De Bike pelo Caminho de Santiago de Compostela — quando a viagem não quer te impressionar
Há livros de viagem que tentam convencer o leitor de que o autor viveu algo grandioso. O livro de Vander Dissenha faz o movimento oposto: diminui o tom — e, justamente por isso, tudo ganha mais força.
De Bike pelo Caminho de Santiago de Compostela não se apresenta como guia turístico, nem como relato espiritual, muito menos como uma saga heroica. É um diário cru, escrito por alguém comum atravessando estradas, limites físicos e silêncios internos — sem maquiagem literária.
O diferencial do Vander está aí: ele não escreve como herói da aventura, mas como alguém vivendo coisas extraordinárias sem precisar se colocar acima delas. Sua marca registrada é o perrengue honesto, acompanhado de um humor seco e autoconsciente, que nunca glamouriza o sofrimento, mas também não o transforma em drama épico. Há cansaço, desconforto, fome e dor — e tudo isso aparece sem pose.
A bicicleta, longe de ser símbolo de superação esportiva, funciona como um filtro de realidade. Pedalar intensifica tudo: o corpo dói mais, os encontros são mais breves, os pensamentos ficam mais insistentes. Não há atalhos emocionais. O livro não quer impressionar. Quer registrar. E, ao registrar com honestidade, acaba tocando mais fundo.
Um dos aspectos mais interessantes da narrativa é a forma como lida com a solidão escolhida. Vander encontra pessoas o tempo todo, mas o foco está no que acontece quando ninguém está falando. A solidão aqui não é abandono — é ferramenta. O livro a trata como algo funcional, não como carência.
Outro ponto forte está na percepção dos limites. Em um momento marcante, o autor percebe que o corpo reclama antes da mente desistir. A leitura deixa claro que a desistência raramente é física; ela nasce no pensamento, não nas pernas. O limite real aparece depois do desconforto, não antes.
Os encontros no Caminho também são tratados com uma naturalidade quase desconcertante. Pessoas surgem, caminham juntas por um tempo e desaparecem da rota, como parte do cenário. No Caminho, as pessoas não ficam — elas passam. Como quase tudo na vida. Essa abordagem transforma o livro em uma metáfora silenciosa da vida adulta: relações importantes podem ser breves e, ainda assim, verdadeiras.
Talvez uma das maiores qualidades do livro esteja na forma como aborda a espiritualidade. Vander não tenta convencer ninguém, nem se coloca como convertido. Ele entende que não é preciso acreditar em tudo para respeitar o significado. É uma espiritualidade sem dogma, sem frase pronta, sem moral da história — o que amplia enormemente o alcance da obra. O livro conversa tanto com quem acredita quanto com quem já cansou de discursos religiosos rasos. É espiritual sem ser religioso.
O final não faz barulho. A chegada, como não poderia deixar de ser, evita a euforia. Não há explosão emocional — há silêncio. Esse anti-clímax é proposital. A transformação não acontece no ponto final da viagem, mas no acúmulo silencioso do caminho. Quando o livro termina, a sensação é clara: o essencial já aconteceu antes. O final é calmo — como quem entende que a mudança verdadeira não precisa anunciar sua chegada.
Este é um livro para quem gosta de viagens com mais reflexão do que ostentação. Para quem prefere honestidade a frases motivacionais. Para quem entende que algumas jornadas não servem para vencer nada — apenas para atravessar.
De Bike pelo Caminho de Santiago de Compostela é menos sobre chegar a um destino e mais sobre aprender a sustentar o caminho, mesmo quando ele não promete aplausos. E talvez seja exatamente por isso que o livro fica na mente do leitor.
Nunca fui muito fã do sol. Praia nunca me atraiu tanto, e desde criança sempre tive uma preferência clara por dias nublados — especialmente os chuvosos. Enquanto a maioria das pessoas parecia torcer pelo céu azul, eu me sentia mais confortável quando as nuvens tomavam conta. Por muito tempo, cheguei a me perguntar se havia algo de errado nisso, já que quase todos ao meu redor reclamavam da chuva e celebravam os dias ensolarados.
Sempre gostei do frio também. Em dias frios e chuvosos, algo em mim muda: acordo mais disposto, mais centrado, e o dia simplesmente rende mais. O barulho da chuva, o clima mais fechado, o ar mais denso… tudo parece colaborar para que eu funcione melhor. Só recentemente descobri que esse sentimento é mais comum do que eu imaginava — e que ele tem um nome: pluviofilia.
Para mim, a chuva nunca foi apenas um fenômeno do tempo. Ela é o som suave das gotas no chão, o cheiro da terra molhada, o céu fechado que convida ao recolhimento. Quando chove, o mundo parece desacelerar, e eu desacelero junto. É nesse silêncio que encontro espaço para pensar, criar e simplesmente existir.
Há algo de profundamente terapêutico na chuva. Ela lava a paisagem e, de certa forma, também lava o que vai por dentro. Desperta memórias, traz conforto e uma sensação difícil de explicar, mas fácil de sentir. Enquanto muitos veem a chuva como um dia perdido, eu a vejo como um presente.
Em um mundo que corre o tempo todo, a chuva impõe sua própria cadência. Ela não tem pressa — e me ensina a não ter também. A pluviofilia me lembra que há beleza nos dias nublados, que nem toda luz vem do sol e que está tudo bem em preferir o cinza no céu.
Caminhando na chuva…Correndo na chuva…Pedalando na chuva…
Hoje é um dia muito triste. Primeiro fiquei sabendo que meu amigo Arthur estava desaparecido em São Paulo desde a noite de domingo. Algumas horas depois, veio a notícia que eu mais temia: ele havia sido encontrado morto. Fiquei em choque.
Arthur era uma pessoa muito gente boa — e não digo isso porque ele se foi, é um fato. Eu o conheci anos atrás, quando ele veio morar aqui em Campo Mourão, vindo de Natal. Na época, ele namorava a sobrinha da minha namorada. Nos demos bem logo de cara. Tínhamos conversas interessantes, leves, descontraídas. Arthur era extremamente inteligente, tinha uma fala calma e estava quase sempre sorrindo, embora carregasse um ar meio melancólico.
Assim como eu, ele gostava de jogar UNO. São inesquecíveis as noites em que jogamos: na casa dele, na minha casa e, por último, no apartamento dele em São Paulo. Ele inventava nomes para algumas jogadas. Uma delas, em minha homenagem, chamava-se “Vanderô”. Sem ele, jogar UNO não terá mais a mesma graça. A partir de hoje, ao olhar para as cartas de UNO, sei que sentirei tristeza.
A última vez que nos vimos pessoalmente já faz alguns anos. Depois disso, mantivemos contato apenas pelo WhatsApp. Ainda assim, pude ajudá-lo em uma fase difícil pela qual passou, dando conselhos e compartilhando como consegui superar momentos muito difíceis da minha própria vida.
Adeus, meu amigo…
Você foi uma das pessoas que passaram pela minha vida e deixaram apenas coisas boas. 💔
Noite de UNO. (Campo Mourão)A última vez que jogamos UNO. (São Paulo)A última vez que nos vimos… (Aeroporto de Guarulhos)
Tenho acompanhado com bastante atenção o caso do jovem Roberto Farias Thomaz, de 20 anos, que está desaparecido no Pico Paraná desde o dia 1º de janeiro. Não conheço o jovem, mas, se na tarde do dia 30 de dezembro eu não tivesse desistido de ir passar o réveillon no Pico Paraná, fatalmente o teria encontrado no cume ao amanhecer do dia 1º de janeiro.
Já subi o Pico Paraná algumas vezes, assim como outras montanhas da região, e também já passei réveillon acampando em montanha. Nesta última virada de ano, estava com vontade de me isolar. Além de ser avesso a festas, comemorações e fogos de artifício, eu buscava uma passagem de ano diferente e, por isso, escolhi subir o Pico Paraná. Treinei durante um mês e convidei um amigo para me acompanhar nessa aventura.
Tudo estava certo e planejado para a viagem, mas, na terça-feira, dia 30, acordei com uma sensação estranha. Minha intuição dizia para não seguir com a viagem. Entrei em contato com o pessoal do IAT, no Parque Estadual Pico Paraná, e fui informado de que as trilhas estavam pesadas e perigosas, pois havia chovido todos os dias na última semana. A trilha molhada, por si só, não me fez desistir. O que realmente me fez cancelar a viagem foi saber que o parque estaria fechado no dia 31.
Eu sabia que existia a possibilidade de entrar mesmo com o parque fechado — como alguns fizeram, inclusive o jovem que se perdeu —, mas não sou adepto de atitudes irregulares e optei por desistir. Tinha consciência de que, ao entrar sem autorização em um parque estadual, correria o risco de ser multado e, em caso de acidente, o socorro poderia demorar. Com a decisão tomada, avisei meu amigo de que não iríamos mais e segui a vida.
No dia 1º de janeiro, comecei a ver as notícias sobre o jovem desaparecido e me dei conta de que, se tivesse insistido na viagem, talvez o tivesse encontrado. Pelo que li até agora, ele e a amiga que o acompanhava cometeram alguns erros que acabaram resultando em seu desaparecimento. Não julgo ninguém, pois não estava lá. Apenas faço essa reflexão com base em experiências que já vivi em montanha, inclusive nas trilhas do Pico Paraná.
Uma coisa que aprendi é que não se deve deixar um companheiro sozinho na trilha, principalmente quando ele não está se sentindo bem, como parece ter sido o caso. Já ajudei companheiros em dificuldades em trilhas de montanha, assim como já fui ajudado. Inclusive, na última vez que subi o Pico Paraná, na Páscoa de 2022, tive um mau jeito nas costas quase no final da subida. Na descida sofri bastante: fiquei lento e, para piorar, tive problemas com a lanterna. O final da trilha foi extremamente difícil, sob chuva, mas minha companheira não me abandonou e me guiou até o fim. Com dor e cansaço, meu raciocínio ficou comprometido e eu já não conseguia tomar as melhores decisões. Até escolher onde pisar na trilha molhada e escorregadia se tornava um desafio, e acabei sofrendo algumas quedas. Por isso, acredito que o jovem desaparecido possa ter passado por algo semelhante. Estando sozinho, cansado, sem comida (água até é possível encontrar nos riachos da região), molhado, com frio e sem conhecer bem o local, a chance de se perder ou sofrer uma queda na mata fechada é grande. Nessas condições, torna-se extremamente difícil se orientar e encontrar uma saída.
Desejo, de coração, que ele seja encontrado com vida e em boas condições. Fico me perguntando se, caso eu tivesse ido, algo poderia ter sido diferente. Pelo meu perfil de cuidar de quem passa mal na trilha — algo que já fiz outras vezes —, talvez eu pudesse ter ajudado de alguma forma, caso o tivesse encontrado. Por outro lado, talvez nem tivéssemos nos cruzado.
Como o “se” não muda a realidade, fico em paz por ter tomado a decisão certa ao não viajar. Tenho uma boa intuição, mas raramente costumo ouvi-la. A partir de agora, pretendo dar mais atenção a ela, pois isso pode fazer toda a diferença.
Como eu esperava, 2025 foi bem melhor do que 2024. Também pudera: depois de ter vivido em 2024 um dos piores anos da minha vida, era difícil imaginar algo ainda pior. Posso dizer que cerca de 300 dos 365 dias do ano foram bons. Isso me faz lembrar algo que meu irmão costuma dizer: não devemos ficar reclamando das coisas, pois geralmente temos 65 dias ruins e 300 dias bons no ano. Só poderíamos reclamar se fosse o contrário — se tivéssemos 300 dias ruins e apenas 65 dias bons. E há muita gente cuja contagem é justamente essa, com mais dias ruins do que bons, ou até mesmo com os 365 dias do ano sendo ruins.
De fato, tive apenas uns 40 dias realmente ruins, quando enfrentei um problema de saúde meio chato. Além disso, nos últimos dois meses do ano passei por uma fase complicada com meu carro. Em um período de 47 dias, bateram duas vezes no meu carro, o teto foi danificado por uma chuva de granizo e, por fim, passei correndo por um buraco na estrada que estava escondido pela água da chuva. O resultado foi um prejuízo de R$ 1.200,00: tive que trocar um pneu, dois sensores de pressão, além de fazer balanceamento e alinhamento. Fora isso, meu ano foi muito bom. Conheci muita gente legal, algumas pessoas bem interessantes. Viajei um pouco e conheci Londres, que era um dos meus sonhos de infância.
Depois de ter ido a muitos velórios e enterros nos dois últimos anos, achei que em 2025 passaria em branco nesse quesito. Mas, na última semana do ano, acabei indo ao sepultamento de uma pessoa próxima.
Agora é esperar e torcer por um 2026 ainda melhor que 2025. Otimismo e pensamento positivo fazem bem e atraem coisas boas.
O Réveillon de 1999 para 2000, a chamada Virada do Milênio (se bem que o Terceiro Milênio começou oficialmente somente em 2001), foi um dos momentos mais simbólicos e tensos do fim do século XX. Houve muita festa, mas também medos reais, exageros da mídia e algumas tragédias — embora muita coisa tenha sido mitificada depois.
Eu, que não gosto de festas ou datas comemorativas, coloquei meu kit de acampamento na mochila, comprei uma barraca nova (espanhola), peguei um trem e desci para a Serra do Mar. Na época, eu morava em Curitiba. Fiquei no camping do Marumbi. Tinha planos de subir o Conjunto Marumbi, mas choveu e fez frio — em pleno mês de dezembro — nos dois dias em que fiquei acampado.
Para passar o tempo, fiz caminhadas próximas ao camping e pela região da Estação Marumbi e da Estação Engenheiro Lange. Quando chovia, ficava dentro da barraca e, com a ajuda de uma lanterna, li o primeiro livro que o Waldemar Niclevicz escreveu, no qual ele contava sobre a primeira vez que colocou os pés no topo do Everest, a maior montanha do mundo.
À noite, pouco antes da virada do ano, escrevi uma carta para mim mesmo. Essa carta só poderia ser aberta dali a trinta anos. Ainda a tenho guardada a sete chaves, lacrada. Não faço a mínima ideia do que escrevi para mim mesmo. Daqui a cinco anos, abrirei a carta e saberei o que o eu do passado escreveu para o eu do futuro.
Além de mim, só havia no camping um jovem casal de São Paulo. Pouco antes da meia-noite, fui até as construções da área da estação, que ficam próximas ao camping. Tirei uma foto utilizando o timer da máquina fotográfica e logo voltei para a barraca, pois fazia muito frio. No conforto da barraca, logo peguei no sono e não vi o momento da virada. Aliás, metade das viradas de ano que tive na vida passei dormindo. Não curto datas comemorativas; acho que as pessoas exageram nas comemorações. Para mim, todos os dias são iguais, inclusive os do meu aniversário.
No dia seguinte, já no ano 2000, descobri que minhas coisas estavam todas molhadas. Exagerando um pouco, posso afirmar que chovia mais dentro da barraca do que fora. Na verdade, a barraca espanhola não tinha vedação nas costuras e isso, somado ao volume excessivo de chuva, fez com que entrasse muita água no interior da barraquinha. Dias depois, devolvi a barraca na loja onde a havia comprado e adquiri outra, da Trilhas & Rumos, maior e com vedação nas costuras. Usei muito essa barraca nos anos seguintes e, passados 25 anos, ainda a tenho — e acredito que ela ainda aguente mais alguns anos de uso.
A virada do ano de 1999 para 2000 era a Virada do Milênio, e isso assustava muita gente. Estava previsto que poderia acontecer o chamado “Bug do Milênio”. O maior medo não era exatamente o “fim do mundo”, mas um colapso tecnológico. Muitos sistemas antigos registravam o ano com apenas dois dígitos (“99” → “00”). Temia-se que, ao virar para 2000, os computadores interpretassem “00” como 1900. Isso poderia causar falhas em bancos (saldos errados), aviões e aeroportos, usinas elétricas, hospitais e sistemas militares. A mídia frequentemente amplificou o risco, falando em apagões globais e caos generalizado. Na prática, governos e empresas gastaram bilhões corrigindo sistemas — e essa é uma das razões pelas quais quase nada deu errado.
Além da tecnologia, houve um forte clima simbólico. O ano 2000 tinha peso bíblico e místico. Grupos religiosos falavam em Juízo Final, segunda vinda de Cristo e cumprimento de profecias. Seitas apocalípticas ganharam atenção — algumas já vinham desde os anos 1990. Isso gerou pânico real em pessoas emocionalmente mais vulneráveis.
Não houve uma onda global comprovada de suicídios diretamente ligada à virada do milênio. Casos isolados aconteceram, sim, especialmente associados a pânico religioso extremo, transtornos mentais agravados e influência de líderes sectários. Algumas pessoas, guiadas por fanatismo religioso e discursos extremistas, acabaram tirando a própria vida. Ainda assim, o número de suicídios foi menor do que muitos esperavam. Historiadores e sociólogos concordam que o medo existiu, mas a ideia de que “muita gente se matou achando que o mundo ia acabar em 2000” é exagerada.
Quando os relógios passaram da meia-noite, as luzes continuaram acesas, os bancos funcionaram e os aviões pousaram normalmente. Para muita gente, o sentimento foi de alívio, de ridículo coletivo (“a gente acreditou nisso?”) e de euforia.
A Virada do Milênio mostrou que a humanidade projeta medos profundos em datas simbólicas; que a tecnologia gera tanto dependência quanto pânico; que a mídia pode amplificar a ansiedade coletiva; e, principalmente, que pessoas vulneráveis sofrem mais nesses contextos. No fim das contas, todo o burburinho em torno da Virada do Milênio foi menos sobre computadores e mais sobre o medo do desconhecido.
Curtindo os últimos momentos de 1999.A barraca onde chovia dentro.Esperando o trem, no primeiro dia do ano 2000. Ao fundo, a esquerda, o camping onde fiquei.
Essa semana eu estava na fila do caixa (não tão) rápido de um supermercado e fiquei ouvindo duas mulheres conversando. Uma delas, ao ver a imagem do Papai Noel em uma lata de Coca-Cola, começou a criticar como uma poderosa fabricante de bebidas norte-americana teria se apossado da imagem do Papai Noel, um dos símbolos mais conhecidos do Natal.
Não aguentei ver — ou melhor, ouvir — tanta ignorância e acabei me metendo na conversa. Contei a ela que, na verdade, o Papai Noel que conhecemos hoje, com roupa vermelha, é uma criação publicitária da Coca-Cola, de 1931. E ele usa vermelho justamente porque essa cor está profundamente ligada à identidade da marca. Disse também que, ao contrário do que ela pensava, não foi a Coca-Cola que se apropriou da imagem do Papai Noel; aconteceu o oposto: foi o “mundo” que se apropriou de um símbolo visual criado pela Coca-Cola.
Também contei às duas senhoras que, quando a Coca-Cola criou essa imagem gráfica do Papai Noel, o refrigerante sequer existia no Brasil. Ele só chegaria por aqui cerca de dez anos depois. A Coca-Cola chegou ao Brasil de forma informal em 1941, por meio das cidades de Recife (PE) e Natal (RN), onde foram montadas pequenas instalações de produção para atender principalmente os soldados norte-americanos estacionados no Nordeste durante a Segunda Guerra Mundial. Essas mini-fábricas produziam e distribuíam o refrigerante para as tropas como parte da logística americana.
A primeira fábrica “de verdade” da Coca-Cola no Brasil foi inaugurada no bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, em abril de 1942. Essa instalação tinha maior capacidade de produção e marca o início formal da presença da marca no mercado brasileiro.
Como a Coca-Cola criou o Papai Noel que conhecemos hoje — e como a publicidade se apoderou dessa imagem:
Quando pensamos em Papai Noel, a imagem é quase universal: um senhor alegre, de barba branca, roupa vermelha, botas pretas e uma risada contagiante. O curioso é que essa figura, que hoje parece “eterna”, é na verdade resultado direto de uma das campanhas publicitárias mais bem-sucedidas da história.
Antes do século XX, o Papai Noel não tinha uma aparência padronizada. Inspirado em São Nicolau, um bispo do século IV, ele já foi retratado de várias formas ao longo do tempo:
Magro ou robusto
Vestindo roupas verdes, marrons, azuis ou até douradas
Às vezes sério, outras vezes quase assustador
Em alguns países, mais próximo de uma figura religiosa do que de um personagem infantil
Ou seja, o “Papai Noel” existia, mas não havia um consenso visual.
