Exposição do Magic Bus (ônibus 142)

O trabalho de conservação e reparação para colocar o ônibus 142 em exposição no Museu do Norte,da Universidade do Alaska, deve durar entre dois e três anos. O processo de trazer o ônibus 142 ao público é um pouco demorado, em razão do cuidadoso trabalho de conservação do ônibus e documentação dos objetos contidos nele e a história representada por eles. Documentar a história do ônibus 142 e as histórias associadas a ele é um processo de longo prazo que envolve pesquisa de arquivos, entrevistas e coleta de informações, fotos, vídeos e testemunho de pessoas que estiveram no local original onde o ônibus estava e que documentaram algo sobre ele. 

Enquanto o ônibus 142 estiver nesse processo de preparo e restauro, será possível acompnhar on-line seu estado e observar os processos pelo qual ele estará passando. A Universidade do Alaska criou um link onde em breve será possível acompanhar o ônibus 142 ao vivo. 

https://uaf.edu/museum/collections/ethno/projects/bus_142/

O ônibus 142 se muda para novo local

O ônibus 142 se muda para o prédio de engenharia da UAF. 

O ônibus 142 está de volta aos olhos do público. Na tarde de quarta-feira, o Museu do Norte da Universidade do Alasca transferiu o ônibus da década de 1940, que ficou famoso pelo livro "Into the Wild" (Na Natureza Selvagem) de Jon Krakauer e o filme de 2007 de mesmo nome, para o prédio de engenharia da universidade em Fairbanks. 

Ele passará o resto do ano acadêmico no laboratório de alto padrão do prédio, onde a equipe do museu, engenheiros e conservadores continuarão o trabalho meticuloso de prepará-lo para exibição no museu. O laboratório, que é visível do átrio do prédio, oferecerá um local aconchegante para trabalhar e a primeira chance do público de ver o ônibus desde sua remoção da Stampede Trail no ano passado.

“O processo de preparação do Ônibus 142 para exibição permanente é demorado, mas sua presença no prédio de engenharia permitirá que o público acompanhe esse processo, tanto aqui em Fairbanks quanto online”, disse a gerente sênior de coleção de etnologia e história do museu, Angela Linn. O museu planeja instalar uma webcam para que o público possa ver online o trabalho de conservação. 

A fama do ônibus 142 cresceu com a história de Chris McCandless, um homem de 24 anos que morreu no ônibus em 1992. O local remoto ao norte do Parque Denali tornou-se um destino frequentemente perigoso para visitantes inspirados na história de McCandless. Alguns desses visitantes ficaram feridos ou morreram durante a viagem, o que levou o Departamento de Recursos Naturais do Alasca a remover o ônibus da Stampede Trail em junho de 2020. Três meses depois, o ônibus chegou a um depósito em Fairbanks, onde a equipe do museu começou trabalho de conservação.

Durante o inverno, a equipe do museu tirará fotos detalhadas e digitalizações 3D do ônibus, e construirá uma estrutura para apoiar a estrutura do ônibus. Durante o semestre da primavera, eles trabalharão com estudantes de engenharia da UAF no projeto e fabricação de uma capa para a exposição, que está programada para ser ao ar livre ao norte do museu no campus Fairbanks da Universidade do Alasca em Fairbanks. No próximo ano, especialistas em conservação de veículos históricos começarão a preparar o ônibus para a exposição, processo que envolve tanto reparos e limpeza, quanto obras de preservação.

“Nosso objetivo é que os visitantes vivenciem a história completa do ônibus: sua jornada ao Alasca, seu papel nos últimos meses de Chris McCandless e as décadas de interesse público após sua morte”, disse Linn.

O público pode ver o ônibus do átrio do prédio de engenharia nos dias úteis das 8h às 20h e online por meio de uma webcam que será instalada em breve, que terá um link no site do museu.

MAIS INFORMAÇÕES

Apoie a preservação, interpretação e exibição do ônibus visitando https://uaf.edu/museum/collections/ethno/projects/bus_142/


PS: O link com o texto em inglês nos foi enviado por Bárbara Bezerra de Menezes.
O ônibus 142 do Fairbanks Transit System chega ao campus de Troth Yeddha na quarta-feira, 6 de outubro de 2021, no laboratório de testes estruturais da unidade de engenharia, aprendizado e inovação. (UAF photo by JR Ancheta)
O ônibus 142 é baixado no laboratório estrutural das Instalações de Engenharia, Aprendizagem e Inovação para preservação na quarta-feira, 6 de outubro de 2021 no campus de Troth Yeddha. (UAF photo by JR Ancheta)
Um grupo de alunos se reúne para observar o ônibus Fairbanks Transit 142 no Centro de Engenharia, Aprendizagem e Inovação na quarta-feira, 6 de outubro de 2021 no campus Fairbanks. (UAF photo by JR Ancheta)

Livro Into The Wild – 1ª Edição

O livro Into The Wild, de Jon Krakauer, foi lançado em 1997 nos Estados Unidos e logo fez grande sucesso. Depois se tornou filme também de sucesso. A história trágica de Christopher McCandless, conquistou o coração e a mente de jovens e adultos em todo o mundo.

A primeira edição do livro Into The Wild, se tornou uma raridade e as poucas edições que eventualmente são colocadas a venda em sites ou sebos, já alcançam preços na casa dos U$ 150,00 (R$ 799,50 no câmbio de hoje).

