Casa do Ipiranga

A Casa do Ipiranga foi construída na época da abertura da estrada de ferro Paranaguá/Curitiba. Era residência do Engenheiro Fiscal do Trafego e também posto de telégrafo. O local onde ela foi construída, próximo ao Rio Ipiranga, no cruzamento com o Caminho do Itupava, tinha sido utilizado no inicio das obras da estrada de ferro, como acampamento de operários. Anos depois ela foi utilizada como clube de lazer pelos engenheiros da rede ferroviária, até a privatização da estrada de ferro em 1997. Antes da privatização a Casa do Ipiranga era preservada pela RFFSA – Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima. Após 1997, quem ficou responsável pela Casa do Ipiranga foi a FSA – Ferrovia Sul Atlântico, posteriormente tendo seu nome mudado para ALL – America Latina Logística. Após essa mudança de controle, infelizmente a Casa do Ipiranga foi sendo abandonada e aos poucos foi destruída por vândalos. Dessa forma uma construção de rara beleza e de importância histórica para o Paraná, acabou sendo destruída. Diferente da RFFSA, que além do lucro visava também á preservação do patrimônio da ferrovia, a ALL parece visar tão somente o lucro. Exemplo disso é que além da Casa do Ipiranga, várias outras casas de menor importância e beleza, que eram utilizadas por trabalhadores da rede ferroviária, estão abandonas ao longo da estrada de ferro, sendo depredadas e consumidas pelo mato.

Na Casa do Ipiranga viveu durante algumas temporadas um dos maiores pintores paranaenses, Alfredo Andersen, que era norueguês, mas passou a maior parte de sua vida no Paraná. Nessas breves temporadas Andersen registrou as lindas paisagens da Serra do Mar em suas telas a óleo.

A Casa do Ipiranga foi construída em alvenaria de tijolos sobre uma base de pedras. Ela possuía sala de estar com lareira, cozinha, sala de jantar e banheiro no térreo. No pavimento superior tinha três dormitórios e outro banheiro. Já no porão ficavam armazenadas ferramentas e outros materiais. Nos fundos foi posteriormente construído um apêndice, onde ficava uma sala de jogos toda envidraçada. Também nos fundos existia uma grande piscina com fundo em declive, alimentada de água corrente. Próximo a casa ainda existia uma pequena estufa construída com trilhos e a residência do caseiro.

Acho interessante contar que no inicio a estrada de ferro se chamava Paranaguá/Curitiba, pois a cidade de Paranaguá era mais antiga e importante comercialmente em razão do seu porto. Anos depois Curitiba acabou crescendo e ficando mais importante, então a estrada de ferro passou a ser conhecida como Curitiba/Paranaguá.

A Casa do Ipiranga quando ainda estava inteira. (fonte da foto: http://itupava.altamontanha.com/ipiranga.asp)
A Casa do Ipiranga quando ainda estava inteira. (fonte da foto: http://itupava.altamontanha.com/ipiranga.asp)
A Casa do Ipiranga em 11/04/2009.
A Casa do Ipiranga em 11/04/2009.
Lareira, piscina, fundos e laterais da Cada do Ipiranga nos dias atuais.
Lareira, piscina, fundos e laterais da Casa do Ipiranga nos dias atuais.
Pintura de Alfredo Andersen.
Pintura de Alfredo Andersen.

16 opiniões sobre “Casa do Ipiranga

  • 4 de outubro de 2010 em 21:49
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    Olá Amigo!
    Bacana o comentário sobre a Casa do Ipiranga.
    Se me permite, gostaria de fazer uma correção.
    É mais umas belas lendas da nossa serra do mar, mas D. Pedro II nunca esteve na Casa do Ipiranga. Ele veio ao Paraná entre os dias 18/05/1880 e partiu em 05/06/1880, data do lançamento da pedra fundamental de construção da ferrovia. Quem veio para a inauguração da ferrovia em 1885 foi a Princesa Isabel acompanhada do Conde D’Eu. O Imperador foi de Paranaguá a Castro em sua carruagem e na serra ele passou pela Estrada da Graciosa. Existe em Quatro Barras um obelisco famoso do Pinheiro de D.Pedro II, onde diz a lenda que ele e sua comitiva pararam para descansar.
    Realmente lamentável a situação atual da Casa do Ipiranga. Fui um dos privilegiados que a conheceu por inteiro, antes da privatização. Sorte de poucos.
    Abraço e sucesso!

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    • 5 de outubro de 2010 em 00:15
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      Oi Herik,

      As informações sobre esse fato são bem desencontradas nas fontes onde pesquisei.
      Obrigado pelo esclarecimento.

      Abraço,

      Vander

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  • 4 de outubro de 2010 em 21:51
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    COMPLEMENTO: Se quiser saber mais sobre a visita Imperial ao Paraná, sugiro o livro de David Carneiro “D.Pedro II na Província do Paraná”, que traz o descritivo feito por jornalistas que o acompanharam por toda a viagem. Uma bela história do nosso Paraná.

