Caminhada na Natureza: Ivaiporã/Pr

Dessa vez não tinha nenhum galo para me acordar de madrugada, mas mesmo assim acabei acordando as 5h34mim. É que chegou uma mulher que ia preparar uma espécie de exposição sobre a cultura ucraniana. E o local onde a tal exposição seria montada era justamente a poucos metros de minha barraca. Com muito custo consegui voltar a dormir, até que pontualmente às 6h30min parecia que tinha uma banda de rock tocando no acampamento. Era o celular da Karina que despertou. Ela tinha esquecido o despertador do celular ligado e acabou acordando quase todos com a barulheira. Depois dessa desisti de tentar dormir e resolvi levantar. E aproveitei para fazer uma boa ação e acordar os que ainda estavam dormindo. Mas o pessoal é meio mal educado e mesmo eu fazendo uma boa ação em acordá-los, fui xingado por alguns. Né Valter? rs!! 

Depois de desmontar a barraca e guardar tudo na mochila, aproveitei para dar uma volta pelo local. Pude então ver o sol nascendo e iluminando os trigais maduros, um belo espetáculo. Também pude ver a cidade de Ivaiporã, ao longe. Não imaginei que a cidade fosse tão “grande” como é, imaginava que fosse uma cidade bem pequena. O restante do pessoal levantou finalmente e também desmontou as barracas. Quando fui guardar minha mochila no carro tomei um susto, pois na mochila tinha uma aranha “gigante” grudada. Quando pensava no que fazer com a aranha, ela foi mais rápida e se “atirou” dentro do carro, indo parar debaixo do banco traseiro. Tentei encontrar a aranha e tirá-la de lá, mas não obtive êxito na “caçada”. Então deixei para resolver o problema depois.* 

Logo uma Kombi veio nos buscar e nos levou até a Comunidade da Água da Laranjeira, onde seria o início da caminhada. Tinha bastante gente no local e muito mais gente chegando. Depois vim saber que próximo a mil pessoas estiveram participando da caminhada, que faz parte do projeto de Caminhadas na Natureza (http://www.andabrasil.com.br/). Fomos tomar café e encontramos mesa farta, com muitas opções saborosas. Normalmente não tomo café da manhã, mas em caminhadas procuro comer algo, pois o desgaste físico é grande e o almoço quase sempre atrasa. Ao sentar a mesa, em minha frente tinha um rapaz de barba que se mostrou muito simpático e que conversou um pouco conosco. Mais tarde fui saber que ele era o padre da comunidade. O pior é que ele não tinha “cara” de padre. Ainda bem que na frente dele não falei nenhum palavrão ou alguma outra bobagem. No café encontrei mais amigos de Maringá, que fazem parte do grupo do Jair. 

Após o café todos se reuniram no pátio em frente à pequena e simpática igreja do local e após discursos do prefeito e de outras pessoas, o padre fez uma oração e uma personal trainer comandou o aquecimento. E pouco depois das 9h30mim começou a caminhada. Nosso pessoal ficou no final, pois costumamos ir devagar, curtindo o caminho, admirando as paisagens e tirando fotos. Nessas caminhadas tem muita gente que parece estar participando de uma corrida e quer chegar o quanto antes ao final, sem nem curtir o caminho. 

Seguimos por uma estrada, e logo entramos em uma região de mata e ali encontramos um certo congestionamento. Percorremos a trilha pelo meio da mata, seguindo ao lado de um rio. Me chamou atenção à cor da água do rio, que era clara. Normalmente nessas regiões de terra vermelha a água é bem escura. Logo chegamos a um sítio, onde foi montado pelo proprietário uma espécie de circuito. Você passava entre outras coisas por uma fábrica de móveis, galinheiro, jardim, alambique e também por uma cozinha rústica onde fazem doces. Num fogão de barro estava sendo defumado carne de frango. Nesse sítio tinha um balanço onde muitos aproveitaram para brincar um pouco. Seguindo com a caminhada, subimos um morro no meio do mato e depois saímos em uma estrada, para depois seguir um tempo por um carreiro no meio de um trigal. Algum tempo depois chegamos à chácara da Nadir, o local onde tínhamos dormido. Ali estava montada uma espécie de exposição sobre a cultura ucraniana, que é bem forte na região. Tinha livros, discos, fotos e outros objetos. E também tinham alguns jovens vestidos com trajes típicos. O prefeito de Ivaiporã também estava ali, pois estava participando da caminhada e aproveitou a parada para tirar algumas fotos com o pessoal.