Em 1931, a Coca-Cola decidiu associar sua marca ao Natal para aumentar o consumo da bebida durante o inverno no hemisfério norte — justamente quando refrigerantes vendiam menos.
Para isso, a empresa contratou o ilustrador Haddon Sundblom, que criou um Papai Noel:
Simpático e humano
Gordo e bem-humorado
Vestido de vermelho (cor da marca Coca-Cola)
Próximo das pessoas, especialmente das crianças
Essas ilustrações foram usadas em anúncios, pôsteres e revistas por mais de 30 anos, sempre reforçando a mesma imagem. A repetição foi tão forte que o personagem se consolidou no imaginário coletivo. A partir desse momento, o Papai Noel deixou de ser apenas uma figura folclórica e passou a ser um símbolo publicitário global. O sucesso da Coca-Cola mostrou algo fundamental ao mercado: Quem controla os símbolos, controla as emoções.
Outras marcas rapidamente se apropriaram do Papai Noel para vender seus produtos:
Lojas de departamento
Brinquedos
Alimentos
Bebidas alcoólicas e não alcoólicas
Campanhas de fim de ano em geral
O Papai Noel virou um “garoto-propaganda” universal, capaz de despertar nostalgia, felicidade, generosidade e consumo — tudo ao mesmo tempo.
Com o tempo, o Natal passou a ser menos sobre tradição religiosa e mais sobre experiência, presente e compra. A publicidade transformou o Papai Noel em:
Um convite ao consumo emocional
Um símbolo de recompensa e merecimento
Uma figura que conecta infância, memória e desejo
O que antes era uma lenda regional se tornou um produto cultural global, impulsionado pela força do marketing. A Coca-Cola não “inventou” o Papai Noel, mas definiu sua forma final. A publicidade, por sua vez, percebeu que imagens bem construídas podem atravessar gerações e moldar comportamentos. Hoje, é quase impossível separar o Papai Noel do consumo natalino — e isso diz muito mais sobre o poder da propaganda do que sobre o personagem em si. Talvez a pergunta que fique seja: quantos outros símbolos que consideramos naturais também foram cuidadosamente desenhados por campanhas publicitárias?
Gravura publicitária da Coca-Cola, 1931.Pai Noel (Santa Claus).Papai Noel Coca-Cola.
A Nina foi abandonada ainda filhote na rua da casa dos meus pais, em meados de 2015. Meu pai se encantou com a cachorrinha peluda e resolveu adotá-la, mesmo contra a vontade da minha mãe. Na casa deles já havia outros cachorros, e minha mãe não queria mais um.
Os anos passaram, a Nina cresceu e teve uma vida feliz. Os outros cachorros foram morrendo com o tempo, pois já estavam idosos, e a Nina acabou se tornando a única cachorra da casa. Ela era muito apegada ao meu pai e, após o falecimento dele, em julho de 2024, ficou muito triste.
Depois da morte do meu pai, assumi a função de levá-la para passear uma vez por semana. Ela adorava esses passeios e fazia a maior festa ao sair de casa. E assim a vida seguiu por mais de um ano, até que a Nina adoeceu de repente, foi internada e, em menos de 24 horas, morreu.
Fiquei muito triste com a morte dela, pois, de certa forma, ela era uma ligação minha com o meu pai. Pensei no que meu pai faria com o corpo da Nina e, em vez de entregá-lo para ser jogado na fossa séptica da prefeitura, resolvi enterrá-la no fundo do quintal da casa da minha mãe, local onde a Nina passou boa parte de sua vida.
Agora ficam as boas lembranças de uma cachorra que alegrou a família durante anos e foi uma grande companheira do meu falecido pai.
A Nina quando foi adotada. (06/2015)Voltando do veterinário. (08/2024)Visitando o túmulo do meu pai. (07/2025)
Hoje completa 50 anos do falecimento de meu avô materno. Ele morreu aos 54 anos, vítima de um infarto. Ou seja, ele era mais novo do que eu sou atualmente, pois tenho 55 anos. Quando meu avô faleceu, eu tinha cinco anos. Até então, nunca havia ido a um velório ou a um enterro e, para mim, a experiência de ver meu avô no caixão e depois acompanhar seu sepultamento foi bastante traumática.
O velório aconteceu na sala da casa de meus avós e, durante muitos anos, evitei entrar nesse cômodo quando ia visitar minha avó. Outra lembrança marcante que tenho do falecimento de meu avô é que não havia carro funerário disponível para levá-lo até a igreja para a missa de corpo presente. Como a igreja não ficava muito distante, o caixão foi carregado até lá em um cortejo fúnebre pelas ruas. Só voltei a ver algo parecido em 2016, no interior de Minas Gerais, quando chegava a uma pequena cidade durante uma viagem de bicicleta que fiz pela Estrada Real.
Meu avô se chamava Valério, mas apenas anos depois de seu falecimento descobri que, na verdade, seu nome era Valentim. Ninguém soube me explicar o motivo de ele ser chamado por outro nome. Décadas mais tarde, ao pesquisar sobre a família Kreticoski, fiquei sabendo que o pai de meu avô se chamava Paulo, mas era conhecido como André. Também ninguém soube me explicar isso. Sei lá! Talvez fosse uma tradição na família de meu avô materno batizar as pessoas com um nome e chamá-las por outro. Pensando bem, estou dando continuidade a essa tradição, pois me chamo Vanderlei e a maioria das pessoas que me conhece me chama de Vander.
Tenho poucas, mas boas lembranças de meu avô Valério (Valentim Kreticoski). Tive pouco tempo de convivência com ele, e a lembrança mais forte é do dia anterior à sua morte, quando esteve em casa e brincou comigo por um longo tempo, como se fosse uma criança de cinco anos, assim como eu. Descanse em paz, meu vô!
Valentin Kreticoski.Meus Avós, Apolonia e Valentin, em frente a Basílica Velha de Aparecida – SP.Meus avós em frente sua casa. (Campo Mourão – PR)Túmulo de meu avô.
A história do Brasil Imperial ganhou novas luzes com a exumação dos restos mortais de Dom Pedro I, o primeiro imperador do Brasil, e de suas esposas, Dona Leopoldina e Dona Amélia. O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) entre 2012 e 2013, trouxe descobertas surpreendentes sobre a vida, a saúde e até as lendas envolvendo a família imperial.
🏰 O Contexto Histórico
Dom Pedro I (1798–1834) proclamou a Independência do Brasil em 1822 e foi o primeiro imperador do país. Após abdicar do trono em 1831, retornou a Portugal, onde faleceu em 1834. Inicialmente, foi sepultado no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.
Em 1972, durante o sesquicentenário da Independência, seus restos mortais foram trasladados para o Brasil e depositados no Monumento à Independência, no bairro do Ipiranga, em São Paulo — local onde também repousam suas duas esposas, Dona Leopoldina de Habsburgo e Dona Amélia de Leuchtenberg.
🔬 A Exumação Científica (2012–2013)
O projeto foi conduzido pela arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP (MAE-USP). Com autorização da Prefeitura de São Paulo, da Igreja Católica e da Família Imperial Brasileira, os sarcófagos foram abertos em ambiente controlado dentro do Monumento à Independência.
Os objetivos da pesquisa incluíam:
Avaliar o estado de conservação dos corpos;
Realizar tomografias e exames de imagem;
Investigar métodos de embalsamamento;
E verificar a veracidade de relatos históricos sobre a morte de Dona Leopoldina.
⚙️ Principais Descobertas
👑 Dom Pedro I
O corpo estava surpreendentemente bem preservado.
Exames confirmaram problemas respiratórios e cardíacos, compatíveis com tuberculose, causa oficial de sua morte.
O esqueleto revelou estrutura robusta e marcas de antigas lesões, coerentes com o perfil físico ativo do imperador.
👸 Dona Leopoldina
O estudo revelou múltiplas fraturas antigas, mas nenhuma recente no fêmur, como dizia a lenda de que teria sido empurrada por Dom Pedro I.
Conclusão: ela morreu de complicações pós-parto, não por agressão física.
A pesquisa ajudou a corrigir uma injustiça histórica e a valorizar o papel de Leopoldina na formação do Brasil.
💐 Dona Amélia
Seu corpo apresentava melhor estado de conservação graças a técnicas de embalsamamento mais modernas.
Nenhuma patologia grave foi identificada, confirmando que ela teve boa saúde até o fim da vida.
🧠 Impacto Histórico e Científico
Essa foi a primeira exumação científica da história do Brasil voltada à realeza. Os resultados permitiram:
Reconstruções faciais em 3D dos três membros da família imperial;
Estudos inéditos sobre práticas funerárias do século XIX;
E o desmentido de mitos populares, especialmente sobre Dona Leopoldina.
A iniciativa abriu caminho para novos projetos, como o planejado estudo dos restos mortais de Dom Pedro II e Teresa Cristina, que ainda aguarda autorização.
🏛️ O Descanso Eterno
Após as análises, os corpos foram cuidadosamente recompostos e lacrados novamente em seus sarcófagos, no Monumento à Independência, em São Paulo. Hoje, o local funciona como um santuário da memória nacional, atraindo visitantes, historiadores e curiosos sobre a vida dos imperadores do Brasil.
Como a primeira exumação de Dom Pedro I e suas mulheres muda a História
Os restos mortais de Dom Pedro I e de suas duas mulheres, Dona Leopoldina e Dona Amélia, foram exumados para estudo. Realizados em sigilo entre fevereiro e setembro de 2012 pela historiadora e arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, os estudos revelam fatos até então desconhecidos da família imperial brasileira e compõem um retrato jamais visto dos personagens históricos, cujos corpos estão na cripta do Parque da Independência, na cidade de São Paulo, desde 1972.
Após removerem os tampões de granito de 400 quilos que cobriam os caixões de Dom Pedro I e de Dona Leopoldina, e aberto o nicho de parede de Dona Amélia, os pesquisadores fizeram uma lista minuciosa do que havia dentro de cada urna. Encontraram medalhas e insígnias de ordens de Portugal, joias de surpreendente baixa qualidade e até cartões de visita deixados por gente que acompanhou os traslados até o Ipiranga.
Ao longo de três madrugadas, os restos mortais da família imperial foram ainda transportados à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), para passarem por sessões de tomografias e ressonância magnética. Pela primeira vez, o maior complexo hospitalar do Brasil foi usado para pesquisar personagens históricos. Dom Pedro I, Dona Leopoldina e Dona Amélia foram transformados em ilustres pacientes, com fichas cadastrais, equipe médica e direito à bateria de exames.
Os resultados de toda essa pesquisa foram divulgados durante a defesa do mestrado de Valdirene Ambiel, no Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP).
Dom Pedro I
Foi descoberto que a roupa militar com que Dom Pedro I foi enterrado, uma túnica provavelmente marrom e calça branca, tinha 54 botões ao todo, a maioria de metal, com brasão da coroa portuguesa em alto relevo. Ele usava botas, que entraram quase completamente em decomposição por causa da umidade. Restaram apenas dois saltos de couro e duas esporas de metal. Havia também botões feitos de osso, usados na época principalmente em cuecas.
A partir dos exames realizados na USP, descobriu-se ainda que, ao longo de sua vida, Dom Pedro I fraturou quatro costelas, todas do lado esquerdo, fato que praticamente inutilizou um de seus pulmões e pode ter ajudado a piorar a tuberculose que o matou aos 36 anos de idade, em 1834. Os ferimentos constatados foram resultado de dois acidentes a cavalo (queda e quebra de carruagem), em 1823 e 1829, ambos no Rio de Janeiro.
Mas o que deixou os cientistas mais surpresos foi o fato de não haver nenhuma comenda de ordens brasileiras entre as insígnias com que o imperador foi enterrado. “Esperava pelo menos a Ordem da Rosa, criada pelo próprio Dom Pedro I aqui no Brasil, para homenagear Dona Amélia. Foi uma pequena decepção”, diz Valdirene. A única menção ao período que governou o país foi uma expressão gravada na tampa do caixão: “Primeiro Imperador do Brasil”.
Dona Leopoldina
A pesquisa arqueológica revelou que a imperatriz Leopoldina foi enterrada exatamente com a mesma roupa que vestiu na coroação do marido, Dom Pedro I, em 1822, até mesmo com a faixa de imperatriz do Brasil. A informação foi obtida ao comparar as tomografias realizadas no Hospital das Clínicas com um retrato da imperatriz de 1826. O exame mostrou ornamentos idênticos aos da pintura. “O tomógrafo fatiou a imagem para que só aparecesse o bordado com fios de ouro e prata. Comparando com o retrato, entendemos que era a ‘carteira de identidade’ de Leopoldina”, afirma o diretor do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO) Carlos Augusto Pasqualucci.
O estudo também desmente a versão histórica – já quase tratada como “lenda” – de que Leopoldina teria caído ou sido derrubada por Dom Pedro de uma escada no palácio da Quinta da Boa Vista, então residência da família real. Segundo a versão, propalada por alguns historiadores, ela teria fraturado o fêmur. Nas análises no Instituto de Radiologia da USP, porém, não foi constatada nenhuma fratura nos ossos da imperatriz.
Dona Amélia
No caso da segunda mulher de Dom Pedro I, Dona Amélia de Leuchtenberg, a descoberta mais surpreendente veio antes ainda de que fosse levada ao hospital: ao abrir o caixão, a arqueóloga descobriu que a imperatriz está mumificada, fato que até hoje era desconhecido em sua biografia. O corpo da imperatriz, embora enegrecido, está preservado, inclusive cabelos, unhas e cílios. Entre as mãos de pele intacta, ela segura um crucifixo de madeira e metal.
Em meio ao material histórico, houve espaço para curiosidades mais recentes: dentro do caixão do imperador foram colocados 24 cartões de visita, de militares, dentistas, diplomatas, brasileiros e portugueses. “Foram colocados no traslado dos restos do imperador ao Brasil, em 1972. É gente que gostaria de ser ‘lembrada’, mas não vamos divulgar os nomes”, diz a pesquisadora.
FONTE: https://www.tudoemdia.com
Exumação de Dom Pedro I (Foto: Divulgação/Valter Diogo Muniz)Valdirene Ambiel com os restos de Dona Leopoldina (Foto: Prof. Dr. Luiz Roberto Fontes)Tomografia de Dona Leopoldina (Foto: Divulgação/Valter Diogo Muniz)Restos mortais de Dom Pedro I (Foto: Valter Diogo Muniz)Restos mortais de Dona Leopoldina (Foto: Valter Diogo Muniz)Corpo de Dona Amélia mumificado (Foto: Divulgação/Valter Diogo Muniz)Dona Amélia segurando um crucifixo (Foto: Divulgação/Valter Diogo Muniz)Dona Leopoldina, Dom Pedro I e Dona Amélia (Crédito: Creative Commons)Cripta no Monumento à Independência, em São Paulo, onde estão sepultados Dom Pedro I, Dona Leopoldina e Dona Amélia (Foto: Vander Dissenha)Sepultura de Dom Pedro I, que está vazia desde que seus restos mortais foram enviados ao Brasil em 1972. Lisboa – Portugal (Foto: Vander Dissenha)Vander Dissenha, no quarto onde Dom Pedro I nasceu (1798) e morreu (1834). Palácio de Queluz, Sintra – Portugal. (Foto: Vander Dissenha)
Há uma ideia silenciosa, mas poderosa: a teoria do último encontro. Ela parte de um princípio simples — e ao mesmo tempo profundo — de que qualquer encontro pode ser o último. A última conversa, o último abraço, a última risada compartilhada…
No campo emocional, a teoria do último encontro é um convite à consciência afetiva. Ela nos lembra de não deixar palavras presas, gestos adiados, perdões engasgados. Encerrar ciclos de forma consciente é um ato de coragem — e também de amor. Porque o tempo é imprevisível, e o que hoje parece rotineiro, amanhã pode ser apenas memória. Viver com essa percepção não significa viver com medo, mas com delicadeza. Significa reconhecer que a vida é feita de capítulos que se fecham, e que cada encontro tem o seu valor, mesmo quando chega ao fim. Também pode ajudar na aceitação de perdas, ao reconhecer que todo encontro é finito por natureza.
Há separações que não nascem do desamor, mas do destino. Quando duas almas cumprem a missão que tinham juntas, o universo simplesmente as afasta — não por castigo, mas por sabedoria. E não importa o quanto tenham se amado. Quando a lição é aprendida, o reencontro deixa de ser necessário. Vocês podem morar perto… ainda assim, os caminhos não se cruzam mais. É como se o próprio universo conspirasse para manter cada um onde precisa estar. Porque, mesmo que reste saudade, já não existe mais propósito. Esse é o tipo de separação que dói diferente: não há briga, não há drama — apenas um silêncio que cresce entre dois corações que um dia foram abrigo um do outro.
E talvez o que mais machuque seja isso: entender que o amor não acabou, mas a história sim.
Faleceu hoje meu professor de Estudos Sociais da quinta série, no Colégio Estadual de Campo Mourão. Ele foi meu professor em 1982. O professor Jader Libório de Ávila era bem rigoroso e, certa vez, me deixou de castigo atrás da porta — pois, naquela época, ainda se podia aplicar certos castigos para disciplinar os alunos. Eu gostava muito de suas aulas, pois Estudos Sociais unia duas disciplinas que aprecio até hoje: Geografia e História. Gostava das aulas, das histórias e de quando ele falava sobre os lugares que conhecia.
Foi numa manhã preguiçosa, em abril de 1982, que pela primeira vez ouvi falar em Machu Picchu. Eu era um garoto meio tímido, cheio de sonhos, que adorava viajar de caminhão com meu pai. Na aula do professor Jader, ele mandou abrir o livro de Estudos Sociais em um determinado capítulo, e foi ali que vi, pela primeira vez, uma foto da cidade perdida dos incas — a lendária Machu Picchu. A foto mostrava a montanha de Huayna Picchu envolta por nuvens. Aquilo me chamou a atenção e, milagrosamente, fiquei calado durante toda a aula, prestando atenção em tudo o que o professor dizia, nos detalhes que contava sobre Machu Picchu, cidade que ele já havia visitado. No final da aula, disse a mim mesmo que um dia conheceria aquele lugar. Naquela época, eu mal sabia onde ficava o Peru, mas ao sair da aula tive uma certeza: um dia pisaria na cidade perdida dos incas.
Anos depois, mais precisamente em 2011, estive em Machu Picchu pela primeira vez. Quando lá coloquei os pés, lembrei-me da aula do professor Jader falando sobre a cidade perdida dos incas. Em 2012, voltei a Machu Picchu e, dessa vez, consegui conhecer Huayna Picchu — adorei o lugar. Gostei mais de Huayna Picchu do que da própria Machu Picchu.
Vá em paz, professor Jader. O senhor honrou sua profissão e deixou bons exemplos para muitos de seus alunos — assim como deixou para mim.
Fazia tempo que eu não assistia a uma série que me prendesse tanto a atenção. Escolhi ver Alguém em Algum Lugar depois de ler que ela vinha sendo bastante comentada recentemente e até ganhou alguns prêmios Emmy, mesmo sendo pouco conhecida.
A série tem três temporadas, com cinco a sete episódios cada, e eu acabei maratonando tudo em uma semana. E gostei muito. A inteligência da comédia não está apenas nas piadas, mas na forma como os personagens encontram alegria e humor em meio à tristeza, à tragédia e também nos momentos mais simples do dia a dia.
A protagonista, Bridget Everett, além de atriz, é uma excelente cantora. Na vida real, ela também se apresenta em um cabaré, onde costuma brilhar com números musicais de muito sucesso.
Alguém em Algum Lugar(Somebody Somewhere) é daquelas séries que chegam de mansinho, sem alarde, mas que acabam ficando com a gente por muito tempo. A história gira em torno da Sam, uma mulher que volta para sua cidade natal depois da morte da irmã e, a partir daí, precisa lidar com a família, com o luto e, principalmente, com a sensação de não se encaixar em lugar nenhum.
O que mais me pegou é como a série fala sobre a vida real — sem glamour, sem roteiro perfeito. Sam carrega mágoas, inseguranças, uma certa dificuldade em se abrir… mas também tem uma voz linda e, aos poucos, vai redescobrindo na música e nas amizades um espaço para ser ela mesma.
