Em meados de 1991, teve um concurso de arte promovido pela Prefeitura Municipal, onde muitas obras de arte foram instaladas pelas ruas de Curitiba. Muitas destas obras desapareceram e outras estão esquecidas. Uma das obras esquecidas e que sempre foi minha obra favorita, fica em plena Rua XV de Novembro, entre a Rua Barão do Rio Branco e Rua Monsenhor Celso, num dos lugares mais movimentados da cidade. Não recordo o nome da artista que compôs essa obra. Tentei buscar informações no Google mas não encontrei nada. A artista se inspirou numa antiga cantiga popular e fez uma pequena rua com pedrinhas de brilhante. Na verdade as pedrinhas são de vidro, mas quando a obra foi inaugura as pedras de vidro eram novas e brilhavam, formando uma bela obra de arte. Hoje em dia essa obra esta esquecida, suja e riscada pelos passos de milhares de pessoas que diariamente pisam nela. A maioria nem se da conta de que aquilo é (ou foi) uma obra de arte. Sempre que passo por ali com alguém, conto a historia de tal obra, que mesmo após tantos anos e depois de ter perdido sua beleza, continua sendo minha obra favorita e me trás muitas boas recordações das primeiras vezes que por ela passei.
Se essa rua
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhante
Só pra ver
Só pra ver meu bem passar
Nessa rua
Nessa rua tem um bosque
Que se chama
Que se chama solidão
Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Tu roubaste
Tu roubaste o meu também
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Foi porque
Só porque te quero bem
Minha câmera foi roubada no final do ano e apenas no início de fevereiro consegui comprar uma nova. Saí para testá-la em duas tardes de domingo, fotografando no Jardim Botânico e no centro de Curitiba. Hoje aproveito para compartilhar algumas dessas fotos de teste.
Prédio antigo na Rua XV.
Prédio da primeira agencia do Banestado em Curitiba.UFPR
E dando sequência às lembranças dos 20 anos de minha vinda para Curitiba, hoje, encerrando esta série de memórias, vou falar um pouco sobre o dia da incorporação, ocorrido em 13/02/1989.
Após uma noite mais ou menos dormida, levantei cedo e fui para o café. O cardápio era pão com margarina e o famoso “KO”, uma mistura de leite e café em pó de gosto não muito agradável. O nome “KO” vinha de um produto usado para dar brilho em metais, que tinha a mesma cor e consistência daquela bebida. Durante os dois anos em que fiquei no Exército, usei o verdadeiro “KO” de polimento para dar brilho na fivela dourada do cinto da farda de passeio, que sempre precisava estar impecável.
Depois do café, ficamos em forma em frente ao pavilhão da CCS ouvindo algumas instruções, e então foram definidos os últimos cortes — aqueles que, por algum motivo, seriam dispensados. Em seguida, todos em fila indiana, aguardamos o momento de sair do quartel e entrar marchando no tradicional ritual de incorporação. Lembro que, atrás de mim na fila, estava o Mário, um curitibano que, dias depois, se tornaria meu companheiro de beliche e armário, além de um dos melhores amigos que já tive — praticamente um irmão.
O 20º BIB era dividido em três companhias de fuzileiros, mais a Companhia de Apoio e a CCS. Ao todo, cerca de 500 novos recrutas seriam incorporados. Ainda não éramos soldados, mas recrutas ou conscritos. Só ganhamos o título de soldados dois meses depois, após recebermos o treinamento básico e participarmos da “Operação Boina Preta” — talvez a semana mais dura de nossas vidas, mas essa é outra história.
De roupas civis, seguimos em fila até a rua em frente à entrada do quartel. Lembro (e as fotos confirmam) que eu usava tênis, uma calça Fiorucci preta comprada no Paraguai e uma camiseta branca da Norpeças, empresa onde trabalhava. Com a banda tocando músicas militares, entramos marchando portão adentro, desfilamos para o Comandante e cantamos o Hino Nacional. Após esse ritual, estávamos oficialmente incorporados — e não havia mais volta. No mínimo um ano até dar baixa e voltar à vida civil. Recebemos nosso “enxoval”, com itens de higiene, mochila e outros pertences, além da farda verde-oliva. Meu maior suplício foi conseguir passar o cadarço no coturno.
Nesse mesmo dia começou nosso período de quarentena: quatro semanas de treinamento intenso e variado, de dia e de noite. Aprendemos ordem unida, manuseio de armamento, noções de hierarquia, símbolos e divisas, além de boas maneiras e diversas canções militares. A mais difícil para mim foi o hino do Batalhão, que exigia assoviar uma estrofe inteira. Eu não sabia (e até hoje não sei) assoviar. Isso me rendeu duas faxinas e uma situação constrangedora quando, durante uma inspeção, o comandante me escolheu para ouvi-lo assobiar. Ao perceber que eu apenas “dublava”, perguntou se eu não sabia assoviar. Respondi que não, e ele apenas disse: “Então continue soprando como se estivesse assoviando”, e virou as costas.
Histórias como essa — algumas engraçadas, outras tristes e até trágicas na época, mas que hoje me fazem rir — marcaram os dois anos que passei no Exército. Foram difíceis no início, mas melhoraram com o tempo. Para contar tudo, seria preciso escrever um livro. De pouco mais da metade desse período, tenho um diário com registros. O resto está guardado na memória.
Na minha carteira de reservista consta o tempo de serviço militar como “dois anos, zero mês e zero dias” — dois anos exatos. Nesse período, chorei, sofri, derramei suor e lágrimas, enfrentei medo, solidão, desespero, mas também vivi alegria, companheirismo e amizade. Acima de tudo, esses dois anos ajudaram a me moldar como pessoa: honesta, trabalhadora, disciplinada, patriota e amiga dos amigos. Fiz amizades que se tornaram irmandades, forjadas em momentos de dificuldade, quando muitas vezes só tínhamos uns aos outros.
Na CCS de 1989 éramos 75 recrutas. Claro que não dava para ser grande amigo de todos, mas, no geral, me dava bem com quase todos. Lembro de muitos com saudade, principalmente ao rever as 320 fotos que guardo daquele período. Hoje, com câmeras digitais, isso pode parecer pouco, mas na época — quando dependíamos do fotógrafo do quartel, o Jackson, e do nosso mísero soldo para pagar — era uma quantidade significativa.
Encerro aqui esta pequena série de memórias, em homenagem aos 20 anos da minha chegada a Curitiba e da incorporação ao Exército. Esta lembrança é também uma homenagem àqueles 75 “moleques” que, na manhã de 13/02/1989, entraram pelos portões do 20º Batalhão de Infantaria Blindado. Suas vidas mudaram de alguma forma naquele momento. Ali, meninos começaram a se tornar homens.
Uma menção especial ao Renato (Quick), que já nos deixou há muito tempo, e ao Joelmir, que sofreu um grave acidente há alguns anos. Não sei ao certo sobre todos — há boatos de que o Miato e o Claudio também tenham falecido, mas nada confirmado.
Para os amigos vivos, deixo esta mensagem:
Os heróis já tombaram das alturas, Covardes, bravos, jazem olvidados; Seus feitos, tudo aos livros relegados; Nada mais resta, apenas sepulturas.
E eu, quem sou? Perguntam: eu quem sou? Pois bem, eu lhes direi: sou um soldado, Igual a qualquer outro que lutou, Que avançou, combateu, foi derrubado.
Mas o importante é que sou (ou fui) da Infantaria.
Hoje faz exatos 20 anos que cheguei a Curitiba, numa manhã de domingo chuvosa, cinzenta e meio fria. Depois de uma viagem cansativa durante toda a noite, dormindo pouco e mal, acordei já na entrada da cidade. Apesar de conhecer Curitiba e de ter vindo várias vezes para cá, eu não conhecia o bairro Bacacheri nem o quartel do 20º BIB.
Lembro que descemos a Rua Treze de Maio e me chamaram a atenção os prédios antigos e a iluminação do Largo da Ordem, que até então eu não conhecia. Pensei que, em algum momento, precisaria voltar ali para explorar melhor o lugar. Mal sabia que, 16 anos depois, eu iria morar a apenas 150 metros dali, em pleno Largo da Ordem.
Eram aproximadamente 6h30 quando estacionamos em frente ao quartel do 20º BIB. Seu tamanho me impressionou. Após desembarcarmos, entramos em fila pela entrada principal e ali já começou a “encheção de saco” por parte dos soldados mais antigos. Parecíamos um bando de ovelhas assustadas, seguindo para o abate. Fomos levados a um dos pavilhões, a CCS – Companhia de Comando e Serviço. Entramos em um alojamento e passamos a manhã toda ali, sendo constantemente abordados por cabos e soldados que faziam pressão psicológica e tentavam aplicar trotes.
Entre eles, encontrei um conhecido: João Garaluz, amigo antigo de Campo Mourão, dos tempos da “Unidade Polo”. Ele não me deu muita atenção, mas também não me incomodou. Lembro também de um rapaz forte, negro, chamado Sebastião, que logo ganhou o apelido de “Trovão”. A cada dez minutos algum soldado gritava “Trovão!”, e ele tinha que bater no peito e responder: “bum, bum, bum!”. Mais tarde, servimos na mesma companhia e nos tornamos amigos. O apelido pegou de tal forma que, durante todo o tempo em que serviu, ele era mais conhecido como Trovão do que pelo próprio nome.
Outro reencontro foi com Douglas, também amigo de colégio em Campo Mourão. Depois apareceram mais alguns conhecidos: Raul e Adelson, que, no entanto, foram embora dois dias depois. Mais tarde, no processo de incorporação, percebi que éramos cinco de Campo Mourão na CCS: eu, Douglas, Cláudio, Odair e Licoski. O Odair tinha estudado comigo na 5ª série, e fazia muito tempo que não o via até reencontrá-lo ali. O Cláudio também havia sido colega anos antes. No total, incluindo outras companhias, devíamos ser uns 40 rapazes de Campo Mourão.
Na hora do almoço seguimos em fila até o refeitório, ansiosos para descobrir se a comida de quartel era realmente ruim, como sempre se dizia. Ao vivo, parecia ainda pior do que eu imaginava. Peguei meu bandejão, entrei na fila e o soldado que servia tentou encher minha bandeja, mas recusei educadamente e saí de fininho. A comida era simplesmente horrorosa, muito além do que eu esperava. Depois de comermos — e ouvirmos mais algumas broncas — voltamos para o alojamento, onde ficamos até a metade da tarde, quando fomos ao ginásio para o exame médico.