Seguimos nosso caminho e passámos a caminhar numa região com muitas plantações de trigo e quase nenhuma árvore. Logo chegamos num local onde um grupo de cavaleiros tinham armado uma espécie de acampamento e preparavam uma costela ao fogo de chão. Ali também tinha um touro com uma sela. Mesmo parecendo domesticado o touro dava medo. Acabei subindo no bicho para tirar fotos e levei uma “rabada” que arranhou meu lábio e só não me acertou o olho em razão de eu estar de óculos. A sensação em cima do touro não é das melhores, pois o bicho se mexe e da à impressão que a qualquer momento ele vai sair disparado, pulando igual nos rodeios. Como não tenho pretensão de me tornar caubói de rodeio, logo desci do bicho. A Karina e o Igor também subiram no touro para tirar fotos. Os demais preferiram descansar e tomar chimarrão numa mesa próxima.

Continuamos caminhando e chegamos num lago muito bonito, cercado de árvores. Não nos demoramos muito ali e voltamos a caminhar. Passamos por uma pequena mata, saímos numa estrada, depois voltamos a caminhar pelo meio da mata, para logo caminhar por uma trilha que ficava entre a mata e uma plantação de milho recém colhida. Então chegamos a uma fazenda e ali bebemos água, descansamos e alguns de nosso grupo aproveitaram para comer algo. Logo voltamos a caminhar e no final de uma subida passamos por uma placa que indicava que estávamos no quilômetro número dez. Faltavam mais dois quilômetros para o fim. Continuamos caminhando e o sol começou a castigar, fazia muito calor. Pelo caminho encontramos poucas pessoas. A maioria dos caminhantes já tinham chegado ao final da caminhada e deveriam estar almoçando. Os quilômetros finais foram sem muitos atrativos e então chegamos a Comunidade Pindauvinha. 

Fomos direto para o barracão onde estava sendo servido o almoço. O cardápio era bem rural, com saladas, porco e frango. Comi bastante para recuperar as energias gastas e depois fiquei conversando com o pessoal. Pouco depois das 15h00 tiramos uma foto com todo nosso grupo e em seguida dois carros da Emater nos levaram até a chácara da Nadir, onde estavam nossos carros. Ali conversamos um pouco, alguns tomaram banho e em seguida nos despedimos e pegamos à estrada. Foi mais um final de semana gostoso, conhecendo lugares e pessoas, em contato direto com a natureza. Para quem gosta de programas assim não existe nada melhor. E que venham às próximas caminhadas! 

* Na metade da viajem de volta, a Karina foi pegar o celular em sua bolsa que estava no banco de trás e soltou um grito ensurdecedor. Ela viu a aranha gigante no chão. Como a aranha não morreu de susto com o grito da Karina, ela tirou a sandália, criou coragem e acertou uma única e certeira “sandalhada” na pobre aranha, que nesse momento deve estar em paz no céu dos insetos. rs…

2ª Caminhada na Natureza
Trigal ao amanhecer.
Amanhecer no acampamento. (28/08/2011)
Café da manhã.
Momentos antes do início da caminhada.
Caminhando pela mata.
No sítio.
Momentos da caminhada.
Com o prefeito e os descendentes de ucranianos.
Momentos da caminhada.
Seguraaaaaa peãooooooo...
Momentos da caminhada.
Almoço e descanso pós caminhada.
Nosso grupo reunido após a caminhada.

Acampamento em Ivaiporã

No último sábado fui para Ivaiporã, cidade distante 128 km aqui de Campo Mourão. Lá encontrei alguns amigos de Maringá e de Pitanga, pois iríamos acampar na chácara da Nadir, que fica bem perto da cidade. O ponto de encontro foi na Pizzaria Show, que pertence à família da Nadir e fica no centro da cidade. Encontrei o pessoal próximo às 21h00min e depois de um bom papo em uma mesa na calçada, entramos para jantar. 

