Casa da Cultura Mário Quintana

Hoje choveu o dia todo aqui no sul. Levantei tarde e depois fui para Porto Alegre passear. A chuva acabou atrapalhando o passeio e não me demorei muito, logo voltando ao hotel em São Leopoldo. Até Porto Alegre leva meia hora de trem (metrô de superfície). Dei uma rápida caminhada pelo centro e fui num lugar onde já estive ano passado e de que gostei muito, a Casa da Cultura Mário Quintana. Ela funciona no antigo Hotel Majestic, bem no centro de Porto Alegre. Leva o nome de Mário Quintana porque ele morou no hotel entre 1968 e 1980. O quarto em que o poeta vivia foi recriado, com muitos objetos originais e fica aberto para visitação.

Hotel Majestic: Foi o primeiro grande edifício de Porto Alegre em que se utilizou concreto armado. Concebido para ocupar os dois lados da Travessa Araújo Ribeiro, interligando a construção, grandes passarelas, embasadas por arcadas e contendo terraços, sacadas e colunas. Em 1916 iniciaram-se as obras, concluindo em 1918 a primeira parte do edifício. Em 1926 foi projetada a parte leste. Ao finalizar a obra, em 1933, o Hotel Majestic possuía sete pavimentos na ala leste e cinco na parte oeste. O Hotel transformou-se em um marco histórico no desenvolvimento e modernização de Porto Alegre, com uma localização privilegiada, quase às margens do Rio Guaíba. Os anos trinta e quarenta foram os de maior sucesso do Majestic. O Hotel hospedou desde políticos importantes como Getúlio Vargas a vedetes famosas como Virginia Lane e artistas como Francisco Alves, na época o maior cantor do Brasil. Nos anos cinqüenta e sessenta iniciou-se o processo de desgaste do Hotel. As elites saíram do centro e foram instalar-se em bairros diferenciados. O centro tornou-se local de serviços diurnos, com um comércio agitado que fechava suas portas à noite. As pessoas não viajavam mais nos vapores e a construção da nova rodoviária proporcionara o surgimento de vários hotéis a sua volta. Lutadores de luta livre substituíram antigos hóspedes, além de solteiros, viúvos, boêmios e poetas solitários como Mario Quintana, que ali se hospedou de 1968 a 1980. Ao final, dos trezentos quartos, passou a ter funcionando pouco menos de cem. O edifício foi posto à venda na década de setenta e em dez anos, apenas dois interessados surgiram, os quais desanimaram frente às reais condições do prédio.

Casa de Cultura Mário Quintana: Os prefeitos de Porto Alegre, a partir de 1980, propuseram projetos para remodelar a área central da cidade e o Hotel Majestic foi lembrado nessa movimentação da população pela valorização de sua história. Mas antes disso muito se perdeu. Em 1980, por exemplo, foi realizado um leilão com os móveis e utensílios do Hotel, que hoje encontram-se dispersos e em mãos de particulares. O prédio foi adquirido pelo Banrisul, em julho de 1980. Em 1982 o governo do Estado adquiriu o Majestic do Banrisul. Em seguida, no ano de 1983, o Majestic foi arrolado como prédio de valor histórico e iniciada sua transformação em Casa de Cultura. No mesmo ano recebeu a denominação de Mário Quintana. A obra de transformação física do Hotel em Casa de Cultura, entre elaboração do projeto e construção, desenvolveu-se de 1987 a 1990. O projeto arquitetônico foi assinado pelos arquitetos Flávio Kiefer e Joel Gorski, os quais tiveram o desafio de planejar 12.000 m2 de área construída para a área cultural, em 1.540m2 de terreno. Em 25 de setembro de 1990 a casa foi finalmente aberta.

 

Metro: S. Leopoldo/Porto Alegre. (08/08/2009)
Metro: S. Leopoldo/Porto Alegre. (08/08/2009)
Casa da Cultura Mario Quintana. (08/08/2009)
Casa da Cultura Mario Quintana. (08/08/2009)
Quarto de Mario Quintana.
Quarto de Mario Quintana.
Final de tarde chuvoso em Porto Alegre. (08/08/2009)
Final de tarde chuvoso em Porto Alegre. (08/08/2009)

2 opiniões sobre “Casa da Cultura Mário Quintana

  • 7 de fevereiro de 2011 em 21:09
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    Olá viajante. Li seu relato sobre a capital dos gaúchos, sobre a pequena amostragem histórica do Tio Mario (Mario Quintana)e sobre a ‘Casa’ dele (rsrs).Sou gaúcha e já trabalhei na CCMQ. Parabenizo e agradeço por permitir que outras pessoas conheçam nosso Estado, nosso patrimônio histórico e também sobre o nosso querido Tio Mario.
    Boa sorte e sucesso!
    Kelly Martinez

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    • 10 de fevereiro de 2011 em 13:04
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      Oi Kelly,

      Obrigado pelo parabéns. Durante um bom tempo eu ia todos os meses para São Leopoldo a trabalho e sempre que possível eu dava uma “escapada” até Porto Alegre e visitava a Casa da Cultura Mario Quintana. O lugar é sensácional, transpira cultura. Então nada melhor do que divulgar as coisas e lugares de que gostei.

      Grande abraço,

      Vander

      Resposta

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