Morro do Anhangava

No sábado, fui subir o Morro do Anhangava, localizado em Quatro Barras, na localidade de Borda do Campo, próximo ao Caminho do Itupava, na Região Metropolitana de Curitiba. Por ser o morro mais próximo da capital, ele é bastante frequentado. Fiz a subida com duas novas amigas, Tatiana e Mônica, que conheci no posto do IAP (agora IAT – Instituto Água e Terra), logo no início da trilha. Ambas costumam subir montanhas e percorrer caminhos na Serra do Mar com frequência. Coincidentemente, a Tatiana mora perto de mim e nasceu em Campo Mourão. É curioso ir para o meio do mato e encontrar alguém que, além de quase vizinha, nasceu na mesma cidade que você.

O caminho até o cume é relativamente fácil. A única exceção é um paredão de rocha extenso que, felizmente, possui degraus de ferro para facilitar a passagem. Próximo ao topo, há outro trecho de rocha inclinado que pode ser perigoso em dias de chuva; mas, como fazia sol e calor, passamos sem problemas. Chegamos ao cume em pouco mais de uma hora, em um ritmo tranquilo. Lá em cima, descansamos, lanchamos e aproveitamos a vista panorâmica de quase 360 graus, de onde se vê Quatro Barras, Curitiba e, ao longe, o Pico Paraná e o Pico do Marumbi.

Na descida, enfrentamos um verdadeiro “congestionamento” no paredão, com muita gente subindo e descendo. Como o trecho só permite a passagem de uma pessoa por vez, foi preciso paciência. Mais abaixo, cruzamos com um rapaz que subia acompanhado de seu Labrador, além de algumas crianças, o que reforça a fama do Anhangava como um dos morros mais acessíveis da região.

Durante todo o trajeto, tomei cuidado com meu pé, pois ainda sinto certa insegurança após o problema sério que tive. O calor estava forte e acabei ficando sem água, mas, por sorte, logo encontramos um riacho de água límpida e gelada para nos refrescar.

O nome Anhangava soa imponente: significa “morada do diabo” em tupi-guarani. Embora não se saiba quem foi o primeiro a escalá-lo, o caminho abriga uma caverna com inscrições do século XVIII. Durante anos, o morro foi palco de romarias católicas, com uma “via crucis” de 14 cruzes que terminava em uma capela no cume sul — vestígios desses símbolos religiosos ainda podem ser vistos nas rochas. Nos anos 40, foram abertas as primeiras vias de escalada, tornando o Anhangava a “escola” pioneira do montanhismo paranaense. Com 1.430 metros de altitude, ele é o ponto culminante da Serra da Baitaca e a majestosa porta de entrada para a Serra do Mar.

Descanso durante a subida.
Descanso durante a subida.
Vista do alto, descando e descida.
Vista do alto, descanso e descida.
Na descida após congestionamento no paredão.
Na descida, após congestionamento no paredão.
Em dois momentos: no cume e depois no final da trilha.
Em dois momentos: no cume e no final da trilha.