O cardápio foi pizza e Coca-Cola. Tinha uma pizza com cebola e pimentão que era uma delícia e foi a preferida da maioria do pessoal. Na mesa estavam eu e Karina; de Campo Mourão. Shudy, Celso e Valter; de Maringá. Igor, Hermes e João Paulo; de Pitanga. O local estava cheio e num canto uma dupla sertaneja cantava, animando o ambiente. Comemos, conversamos e demos boas risadas. Quase no final da noite “seguimos” a Nadir até sua chácara e lá montamos acampamento. Antes de dormir ainda rolou muita conversa. Eu não consigo dormir cedo e fui o último a ir para a cama, ou melhor, ir para a barraca. E antes de dormir fiquei um bom tempo num canto escuro vendo as estrelas.

Jantando na pizzaria.
Shudy, Igor, Hermes, João Paulo, Valter, Vander, Celso, Nadir e Karina.

GAT Nova Tebas

As imagens abaixo “surrupiei” no Blog do GAT de Nova Tebas (Grupo de Apoio ao Turismo), coordenado pelo Marcos. São imagens do Enduro a Pé, do qual participei alguns dias atrás. O pessoal do GAT faz um trabalho bonito na região, explorando as belezas naturais do local, que são muitas. A cidade é pequena, sua economia é baseada na agricultura e pecuária, então explorar o turismo é uma forma de fomentar a economia da região. Meus parabéns ao Marcos e ao Wagner Lino pelo belo trabalho que fazem.

http://gatnovatebas.blogspot.com/
http://gatnovatebas.blogspot.com/

Show de Milionário & José Rico

Ontem fui assistir ao show de Milionário & José Rico, na abertura da 17ª Festa do Carneiro ao Vinho, em Peabiru. Apesar do frio e do vento de congelar as orelhas, o show estava bom e tinha bastante público. Tenho um carinho especial por essa dupla, pois quando criança viajava muito com meu pai, que era caminhoneiro e no toca fitas do caminhão só “dava” Milionário & José Rico. Sei a letra de quase todas as músicas deles e muitas músicas me fazem lembrar momentos de minha infância e das viagens que fiz com meu pai, algumas que duravam semanas. Então o show de ontem foi uma verdadeira viagem ao passado e a cada música que eles cantavam vinha um tipo de flashback de momentos bons do passado.

17ª Festa do Carneiro ao Vinho - Peabiru/Pr.
Show de Milionário & José Rico (20/08/2011).
Vander, Sid e Keila.

II Enduro a Pé de Nova Tebas (2º dia)

No segundo dia do Enduro a Pé, acordei às sete da manhã e nem ouvi o galo cantar. O pessoal disse que ele andou cantando pelo acampamento, mas eu de tão cansado que estava dormi profundamente e nem o galo cantor conseguiu me acordar. Estava um pouco dolorido, com as canelas doendo e ao contrário do que imaginava minhas costas não incomodaram, o que era bom sinal. Nos aprontamos e logo iniciamos a caminhada do dia, que dessa vez começou ali mesmo no local do acampamento. 

O dia prometia ser quente, pois logo cedo o sol estava castigando. O Alex nos acompanhou no início da manhã, seguindo a cavalo ao nosso lado. Andamos pouco tempo e paramos na casa do seu Zé Matogrosso para tomar café. Mais uma vez fomos bem recebidos e com mesa farta. Na saída tiramos uma foto com todo o grupo e os donos da casa e prosseguimos com nossa caminhada. Seguimos por uma estrada de terra e após atravessar uma porteira entramos num pasto onde tinham passado arado, o que dificultava nossa caminhada. Após atravessar o pasto chegamos a uma cerca de arame farpado, a primeiro do dia e o Alex não teve mais como seguir conosco, pois não tinha como atravessar a cerca. Dessa vez inovei e em vez de pular a cerca ou passar pelo meio dos arames, segui o exemplo do Celso e passei por debaixo da cerca.

Seguimos caminhando por um pasto, tomando cuidado com o gado, que deveria estar ali por perto. O local era no alto de um morro e a vista em volta era muito bonita, dava para enxergar bem longe. Logo vimos que o gado estava num local distante de onde passaríamos, o que nos deixou mais tranqüilos. Pena que nossa tranqüilidade não durou muito, pois logo vimos um touro solitário e com cara de poucos amigos, parado ao lado da trilha por onde teríamos que passar. Caminhamos próximos um do outro na esperança de que o touro se assustasse conosco. Era difícil saber quem estava com mais medo, se nós ou o touro. Eu olhei em volta e vi algumas árvores próximas e decidi que seria na direção delas que eu correria num eventual “ataque” do touro. Felizmente o touro não era muito corajoso e foi se afastando do caminho conforme fomos nos aproximando. Depois que saímos do pasto o Marcos comentou que segundo o GPS, nossa média anterior a passar pelo touro era de 2,5 km/h e que a média ao passar perto do touro subiu para 4,2 km/h. Ou seja, com a tensão provocada pela ameaça de um ataque por parte do touro, aumentamos nossa velocidade de caminhada sem nos dar conta. 

