A esquina onde nasci…

Hoje fiz algo que planejava fazer já faz algum tempo, ou seja, justo no dia em que completava 40 anos, parar em frente ao local onde nasci e meditar um pouco. Nasci em casa, num sábado de outono, entre 14h00min e 15h00min. Meus pais moravam numa casa de madeira, de cor azul, na esquina da Avenida Jorge Walter com Rua Prefeito Roberto Brezinski, em Campo Mourão. Na época a rua não era asfaltada, era de terra vermelha, com muita poeira. Vivi nessa casa por pouco mais de dois anos e por incrível que pareça tenho algumas recordações dela. Isso mesmo! Consigo lembrar de fatos ocorridos quando tinha dois anos de idade. Depois saímos dessa casa e fomos morar em outra casa azul de madeira, também de esquina, mas no bairro Lar Paraná.

No local onde ficava a casa onde nasci, hoje existe o escritório de uma empresa de coleta de lixo, que pertence ao filho de meu padrinho de batismo. E foi em frente a esse escritório que parei ontem e perguntei, “Porque num mundo tão grande eu fui nascer justamente naquela esquina?”. Não obtive a resposta ainda e talvez nunca tenha tal resposta. Mas… se pudesse escolher possivelmente escolheria a mesma esquina onde nasci e a mesma família em que nasci. Tenho orgulho de ser do interior do Paraná, pé vermelho de Campo Mourão e pertencer á família Kreticoski/Dissenha. Nasci numa família pobre mas honrada e desde cedo aprendi a ser uma pessoa boa, correta, honesta e principalmente que um lar pode ser simples, humilde, a família ter alguns problemas, mas se existir amor nesse lar nada mais importa. Não precisa nascer num Castelo ou num Palácio, mas pode ser um simples casebre, desde que exista amor. E quanto a isso não posso reclamar. Nossa família é muito unida, sempre um ajudando ao outro. Tive problemas com meu pai no passado, pois apesar de sermos parecidos em muitos sentidos, temos pontos de vista diferentes e ambos sendo teimosos, os conflitos acabam surgindo. Mas no geral nos damos bem, pois existe amor entre todos.

Depois de meditar um pouco na esquina onde nasci, fiz uma oração e quando percebi as lagrimas rolaram. No mesmo instante o céu também chorou, ou seja, começou a chover.  Então resolvi pegar a estrada rumo a Curitiba e poucos quilômetros depois tive meu melhor presente de aniversário. Apareceu um arco-íris na estrada e umas das extremidades dele terminava justamente na estrada, onde eu tinha que passar. Já vi muitos arco-íris em minha vida, mas nunca tinha visto onde ele acabava. Diz á lenda que no final do arco-íris existe um pote de ouro. Não vi nenhum pote de ouro, mas o tesouro que encontrei foi á felicidade, foi voltar a sorrir, coisas que tinha perdido nos últimos tempos e que agora aos poucos estão voltando para minha vida.

A esquina onde nasci, exatos 40 anos depois.
Avenida João Bento, esquina com Rua Roberto Brezinski.
Foto histórica.

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