Abaixo algumas fotos de uma primeira edição do livro Into The Wild:

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Livros: Na Natureza Selvagem

Publicado em 2007 nos Estados Unidos, o livro Into the Wild (Na Natureza Selvagem), logo fez bastante sucesso e se tornou filme também de sucesso. No Brasil, o livro foi publicado em 1998. Em 2017 foi publicado uma edição com um posfácio do autor, Jon Krakauer, onde ele revisa sua opinião sobre a real causa da morte de Christopher McCandless. Essa nova edição tem poucas páginas a mais no final, e não muda em praticamente nada a história.

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Edição de 1998.

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Edição de 2017, com o posfácio.

O Magic Bus vai para um museu…

Após ser retirado do seu local original (ver postagens de junho) e correr até mesmo o risco de virar sucata, o Magic Bus (ônibus 142), vai parar em um museu. O famoso ônibus que ficou conhecido através do livro que virou filme; Na Natureza Selvagem (Into the Wild), finalmente vai ganhar um lugar digno para ficar e ser preservado.

O Departamento de Recursos Naturais do Alasca, anunciou que o famoso ônibus 142 ficará exposto no Museu do Norte da Universidade do Alasca, em Fairbanks. O museu fica cerca de duas horas de distância do local de onde o ônibus foi retirado em junho último. Foi informado que o museu foi a instituição que melhor atendeu as condições exigidas para ter o ônibus em suas instalações. No museu o ônibus terá a garantia de que será um objeto histórico e cultural preservado. O ônibus 142 ao ser exposto no museu de Fairbanks, também irá preservar a história de todas as pessoas que se arriscaram e algumas que perderam a vida indo até ele.

Mesmo o museu de Fairbanks sendo a casa oficial do ônibus daqui para frente, ele ainda é de posse do Departamento de Recursos Naturais do Alasca e eventualmente poderá sair em exposição itinerante.

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Museu do Norte da Universidade do Alasca.

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O ônibus 142 quando seguia para Fairbanks.

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O ônibus 142 ainda em seu local original.

Destino do Magic Bus / Ônibus 142

Segue abaixo devidamente traduzido, nota do Departamento de Recursos Naturais do Alasca, contando sobre a remoção do Magic Bus (Ônibus 142) e seu destino. Todos os itens que estavam dentro do ônibus, bem como a placa colocada há anos pela família McCandless sob a escada de entrada do ônibus, foram cuidadosamente embalados e seguiram para serem guardados no mesmo local que o ônibus.

**Quem descobriu, traduziou e nos enviou o texto, foi a pernambucana Bárbara Bezerra de Menezes.

Para divulgação imediata: 19 de junho de 2020.

Transporte aéreo libera ônibus velho de passado trágico e oferece futuro positivo
Por Corri A. Feige

Por décadas, o ônibus urbano da década de 1940 abandonado em uma trilha remota a 40 quilômetros a oeste de Healy, serviu de várias formas como abrigo, símbolo, santuário, canto de cigarra e até mesmo um local de morte. A quinta-feira marcou o início de um novo capítulo na vida do ônibus 142.

Em 18 de junho, a pedido do Departamento de Recursos Naturais do Alasca (DNR), um helicóptero CH-47 Chinook da Guarda Nacional do Exército do Alasca removeu o ônibus chamado “Into the Wild” da Stampede Trail, para que possa ser transferido para um armazenamento seguro enquanto a DNR considera o próximo passo na história do ônibus mais famoso do Alasca.

Depois que seu serviço no sistema de trânsito da cidade de Fairbanks terminou na década de 1950, a Yutan Construction Co. comprou o agora famoso ônibus para abrigar funcionários durante a construção de uma estrada pioneira entre Lignite e Stampede. O ônibus foi abandonado após a conclusão da estrada em 1961.

Usado por caçadores e caminhantes como um abrigo de emergência ocasional, o ônibus ficou famoso depois que o livro de Jon Krakauer, de 1996, “Into the Wild”, e um filme do livro de 2007, popularizaram a história do viajante de 24 anos Chris McCandless, que, infelizmente, morreu sozinho em 1992, após uma estada de 114 dias, que ele caracterizou em um diário como uma fuga às restrições da civilização.

Desde a morte de McCandless, um número cada vez maior de viajantes tentou literalmente refazer os passos de McCandless, percorrendo uma trilha acidentada com clima severo e atravessando os rios Teklanika e Savage para chegar ao local do ônibus.

Enquanto muitos deles tiveram experiências satisfatórias, mesmo que sem intercorrências, muitos ficaram perdidos ou feridos ou precisaram de resgate. Tragicamente, desde 2010 duas mulheres se afogaram durante essas viagens, alimentando chamadas públicas para reduzir ou eliminar os riscos. Como o ônibus é um veículo abandonado há muito tempo, e está presente em terras estatais gerenciadas pela DNR, é tecnicamente propriedade do estado e é legalmente da responsabilidade do meu departamento. No entanto, determinar o que fazer com o ônibus exigiu o equilíbrio de interesses.