Após atravessar a região de pasto, chegamos até um canavial. Ali demos uma parada e fomos chupar cana. Não demoramos muito e seguimos caminhando, até chegar numa fazenda, onde paramos para reabastecer nosso estoque de água. Fomos muito bem recebidos pelo dono da fazenda, que é conhecido do Marcos. O interessante desse local foi a quantidade de cachorros que existiam ali. Para o Thiago que tem “fobia” de cachorros, a parada na fazenda não foi nada agradável. Segundo o dono da fazenda ele tem quatorze cachorros e dois gatos, que convivem todos em harmonia. Não vi todos os cachorros, vi apenas uns oito, de diferentes espécies e tamanhos, bem como vi os dois gatos. Após termos descansado e com o estoque de água refeito, seguimos nosso caminho. 

Passamos a caminhar por uma estrada de pedras irregulares, o que não é nada agradável, pois dói a sola dos pés. E também o movimento de carros era um pouco maior, o que demandava um pouco mais de cuidado de nossa parte. Atravessamos uma grande reserva de mata, um lugar muito bonito e chegamos a comunidade de São José do Paraíso. Não paramos na comunidade, seguimos em frente e logo deixamos a estrada de pedras para seguir por uma estrada de terra. Pouco depois paramos numa casa abandonada para colher poncãs. Então voltamos a caminhar e alguns minutos depois paramos numa encruzilhada para colher jabuticabas. Em seguida fomos em uma casa de outro conhecido do Marcos, mais uma vez para reabastecer nosso estoque de água. Em vez de água, os donos da casa nos convidaram para entrar e nos ofereceram biscoitos e suco de laranja, de goiaba e de limão. Era quase meio dia e os biscoitos com suco serviram para enganar o estômago, pois mais uma vez nosso almoço seria feito com atraso. Na saída tiramos uma foto com os donos da casa e seguimos nossa caminhada. 

Logo voltamos a estrada de pedras e tivemos que enfrentar uma longa subida. Ali ficou claro que meu preparo físico não era dos melhores e praticamente me “arrastei” morro acima, com o sol quente castigando. Chegamos então ao distrito de Poema e ali fizemos uma parada num dos únicos bares da cidade. O pessoal aproveitou para tomar uma cerveja gelada e eu preferi não tomar nada, apenas descansar e recuperar o fôlego para encarar os quilômetros finais do enduro. Logo voltamos a caminhar e seguimos por uma estrada de terra por alguns quilômetros até finalmente chegarmos ao Morro dos Ventos, local onde almoçaríamos e onde encerraríamos o enduro. 

Subir até o alto do morro foi o último esforço que fiz e confesso que não foi nada fácil. Eu já estava começando a sentir tonturas devido ao esforço extremo que fiz nas duas últimas horas. No alto do morro os pais do Wagner nos esperavam com o almoço (Vaca Atolada). A vista do alto é maravilhosa, dá para enxergar a dezenas de quilômetros. O Marcos informou que segundo o GPS, tínhamos percorrido 18 km nesse dia. Então encerrávamos o Enduro a Pé percorrendo 48 km em dois dias, o que é uma marca considerável. Particularmente fiquei muito feliz em ter vencido tal desafio, após quase dois meses machucado e sem poder fazer atividades físicas. E mais uma vez consegui superar meus limites físicos usando a força de vontade. E também contei com a ajuda dos amigos de enduro, que entenderam meus limites físicos e sempre procuraram me ajudar, principalmente quando era necessário atravessar cercas, pois eu tinha muita dificuldade para me abaixar. E vai um agradecimento especial ao Celso, que sem eu pedir me ajudou a montar e desmontar minha barraca no acampamento. 