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    • 5 de outubro de 2010 em 00:20
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      Herik,

      Já andei dando uma folheada nesse livro que mencionou, lá na Biblioteca Públcia do Paraná. Por ser raridade e estar mal conservado, não permitem tirar xerox. Tentei encontrar o livro em Sebos e na Estante Virtual, mas até agora não obtive exito.
      Consegui um pequeno livro lançado ano passado pela Universidade Federal de Ponta Grossa, no qual foi publicado trechos do Diário de D. Pedro II em sua visita ao Paraná. Também estive no Museo Imperial e obtive alguns trechos do diário. Tenho muito interesse em pesquisar mais sobre essa visita de D. Pedro II ao Paraná, mas falta tempo e outros projetos mais urgentes não me permitem dedicar o tempo necessário para tal pesquisa. Talvez no futuro…

      Grande abraço,

      Vander

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      • 7 de outubro de 2017 em 21:46
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        qual o nome do livro que tu ta falando que procura se permite posso lhe ajudar talves nesta busca ……………..

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  • 10 de dezembro de 2010 em 09:07
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    O povo que não conserva a sua história, morre!

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    • 10 de dezembro de 2010 em 10:16
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      Rogério,

      Concordo contigo. É lamentável a destruição que ocorreu com a Casa Ipiranga. E casas menos históricas, de trabalhadores da ferrovia e que ficam ao lado da estrada de ferro, também estão abandonadas e sendo destruidas. A ALL só se preocupa com o lucro vindo da “exploração” do trecho da Serra do Mar, não se preocupa muito em preservar o patrimonio histórico desse centenário trecho.

      Abraço,

      Vander

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  • 15 de março de 2011 em 23:33
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    Olá Vander!

    Também tive o prazer de conhecer a Casa do Ipiranga, ainda no final da década de 80, quando comecei a frequentar o Caminho do Itupava, época em que a estrada de ferro ainda não havia sido privatizada, o que ocorreu apenas em 1996.

    Infelizmente a privatização não impôs o compromisso para a empresa vencedora (ALL – América Latina Logística) de conservar o patrimônio histórico do trecho, o que é até hoje lamentável. Na época isso chegou a ser cogitado mas não lembro porque (mas imagino…) essa discussão acabou não indo adiante no processo de privatização.

    Abraço!

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    • 21 de março de 2011 em 13:50
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      Getulio,

      Realmente lamentável o descaso que a ALL tem com o pratrimônio histórico da estrada de ferro no trecho da serra do mar. Agora são muitas casas ao lado da estrada que estão se degradando. Podiam ser reformadas e utilizadas de alguma forma.

      Abraço e obrigado pela visita ao blog.

      Vander

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  • 24 de junho de 2011 em 19:03
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    Boa noite amigo, voltando em 1996, eu com apenas 16 anos e um grupo de amigos , fizemos o caminho do
    do itupava onde acampamos no rio ipiranga um frio lascado , cheguei a ver a casa do Ipiranga inteira,ainda me lembro bem da piscina feita com pedra portuguesa a primeira coisa que veia a minha cabeça como uma casa daquelas justamente na quele lugar, anos depois li uma reportagem sobre o abandono uma unica foto com casa destruida, me deu um aperto no coraçao abraços .

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    • 27 de junho de 2011 em 10:57
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      Oi Edu,

      Realmente foi um pecado o que fizeram com a Casa do Ipiranga, um descaso total. E o mesmo descaso está se repetindo com as demais casas ao longo da linha férrea, que estão abandonadas e se deteriorando. Infelizmente a ALL só visa o lucro e não se preoucupa com o patrimônio histórico dessa centenária ferrovia. E o governo que é quem deveria cobrar da ALL tal cuidado, pois foi ele quem fez o contrato com essa empresa, também não faz nada.

      Isso é Brasil, o eterno pais do futuro que não respeita seu passado e seu presente.

      Grande abraço,
      Vander

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  • 22 de setembro de 2014 em 19:18
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    Boa noite pessoal, estive no caminho do Itupava ontem dia 21/09/2014 e a casa do ipiranga está em péssimas condições! Fui lá sem conhecer o mínimo sobre a história do lugar e só depois que passei por todos os pontos e casas voltei e comecei a pesquisar e ler sobre todos eles! Realmente uma história muito legal, mas infelizmente tem gente que não está nem um pouco preocupada em visar a conservação do local!
    Obrigado e boa semana a todos!

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  • 25 de novembro de 2014 em 21:49
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    Uma vergonha como a ALL trata as antigas casas da Rede ,inclusive a própia linha,tomada pelo mato.

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    • 11 de abril de 2017 em 19:46
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      Trabalhei na ferrovia de 2003 até 2017, realmente a companhia que administra toda a malha ferrovia realmente só visa lucros não só no trecho da serra do mar, mas em todo o território brasileiro, hoje sinto vergonha de ter sido parte dessa companhia.

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  • 18 de maio de 2017 em 18:37
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    Olá Vander,ótima matéria,parabéns.
    Me chamo Castello e sou historiador . Bem,estou pesquisando a respeito da casa do Ipiranga,juntando material para escrever um artigo acadêmico sobre o tema.Estive lá recentemente e a situação do edifício é lamentável.Enfim…
    Em meu intuito tenho tido uma certa dificuldade em encontrar livros e outras fontes para usar como corroboração em meu artigo.Será que voce poderia me indicar algo ?(livros,documentos,enfim,tudo que for fonte histórica enriquecerá esse trabalho…)
    Se puder me ajudar ficaria muito agradecido.Meu e mail é netocastello@gmail.com

    Desde já muito obrigado

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  • 6 de janeiro de 2021 em 07:01
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    Prezados colegas. A Princesa Isabel também não veio para a inauguração da estrada de ferro. Quem representou D. Pedro II foi o seu Ministro da Agricutura e Obras Buarque de Almeida. A Princesa teve aqui em novembro de 1884 e a ferrovia foi inaugurada em 2/2/1885.

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