Por um lado, o Alasca acolhe moradores e visitantes, para os quais os verdadeiros desafios e riscos da recriação em nossas áreas selvagens aumentem seu prazer. Por outro lado, esse ônibus atraía muitos visitantes despreparados para os rigores do desafio. Eles estavam arriscando danos a si mesmos ou a outros, exigindo que as equipes de busca e resgate se colocassem em perigo, consumindo recursos públicos limitados e, em alguns casos, perdendo a vida.

Algumas vozes pediram para eliminar completamente a atração destruindo o ônibus. Outros queriam tornar o acesso mais seguro construindo pontes ou melhorando trilhas. Alguns queriam capitalizar sua mística, movendo-o para o sistema viário como uma atração turística. Outros ainda queriam vê-lo preservado como um santuário para o tipo de individualismo áspero que evita as restrições da civilização.

No final, a decisão da DNR de mudar o ônibus foi baseada em alguns fatores essenciais. Primeiro, tornara-se um incômodo atraente, que apresentava riscos inaceitáveis ​​para os visitantes, muitas vezes despreparados para os rigores da jornada. Segundo, a Guarda Nacional do Exército do Alasca concordou graciosamente em removê-la como uma maneira de praticar suas habilidades no rápido movimento aéreo-móvel de equipamentos sob condições selvagens. Terceiro, o ônibus estava impondo encargos financeiros ao distrito de Denali, ao Alaska State Troopers, ao DNR e a outras agências. Finalmente, e mais importante, simplesmente não podíamos ignorar que o ônibus era um fator em mais e mais frequente lesões, acidentes e mortes.

Reconhecer notícias sobre o ônibus pode reabrir velhas feridas nas famílias daqueles que morreram – e equilibrar isso com a necessidade de preservar a segurança e a integridade da operação – assim que o ônibus esteva em movimento, eu pessoalmente estendi a mão e falei com um membro da família McCandless para compartilhar as notícias e expressar minha esperança de que essa ação possa salvar outras pessoas do tipo de dor que suas famílias experimentaram. Como as diferenças de fuso-horário significariam perturbar com as ligações telefônicas noturnas os outros sobreviventes, minha equipe forneceu um aviso prévio por e-mail e convites para me ligar quando necessário.

Como o ônibus 142 provavelmente continuará sendo um símbolo potente e um artefato atraente, a DNR planeja mantê-lo seguro em armazenamento seguro enquanto considera opções para seu futuro a longo prazo, no Alasca. Embora continuemos a considerar as contribuições do público, é minha forte intenção impedir que o ônibus e seu legado sejam explorados para publicidade, lucro ou qualquer outro uso desrespeitoso. As decisões sobre sua disposição final refletirão nossa responsabilidade pela saúde, segurança e bem-estar de nossos residentes, visitantes, terra e recursos. O ônibus 142 teve um passado longo e fascinante. Ao movê-lo de maneira respeitosa, eficiente e segura, estamos preservando a oportunidade de que esse pedaço da história também tenha um futuro a longo prazo; não apenas no Alasca, mas também nos corações, mentes e lembranças de aventureiros e buscadores de todo o mundo.

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Corri A. Feige é comissária do Departamento de Recursos Naturais do Alasca

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Programa Aventuras & Aventueiros – Na Natureza Selvagem

Hoje o programa Aventuras & Aventureiros falou sobre o livro e filme Na Natureza Selvagem. O programa teve a aprticipação da Bárbara Bezerra de Menezes, que já esteve duas vezes no Alasca e visitou o Parque Nacional Denali, local que foi palco da história de Christopher McCandless e o “Magic Bus”.

AVENTURAS & AVENTUREIROS 23.06.2020

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Vander Dissenha e Bárbara Bezerra de Menezes.

Abaixo o link para assistir ao programa na íntegra:

Magic Bus

O Alasca é um lugar lindo, selvagem. Eu só conheci o filme Na Natureza Selvagem (Into the Wild), porque já estava com viagem comprada para conhecer o Alasca. Eu estive no parque Denali. Visitei o Magic Bus (ônibus 142) que foi usado para gravar o filme. Ele foi doado a uma cervejaria local, para as pessoas poderem visitar sem colocar a vida em risco.

O Alasca não é para amadores. Tentei fazer a visita ao Magic Bus original, mas não pude fazer a travessia do rio nas duas vezes que fui no Alasca. Você não faz ideia de como o povo alasquiano odeia a história do Christopher McCandless e do romantismo aventureiro em volta do Magic Bus.

Fico num mix de emoções com essa notícia da retirada do ônibus de seu local. Vidas serão poupadas, mas o prazer de muitos foi apagado. Eu amo essa história, mas amo mais as vidas. Não estou chateada nem triste, estou curiosa para saber onde vão colocar o ônibus. Tem outros lugares incríveis que ainda não conheço no Alasca e eu rodei mais de dois mil quilômetros por lá.

Juro que nada do meu sentimento mudou. Cada um de nós já viveu algo parecido com o que Chris viveu. Uma época de aventura e se descobriu.