Após almoçarmos, cada um escolheu um canto do gramado e aproveitou para descansar. Utilizei um pedaço de tronco como travesseiro e tirei um gostoso cochilo. Passamos o resto da tarde ali no Morro dos Ventos, curtindo a paisagem, conversando e descansando. Tiramos a foto final com todos os participantes do enduro, e também com o seu José Lino e a dona Irani, pais do Wagner, e donos do morro onde estávamos. E o motorista do ônibus que foi nos buscar também saiu na foto. Vimos o pôr do sol, que lá do alto é muito bonito. Em seguida fomos de ônibus até o sítio do Alex, onde desmontamos nosso acampamento e voltamos para casa cansados, mas felizes e com muita vontade de retornar em 2012 para  participar do próximo enduro.

Com a família do seu Zé Matogrosso.
Momentos da manhã do segundo dia de Enduro.
Imagens do segundo dia de Enduro.
São José do Paraíso, Jabuticabas e Poncãs.
Parada para sucos e biscoitos.
Estrada de pedras e bar em Poema.
Almoço e descanso no Morro dos Ventos.
Foto de despedida do Enduro a Pé.
Pôr do sol no Morro dos Ventos.

II Enduro a Pé de Nova Tebas (1º dia)

Acordei com um galo cantando. Achei que era hora de levantar e quando olhei o relógio senti vontade de depenar o galo cantor. Eram pouco mais de cinco da manhã, e o jeito foi tentar voltar a dormir. Fazia um pouco de frio, a barraca estava aconchegante, “convidando” para dormir mais. Mas não deu muito certo, o galo era insistente e chato, continuou cantando sem parar. Ainda consegui dormir um pouco e depois de acordar várias vezes resolvi levantar. O restante do pessoal estava acordado, todos querendo depenar o galo. 

Não demoramos muito para nos arrumar e deixando o acampamento montado, seguimos de carro até o centro de Nova Tebas. Lá pegamos um ônibus e viajamos alguns quilômetros até a comunidade de Volta Grande, onde seria o início do II Enduro a Pé de Nova Tebas. Seriamos somente nove participantes. Em razão do roteiro difícil e quilometragem planejada para mais de 40 quilômetros de caminhada, somente alguns “corajosos” se habilitaram a participar. Eu não me considero um dos “corajosos”, mas sim o “inconseqüente” do grupo, pois em razão de ainda estar me recuperando de um problema nas costas, não deveria participar de algo que exige tanto esforço e preparo físico. Mas sou teimoso e inconseqüentemente responsável, sabedor de meus limites. Então tomaria todos os cuidados para não me machucar mais. Minha única preocupação era conseguir acompanhar o ritmo do restante do pessoal. Não queria ser um estorvo para eles. 

Saímos de Volta Grande e logo atravessamos a estrada Campo Mourão/Guarapuava. Atravessando a estrada passamos a caminhar por uma estrada de terra em meio à mata e logo saímos numa região com pasto e muitas araucárias. O tempo estava nublado e meio frio, o que era bom para caminhar. Logo paramos no sitio do senhor José Dal Santo. Ali nos foi servido o café da manhã. Eu ainda estava empanturrado pela costela da noite anterior e não pretendia comer nada. Logo mudei de idéia quando vi a mesa farta. O café foi servido em uma mesa na varanda e o piso estava tão limpo que todos tiraram os calçados. Eu fiquei com preguiça de tirar minha bota e tomei o café ajoelhado ao lado da mesa. O pessoal comeu um monte, talvez prevendo que o almoço atrasaria muitooooo nesse dia. Logo após o café fomos até a Cachoeira São Roque, que ficava ali perto. Tivemos que descer um barranco enorme e úmido, mas sem grandes problemas. A visita valeu a pena, pois a cachoeira é muito bonita. Entrar na água nem pensar, a água estava muito gelada. 

Saindo da cachoeira, seguimos nossa caminhada. Andamos um bom tempo ao lado de uma cerca de arame, próximo a um pasto. Depois tivemos que passar pela cerca. Essa foi a primeira de muitas cercas de arame farpado que teríamos que atravessar nesse dia. Caminhamos por um trigal e após atravessar nova cerca, pudemos ver ao longe uma pequena boiada sendo conduzida por alguns homens a cavalo. Então passamos a percorrer a antiga estrada que ligava Pitanga a Catuporanga. Logo encontramos o primeiro de muitos pés de laranja que fariam nossa alegria durante o dia. O restante da manhã caminhamos por estradas de terra, entre árvores e capinzais. 

