras exóticas. Olhar esse ensaio fotográfico nos faz pensar nas diferentes classes sociais, culturas, costumes.

Para ver mais fotos desse ensaio do James Mollison, visite o site: http://lounge.obviousmag.org/arxvis/2012/02/where-children-sleep.html

E para conhecer mais do trabalho do James Mollison, visite: http://www.jamesmollison.com/project_apes.php

Aniversários!!!

Não costumo postar mensagens de aniversário aqui no Blog, mas hoje farei uma exceção. É que tem três pessoas “especiais” fazendo aniversário por estes dias e queria fazer uma pequena homenagem a elas.

Hoje, dia 18 é aniversário da Fran, que completa 24 anos. Ela é uma pessoa muito querida e que após um tempo “afastada” reapareceu em minha vida.

Amanhã, dia 19 é aniversário do meu irmão, Wagão. Ele nos últimos anos deixou de ser somente meu irmão para se tornar meu melhor amigo e que me ajudou muito num período complicado pelo qual passei rescentemente.

E no próximo dia 23 será aniversário da Erica, minha sobrinha, que fará 19 aninhos. A ela um forte abraço desse tio que às vezes é meio chato e gosta de zoar (até demais) com ela.

E aproveito para também homenagear um amigo das antigas, que completou 42 anos no último dia 3. Um forte abraço ao José Mário, parceiro de muitas aventuras, desventuras, conquistas e frias pela vida afora, e do qual estou afastado já faz um tempo por questões geográficas e por relaxo de minha parte. A ele meus parabéns e minhas desculpas por ter desaparecido por tanto tempo.

Aos quatro aniversariantes desejo de coração que sejam muito felizes, que possam comemorar muitos mais aniversários em suas vidas e que consigam alcançar tudo aquilo que almejam.

Fran.

Wagão.

Erica.

José Mário.

Crise de identidade

Estou passando por uma crise de identidade. Nos muitos anos que morei em Curitiba muita gente brincava com meu sotaque do interior, com o “pÓrrrta” por exemplo. E agora que estou no interior já ouvi comentários de que não pareço ser do interior, e até mesmo zoaram do meu “sotaque curitibano” que destaca o “e” (lEitE quEntE). Então fiquei meio perdido nessa, pois de repente não sou nem curitibano e nem interiorano. Então o que eu sou? Sei lá!! Isso me fez lembrar de uma piada, que dizia que o cara foi morar nos Estados Unidos e lá não aprendeu a falar inglês e esqueceu o português. Então ele voltou ao Brasil “mudo”… Coitado!!! Kkkk… E essa piada me fez lembrar da Talita, que está morando na Alemanha e cada vez que me escreve fica ainda mais difícil de entender o seu português, devido à quantidade de erros. Ela simplesmente está esquecendo o idioma. Sorte dela que aprendeu bem o alemão, senão corria o risco de se um dia voltar ao Brasil, voltar “muda” igual o cara da piada.

E outra que me falaram essa semana foi que tenho uma aparência meio exótica. Até agora não entendi se isso é bom, se é ruim? Se a pessoa quis dizer que sou bonito, ou que sou feio? Segundo o dicionário, exótico significa: forasteiro, estranho, raro, inusitado, diferente, esquisito, curioso, esdrúxulo, excêntrico, alienígena, original, sistemático, alheio, extravagante, indefinível. Algumas dessas características se encaixam perfeitamente a minha personalidade. Já com relação a se encaixar com minha aparência física, sinceramente não sei? A única coisa que sei é que após tal comentário resolvi raspar a barba, a qual tenho usado já faz alguns anos. Talvez sem minha barba vermelha (que agora está ficando vermelha e branca) eu fique parecendo menos “exótico” e principalmente menos “alienígena”… 

A Regra dos Três Terços na Fotografia

Quem me falou da Regra dos Três Terços na Fotografia foi meu amigo G. G. Carsan, que é fotógrafo profissional. Há um ano e meio estávamos na Comix em São Paulo (Feira de Quadrinhos) e ele me pediu para bater umas fotos e me explicou rapidamente sobre a Regra dos Três Terços. Depois me mandou pesquisar sobre o assunto na internet, pois segundo ele, conhecer tal regra melhoraria consideravelmente a qualidade das fotos tiradas por mim. E foi o que fiz um tempo depois e inclusive descobri que existia uma configuração em minha câmera (que não é profissional) que deixa no visor as linhas da Regra dos Três Terços, e isso facilita o enquadramento e melhora a qualidade das fotos.