No exame em Campo Mourão, eu havia sido reprovado no teste de visão, já que ainda não usava óculos. Mas queria servir. Percebi, na época, que o médico sempre pedia para ler a mesma linha de letras. Então decorei a sequência e, assim, consegui passar.
No ginásio encontrei mais alguns conhecidos de Campo Mourão que já serviam no 20º BIB. Entre eles, o Paulinho (Paulo Bonfim), amigo de infância que infelizmente faleceu em um acidente dois anos depois. Também reencontrei o Cabo Siqueira, colega dos tempos de Colégio Estadual, que depois se tornaria sargento, e o Cabo Fernandes, outro amigo da mesma época, que hoje mora em frente à casa dos meus pais.
Depois do exame, voltamos ao alojamento e lá permanecemos até o anoitecer. Na hora da janta, resolvi não ir ao refeitório: imaginei que a comida requentada seria ainda pior. Perguntei se poderia sair para dar uma volta, e como ninguém respondeu, saí de fininho. Consegui inclusive sair para fora do quartel. Ao lado ficava a Base Aérea de Curitiba, com um longo muro branco que seguia por alguns quarteirões. Fui acompanhando o muro até encontrar, do outro lado da rua, um boteco aberto. Entrei, comi um salgadinho e voltei rapidamente, com medo de não conseguirem me deixar entrar novamente. Quando cheguei ao alojamento, os demais já estavam retornando do refeitório. Alguns foram tomar banho e fui junto.
Naquela noite tomei meu primeiro banho gelado — nem frio era, era gelado mesmo — de muitos que viriam nos dois anos seguintes. O sistema era de caldeira, e a água quente já havia acabado. Pouco antes das 22h nos mandaram para a cama. Subi num beliche, me cobri com uma manta e fiquei pensando se haveria algum trote depois do apagar das luzes. Mas o sargento de plantão disse que ninguém nos incomodaria, já que ainda não tínhamos passado pela incorporação e éramos considerados civis. Ele não queria correr o risco de algum acidente. Depois da incorporação, avisou ele, a história seria outra — e realmente foi.
Às 22h em ponto as luzes se apagaram. Algo que me chamou a atenção foi o potente farol do radar da Base Aérea, que girava e de tempos em tempos iluminava o alojamento. Aquilo me lembrou cenas de filmes de prisão. Naquele momento, eu realmente me sentia preso.
No beliche de baixo dormia um rapaz de Campo Mourão que eu ainda não conhecia. Pouco tempo depois, alguém entrou no alojamento puxando as mantas de quase todos. Quando chegou a minha vez, parou, me olhou e seguiu adiante sem puxar a minha. Percebi que fui o único daquela fileira que manteve a manta. Acredito que tenha sido o Garaluz, que, em nome dos velhos tempos, me deu uma colher de chá. Já o rapaz do beliche de baixo começou a chorar. Foi ouvindo aquele choro que acabei adormecendo. No dia seguinte ele foi dispensado e voltou para casa. Anos depois o vi em Campo Mourão: ele me olhou como quem reconhecia, mas eu apenas sorri de forma debochada, lembrando de seu choro naquela primeira noite de quartel.
Meu primeiro dia em Curitiba e no quartel não foi dos melhores — mas com certeza também não foi dos piores. Os dias realmente difíceis ainda estavam por vir.
Hoje faz 20 anos que saí de casa. Foi num sábado à noite, em 11/02/1989, que embarquei num ônibus da Sul Americana com mais 41 rapazes, rumo a Curitiba. O ônibus havia sido fretado pelo Exército Brasileiro, e eu estava prestes a iniciar uma das maiores aventuras da minha vida: servir ao Exército.
Daquela noite lembro bem da despedida de minha mãe em casa. Ela chorava, mas não muito, acreditando que eu voltaria em uma semana. Minha irmã Vanerli e meu cunhado Clésio (já falecido) me acompanharam até os fundos da Prefeitura Municipal, onde funcionava a Junta do Serviço Militar. Lá, apresentei-me a um sargento e logo entramos em forma para ouvir algumas instruções. Em seguida, embarcamos no ônibus e seguimos viagem. Entre os recrutas, estavam vários amigos de escola e conhecidos da cidade.
Acomodei-me na última poltrona e comecei a conversar com quem estava por perto. O papo estava animado e ríamos bastante, até que um sargento veio até o fundo e mandou que eu calasse a boca, dizendo que eu estava “agitando demais” o ambiente. Ameaçou-me dizendo que, se não me calasse, me trancaria no banheiro durante toda a viagem. Diante da “singela” ameaça, resolvi ficar quieto e tentar dormir. Mas não consegui. A ansiedade era grande: pensava na família, no bom emprego que deixava para trás, nos amigos, em uma ex-namorada (Rosana P.), que me abandonara um ano antes e por quem ainda sofria. Sabia que, indo para Curitiba, nunca mais teria chance de voltar com ela. O que mais me afligia, porém, era o medo do desconhecido: não saber o que me aguardava nos próximos dias. Eu estava indo para o 20º BIB (Batalhão de Infantaria Blindado), conhecido por seu rigor e fama de ser o quartel mais duro do sul do Brasil, pela disciplina e grau de exigência. Histórias de amigos que haviam servido lá nos anos anteriores só reforçavam essa reputação. E foi em meio a lembranças, medos, saudade e esperanças que, enfim, adormeci.
Vale lembrar um fato histórico daquela noite: o ônibus em que embarquei foi o terceiro daquela semana a seguir para Curitiba — e também o último da história. Durante muitos anos, jovens de Campo Mourão e região serviam parte em Brasília e vários nos quartéis de Curitiba. Mas aquele ônibus de 11/02/1989 foi o último a sair de Campo Mourão para lá. No ano seguinte, os rapazes da região passaram a servir no quartel de Cascavel, que era mais próximo. Anos depois, abriu-se um Tiro de Guerra em Campo Mourão, e ninguém mais da cidade seguiu para Curitiba.
Sempre lembro que, naquela noite, ocupei o último banco do último ônibus que levou jovens mourãoenses a Curitiba — encerrando um ciclo de vários anos e centenas de rapazes que deixaram sua cidade e sua família para cumprir o dever constitucional e patriótico de servir à pátria. Muitos desses jovens, por diferentes motivos, jamais retornaram para viver em Campo Mourão. Eu fui um deles.
A partir daquela noite de 20 anos atrás, minha vida mudou completamente. Conheci muitas pessoas, vivi inúmeras experiências: sorri, chorei, sofri, me alegrei. Mas, como diz Roberto Carlos (de quem não sou fã), “o importante é que emoções eu vivi”. Às vezes tento imaginar como teria sido minha vida nesses últimos anos caso eu não tivesse embarcado naquele último ônibus… mas é um exercício inútil. Nunca saberei que rumo teria tomado. Prefiro pensar que, se não tivesse ido, talvez o destino tivesse me reservado um caminho ainda mais difícil — ou até a morte, naquela mesma semana de fevereiro de 1989.
A vida é feita de ações que provocam reações. Uma simples decisão — ficar ou partir, e o momento em que isso acontece — pode desencadear processos imprevisíveis. Por isso, sou grato a tudo o que vivi desde aquela noite em que embarquei naquele ônibus, especialmente pelos amigos maravilhosos que conquistei a partir dali.
Sem querer, acabei descobrindo que existe uma cidade chamada Wanderlândia, localizada no interior do estado de Tocantins. Eu já sabia da existência de uma cidade chamada Wanderley, na Bahia, próxima a Wagner (nome do meu irmão). Mas de Wanderlândia eu nunca tinha ouvido falar. O nome da cidade significa “terra de Wanderley” (o sufixo lândia vem do inglês land, que significa “terra”).
Dei uma olhada no site da Prefeitura e descobri que a cidade possui 9.317 habitantes — e que lá existem mais homens do que mulheres. Enquanto na maior parte do Brasil a população feminina é maioria, em Wanderlândia há 255 homens a mais. Mesmo com esse excesso masculino, confesso que fiquei com vontade de conhecer Wanderlândia.
PS: Abaixo, um comentário de um leitor do blog sobre a origem do nome da cidade:
Por: José Carivaldo Alves Braga
Segundo informações de meu querido pai, já falecido, somos da família Wanderley, oriunda do Ceará. Eles se estabeleceram em um vilarejo que recebeu o nome de Aldeia dos Wanderleys, pois os parentes costumavam casar-se entre si para manter a família unida. Mais tarde, quando o vilarejo cresceu e se tornou cidade, resolveram homenagear seus primeiros moradores, dando-lhe o nome de Wanderlândia.
Essa semana, três pessoas — duas no trabalho e uma na clínica onde faço fisioterapia — disseram que eu pareço com o Flávio, do Big Brother. Fui conferir e não me achei parecido. A única semelhança são os óculos e a barba ruiva.
O problema é que, nas poucas vezes em que assisti ao Big Brother, achei o tal Flávio muito chato e meio afetado.
Ontem, após o trabalho, fomos em uma turminha ao Armazém Santa Ana comemorar o aniversário da Tati, do setor de informática. Mesmo cansado depois de uma semana estressante, acabei indo prestigiar o happy hour. Primeiro, porque a Tati é uma das boas amigas que tenho no Medianeira. Segundo, porque já fazia tempo que eu queria conhecer esse lugar, em razão de sua história. O curioso é que o armazém não fica longe de casa, sempre passo em frente, mas nunca tinha dado certo de entrar. Nos próximos dias publico algumas fotos do aniversário da Tati. Logo abaixo segue um pouco da história do Armazém Santa Ana.
O Armazém Santa Ana tem 70 anos de história e é o mais antigo de Curitiba ainda em funcionamento. Foi criado por Paulo Szpak, um ucraniano que veio ao Brasil em 1929. Naquela época, no distante bairro do Uberaba, o local era ponto de descanso de tropeiros. Hoje, é parada obrigatória para quem busca uma boa cerveja. Antes de abrir o armazém na casa de madeira típica, pintada de laranja, Paulo trabalhou em areais, obras de estrada e como sapateiro.
