Saudades do Medianeira

Hoje estava lendo a Gazeta do Povo Online e ao ver uma foto do Colégio Medianeira de Curitiba, me bateu uma saudade… Faz quase sete anos que saí do Medianeira, por culpa de problemas de saúde que me fizeram deixar Curitiba para não mais voltar. Ao todo foram sete anos no Medianeira, somando as duas vezes em que lá trabalhei. O intervalo entre estas duas vezes foi de apenas cinco meses.

Nos sete anos de Medianeira aprendi muito e fiz muitas amizades. O Medianeira incentivava seus funcionários a estudar, e eu aproveite ao máximo esse incentivo. Além de reuniões de estudo semanais e seminários internos, também participei de encontros jesuítas fora de Curitiba. E durante alguns anos fiz parte de um projeto que me fez viajar quase todo mês e onde aprendi muitas coisas que são uteis até hoje. E ainda por cima pagaram metade da minha faculdade. Graças a isso serei sempre grato ao Medianeira.

Talvez eu não tenha sido tão grato no passado, mas o momento era outro e eu andava totalmente perdido, sem rumo na vida e me guiando pela cabeça dos outros. Se pudesse voltar atrás teria feito diferente! Talvez nunca tivesse saído do Medianeira, pois gostava muito de lá. Amava caminhar após o expediente pelas ruas internas do colégio, o bosque, o lago e tudo mais que lá existe. E eu morava bem em frente ao Medianeira, e quando estava em casa a vista principal que via da janela era a frente do colégio. Saudade, saudade!

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Fachada do Colégio Medianeira. (Foto: Rogerio Theodorovy/Gazeta do Povo)

 

47 anos

Hoje é meu aniversário, estou completando 47 anos. Nasci em um sábado às 14h30min, na cidade de Campo Mourão, Oeste do Paraná. Vivi em minha cidade até os 18 anos de idade, quando fui para Curitiba prestar o serviço militar e por lá acabei ficando. Nos vinte anos seguintes voltei para minha cidade natal por duas vezes, mas permaneci pouco tempo. E vivi um ano nos Estados Unidos, na cidade de Orlando. Em meados de 2010 retornei novamente para minha cidade natal, para ficar por somente seis meses. E não fui mais embora e nem quero mais sair daqui. Estou feliz onde estou! Estou perto da família e acho que a maturidade chegou e prefiro uma cidade tranquila de interior, sem trânsito caótico e violência. E ficando aqui, nos próximos anos penso em finalmente casar, criar meus gatos e ter uma vida pacata. Filhos eu não quero! Esse mundo está muito cheio e vai ficar cada vez pior, então não quero deixar descendência.

Quando criança eu sonhava conhecer coisas e lugares novos. Queria conhecer o que existia além do Lar Paraná, o bairro onde cresci. E acabei conhecendo muito mais coisas do que queria ou sonhei. E ainda tenho muito que conhecer e fazer.  Há alguns anos fiz uma lista das aventuras que queria realizar, de lugares que queria conhecer. Essa lista não era muito extensa e já realizei mais da metade do que está anotado nela. E espero ter tempo e saúde para realizar o restante da lista. Depois posso morrer em paz…

Não gosto de datas comemorativas e muito menos de aniversários. Não suporto o Parabéns pra você!  E não é por ficar mais velho o motivo, pois envelhecer não é problema para mim. Vejo envelhecer um presente de Deus, pois muita gente que conheci na vida morreu muito antes de chegar aos 47 anos. E eu já senti o cheiro e vi os olhos da morte algumas vezes. Teve casos em que escapei por milagre, pois achava que ia mesmo morrer. Então cada ano que completo é um presente dos céus, pois há muito tempo eu já devia ter partido do mundo dos vivos. Aliás, eu não devia nem ter nascido, pois não fui planejado. Fui um acidente, um erro de tabelinha (mesmo assim fui/sou muito amado por meus pais).  Mas já que vim ao mundo, ainda vou ficar bastante tempo por aqui incomodando… Então me aguente!