A Regra dos Três Terços é muito utilizada na composição de uma boa foto, principalmente se a foto for de alguma paisagem. Se você observar revistas com fotos profissionais ou observar como as cenas são enquadradas na TV ou em filmes, perceberá que o objeto principal raramente está no centro da imagem. Os fotógrafos se baseiam no que provavelmente é a regra mais importante para a composição de uma foto: a Regra dos Terços. Essa regra divide virtualmente o enquadramento em partes iguais utilizando um símbolo que lembra um jogo-da-velha (algumas câmeras inserem o símbolo no visor para auxiliá-lo nessa função). A ideia é que os quatro pontos formados no enquadramento (onde as linhas do jogo-da-velha se cruzam) são áreas de interesse comum. Alocando o objeto em um desses pontos geralmente cria-se uma imagem harmoniosa. E sem dúvida, você perceberá que a maioria das fotos profissionais segue essa regra. Mas essa regra não precisa ser obedecida sempre, já que ela serve mais como um guia para registrar as imagens de forma menos amadora.

O esquema de três terços.

Alguns objetos, porém, merecem um tratamento diferenciado. Por exemplo, você pode alinhar seu assunto não em um dos quatro pontos, mas sim por toda a extensão de uma das linhas. Tal dica também vale no caso de o objeto a ser retratado ser muito grande e ocupar grande parte do enquadramento e não caber em um dos quatro pontos. Nesse caso o melhor a fazer é escolher um elemento interessante e se focar nele. Se você está fotografando uma pessoa ou um animal, os olhos são um bom local para se focar.

A Regra dos Três Terços.

Abaixo estão três fotos que tirei em uma praia de Florianópolis nos primeiros dias de 2012. Nessas fotos utilizei a Regra do Três Terços, enquadrando o objeto principal (no caso, os barcos) uma vez em cada quadrante. Veja o resultado final dessa experiência, escolha qual foto ficou melhor composta e assim entenderá melhor a Regra dos Três Terços.

Aqui os barcos estão no primeiro quadrante.

Aqui os barcos estão no segundo quadrante.

Aqui os barcos estão no terceiro quadrante.

Stella Barros Turismo

Hoje está fazendo exatamente dez anos que saí da Stella Barros Turismo, franquia de Curitiba. Foi o melhor emprego que já tive, não em razão do salário, mas sim do ambiente, das pessoas que conheci lá, de tudo o que aprendi. Trabalhei na Stella Barros, de maio de 1993 até janeiro de 1998, e depois de janeiro de 1999 até janeiro de 2002. E saí de forma definitiva por que a agencia fecharia as portas, pois senão acho que estaria lá até hoje.

Na época em que trabalhei na franquia Stella Barros de Curitiba, a operadora Stella Barros era uma das maiores do Brasil, possuía cerca de cinqüenta franquias. Era operadora oficial da Copa do Mundo e Olimpíada, e o carro chefe de vendas eram os pacotes para a Disney. Eu que já gostava de viajar, depois que fui trabalhar na Stella Barros fiquei gostando ainda mais de viagens. Mesmo trabalhando na área administrativa aprendi muita coisa sobre pacotes e roteiros turísticos, companhias aéreas, reserva de hotéis, obtenção de vistos. Aprendi coisas que nos anos seguintes utilizei em viagens que fiz.

Trabalhei com muita gente legal na Stella Barros e foi lá que conheci o Mauricio, grande amigo até hoje, parceiro de muitas aventuras e desventuras pela vida afora e com quem depois também trabalhei junto no Colégio Medianeira de Curitiba. Outros amigos inesquecíveis que lá conheci foram: Consuelo Zardo, Marcelo Romeiro, Paulinha Pasqualine, Sheila Watanabe, Inês Santeti, Marli, Dora, Newton e Ricardo Bayel. E as donas da agencia; Kate e Silvia, com as quais aprendi muita coisa, tanto na área profissional quanto na pessoal e principalmente adquiri uma grande carga cultural, pois ambas eram cultas, viajadas e inteligentes. Então os anos que passei trabalhando para elas foram de intenso aprendizado. E do que mais sinto saudade dessa época, foram dos seis anos que morei nos fundos da agência, numa casa/garagem. E essa casa/garagem tem muitas histórias boas, engraçadas e inesquecíveis. Muita coisa legal acontecia ali nas noites frias de Curitiba e nos finais de semana tranqüilos do bairro Batel. Pena que aquela época não volta mais…

Casa onde a Stella Barros de Curitiba funcionou entre 1993 e 2002.