O casarão, que vendia secos e molhados, com telhado alto e varanda, também oferecia querosene e grãos a granel. Pedro, o herdeiro, ampliou a gama de produtos, introduzindo ferramentas, baldes, pregos, lampiões, panelas e utensílios de ferro e metal, além de reforçar a oferta de secos e molhados.
Com a terceira geração à frente dos negócios, os filhos Ana e Fábio acompanharam o sinal dos tempos: deixaram de lado as ferragens e transformaram a varanda em ponto de encontro de amigos. Além dos tradicionais secos e molhados, passaram a vender salames, queijos, broas caseiras, embutidos, compotas artesanais, vinhos e cerveja artesanal.
Os quitutes preparados na casa são uma atração à parte para quem deseja deixar para trás o rebuliço urbano e seguir pela avenida cheia de curvas que leva ao sudeste da cidade, margeando ainda pequenas propriedades agrícolas e bucólicas paisagens verdes — que aos poucos dão lugar ao progresso e à especulação imobiliária.
No armazém, o tempo parece ter parado sobre a mesa coberta com oleado floral, ladeada por um banco comprido onde amigos se reúnem em torno de tira-gostos tirados da barrica ou do legítimo fernet. No endereço que, em 1934, ganhou alvará como “taverna de segunda classe no Umbará”, ainda hoje é possível degustar salame, chouriço, queijo caseiro ou rollmops, além da brasileiríssima feijoada e do típico barreado paranaense.
Como os Szpak são de origem ucraniana, não poderia faltar o pierogi, o tradicional pastel eslavo de massa cozida. Entre uma garfada e outra, o olhar percorre o imenso balcão de madeira onde, ao lado da variedade de alimentos, martelos, rastelos, pás e vassouras de piaçava disputam espaço e contam parte da história do bairro, surgido no século XVIII.
Entre as opções tradicionais de boteco, há ainda a carne de onça — carne moída de primeira, servida crua com bastante tempero verde sobre uma fatia de broa de centeio. Para acompanhar, um cardápio com até 12 variedades de cerveja, sempre bem gelada, e cerca de 30 tipos de cachaça artesanal, que fazem a festa dos boêmios. O Armazém Santa Ana é, assim, um dos últimos redutos de uma Curitiba com jeito de cidade do interior, onde colonos ainda trazem seus produtos para a feira.
“O coração humano tem tesouros ocultos. No segredo mantido, No silêncio selado… Os pensamentos, as esperanças, os sonhos, os prazeres… Cujo charme se romperia se revelado.“
Charlote Bronte
Livro “Jane Eyre”, 1847
A frase acima eu vi em um filme dias atrás. Achei muito bonita e até voltei algumas vezes para reler e copiar. Pesquisando, descobri que ela pertence a um livro publicado na Inglaterra em 1847, que até hoje segue sendo reeditado devido ao seu sucesso. Também descobri que já foram feitos dois filmes baseados nessa obra, ambos com o mesmo título do livro. Quero ver se encontro algum deles para assistir.
O filme em que vi a frase chama-se Três Vezes Amor. É uma produção leve e agradável, com uma boa trilha sonora e um roteiro bem construído. Vale a pena assistir.
Jane Eyre (livro)Cartaz do filme “Três Vezes Amor”.
Mais um ano se inicia, e as esperanças se renovam de que ele seja melhor do que o que passou. Não posso reclamar de 2008, pois foi um bom ano, com muitas coisas positivas.
No último dia de 2008, resolvi dar uma arrumada na casa, almocei um Whopper no Burger King e fui ao cinema assistir Marley e Eu. Também acompanhei a corrida de São Silvestre pela TV e fiquei com uma vontade enorme de estar lá em São Paulo correndo. Já participei de quatro edições da prova — em 2000, 2004, 2005 e 2006 — e sempre foi uma experiência maravilhosa. Vamos ver se em 2009 volto a correr, pois já estou sentindo saudades.
Recebi alguns convites para passar o Réveillon na casa de amigos, mas resolvi ficar em casa. Não sou muito de festejos e comemorações, acho o dia 31 de dezembro um dia normal como qualquer outro e não vejo razões para tanto alvoroço. Exemplo disso é que, nos últimos cinco réveillons, três eu passei dormindo.
No ano passado, passei a virada no prédio, junto com minhas duas vizinhas, assistindo aos fogos de artifício que iluminavam Curitiba — da minha casa se tem uma ampla visão da cidade. Na rua em frente, vários carros param para assistir aos fogos, e sempre há uma grande festa. Desta vez, as vizinhas me convidaram para passar a virada com elas no jardim do prédio. Elas trouxeram vários amigos, todos gays. Foi divertido, e os únicos heteros éramos eu e uma vizinha nova, do térreo, que estava tão bêbada que caiu na escada e não conseguia se levantar. Para piorar, uma das cachorras, que é muito brincalhona, achou que ela queria brincar e começou a pular em cima da pobre moça. Precisei intervir e resgatá-la da cachorra — e assim iniciei o ano fazendo uma boa ação. Quem sabe isso não seja um sinal de sorte para 2009?
Passei o Natal em Campo Mourão, como de costume. Dessa vez não fui para Maringá, no “Natal dos Dissenha”; fiquei em Campo Mourão mesmo, com minha mãe, minha avó, minha irmã e minha sobrinha. Como minha avó anda meio adoentada, minha mãe resolveu ficar para cuidar dela, e eu decidi ficar junto com minha mãe.
Meu humor não estava dos melhores. Nos últimos dias enfrentei situações muito estressantes no trabalho e, por pouco, quase não consegui viajar para o Natal. Também tive alguns problemas com meu vizinho e ex-amigo, que se envolveu com drogas e chegou a roubar algumas coisas minhas. Para piorar, minha inflamação no tendão voltou a incomodar, e ter que ficar “parado” deixou meu humor ainda mais azedo. Aproveitei, então, o feriadão de cinco dias para descansar e tentar relaxar. Li bastante e, todas as tardes, ficava de papo no jardim de casa, sentado naquelas cadeiras de fitas coloridas. O calor era intenso, por isso, quanto menos tempo dentro de casa, melhor.
Também pude refletir bastante sobre o futuro, e uma das conclusões a que cheguei é que preciso mudar de emprego o mais breve possível. Meu trabalho atual tem sido extremamente desgastante e, além de prejudicar minha saúde, tem tirado o prazer de fazer outras coisas. Por causa do estresse e da pressão no trabalho, vivo irritado, mal-humorado e desanimado.
Essa madrugada aconteceu um acidente horrível bem em frente ao meu prédio. Moro em um cruzamento, diante de uma rua que fica paralela à BR-116 (futura Linha Verde). O detalhe é que a BR fica “lá embaixo”, cerca de cem metros abaixo do nível da minha rua.
No início da madrugada, quatro rapazes, após saírem de um jogo de futebol, foram comemorar o aniversário de um deles e beberam bastante. Depois, decidiram dar algumas voltas de carro e, em uma praça próxima à minha casa, resolveram fazer alguns cavalos-de-pau. Em seguida, desceram pela rua lateral de casa em alta velocidade e, como não conheciam o local, não perceberam que a rua terminava em um barranco, com a BR-116 logo abaixo.
Para piorar, há cerca de dois meses, em razão das obras da futura Linha Verde, a prefeitura retirou o guard rail e as placas que sinalizavam o fim da rua. O resultado foi trágico: ao descerem correndo demais, o carro literalmente voou morro abaixo e caiu na BR-116, de rodas para cima. Por ironia do destino, o aniversariante, que completava 21 anos, morreu no local. Os outros três rapazes foram levados em estado grave para o hospital.
Esse acidente foi o resultado de uma sucessão de erros: consumo de bebida alcoólica, falta de habilitação, irresponsabilidade dos jovens e também da prefeitura, por ter retirado a sinalização da via.
Ontem apresentei, junto com a Monique — minha colega de faculdade e de trabalho —, o projeto de estágio do curso de História. A banca foi formada por alguns professores e assistida por vários alunos. Como fizemos o estágio no mesmo colégio (o colégio onde trabalho), acabamos apresentando juntos. Eu falei sobre a parte histórica do colégio, e a Monique sobre a parte pedagógica. A princípio, seriam 20 ou 30 minutos de apresentação, mas no fim foram 1h15 de exposição.
Escolhemos como professor da banca o Prof. Décio, considerado o mais exigente do curso. Acho que fomos os únicos a escolhê-lo, já que os demais alunos optaram por professores mais “light”. Particularmente, gosto muito do Prof. Décio e tinha confiança de que, junto com a Monique — como já havia acontecido no ano passado —, nosso projeto de estágio seria muito bom. Por isso queria que fosse testado da melhor forma possível e pelo avaliador mais rigoroso. No fim, valeu a pena: apesar de ele ter feito uma pergunta difícil, que tivemos certa dificuldade em responder, ao final nos deu discretamente um sorriso e um “ok”, o que significou que nos saímos bem.
Saí da faculdade às 23h20 e, no estacionamento, só havia meu carro parado lá no fundão. Para piorar, eu estava sem comer nada desde o almoço, com dor de cabeça e o pé machucado latejando. Mesmo assim, me sentia feliz e realizado, pois finalmente concluí a faculdade. Depois de ter iniciado três cursos, cheguei ao fim de um. Não foi fácil: foram anos de luta e sacrifício, finais de semana e madrugadas “perdidas” estudando, muitas horas de raiva em congestionamentos e um bom dinheiro investido. Mas, naquele momento em que caminhei mancando até o carro, tudo isso ficou para trás, e só existia em mim uma sensação de missão cumprida. Olhei para o céu e agradeci a Deus por ter me dado forças, principalmente nos momentos mais difíceis, quando pensei em desistir.
Fui para casa fazendo uma retrospectiva mental dos momentos bons e ruins da faculdade. No caminho, parei no Habib’s para comprar esfirras, pois a fome era enorme. Cheguei em casa após a meia-noite, tomei um banho rápido e me sentei na cama para comer. Depois disso, não lembro de mais nada: acordei de madrugada sentado na cama, morrendo de frio (a temperatura chegou a 9 graus), com a TV ligada, a luz acesa e um gosto de esfirra na boca.