Bárbara Bezerra de Menezes

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Bárbara em frente o Magic Bus utilizado nas gravações do filme. (2016)

 

Remoção do Magic Bus

O sonho acabou! Pelo menos para mim, que há anos tinha planos de visitar o Magic Bus (ônibus 142) do livro e filme Na Natureza Selvagem (Into the Wild). Hoje o famoso ônibus foi retirado do local onde estava há décadas e que serviu de palco para a maravilhosa e trágica história de Christopher McCandless, o jovem que deixou a vida confortável na cidade e foi viver uma grande aventura próximo a natureza. A história de Christopher McCandless foi contada em um livro (1996) do jornalista John Krakauer, que se tornou best seller e depois foi transformado em um filme de sucesso (2007) que concorreu a dois Oscar. O ônibus ficava na Stampede Trail, perto do rio Teklanika, em uma área remota do Alasca. O Magic Bus ficava a 40 quilômetros da trilha Stampede. A história de Christopher McCandless, de 24 anos, conquistou uma legião de admiradores. McCandless passou o verão de 1992 no ônibus 142, onde veio a morrer de fome dentro do ônibus, depois de 114 dias vivendo no local.

O Magic Bus era considerado um ponto turístico de alto risco. Viajantes do mundo todo, a maioria jovens, seguiam até o local onde o ônibus ficava, na busca de refazer o caminho que McCandless fez em 1992. Alguns desses viajantes estavam mal preparados e pouco conheciam da topografia do local. Por conta de tal despreparo acabavam se metendo em problemas. Os rios Teklanika e Savage, isolam a região e tornavam a aventura bem arriscada. Algumas mortes ocorreram e era algo frequente a Guarda Nacional do Alasca ser acionada para socorrer aventureiros perdidos e/ou feridos. Essas operações de resgate geravam um alto custo financeiro para o Estado do Alasca e isso estava desagradando muito o Governo e a população local.

Após muito debate, as autoridades locais decidiram que o mais apropriado era remover o ônibus da trilha. Em uma operação conjunta entre o Exército Americano e o Departamento de Recursos Naturais, com auxílio de um helicóptero de carga CH-47 Chinook, foram feitos buracos no teto e no chão do Magic Bus, para possibilitar a passagem de correntes, que tornaram possível sua elevação aérea. A Guarda Nacional do Alasca retirou o ônibus 142 como um treinamento para levar veículos por via aérea. O Magic Bus ficará em um depósito enquanto se decide opções e alternativas para visitas públicas, em um lugar mais seguro. Uma maleta de valor sentimental para a família McCandless foi preservada.

A história de Christopher McCandless serviu de inspiração à imaginação de jovens e aventureiros do mundo todo. Mas muitos moradores locais não nutriam nenhuma admiração por tal história. Muitos achavam McCandless um despreparado que morreu de forma idiota a pouco mais de 30 quilômetros de um local habitado. O povo do Alasca tem fama de ser durão, pois sobrevivem em uma região bastante inóspita e não digeriram bem a história do jovem sonhador e aventureiro que morreu de fome dentro de um ônibus que servia há anos como abrigo para caçadores da região.

Ao mesmo tempo em que a retirada do ônibus 142 deixa a população e as autoridades  locais aliviadas, importante parte da história da região desapareceu. Há alguns anos foi sugerido a construção de uma ponte sobre o rio na rota para chegar ao Magic Bus. Isso fomentaria o turismo na região e deixaria a trilha segura. Mas a proposta foi rejeitada, pois se temia que isso pudesse atrair ainda mais jovens e aventureiros despreparados.

A história de Christopher McCandless me serviu de inspiração em uma fase muito difícil de minha vida. Em 2010 eu enfrentava uma forte depressão e para sair do estado de desepero e de falta de motivação para seguir em frente, procurei histórias inspiradoras em pessoas, livros e filmes. E na busca da cura formulei uma lista de lugares que pretendia conhecer. Nos últimos dez anos realizei mais da metade das viagens que constam nessa lista. Mas visitar o Magic Bus em seu local original não vai ser possível, pois a partir de hoje o cenário da história bela e trágica de Christopher McCandless deixou de ser completo. Sou fã confesso do livro, filme e trilha sonora de Na Natureza Selvagem, e sempre que possível tento passar para outras pessoas o sentimento inspirador que nutro por tal história. Uma das mensagens mais importantes que a história de Christopher McCandless deixa é que as pessoas devem viajar e ter um contato mais íntimo com a natureza, mas que estejam preparadas para o que vão fazer.

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O Magic Bus antes de ser removido.

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Christopher McCandless no Magic Bus em 1992.

A felicidade só é verdadeira quando compartilhada

Sou fã do livro e do filme Na Natureza Selvagem. E adoro a trilha sonora do filme, composta toda por Ed Vedder. A história contada no livro, á história com final infeliz de Chris McClandess, me tocou profundamente e identifiquei-me com o Chris imensamente. Sei que muita gente acha que ele foi um idiota e morreu de forma estúpida. E também sei que muita gente me acha um idiota por admirar Chris McClandess e pelo meu jeito de agir, de pensar e até pelo que posto aqui nesse blog. Mas não estou nem aí pra esse povo e a opinião deles!

Mas onde eu queria chegar quando comecei esse texto e fugi um pouco do contexto, foi falar sobre os livros que inspiraram Chris McClandess, os quais são citados no livro e no filme Na Natureza Selvagem. Dos livros mencionados eu tinha lido somente Caninos Brancos, de Jack London. E recentemente comecei a ler Walden, de Henry Thoreu. Alías, Thoreu logo vai merecer uma postagem exclusiva aqui no blog.