A amizade dela com Joel, por exemplo, é o coração da trama: duas pessoas que se encontram no meio do caos e criam juntas um espaço seguro, cheio de cumplicidade, risadas e pequenas vitórias.
Não espere grandes reviravoltas ou cenas mirabolantes. O charme da série está justamente nos detalhes: um jantar em família que dá errado, uma conversa no carro que muda tudo, o alívio de encontrar alguém que te entende sem precisar explicar demais.
Pra mim, “lguém em Algum Lugar é sobre isso: a beleza de ser imperfeito, de rir das próprias dores e de perceber que, mesmo quando achamos que não pertencemos a lugar nenhum, sempre existe alguém disposto a caminhar com a gente.
Hoje, mal cheguei de viagem e ainda com sono, fui ao lançamento do livro “Ozires – A esperança nasce nas atitudes”, obra do jornalista Dilmércio Daleffe.
Trata-se de uma biografia que narra a história de Ozires da Cruz, um mourãoense que morava em Curitiba e faleceu em 2022, aos 51 anos. Com um futuro promissor nos campos de futebol, seus sonhos foram interrompidos aos 13 anos, quando sofreu um acidente no Rio Paraná: mergulhou e bateu a cabeça em um banco de areia, ficando tetraplégico.
A partir desse momento, o livro acompanha toda a trajetória da família de Ozires: cirurgias, internações, adaptações e a busca por um novo sentido para a vida. Apesar do futebol ter sido cancelado, Ozires se reinventou e encontrou na informática a sua nova saída, transformando limitações em oportunidades.
Fiz questão de comparecer ao lançamento, pois conheci Ozires pessoalmente. Tivemos apenas um ano de convivência, em 1982, na escolinha de futebol. Mas, ainda que breve, guardo lembranças boas e marcantes dele.
Quando soube do acidente, já não tinha mais contato com Ozires, e a notícia me deixou profundamente triste. Anos depois, ao acompanhar sua história — infelizmente após sua morte — fiquei emocionado ao ver que, mesmo com tantas limitações, ele conseguiu dar a volta por cima, ser feliz e realizar grandes conquistas.
Receber o abraço da mãe de Ozires foi como tocar um fio invisível que a ligava ao filho. Ao abraçar seus amigos, parecia que ela segurava a própria presença dele, transformando saudade em calor humano.
Ozires – A esperança nasce nas atitudes.Com o autor do livro, Dilmércio Daleffe.Foto com a mãe do Ozires.
O filme Falcão Negro em Perigo (Black Hawk Down) foi lançado em 2001 nos Estados Unidos e chegou ao Brasil em março de 2002. Eu me lembro bem da primeira vez que o assisti: um sábado à tarde, no cinema do Shopping Cristal, em Curitiba. Estava acompanhado de uma guria com quem tinha ficado pela primeira vez uma semana antes, num fim de semana de trilhas e camping no Parque Estadual do Marumbi.
Sentamos na última fileira. E confesso: me arrependi de tê-la convidado. Não porque ela não fosse uma boa companhia — pelo contrário, era linda, inteligentíssima, de olhos verdes marcantes (e eu sempre tive uma queda por olhos verdes). Mas porque, naquela tarde, tudo o que eu queria mesmo era assistir ao filme, e não me distrair com carinhos no escurinho do cinema.
Sempre gostei de filmes de guerra, e aquele me interessava de forma especial. Falcão Negro em Perigo narra um episódio real da guerra civil na Somália, em outubro de 1993. Uma força de elite americana é enviada para capturar generais locais, mas a missão se complica quando dois helicópteros UH-60 Black Hawk são derrubados. O que deveria ser uma operação rápida se transforma em uma batalha sangrenta que durou horas e deixou marcas profundas no exército dos EUA.
Naquele sábado, meus olhos estavam grudados na tela. A história era trágica, mas ao mesmo tempo fascinante. O filme acabou levando dois Oscars, e eu saí do cinema com uma impressão que carrego até hoje: o impacto da guerra, o peso da tragédia — e a potência daqueles helicópteros Black Hawk.
Voltei a assistir ao filme algumas vezes nos anos seguintes, e ele se consolidou como um clássico. Já a guria de olhos verdes, que no início eu achei que seria apenas uma aventura passageira, acabou ficando comigo por sete anos. Tivemos momentos maravilhosos, e outros que preferia esquecer. Se pudesse voltar no tempo, talvez não tivesse prolongado aquela história depois daquela sessão de cinema. Houve escolhas e atitudes dela, anos mais tarde, que me feriram profundamente, quase destruindo minha vida. Mas isso já pertence ao passado. Não vou entrar em detalhes. Vander sendo Vander — divagando e fugindo do assunto principal.
Voltemos ao Black Hawk.
O Sikorsky UH-60 Black Hawk é um helicóptero militar utilitário médio, desenvolvido nos Estados Unidos pela Sikorsky Aircraft e em serviço desde 1979. Versátil e robusto, tornou-se peça-chave em guerras e operações humanitárias ao redor do mundo: Guerra do Golfo, Afeganistão, Iraque. Pode transportar até 11 soldados equipados, carregar veículos leves, atuar em missões de evacuação médica ou combate, e ser armado com metralhadoras e sistemas de defesa.
No Brasil, entrou em operação em 2007, quando a Força Aérea Brasileira (FAB) recebeu as primeiras unidades, que aqui foram designadas como H-60L, incorporadas ao Esquadrão Harpia, em Manaus, para substituir os antigos Bell UH-1H. Desde então, esses helicópteros têm atuado em missões de busca e salvamento, combate a ilícitos na Amazônia, apoio em desastres naturais e transporte de tropas em áreas de difícil acesso. São considerados hoje os helicópteros mais versáteis da FAB.
E não é que, 23 anos e meio depois daquela tarde no cinema, tive a oportunidade de conhecer de perto — e até entrar em um Black Hawk! É impossível não ter lembrado do filme, e também daquela companhia de olhos verdes.
Por razões de segurança nacional, não pude fotografar o interior da aeronave. Do lado de fora, no entanto, as fotos estavam liberadas, e algumas delas compartilho aqui embaixo.
Quanto à guria de 23 anos e meio atrás, não a vejo há quatorze anos e meio. Não sei se ainda está viva, nem o que faz da vida. Segui em frente, e o passado (salvo algumas exceções) já não me importa tanto. Mas, se por acaso ela estiver lendo este texto — já que, em tempos distantes, costumava acompanhar meu blog — quero que saiba que a perdoei. Na época, talvez tenha agido por desespero, sem medir as consequências. Hoje eu entendo. Eu também já fiz escolhas impensadas, que podem ter prejudicado alguém. Quem sou eu, então, para não perdoar?
Vida que segue… E eu estou indo assitir mais uma vez “Falcão Negro em Perigo”.
Black Hawk H-60L.Eu e meu irmão, conhecendo de perto o Black Hawk.Fazendo pose em frente ao Black Hawk.No Black Hawk, e ao fundo um lindo por do sol.
Meu irmão, Wagner Dissenha, recebeu o título de Membro Honorário da Força Aérea Brasileira (FAB). A solenidade de entrega aconteceu na Base Aérea de Campo Grande (MS), durante as comemorações dos 81 anos de sua fundação.
Esse título é concedido a personalidades civis e militares da reserva, brasileiros ou estrangeiros, que tenham prestado serviços relevantes à Aeronáutica brasileira.
Fiquei extremamente feliz por ver meu irmão ser homenageado, pois sei o quanto isso significa para ele. Desde criança, Wagner sempre demonstrou paixão por aviões e sonhava em se tornar piloto de caça. Aos 18 anos, chegou a se alistar na Base Aérea de Curitiba, mas não foi aceito: para ser piloto, é necessário ter saúde impecável, e, como muitos em nossa família, ele não possui visão perfeita.
Apesar da frustração inicial, ele seguiu em frente. Nos últimos anos, iniciou um trabalho de valorização da FAB e seu pessoal. Com isso, construiu fortes laços de amizade com integrantes da FAB, o que lhe possibilitou conhecer diversas instalações da Força Aérea. Essa trajetória culminou agora com a honraria de Membro Honorário da FAB.
De certa forma, o sonho de infância foi realizado. Não exatamente como ele imaginava, mas da maneira que a vida permitiu. E isso tem um valor imenso para ele — e também para todos nós, que acompanhamos sua dedicação e amor pela aviação.
Solenidade pelos 81 anos da Base Aérea.Tropas em forma, na Base Aérea de Campo Grande – MS.
Entrega do título de Membro Honorário.Wagner Dissenha.Desfile da tropa.Wagner Dissenha e Vander Dissenha. Ao fundo um EMB-312 Tucano – Aeronave de treinamento básico e ataque leve.
Estou em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. Esta é a minha quarta vez na cidade. Tenho uma tia e alguns primos que moram aqui; minha tia se mudou para cá em 1979. Como esta viagem foi de agenda cheia e curta, não consegui visitar os parentes.
Gosto muito da cidade, que mesmo no inverno é quente. Um dos pontos mais bonitos é o pôr do sol, com seu tom alaranjado. Outra coisa que me encantou foi a gastronomia. Como sou fã de cupim, tive a oportunidade de experimentar duas vezes um prato muito apreciado por aqui: o famoso “cupim craquelado”. Uma verdadeira delícia!
Campo Grande, é conhecida como a “Cidade Morena” por causa da cor avermelhada de seu solo. Fundada oficialmente em 1899, a cidade cresceu como ponto estratégico de ligação entre diferentes regiões do país. Hoje, é um importante centro econômico, político e cultural do Centro-Oeste, com destaque para o agronegócio, comércio e serviços.
Com mais de 900 mil habitantes, Campo Grande se caracteriza por sua diversidade cultural, resultado da influência indígena, paraguaia, japonesa, árabe e de migrantes de várias partes do Brasil. A cidade também é reconhecida por suas áreas verdes, avenidas largas, vida universitária ativa e pela proximidade com o Pantanal, um dos maiores ecossistemas do mundo.
Cavaleiro Guaicuru, no Parque das Nações Indígenas.
Hoje meu pai completaria 80 anos. Infelizmente, ele se foi há 13 meses. Hoje poderia ser um dia de festa, mas acaba sendo um dia de saudade. De qualquer forma, é também um dia para celebrar a vida — a vida que ele me deu e os bons momentos que compartilhamos. Quando alguém parte, as lembranças ruins perdem força, e o que fica são os instantes felizes. E é melhor assim, porque não podemos mudar o passado. O que podemos é guardar com carinho as boas recordações e seguir em frente.
Feliz aniversário, meu velhinho!
Meu pai (segundo a esquerda) com seus pais e todos os seus irmãos.
Ultimamente não tenho postado aqui sobre os shows ou stand-ups que tenho assistido. Mas hoje decidi compartilhar um pouco da experiência que tive ontem no show da cantora Bia Socek. Acompanho o trabalho dela há muitos anos, mas foi a primeira vez que tive a oportunidade de vê-la ao vivo — e gostei demais!
Mesmo em uma noite fria e com o público um pouco tímido, Bia fez o show valer a pena. Ela se entregou de corpo e alma à apresentação, mostrando não só seu talento, mas também muito profissionalismo.
Depois do show, tive a chance de ir até o camarim e tirar uma foto com ela. Meu lado fã falou mais alto… Ainda batemos um papo rápido sobre Quitandinha (PR), a cidade onde ela mora. Além de talentosa e profissional, Bia se mostrou uma pessoa extremamente simpática.
O hobby, que começou de forma despretensiosa, chegou longe. Jamais imaginei que fosse durar tanto tempo. Na verdade, hoje seria o seu fim — mas acabei mudando de ideia e vou continuar com ele por mais um tempo. Quanto tempo? Não sei! As postagens, porém, vão se tornar cada vez mais raras, tanto pela falta de tempo para cuidar do Blog quanto pela diminuição do meu interesse, que cai a cada ano. Acho que ele já deu o que tinha que dar. Seu auge ficou para trás e foi útil para muita gente — principalmente para mim. Agora, já não é mais tão importante, e talvez seja melhor encerrá-lo. Sinceramente, não sei se ele chega aos 18 anos. Vamos ver o que os próximos meses reservam para mim e para o Blog.
O “brinquedinho” está quase atingindo a maioridade. Olhando para trás, fico feliz por tudo o que construí aqui. Este Blog foi, muitas vezes, uma forma de terapia. Escrevendo nele, encontrei resultados que, talvez, nem teria em sessões de análise. Vocês não imaginam quantas postagens escrevi e nunca publiquei, acabando por excluí-las depois. E também houve textos que escrevi achando que logo apagaria… mas que permanecem aqui até hoje.
Para os próximos meses, tenho um projeto ousado: revisar grande parte das postagens, corrigindo erros de ortografia, concordância e outros detalhes. Depois, pretendo publicar o conteúdo do Blog em formato de livros — um volume para cada ano, reunindo as postagens correspondentes. Esses livros servirão como memória e arquivo de tudo o que foi postado aqui. Quando estiverem prontos, talvez seja a hora de encerrar e excluir o Blog. Os volumes ficarão disponíveis para impressão sob demanda, caso alguém se interesse por algum ano específico.
Hoje faz exatamente 15 anos que deixei Curitiba e voltei para minha cidade natal, onde mora minha família. A ideia era passar apenas seis meses por aqui e depois retornar. Nunca mais voltei. Houve muitos motivos para essa permanência, mas o principal foi a vontade de estar mais próximo da minha família.
Tinha passado 20 anos longe da cidade onde nasci — 19 em Curitiba e um nos Estados Unidos. Nesse tempo, perdi muitos momentos em família e, aos poucos, fui me afastando, deixando vínculos importantes se dissolverem. No meu último ano em Curitiba, visitei minha família apenas três vezes. Três visitas em um ano inteiro.
Voltar depois de tanto tempo não foi simples. Eu não tinha mais amigos aqui, me sentia deslocado. Mas, com o tempo, fui criando novas amizades, construindo uma rotina diferente e redescobrindo o valor da paz e da simplicidade do interior.
Sair de Curitiba nunca esteve nos meus planos. Eu tinha uma vida sólida lá, gostava da rotina, dos amigos, da cidade em si. Mas uma sequência de acontecimentos desagradáveis me fez “dar um tempo” e buscar refúgio a quase 500 quilômetros de distância. Tive que zerar minha vida e recomeçar. Não foi fácil, mas encarei como uma oportunidade de fazer uma limpeza profunda em tudo. Aos poucos, me reconstruí. Rompi vínculos antigos, deixei amizades para trás, e comecei do zero.
Hoje, raramente volto a Curitiba. As últimas visitas foram a trabalho. A cidade que conheci — aquela Curitiba limpa, organizada, onde vivi anos incríveis — já não existe mais para mim. Na última vez em que estive lá, ano passado, fui rever alguns lugares e me assustei: pichações por toda parte, lixo nas ruas, tráfico de drogas a céu aberto no centro, moradores de rua e pedintes em números que nunca havia visto. Não os julgo; apenas constato como a situação piorou desde que saí. Outra coisa que me chamou atenção (sem nenhum julgamento, nem a favor, nem contra) foi a quantidade de hispanos na cidade. Se continuar assim, logo o espanhol será o idioma oficial de Curitiba.
Hoje, não mantenho mais nenhum vínculo com a cidade. Até dos amigos mais próximos me afastei. Quando vou a Curitiba, não procuro ninguém. Não visito amigos, nem os poucos parentes que ainda vivem lá. Dos muitos amigos antigos, excluí todos das redes sociais. Não por mágoa, mas porque sinto que esse ciclo se encerrou. Com alguns poucos, ainda troco mensagens nos aniversários, por educação e carinho, mas sem proximidade.
Há exatos 15 anos saí de Curitiba pensando em voltar logo. Hoje, não tenho a menor vontade nem de visitar. Muita coisa aconteceu nesses anos — e, felizmente, a maior parte foi boa. Viajei muito, vivi mudanças profundas, amadureci como pessoa. Mas, acima de tudo, pude aproveitar minha família. Eu e meu pai tínhamos muitas diferenças, e conseguimos resolvê-las. Tive o privilégio de viver seus últimos anos com respeito, diálogo e carinho. Hoje, ajudo a cuidar da minha mãe, cuja saúde vem se debilitando. Só por isso, já teria valido a pena ter deixado Curitiba.
Nesses 15 anos, tive aprendizados que levo para a vida. Conheci pessoas incríveis, fiz amizades verdadeiras. Curiosamente, a maioria dos meus amigos atuais é bem mais jovem do que eu, o que torna as trocas de experiências ainda mais ricas. Além disso, conheci os dois grandes amores da minha vida. Duas mulheres extraordinárias (cada uma ao seu tempo) que me ajudaram a crescer, a querer ser um pessoa melhor, enfrentar questões internas que eu carregava há anos. Ambas não fazem mais parte da minha vida, mas guardo um carinho imenso pelo que vivemos juntos.
Por tudo isso — e muito mais — hoje posso afirmar, sem hesitação: valeu muito a pena ter deixado Curitiba. Minha vida é infinitamente melhor do que era há 15 anos. Só não digo que nunca mais morarei lá, porque a vida adora provar que o “nunca mais” às vezes nos prega peças. Melhor deixar o futuro em aberto. O que tiver que ser, será.
Última foto que tirei em Curitiba. Vista da cidade a partir do meu antigo lar. (02/08/2010)
Ontem fui ao cinema assistir ao tão esperado F1: The Movie. A estreia oficial no Brasil foi no dia 26 de junho, mas eu estava aguardando uma viagem para Curitiba, pois queria ver o filme numa sala IMAX. Afinal, ele foi filmado com câmeras IMAX, e no Brasil existem apenas seis salas com essa tecnologia — sendo que a maior tela em funcionamento está justamente em Curitiba.
Infelizmente, por vários motivos, acabei desistindo da viagem. Como o filme já estava em sua última semana de exibição, precisei correr para assistir numa sala convencional mesmo, aqui na minha cidade. E quer saber? Mesmo fora da telona IMAX, F1 ainda é uma experiência que vale muito mais ser vivida no cinema do que na TV. Ah, e tem um detalhe curioso: fui parar exatamente na poltrona F1. Coincidência? Talvez. Mas foi um bom presságio. Não gostei de ver o filme dublado, mas não existia outra opção. Então paciência!
🏁 Expectativas baixas, surpresa alta
Confesso que fui com os dois pés atrás. A decepção com a série da Netflix sobre Ayrton Senna ainda estava fresca — e olha que sou apaixonado por Fórmula 1 desde criança. Não consegui assistir nem ao primeiro episódio inteiro da série, de tão fraca que achei. Por isso, temi que o filme F1 seguisse o mesmo caminho. Mas, felizmente, estava completamente enganado.
F1 é um filme muito legal, construído de forma inteligente para agradar tanto os fãs hardcore da Fórmula 1 quanto aqueles que nunca viram uma corrida na vida. Claro que quem já acompanha o esporte leva uma certa vantagem — entende melhor algumas referências, reconhece personagens reais entre os atores, percebe nuances escondidas aqui e ali.
Por exemplo: pouca gente vai notar que a sede da equipe fictícia Apex Grand Prix, mostrada no filme, é na verdade a sede da McLaren. Ou que as imagens do acidente com o personagem Sonny Hayes (Brad Pitt) são, em parte, cenas reais do acidente que Martin Donnelly sofreu na Espanha, em 1990. No filme, o acidente ocorre durante a corrida, mas, na realidade, foi nos treinos livres. Essa mistura entre ficção e realidade é usada com liberdade poética, mas sem exageros — tudo muito bem encaixado para dar mais emoção ao enredo.
🎥 Para fãs e curiosos
Mesmo quem nunca se interessou por Fórmula 1 vai se envolver com a narrativa. O filme é uma experiência cinematográfica incrível e pode, inclusive, despertar a curiosidade de novos fãs para esse universo tão fascinante. A produção teve total apoio dos organizadores da F1, e não é por acaso: o objetivo é claro — popularizar ainda mais a categoria ao redor do mundo.
E está funcionando. O sucesso do filme é tanto que já se fala em uma continuação.
✅ Conclusão
F1: The Movie é uma volta rápida e emocionante pela pista da nostalgia, da adrenalina e da paixão por velocidade. Para quem já ama Fórmula 1, é um prato cheio. Para quem nunca ligou para carros de corrida, pode ser a porta de entrada perfeita. Não importa em que poltrona você sente — se for F1, melhor ainda —, o importante é embarcar nessa corrida.