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Túnel do Tempo: os filhotes da passarela

Há exatos sete anos, encontrei em frente ao colégio de padres onde eu trabalhava em Curitiba, uma ninhada de cachorros. Eles tinham nascido debaixo de uma passarela, ao lado da movimentada BR116. Eram seis filhotes e um estava morto, com uma marca funda na testa, que parecia ter sido causada por uma pedrada. A mãe dos cachorrinhos era uma vira-latas arisca e brava. Durante uma semana cuidei da mãe e dos filhotes no local onde os tinha encontrado, mas eles começaram a caminhar e iam até perto da BR, o que era perigoso. Teve um dia que ouvi latidos fortes da cachorra e fui ver o que era. Me deparei com dois caras tacando pedras na cachorra, que tentava proteger os filhotes. Fiquei revoltado com a agressão gratuita aos cachorros e dei uma bronca nos caras. Um deles subiu até o alto da passarela e de lá tacou um tijolo que passou a poucos centímetros de minha cabeça. Fiquei tão bravo com os caras que fui atrás deles, sem me preocupar se ia apanhar ou ia bater. Mas eles foram covardes mais uma vez e correram feito gazelas medrosas. Depois disso achei melhor levar os cachorrinhos para casa. Deu trabalho retirar eles de onde estavam e tive que esperar a mãe deles ir dar uma voltinha, para retirar os filhotes sem ganhar alguma mordida.

Eu morava em frente ao meu trabalho, do outro lado da BR. O problema é que no prédio onde eu morava era proibido ter animais. Conversei com o dono do prédio, com quem eu tinha boa relação e ele me autorizou a ficar com os cachorros durante uma semana, até eu conseguir doá-los. Em casa dei banho neles e matei dezenas de pulgas. A noite o filho do dono do prédio veio ver os cachorros e ficou um tempão brincando com eles. A primeira noite foi um terror e quase não dormi, pois os filhotes choravam o tempo todo. E também por que eu ouvia a mãe deles uivando de longe, em frente a passarela a procura de seus filhotes.

No dia seguinte o filho do dono do prédio veio fazer uma visita aos cachorrinhos e trouxe sua namorada, que era voluntária em uma Ong que cuidava de animais de rua. Ela trouxe cobertinha e comida para eles. Daí tirou fotos para anunciar a doação na internet. A segunda noite não foi muito diferente da primeira, e os filhotes choraram muito. Como eu precisava dormir, dissolvi no leite deles um comprimido de um remédio para dormir. Todos nós dormimos muito bem nessa noite! Mas ao acordar vi que eles estavam dormindo ainda e por um momento achei que os tinha matado com o remédio. Felizmente foi apenas um susto!

Fui trabalhar e deixei eles trancados no banheiro, para amenizar o barulho que faziam e que não incomodasse os demais moradores do prédio. Quando voltei para casa na hora do almoço, uma vizinha do andar de baixo me chamou e perguntou se eu estava com cachorrinhos. Contei toda a história a ela achando que ela ia reclamar do barulho e para minha surpresa ela se ofereceu para cuidar dos filhotes na minha ausência, pois estava de férias. Nesse mesmo dia no final da tarde, a mãe dos filhotes mostrou ser muita esperta e descobriu onde eu estava. Ela entrou no colégio e se enfiou debaixo de uma escada em frente à janela de minha sala de trabalho. Para todos que passavam perto ela avançava. O padre diretor do colégio na época, que não era muito cristão com relação a animais, queria pegar um pedaço de pau e matar a cachorra. Fui me intrometer para defender a cachorra e por pouco não perdi o emprego ou taquei o pedaço de pau na cabeça do padre. Ele me deu uma hora para sumir com a cachorra, senão matava ela… Liguei para um veterinário e foram buscar a cachorra. Foi preciso sedá-la para conseguir pegá-la e levar para internar. Nessa de tentar pegar a cachorra, ganhei uma bela mordida. No fundo acho que o padre é que merecia tal mordia…

A cachorra ficou duas semanas internada, pois estava muito doente. Nesse período ela foi castrada e tratada, tendo ganho alguns quilos. Quem pagou a conta sozinho fui eu, mas fazer o que? A vizinha e o marido cuidaram muito bem dos cachorrinhos enquanto eu ficava fora de casa. Até remédio e comida compraram para eles. Consegui doar uma fêmea através de um anúncio na internet. Os demais consegui doar no final de semana durante uma feira de filhotes. Teve um deles que teve até lista de espera, pois três pessoas queriam ficar com ele. Fiquei muito contente em ter conseguido um lar para todos eles.