Passava um pouco do meio-dia quando chegamos a comunidade de Santa Clara. O Marcos, nosso guia, trabalha na Emater de Nova Tebas e conhece muita gente na região, o que facilitou muita coisa para nós. Em Santa Clara fomos nos abastecer de água em uma casa de pessoas que o Marcos conhece e a dona da casa nos “presenteou” com suco de laranja para levarmos no caminho. E tanto ela quanto o marido insistiram para almoçarmos com eles. Agradecemos o convite e seguimos nossa caminhada.   

Passamos por outra região com muita mata preservada, tendo muitas árvores centenárias. O sol estava começando a castigar, e caminhar sob a sombra das árvores era algo muito bom. Infelizmente logo a mata acabou e tivemos que caminhar sob o sol quente, ao lado de plantações. Passamos em um local onde uma enorme árvore caída servia de “ponte” sobre um riacho. Pulamos uma cerca de arame farpado e fomos atravessar a tal árvore. Foi um exercício de equilíbrio muito divertido. Então surgiu um touro muito bravo do outro lado da árvore, dando urros muito fortes e assustadores. Acho que o touro era meio psicopata. Achamos melhor ficar longe dele e seguimos nosso caminho pela estrada.

No meio da tarde chegamos a Cachoeira Barreirinho. Mesmo com sol forte, a água estava fria e achei melhor não entrar nela. Outro que não entrou foi o Wagner Lino, que estava meio resfriado. O restante da galera foi todo pra água. Após uma hora de descanso na cachoeira, chegou a vez de seguir com a caminhada. Ainda não tínhamos almoçado e a fome começava a apertar. Tínhamos uma programação básica para seguir e horários que não precisavam ser seguidos a risca. Isso era bom, pois podíamos parar em lugares que achávamos mais interessantes. Por outro lado, isso acabava atrasando o horário das refeições, o que acabou não sendo problema, pois ninguém reclamou de ter passado fome ou de comer fora do horário. 

Atravessamos mais um pasto, cuidando para manter as vacas distantes de nós. Entramos em uma estrada e seguimos por ela por um bom tempo, até pular mais uma cerca de arame e seguir pelo meio de um capinzal. Então chegamos a um pé de laranja carregado de laranjas muito doces. Como a fome começava a apertar, fizemos uma longa parada e chupamos todas a laranjas possíveis. Votamos a caminhar e passamos por outra estrada antiga que de tão abandonada foi tomada pela grama e pelo mato. Daí chegamos a um rio e a única forma de atravessá-lo foi entrando na água. Tiramos os calçados e com o Marcos nos guiando atravessamos o rio sem problemas ou quedas. Eu passei por uma situação digamos constrangedora. Escorreguei quando estava no meio do rio e foi uma perna para cada lado. Foi algo parecido com aquelas aberturas de perna que as bailarinas fazem. Confesso que foi uma experiência um pouco dolorida. Após atravessar o rio passamos por mais um pasto e logo chegamos ao Pesque Pague onde seria servido nosso almoço. O detalhe é que eram seis da tarde e o almoço estava mais é com cara de janta. 

Fomos muito bem recebidos no Pesque Pague e o almoço além de farto, era muito saboroso. Todos estávamos famintos e comemos até não poder mais. Eu mal tinha me recuperado da janta da noite anterior e me entupi de comida novamente. E ainda teve sobremesa, que não sei como consegui arrumar espaço para ela em meu estômago. Descansamos um pouco e seguimos com nossa caminhada. 

Já era noite e nos demos conta de que todos tinham deixado as lanternas nas barracas, no acampamento. Ninguém previu que poderíamos nos atrasar e termos que caminhar a noite. Por sorte a lua cheia estava nascendo e nem sentimos falta das lanternas. Foi uma experiência muito interessante caminhar a noite sob a luz da lua, sem lanterna alguma. Eu já tinha participado de caminhadas noturnas, mas sempre com lanternas. Sei que caminhamos por quase três horas iluminados pela lua cheia, até chegarmos a Nova Tebas. Entramos na cidade e caminhamos até o centro, onde sentamos em um gramado próximo a catedral da cidade e descansamos um pouco. Passava um pouco das 21h00min e pelo GPS tínhamos caminhado 30 quilômetros e alguns metros nesse dia. Tinha sido cansativo, mas muito prazeroso e todos estavam felizes por terem vencido o desafio do dia. 