Assistir ao filme F1, no assento F1.CinemaXS – Campo Mourão / PR.Foram 2 horas e 35 minutos de emoção.
Nos últimos dias, tenho pensado muito sobre a morte. E não se preocupe, pois não estou querendo morrer. Acredito que a razão de tais pensamentos seja que, daqui a poucos dias, fará um ano que meu pai morreu. E hoje faz exatamente um ano que ele sofreu o AVC que, após alguns dias hospitalizado, o levou à morte. Tudo isso fez a saudade dele apertar nos últimos dias e, consequentemente, me levou a pensar, a meditar, a tentar entender a morte. Particularmente, não tenho medo de morrer. O que tenho mais medo do que morrer é ficar inválido numa cama, vegetando. Acredito que isso seja pior do que morrer, pois você está vivo e não está, ao mesmo tempo.
Eu era bem pequeno quando fui apresentado à morte pela primeira vez. Devia ter uns quatro anos e viajava de caminhão com meu pai. Teve um acidente, e havia um cara morto no acostamento. Eu dormia e acordei com o barulho e as luzes de sirenes. Me levantei e olhei pela janela, tentando entender o que acontecia. Meu pai ainda tentou me impedir de ver, mas não deu tempo. A imagem que vi me assombrou durante alguns dias. Ver uma pessoa morta, toda quebrada e ensanguentada, me fez descobrir que nossa vida tem fim um dia. Lógico que, nos dias seguintes, enchi meus pais de perguntas sobre morrer.
Um ano depois, a morte surgiu novamente em minha vida. Dessa vez veio com mais força e foi bem dolorida sua visita. Meu avô materno faleceu — foi de repente, um infarto aos 54 anos (um ano a menos que a idade que tenho hoje). E no dia anterior, ele tinha ido em casa e brincado comigo durante um tempão. Parecíamos duas crianças brincando. Relutei durante horas em ir vê-lo dentro do caixão. Eu não queria, mas fui forçado a vê-lo. Era a primeira vez que participava de um velório. O caixão no meio da sala da casa dos meus avós foi uma visão assustadora e traumatizante para mim, então um garotinho de cinco anos. No dia seguinte, vi pela primeira vez um sepultamento. Naquela época, o caixão era enterrado direto na terra, e o barulho e a imagem da terra cobrindo o caixão do meu avô nunca saíram da minha memória. Durante anos, evitei entrar na sala da casa da minha avó, pois sempre lembrava do meu avô no caixão, naquela sala.
Os anos foram passando, e a morte foi se tornando uma visita corriqueira em minha vida. Vez ou outra, morria algum parente que morava longe, ou então algum amigo da família ou vizinho. Mas logo começaram a morrer amigos meus, e isso foi devastador para mim. Ver crianças e depois adolescentes da minha idade morrendo era muito assustador. Com o passar dos anos, vi muita gente morta, sendo algumas em acidentes, e cujas imagens de corpos destroçados me fizeram perder noites de sono.
Conforme fui crescendo, fui entendendo e aceitando a morte. Mas evitava ir a velórios ou enterros. Se eu for a um velório e ver a pessoa no caixão, vou levar aquela imagem para sempre, e quando lembrar da pessoa, será a imagem dela morta no caixão que vou lembrar. Durante muitos anos, só ia a velórios e enterros quando era extremamente necessário. E um detalhe curioso: mesmo tendo o sobrenome DISSENHA, o primeiro DISSENHA cujo velório e enterro participei foi justamente o do meu pai, quando eu já tinha 54 anos de idade. Ou seja, passei mais de meio século “escapando” dos velórios e sepultamentos de familiares que têm o mesmo sobrenome que eu. Não foi somente por escolha isso — ocorreram muitas situações distintas que me impediram de ir aos velórios e sepultamentos.
Costumo brincar que sou igual a gato, pois tenho sete vidas. E já perdi as sete. Quando criança, um amigo do meu pai, sempre que me via, contava da vez que ele foi procurar um padre para me dar a extrema unção, pois achavam que eu não viveria até o dia seguinte. Fui um bebê doente, e somente por conta da fé e dos cuidados da minha mãe é que sobrevivi.
Aos 27 anos, vi a morte de muito perto, durante um assalto na empresa em que trabalhava. Um dos ladrões, em determinado momento, mandou eu encostar na parede, engatilhou a arma e a encostou na minha cabeça, dizendo que ia me matar. Achei mesmo que ia morrer e não senti medo — apenas fiquei inconformado em morrer jovem, tendo uma lista de planos e sonhos para realizar. Cheguei a olhar para o lado, vendo o chão onde cairia morto. E teve um momento em que quase perguntei para o ladrão se ele ia demorar muito para atirar, pois tal espera pelo tiro fatal era angustiante. No fim das contas, ele desistiu de me matar, e saí dessa apenas com algumas coronhadas no pé do ouvido e nas costas.
Há pouco mais de 15 anos, durante uma viagem, estava correndo demais e rodei numa curva. Vinham duas carretas em sentido contrário e, até hoje, não entendo como saí ileso de tal situação. Sempre ouvia dizer que, pouco antes de morrer, passa um pequeno filme em nossa mente. Não vi tal filme, mas tudo aconteceu como se estivesse em câmera lenta. E, dessa vez, cheguei a sentir o bafo gelado da morte no cangote. Teve um momento em que parecia que eu estava do lado de fora do carro, no alto, vendo tudo acontecer. Eu não bebo, nunca me droguei, e estava bem naquele dia, então o que aconteceu não foi alucinação. E não sei explicar direito tudo o que senti e o que aconteceu. Se outra pessoa me contasse tal história, eu não ia acreditar. Mas aconteceu comigo, então não tem como eu não acreditar. Sei que, no último segundo, consegui controlar o carro e escapar por meio metro de bater de frente com a primeira carreta. Até hoje, lembro da cara de desespero do motorista, vendo o acidente inevitável — ou quase! Da segunda carreta também consegui desviar e saí rindo… Olhei para o céu e agradeci a Deus pelo milagre de ter saído vivo de tal situação. Me safar de morrer ali foi realmente um milagre, não tem outra explicação. O detalhe é que, no momento do quase acidente, no som do carro tocava I Have a Dream, música da banda Abba. A tradução da música é “Eu tenho um sonho”, e naquela altura da minha vida eu tinha muitos sonhos ainda por realizar. E depois de quase ter morrido, corri para realizar a maioria dos sonhos que tinha então. Esses últimos 15 anos foram muito intensos, e isso graças ao quase acidente onde era para eu ter morrido. Sempre que passo naquela curva da estrada, tenho uma visão de uma cruz na beira da estrada, com meu nome. Parece loucura, mas isso sempre acontece quando passo lá. E sempre que possível, evito passar por tal trecho da estrada, pois sempre que passo por lá sou assombrado por tal visão. Talvez seja a morte me dando um recado de que uma força maior não a deixou me levar daquela vez. Mas sei que nosso encontro final um dia vai acontecer — mais cedo ou mais tarde. Espero que mais tarde!
Fora esses casos que contei acima, tem outras situações em que quase morri. Não vou contar todas aqui, pois senão esse texto vai ficar enorme. Por isso que digo que sou igual a gato, que tenho sete vidas. Mas pelas minhas contas, já perdi oito vidas, então estou ganhando dos gatos.
Apesar de não gostar de ir a velórios e enterros, gosto de visitar cemitérios, pois é um lugar bom para meditar e pensar na vida. Sempre que possível, visito algum cemitério novo durante viagens, tanto no Brasil quanto no exterior. Já estive em cemitérios muito legais, onde personagens históricos foram sepultados. E como gosto de história, ter visitado tais lugares foi uma experiência incrível.
Como mencionei mais acima, mais medo do que morrer, tenho medo de ficar vegetando. Ou então estar num estado de morte terminal que dure meses. Sou a favor da eutanásia. Tem um filme canadense que assisti em 2003, que se chama As Invasões Bárbaras (o nome não tem nada a ver com o conteúdo do filme), que fala sobre eutanásia e que me marcou muito quando o assisti. Eu gostaria de fazer igual foi feito no filme, caso venha a ter uma doença incurável no futuro. Não vou dar detalhes, mas se tiver curiosidade sobre tal filme, não deve ser difícil encontrá-lo na internet ou em algum streaming.
Outra coisa que acho estranho sobre a morte, é a questão do suicídio. Caso você tenha algum parente ou amigo que se matou, recomendo que pare de ler esse texto, pois o que vou escrever com certeza não vai te agradar. Enquanto milhares de pessoas lutam contra doenças ou outras questões para continuar a viver, vem um imbecil e tira a própria vida. Acho os suicidas egoístas, fracos e covardes. Pronto falei! Somente uma única vez pensei em tirar minha vida, e isso durou apenas poucos segundos. Foi quando sofria de uma difícil depressão e certa vez na estrada ao ver um caminhão vindo na pista contrária pensei que seria rápido e indolor jogar meu carro em frente ao caminhão e assim acabar com minha dor e sofrimento. Mas daí lembrei que tem muitas pessoas que gostam de mim e que iam ficar tristes com a minha morte. E também lembrei, que possivelmente não ia acabar com meu sofrimento pois, me matando só ia mudar meu sofrimento de dimensão. Ia levar minhas dores para o outro lado e lá ia pagar muito caro por ter tirado minha vida. E também lembrei que apesar de algumas vezes ter momentos de fraqueza, não sou fraco e nem covarde. Então desisti de tal pensamento idiota e fui enfrentar a vida e suas dificuldades. Me tratei, superei a tal depressão e depois disso vivi muitas coisas boas, vivi alguns dos meus melhores anos. Tenho certeza que fiz a escolha certa naquele sábado, que é viver, contra tudo e contra todos os problemas, viver é o que importa.
E tem um tipo de suicida ainda mais bosta e covarde. Já vi um caso desses, onde uma pessoa que diz algo como “se você não reatar o namoro, eu me mato”. Tal pessoa está usando uma forma de chantagem emocional extremamente grave e perigosa. E mais bosta do que a pessoa que faz tal chantagem, é a pessoa que aceita a chantagem. Anos atrás uma amiga do trabalho passou por uma situação dessas, aceitou a chantagem e se casou com o cara. A vida dela se tornou uma merda, pois qualquer coisa o cara falava para ela “eu me mato”. Acabei saindo do emprego e mudando de cidade e não tive mais contato com essa amiga. Então não sei como terminou essa história, se é que ela terminou, pois pode ser que minha ex-amiga esteja até hoje cedendo as chantagens suicidas do marido.
Usar a própria vida como moeda de troca para forçar alguém a ficar em um relacionamento é uma forma clara de manipulação. É emocionalmente abusivo e coloca a outra pessoa em uma posição de culpa injusta. Numa situação dessas, pode haver transtornos emocionais que precisam de ajuda profissional urgente. Você não é responsável pela vida de outra pessoa. Se alguém usa esse tipo de ameaça, é importante lembrar que ninguém é responsável pelas ações de outra pessoa. Forçar um relacionamento com base no medo não é amor, é coerção. E para ser sincero, acho difícil que o manipulador chegue as vias de fato. Ele é tão covarde em fazer tal ameaça, que duvido que tenha coragem de se matar. E se tiver coragem de se matar, a culpa é exclusiva dele e não de quem não cedeu a sua ameaça manipulativa.
Vou finalizando, e tenho plena consciência de que, mais dia, menos dia, vou morrer. Da morte, ninguém escapa! Essa é a maior certeza da vida — que, ao menos nisso, é justa, pois todos morrem. Seja feio, bonito, pobre, rico, famoso, desconhecido, burro ou inteligente — todos morrem. E o mais curioso é que muitos ainda se apegam a bens materiais, roubam e matam por um dinheiro que, no fim das contas, não vão levar consigo. Outra coisa interessante é que ninguém sabe, de fato, o que acontece depois da morte. Existem muitas teorias sobre o pós-morte, algumas com raízes religiosas. Mas nenhuma delas pode ser comprovada. Só depois que morrermos é que saberemos — ou não — o que acontece. Para ser sincero, gostaria que aquela história de “dormir para sempre” fosse verdadeira. Adoro dormir, e não me importaria nem um pouco se morrer fosse simplesmente isso: dormir por toda a eternidade…
Hoje faz 40 anos que De Volta para o Futuro (Back To the Future) estreou nos cinemas. Quarenta anos desde que Marty McFly pegou carona no DeLorean do Doc Brown e fez o mundo sonhar com viagens no tempo. E eu fui um desses sonhadores. Tinha 15 anos quando vi o filme, meses depois da estreia, no único cinema da minha cidade, no interior do Paraná. Foi amor à primeira vista — virou um dos meus filmes favoritos de todos os tempos.
O filme conta a história de Marty McFly, um adolescente que viaja no tempo com a ajuda de um DeLorean modificado pelo excêntrico cientista Doc Brown. Com orçamento de 20 milhões de dólares, o filme arrecadou cerca de 320 milhões, tornando-se uma das maiores bilheterias da década. O sucesso garantiu duas sequências, lançadas em 1989 e 1990, filmadas simultaneamente, que completaram uma das trilogias mais emblemáticas do cinema.
Anos depois de ter assistido ao primeiro filme da trilogia no cinema da minha cidade, tive a oportunidade, já nos Estados Unidos, de ver ao vivo o carro usado nas filmagens (um dos modelos, pois foram utilizados quatro carros nas gravações) e outros itens utilizados na trilogia.
No início dos anos 1990, a Universal Studios criou uma atração inspirada no filme em seu parque temático em Orlando. Era um “ride” no qual você entrava em um carro semelhante ao DeLorean do filme e “voava” pela cidade de Hill Valley (a cidade onde o filme é ambientado) e por outros cenários. Os carrinhos permaneciam fixos, mas se moviam de acordo com as imagens projetadas em um enorme telão à frente, dando a sensação de uma verdadeira viagem no tempo. Curiosamente, a atração incluía uma cena ambientada na era dos dinossauros — algo que não aparece em nenhum dos três filmes da trilogia. Isso se deve ao fato de que a Universal chegou a considerar a produção de um quarto filme, em que o DeLorean viajaria para o passado remoto, na época dos dinossauros. No entanto, esse plano foi abandonado com o lançamento de Jurassic Park. Tive a oportunidade de visitar essa atração algumas vezes, e foi inesquecível tal experiência.
Para muitos, De Volta para o Futuro não foi apenas um filme, mas uma experiência que marcou gerações. Para mim, foi um dos filmes que mais me marcaram. Até hoje, rever De Volta para o Futuro é uma viagem à minha própria adolescência.
Cartaz: De Volta para o FuturoMarty McFly e Doc Brown.Em frente a atração Back to the Future. (2003)Trilogia: De Volta para o FuturoBack to the Future, na Universal Studios. Orlando/2003DeLorean utilizado no filme. Universal Studios (2011)DeLorean utilizado no filme. Universal Studios (2011)
Este ano, tenho me dedicado mais a assistir séries do que filmes. Aproveitei para rever algumas que assisti há dez, quinze, até vinte anos e que gostei muito. Entre elas revi, Seinfeld, Two and a Half Men e The Big Bang Theory.
Na semana passada, comecei a assistir novamente Os Sopranos, que é uma das minhas séries favoritas de todos os tempos. Lembro que comecei a ver Os Sopranos, em Curitiba, pela Rede 21 (emissora da Rede Bandeirantes), por volta de 2004. Foi uma exibição limitada, e não cheguei a assistir a todos os episódios da primeira temporada. Dois anos depois, encontrei as primeiras cinco temporadas completas na locadora onde costumava alugar DVDs e maratonei todas. Anos depois, assisti as duas partes da última temporada, da mesma forma.
Sempre gostei muito do ator principal, James Gandolfini. Inclusive, fiz uma postagem aqui no blog quando ele faleceu, em 2013.
Sempre considerei a abertura de Os Sopranos a mais sensacional entre todas as séries que já assisti. É uma sequência simples, mas extremamente eficaz do ponto de vista narrativo e estético. A câmera mostra Tony Soprano dirigindo, saindo de um túnel em Nova York, atravessando paisagens urbanas e industriais até chegar em sua casa, em Nova Jersey. Tudo é filmado a partir de dentro do carro, como se o espectador estivesse no banco do passageiro, acompanhando o trajeto. Ao fundo, a música “Woke Up This Morning”, da banda Alabama 3, dita o clima da série: sombrio, intenso e cheio de atitude. Uma abertura simples, simbólica e genial — que, com poucas imagens, já diz muito sobre o personagem, o ambiente e o tom da história que está por vir.
Um detalhe interessante é que no Brasil, a série ficou conhecida pelo nome “Família Soprano“.
Os Sopranos é uma aclamada série de televisão americana criada por David Chase, exibida originalmente entre 1999 e 2007 pela HBO. É considerada uma das melhores séries da história da TV.
🧠 Enredo principal:
A trama gira em torno de Tony Soprano, um mafioso ítalo-americano de Nova Jersey que tenta equilibrar sua vida como chefe do crime organizado com os desafios de sua vida familiar. Desde o início, ele passa por crises de ansiedade e começa a fazer terapia com a Dra. Jennifer Melfi, o que permite que o público tenha acesso ao seu lado mais humano e introspectivo.
🎭 Temas centrais:
Vida dupla (crime e família)
Saúde mental
Masculinidade tóxica
Lealdade, poder e traição
Declínio da máfia nos EUA
👥 Personagens principais:
Tony Soprano (James Gandolfini) – protagonista, líder mafioso e pai de família.
Carmela Soprano (Edie Falco) – esposa de Tony, que vive o dilema moral de apoiar um criminoso.
Dra. Jennifer Melfi (Lorraine Bracco) – terapeuta de Tony.
Christopher Moltisanti – sobrinho e protegido de Tony.
Paulie, Silvio, Junior Soprano – membros da máfia com diferentes relações com Tony.
🏆 Reconhecimento:
A série foi revolucionária na forma como retratou anti-heróis e trouxe temas psicológicos para o gênero policial. Recebeu diversos Emmys, Globos de Ouro e ajudou a consolidar a chamada “era de ouro da televisão”.
📺 Curiosidades:
O final da série é um dos mais discutidos da história da TV, marcado por sua ambiguidade.
Influenciou muitas outras séries com protagonistas moralmente ambíguos, como Breaking Bad e Mad Men.
“Os Sopranos” teve 6 temporadas, com um total de 86 episódios.
📅 Lançamento:
Ano de estreia: 10 de janeiro de 1999
Ano de encerramento: 10 de junho de 2007
🗂️ Divisão das temporadas:
Embora oficialmente sejam 6 temporadas, a 6ª temporada foi dividida em duas partes (às vezes tratadas como “6ª e 7ª” em algumas listagens):
Temporada 1 – 1999
Temporada 2 – 2000
Temporada 3 – 2001
Temporada 4 – 2002
Temporada 5 – 2004
Temporada 6 (Parte 1) – 2006
Temporada 6 (Parte 2) – 2007
A série teve pausas relativamente longas entre algumas temporadas, especialmente antes da última, o que aumentou a expectativa dos fãs.
Os motéis surgiram nos Estados Unidos no início do século 20 como uma resposta direta ao crescimento do uso de automóveis e à necessidade de hospedagem prática para viajantes. A palavra “motel” é uma junção de “motor” e “hotel”, significando literalmente um hotel para motoristas.
Origens:
Primeiro motel oficial: Foi o Milestone Mo-Tel, inaugurado em 1925 na cidade de San Luis Obispo, na Califórnia. Ele foi criado para acomodar viajantes de carro em viagens longas, oferecendo fácil acesso, estacionamento na porta e estadias rápidas.
Esses estabelecimentos eram simples, com quartos voltados para o estacionamento, permitindo aos hóspedes descarregar bagagens diretamente do carro.
Evolução:
Com o tempo, especialmente após a Segunda Guerra Mundial, os motéis se espalharam pelos EUA e depois por outros países.
No Brasil, os motéis ganharam uma conotação diferente: a partir da década de 1950-60, começaram a ser usados não só para hospedagem temporária, mas como espaços de privacidade para casais, especialmente devido a restrições sociais quanto à sexualidade e à moradia com os pais.