Curitiba terá uma árvore de Natal ecológica neste ano. Com 12 metros de altura, a árvore vai iluminar o calçadão da Rua XV (ou Rua das Flores). A chamada “Árvore de Cristal” é feita com material reciclável. Sua estrutura foi preenchida com 4 mil garrafas plásticas cheias de água e líquidos coloridos. A árvore será iluminada com 6 mil watts de luz e poderá ser vista de longe. Espera-se que as garrafas funcionem como lentes especiais para difundir raios luminosos brancos e vermelhos. O “efeito cristal” será ampliado por microlâmpadas instaladas nas guirlandas e nos enfeites.
O material para a montagem da árvore foi recolhido e preparado por famílias atendidas nos 27 Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) da Fundação de Ação Social (FAS). As garrafas foram retiradas de rios, terrenos baldios e áreas públicas da cidade. Também participaram das etapas iniciais da construção da grande árvore e dos enfeites idosos atendidos em sete Centros de Atendimento ao Idoso (CATIs).
Ontem à noite fiquei vendo um filme e, por volta das 21h, saí para fora de casa. Ao olhar para o céu, algo me chamou a atenção. Bem à frente, a Lua formava um triângulo com mais duas estrelas (que, na verdade, eram dois planetas). Para minha sorte, acabou a energia elétrica na região em frente ao prédio onde moro e, com pouca luminosidade, o céu ficou ainda mais escuro. O tal triângulo estava ainda mais bonito de se ver. Fiquei um bom tempo observando aquilo, pois não me lembrava de ter visto algo parecido antes. Só lamentei não ter mais minha câmera fotográfica, pois daria uma bela foto.
Mais tarde, assistindo ao Jornal da Globo, descobri que aquilo que eu tinha visto no céu era um fenômeno raro, no qual um triângulo luminoso se forma com Vênus, Júpiter e a Lua (crescente). O planeta Vênus é tão luminoso que recebeu o nome da deusa da beleza, sendo chamado em alguns lugares de Estrela D’Alva. Já Júpiter tem o nome do deus dos deuses. A última vez que esse fenômeno ocorreu foi em outubro de 1961, e só acontecerá novamente em 2052. Fiquei surpreso com a notícia e, ao mesmo tempo, feliz por ter presenciado tal coisa, e ainda por acaso. Vamos ver se da próxima vez eu consigo presenciar, pois em 2052 estarei com 82 anos — e, para ser sincero, não sei se consigo chegar até lá.
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira…
Quando se vê, já terminou o ano…
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo, a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.
A filha chega em casa, em prantos, e diz para a mãe: – Mãe, mãe, fui violentada por um curitibano! – Mas… como sabes que era um curitibano? – Ele me obrigou a agradecer.
Qual é a diferença entre os curitibanos e os terroristas? – Os terroristas têm simpatizantes.
Qual é a semelhança entre um curitibano humilde e o Super-Homem? – Nenhum dos dois existe.
Numa ensolarada manhã em Curitiba, um turista comenta: – Que manhã bonita! O curitibano que passava ao lado responde: – Graças a nós, que fazemos o que podemos fazer de melhor.
Como se reconhece um curitibano numa livraria? – É o que pede o mapa-múndi de Curitiba.
Um curitibano estava sendo entrevistado na TV. Perguntaram-lhe: – Qual a pessoa que mais admira? – Deus! – E por quê? – Bem, foi Ele quem me criou!
O que se deve atirar a um curitibano que está se afogando? – O resto da família.
O que é o ego? – O pequeno curitibano que vive dentro de cada um de nós.
Qual é o negócio mais lucrativo do mundo? – Comprar um curitibano pelo que ele vale e vendê-lo pelo que ele pensa que vale.
O curitibanozinho fala com o pai: – Papai, quando eu crescer quero ser como você. – Por quê, piá?! – pergunta o orgulhoso curitibano. – Para ter um piá como eu.
Por que há tantos partos prematuros em Curitiba? – Nem as mães aguentam um curitibano por nove meses!
Por que os curitibanos, em geral, preferem não se casar? – Porque nunca encontram uma mulher que os ame mais do que eles se amam.
Por que não há terremotos em Curitiba? – Porque nem a terra os engole…
Sabem o que dá do cruzamento de um argentino com um curitibano? – Um porteiro que pensa que é síndico.
Se você não reenviar esta mensagem a 10 brasileiros, é porque é mais um sacana dum CURITIBANO.
MANIA DE CURITIBANO
FALA:
Chama cachorro-quente de vina.
Chama Fusca de fuque.
Chama semáforo de sinaleiro.
Diz bolacha em vez de biscoito.
Diz piá em vez de menino.
Diz guria em vez de menina.
Diz bexiga em vez de balão.
Diz setra em vez de estilingue.
Diz dolé em vez de picolé.
Atende o telefone com escute.
Chama as coisas pela marca (Kiboa, Bombril, Royal…).
Acha que não tem sotaque.
Ri do sotaque de todo mundo (paulista, carioca, mineiro, gaúcho etc.), achando que todos deveriam falar como ele.
CLIMA:
Fala sobre o tempo para puxar conversa.
Admira diariamente o lindo céu cinza de Curitiba.
Enfrenta sol, chuva, frio e calor no mesmo dia – e acha legal.
Mantém as janelas do ônibus fechadas, faça frio ou calor.
Sai todo agasalhado de manhã e tira quase tudo até o fim do dia.
Lava e encerra o carro no fim de semana, mas sempre chove quando vai passear.
PRAIA:
Fala que vai pra praia, sem especificar qual.
As mulheres vão à praia de joias e maquiadas.
Passa a temporada em Caiobá ou Guaratuba, mesmo que chova mais do que faça sol.
Vê o Oil Man desfilando de sunga no calçadão em Caiobá – e depois, o ano todo, em Curitiba.
ESQUISITICES:
Faz fila para tudo (ônibus, mercado, banheiro, elevador…).
Repara nas pessoas como se fossem de outro planeta.
Cumprimenta o vizinho de anos com um simples oi ou tchau.
Espera a semana inteira pelo fim de semana… e quando chega, não faz nada.
Separa o lixo que não é lixo.
Anda com o bolso cheio de papéis de bala até achar uma lixeira.
Demora para arrancar o carro quando o sinal fica verde.
Acha que tudo em Curitiba é melhor do que em qualquer outra cidade – mesmo sem nunca ter saído de lá.
Frequenta o Clube Curitibano, Graciosa ou Santa Mônica, e a cada 15 dias se esbalda no Baile do Pato em Pinhais.
Não aceita que falem que curitibano é fechado.
Convida: Passa lá em casa – mas nunca dá o endereço.
Chama o povo do interior do Paraná de pé-vermelho.
Usa pastinhas falsificadas do Positivo.
Reclama que a cidade não é mais a mesma por causa da “invasão” de gente de outros estados.
Come pastel e caldo de cana nas feiras.
Nas festas juninas chama vinho quente de quentão.
Pega o mesmo ônibus todo dia, no mesmo horário, sem cumprimentar motorista nem cobrador.
Acha que quem não é daqui é quem joga lixo no chão.
PRINCIPAL:
Ri de si mesmo ao perceber que tudo acima é a mais pura verdade…
Participei de outra palestra no SEBRAE, desta vez com o Amyr Klink, de quem sou admirador confesso. Não sou chegado a tietagens nem a frescuras do gênero, mas desde que li o primeiro livro do Amyr, em 1991, tornei-me um grande admirador do seu trabalho, de suas viagens e de suas ideias. Desde então, tenho acompanhado sua carreira, lido seus livros e acompanhado seus projetos.
A palestra foi bastante interessante e divertida, pois as histórias que ele conta, as experiências que viveu, muitas vezes acabam sendo engraçadas. Eu já havia assistido a uma palestra dele em 2000, por ocasião do lançamento do livro Mar Sem Fim. Naquela ocasião, consegui apenas um autógrafo no livro, cumprimentei com um aceno de cabeça e nada mais. Já desta vez, consegui autógrafo em dois livros, tirei uma foto e ainda conversei um pouco com ele, que me deu uma excelente dica sobre um plano futuro. Só não conversei mais porque a fila para falar com ele estava enorme e, como eu estava demorando, o pessoal já começava a olhar torto.
Breve biografia de Amyr Klink
Natural de São Paulo, filho de pai libanês e mãe sueca, começou a frequentar a região de Paraty (RJ) com a família quando tinha apenas dois anos de idade. Essa cidade histórica do litoral brasileiro foi o lugar que o inspirou a viajar pelo mundo. Casou-se em 1996 com Marina Bandeira, com quem teve as filhas gêmeas Tamara e Laura, nascidas em 1997, e a caçula Marininha, nascida em 2000.
Desde 1965, é colecionador de canoas antigas, tendo ajudado a fundar o Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul (SC). No terreno esportivo, foi remador pelo Clube Espéria, em São Paulo, de 1974 a 1980. Em 1978, realizou sozinho a travessia Santos–Paraty em canoa. Dois anos depois, fez os percursos Paraty–Santos e Salvador–Santos em catamarã, viagem que durou 22 dias. Em 1982, velejou de Salvador até a Guiana Francesa, passando por Fernando de Noronha, pesquisando correntes para o projeto seguinte: a travessia do Atlântico Sul a remo, em solitário.
Também percorreu mais de dois mil quilômetros em um pequeno barco a motor na Amazônia, seguindo o curso dos rios Negro e Madeira. De moto, foi até a Patagônia, e aos 19 anos escalou a cordilheira dos Andes, percorrendo todo o território do Chile.
Em 1984, realizou a primeira travessia do Atlântico Sul a remo em solitário, viagem relatada no livro Cem Dias entre Céu e Mar. Em 1986, iniciou uma viagem preparatória à Antártica e ao Cabo Horn, a bordo do veleiro polar Rapa Nui.
Em dezembro de 1989, iniciou o Projeto de Invernagem Antártica, em solitário, a bordo do veleiro polar Paratii. Foram 27 mil milhas da Antártica ao Ártico, percorridas em 642 dias. Os livros Paratii – Entre Dois Pólos e As Janelas do Paratii relatam e ilustram este projeto.
Em 1992, participou do projeto Faróis do Brasil – navegação terrestre pela costa brasileira, em equipe com Klever Kolberg e André Azevedo. No ano seguinte, viajou novamente pela costa, desta vez pilotando um trike (asa-delta motorizada).
Em janeiro de 1997, voltou à Antártica como consultor de uma equipe de filmagem para captação de imagens de alpinistas em icebergs.