Fomos de carro até o sitio do Alex, onde tinham ficado nossas barracas. Eu estava quebrado e fui direto para minha barraca, onde me deitei e cochilei por alguns minutos. Depois fui tomar banho. O banho era a moda antiga, ou seja, água quente em um galão suspenso por uma corda, com uma torneira embaixo dele. Era um chuveiro adaptado, mas que resolveu muito bem a necessidade de um banho. Lembrei que a última vez que tinha tomado banho nesse estilo, foi há quase vinte anos em uma fazenda no interior do Paraguai. 

Achei que ninguém ia querer jantar, pois tínhamos almoçado às seis da tarde e comemos muito. Mas o Alex e a Jaque prepararam uma alcatara assada e um arroz carreteiro que eram irresistíveis. Todos comemos e eu particularmente não sei como consegui comer tanto em menos de vinte quatro horas. Depois de jantar conversei um pouco com o pessoal e fui me deitar no gramado próximo a fogueira. Fiquei olhando a lua, as estrelas e pensando numa certa loira que naquele momento estava em uma festa em Londrina. Acabei adormecendo ali e após uns minutos acordei assustado e achei melhor ir dormir na barraca. Estava muito cansado, mas feliz por ter conseguido caminhar os 30 quilômetros sem sentir muitas dores. Logo peguei no sono, torcendo para que o galo tivesse ido  “parar”  na panela de alguém e não me acordasse muito cedo no dia seguinte. 

Volta Grande, Cachoeira São Roque, Café da manhã, Santa Clara.
A arte de pular cerca.
Alguns momentos do Enduro a Pé.
Paisagens do caminho.
Cachoeira Barreirinho.
Alguns momentos do Enduro a Pé.
Laranjas e mais laranjas...
Atravessando o rio.
Almoço no final do dia e caminhada sob a lua cheia.

Acampamento em Nova Tebas

Na última sexta-feira fui para Nova Tebas (distante 84 km daqui de Campo Mourão), junto com meus amigos de Maringá: Celso, Valter e Vanderlei. A cidade de Nova Tebas é pequena, mas fica numa região de muitas montanhas, rios e cachoeiras. É uma região muito bonita, onde estive final do ano passado participando de uma caminhada. O acampamento foi um “aquecimento” para o Enduro a Pé que aconteceria no final de semana.

Acampamos na propriedade do Alex, que fica uns 4 km depois da cidade. O Alex e sua namorada Jaque, nos esperavam com uma deliciosa Costela ao Fogo de Chão. A costela estava tão boa que comi demais e quase passei mal. Também acamparam conosco o Marcos (Nova Tebas), Thiago (Poema), Igor e Hermes (Pitanga). Comemos ouvindo música caipira e batendo papo. A noite era de lua cheia e o céu estava muito claro e bonito. Na hora de dormir tive dificuldade para pegar no sono, culpa da barriga cheia… rs! Fiquei um bom tempo ouvindo a “orquestra” de grilos e sapos até que finalmente adormeci.

Desde a viagem ao Peru em janeiro último, que eu não dormia em barraca. E desde o Caminho de Peabiru do ano passado que eu não dormia na “minha” barraca. Foi bom voltar a dormir de barraca e dessa vez pude estrear novos acessórios para acampamento que melhoraram ainda mais o conforto da minha “velha” e querida barraca, companheira de muitas aventuras e de boas lembranças.

Acampamento (foto que o Marcos tirou de cima de uma árvore).
A costela pronta para ser “devorada”.
Provando a suculenta costela.
Conversando sobre “onças”…

Aniversário de três anos do Blog

Hoje meu blog está completando três anos de existência. Esse último ano ele foi bem movimentado, tanto em conteúdo, quanto com relação a receber comentários e ser utilizado por outras pessoas como fonte de pesquisa e outras finalidades. Outro detalhe é que nesse último ano ele teve o dobro de acessos do que nos dois primeiros anos somados. Resumindo, a “brincadeira” que iniciei a três anos acabou se transformando em algo “maior” do que eu poderia imaginar ao fazer a primeira postagem. E o melhor que aconteceu nesses três anos foi a ajuda que pude dar a muitas pessoas e principalmente as muitas amizades que fiz. Tem pessoas que conheci graças ao blog e que hoje se tornaram grandes amigos, daqueles de conversar toda semana. Né dona Lilian? E teve gente que tinha “sumido” de minha vida fazia mais de dez anos e que graças ao blog “retornou”. Né dona Andrea C.? 