Agora tinha que cuidar da mãe dos cachorrinhos, pois com relação a ela eu me sentia meio em dívida, por ter tirado os filhotes dela. Infelizmente nesse período fiquei doente, tive mais alguns problemas pessoais e tudo isso virou minha vida de ponta cabeça meio que de um dia para o outro. Estes acontecimentos somados fizeram eu sair de Curitiba meses depois, para não mais voltar a morar lá. A mãe dos filhotes não conseguia conviver com humanos e o jeito foi soltá-la na rua. Eu mal estava conseguindo cuidar de mim, então não podia cuidar de um cachorro. Quando a soltei em um bairro calmo da vizinha cidade de São José dos Pinhais, ela estava castrada, gorda e saudável. Dessa forma seria mais fácil ela sobreviver nas ruas, pois era o ambiente em que ela estava acostumada.

Os cachorrinhos não vi mais e nem tive notícias. Ás vezes me pergunto se algum deles ainda está vivo e se tiveram uma vida boa. Acredito que sim, pois no dia da doação na feirinha de animais, conversei bastante com as pessoas que estavam adotando eles e todos me pareceram gostar de animais e serem pessoas de bem. A mãe dos cachorrinhos vi uma única vez cerca de dois meses depois que a soltei na rua. Eu estava saindo do aeroporto e a vi num canteiro em uma avenida próxima. Ela parecia bem! Acredito que não esteja mais viva, pois é muito difícil um cachorro viver sete anos nas ruas de uma movimentada cidade. Mas com certeza teria sido muito mais difícil para ela sobreviver na rua com os cinco filhotes.

E com relação ao padre que queria matar a cachorra, não sei por onde anda e nem tenho interesse em saber…

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Os filhotes quando os encontrei. Cinco vivos e um morto.

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O Hiro brincando com os dog’s, na noite que os recolhi da rua.

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A vizinha que ajudou a cuidar dos cachorrinhos.

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Cachorros felizes…

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Cuidando da cachorrada. (janeiro/2010).

Fechamento do Mercadorama

A rede de supermercados Walmart está fechando nesse final de ano diversas lojas no Brasil. A rede que é detentora de algumas marcas como Big, Mercadorama, Maxx Atacado e TodoDia, está fechando lojas que não dão lucro. Aqui no Paraná serão dez lojas fechadas. E uma delas vai fazer falta, pois posso dizer que fez parte de minha história. A loja no caso é o Mercadorama da Praça Tiradentes, em Curitiba. Durante muitos anos fiz compras nessa loja, principalmente na época em que morava perto dela.

A rede Mercadorama, que pertencia à família Demeterco, é bastante conhecida em Curitiba. Em 1998 foi vendida para o Grupo Sonae, que em 2005 vendeu às lojas para a rede Walmart. E nessas vendas o Mercadorama perdeu muito de sua característica original que era bem familiar, com variedade de produtos, baixos preços e ótimo atendimento. Fui funcionário do Mercadorama do bairro Juvevê durante poucos meses em 1991 e trago boas lembranças dessa época.

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Mercadorama da Praça Tiradentes, Curitiba. (Foto: Google Earth)

Ghost, 24 anos

Hoje faz exatamente 24 anos que assisti ao filme Ghost: Do Outro Lado da Vida. Coincidentemente, a exemplo de hoje, o dia 3 de maio de 1991 também era um domingo nublado e chuvoso. Ghost foi um sucesso de bilheteria na época e até hoje é um de meus filmes favoritos.

