Após 15 anos, estou de volta a Orlando, na Flórida. Esta é a minha quinta viagem para a cidade onde morei por um ano (ou melhor, 363 dias), entre novembro de 2002 e novembro de 2003. E, como quase todas as minhas viagens nos dois últimos anos — não sei se por coincidência ou destino —, tudo aconteceu meio de última hora. A oportunidade de viajar surgiu no domingo, na hora do almoço, e na terça-feira à noite eu já estava desembarcando em solo americano.
É incrível rever a cidade logo nos primeiros instantes. Até o cheiro parece diferente; um aroma característico que traz à tona memórias vivas de momentos muito legais que vivi por aqui.
Meu irmão vinha do México, e nos encontramos em Orlando. Ele me buscou no aeroporto e nos hospedamos no Four Points by Sheraton, na International Drive — aquele famoso hotel redondo que é um ponto de referência clássico na região turística. O mais curioso é que trabalhei nesse mesmo hotel em 2003, cobrindo as folgas do pessoal aos sábados e domingos, enquanto mantinha outro emprego durante a semana. Voltar depois de tanto tempo, agora como hóspede, teve um gosto especial. Coincidentemente, na minha viagem anterior, 15 anos atrás, aconteceu a mesma coisa: acabei me hospedando em um Days Inn onde também já tinha trabalhado.
O trajeto até aqui, no entanto, teve suas pequenas maratonas. A viagem começou de madrugada, sob chuva na estrada, indo de minha cidade até Maringá. Por causa de uma neblina intensa, o primeiro voo atrasou e acabei perdendo a conexão em Guarulhos. Após quase quatro horas de espera, fui remanejado para o voo seguinte, onde encarei quase 9 horas de viagem até Orlando.
Apesar de o voo ter sido tranquilo — deu para assistir a dois filmes e cochilar um pouco —, o assento na saída de emergência acabou sendo um desafio. O espaço extra para as pernas era ótimo, mas a proximidade com o banheiro e o ar-condicionado gelado me fizeram passar um frio danado, mesmo enrolado na manta que pedi à comissária. A refeição também deixou a desejar (uma das piores que já fiz em voos longos), mas o saldo foi positivo: no final da viagem, engatei uma conversa animada com uma comissária da Latam com 25 anos de profissão, que compartilhou vários “segredinhos” e bastidores da aviação.
Já em Orlando, passar pela imigração nunca foi tão rápido e fácil como dessa vez. Encontrei o meu irmão, e com ele ao volante, demos uma volta pela cidade. Quando ele perguntou onde eu gostaria de jantar, não tive dúvidas: fomos ao Denny’s. Trabalhei três meses em um Denny’s em 2003 e, mesmo que aquela unidade específica já tenha fechado, matei a saudade no Denny’s mais próximo do hotel. Pedir o clássico Lumberjack com as tradicionais panquecas americanas foi como fazer uma pequena viagem no tempo.
Depois do jantar, fomos para o hotel. Na hora do banho, veio aquele detalhe tipicamente americano: tomar banho em pé dentro da banheira, um padrão quase universal nas casas e hotéis por aqui.
Entre arrumar as malas, a viagem de carro, os atrasos no aeroporto e a travessia até os Estados Unidos, eu já estava há quase 40 horas sem dormir direito. Enquanto conversava com meu irmão no quarto, comecei a “pescar” e apaguei completamente.
É muito gratificante estar de volta aos Estados Unidos, principalmente a Orlando, que foi a cidade que realmente me acolheu, marcou minha história e onde construí lembranças inesquecíveis. Voltar para cá é sempre reencontrar um pedaço da minha própria trajetória.