E nesses três anos de existência, o blog serviu para eu compartilhar momentos bons e ruins. Desde ano passado que minha vida não tem sido nada fácil, que passei talvez pelos piores momentos de minha existência. E quando penso que a tempestade passou, logo descubro que ela não passou, que sofreu variações e continua testando o quando posso ser forte e persiste na busca de seguir em frente e tentar ser feliz. E nesse período o blog acabou servindo de auxilio, tanto como ferramenta de terapia onde eu posso exteriorizar meus sentimentos, como também para que amigos e estranhos dêem o apoio que eu preciso em certos momentos complicados. É interessante que algumas pessoas sabem se estou bem ou não, somente observando o conteúdo de alguma postagem que faço. 

Nesses três anos pessoas entraram e saíram de minha vida. Pessoas nasceram e morreram. E pude contar muito desses momentos aqui. Momentos bons e ruins de minha vida nos últimos três anos estão registrados nas quase seiscentas postagens do blog. No futuro poderei reler tais postagens e relembrar de momentos de minha vida, de minha história, que independente de serem bons ou ruins serviram para me ensinar algo e me transformar numa pessoa melhor. 

E o futuro do blog? Sinceramente não sei qual será o futuro dele, pois já faz alguns meses que venho pensando em encerrar, em parar com o blog. Confesso que já não tenho mais a mesma motivação do início e que talvez seja melhor encerrá-lo num momento em que ele está em “alta” do que deixá-lo ir morrendo aos poucos. Sei que até o final do ano vou mantê-lo ativo e daí decido o que fazer a partir de 2012. 

E aproveito para dizer que diferente do que muita gente imagina, eu não posto aqui tudo o que faço ou o que penso. Isso não é um diário. Eu posto aqui somente aquilo que desejo compartilhar com outras pessoas, aquilo que desejo contar. Então meu muito obrigado as milhares de pessoas que tem “nos visitado” nestes três anos. Alguma sei que visitam o blog diariamente.

...

Fórmula Truck em Londrina

O domingo passei em Londrina, junto com uma galera bem divertida vendo a corrida de Fórmula Truck. Após tantos dias de chuva e frio, hoje o sol estava castigando e mesmo usando protetor solar e boné, meu nariz ficou vermelho igual um pimentão. A corrida em si foi o menos importante, tanto é que ao final da corrida nenhum de nós sabia quem tinha sido o vencedor. Isso era um detalhe insignificante, pois o que valeu mesmo foi o dia divertido e gostoso que passamos. 

E o momento mais emocionante (e assustador do dia) foi na segunda volta da corrida, quando me posicionei ao lado do alambrado (onde o público não pode ficar) num local onde os caminhões fazem uma curva em alta velocidade. Coloquei o braço por um buraco do alambrado para tirar uma foto e um caminhão saiu da pista e passou na terra a menos de dois metros de mim, inclusive “me jogando” terra. Na hora pensei: morri…  E o pior não foi o susto em si e a proximidade com o perigo. O pior foi que no susto acabei esquecendo de bater a foto (que seria digna de um prêmio… rs!). Depois dessa fui ficar perto dos amigos num lugar alto e seguro, comendo churrasco e tomando Coca-Cola, sem mais emoções fortes.

Largada...
Autódromo cheio.
Rasgando a reta...
Velozes e Furiosos.
Giovani, Renan, Vô, Tio Bala, Pity, Vandeco, Vander, Sid, Dudu e Pai Edson.

Vida descomplicada!

As pessoas complicam muito as coisas … Tá com saudades? Ligue. Quer encontrar? Convide. Quer compreensão? Explique-se. Tá com dúvidas? Pergunte. Não gostou? Fale. Gostou? Fale mais. Tá com vontade? Faça. Quer algo? Pedir é a melhor maneira de começar a merecer. Se o “não” você já tem, só corre o risco do “sim” … A vida é uma só!!!! Bora ser feliz… Gostei, copiei e postei aqui… Simples assim.

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