No Brasil:
Adaptaram-se com foco em discrição, privacidade e encontros amorosos.
Tornaram-se populares com entrada reservada, suítes temáticas, espelhos, banheiras, entre outros atrativos.
Em resumo, os motéis nasceram da necessidade prática de hospedagem para motoristas, mas em alguns países (como o Brasil) acabaram se especializando como locais voltados ao erotismo e à intimidade.
Milestone Mo-Tel, o primeiro motel do mundo, está abandonado.Em 2011 me hospedei em um motel, em Whashington – USA.
Estive recentemente visitando Portugal pela segunda vez. E, como nessa segunda visita pude conhecer melhor o país, algo me chamou muito a atenção: a quantidade de brasileiros que estão morando lá. Se continuar nesse ritmo, logo os portugueses vão deixar de falar seu português arcaico e começar a adotar o nosso, cheio de gírias. E por aí vai! Brasileiros e portugueses andam meio em pé de guerra por lá. Se os portugueses vacilarem, daqui a pouco deixam de ser nossos antigos colonizadores para virar nossa colônia — brincadeiras à parte, claro.
Conversando com amigos sobre isso, surgiu a pergunta: foi benéfico para o Brasil ter sido colonizado por Portugal? Abaixo, tento responder essa questão.
Do lado negativo (e a maioria dos historiadores concorda com isso):
Extermínio e opressão dos povos indígenas: Milhões de indígenas viviam no território antes da chegada dos portugueses. A colonização causou mortes em massa por doenças, guerras e escravização, além da destruição de culturas e línguas.
Escravidão brutal: Milhões de africanos foram sequestrados, trazidos à força para o Brasil e submetidos a séculos de trabalho escravo, com consequências sociais e raciais profundas que duram até hoje.
Economia de exploração: Portugal organizou o Brasil como uma colônia de extração: pau-brasil, cana-de-açúcar, ouro… Tudo era enviado para a Europa. A infraestrutura interna era mínima.
Dependência e atraso: A colonização não incentivou o desenvolvimento da educação, da indústria ou da autonomia. Quando o Brasil se tornou independente, era extremamente desigual e majoritariamente analfabeto.
Do lado de quem vê benefícios (visão mais tradicional, mas hoje bastante criticada):
Formação de uma identidade nacional: A colonização criou uma base linguística comum (o português) e certa unificação territorial, o que ajudou na formação do Brasil como país — ao contrário da fragmentação vista na América Espanhola.
Introdução de elementos culturais e tecnológicos europeus: Agricultura, criação de gado, escrita, arquitetura, religião (ainda que imposta)… Tudo isso chegou com os colonizadores. Mas é importante lembrar que veio acompanhado da destruição de culturas locais.
Inserção no sistema mundial: Como parte do Império Português, o Brasil esteve ligado ao comércio atlântico, o que em certos períodos trouxe crescimento econômico (como nos ciclos do açúcar e do ouro).
Em resumo:
Ser colonizado por Portugal foi mais prejudicial do que benéfico para os povos que viviam aqui e para o desenvolvimento autônomo do país. Os “benefícios” geralmente vieram acompanhados de muita violência, desigualdade e dominação. Muitos dos problemas sociais do Brasil hoje têm raízes diretas nesse passado colonial.
Analisando tudo isso, me peguei imaginando: será que teria sido melhor termos sido colonizados pelos ingleses, franceses, espanhóis ou holandeses? E a resposta é: talvez sim. O Brasil poderia ser mais desenvolvido se tivesse sido colonizado, por exemplo, pelos ingleses — especialmente se o modelo seguido fosse parecido com o de colônias como os Estados Unidos ou o Canadá.
Mas o problema não é só quem colonizou. É como foi feita a colonização. Mesmo os ingleses, com seu modelo mais institucionalizado, praticaram genocídios, escravidão e mantiveram desigualdades profundas. No fim das contas, todos os impérios europeus colonizaram com um objetivo em comum: lucrar — nunca “ajudar” os povos locais.
Ou seja, não importa quem nos colonizasse: de qualquer forma teríamos sido explorados, e as riquezas do Brasil teriam ido parar na Europa. No fim, o colonizado sempre se dá mal — independente de quem o coloniza.
✳️ Também conhecida como: Shackleton–Rowett Expedition
Nomeada assim devido ao patrocínio de John Quiller Rowett, amigo e financiador de Shackleton.
Contexto
Após a Primeira Guerra Mundial, Shackleton queria retornar à Antártida. Com as grandes descobertas da Idade Heroica praticamente concluídas, ele planejava uma nova expedição para: Explorar regiões desconhecidas do Oceano Antártico, especialmente em torno das ilhas subantárticas. Mapear e estudar a Ilha Bouvet (Noruega) e a costa do mar de Weddell.
🛳️ O navio: Quest
Pequeno baleeiro norueguês adaptado para exploração polar. Equipado com motor auxiliar (a vela era o principal meio de locomoção). Considerado inadequado para longas viagens antárticas — era lento e instável.
👨✈️ Liderança e equipe
Líder original: Sir Ernest Shackleton
Segundo em comando: Frank Wild (veterano das expedições anteriores)
Outros membros notáveis: Leonard Hussey (meteorologista), Frank Worsley (capitão do navio), James Marr e Norman Mooney, dois escoteiros britânicos escolhidos entre milhares — simbolizando a conexão da juventude com a exploração.
⚰️ A morte de Shackleton
Em 5 de janeiro de 1922, Shackleton morreu de ataque cardíaco a bordo do Quest, na Geórgia do Sul, pouco depois de chegar à ilha. Ele tinha apenas 47 anos. Shackleton foi sepultado ali mesmo, a pedido de sua esposa, tornando-se um símbolo eterno da presença britânica na região.
🧭 A continuação da expedição
Após a morte de Shackleton, Frank Wild assumiu o comando. A expedição tentou seguir os planos originais, mas teve vários problemas técnicos e climáticos. Enfrentou condições severas de gelo e mau tempo, dificultando a navegação. Realizou poucos estudos científicos e exploração limitada. Visitou a Geórgia do Sul, Tristão da Cunha, e outras ilhas do Atlântico Sul.
📉 Resultado e impacto
Considerada fracassada em termos de objetivos científicos e geográficos. No entanto, possui grande importância histórica, pois marca o fim da era dos grandes exploradores antárticos. Representa o encerramento simbólico da carreira de Shackleton, que foi um dos maiores líderes de expedições polares da história. Inspirou futuras gerações de exploradores.
🪦 Legado
O túmulo de Shackleton na Geórgia do Sul tornou-se um local de peregrinação para exploradores e admiradores. O navio Quest continuou em operação até 1962, quando afundou no Canadá. A expedição foi amplamente registrada em diários, fotos e filmes.
Shackleton em uma foto promocional.Shackleton e os escoteiros Marr e Mooney.O Quest passando pela Tower Bridge, Londres.O Quest passando pela Tower Bridge.O Quest no gelo marinho.O Quest ancorado na baía de Geórgia do Sul.
SOBRE A MORTE DE SHACKLETON
Quando o Quest chegou ao Rio de Janeiro, durante sua viagem rumo à Antártida, Ernest Shackleton sofreu um ataque cardíaco. Apesar disso, recusou-se a se submeter a um exame médico adequado. O navio seguiu viagem em direção ao sul e, em 4 de janeiro de 1922, chegou à Geórgia do Sul. Nas primeiras horas da manhã do dia seguinte, Shackleton chamou o médico da expedição, Alexander Macklin, à sua cabine, queixando-se de dores nas costas e outros sintomas. De acordo com o relato de Macklin, ele aconselhou Shackleton a diminuir o ritmo e a “levar uma vida mais tranquila”. Em resposta, Shackleton perguntou: — “Estão sempre me dizendo para desistir das coisas… do que exatamente devo desistir?” Macklin respondeu: — “Do álcool, Chefe.”
Pouco tempo depois, às 02h50min da madrugada de 5 de janeiro de 1922, Shackleton sofreu um ataque cardíaco fatal, em sua cabine no Quest. Macklin, responsável pela autópsia, concluiu que a causa da morte foi um ateroma das artérias coronárias, agravado por esforço físico durante um período de grande debilidade. Leonard Hussey, veterano da Expedição Transantártica Imperial, prontificou-se a acompanhar o corpo até a Inglaterra. No entanto, durante uma escala em Montevidéu, recebeu um telegrama de Emily Shackleton, esposa de Ernest Shackleton, pedindo que seu marido fosse sepultado na própria Geórgia do Sul. Hussey então retornou à ilha a bordo do Woodville. Em 5 de março de 1922, Shackleton foi enterrado no cemitério de Grytviken, após uma breve cerimônia realizada na igreja luterana local. Macklin escreveu em seu diário:
“Acredito que esta era a forma como ‘o Chefe’ gostaria de ser enterrado — sozinho, em uma ilha afastada da civilização, rodeado por mares tempestuosos e próximo do cenário de uma de suas maiores explorações.”
Cabine onde Shackleton morreu.O marco de Shackleton.Sepultamento de Shackleton, na Geórgia do Sul.
O TÚMULO DE SHACKLETON ATUALMENTE
Atendendo ao pedido de sua esposa, Ernest Shackleton foi sepultado na Geórgia do Sul — a mesma ilha onde, anos antes, havia encontrado abrigo e socorro após a épica travessia da Ilha Elefante a bordo do pequeno barco James Caird, em consequência do naufrágio do Endurance.
Túmulo de Shackleton
DICAS DE LIVROS SOBRE O ASSUNTO
Não encontrei nenhum livro em português, sobre a Expedição Quest.
A Expedição Endurance foi uma das mais impressionantes histórias de sobrevivência da Era Heroica da Exploração Antártica. Liderada pelo explorador britânico Ernest Shackleton, a expedição ocorreu entre 1914 e 1917, com o objetivo de atravessar a Antártica de costa a costa pelo Polo Sul. No entanto, o navio Endurance ficou preso no gelo do Mar de Weddell e acabou naufragando, dando início a uma extraordinária luta pela sobrevivência.
Contexto e Objetivo da Expedição
A Expedição Transantártica Imperial foi planejada por Shackleton para ser a primeira travessia do continente antártico. O plano consistia em desembarcar na costa do Mar de Weddell, atravessar o Polo Sul e emergir no Mar de Ross, onde um grupo de apoio deixaria suprimentos para a fase final da jornada. A tripulação era composta por 28 homens, incluindo cientistas, navegadores e marinheiros. O navio Endurance, um robusto veleiro de madeira de três mastros, partiu da Geórgia do Sul em 5 de dezembro de 1914.
O Naufrágio do Endurance
Pouco tempo após entrar no Mar de Weddell, o navio ficou preso no gelo em janeiro de 1915. Durante meses, a tripulação ficou a bordo, esperando que o gelo derretesse e liberasse o Endurance. No entanto, o gelo exerceu uma pressão esmagadora sobre o casco, e em 27 de outubro de 1915, Shackleton ordenou o abandono da embarcação. O navio afundou em 21 de novembro de 1915.
Sobrevivência no Gelo
Após o naufrágio, a tripulação passou meses vivendo sobre a banquisa (placa de gelo flutuante), sobrevivendo de estoques limitados de comida e da caça de focas e pinguins. Em abril de 1916, com o gelo se fragmentando, Shackleton ordenou que todos embarcassem em três botes salva-vidas rumo à Ilha Elefante, a mais próxima terra firme. Depois de cinco dias de viagem em condições extremas, os homens chegaram à Ilha Elefante, mas ainda estavam isolados e sem possibilidade de resgate.
A Jornada Heróica para o Resgate
Determinando que a única chance de salvação era buscar ajuda, Shackleton e cinco companheiros partiram no pequeno barco James Caird, em uma viagem épica de 1.300 km até a Geórgia do Sul. Durante 16 dias, enfrentaram ondas gigantes, frio extremo e tempestades violentas até chegarem à costa sul da ilha. Após desembarcar, Shackleton e dois homens ainda tiveram que cruzar a pé e sem mapas uma cordilheira montanhosa inexplorada até a estação baleeira de Stromness, onde finalmente conseguiram pedir socorro.
O Resgate e o Legado
Após várias tentativas frustradas devido ao gelo e às condições climáticas, Shackleton conseguiu voltar à Ilha Elefante a bordo do navio Yelcho, um rebocador da Marinha do Chile comandado por Luis Pardo. O resgate foi concluído em 30 de agosto de 1916, e todos os 28 homens sobreviveram, sem uma única perda.
A história da Expedição Endurance se tornou um dos maiores relatos de resistência, liderança e sobrevivência na história das explorações. Em 2022, os destroços do Endurance foram encontrados a 3.008 metros de profundidade no Mar de Weddell, extraordinariamente preservados.
Ernest Shackleton.O Endurance abrindo caminho no gelo.O Endurance, preso no gelo.O Endurance, preso no gelo.O Endurance, preso no gelo.O Endurance, sendo esmagado pelo gelo.Luta pela sobrevivência.Na Ilha Elefante.Em 2022, o Endurance foi encontrado no fundo do mar.
DICAS DE LIVROS SOBRE O ASSUNTO
Muitos livros sobre a Expedição Endurance foram publicados no Brasil. Li todos, e o que mais gostei foi Endurance – A Lendária Expedição de Shackleton à Antártida, de Caroline Alexander. Além de apresentar um relato bem escrito e detalhado sobre a expedição, o livro traz inúmeras fotos originais tiradas por Frank Hurley, o fotógrafo oficial da expedição. Ele embarcou no Endurance com a missão de documentar a primeira travessia a pé da Antártica. Embora a expedição não tenha alcançado seu objetivo, Hurley produziu um registro visual sem precedentes na história da fotografia.
Pequeno trecho do livro:
DIÁRIO DE SHACKLETON
O livro Sul – A Fantástica Viagem do Endurance foi escrito pelo próprio Shackleton e traz os relatos registrados em seu diário. É uma obra detalhada sobre a expedição, oferecendo um panorama completo da jornada. No entanto, em alguns trechos, a narrativa se torna cansativa, especialmente quando aborda aspectos técnicos da viagem, o que pode tornar a leitura monótona em certos momentos.
MAIS LIVROS SOBRE A EXPDIÇÃO ENDURANCE
Outros livros sobre a Expedição Endurance já foram publicados no Brasil, alguns com mais de uma edição por diferentes editoras. Ao comprar, fique atento para não adquirir um exemplar repetido, pois as capas podem variar entre as edições.
FILME
Foi feito um filme sobre a expedição Endurance, estrelado pelo ator Kenneth Branagh. Achei o filme muito ruim e não recomendo. Melhor ler qualquer um dos livros que citei acima do que perder tempo vendo o filme.
HISTÓRIA DO JAMES CAIRD
O James Caird era um dos três botes salva-vidas do navio Endurance, que ficou preso e acabou sendo esmagado pelo gelo no Mar de Weddell, na Antártida, em 1915. Após meses de sobrevivência no gelo, Shackleton e sua tripulação conseguiram alcançar a Ilha Elefante usando os botes. Porém, a ilha era inóspita e sem recursos suficientes para uma longa estadia.
Shackleton, determinado a buscar resgate, selecionou o James Caird, o maior e mais resistente dos botes, para uma ousada viagem de 1.300 km pelo traiçoeiro Oceano Antártico até a Geórgia do Sul, onde havia uma estação baleeira. No dia 24 de abril de 1916, Shackleton e cinco de seus homens zarparam da Ilha Elefante a bordo do James Caird. Enfrentaram tempestades, ondas gigantes e frio extremo por 16 dias, até finalmente alcançarem a Geórgia do Sul em 10 de maio de 1916. Depois, Shackleton e dois tripulantes ainda precisaram atravessar as montanhas da ilha a pé para chegar à estação baleeira de Stromness e conseguir o resgate para os demais homens.
O James Caird tornou-se um símbolo da resistência e habilidade náutica de Shackleton e sua equipe. O barco foi posteriormente restaurado e hoje está em exposição no Dulwich College, em Londres, onde Shackleton estudou quando jovem. A saga do James Caird é considerada uma das maiores histórias de sobrevivência e navegação da história marítima.
O James Caird, na Antártida, em 1915.
James Caird, no Dulwich College, em Londres.
PS: Há dois meses, estive em Londres e queria muito visitar o Dulwich College para ver o James Caird de perto. No entanto, as visitas ao barco só são permitidas às sextas-feiras, e como fiquei apenas cinco dias na cidade – chegando em uma sexta-feira à noite –, infelizmente não tive a oportunidade de conhecê-lo.
A Expedição Terra Nova, foi uma das mais famosas — e também trágicas — expedições à Antártida. Ela foi liderada pelo capitão Robert Falcon Scott entre 1910 e 1913, com o principal objetivo de alcançar o Polo Sul e realizar importantes estudos científicos.
🧭 Nome da Expedição:
Expedição Terra Nova (British Antarctic Expedition 1910–1913)
Nomeada a partir do navio Terra Nova, um antigo baleeiro reforçado para gelo. Organizada e financiada pelo governo britânico, instituições científicas e doações privadas.
🧑✈️ Líder: Robert Falcon Scott
Oficial da Marinha Real Britânica. Já havia liderado uma expedição anterior à Antártida (a Expedição Discovery, 1901–1904). Considerado um símbolo do espírito de exploração britânico da “Era Heroica da Exploração Antártida”.
🎯 Objetivos principais:
Alcançar o Polo Sul geográfico. Realizar pesquisas científicas extensas: meteorologia, biologia, geologia, glaciologia e magnetismo. Explorar áreas inexploradas do continente antártico.
🧊 Resumo da Jornada:
🚢Chegada à Antártida:
O Terra Nova partiu do Reino Unido em 1910 e chegou ao continente antártico em janeiro de 1911. A base principal foi estabelecida em Cabo Evans, na Ilha de Ross.
🐴🛷 Métodos de transporte:
Usaram pôneis da Manchúria, trenós puxados por cães e motores de neve (protótipos de snowmobiles) — mas todos com eficiência limitada. Grande parte da jornada final foi feita a pé, puxando trenós manualmente.
🧊❄️ Corrida ao Polo Sul:
Scott e sua equipe partiram rumo ao Polo Sul em 1º de novembro de 1911.
A equipe final era composta por: Robert Falcon Scott, Edward Wilson, Henry Bowers, Lawrence Oates e Edgar Evans.
Chegaram ao Polo Sul em 17 de janeiro de 1912, mas… Encontraram a bandeira da Noruega: Roald Amundsen havia chegado 34 dias antes, em 14 de dezembro de 1911.
“O pior já aconteceu. Todos os dias tenho que forçar minha mente a contemplar o retorno.”
– Robert Falcon Scott, em seu diário –
💀 A tragédia na volta:
A volta foi devastadora: clima extremo, exaustão, fome e ferimentos. Evans morreu em fevereiro de 1912 após sofrer uma queda. Oates, com graves problemas de saúde e temendo atrasar o grupo, saiu da barraca e nunca mais voltou. Scott, Wilson e Bowers morreram em 29 de março de 1912, presos por uma nevasca, a apenas 17 km de um depósito de suprimentos. Seus corpos foram encontrados oito meses depois por uma equipe de busca.
🔬 Resultados científicos:
Apesar da tragédia, a expedição trouxe: 2.100 kg de amostras geológicas, fósseis e registros meteorológicos. Importantes descobertas sobre a fauna antártica, como pinguins e focas. Fotografias e diários que documentaram o continente com precisão nunca antes vista.
🏛️ Legado da Expedição Terra Nova:
Heróico e controverso:
Scott foi visto como um herói trágico britânico, símbolo de bravura e sacrifício. Mas, com o tempo, historiadores questionaram sua liderança, logística e decisões estratégicas. Ainda assim, o espírito de perseverança e dedicação da equipe é lembrado com admiração.
Destaques:
Edward Wilson, médico, naturalista e artista, deixou ilustrações científicas valiosas. E a história de Oates, o homem que se sacrificou pelo grupo, virou lenda. O diário de Scott virou um clássico da literatura de exploração.
📚 Frase final de Scott no diário:
“For God’s sake look after our people.”
(Pelo amor de Deus, cuidem dos nossos.)
Essa frase marcou o encerramento da era heróica da exploração polar — uma mistura de ciência, coragem e tragédia.