Os demais livros citados no livro Na Natureza Selvagem não fazem muito meu estilo de leitura, mas deixei alguns nomes anotados e quem sabe no futuro se sobrar tempo eu leia algum. Entre estes vale a pena citar:  A Sonata a Kreutzer (Liev Tolstói), Felicidade Conjugal (Liev Tolstói), Guerra e Paz (Liev Tolstói), A Morte de Ivan Ilitch (Liev Tolstói), O Homem Terminal (Michael Crichton), O Chamado da Floresta (Jack London), A Desobediência Civil (Henry Thoreau), Doutor Jivago (Boris Pasternak), As Aventuras de Huckleberry Finn (Mark Twain) e Tarass Bulba (Nikolai Gogol). Se eu tinha lido apenas um livro dessa lista, ao menos vi três filmes baseados nesses livros. São eles: Guerra e Paz, Doutor Jivago e As Aventuras de Huckleberry Finn. E com relação a esse último, estive na ilha de Tom Swayer, que é citada no livro. Na verdade essa ilha que visitei fica no Disney World em Orlando, e foi criada por Walt Disney inspirado no livro, pois Disney era fã de Mark Twin, o autor do livro.

Tais livros serviram de inspiração e moldaram a personalidade de Chris McClandess, principalmente com relação á natureza. Sempre gostei do ar livre, da natureza e da sensação de liberdade que ela nos transmite. Já tive muitas “aventuras” junto á natureza e algumas vezes tais aventuras quase se transformaram em tragédia. Mas é assim mesmo, a natureza é poderosa e não perdoa os fracos, os desatenciosos, os mal preparados e distraídos. Das vezes que me dei mal e até me machuquei foi por culpa da distração. Mas é vivendo que se aprende, é se machucando que também se aprende a não se machucar mais. É assim que vivemos na natureza e nesse mundo selvagem que nos cerca…

“A felicidade só é verdadeira quando compartilhada”.

(frase do livro Na Natureza Selvagem)

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Chris McClandess, Alasca 1992.

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Vander Dissenha, Canadá 2011.

O homem que encontrou o corpo de Chris McCandless

Em 1992, Gordon Samel se tornou parte do folclore do Alasca, quando encontrou o corpo de Christopher McCandless, enquanto caçava alces no Parque Nacional do Denali. Em 1992, Samel estava com um grupo de três caçadores de alce quando encontraram McCandless quase três semanas depois de sua morte. De acordo com Jon krakauer, autor do livro Na Natureza Selvagem, quando os caçadores chegaram ao velho ônibus da cidade de Fairbanks, um casal de Anchorage já estava lá, mas não se aproximaram por causa do mau cheiro e da nota de SOS intrigante. Foi Samel que acabou descobrindo McCandless em seu saco de dormir dentro do ônibus.

Gordon Samel, de 52 anos, foi morto em março de 2014, em um tiroteio, após um incidente por dirigir embriagado em Wasilla, Alasca. Samel se envolveu em uma perseguição policial depois que foi relatado que estava dirigindo embriagado. Após uma grande busca, os policiais cercaram Samel, e ele acelerou para cima de um guarda que estava a pé. Dois policias abriram fogo contra a camionete, matando Samel e ferindo o outro passageiro.

Gordon Samel.
Gordon Samel.

Christopher McCandless.
Christopher McCandless.

Como Chris McCandless morreu

Em 6 de setembro de 1992, o corpo decomposto de Christopher McCandless foi descoberto por caçadores de alce no limite norte do Denali National Park. Ele morreu dentro de um ônibus enferrujado que servia de abrigo improvisado para os caçadores, para os condutores de cães, e outros visitantes. Colada na porta estava uma nota rabiscada em uma página arrancada de um livro de Nikolai Gogol: 

Atenção possíveis visitantes. 

SOS 

Eu preciso de sua ajuda. Estou doente, a beira da morte, e fraco demais para sair daqui. Estou sozinho, isso não é piada. Em nome de Deus, por favor me ajudem. Saí para colher frutas aqui perto e devo voltar esta noite. 

Obrigado, 
Chris McCandless 

Agosto?

A partir de um diário secreto encontrado entre seus bens, parecia que McCandless estava morto há 19 dias. Uma carteira de motorista emitida oito meses antes indicou que ele tinha vinte e quatro anos de idade e pesava 64 quilos. Depois que seu corpo foi levado para uma autópsia, determinou-se que ele estava pesando apenas 30 quilos e não tinha gordura subcutânea. A causa provável da morte, de acordo com o relatório do legista, era fome.

Em “Into the Wild”, no livro que eu escrevi sobre a breve e confusa vida de McCandless, cheguei a uma conclusão diferente. Eu especulei que ele inadvertidamente se envenenou ao comer sementes de uma planta comumente chamada de batata selvagem, conhecida por botânicos como Hedysarum alpinum. De acordo com a minha hipótese, um alcalóide tóxico nas sementes enfraqueceu McCandless, a tal ponto que se tornou impossível para ele caminhar para a estrada ou caçar efetivamente, levando-o assim a fome. Devido a Hedysarum alpinum ser descrita como uma espécie de planta não-tóxica, tanto na literatura científica como em livros populares sobre plantas comestíveis, a minha tese foi recebida com uma boa dose de menosprezo, especialmente no Alasca.