Confraternização de final de ano. (1994)

Vander, Sheila e Raquel. (1995)

Vander e Ricardo. (1995)

Festinha surpresa no meu aniversário de 26 anos. (1996)

Newton, Paulinha, Marcia, Vander e Mauricio. (1997)

Marcelo, Mauricio e Vander. (2000)

Consuelo e Vander, Tampa - USA. (2002)

A casa/garagem de boas recordações. (foi demolida em 2003)

Novamente no Paraguai

Aproveitando a viagem até Marechal Cândido Rondon (ver post anterior) e a proximidade da cidade com o Paraguai, acabei indo fazer umas comprinhas no lado de lá da fronteira. O calor estava forte, algo entre 36 e 38 graus. Mesmo assim acabei andando bastante visitando algumas lojas. Antes de ir embora aproveitei para rodar um pouco pelo Paraguai e conhecer mais a região.

Acabei encontrando minha ex e última namorada, Andréia. Fazia alguns meses que não nos víamos, e acabamos nos encontrando numa “esquina” paraguaia.  Realmente esse mundo é pequeno!

Igual ocorreu nas últimas vezes que fui ao Paraguai, entrei e saí do país sem que me parassem, olhassem documento ou revistassem o carro para ver que tipo de mercadoria eu estava levando. Se por um lado não ser parado pela Receita Federal ou Polícia Federal brasileira acaba sendo bom, pois não tem aquele incomodo de ficar respondendo perguntas e ver o carro e as compras sendo vasculhados, por outro lado fico preocupado com essa falta de controle na fronteira. Imagine a quantidade de drogas e armas que entram ilegalmente no Brasil todos os dias, em razão do fraco controle das fronteiras. Dessa forma fica difícil combater a criminalidade que aumenta a cada dia no Brasil, pois se em locais onde existem postos de fiscalização e controle de fronteira não existe uma fiscalização eficiente, imagine como ficam os milhares de quilômetros de fronteira que não possuem nenhum tipo de controle? Desse jeito fica difícil!

Muito calor.

Conhecendo um pouco mais do Paraguai.

Monumento aos 200 anos de República (1811 - 2011).

Ponte Ayrton Senna, na divisa entre Mato Grosso do Sul e Paraná.

Marechal Cândido Rondon

No último final de semana fui a Marechal Cândido Rondon, cidade com uma das maiores colônias de imigrantes alemães no Brasil. Tenho muitos amigos nessa cidade, e já tinha ido várias vezes lá, mas fazia exatos onze anos que não visitava a cidade. Dessa vez fui até lá para visitar meus amigos Marcos e Roseméri. Desde que eles mudaram de Curitiba há uns seis anos, que eu não os via. E além da grande amizade que tenho pelos dois, fui o cupido do casal, fui eu quem apresentou um ao outro e depois fui padrinho de casamento deles.

Mesmo sendo rápida a visita, passei bons momentos na cidade em companhia de meus amigos e também revi familiares da Roseméri, que eu conheço há quase duas décadas. Além de muita conversa, e a noite uma saída para pizza e sorvete, a melhor parte da visita foi conhecer a filhinha do casal. A menina é uma graça e acabei brincando um pouco com ela, que ficava me chamando de tio. Eu que não gostava de crianças, que tinha medo de ter filhos, de uns anos para cá perdi tal medo e descobri que me entendo bem com as crianças. Talvez por que no fundo eu tenho ainda um pouco da criança que fui (e continuo sendo).  Kkkkk

Vou procurar não demorar tantos anos para fazer nova visita aos meus queridos amigos. E disse aos dois que já que fui eu que os “desencalhei”, agora é a vez de eles darem um jeito de me “desencalhar”. Vamos ver se eles são tão bons como cupidos, igual eu fui e me arrumam alguma(s) pretendente(s). Kkkkkkkkkk…

Portal de Marechal Cândido Rondon - Pr.

Sou o "culpado" por essa família " existir"...

Rodeios e Farra do Boi

Uma coisa é matar animais para que sirva de alimento, outra coisa bem diferente é judiar e matar animais por pura diversão. Nos últimos anos estive em algumas festas de peão e não assisti aos rodeios, pois não gosto de ver os animais sendo maltratados. E sempre sou a favor do touro, quando ouço que em alguma tourada o toureiro foi chifrado.

E acho a tal da Farra do Boi, em Santa Catarina um grande absurdo. Meu pai é catarina, tenho muitos amigos catarinas, já tive namorada em Santa Catarina e não tenho nada contra o pessoal de lá. Inclusive o último reveillon passei em Florianópolis. Mas acho um absurdo, uma covardia o povo de lá ficar correndo atrás e maltratando bois por culpa de uma tradição antiga e idiota.

Ainda não consegui virar vegetariano, mas tenho diminuído meu consumo de carne que já devo estar “economizando” um boi por ano.

Farra do Boi.

Farra do Boi.