Em 31 de outubro de 1998, iniciou o projeto Antártica 360 – uma volta ao mundo pela rota mais difícil: a circunavegação em torno do continente gelado. Durante 79 dias, Amyr enfrentou sozinho os mares mais temperamentais do planeta e inúmeros icebergs. Essa viagem está registrada no livro Mar sem Fim.
No ano 2000, começou a desenvolver um projeto de construção de cais flutuantes adequados às condições brasileiras, para uso em marinas e portos de lazer. No mesmo ano, participou do Rally Paris–Dakar–Cairo como navegador da equipe brasileira Troller, a bordo de um veículo 100% nacional, conquistando o 6º lugar na categoria novatos.
Em 2001, após oito anos de planejamento, ficou pronto o veleiro polar Paratii 2. Idealizado por Amyr para ser uma “plataforma de trabalho”, foi construído no mesmo estúdio que projetou o Seamaster (antigo Antarctica). Em dezembro, ele viajou à Espanha com o novo barco para a instalação dos dois mastros “aerorig”, produzidos em Palma de Mallorca.
Em 2002, concluiu a etapa experimental do Projeto Viagem à China, que previa a volta ao mundo por uma rota inédita, no Círculo Polar Ártico. Entre 30 de janeiro e 6 de abril, Amyr e sua tripulação ultrapassaram o Círculo Polar Antártico, visitaram a Baía Margarida e alcançaram o Mar de Bellingshausen, extremo sul navegável da península antártica. De lá, partiram para a Geórgia do Sul antes de regressar ao Brasil.
Entre 2003 e 2004, realizou uma reedição da circunavegação polar com o Paratii 2. Na primeira viagem, com o primeiro Paratii e em solitário, não conseguiu registrar imagens. Desta vez, com cinco tripulantes, foi possível documentar tudo em um documentário e em uma série de quatro episódios produzida pelo National Geographic Channel. A viagem durou cinco meses, sendo 76 dias para completar a volta ao mundo, o que consagrou o Paratii 2 como o veleiro polar mais eficiente de que se tem notícia.
Esse projeto encerrou um ciclo de viagens experimentais que tinham como objetivo validar novos conceitos construtivos e aplicar técnicas inovadoras em produtos de uso cotidiano, submetidos a condições extremas e sempre com preocupação ambiental.
Formado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduado em Administração de Empresas pela Universidade Mackenzie, Amyr Klink é diretor da Amyr Klink Planejamento e Pesquisa Ltda. e da Amyr Klink Projetos Especiais Ltda. É também sócio-fundador do Museu Nacional do Mar (São Francisco do Sul, SC) e da revista Horizonte Geográfico.
Membro da Royal Geographical Society e assessor de expedições da revista National Geographic Brasil, Amyr Klink ministra palestras para empresas, escolas, universidades, instituições e associações, abordando temas como planejamento estratégico, gerenciamento de risco, qualidade e trabalho em equipe.
Essa é a semana do empreendedor e o SEBRAE, que é um órgão que auxilia as pequenas empresas, está promovendo aqui em Curitiba a Semana do Empreendedor. São vários cursos e palestras, além de algumas palestras-chave, com convidados ilustres. Dentre as palestras, houve uma que participei, com Maurício Kubrusly, repórter da Rede Globo e apresentador do quadro “Me Leva Brasil” do Fantástico. A palestra foi bem interessante, pois, além de contar histórias dos bastidores de reportagens — muitas vezes mais interessantes do que as próprias reportagens que vão ao ar —, ele utiliza reportagens apresentadas no “Me Leva Brasil” para falar sobre empreendedorismo (lembre-se, estamos na Semana do Empreendedor). No fim, essa palestra acabou sendo um programa muito divertido e interessante.
Essa semana comecei a usar uniforme no trabalho. Eu, que não gostava de roupa social nem de sapato, tive que me adequar e agora ando de social. O pessoal estava acostumado a me ver sempre de jeans, tênis, agasalho e camiseta, e estranhou quando me viram de social. Alguns fizeram piadinhas dizendo que pareço cobrador de ônibus ou porteiro de edifício. Mas a maioria elogiou, principalmente as mulheres. Recebi muitos elogios da ala feminina e até pedidos para fazer uma “voltinha”.
Estou me acostumando com a nova forma de vestir, mas, no fundo, ainda prefiro jeans, camiseta e tênis. Como o chefe mandou usar uniforme, não teve jeito e nem adiantou reclamar.
Hoje é o Dia da Bandeira e quase ninguém lembra. Aqui no colégio onde trabalho, não houve nem hasteamento nem hino da bandeira. Nos meus tempos de colégio, datas como esta eram lembradas. Vivíamos numa ditadura, com governo militar, mas ao menos o patriotismo era mais nítido; não acontecia apenas em época de Copa do Mundo.
Acho o hino da bandeira muito bonito. Quem fez a letra do hino, Olavo Bilac, estava inspiradíssimo. Lembro bem do Dia da Bandeira em 2002. Eu estava nos Estados Unidos e, pela manhã, seguia numa van com mais doze pessoas, entre brasileiros e hispano-falantes, indo de Orlando para Cocoa Beach. Na época eu trabalhava no hotel Holiday Inn de Cocoa Beach. No meio da viagem lembrei que era Dia da Bandeira no Brasil e comentei isso com o “Honey”, amigo brasileiro que estava sentado ao meu lado. No mesmo instante, sem combinar nada, começamos a cantar o hino da bandeira ali mesmo dentro da van. Os hispano-falantes não entenderam direito o que estávamos fazendo e, depois que contamos, acharam bonito o nosso gesto.
Quando estamos longe de nosso país é que sentimos mais saudades dele e onde os símbolos nacionais fazem mais sentido. Parece estranho, mas na verdade somos mais patriotas quando estamos longe do Brasil.
A bandeira acima é um protesto pelos dias atuais, onde a fome, a desordem, o crime e a corrupção imperam no Brasil. Acho que deveríamos mesmo trocar a frase positivista de “Ordem e Progresso” pela frase realista “Caos e Fome”.
Na sexta-feira, vi a previsão do tempo, que indicava um sábado de sol e calor. Resolvi então fazer algo que há tempos queria: ir de bike até o Caminho do Vinho. Convidei dois amigos, mas ambos não puderam ir. Decidi, então, encarar o pedal sozinho.
O sábado amanheceu com um sol maravilhoso e muito quente. Saí de casa às 9h30 e segui em direção a São José dos Pinhais, pela Avenida Salgado Filho, que é menos movimentada. Os primeiros quilômetros foram os mais difíceis, pois os músculos ainda não estavam aquecidos e as pernas doíam. Depois de um tempo, pedalar se tornou muito mais agradável. A parte mais tensa foi atravessar o viaduto que divide Curitiba e São José. A mureta está toda destruída e precisei pedalar por uma passarela estreita, de cerca de um metro, sem nenhuma proteção lateral. Qualquer desequilíbrio poderia me fazer cair lá embaixo, onde passam uma avenida movimentada e o trilho do trem. Para quem tem labirintite, como eu, o risco parecia ainda maior. Mas, no fim, tudo correu bem. Logo atravessei São José dos Pinhais e segui em direção às colônias italianas de Murici e Mergulhão.
Após 23 km de pedalada, cheguei ao portal que marca o início do Caminho do Vinho. A região é formada por vários sítios que cultivam frutas, verduras e, claro, uvas. Há muitos restaurantes de comida típica, cafés coloniais e venda de queijos e vinhos — um roteiro gastronômico clássico. Pedalei 4,5 km pelo trajeto e parei em um restaurante onde já havia almoçado alguns meses antes. Em frente, há um gramado com árvores e um lago, um lugar muito bonito.
Estava faminto e me fartei com a comida caseira feita em fogão a lenha. Tinha polenta branca com molho, polenta frita, frango, risoto, linguiça e muito mais. De sobremesa, sagu e pudim de leite. Só não comi mais por receio de passar mal na volta. Depois do almoço, deitei no gramado à sombra de uma árvore e tirei um cochilo. Passado algum tempo, já sentindo a digestão feita, peguei o caminho de volta.
A volta foi mais cansativa: além de já ter pedalado bastante, o sol estava muito quente e a barriga, cheia. Segui em ritmo lento, mas constante, e pouco antes das 17h já estava em casa. No meio do caminho, parei na casa da Claudinha — minha grande amiga e quase prima — para reabastecer a garrafinha de água. No total, foram 55 km pedalados, com 4h30 de pedalada efetiva (meu marcador só conta o tempo em movimento, pausando quando paro).
Somente em casa percebi que as partes das pernas expostas ao sol, que a bermuda não cobria, estavam vermelhas e queimadas. No banho, senti o quanto as queimaduras ardiam. Mas tudo bem: no fim das contas, foi um passeio ótimo. Aos poucos estou aumentando minhas quilometragens de bike. A ideia é encarar percursos cada vez maiores, melhorando o condicionamento físico e, de quebra, queimando calorias.
Após o expediente, rolou um churrasco com o pessoal do trabalho na casa da Paulinha. A comida estava ótima e a conversa, melhor ainda — tanto que só fomos embora pouco antes da meia-noite.
Após onze meses sem participar de corridas de rua — por falta de tempo, contusão e também de motivação —, eis que voltei (nem tão triunfalmente assim) aos asfaltos curitibanos. O retorno aconteceu justamente na etapa de Curitiba do Circuito de Corridas da Caixa. Curiosamente, foi em uma prova desse mesmo circuito que comecei a correr, em 2005, de forma mais frequente. Desde então, em todas as quatro edições realizadas em Curitiba, estive presente.
O mais difícil dessa vez foi acordar às 6h para retirar o chip de cronometragem antes da largada. Mas valeu o sacrifício: foi muito bom sentir novamente a energia de correr no meio do pessoal. O clima também ajudou — nublado, com uma garoa leve que aparecia de vez em quando, refrescando sem atrapalhar.
Comecei num ritmo tranquilo e sofri um pouco nos primeiros quilômetros, até as pernas “destravarem”. A parte mais puxada foi a subida da OAB, que tem quase um quilômetro. Ali, me arrastei literalmente, mas consegui completar a prova correndo, sem precisar parar ou caminhar. Meu tempo final foi de 1h06min. Não foi o melhor que já fiz nos 10 km, mas também não foi dos piores.