O Terra Nova, a caminho da Antártida.Organizando suprimentos no acampamento em Cabo EvansO Capitão Scott escreve em seus aposentos.O navio Terra Nova.Alguns membros da expedição.Final da Geleira Barne na Ilha Ross.Homens da expedição, em seu alojamento.Um pinguim de adélia defende seu ninho.Grupo de trenó saindo para uma exploração.Dr. Wilson, Capt. Scott, Capt. Oates, Henry Bowers e Edgar Evans posam no Polo Sul. 18 de janeiro de 1912.Sepultura de Scott, Wilson e Bowers. Sepultados dentro da própria barraca, no local onde seus corpos foram encontrados congelados.A cabana de Scott, no Cabo Evans, está preservado até hoje na Antártida.
DICAS DE LIVROS SOBRE O ASSUNTO
A ÚLTIMA EXPEDIÇÃO
Traduzido para o português somente em 2002, os diários do capitão Robert Falcon Scott. O Livro conta sobre a Expedição do Terra Nova a Antártida e a famosa corrida pela conquista do Pólo Sul, em 1911. O capitão norueguês, Roald Amundsen, chegou ao ponto mais ao sul do planeta trinta e três dias antes do capitão inglês, Robert Falcon Scott, mas nem por isso ficou com toda a fama. Scott lutou bravamente até o final, apesar de todos os erros de planejamento e execução de sua expedição. Nesse livro, está a íntegra dos diários de Scott, inclusive suas cartas de despedida quando ele sabia que a morte era certa. Poucas expedições têm mais impacto de narrativa que a Expedição Polar de Scott, principalmente porque sabemos seu triste fim. Apesar disso, esse é um livro indispensável na estante de interessados nos temas aventura, Pólo Sul e determinação.
A PIOR VIAGEM DO MUNDO
Com prefácio de Amir Klink, esse é o relato da última expedição do capitão inglês Robert Falcon Scott à Antártida, escrito por um dos integrantes da expedição. Determinados a serem os primeiros a alcançar o Pólo Sul, os tripulantes do Terra Nova terminaram embarcando numa epopéia de fim catastrófico. Sob um frio de -40°C (que necrosava os pés) e tendo de contornar erros elementares de planejamento, Scott e quatro companheiros corriam contra o tempo para se adiantar à equipe capitaneada por Roald Amundsen. Chegaram ao Pólo um mês depois do norueguês. Morreram no caminho de volta, a apenas 17 quilômetros do depósito de alimentos mais próximo.
UM IMPÉRIO DE GELO
Um livro fascinante, que nos faz repensar a corrida entre Scott e Amundsen e considerar a ciência como a força motriz da exploração antártica e polar. No começo do século XX, a Antártida era o último continente ainda intocado pelo homem, e chegar primeiro ao Polo Sul era uma questão de honra. Em 1911, o norueguês Roald Amundsen e o inglês Robert Falcon Scott se lançaram numa verdadeira corrida ao ponto mais ao sul do planeta Amundsen chegou lá em 14 de dezembro, seguido pouco mais de um mês depois pela expedição de Scott, cujo grupo morreu no caminho de volta.
O ÚLTIMO LUGAR DA TERRA
Esse livro mostra que o triunfo de Amundsen não foi um acaso, ao vencer Robert Falcon Scott na corrida para ser o primeiro a chegar no Polo Sul geografico. O autor Roland Huntford, reconstitui a história da exploração polar desde seus primórdios e descreve em detalhe as duas expedições rivais. Acaba por desmontar corajosamente o mito de Scott como mártir do heroísmo britânico, revelando suas fraquezas como líder e a incompetência que marcou seu empreendimento. Com base em vasta pesquisa histórica, o livro recria passo a passo as jornadas paralelas de Amundsen e Scott, sem perder de vista, em nenhum momento, a dimensão trágica e humana dos acontecimentos. É um rigoroso trabalho historiográfico que se lê como um empolgante romance de aventura.
A Expedição Nimrod foi uma das expedições britânicas de exploração da Antártida, liderada por Ernest Shackleton entre 1907 e 1909. Oficialmente chamada de Expedição Antártida Britânica, ficou mais conhecida como Expedição Nimrod por causa do nome do navio utilizado: Nimrod.
🧭 Objetivos principais da expedição:
Alcançar o Polo Sul geográfico (nunca antes alcançado até então). Fazer pesquisas científicas e geográficas no continente antártico. Explorar o Monte Erebus, um vulcão ativo. Realizar observações magnéticas e geológicas.
🛳️ O navio Nimrod:
Era um pequeno baleeiro de madeira de 41 metros. Não era o mais adequado para gelo antártico, mas foi o que Shackleton pôde conseguir com os recursos disponíveis. Foi equipado e adaptado para suportar as condições extremas.
🧑🔬 Principais membros da expedição:
Ernest Shackleton – líder da expedição.
Jameson Adams, Eric Marshall e Frank Wild – integraram a equipe que acompanhou Shackleton na tentativa de alcançar o Polo Sul.
Edgeworth David – geólogo importante da expedição, liderou a subida ao Monte Erebus e a viagem ao Polo Sul magnético.
🏔️ Principais conquistas da Expedição Nimrod:
Tentativa de alcançar o Polo Sul (geográfico)
Shackleton, Adams, Marshall e Wild chegaram a 88°23′S, a apenas 180 km do Polo Sul, o mais longe que qualquer humano havia ido até então. Por falta de suprimentos e exaustão física, Shackleton tomou a difícil decisão de voltar, priorizando a vida da equipe — algo que ficou como um de seus legados éticos.
Primeira ascensão ao Monte Erebus
Liderada por Edgeworth David. Realizaram estudos vulcanológicos, o que foi notável para a época.
Descoberta do Polo Sul Magnético
Outra equipe da expedição (David, Douglas Mawson e Alistair Mackay) chegou ao Polo Sul magnético (na época) — uma façanha científica impressionante.
🔬 Resultados científicos:
Estudos importantes sobre geologia, magnetismo, biologia e meteorologia. Recolhimento de fósseis e amostras rochosas. Ajudou a mapear partes do continente antártico até então inexploradas.
📜 Legado da Expedição Nimrod:
Embora não tenha alcançado o Polo Sul, a expedição foi considerada um grande sucesso. Shackleton foi saudado como herói e nomeado cavaleiro pela Coroa Britânica (Sir Ernest Shackleton). Demonstrou liderança, ética e coragem, influenciando futuras expedições (como a de Scott em 1911 e a própria Endurance de Shackleton em 1914). Ajudou a abrir caminho para a conquista do Polo Sul por Roald Amundsen em 1911.
A expedição Nimrod foi a primeira a levar um automóvel (que tinha sido recém-inventado) para a Antártida, mas ele quebrava constantemente devido ao superaquecimento e ficava preso até mesmo na neve rasa.
O navio Nimrod.
Acampamento durante a caminhada até próximo ao Polo Sul.
Momento de descanso, rumo ao Polo Sul.
Primeiro automóvel na Antártida.
Shackleton e outros membros da expedição.
DICA DE LIVRO SOBRE O ASSUNTO
A EXPEDIÇÃO ESQUECIDA DE SHACKLETON
Uma emocionante história de ambição e aventura ao longo de uma jornada que até para seu protagonista pareceu incrível. No Ano Novo de 1908, Ernest Shackleton, um explorador ainda pouco conhecido, sedento da fama e riqueza, zarpou no seu pequeno navio – o Nimrod – rumo ao sul, até as misteriosas regiões da Antártida. Naquele ano, Shackleton realizaria um dos maiores feitos da sua carreira e se envolveria em grandes aventuras, para depois retornar à Inglaterra como herói. O autor – historiador especializado em exploração – baseia-se numa extensa pesquisa e em relatos verídicos. O livro é, por fim, um relato fiel da expedição que serviu de pano de fundo para a Endurance, a célebre expedição de Shackleton.
A Expedição Discovery foi a primeira expedição oficial britânica à Antártida no século XX, organizada principalmente por instituições científicas como a Royal Society e a Royal Geographical Society. Seu nome vem do navio RRS Discovery, construído especialmente para a missão. O objetivo era tanto científico quanto geográfico, incluindo estudos sobre a fauna, flora, clima, geologia e magnetismo, além da exploração do interior do continente antártico.
👤 Liderança e Participantes
Comandante: Capitão Robert Falcon Scott
Segundo em comando: Albert Armitage
Outros membros notáveis:
Ernest Shackleton – mais tarde lideraria suas próprias expedições à Antártida
Edward Wilson – médico, naturalista e artista
⚓ O Navio: RRS Discovery
Foi construído em Dundee, Escócia. Especialmente projetado para suportar o gelo antártico. Tinha propulsão mista: vela e vapor, e era equipado com laboratórios e espaço para estocagem de suprimentos por anos.
🎯 Objetivos Principais
Exploração geográfica do continente antártico, pesquisa científica nas áreas de: Biologia, Geologia, Oceanografia, Meteorologia e Magnetismo terrestre. Também tinha como objetivo, alcançar o ponto mais ao sul possível.
🗓️ Linha do Tempo
6 de agosto de 1901: Partida do Reino Unido
8 de fevereiro de 1902: Chegada à Ilha de Ross, na Antártida
1902–1904: Inverno em McMurdo Sound; exploração do planalto antártico e estudos científicos
Outubro de 1902: Início da viagem ao sul com Scott, Wilson e Shackleton
Avanço até 82°17′ S (recorde da época), condições extremas: escorbuto, cegueira por neve, fome. Shackleton ficou gravemente doente e foi enviado de volta antes da missão terminar.
Fevereiro de 1904: Discovery é libertado do gelo com ajuda de navios auxiliares (Morning e Terra Nova)
Abril de 1904: Retorno ao Reino Unido
🧪 Conquistas Científicas
Coleta de milhares de espécimes de plantas e animais, estudos meteorológicos e magnéticos detalhados, mapas topográficos de áreas inexploradas, primeiras descrições científicas do pinguim-imperador, registro fotográfico e artístico extenso da região.
🏔️ Conquistas Geográficas
Exploração do Planalto Polar Antártico, alcance recorde de latitude sul até então, descoberta de diversas formações geográficas, como: Planalto Antártico, Cadeias montanhosas e geleiras. O Vulcão Monte Erebus foi observado de perto.
⚠️ Dificuldades Enfrentadas
Condições climáticas extremas: frio, ventos e escuridão, doenças como escorbuto e congelamento, falta de experiência com trenós puxados por cães (usaram mais homens para puxar) e isolamento prolongado e problemas de moral.
🏆 Legado
Marco inicial da “Heroic Age of Antarctic Exploration” (Era Heroica da Exploração Antártica).
Formação de futuros líderes como Scott e Shackleton.
Estabeleceu métodos científicos e logísticos usados em futuras missões.
A Discovery foi preservada e hoje é um navio-museu em Dundee, Escócia.
Durante essa expedição, Robert Falcon Scott e Ernest Shackleton participaram juntos da mesma missão. Ambos viriam a se tornar dois dos nomes mais importantes da história da exploração antártida. No futuro, Scott morreria na Antártida durante a Expedição Terra Nova, enquanto Shackleton morreria a caminho da Antártida, durante a Expedição Shackleton-Rowett.
O navio Discovery.Membros da Expedição Discovery.Cabana da Expedição Discovery, na Antártida.Shackleton, Scott e Wilson.
DICAS DE LIVROS SOBRE O ASSUNTO
Nunca encontrei livros em português, sobre a Expedição Discovery.
Recomendo dois livros em inglês, ambos escritos por membros da tripulação do Discovery.
Livro escrito pelo Capitão Scott.Livro escrito por Edward Wilson.
A Expedição Franklin foi uma missão britânica de exploração ao Ártico liderada pelo explorador Sir John Franklin em 1845. O objetivo era encontrar a Passagem Noroeste, uma rota marítima que ligaria o oceano Atlântico ao Pacífico pelo norte do Canadá. A expedição partiu com dois navios, o HMS Erebus e o HMS Terror, transportando 129 tripulantes.
Inicialmente, a expedição parecia promissora. Franklin, de 59 anos, contava com a experiência de seus oficiais superiores, Francis Crozier e James Fitzjames, ambos veteranos da exploração polar. Além disso, o Erebus e o Terror haviam sido especialmente adaptados para enfrentar as adversidades do Ártico. Suas proas foram reforçadas com camadas extras de madeira e ferro para resistir ao gelo. As embarcações estavam equipadas com motores a vapor para complementar as velas, sistemas de aquecimento e equipamentos para a produção de água doce. O suprimento incluía gado, porcos e galinhas, além de três anos de sopas e vegetais enlatados. Essa era a maior, mais tecnológica e mais bem equipada expedição polar realizada até então.
A expedição partiu da Grã-Bretanha em 19 de maio de 1845. Franklin comandava o Erebus, com Fitzjames como seu segundo em comando, enquanto Crozier era o capitão do Terror. Os navios fizeram uma última parada na Groenlândia para reabastecimento. No final de julho de 1845, dois navios baleeiros avistaram o Terror e o Erebus na Baía de Baffin, Canadá, antes de a expedição desaparecer na imensidão gelada. Nenhum homem branco os viu novamente.
Por dois anos, não houve qualquer notícia de Franklin ou sua tripulação. Em 1848, Lady Jane Franklin, segunda esposa do explorador, persuadiu o Almirantado Britânico a lançar um dos maiores esforços de busca da história naval. No entanto, a expedição havia se transformado em uma das maiores tragédias da exploração polar. Ambos os navios ficaram presos no gelo no Estreito de Victoria, obrigando os tripulantes a abandoná-los. A marinha britânica conduziu buscas extensivas, mas encontrou poucos corpos e nenhum vestígio das embarcações. Demorou quase 170 anos para que o Erebus e o Terror fossem finalmente localizados, naufragados nas águas árticas do Canadá.
Durante anos, expedições terrestres e marítimas vasculharam a região em busca de pistas, encontrando apenas alguns artefatos e restos humanos dispersos. Análises forenses revelaram que os tripulantes sofreram de fome, escorbuto e envenenamento por chumbo, possivelmente causado pelos mantimentos enlatados. Estudos também identificaram marcas de corte em alguns ossos, sugerindo que, em desespero, os homens recorreram ao canibalismo. A maioria da tripulação simplesmente desapareceu.
A busca pela expedição perdida de Franklin continuou ao longo dos séculos XIX e XX. Uma sequência aproximada de eventos foi reconstruída com base em expedições de busca, relatos orais inuítes e análises de exploradores. Um dos achados mais importantes foi a “Nota de Victory Point”, escrita por Crozier e Fitzjames e datada de 25 de abril de 1848. Descoberta em 1859 dentro de um marco de pedra na Ilha King William, a nota revelou que a expedição passou o inverno de 1845-1846 na Ilha Beechey e, no verão de 1846, seguiu pelo Estreito de Peel. No entanto, os navios ficaram presos no gelo, forçando os tripulantes a passar dois invernos seguidos na Ilha King William. Sir John Franklin faleceu em 11 de junho de 1847. Crozier, Fitzjames e os sobreviventes abandonaram os navios e tentaram chegar ao continente canadense através da região do rio Back River, uma jornada de 400 quilômetros. Relatos inuítes (indigenas que vivem no Ártico) mencionam que 35 a 40 homens brancos morreram próximo à foz do Back River, mas o destino dos demais tripulantes permanece desconhecido.
No início da década de 1980, pesquisadores canadenses realizaram um estudo que durou mais de cinco anos. Autorizados pelo governo do Canadá, eles exumaram e realizaram autópsias em três corpos de membros da Expedição Franklin. Eram os primeiros tripulantes a falecer e haviam sido enterrados pela própria expedição. Suas localizações eram conhecidas há décadas. Enterrados em solo congelado, os corpos estavam incrivelmente preservados, dando a impressão de que poderiam simplesmente acordar, apesar de terem morrido há mais de um século. Um dos pesquisadores envolvidos na exumação era descendente de um dos falecidos, vivendo um momento único e emocional ao olhar e tocar um ancestral perdido no tempo. Utilizando tecnologia de ponta do final do século XX, os cientistas conduziram um verdadeiro trabalho de CSI histórico, tentando desvendar o que levou à morte daqueles homens e lançando luz sobre o trágico destino da expedição.
O mistério dos navios foi finalmente resolvido graças a uma combinação de pesquisa histórica, relatos orais inuítes e tecnologia subaquática moderna. O Erebus foi localizado em 2014 no Golfo Queen Maud, e o Terror, em 2016, na Baía do Terror. Ambos os naufrágios estavam próximos da Ilha King William, onde os homens haviam tentado sobreviver. Diversos artefatos foram recuperados por mergulhadores, oferecendo novas pistas sobre os últimos dias da expedição.
Essas descobertas ressaltam a importância das narrativas inuítes na investigação da tragédia. Por décadas, os relatos dos povos indígenas sobre sofrimento, canibalismo e o destino da tripulação foram ignorados pelos pesquisadores britânicos. Apenas no século XXI esses testemunhos foram levados a sério, revelando-se inestimáveis para a compreensão do desastre. Hoje, a tragédia da Expedição Franklin é reconhecida como um dos eventos mais marcantes da história da exploração polar.
Sir John Franklin.
Latas de comida, que perteceram a Expedição Franklin.
Gravura do Erebus e do Terror.
Exumação de membro da Expedição Franklin.
Exumado 130 anos após sua morte.
DICAS DE LIVROS SOBRE O ASSUNTO
CONGELADOS NO TEMPO
É um livro que investiga o mistério da Expedição Franklin, uma missão britânica ao Ártico em 1845. A obra detalha as escavações realizadas nos anos 1980, quando pesquisadores exumaram três corpos incrivelmente preservados de tripulantes enterrados na Ilha Beechey. As análises forenses revelaram sinais de fome, escorbuto e envenenamento por chumbo, possivelmente causado pelas latas de comida contaminadas. Com uma abordagem quase CSI histórico, o livro combina ciência, história e investigação para explicar como a tripulação sucumbiu ao frio extremo e às condições adversas do Ártico.
MIRAGEM POLAR
O que transformou a maior expedição ártica do século XIX na maior tragédia de que se tem noticia? Miragem Polar, investiga um dos mistérios mais duradouros nos anais da exploração – duas embarcações da mais poderosa marinha do mundo, ultramodernas para seu tempo, HMS Erebus e HMS Terror, 129 homens escolhidos a dedo, um comandante que sobreviveu a três viagens árticas anteriores, desaparecidos sem sinal de vida. O que aconteceu? Por um século e meio a pergunta sobre o que aconteceu com a expedição Franklin, o pior desastre nos anais das viagens polares – permaneceu um mistério. Agora, baseado em pesquisa realizada no Almirantado Britânico, o autor recria a saga completa da malsucedida expedição e chega a uma conclusão aterradora para um dos mais longos enigmas da história das explorações humanas. Esta obra é para quem aprecia literatura de aventuras.
SÉRIE THE TERROR
The Terror é uma série de televisão, que estreou em 26 de março de 2018. Baseada no romance homônimo de Dan Simmons, a produção mistura história e ficção, explorando o mistério da Expedição Franklin, desaparecida no Ártico em 1845. Embora a série apresente eventos e personagens reais, ela incorpora elementos fictícios para preencher as lacunas da história, já que o destino exato da expedição ainda é desconhecido. Um dos aspectos mais marcantes da narrativa é a presença de uma criatura sobrenatural, que ataca e aterroriza a tripulação. Apesar das liberdades criativas, The Terror oferece uma ambientação detalhada e realista das condições extremas enfrentadas pelos exploradores, tornando-se uma excelente introdução ao tema. No Brasil, a série está disponível no Amazon Prime Video.
Como faço nos últimos anos, estou escrevendo sobre os filmes que concorrem ao Oscar de Melhor Filme. Este ano, consegui assistir ao último filme concorrente três dias antes da cerimônia de entrega do Oscar. Bem melhor do que no ano passado, quando vi o último filme faltando apenas uma hora para a cerimônia.
Novamente, tive bastante dificuldade para assistir a alguns filmes. No cinema da minha cidade, a maioria ainda não foi exibida, e alguns nem chegarão a ser. Dos dez filmes concorrentes, assisti a um no cinema, a outro no avião durante uma viagem e aos outros oito em casa, na TV, por meio de diversos serviços de streaming.