Assisti ao filme no Cine Lido, em Curitiba. Estava acompanhado da Andrea C. com quem tinha começado a namorar três dias antes. Era a primeira vez que saíamos juntos e a pedido dela fomos assistir ao filme de maior sucesso no momento, e que gerava fila na entrada dos cinemas onde era exibido. Naquela época em Curitiba não existiam cinemas em shoppings. Os cinemas existentes eram os de rua e as filas para entrar nos cinemas se formavam nas calçadas. Para assistir Ghost, ficamos mais de uma hora numa fila que dobrava o quarteirão e tinha mais de cem metros de extensão. Durante a espera começou a chover e felizmente a Andrea era precavida e tinha levado um guarda chuvas branco, com o desenho da Madona.

Naquele domingo o cinema estava lotado e o filme era triste e muita gente chorou, inclusive a Andrea. Engraçadinho como sou fui caçoar dela, que ficou brava comigo. De marcante no filme era a música Unchained Melody.

Passados 24 anos daquele domingo chuvoso, consigo lembrar de muitos detalhes daquele dia. Isso graças ao filme que foi marcante e até hoje figura na lista de meus filmes inesquecíveis. O Cine Lido ainda existe e funciona na Rua Ermelindo de Leão, bem no centro de Curitiba. Mas seus dias de glória e de filas na porta ficaram no passado. Atualmente ele passa filmes pornográficos e é um local de prostituição e de encontro de homossexuais. Mas independente disso, trago boas lembranças deste cinema e sinto saudades daquele tempo.

Há uns cinco anos eu passava em frente ao velho cinema e ele estava todo aberto, sendo lavado. Pedi autorização e me deixaram entrar no cinema. Entrei, me sentei em umas das primeiras fileiras e fiquei lembrando dos muitos filmes que assisti naquele local no passado. Infelizmente não existem mais cinemas de rua em Curitiba, com exceção dos que passam filmes pornográficos. Os cinemas atuais em shoppings, são bem mais confortáveis e modernos, mas não tem aquela magia, aquele saudoso cheiro de mofo dos antigos cinemas de rua do passado.

Ghost

O filme Ghost: Do Outro Lado da Vida, foi lançado nos Estados Unidos em 1990 e estreou no Brasil em 1 de novembro de 1990. O filme foi um sucesso de bilheteria, arrecadando U$ 505.702.588,00 com um orçamento de U$ 21 milhões. No Brasil o filme arrecadou U$17.041.632,00. No mundo foi o filme de maior bilheteria em 1990. O filme foi indicado a cinco Oscar e venceu dois, sendo os de Melhor Roteiro Original e Melhor Atriz Coadjuvante, para Whoopi Goldberg.

Curiosidades sobre o filme

A atriz Meg Ryan recusou o papel de Molly. Nicole Kidman chegou a fazer testes para o papel. Molly Ringwald também fez um teste para o papel mas perdeu para Demi Moore.

Bruce Willis, que na época era marido de Demi Moore, recusou o papel de Sam, pois achava que o filme não daria certo. Outros grandes atores, como Tom Hanks, Tom Cruise e Nicolas Cage foram reprovados para interpretar Sam.

Whoopi Goldberg só participou do filme graças à insistência de Patrick Swayze. Graças à sua atuação em Ghost, ela ganhou posteriormente o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

O filme foi exibido pela primeira vez na televisão aberta no Brasil, na Rede Globo, em Tela Quente – Especial, no dia 27 de dezembro de 1993. A audiência do filme foi histórica, chegando aos 56 pontos de Ibope, superando os índices da novela das oito da época, Fera Ferida, que a antecedeu na programação. Ghost entrou para a história, uma vez que nenhum outro filme registrou tamanha audiência até então, e nem posteriormente foi superado.

Cartaz do filme Ghost.
Cartaz do filme Ghost.

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Patrick Swayze e Demi Moore.

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Interior do Cine Lido.

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O Cine Lido atualmente.

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O Cine Lido atualmente.

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Esquina onde a fila dobrava há 24 anos.