Depois da chegada, reencontrei velhos amigos de corrida, Jeferson e Dionísio. Nos conhecemos na São Silvestre de 2005 e, desde então, já dividimos várias provas. Agora a meta é voltar ao ritmo: não pretendo correr todas as provas como em 2007, mas também não quero repetir o hiato de 2008. O objetivo é participar de pelo menos uma corrida por mês, para manter o condicionamento e, claro, rever os amigos.
Já fui várias vezes para a Serra do Mar, na região do Marumbi, e por três vezes cheguei até o cume do Olimpo. Já a região do Pico Paraná (o mais alto do Sul do Brasil), que também fica na Serra do Mar, mas em outra direção, eu nunca tinha visitado. Não era por falta de vontade, mas sim de tempo e companhia, pois lá não é aconselhável andar sozinho.
Até que alguns colegas de trabalho resolveram marcar uma “expedição” para a região do Pico Paraná, com a intenção de subir o Itapiroca, um dos picos existentes ali e de mais fácil acesso. Então, num sábado gelado e meio nublado, nos reunimos bem cedinho no Medianeira (eu, Tati, João Paulo, Paulinha e Cássio, marido dela) e pegamos a estrada em direção a São Paulo. Após uns 40 km rodando pela Régis Bittencourt, entramos à direita em uma estradinha de chão e, depois de mais 7 km em um trecho difícil, chegamos à Fazenda Pico Paraná. É dentro dessa fazenda que fica o acesso aos vários picos que fazem parte do complexo.
Fizemos o registro com o pessoal do IAP (Instituto Ambiental do Paraná), pagamos uma taxa de R$ 5,00 para manutenção do local e, por volta das 9h30, iniciamos a subida rumo ao Itapiroca (êita nominho feio). A primeira meia hora foi a mais difícil: o ar estava muito gelado, a respiração ficava pesada e o peito doía. O caminho, no entanto, não era dos mais complicados — até me surpreendi, pois, acostumado à região do Marumbi, esperava no mínimo uma dificuldade semelhante. Logo chegamos ao primeiro mirante, uma pedra enorme de onde a vista já era estupenda. Dava para ver longe: muita mata, a Régis Bittencourt com os carros passando e a Represa Capivari–Cachoeira. Após tanta beleza, já imaginava o quanto a paisagem ficaria ainda mais incrível conforme subíssemos.
Após um rápido descanso, recomeçamos a subida. Em pouco tempo chegamos a um local cheio de pedras, com vegetação diferente. Ventava muito, as nuvens estavam baixas e caía uma garoa fina. Minha camisa, que estava molhada de suor, logo secou e fiquei congelado. Para nossa sorte, as nuvens foram se dissipando e o sol apareceu, sinal de que possivelmente teríamos uma vista linda lá do alto.
Depois de mais algumas fotos e descanso, seguimos pela parte mais difícil. Logo chegamos a uma bifurcação: para a direita seguia a trilha do Itapiroca e, para a esquerda, a do Caratuva. Ficamos na dúvida e acabamos indo para o lado errado, sem perceber.
Essa parte lembrava a trilha do Marumbi, com subidas íngremes e pedras lisas. A diferença é que havia algumas descidas também. Não tivemos grandes problemas, apenas estranhamos o fato de nunca chegarmos ao topo, já que a informação era de que a subida até o Itapiroca levava em média duas horas. Após quase três horas, avistamos o cume do morro e, depois de atravessar uma vegetação estranha, estávamos literalmente acima das nuvens. A vista era fabulosa e tiramos muitas fotos.
Percorremos os últimos metros até o topo e lá encontramos algumas pessoas que, para nossa surpresa, informaram que estávamos no Caratuva — e não no Itapiroca. Sem perceber, havíamos subido um morro mais alto e de acesso mais difícil. No fim, ficamos felizes, pois vencemos uma dificuldade maior do que a esperada. A única decepção foi que o lado oposto estava coberto por nuvens. Justamente dali a vista é ainda mais bonita, pois se pode ver o mar e ter uma visão frontal do Pico Paraná.
Fizemos uma parada de uma hora para descanso e lanche e, pouco depois das 13h, iniciamos a descida. Lógico que descer é mais fácil do que subir, mas o cuidado precisa ser redobrado, já que o terreno úmido facilita escorregões. Eu caí sentado nas pedras, mas sem maiores consequências — e não fui o único. Após cerca de duas horas de caminhada, chegamos ao ponto de partida, já com o tempo fechado de vez. Ficamos um tempo sentados na grama, descansando e conversando. Foi gostosa aquela sensação de missão cumprida. É sempre prazeroso atingir uma meta, e em um lugar tão lindo é ainda mais fácil sentir a presença de Deus.
Fomos embora já fazendo planos para a conquista de novos morros. A meta principal agora é o Pico Paraná. Mas aí a brincadeira é mais complicada: são cerca de dez horas entre subida e descida, em um caminho bem mais exigente. Ainda assim, com treinamento, perseverança e força de vontade, chegaremos lá.
No final da tarde, já estava de volta à minha casa. As pernas doíam um pouco, mas menos do que eu esperava. Acho que as corridas e pedaladas dos últimos dias ajudaram no condicionamento físico, e por isso não sofri tanto na caminhada. Como ponto negativo, apenas o descuido com os lábios e orelhas: não passei protetor e, nos dias seguintes, sofri com bolhas nos lábios e descamação nas orelhas. Lição aprendida: da próxima vez, cuidarei melhor da proteção contra o sol.
Mais uma segunda-feira, com bastante calor e muito trabalho. Mas tudo bem, o fim de semana foi legal e deu para descansar bem.
Ontem, domingo, dormi até tarde, depois almocei um sanduíche gigante em casa, vi um filminho e fui andar de bike. Foram 25 km de ida e volta até o Parque São Lourenço, sempre pela ciclovia. Fiquei impressionado com a quantidade de pessoas caminhando ou pedalando e também com a quantidade de gente nos bares, parques, praças e gramados por onde passei. Acho que o curitibano estava cansado de tantos finais de semana frios e chuvosos, e no primeiro domingo de calor (mesmo que à tarde tenha ficado nublado) todo mundo aproveitou para bater perna.
Essa foto recebi hoje. Nela estou com o Pierin Junior, esperando pra tomar banho quente no banheiro feminino, durante a peregrinação pelo Caminho de Peabiru. (Canjarana, 11/10/2008)
Após quatro dias longe de Curitiba e do trabalho, estou de volta. Foram dias interessantes, em que pude visitar a família, descansar, percorrer os 54 km do Caminho de Peabiru e pensar… pensar bastante sobre meu futuro. Mas as decisões ou rumos escolhidos não posso revelar aqui — isso fica apenas dentro da minha cabecinha. Desta vez, além do plano A, formulei também um plano B, um C e até um D. A única coisa que posso adiantar é que, em todos esses planos, devo permanecer em Curitiba pelo menos até o final de 2009.
Aproveito para postar mais algumas fotos da peregrinação pelo Caminho de Peabiru.
Ponte de madeira no caminho entre Campina do Amoral e Mâmbore. (11/10/2008
Por do sol em Canjarana. (11/10/2008)
Nossas sombras caminhavam a frente, pois estavam mais descansadas. (11/10/2008)
A peregrinação deste ano pelo Caminho de Peabiru foi ainda melhor do que a do ano passado. Pude rever amigos, fazer novas amizades e, dessa vez, o clima ajudou, já que não tivemos chuva. No primeiro dia o tempo estava nublado e chegaram a cair algumas gotas, mas nada que atrapalhasse. Já no segundo dia, o sol apareceu forte e fez bastante calor.
Todos esperavam que, a exemplo do ano passado, as refeições tivessem porco ou leitão (ou leitão e porco). Mas, por incrível que pareça, não teve porco — nem leitão — em nenhuma delas. O que não faltou foi comida, e vale destacar o “Boi na Brasa”, servido na primeira noite em Campina do Amoral, e a “Vaca Atolada”, servida na segunda noite em Canjarana. Em ambas as ocasiões, repeti três vezes e quase passei mal.
Não vou relatar os detalhes da peregrinação pela minha própria visão; em vez disso, vou compartilhar o relatório oficial que foi publicado no site do Necapecan.
VIII PEREGRINAÇÃO NO CAMINHO DE PEABIRU DA COMCAM
PROGRAMAÇÃO:
Simpósio – 10/10/2008
Horário: 20h30min.
Local: Associação Comunitária de Campina do Amoral/Luiziana
Jantar: Prato Típico: boi na brasa
Pouso: Associação Comunitária de Campina do Amoral
Peregrinação 1º dia – 11/10/2008
6h às 6h45min – café da manhã – Associação Comunitária
6h45m. – exercícios de aquecimento e início caminhada
12h – almoço – cidade de Mamborê
14h – reinício caminhada
18h – Comunidade de Canjarana – Mamborê
20h – Jantar – Vaca atolada
Pouso – Salão comunitário e acampamento no mesmo local
Peregrinação 2º dia – 12/10/2008
7h às 8h15m. – exercício de aquecimento, dança guarani, escolhe-um, chuá, café-da-manhã e início caminhada
14h – almoço no município de Farol
“Abra a janela ó querida
Venha ver o luar cor de prata…”
São mais ou menos quatro horas da tarde e um grupo de peregrinos, acompanhados do Ademar, da Regional de Turismo sediada em Cascavel, se dirige ao Parque do Lago. É ali já onde começa, então, a doce aventura da oitava peregrinação no Caminho de Peabiru da COMCAM. Em torno do totem guarani envelhecido, os peregrinos ouvem a história da cultura guarani na sua mística procura pela Terra Sem Mal. Conhecem-se. Ouvem-se nas histórias desconhecidas que trazem de distintos recantos, às vezes até nem tanto…
O totem foi implantado pelos próprios guaranis vindos da aldeia Araribá, município de Bauru, estado de São Paulo no dia 09 de outubro de 2004, por volta das dezoito horas pelo vice-cacique Marcílio, sua mãe e com toda a clã, finalizando o I Simpósio do Caminho de Peabiru da COMCAM. Ele marca o início do projeto na COMCAM. Traz a cor guarani vermelha do urucum. O traçado é em sapé guaimbê e em sua arte e estética é entalhado em quatro lados apontando para quatro direções: Norte, Sul, Leste e Oeste. Um lado protege as águas e a mata. Outro a estrada, outro o nascer e outro o pôr do sol. Representa o Pai de todos. Em cada peregrinação, em respeito e homenagem à tradição guarani da “busca da Terra Sem Mal” peregrinos se juntam ao Totem orientados pelo NECAPECAM.