Recebi milhares de cartas de pessoas que admiram McCandless por sua renúncia ao conformismo e ao materialismo, na busca por descobrir o que era autêntico e o que não era, para testar a si mesmo, por experimentar o sentido natural da vida, sem a segurança do sistema. Mas também tenho recebido muitos emails de pessoas que pensam que ele era um idiota, deprimido, arrogante, sem experiência com a vida selvagem, mentalmente desequilibrado, e, possivelmente um suicida. A maioria desses detratores acreditam que meu livro é a glorificação de uma morte sem sentido. Como o colunista Craig Medred escreveu no Anchorage Daily News, em 2007,

“Into the Wild” é uma deturpação, uma farsa, uma fraude. Eu finalmente estou dizendo o que alguém precisava ter dito há muito tempo …. Krakauer transformou um miserável propenso à paranóia, alguém que deixou uma nota falando sobre seu desejo de matar o seu “falso eu interior”, alguém que conseguiu morrer de fome em um ônibus abandonado e que não muito longe da George Parks Highway, e transformou o cara em uma celebridade. Por que o autor recebeu o que queria, isso é óbvio. Ele queria escrever uma história que fosse vender.

O debate sobre por que morreu McCandless, e a questão se ele é digno de admiração, foi latente e, às vezes feroz, por mais de duas décadas. Mas, em dezembro passado, um escritor chamado Ronald Hamilton postou um artigo na internet, que traz novos fatos fascinantes para a discussão. Hamilton, ao que parece, descobriu evidências até então desconhecidas que surgiram para fechar essa questão do livro sobre a causa da morte de McCandless.

Para apreciar o brilho do trabalho investigativo de Hamilton, uma história de fundo é necessária. O diário e as fotografias recuperadas junto ao corpo de McCandless indicou que, a partir de 24 de junho de 1992, as raízes da planta Hedysarum alpinum tornou-se a parte mais importante de sua dieta diária. No dia 14 de julho, ele começou a colher e comer sementes de Hedysarum alpinum. Uma de suas fotos mostra um saco plástico, em cima de um tambor, cheio com essas sementes. Quando visitei o ônibus em julho de 1993, as plantas de batata selvagem estavam crescendo por toda parte. Enchi um saco com mais de um quilo de sementes em menos de trinta minutos.

Em 30 de julho, McCandless escreveu em seu diário, “Extremamente fraco. Acho que por causa das sementes de batata. Muita dificuldade apenas para se levantar. Morrendo de fome. Grande perigo.” Antes disso, não havia nada que sugerisse que ele estava em apuros, embora suas fotos mostram que ele estava assustadoramente magro. Durante os últimos três meses viveu em uma dieta de esquilos, porcos-espinhos, pequenas aves, cogumelos, raízes e frutos, ele enfrentava um enorme déficit calórico e estava à beira do abismo. Pela adição de sementes de batata ao menu, ele aparentemente cometeu o erro que o levou a um beco sem saída. Após 30 de julho, sua condição física piorou, e três semanas depois ele estava morto.

Quando o corpo de McCandless foi encontrado na mata do Alasca, a revista Outside me pediu para escrever sobre as circunstâncias enigmáticas da sua morte. Trabalhando em um prazo apertado, eu pesquisei e escrevi um artigo que foi publicado em janeiro de 1993. Como as sementes de batata selvagem são consideradas seguras para se comer, neste artigo eu especulei que McCandless tinha erroneamente consumido as sementes da ervilha doce selvagem, Hedysarum mackenzii que são tóxicas, e que é difícil de diferenciar estas duas sementes. Eu atribui sua morte a esse erro.

Como o meu artigo depois acabou virando um livro e tive mais tempo para ponderar as evidências, no entanto, pareceu-me extremamente improvável que ele não tenha conseguido diferenciar as espécies de sementes. Na parte de trás de um guia de campo que ele levava, anotou uma pesquisa que havia feito de algumas plantas comestíveis da região, “Tanaina Plantlore / Dena’ina K’et’una: An Ethnobotany of the Dena’ina Indians of Southcentral Alaska,”, de Priscilla Russell Kari. Neste guia, a autora Priscilla adverte explicitamente que a ervilha selvagem se assemelha a batata selvagem, e “é relatado como sendo uma semente venenosa, e muito cuidado deve ser tomado para identificá-los com precisão antes de tentar usar a batata selvagem como alimento.” E então ela explica exatamente como distinguir as duas plantas em si, no livro.

Pareceu-me mais plausível que McCandless tinha realmente comido as raízes e sementes da batata selvagem supostamente tóxico ao invés das sementes de ervilha doce selvagem. Então eu mandei algumas sementes Hedysarum alpinum que eu tinha coletado perto do ônibus para Dr. Thomas Clausen, um professor do departamento de bioquímica da Universidade de Alaska Fairbanks, para análise.

Pouco antes do meu livro ser publicado, Clausen e um de seus alunos de pós-graduação, Edward Treadwell, realizou um teste preliminar que indicava que as sementes continham um alcalóide não identificado. Fazendo uma análise intuitiva, na primeira edição de “Into the Wild”, publicado em janeiro de 1996, eu escrevi que este alcalóide era provavelmente o suainsonina, um agente tóxico conhecido por inibir o metabolismo de glicoproteína em animais, levando a fome. Quando Clausen e Treadwell completaram suas análises com as sementes de batata selvagem, porém, eles não encontraram nenhum vestígio de suainsonina ou quaisquer outros alcalóides ou não-alcalóide. “Não foi encontrado toxinas. Não há alcalóides. Eu provavelmente comeria essa semente tranquilamente.” disse ele.