Diferentemente do ano passado, quando havia muitos filmes bons entre os dez concorrentes, este ano achei a maioria dos filmes bastante fraca. E, como acontece todo ano, minha lista de preferências foi mudando à medida que eu assistia aos filmes. Pela primeira vez desde que comecei a postar sobre os concorrentes ao Oscar, acredito que minha primeira opção será a vencedora na categoria de Melhor Filme.
Os filmes concorrentes, na ordem de minha preferência:
1° – O brutalista
A trama explora a vida de um controverso arquiteto e suas criações que desafiam as normas sociais. O arquiteto e sua esposa fogem da Europa devastada pela guerra em busca de um novo começo na América. Na jornada da reconstrução do legado, eles passam a testemunhar o surgimento da América moderna e se deparam com uma oportunidade que pode mudar suas vidas para sempre.
O filme é longo, com mais de três horas de duração. Em alguns cinemas, há um intervalo de 15 minutos no meio da exibição para que o público possa ir ao banheiro. Achei o filme muito interessante, com algumas cenas bastante fortes. Foi bom ver Guy Pearce de volta a um grande papel. Acredito que o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante deve ficar com ele ou com Edward Norton.
2° – Um completo desconhecido
Biografia sobre a vida de Bob Dylan. Situado na cena musical de Nova York do início dos anos 1960, Dylan, o jovem músico de Minnesota, tem apenas 19 anos e caminha rumo à sua ascensão na música. Passando de cantor folk, para as salas de concerto e ao topo das paradas, culminando em sua performance inovadora de rock and roll elétrico no Festival Folclórico de Newport em 1965, definindo um dos momentos mais transformadores da música do século XX.
Foi o último dos dez filmes que assisti. Achei bem feito e bem ambientado na década de 1960. A história de Bob Dylan, cantor de quem conheço poucas músicas, é envolvente e agradável de assistir. Na tela, vê-se o talento superando as dificuldades e alcançando o sucesso. Demorei para reconhecer o Edward Norton no filme. Ele está bastante envelhecido. Para quem já fez o papel do Incrivel Hulk, fica estranho ver ele envelhecido no filme. O pior é que ele é somente um ano mais velho do que eu…
3° – Ainda estou aqui
Este drama brasileiro, dirigido por Walter Salles, narra a luta de uma mulher em busca de seu marido desaparecido durante a ditadura militar no Brasil. Ainda Estou Aqui se passa no Brasil, em 1970 e é uma adaptação do livro autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva sobre sua mãe, Eunice Paiva. A dona de casa se vê obrigada a virar ativista de direitos humanos após o desaparecimento de seu marido.
Fernanda Torres é uma excelente atriz e está muito bem no filme. Mas, apesar de torcer por ela, não acredito que vença o Oscar de Melhor Atriz. Na minha opinião, o prêmio vai para Demi Moore. Também não acho que o filme vencerá na categoria de Melhor Filme, mas acredito que tenha boas chances de ganhar como Melhor Filme Internacional – e digo isso mesmo sem ter assistido aos outros concorrentes da categoria.
No geral, gostei do filme, que, sendo uma produção nacional, é muito bom – algo raro de acontecer. Além disso, gosto de Marcelo Rubens Paiva, autor do livro no qual o filme foi baseado. A história gira em torno do pai do escritor. Já li outros livros dele, e todos foram ótimos.
No entanto, o filme tem seus problemas, pois é enviesado. Até mataram um cachorrinho na história para sensibilizar o público. A trama retrata uma família burguesa, de um ex-deputado da época, que morava em frente à praia e até possuía telefone – algo surreal para a maioria das pessoas naqueles tempos. Além disso, colocaram uma empregada branca, o que não era comum na época. Será que fizeram isso para ser politicamente corretos? Pesquisei, mas não consegui descobrir a verdadeira cor da pele da empregada.
Outro ponto é que o filme só mostra um lado da história. Ele retrata os militares como monstros – o que, de fato, eram –, mas não menciona que os militantes de esquerda também cometeram abusos. Os grupos de esquerda sequestraram, mataram, roubaram bancos, explodiram bombas e atacaram instalações militares e policiais. Era uma guerra, com exageros e violência de ambos os lados. Quem tinha mais poder, sofria menos. No caso da história contada no filme, quem sofreu foi Rubens Paiva e sua família.
Se, por um milagre, o filme vencer como Melhor Filme, acredito que será um tipo de protesto contra o crescimento da direita no mundo – especialmente nos Estados Unidos, terra do Oscar e da maioria dos membros da Academia, que votam e escolhem o vencedor. Da lista de dez filmes, foi o único que vi no cinema.
4° – A substância
Este filme de terror psicológico explora os limites da mente humana e as consequências de experiências científicas não convencionais. Uma celebridade em declínio que enfrenta uma reviravolta inesperada ao ser demitida de seu programa fitness na televisão. Desesperada por um novo começo, ela decide experimentar uma droga do mercado clandestino que promete replicar suas células, criando temporariamente uma versão mais jovem e aprimorada de si mesma.
Foi o primeiro dos dez filmes concorrentes que assisti. É um filme um pouco complexo, mas interessante. Ele mostra até que ponto certas pessoas, que não aceitam as marcas do tempo em seus rostos e corpos, chegam para tentar permanecer jovens — algo impossível. O filme me fez lembrar das notícias que surgem frequentemente no noticiário, mostrando pessoas que morreram ao fazer cirurgias plásticas ou outras intervenções na busca por melhorar seus corpos. Essas pessoas arriscam a saúde e até a vida para ficarem mais bonitas e, muitas vezes, acabam perdendo a vida nesse processo. Achei o final péssimo e de muito mau gosto. Se o filme tivesse terminado cinco minutos antes, teria sido melhor. E quem é fã da Demi Moore, vai curtir, pois ela fica nua boa parte do filme.
5° – Conclave
O filme mergulha nos bastidores da eleição de um novo Papa, revelando intrigas e segredos do Vaticano. Um arcebispo é escolhido a dedo pelo papa anterior antes de morrer, como o encarregado de conduzir esse processo confidencial, o conclave. Sem entender o motivo, o cardeal acaba no centro de uma conspiração e de um choque de interesses que não só abalarão sua fé, mas também os alicerces da Igreja Católica.
Achei que não ia gostar, mas acabei gostando do filme, que mostra o processo altamente secreto da escolha de um Papa. Só não gostei do final; achei que ele estragou o filme. Ao ver os cardeais no filme discutindo, destilando vaidade e tentando puxar o tapete uns dos outros na busca pelo poder, lembrei-me dos sete anos em que trabalhei com os padres jesuítas. No trabalho com os padres, cansei de ver atitudes iguais às que vi no filme. Onde há poder e dinheiro, até mesmo religiosos podem acabar deixando Deus de lado, na busca de mais poder.
6° – Anora
A jovem e bela Anora é uma trabalhadora do sexo da região do Brooklyn, nos Estados Unidos. Em mais uma noite de trabalho, a garota descobre que pode ter tirado a sorte grande, uma oportunidade de mudar o seu destino: ela acredita ter encontrado o seu verdadeiro amor após se casar impulsivamente com o filho de um oligarca, o herdeiro russo Ivan.
Nem sei o que dizer sobre esse filme. Hoje li em um site que ele está despontando de última hora como um sério concorrente ao Oscar de Melhor Filme. A atriz principal abusa das cenas de nudez, e a história é meio bobinha e sem graça. Talvez o filme esteja cheio de mensagens que o pessoal da Academia do Oscar consegue captar e adorar, assim como os críticos de cinema gostam de comentar. Eu, no entanto, não vi nada além de um filme fraco e sonolento.
7° – Nickel boys
O filme aborda as injustiças sofridas por jovens afro-americanos em uma escola reformadora no sul dos Estados Unidos. Dois jovens negros norte-americanos, Elwood e Turner, tornam-se melhores amigos enquanto vivem uma das experiências mais cruéis de sua juventude: a detenção em um reformatório no ápice da aplicação das leis segregacionistas.
Quando li a sinopse do filme e vi que era baseado em uma história real, fiquei animado para assistir. Mas, ao ver o filme, foi uma grande decepção. Simplesmente não gostei do que vi. Além disso, tentaram um enquadramento diferente ao gravar muitas cenas, e, em vários momentos, dá a impressão de que o cinegrafista filmou estando deitado no chão. Filme ruim!
8° – Wicked
É uma adaptação do famoso musical da Broadway, o filme reimagina a história das bruxas de Oz antes da chegada de Dorothy. O filme conta a inesperada amizade entre Glinda e Elphaba, antes de serem conhecidas por toda Terra de Oz como a Bruxa Boa e a Bruxa Má do Oeste. No início de suas juventudes, cada uma está à procura dos próprios desejos, mas caminhos tão diferentes podem trazer olhares distintos sobre a verdade. Essa é a história não contada da Bruxa Boa e da Bruxa Má do Oeste.
Filme meio bobinho, com um toque de musical cansativo. Foi difícil assistir até o final, e acabei cochilando algumas vezes. Acredito que também esteja cheio de mensagens subliminares, inclusive sobre racismo, já que uma das personagens principais é verde e sofre discriminação por isso. No entanto, não percebi nem entendi nenhuma mensagem subliminar ou explícita no filme.
9° – Emilia Pérez
O filme conta a história de uma mulher transgênero enfrentando desafios pessoais e sociais. Tudo muda quando uma proposta indispensável surge para a advogada Rita: ajudar um temido chefe de cartel a sumir por definitivo e viver seu verdadeiro eu fora do radar das autoridades.
Sinceramente, não entendo como esse filme conseguiu 13 indicações ao Oscar. É péssimo! Um meio musical, com várias músicas ruins sendo cantadas ao longo da trama. Para piorar, assisti dentro de um avião, sobrevoando o Atlântico, em meio a muita turbulência. Detestei tanto a experiência quanto o filme!
10° – Duna: Parte 2
É a sequência da épica saga de ficção científica, que continua a jornada de Paul Atreides em um deserto cheio de perigos e intrigas políticas. Paul Atreides se une a Chani e aos Fremen enquanto busca vingança contra os conspiradores que destruíram sua família.
Já não gostei do primeiro filme, e a continuação me pareceu ainda pior. Não tenho nada a acrescentar, exceto um conselho: não assista, não perca seu tempo!
Após dormir até um pouco mais tarde, chegou a hora de levantar e terminar de arrumar minhas coisas para ir embora. Após vários dias de viagem, já estava sentindo saudades de casa, principalmente da minha cama, pois há dias vinha sentindo dores nas costas por não ter me adaptado às camas onde dormi.
Tudo ajeitado e, pouco antes do meio-dia, fizemos o check-out no hotel. Antes de seguir para o aeroporto, resolvemos almoçar em um Nando’s, que é um restaurante que serve comida indiana. Por ser hora do almoço, o restaurante estava cheio; inclusive, havia alguns indianos de turbante almoçando no local. Na Inglaterra, vivem muitos indianos que, por vários motivos, se mudaram para a terra de seus colonizadores. Para evitar surpresas, olhei o cardápio de ponta a ponta duas vezes e escolhi um sanduíche. Como sou muito chato para comer, prefiro não arriscar em lugares onde vou comer pela primeira vez.
Após almoçar, atravessamos a rua em frente e entramos na estação de metrô Southwark. Até o aeroporto de Heathrow, foi quase uma hora de viagem, e tivemos que trocar de metrô em uma estação quase no meio do caminho. Para evitar problemas, sempre procuramos chegar bem cedo aos aeroportos.
Fomos para a fila de check-in da Latam e ficamos quase uma hora esperando abrir. Então, fizemos o check-in, despachamos nossas malas e fomos passar pela imigração. Sair de um país sempre é mais fácil do que entrar, então não tivemos problemas. Em seguida, fomos para a sala VIP da British Airways, que é parceira da Latam. Ficamos o resto da tarde e o começo da noite na sala VIP, conversando, descansando, comendo e bebendo. Tínhamos à disposição vários freezers de bebidas, principalmente latas de refrigerante pequenas, de 150 ml. Eu e o Wagner bebemos várias latas. Acabei provando uma Ginger Ale cítrica. Adorei esse refrigerante e só não bebi mais porque não tinha espaço no estômago. A Ginger Ale é um refrigerante à base de gengibre. As opções de comida disponíveis eram bem inglesas, e provei algumas com moderação. Acabei gostando de um feijão enorme, com carne de ovelha, que mais parecia uma feijoada feita com feijão marrom. Exagerei e, depois, fiquei passando mal antes, durante e após o voo.
Pouco antes das 21 horas, horário local, embarcamos no avião. Mais uma vez, viajaríamos na classe executiva. Dessa vez, fiquei em um canto, bem no final da classe executiva, e meu irmão ficou em uma poltrona à minha frente. A viagem até o Brasil teria duração de onze horas, o que, mesmo na classe executiva, é desgastante. Serviram o jantar menos de duas horas após a partida. A sobremesa, assim como na ida, era sorvete. Só que, dessa vez, não era Häagen-Dazs. Como eu era o último da fila, não tive opção de escolher o sabor, e me trouxeram um sorvete de chocolate com pedaços de laranja, de uma marca inglesa cujo nome não lembro. O sorvete era horrível, e não sei por que comi tudo. Eu, que já estava mal do estômago, fiquei ainda pior. Não conseguia dormir e vi dois filmes e seis episódios de uma série. Só consegui dormir quando começamos a sobrevoar o Brasil. E justo quando comecei a dormir, iniciou-se uma turbulência severa.
O resto da viagem se resume ao desembarque em São Paulo e, depois, pegar um voo de conexão para Maringá. Lá, passei o resto do dia e, no começo da noite, peguei meu carro, que tinha ficado na garagem do prédio do meu irmão, e segui para minha cidade, minha casa, meus gatos e minha cama querida…
Essa minha terceira viagem para a Europa foi muito legal. Conheci muitos lugares interessantes, conheci pessoas legais, provei comidas novas e diferentes. No geral, não tenho nada a reclamar. Só tenho a agradecer a Deus por tudo ter dado certo, mesmo com os pequenos perrengues que passei, e ao meu irmão pelo convite para viajar com ele, mesmo que tenha sido meio de última hora. No geral foi uma viagem inesquecível!
Deixando o hotel em Londres.
O sanduiche indiano do Nando´s.
E estação Southwark, que ficava quase ao lado do hotel.
Big Ben é um grande sino instalado na torre noroeste do Palácio de Westminster, sede do Parlamento Britânico, localizado em Londres. O nome oficial da torre era originalmente Clock Tower, mas foi renomeada como Elizabeth Tower em 2012 para marcar o Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth II. A torre foi inaugurada durante a gestão de Sir Benjamin Hall, ministro de Estado da Inglaterra, em 1859.
A torre abriga o maior relógio de quatro faces do mundo e é a décima quarta torre de relógio mais alta do planeta. Construída em estilo neogótico, possui 96 metros de altura, tendo sido concluída em 1858 e iniciando suas atividades em 7 de setembro de 1859.
A Torre do Big Ben é um ícone cultural britânico, um dos símbolos mais proeminentes do Reino Unido, frequentemente presente em filmes, séries de televisão e documentários ambientados em Londres.
Em 15 de fevereiro de 1952, o sino tocou 56 vezes, uma por minuto, durante o funeral do Rei Jorge VI, falecido aos 56 anos. Em 27 de julho de 2012, tocou por 3 minutos (das 8h12 às 8h15) para anunciar a abertura dos Jogos Olímpicos de Verão de 2012. Essa foi a primeira vez que o sino tocou fora de sua programação normal desde o funeral de Jorge VI.
História e Construção
A Elizabeth Tower, anteriormente chamada Clock Tower e popularmente conhecida como Big Ben, foi erguida como parte do projeto de Charles Barry para a reconstrução do Palácio de Westminster, após um incêndio devastador em 16 de outubro de 1834. Barry, o arquiteto-chefe, contou com a colaboração de Augustus Pugin para o projeto da torre do relógio, inspirado nos trabalhos anteriores de Pugin, como Scarisbrick Hall, em Lancashire. Esse foi o último projeto de Pugin antes de sua morte.
A torre possui uma estrutura de 96 metros de altura. Os primeiros 61 metros são compostos de alvenaria revestida de calcário Anston, enquanto o restante da torre é de ferro fundido. A base da torre é quadrada, com 15 metros de lado e feita de concreto com 3 metros de espessura, situando-se a 4 metros abaixo do nível do solo. Os mostradores do relógio estão localizados a 55 metros do chão, e o volume interno da torre é de 4.600 metros cúbicos.
Apesar de ser uma das atrações turísticas mais famosas do mundo, o interior da torre não está aberto a visitantes estrangeiros. Apenas residentes do Reino Unido podem agendar visitas através de seus parlamentares. A torre também não possuía elevador, mas um está sendo instalado, eliminando a necessidade de subir seus 334 degraus.
Inclinação da Torre
Devido a mudanças nas condições do solo, a torre sofreu uma ligeira inclinação para o noroeste. Em outubro de 2011, a inclinação era de 0,26 graus, resultando em um desvio de meio metro entre a base e o topo. Especialistas indicam que a inclinação aumentou desde 2003, sem razão aparente. No entanto, autoridades britânicas afirmam que levaria cerca de 10 mil anos para que a torre atingisse uma inclinação crítica semelhante à da Torre de Pisa.
O Relógio
Os quatro mostradores do relógio foram projetados por Augustus Pugin. Cada um tem 7 metros de diâmetro e contém 312 peças de vidro opaco, similares a vitrais. As molduras das bases são douradas, e na base de cada marcador há a inscrição em latim: “DOMINE SALVAM FAC REGINAM NOSTRAM VICTORIAM PRIMAM” (“Deus Salve Nossa Rainha Vitória I”).
O mecanismo do relógio foi projetado pelo horologista Edmund Beckett Denison e pelo astrônomo real George Airy, e construído pelo relojoeiro Edward John Dent. A precisão do relógio é ajustada adicionando ou removendo moedas de cobre no pêndulo. Cada moeda altera a velocidade em 0,4 segundos por dia. O relógio é manualmente acionado três vezes por semana, levando cerca de 1,5 horas.
O Sino Big Ben
O sino original, fundido em 1856 pela John Warner & Sons, pesava 16 toneladas, mas rachou antes de ser instalado. O sino atual, fundido em 1858 pela Whitechapel Bell Foundry, pesa 13,76 toneladas e tem 2,74 metros de diâmetro. Foi erguido na torre em uma operação de 18 horas. Em setembro de 1859, o sino rachou novamente. Para repará-lo, um pedaço de metal foi removido e o martelo foi reposicionado. Desde então, o som do sino é ligeiramente diferente.
Impacto Cultural e Manutenção
O Big Ben é um dos símbolos mais icônicos do Reino Unido. Seu som é transmitido pela BBC Radio 4 desde 1923. A torre passou por uma grande restauração entre 2017 e 2021, com um orçamento que ultrapassou 80 milhões de libras. As obras incluíram a remoção de telhas de ferro fundido, instalação de um elevador e restauração da cor original azul da Prússia nos mostradores do relógio.
Após quatro anos de trabalho, a torre foi reinaugurada em novembro de 2021, a tempo para as festividades de Ano Novo. O Big Ben continua sendo um dos monumentos mais reconhecidos e admirados no mundo inteiro.
Saímos cedo do hotel e fomos pegar o metrô na estação ao lado. Fazia mais um dia de frio e céu nublado. Eu queria visitar a casa do Capitão Scott, o explorador polar que morreu na volta do Polo Sul. Em Londres, as casas onde personagens famosos da história moraram são sinalizadas com uma placa azul. Existe um aplicativo que mostra, num mapa da cidade, onde ficam essas casas.
A casa de Scott era a única que me interessava visitar. Na verdade, a visita se resumia a tirar uma foto em frente à casa, pois entrar nela estava fora de questão, já que foi modificada e tem novos moradores, que com certeza não devem gostar de visitantes estranhos. Pegamos o metrô até perto do local onde a casa ficava e depois um Uber.
Desci em frente à casa, tirei algumas fotos e fiquei observando-a por uns dois minutos, tentando imaginar o que se passava pela cabeça do Capitão Scott quando saiu dali pela última vez, em 1910, para seguir rumo à Antártica numa expedição de três anos da qual não voltou. O local devia ser um pouco diferente e mais calmo do que é atualmente.
