O primeiro álbum de figurinhas da Copa do Mundo que eu tive foi o da Copa da Argentina, em 1978. Eu ganhei o álbum, mas não tive nenhuma figurinha. Na época eu nem curtia muito futebol; foi a primeira Copa que assisti, vendo apenas alguns pedaços de jogos, então realmente não me interessava.

Já na Copa seguinte, em 1982, foi a primeira vez que eu colecionei figurinhas da Copa. Naquela época ficou muito famoso o álbum do chiclete Ping Pong: você comprava o chiclete e a figurinha vinha dobrada dentro do papel. Foi um período em que masquei muito chiclete, mas o meu álbum não chegou nem na metade. Como era caro, não deu para completar.

Eu guardei esse álbum por muitos e muitos anos. Faz uns quatro ou cinco anos que o vendi na internet e até consegui um preço bom. Depois disso, nunca mais fiz nenhum álbum de figurinhas da Copa; perdi totalmente o interesse.

Para quem gosta da história dos colecionáveis, a italiana Panini começou sua tradição mundial na Copa de 1970, no México — época do tricampeonato do Brasil.

Fundada pelos irmãos Benito e Giuseppe Panini em Modena, a empresa já fazia álbuns do campeonato italiano desde a década de 1960, mas a parceria com a FIFA em 1970 transformou o álbum de papel em um fenômeno global que dura até hoje.

A partir do sucesso de 1970, a Panini transformou o álbum oficial da Copa em uma tradição global. Cada década trouxe novidades marcantes que moldaram a forma de colecionar:

  • Alemanha 1974 e Argentina 1978: Nos anos 70, as figurinhas ainda não eram autoadesivas — era preciso usar cola (ou fita adesiva) para fixá-las. Foi a partir de 1978 que a Panini começou a popularizar o formato sticker (autocolante) em escala internacional, facilitando a vida dos torcedores e eliminando a bagunça com a cola.
  • Espanha 1982 e México 1986: A consolidação da distribuição global. O design das páginas passou a ser mais padronizado, trazendo estatísticas das seleções, escudos dos países e fotos de ação. A Copa de 86, no México, marcou a popularização definitiva da marca Panini em diversos países da América Latina, coexistindo com promoções locais (como a da Ping Pong no Brasil em 82).
  • Itália 1990, USA 1994 e França 1998: A era do salto de qualidade gráfica. Surgiram os escudos brilhantes/metalizados (foils), que viraram o grande objeto de desejo e barganha nas trocas. Além disso, a inclusão de fotos dos estádios, mascotes e posters históricos virou padrão no miolo do álbum.
  • Coreia/Japão 2002, Alemanha 2006 e África do Sul 2010: O álbum atingiu proporções gigantescas. Com o aumento do número de seleções no torneio, a quantidade de cromos para completar disparou, passando dos 500 a 600 cromos por edição. Foi também nessa época que surgiram os primeiros experimentos com cromos virtuais e álbuns digitais paralelos.
  • Brasil 2014, Russia 2018: Na Copa de 2014, o Brasil bateu recordes absolutos de venda de envelopes no planeta. A Panini introduziu a versão em capa dura, pensada especialmente para os colecionadores adultos que queriam preservar o álbum como item histórico.
  • Catar 2022: A grande febre foram as figurinhas extras (Extra Stickers / Legends), impressas em cores especiais (bronze, prata, ouro) e não numeradas, gerando um mercado paralelo de colecionadores dispostos a pagar valores altos por raridades do Lionel Messi, Neymar e Cristiano Ronaldo.
  • EUA, México e Canadá 2026: Se os álbuns vinham crescendo gradualmente a cada década, a edição da Copa de 2026 quebrou todos os recordes. Como a FIFA expandiu o torneio de 32 para 48 seleções, a Panini teve o desafio de produzir a maior coleção já vista na história do futebol.

O álbum ganhou um miolo parrudo de 112 páginas e exige impressionantes 980 figurinhas para ser completado — quase 300 cromos a mais do que na Copa da Rússia (2018) e muito além dos 670 da Copa do Catar (2022). Para acompanhar esse volume, os envelopes passaram a vir com 7 figurinhas cada (em vez dos tradicionais 5 figurinhas).

Além dos 48 times classificados e das fotos dos estádios, a coleção trouxe 68 figurinhas em papel metalizado especial e seções dedicadas aos grandes ídolos históricos do torneio. A proporção mudou bastante, mas a nostalgia de abrir um pacote de figurinhas continua exatamente a mesma.

Álbuns da Copa do Mundo (Panini).
Álbum Ping Pong da Copa do Mundo de 1982.
Álbum e figurinhas da Copa 2026.

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