Eu estava perplexo. Clausen era um químico orgânico estimado, e os resultados da sua análise parecia irrefutável. Mas na data de 30 julho no diário de McCandless, ele não poderia ter sido mais explícito: “EXTREMELY WEAK. FAULT OF POT[ATO] SEED.” (Extremamente fraco, erro com a semente da batata). Sua certeza sobre a causa de sua saúde debilitada me atormentou. Comecei vasculhando a literatura científica em busca de informações que me permita conciliar a declaração inflexivelmente inequívoca de McCandless com resultados de teste igualmente inequívocas de Clausen.

Alguns meses atrás, quando me deparei com o artigo de Ronald Hamilton “O Fogo Silencioso: ODAP e a Morte de Christopher McCandless”, que Hamilton tinha postado em um site onde publica ensaios e artigos sobre McCandless. O ensaio de Hamilton ofereceu novos elementos de prova convincente de que a planta batata selvagem é altamente tóxica por si só, ao contrário das garantias de Thomas Clausen e qualquer outro especialista, que já opinou sobre o assunto. O agente tóxico em Hedysarum alpinum acaba por não ser um alcalóide, mas, sim, um aminoácido, e de acordo com Hamilton, foi a principal causa de morte de McCandless. Sua teoria valida minha convicção de que McCandless não era tão ignorante e incompetente como seus detratores fizeram ele ser.

Hamilton não é nem um botânico nem um químico, ele é um escritor que até recentemente trabalhava como encadernador na biblioteca da Universidade de Indiana na Pensilvânia. Como Hamilton explica, ele tornou-se familiarizado com a história de McCandless em 2002, quando encontrou uma cópia de “Into the Wild”, folheou as páginas, e, de repente pensou consigo mesmo, eu sei por que esse cara morreu. Seu palpite derivado de seu conhecimento adquirido em Vapniarca, um campo de concentração na Segunda Guerra Mundial, pouco conhecido, no que era então a Ucrânia ocupada pelos alemães.

“Eu aprendi em Vapniarca através de um livro que li e cujo título eu já esqueci há muito tempo, algo sobre isso. Mas depois de ler ‘Into the Wild’, eu fui pesquisar um manuscrito sobre Vapniarca que foi publicado online. “Mais tarde, na Romênia, ele localizou o filho de um homem que serviu como oficial administrativo no acampamento, que enviou para Hamilton um tesouro de documentos.

Em 1942, em uma experiência macabra, um oficial no Vapniarca começou a alimentar os presos com pão judaico feito a partir de sementes da ervilha da grama, Lathyrus sativus, uma leguminosa comum que tem sido conhecida desde o tempo de Hipócrates como sendo tóxica. “Muito rapidamente,” Hamilton escreve em “O fogo silencioso”,

Um médico judeu, preso no acampamento, Dr. Arthur Kessler, entendeu o que isso implicava, especialmente quando dentro de alguns meses, centenas de jovens presos do sexo masculino do acampamento começaram a mancar, e tinham começado a usar paus como muletas para poderem caminhar. Em alguns casos, os presos foram rapidamente se definhando e obrigados a se rastejar sentados para se locomoverem. Uma vez que os detentos haviam ingerido uma quantidade suficiente da planta, era como se um incêndio em silêncio havia sido aceso dentro de seus corpos. Não havia mais volta a partir deste fogo, uma vez aceso, queimaria até a pessoa se definhar e acabaria ficando aleijado. Quanto mais eles tinham comido, pior as consequências, mas, em qualquer caso, uma vez que os efeitos tinham começado, simplesmente não havia maneira de revertê-la …. A doença é chamada, simplesmente, neurolatirismo, ou, mais comumente, “latirismo.” Kessler, que … inicialmente reconheceu o experimento sinistro que havia sido realizado em Vapniarca, foi um dos que escapou da morte durante esses tempos terríveis. Aposentou-se em Israel uma vez que a guerra tinha terminado, e abriu uma clínica para cuidar, estudar, e na tentativa de tratar as inúmeras vítimas de latirismo de Vapniarca, muitos dos quais tinham também sido realocados em Israel.

Tem sido estimado que, no século XX, mais de cem mil pessoas em todo o mundo foram permanentemente paralisados após comer ervilha grama. A substância prejudicial na planta acabou por ser uma neurotoxina, ácido diaminoproprionic beta-N-oxalilo-L-alfa-beta, um composto comumente referido como beta-ODAP ou, mais frequentemente, apenas ODAP. Curiosamente, nos relatórios de Hamilton,

ODAP afeta diferentes pessoas, de sexos diferentes, e até mesmo de diferentes faixas etárias em diferentes maneiras. Ele ainda afeta as pessoas dentro desses grupos etários de forma diferente …. A única constante sobre o envenenamento ODAP, no entanto, muito simplesmente, é o seguinte: aqueles que serão os mais atingidos são sempre homens jovens, com idades entre 15 e 25 anos e que, essencialmente, passam fome ou tenham uma ingestão de calorias muito limitadas, que tenham estado envolvidos em atividade física intensa, e que sofrem escassez de alimentos, ou dietas imutáveis.