Notei que, um pouco antes da casa do Capitão Scott, havia uma plaquinha na porta de outra casa informando que Bob Marley morou ali. Como não gosto de Bob Marley nem de suas músicas, não tive o menor interesse em tirar uma foto da casa onde ele viveu em 1977. Depois dessa visita, voltamos a estação do metrô e fomos rumo ao Palácio de Buckingham.
Descemos numa estação próxima ao Palácio de Buckingham. Atravessamos um grande parque e chegamos em frente ao Palácio, bem na hora da troca da guarda. O local estava cheio de gente, a maioria turistas. Também havia muitos policiais. O Palácio de Buckingham é ao mesmo tempo escritório e residência da família real quando eles estão em Londres. O Palácio também sedia cerimônias oficiais, como banquetes para chefes de Estado visitantes. Cerca de 500 pessoas trabalham no Palácio, incluindo funcionários para assuntos oficiais e domésticos do Rei Charles. A casa original que existia no local foi transformada em Palácio entre 1820 e 1830. A Rainha Vitória foi a primeira monarca a morar no Palácio, de 1837 a 1901.
Assistimos à troca da guarda e tiramos fotos em frente aos enormes portões do Palácio. Depois, ficamos um tempo em uma pequena praça em frente, onde existem muitas esculturas, inclusive uma da Rainha Vitória. Seguimos nosso passeio e fomos caminhando até a Abadia de Westminster. A Abadia é o lugar de descanso final da maioria dos monarcas britânicos e onde se realizam também as coroações e outros grandes eventos que envolvem a família real. Para entrar na Abadia, havia uma fila gigantesca e desistimos de visitá-la. Do outro lado da rua, em frente à Abadia, há uma praça repleta de estátuas de figuras importantes. Gostei muito da estátua de Gandhi. Havia uma manifestação nos arredores, com muitos carros travando o trânsito e um buzinaço sem fim.
Seguimos nosso passeio e chegamos à esquina do Parlamento. Há mais de 500 anos o Palácio de Westminster é a sede das duas Casas do Parlamento: a dos Lordes e a dos Comuns. Seria algo parecido com a nossa Câmara dos Deputados e o Senado, mas o sistema inglês é o parlamentarismo, que é bastante diferente do nosso sistema presidencialista. Num dos cantos do prédio do Palácio de Westminster fica o famoso Big Ben.
O Big Ben é um grande sino instalado na torre noroeste do Palácio de Westminster. O nome oficial da torre em que o Big Ben está localizado era originalmente Clock Tower, mas ela foi renomeada como Elizabeth Tower em 2012 para marcar o Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth II. A torre foi inaugurada durante a gestão de Sir Benjamin Hall, ministro de Estado da Inglaterra, em 1859. A torre do Big Ben é um ícone cultural britânico, um dos símbolos mais proeminentes do Reino Unido e frequentemente aparece em cenas de filmes, séries de televisão, programas ou documentários ambientados em Londres. O sino do Big Ben toca a cada hora, e quatro sinos menores soam a cada quinze minutos.
Um pouco à frente do Parlamento, do outro lado da rua, nas margens do rio Tâmisa, fica a London Eye, uma roda-gigante enorme. Tiramos fotos em frente a ela e só. Meu irmão já tinha dado uma volta nela em uma viagem anterior e disse que demora muito. Eu tenho um trauma de infância com relação a rodas-gigantes, então não tinha o mínimo interesse em andar nela.
Pegamos o metrô na Estação Westminster, que ficava próxima de onde estávamos, e fomos até Piccadilly Circus. Andamos um pouco pela região e também próximo à Trafalgar Square. Fomos até Chinatown. A história desse lugar remonta à década de 1950. A comunidade chinesa da Londres do pós-guerra tinha poucos recursos, e muitos não tinham um lugar para morar, encontrando na área aluguéis baratos. Aconteceu que os soldados britânicos que voltavam do Oriente se apaixonaram pela culinária chinesa e, por isso, surgiram tantos supermercados e restaurantes. Seu sucesso atraiu mais empresários chineses do East End em busca de fortuna, e foi se formando uma reputação de vida noturna.
Após caminhar um pouco pela região, ficamos com fome, pois já era meio da tarde. Paramos numa churrascaria brasileira que fica em Chinatown e ali almoçamos um belo churrasco. Depois, fomos andar pelo Soho e voltamos a Piccadilly Circus, onde entramos em algumas lojas. Anoiteceu, esfriou e resolvemos voltar para nosso hotel. Precisávamos arrumar nossas malas, pois no dia seguinte, ou melhor, na noite seguinte, embarcaríamos de volta ao Brasil.
Antes de ir para o hotel, passamos no Tesco, que fica ao lado da estação do metrô, e fizemos algumas compras, inclusive a nossa janta. Minha janta se resumiu a quatro cupcakes com cobertura de chocolate e uma garrafa de Coca-Cola. Gosto de cupcakes e, no Brasil, nunca encontrei nenhum tão saboroso quanto os que comia nos Estados Unidos, quando lá vivi. Descobri que os cupcakes ingleses eram tão bons quanto, ou até melhores do que, os norte-americanos.
Algo que me chamou atenção tanto em Portugal quanto na Inglaterra é que as garrafas PET, sejam de água, suco ou refrigerante, ficam com as tampas presas à garrafa. Elas não se soltam totalmente, como as garrafas PET no Brasil. Depois, fiquei sabendo que, na Europa em geral, as tampas de garrafas PET ficam presas às garrafas. Isso tem por objetivo garantir que a tampa seja reciclada junto com a embalagem e também evitar que a tampa seja perdida após a abertura da garrafa, reduzindo o risco de serem jogadas em rios ou praias. Achei isso bastante interessante, e tal prática bem que podia ser adotada no Brasil.
Após comer, tomar banho e arrumar minha mala e mochila, foi hora de procurar nos bolsos moedas e notas de libras. As notas não são problema se sobrarem, pois podem ser trocadas no Brasil. Já as moedas não são trocadas e acabam se perdendo, gerando um certo prejuízo. Nas últimas semanas, tinha andado com notas de euro e de libras na carteira. Agora, tinha que me livrar delas para, em breve, voltar a ter na carteira somente as desvalorizadas notas de real.
Dormimos até um pouco mais tarde. Alguns podem achar estranho que viajamos para o exterior e, em vez de levantar cedo e ir passear, ficamos dormindo. Explico que, além de ser cansativo andar o dia todo, havia o fator frio, que era muito desgastante. Então, preferimos dormir um pouco mais, pois também não aguentaríamos passar o dia todo na rua. Já fiz muito disso no passado, de andar quilômetros e mais quilômetros quando ia para uma cidade que não conhecia. Na primeira vez que estive em Nova York, no segundo dia na cidade, caminhei cerca de 21 quilômetros. Hoje estou mais velho e não aguento tais exageros, então prefiro descansar bastante e assim aproveitar melhor os passeios quando saio à rua.
Fazia sol, o céu estava limpinho, mas o frio tinha aumentado. Quando saímos do hotel, fazia 3 graus, com sol. Pegamos o metrô na estação próxima de onde estávamos e, após uma viagem curta, descemos, caminhamos um pouco e entramos em outra estação de metrô. Ali pegamos o metrô rumo a Greenwich. Saímos da estação e pegamos um ônibus de dois andares. Sentamos no terceiro banco, mas logo fomos para o primeiro banco da frente, na parte de cima do ônibus. Foi interessante viajar ali e observar o movimento do bairro em sua rotina matinal.
Descemos próximo ao Greenwich Park, que é um dos Parques Reais de Londres, um antigo parque de caça e um dos maiores espaços verdes da cidade. Ele foi o primeiro da cidade a ser fechado, isso em 1433. Logo na entrada, passamos pelo Cutty Sark, que é um clíper (veleiro) britânico. Da classe “extreme clipper”, ele é a última das embarcações de transporte de chá, preservada como símbolo de uma era. Foi construído em 1869. Perto do Cutty Sark, há um túnel subterrâneo que liga Greenwich à Isle of Dogs.
No parque também fica o Observatório Real, onde estão expostos instrumentos científicos. Nele também está a Queen’s House, construída entre 1614 e 1617, sendo um dos mais importantes edifícios da história da arquitetura britânica e o primeiro edifício conscientemente clássico a ser construído na Grã-Bretanha.
Greenwich Park é famoso por lá se situar o Observatório Real de Greenwich, a partir do qual é definido o Meridiano de Greenwich, onde, por definição, a longitude é 0º 0′ 0″ E/W, e que serviu de base para a definição do tempo médio de Greenwich (GMT). Você estudou sobre isso na quinta série. Achei o máximo estar em tal lugar. Andamos por entre as várias construções do parque e algumas partes reconheci de ter visto em filmes. Num canto, vi um pequeno monumento, na verdade um jardim, em homenagem aos mortos no naufrágio do Titanic. Lembro que o navio afundou quando ia da Inglaterra para os Estados Unidos, em 1912.
Sem querer, acabei descobrindo algo que me deixou muito feliz. No parque funcionava o Museu Marítimo Nacional, dedicado à Marinha do Reino Unido, sendo o maior do mundo nesse estilo. Foi inaugurado em 27 de abril de 1937 e recentemente passou por uma reforma completa. Sou um apaixonado pelas aventuras e histórias dos navegadores James Clark Ross, Ernest Shackleton, Robert Falcon Scott, pelas expedições do Terra Nova, do Discovery, do Endurance e da desaparecida Expedição Franklin. Durante muitos anos, colecionei livros sobre tais assuntos e expedições, principalmente as que tentavam chegar pela primeira vez ao Polo Sul. São mais de 30 anos lendo tudo o que encontro sobre tais assuntos, vendo filmes, documentários. E agora, sem querer, eu descobria um museu que até então desconhecia a existência, que com certeza teria objetos originais das expedições e personagens que citei pouco acima.
Meu irmão estava reclamando das dores no joelho e queria ir embora, mas acho que ele entendeu o quanto visitar o museu era importante para mim, devido ao meu sorriso e grau de excitação. Então ele falou para eu visitar o museu, enquanto ele ficaria sentado num banco na recepção, um local confortável e quentinho. Prometi que seria rápido na visita. Melhor ainda, descobri que a entrada era gratuita. Visitei todos os cantos do museu e demorei mais no andar superior, onde existia uma enorme sala dedicada às expedições polares. Eu estava vendo ao vivo diversos objetos originais de muitas expedições polares. Alguns objetos ali expostos, eu tinha ouvido falar muitas vezes nas páginas dos livros que li. Esse foi, sem dúvida, um dos melhores momentos da visita a Londres. Somente quem gosta muito de história e de fatos históricos vai realmente entender o quanto foi maravilhoso para mim visitar tal lugar e ver esses objetos originais das expedições e dos personagens que fizeram parte delas.
Num canto, vi um Ninho de Corvo, que pertenceu à Expedição Discovery, uma expedição oficial britânica das regiões antárticas entre 1901 e 1904, liderada pelo Capitão Robert Falcon Scott. O Ninho de Corvo era uma estação de observação usada para guiar o navio através de águas geladas. Ele ficava preso ao mastro principal do navio, e um homem ficava dentro dele observando o mar à sua frente. Era o único objeto em exposição que não estava totalmente protegido por vidro. Dei uma olhada em volta e não tinha ninguém olhando. Vi algumas câmeras de segurança no teto, mas estavam viradas para o lado oposto. Não resisti e toquei rapidamente o Ninho de Corvo. Parece que pude sentir a energia que emanava de tal objeto e estive mais próximo de todos os homens que fizeram parte da expedição Discovery. Difícil explicar tal sensação e o significado que esse gesto teve para mim. Você com certeza não vai entender!
Tinha uma seção com objetos em exposição que foram usados pelo Capitão Robert Falcon Scott na corrida pelo descobrimento do Polo Sul, em 1911. O norueguês Amundsen e sua equipe chegaram 33 dias antes dos britânicos ao Polo Sul e retornaram em segurança à sua base. Já os britânicos morreram no retorno. A equipe de Scott era formada por cinco homens; dois morreram antes, e o Capitão Scott e dois de seus homens foram encontrados oito meses depois, congelados dentro de sua barraca. Tinham morrido de exaustão, frio e fome, distantes apenas 14 quilômetros de um depósito de comida. Foram sepultados como estavam, dentro da barraca. Quando a notícia das mortes chegou a Londres, a cidade parou. Tinham perdido um de seus grandes exploradores.
Terminada a visita ao museu, onde tirei muitas fotos, fui encontrar meu irmão. Demos como encerrada a visita a Greenwich. Já passava das 13h00, e pegamos um ônibus em frente ao local e fomos até o Millennium Leisure Park, que é uma mistura de shopping e local de shows. Meu irmão queria almoçar no Jimmy’s, um restaurante onde já tinha estado antes e que serve comida de várias partes do mundo. Apesar do horário avançado, o restaurante ainda estava cheio. Metade das comidas servidas eu não tinha a mínima ideia do que eram. Arrisquei provar algumas e gostei. No mais, confiei nas saladas que conhecia e na pizza, que também era servida. Acabei comendo mais do que devia, mas valeu a pena.
Após almoçar, demos uma volta pelo lugar, e meu irmão reclamava cada vez mais das dores no joelho. Resolvemos voltar para o hotel. Após pegar um ônibus e dois metrôs, chegamos ao hotel. Começava a escurecer e, enquanto meu irmão ia para o quarto repousar, resolvi dar uma volta sozinho. Meu irmão me deu algumas sugestões do que visitar ali perto, e fui caminhar. Liguei o Strava, um aplicativo de celular que marca a distância percorrida. Saí caminhando pela avenida em frente ao hotel, depois atravessei uma das pontes do Tâmisa e segui em direção à St Paul’s Cathedral, que é uma catedral anglicana.
Lembro que a Igreja Anglicana é a religião oficial do Estado inglês. Para entrar na catedral, é necessário passar por uma revista com seguranças. Notei que fui o último a entrar e, após eu ter passado pela segurança, começaram a desmontar os equipamentos que barravam a entrada. Ao entrar na catedral, entendi o motivo: estava começando a missa, e ninguém mais podia entrar após o seu início. Fiquei curioso em saber se poderia sair antes do final da missa, pois não tinha o mínimo interesse em assisti-la, ainda mais missa em inglês. Havia uma fita e dois seguranças separando quem queria assistir à missa de quem queria apenas visitar a catedral. Essa fita acabava me impedindo de visitar toda a catedral, mas visitar sua parte de trás e algumas partes da lateral foram suficientes para mim. A catedral é atualmente um dos locais de maior visitação na cidade de Londres. Foi também nesta catedral que o Rei Charles casou-se com Lady Diana Spencer, em 1981. No local da catedral, foi erguida, em 604 d.C., a primeira igreja da Inglaterra, feita de madeira. A cúpula da catedral é a segunda maior do mundo, sendo ultrapassada apenas pela da Basílica de São Pedro, no Vaticano. Durante a Segunda Guerra Mundial, Londres foi bastante bombardeada pelos alemães, nas famosas blitz. Duas vezes, grandes bombas caíram na catedral e não explodiram. Uma dessas bombas, se tivesse explodido, teria destruído a catedral, deixando uma cratera de 30 metros de profundidade no local. Podemos dizer que foi um milagre o que aconteceu.
O que me chamou atenção foi que, em muitas partes das paredes, existiam placas com homenagens a pessoas que morreram, principalmente em guerras ou combates menores. A catedral abriga cerca de 200 memoriais que servem à Ordem do Império Britânico e ao Tesouro Nacional. Porém, muitos tesouros foram perdidos ou furtados da catedral em 1810, quando um grande assalto resultou na perda de importantes artefatos preciosos do local. A catedral ainda abriga os túmulos de notáveis cidadãos britânicos.
Saindo da catedral, fiquei na dúvida se voltava para o hotel ou seguia com meu passeio. Estava esfriando ainda mais e, como estava bem disposto, resolvi caminhar mais um pouco. Segui por uma longa avenida que passa em frente à catedral e, após muitos quarteirões, acabei chegando ao West End, que é a região de Londres comparada à Broadway de Nova York, sendo considerada a Broadway londrina. É um distrito teatral que abriga a maioria dos teatros da capital inglesa. Vi em um teatro que estava em cartaz o musical Mamma Mia!, mas que só teria apresentações no dia em que eu iria embora de Londres. Sou fã do Abba, cujas músicas compõem o musical, e nas visitas que fiz a Nova York em 2003 e 2011, o musical estava em cartaz na Broadway. Em 2003, achei o ingresso muito caro e não fui ver o musical. Depois, me arrependi disso. Em 2011, o musical estava em um teatro mais distante da Broadway, havia fila de espera para reservas, e acabei desistindo de assistir. Também me arrependi depois. Ou seja, essa era a terceira vez que eu tinha a chance de assistir Mamma Mia! e não assisti. Paciência!
Continuei com meu passeio e andei por algumas ruas movimentadas, tomando o cuidado de observar bem os lugares por onde passava para não me perder na volta. Chegou o momento em que achei que já tinha caminhado o suficiente e resolvi voltar para o hotel. Peguei outro caminho e atravessei a Ponte do Milênio, uma ponte suspensa de aço inaugurada em 2000, que cruza o rio Tâmisa e une a zona de Bankside com a City de Londres. Situa-se entre a Ponte de Southwark e a Ponte de Blackfriars. Foi a primeira ponte construída na cidade desde a Tower Bridge, em 1894.
Ao entrar no quarto, acordei o meu irmão. Perguntei se queria sair para comer e ele respondeu que sim. Saímos, apanhámos o metrô na estação ao lado e descemos na estação Piccadilly Circus. Andámos um pouco e parámos para ver os famosos outdoors localizados num prédio na esquina da Shaftesbury Avenue. Neles, os anúncios da TDK, Sanyo, McDonald’s, Coca-Cola, Samsung e Nescafé marcam presença há décadas. Desde 1908, as luzes de Piccadilly Circus são uma atração turística, iluminando a praça de dia e de noite. Os outdoors gigantes de publicidade foram desligados em 16 de janeiro de 2017 e assim permaneceram até outubro do mesmo ano, quando foram substituídos por outdoors digitais curvos. A única vez em que estiveram desligados por um longo período foi durante a Segunda Guerra Mundial.
A região de Piccadilly Circus foi bastante alterada nos últimos anos e hoje está rodeada de centros comerciais. Durante a década de 1960, era um dos centros da Londres moderna. A área conta com várias atrações turísticas, incluindo a estátua de Eros, os bares e os teatros do West End londrino. A Shaftesbury Memorial Fountain, mais conhecida como Fonte de Eros, foi erguida entre 1892 e 1893. Ela ficava em um outro local e foi movida pela primeira vez, por conta de obras do metro. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela foi retirada e guardada, para não ser destruida pelos bombadeios alemães. Em 1947 ela foi colocada no local atual, onde permanece até hoje.
Parámos numa Pizza Hut para jantar. Como já era tarde, o local estava praticamente vazio e quase fechando. Jantámos pizza e saladas que faziam parte de um rodízio. Confesso que a pizza não foi das melhores que já comi. Quanto à salada, tanto eu como o meu irmão confundimos jalapeños com pepinos e ficámos com a boca ardendo durante um bom tempo.
Ao sair da pizzaria, demos mais uma volta pela região, tirámos algumas fotos e fomos apanhar o metrô, que estava bem vazio. Mesmo dentro da estação, fazia bastante frio. Seguimos diretamente para o hotel e fomos dormir.
Cutty Sark.
Memorial a desaparecida Expedição Franklin.
Túnel subterrâneo que liga Greenwich à Isle of Dogs.
Greenwich.
Memorial ao Titanic.
Memorial ao Titanic.
Museu Marítimo Nacional
Guia marítimo inglês, de 1671.
Alguns objetos do Capitão Scoth.
Objetos da Expedição do Terra Nova.
Cesto do corvo, do navio Discovery.
Greenwich.
Greenwich.
Queen’s House.
Greenwich.
Jimmy´s restaurante.
Millennium Leisure Park.
O Wagner no metrô.
St Paul’s Cathedral.
Homenagens a mortos em batalha.
Missa na St Paul’s Cathedral.
O musical Mamma Mia!, em cartaz num teatro.
As tradicionais cabines telefônicas.
Ponte do Milênio, ao fundo o domo da St Paul’s Cathedral.
Túnel que passa sob a Ponte de Southwark.
Ponte de Southwark.
Na estação de metrô Southwark.
Stranger Things, sendo apresentado num teatro em West End.