Na seqüência, todos se preparam para a ida a Campina do Amoral, onde se realizará o VIII Simpósio do Caminho de Peabiru da COMCAM. O ônibus sai da praça da Catedral, mas antes os peregrinos são chamados pelo Padre para que recebam a bênção da partida. São por volta de trinta quilômetros até Campina do Amoral, que levam o tempo suficiente para que a interação se inicie. Afinal, é mais um grupo novo, embora muitos já sejam peregrinos cativos. A volta é sempre gratificante, como é bom ver cada um que retorna!
Em Campina do Amoral já estão mais peregrinos, de Santa Catarina. Vêm trazer sua história, experiência do Peabiru como “o caminho que leva à montanha do sol”, conforme dirão mais tarde na oportunidade que terão para transmitirem sua importante mensagem. A comunidade trabalha e o “boi na brasa” já invade o barracão num aroma irresistível. Mas, é preciso antes conhecer sobre Luiziana, o hospitaleiro município que tão bem recebe a caravana. Também conhecer um pouco mais sobre o Caminho de Peabiru da COMCAM, sobre o Caminho de Peabiru de Santa Catarina. Professor José, líder da cultura luzinense conduz a cerimônia, acompanhado de Fátima, a Secretária de Educação e Cultura de Luiziana, do vereador local, reeleito, e do líder da anfitriã Campina do Amoral. Apresentam seu município, suas belezas naturais e oferecem a hospitalidade da comunidade da COMCAM, já tão peculiar e conhecida de grande parte dos peregrinos.
Na continuidade, Jefferson, da Secretaria de Meio Ambiente de Maringá fala da importância de se recuperar o eco-sistema no entorno do Caminho de Peabiru. Agora se junta ao grupo, contribuindo com seus conhecimentos e traduzindo a mensagem que repassa aos ouvintes: consciência e ação para uma mudança dignificante no sofrido ambiente em que vivemos. Bom lembrar que muitos peregrinos do Caminho de Peabiru se juntam a movimentos de “cura da Terra”, orientados pela nação indígena guarani, pelo desgaste que o planeta vem sofrendo desde as desenfreadas expansões colonialistas do século XVI. Jefferson foi capaz de demonstrar, de forma clara e segura, como contribuir para o resgate do eco sistema no entorno do Caminho de Peabiru. Obrigada, amigo! Quando as mensagens se encerram, o jantar é servido. Obrigada, José, Fátima, Marilene, Marius e Ricardo! O delicioso “boi na brasa” é prato típico de Luiziana e foi ali mesmo “engenhado”, atraindo centenas de visitantes no mês do aniversário do município, em outubro. Ricardo e Marius vêm de Santa Catarina e apresentam seu projeto do Caminho de Peabiru. Para eles, por causa do Monte Cristo, o projeto ganha o lema “Caminho da montanha do sol”. É muito prazeroso ouvi-los. Sejam bem-vindos, de agora em diante, seremos parceiros!
Gratos pela calorosa recepção, os peregrinos se preparam para o pouso da primeira noite no evento da VIII Peregrinação no Caminho de Peabiru. A noite não quer silenciar: é o silo da COAMO que ininterruptamente alardia seu trabalho; e ó galo, imponente, majestoso, anunciando e tecendo não só a manhã, mas também a madrugada toda. É a chuva que cai mansa, mas sem parar, no telhado de prata da Associação. São seis horas da manhã e num repente a luz quebra o sono de todos: Jaurita dá bom dia e começam os preparativos para o primeiro dia de caminhada. A equipe de apoio se movimenta, a comunidade mais uma vez prestigia os caminheiros com um reforçado café-da-manhã. Chegam novos peregrinos, na verdade, velhos e esperados amigos. É hora do alongamento, depois da foto de todo o grupo, conforme sugere Porfírio, companheiro peregrino da Chapada dos Guimarães.
Os campos exibem o trabalho humano no capim seco e podado dos trigais, nas mudas viçosas dos milharais, do azevem . Aqui e ali se movimentam solitários trabalhadores na ininterrupta paisagem agrícola que expulsou a densa floresta dos pinheirais, das perobas. Uma e outra árvore denunciam aqui e lá a antiga floresta. A frescura da limpa manhã saúda o peregrino. Por ele passam os amigos da equipe de apoio: a água, o cereal, a fruta, o remédio para os pés cansados. Aqui e ali também as águas límpidas de riachos escondidos pela parca vegetação ciliar são um convite para se refrescar, para admirar…
As crianças completam a paz da paisagem na sua espontaneidade e graça. São filhos de peregrinos que compartilham da venturosa marcha que lembra a “busca da Terra Sem Mal” dos guaranis. Como essas crianças dignificaram e embelezaram a VIII Peregrinação! Também há muitos jovens na caminhada, jovens que trazem a esperança de um futuro melhor, tão diferentes da juventude-massa que tristemente desfila diante de nós, na mídia cotidiana, que assiste à vida passar, jovens perdidos nos apelos consumistas da sociedade moderna e de seus efeitos desastrosos para a humanidade! Como é bom conhecer uma juventude sadia e sábia!
Ricardo e Marius procuram não perder nada de significativo, filmando, conversando, e acompanham passo a passo com o cachorro Muki a VIII peregrinação. E a curiosidade se aguça na água de Sant’Ana. Professor José, no Simpósio, falara do olho da Santa, dos milagres daquele lugar. Os peregrinos ali banham seus cabelos, nutrem-se da milagrosa seiva.
Revigorados, continuam a caminhada rumo ao município de Mamborê. Na paisagem, intercalam-se trigais e milharais, que hora descem, ora sobem movimentando o solo dadivoso de Luiziana, o maior município em extensão da COMCAM ( são 908.604 km2 com uma população média de 7.000 habitantes). Luiziana se destaca pela fanfarra que tem merecido os melhores prêmios do Brasil, pelas cavalgadas, pelas trilhas e cachoeiras.
Em Mamborê os peregrinos são recebidos pelos prefeito e vice-prefeito, pela comunidade, na Praça das Flores. Ali está um marco das peregrinações que a cidade recebeu tão acolhedoramente. Seguem para o CTG, onde lhes é servido um delicioso almoço acompanhado das palavras amigas dos anfitriões e de intenso calor humano. Após um breve descanso, o ônibus devolve os peregrinos ao seu itinerário. Rumo à Canjarana, cada um se encanta nas lembranças que deixaram os amigos mamborenses. A hospitalidade desse município será eternalizada nos corações peregrinos de muitas partes do Brasil.
A chegada a Canjarana é festiva. Distrito muito bem cuidado, possui uma lindíssima igreja, cujo padroeiro é São Roque e amplo pátio onde se localizam o barracão de festa, os banheiros, tudo muito bem organizado. As belas jovens desfilam seus encantos enquanto mães e crianças se divertem na confraternização coletiva pelo Dia da Criança. Os peregrinos descansam no gramado. Banham-se e logo já estão revigorados: o jantar é preparado pelo próprio vice-prefeito, Dominguinhos, que recebe os peregrinos como uma família. Dominguinhos traz sua família, o ambiente é acolhedor e solidário. Ao final, agora já com ainda mais visitantes, inclusive o prefeito e sua família, o som gostoso da viola invade o barracão trazendo alegria e graça.
Mais uma noite desce. Os peregrinos, já cansados, quase que desmaiam. A noite os acolhe exaustos, com uma lua escandalosamente bela. Toninho da Gaita, Luiz Gonzaga, Noel Leotério, João Ribeiro, Luiz e Luizinho… eternamente grata a todos! É indescritível o sentimento que toma conta de cada peregrino nessa toada santa! Melodias que acompanharão com certeza muitas, senão todas as manhãs desses peregrinos…
É doze de outubro, dia da Padroeira do Brasil e há devotos de Nossa Senhora da Aparecida entre os peregrinos. Ela é homenageada pelos seresteiros, assim como Nossa Senhora do Rocio, padroeira de Paranaguá e do Paraná. Em meio à cantoria, dançam peregrinos. Depois de um belo repertório, lá se vão nossos encantadores pássaros mamborenses…
É hora de alongamento, de preparação para a caminhada do dia. Serão por volta de vinte quilômetros. Moray Luza reúne os peregrinos na dança guarani, na brincadeira inocente de se olhar e se escolher, no energético chuá. O chuá é uma criação de Moray Luza na primeira peregrinação. Vindo de São Paulo, capital, esse peregrino possui amplo conhecimento cultural e místico das tradições andinas, tendo sido um grande líder para os estudiosos do Caminho de Peabiru. Sua mensagem é de amplitude da compreensão humana, planetária, da paz mundial. Chuá lembra e representa as águas, o seu batismo e pureza.
Chega o café-da-manhã. Chega a hora de partir para o último trecho da peregrinação. Trinca-ferros, bem-te-vis, curiós, pardais, quero-queros, anus, azulões e outros cantores encantam a natureza e continuam a cantoria não deixando sós os peregrinos. O olhar peregrino vê que a terra vai clareando, os pés vão pisando mais fofa e lentamente o solo, o relevo vai se aplainando… De repente é só areia, mas é ainda o trigal, o milharal. Vêem-se pés de café, eucalipto para lenha, azevem, algum gado, ovelhas.
No meio da caminhada, já em Farol, outra fonte milagrosa: agora, as águas de João Maria…João Maria, o “Monge da Lapa” teria percorrido o Paraná, ajudando os necessitados, em diferentes épocas. Há quem diga que foram dois, três monges. Que todos os monges benzedeiros chamavam-se por força João Maria. Mas, há quem diga que é o mesmo, envelhecido a cada fase, naturalmente. Eram comuns as benzedeiras na época. João Maria seria apenas um benzedeiro? Em meados do século XIX o Paraná vivia intensos movimentos de colonização, de conflitos de posses, com intensas manifestações de cunho popular, religiosas. O místico João Maria surge nesse contexto.