ODAP foi identificada em 1964. Causa paralisia por receptores nervosos sobre-estimulantes, causando-lhes a morte. Como Hamilton explica,

Não está claro o porquê, mas os neurônios mais vulneráveis a este colapso catastrófico são os que regulam o movimento das pernas …. E quando esse neurônios morrem, a paralisia surge… [e a situação] nunca fica melhor, mas sempre fica pior. Os sinais ficam mais fracos, até que simplesmente deixam cessam. A vítima experimenta “muita dificuldade apenas para levantar-se.” Muitos se tornam rapidamente muito fracos para andar. A única coisa que lhes resta a fazer nesse momento é a engatinhar…

Depois que Hamilton leu “Into the Wild” e tornou-se convencido de que ODAP foi responsável pelo triste fim de McCandless, ele procurou o Dr. Jonathan Southard, o presidente-adjunto do departamento de química da Indiana University da Pennsylvania, e convenceu o Dr. Southard, que um de seus alunos, Wendy Gruber, testasse as duas sementes relatadas no livro, a Hedysarum alpinum e Hedysarum mackenzii para ODAP. Após a conclusão dos seus ensaios, em 2004, Gruber determinou que ODAP parecia estar presente em ambas as espécies de Hedysarum, mas os resultados foram menos que conclusivos. “Para ser capaz de dizer que ODAP está definitivamente presente nas sementes”, ela relatou, “seria preciso usar outra dimensão de análise, provavelmente por HPLC-MS”, de alta pressão de cromatografia líquida. Mas Gruber não possuía nem a experiência nem os recursos para analisar as sementes com HPLC, para que esta hipótese de Hamilton fosse provada.

Para estabelecer de uma vez por todas se Hedysarum alpinum é tóxico, no mês passado eu mandei cento e cinquenta gramas de recém coletadas sementes selvagens de batata para Avomeen Analytical Services, em Ann Arbor, Michigan, para a análise de HPLC. Dr. Craig Larner, o químico que realizou o ensaio, determinou que continha nas sementes 0,394 por cento de beta-ODAP, uma concentração bem dentro dos níveis que causam latirismo em seres humanos.

De acordo com Dr. Fernand Lambein, um cientista belga, que coordena as Doenças Cyanide Diseases e Rede neurolatirismo, o consumo ocasional de gêneros alimentícios que contenham ODAP “como um componente de uma dieta equilibrada, não tem qualquer risco de toxicidade.” Dr. Lambein e outros especialistas alertam, no entanto, que os indivíduos que sofrem de má nutrição, estresse e fome aguda são especialmente sensíveis a ODAP, e são, portanto, altamente suscetível aos efeitos incapacitantes do latirismo após a ingestão da neurotoxina.

Considerando-se que os níveis potencialmente incapacitantes da ODAP são encontrados em sementes de batata selvagem, e dado que os sintomas descritos por McCandless atribuído às sementes de batata selvagem que comeu, há muitas razões para acreditar que McCandless adquiriu o latirismo ao comer as sementes. Como Ronald Hamilton observou, McCandless combinava exatamente com o perfil das pessoas mais suscetíveis a intoxicação por ODAP:

Ele era um homem jovem e magro em seus primeiros 20 anos, tendo uma dieta extremamente pobre, que era a caça, caminhadas, escaladas, levando a vida em seus extremos físicos, e que havia começado a comer grandes quantidades de sementes que continham o [aminoácido] tóxico. A toxina que tem como alvo exatamente este perfil de pessoa… 
Pode-se dizer que Christopher McCandless, de fato, morreu de fome, no estado selvagem do Alasca, mas isso só porque ele tinha sido envenenado, e o veneno o tornava fraco demais para se mover, para caçar ou para se alimentar, e, no final, “extremamente fraco”, “fraco demais para sair”, e com “muita dificuldade apenas para levantar-se.” Ele não estava realmente morrendo de fome, no sentido mais técnico do que o estado. Ele simplesmente se tornar lentamente paralisado. E não foi a arrogância que o matou, e sim a ignorância. Além disso, a ignorância deve ser perdoada, pois os fatos que fundamentam a sua morte permanecesse desconhecidos por todos, cientistas e leigos igualmente, literalmente há décadas.

A descoberta de Hamilton sobre a causa da morte de McCandless, porque ele comeu sementes tóxicas é improvável que convença muitos habitantes do Alasca a se simpatizar com McCandless, mas pode impedir que outras pessoas acidentalmente acabem se envenenando com tais sementes. Se o guia que McCandless tinha sobre plantas comestíveis advertisse que as sementes Hedysarum alpinum continham uma neurotoxina que poderia causar paralisia, ele provavelmente teria saído desta região selvagem no final de agosto, com mais dificuldade do que quando ele entrou, em abril, mas ainda assim estaria vivo hoje. Se fosse esse o caso, Chris McCandless teria agora 45 anos de idade.

Texto: Jon Krakauer – New Yorker

Fonte: www.extremos.com.br

Christopher McCandless.
Christopher McCandless.

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O lendário ônibus 142.

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Interior do ônibus 142, onde Christopher McCandless morreu.