Os peregrinos também ali banham seus cabelos, bebem de sua água e oram. Depois, debaixo das poucas árvores, sombra suficiente para acolher os corpos já meio cansados, divagam… Mas ainda falta mais da metade do percurso… é bom pôr os pés na estrada! Muita areia, muda o vento, o sol se impõe bem mais forte. Os passos são mais lentos, mas o conforto da água, do cereal ajuda a continuar…
De repente, as vozes dos pássaros se perdem no som barulhento dos rojões que vêm da cidade: é a tradição dos fogos do Dia de Nossa Senhora Aparecida. É meio-dia e o ritual se estende até meio-dia e quinze. Silêncio novamente. Os primeiros peregrinos alcançam a sede do município. No estádio municipal a acolhida final do município mais jovem da COMCAM. Uma deliciosa refeição, antecedida de falas que agradecem, oram, saúdam… Pierim e Amani conduzem as preces. Lembram da importância do dia para a cultura brasileira – dia da padroeira do Brasil- lembram do momento singular que nos reúne à volta da refeição tão carinhosamente oferecida pelos farolenses…
Esta VIII peregrinação marcou pelo apelo à harmonia, à união, com peregrinos trazendo suas famílias, filhos, numa convivência de ricas experiências e diálogo, o que muito ensinou a todos, com certeza. Lembrou a santidade e pureza das águas – duas fontes visitadas por crentes de toda a parte do Brasil e rios de águas límpidas… Lembrou a linguagem universal, a música, presente nos caminhos de Peabiru de Mamborê pelos seus encantadores cantores que definitivamente se fizeram presentes, pela sua melodia, nos corações de todos os peregrinos. Lembrou por tudo isso, a fé e a esperança num mundo melhor. A Terra Sem Mal tem que ser possível.
É hora de partir, não sem antes, abraçar, fotografar. Os corpos estão cansados, mas as almas fortalecidas, já aguardando a nova aventura da nona peregrinação. Promessa de volta.
PEREGRINOS – 8ª PEREGRINAÇÃO NO CAMINHO DE PEABIRU
Peregrino
Cidade e Estado de Origem
Alexandra Y. Fernandes Brescansin
Maringá – PR
Antonio Porfírio da Silva
Chapada dos Guimarães – MT
Amani Spachisnki
Campo Mourão – PR
Celso Amâncio de Mello
Maringá – PR
Claudemir Pierin
Cambé – PR
Cristina Lidia Pienaro
Campo Mourão
Daniel Alexandre Moray Luza
São Paulo – SP
Danielli Salete Pereira
Cascavel – PR
Daisy Fontan Santiago
Maringá – PR
Edson Roberto Brescansin
Maringá – PR
Eliana Jacovós
Maringá – PR
Fabio Alexandro Sexugi
Peabiru – PR
Izalino Inácio Paixão
Ubiratã – PR
Jair Avelino Jacovós
Maringá – PR
Jeferson
Maringá – PR
Jeferson R. Spode Flores
Cascavel – PR
José Vanderlei Dissenha
Curitiba – PR
Lorenilda Oliveira
Campo Mourão-PR
Luciane Zuanazzi
Cascavel – PR
Lucas Santos Pierin
Cambé – PR
Marius Bantati
Joinvile – SC
Rafael
Maringá
Raquel Egidio Leal e Silva
Maringá – PR
Roberto Takechi Hirai
Maringá – PR
Rodrigo Zonta
Maringá – PR
Rosalindo Crepaldi
Maringá
Ricardo Gomes Moreira
Joinvile – SC
Sidnei Peres Junior
Maringá – PR
Sinclair Pozza Casemiro
Campo Mourão – PR
Valter Ferreira de Araujo
Maringá – PR
Zélia B. Braz Hirai
Maringá – PR
Cavaleiros
Neuso de Oliveira
Mamborê
Neno Picinin
Mamborê
João Paulo
Mamborê
Luizinho
Mamborê
Felipe Moraes
Mamborê
Cavaleiros anônimos
Equipe de Apoio
Antonio Gancedo
NECAPECAM
Antonio
IAP
Cristina
Professora Educação Física
Darcy Deitos
Hotel Paraná Palace
Edson Battilani
IAP
Jairo Aloisio Araujo
NECAPECAM
Jaurita Machado Lessak
NECAPECAM
Maria Luiza da Silva
NECAPECAM
Manoel Sirino dos Santos
NECAPECAM
Marilene Celant Miranda da Silva
NECAPECAM
Silvio Cezar Walter
NECAPECAM
Vanessa
NECAPECAM
Enfermeiras e motoristas
Municípios de: Luiziana, Mamborê e Farol
Cozinheiros e cozinheiras
Municípios de: Luiziana, Mamborê e Farol
Galera reunida pouco antes de iniciar a caminhada no dia 11/10.
Manhã do segundo dia de peregrinação, partindo de Canjarana.
Após quatro dias, estou de volta a Campo Mourão — desta vez para ficar outros quatro, sendo que dois deles passarei percorrendo, pela segunda vez, o Caminho de Peabiru.
A viagem foi gelada: saímos de Curitiba debaixo de muito frio e, ao chegar a Guarapuava, estava ainda pior. Mas o mais complicado foi o fato de o aquecedor do ônibus estar quebrado. As coisas só melhoraram quando chegamos a Campo Mourão, onde o frio não era tão intenso. No decorrer do dia esquentou e deu até para ficar sem camisa.
Hoje é aniversário de Campo Mourão, que completa 61 anos. Fui assistir ao desfile comemorativo — algo que não fazia há uns dez anos. Lembrei da época em que eu desfilava; a última vez foi em 1985. Bons tempos! O desfile era bonito, a rua ficava lotada e o clima era de festa. O que vi hoje, no entanto, foi um desfile fraco, desorganizado e com pouca gente assistindo. Decadência total…
No final da tarde sigo para a pequena comunidade de Campina do Amoral. À noite haverá um simpósio sobre o Caminho de Peabiru e, depois, será servido um jantar típico — provavelmente porco ou leitoa. Ano passado foi a mesma coisa: em apenas dois dias de peregrinação, comi mais carne de porco do que costumo comer em um ano inteiro. Então, nos próximos dois dias, estarei longe da civilização e da internet. Na volta conto como foi.
A expectativa é de que não faça frio e, principalmente, que não chova. Também espero resistir bem à caminhada, já que serão 60 km em dois dias. Diferente do ano passado, quando eu estava em excelente forma física, este ano estou fora de forma e com três quilos a mais — quase todos concentrados na barriga.
Desfile de aniversário de Campo Mourão. (10/10/2008)
Hoje tivemos um seminário interno para todos que trabalham aqui no colégio. À tarde, meu grupo fará uma apresentação sobre os eixos temáticos da pedagogia inaciana. É coisa de outro mundo, daquelas que a gente aprende hoje e amanhã já esqueceu. Mas, como precisamos apresentar, vamos fazer o melhor possível (ou pelo menos tentar).
Vai até ter um vídeozinho gravado com alguns professores e funcionários, com direito a making of e erros de gravação. No fundo, tudo isso é uma tática para prender a atenção do pessoal de um jeito que eles nem percebam que nossa apresentação do texto está horrível.
Após o primeiro post, acabei ficando quase um mês sem escrever aqui no blog. A culpa foi dessas últimas semanas cheias de compromissos: muito trabalho, fim da faculdade, término definitivo do namoro e o projeto de conclusão de curso. Mas tudo bem, aos poucos as coisas vão se ajustando e voltando ao normal, então poderei escrever com mais frequência neste espaço.
De novidades, concluí o curso de História e agora estou estagiando no Medianeira, ao mesmo tempo em que comecei uma pós-graduação na Facinter. Na Espírita, entreguei meu projeto de conclusão, que foi sobre o Caminho de Peabiru. Na minha modesta opinião, o projeto ficou bem legal e, caso eu resolva fazer um mestrado no futuro, a ideia é aprofundar esse estudo sobre o Caminho de Peabiru. Aliás, semana que vem acontece a peregrinação anual pelo Caminho de Peabiru. Já me inscrevi: serão 60 km de caminhada, saindo de Luiziana e indo até Farol, duas pequenas cidades próximas a Campo Mourão. Em outra oportunidade conto como foi a experiência.
Hoje estou em Campo Mourão. Cheguei de madrugada, vindo de carona com o Wagão, meu irmão. Dormi a manhã toda e, à tarde, fiquei lendo um livro sobre a descoberta do Polo Norte. Depois de já ter lido quase dez livros sobre a conquista do Polo Sul, agora mudei literalmente de direção e estou aprendendo sobre a exploração do Polo Norte. Ambas as conquistas aconteceram no início do século passado e são histórias cheias de aventuras, sofrimentos, alegrias e tragédias. Para quem gosta de história, aventuras e viagens, vale muito a pena conhecer o tema dos “descobrimentos polares”.
Outra novidade é que voltei a correr com regularidade e pretendo, até o final do mês, participar novamente de corridas de rua. Estou sentindo falta tanto das provas quanto dos amigos que conheci nessa época em que treinava com frequência. Também voltei a pedalar: na semana passada, saí dois dias, percorrendo em média 16 km por dia. Aos poucos, eu e a bike vamos desenferrujando e logo estarei encarando distâncias maiores.
Por hoje é só, pessoal.
Bye!!
Estação de trem de Sapucaia do Sul/RS. (julho 2008)
Tem um americano meio maluco, cujo nome não me lembro, que criou umas tiras ao mesmo tempo interessantes e de humor negro. Nessas tiras, o “Tom” mata o “Jerry”, o “Frajola” come o “Piu-Piu” e assim por diante. Vale a pena conferir…
O Tom martelando o Jerry e o Frajola comendo o Piu-Piu.
Após pouco mais de um ano de ausência, estou inaugurando um novo blog, em um novo espaço e com um formato diferente. O antigo blog funcionava mais como um diário: quase todos os dias eu registrava o que fazia e publicava fotos.
Já este novo blog não terá postagens diárias. Vou escrever quando sobrar tempo — o que pode, em algumas situações, levar dias, já que minha agenda anda cada vez mais cheia.
Outra diferença estará no conteúdo: ele não será apenas um diário. Quero aproveitar este espaço para compartilhar coisas interessantes que encontrar, dar dicas, desabafar e escrever sobre o que “der na telha”. De vez em quando, é claro, ele pode acabar virando um diário também.
Este novo blog também aceita comentários, então fiquem à vontade para escrever — seja para elogiar, criticar ou dar ideias.
Mas aviso: este espaço não será totalmente democrático. Se aparecer algum comentário que eu não gostar, vou simplesmente deletar.
Um grande abraço a todos, sejam bem-vindos a este novo espaço e até o próximo post!