Férias 2009 – Viagem ao Chile (Parte III)

Levantamos cedo e logo pegamos a estrada. O tempo estava nublado, com cara de chuva. Como íamos subir a serra, ou melhor, os Andes, levamos agasalhos, pois lá no alto poderíamos até mesmo encontrar neve. Íamos até a Portillo, famosa estação de esqui próxima a fronteira entre Chile e Argentina. E nossa maior expectativa era de poder encontrar neve. No ano anterior o W@gner esteve em Portillo no início de maio e encontrou bastante neve. Estávamos no final de maio e teoricamente deveríamos encontrar mais neve do que o encontrado um ano antes, mas como o tempo anda meio maluco, no fundo não sabíamos o que iríamos encontrar.

Se no dia anterior pegamos a estrada que desce para o litoral, dessa vez fizemos o inverso, ou seja, pegamos a estrada que sobe para as montanhas, que vai em direção aos Andes. Pelo caminho passamos por enormes parreirais e grandes vinícolas. Após uma hora de viagem era possível ver ao longe algumas montanhas, com seus picos cobertos de neve. A estrada que estávamos percorrendo é uma das principais do Chile e por ela circulam muitos caminhões, não só chilenos, mas também brasileiros e argentinos.

Pelo caminho fomos fazendo algumas paradas, em locais que achamos interessantes. Uma das paradas foi em uma ponte, que ficava numa curva e com uma bonita paisagem. Quando estávamos em cima da ponte passou uma carreta em alta velocidade e a ponte tremeu toda. Foi um susto enorme, não esperávamos por tal tremelique. Também paramos num local, onde perto existe uma grande fenda nas rochas, provavelmente provocada por algum terremoto.

Um detalhe que nos chamou a atenção foram a quantidade enorme de cruzes na beira na estrada. Deve ser uma tradição chilena construir uma pequenina capela, com uma cruz e em alguns casos bandeira chilenas, em locais onde alguém faleceu. Como a estrada em que estávamos é cheia de curvas e precipícios, na época de neve devem ocorrer muitos acidentes por ali e por isso é que existia tal quantidade enorme de cruzes. Confesso que apesar de curioso, era algo bastante assustador. Mas tentamos não pensar nisso e nos concentramos na paisagem que estava ficando cada vez mais bonita, conforme íamos nos aproximando das montanhas.

Conforme fomos subindo, montanhas diversas apareciam aos lados. Estávamos entrando numa pequena parte da Cordilheira dos Andes. Essa cordilheira atravessa quase toda a costa ocidental da América do Sul e possui aproximadamente 8.000 km de extensão, sendo a maior cadeia de montanhas do mundo. Sua altitude média gira em torno de 4.000 metros e seu ponto culminante é o pico do Aconcágua com 6.959 m de altitude. Estávamos entrando na cordilheira e vendo uma pequena parte dessa cadeia de montanhas. Estou acostumado com montanhas verdes, cobertas de árvores. Já estas montanhas por onde passávamos eram marrons, sem vegetação e no cume ou abaixo dele, em alguns casos, eram cobertas de neve. Sem contar que eram maiores do que as montanhas com as quais estou acostumado.

Logo percebemos que não encontraríamos neve a baixa altitude. Demos azar, pois esse ano o frio e a neve estão atrasados. Eu particularmente nunca estive na neve, mesmo já tendo ido pra Alemanha e morado nos Estados Unidos, lugares onde cai muita neve. Ou fui numa época em que não tinha neve, ou no caso de Orlando, onde morei, era numa região quente, onde não neva. O jeito foi nos conformarmos e aproveitar a beleza da paisagem.

Não demorou muito e iniciamos a subida do “Caracoles”, uma parte da estrada quase na divisa com a Argentina, onde a estrada faz inúmeras curvas. Chega dar medo passar por ali, mas a experiência é muito interessante. Olhávamos para cima e víamos várias curvas do “Caracoles”, como se fossem degraus montanha acima. E nesses degraus víamos carretas e mais carretas. Por nós passou um ciclista, descendo a estrada em alta velocidade e pelo visto ele vinha de uma longa viagem. Então lembrei que um dia pretendo fazer esse caminho de bike. Estar ali foi uma oportunidade de ver de perto o que terei de enfrentar, que na teoria já parecia difícil, na pratica mostrou que vai ser ainda pior. Fizemos mais uma parada no caminho, num local onde existe uma parada para os caminhões que estão descendo o “Caracoles” possam estacionar para esfriar os freios. Dali já é possível ver a Estação de Esqui de Portillo, estrada acima. Meus companheiros de viagem estavam todos agasalhados e eu ainda fiquei um bom tempo somente de camiseta. Talvez por estar acostumado com o frio de Curitiba, demorei mais tempo do que eles para sentir o frio dos Andes. Somente quando chegamos a Portillo, onde tinha um vento congelante é que senti frio pra valer e coloquei um casaco.

Portillo fica a 2.855 metros de altitude e a 152 km de Santiago. É uma pista de esqui bastante famosa. Ali existe uma hotel e vários chalés. No fundo do hotel fica o “Lago Del Inca”, que é enorme, de água límpida, cercado por montanhas. Do outro lado do lago aparece o “Cerro Tres Irmanos”, que são três altas montanhas parecidas, uma ao lado da outra, cobertas de neve. A vista daquilo tudo é maravilhosa, um local muito bonito. A direita do hotel víamos o teleférico que na temporada de esqui leva os esquiadores para a pista, na parte de cima da montanha. Somente uns trezentos metros acima de onde estávamos era possível ver neve. Ficamos umas duas horas em Portillo, onde tiramos várias fotos e fizemos alguns pequenos vídeos. O vento era cortante e o frio também. Lanchamos no carro, pois o restaurante do hotel cobra caro e não estávamos a fim de gastar muito em uma refeição. Então partimos dali e subimos mais uns poucos quilômetros estrada acima, até a fronteira com a Argentina. Tiramos mais algumas fotos e então tivemos que voltar. Por nós passou um ônibus cor-de-rosa, que já tínhamos visto algumas vezes em Santiago e na estrada. Fora o fato de ser rosa, o que gerou muitas risadas de nossa parte é que o ônibus era brasileiro, com placa do Rio Grande do Sul. Com uma cor daquelas só podia mesmo ser um ônibus gaúcho.

Estrada abaixo, o “Caracoles” eram ainda mais assustador. Ficamos imaginando como seria difícil transitar por ali com neve. Fizemos mais uma parada no caminho, dessa vez para colocar umas latas de Coca-Cola para gelar numa queda da água que descia da montanha. Tiramos algumas fotos ali perto e de repente o barulho da queda da água aumentou. O volume de água cresceu de repente e por pouco nossas latinhas de Coca não desceram morro abaixo.

Na subida tínhamos visto uma placa que indicava uma pequena estradinha que dizia algo sobre uma caminho nas montanhas. Resolvemos procurar essa estrada e seguir por ela pra ver aonde chegaríamos. Não foi muito fácil, mas encontramos a tal estradinha, só que não fomos muito longe, pois logo encontramos uma porteira e uma placa onde dizia “Propriedade Privada – Entrada Proibida”. O jeito foi dar meia volta e retornar a estrada principal.

Desde que chegamos no Chile eu queria comer uma autentica “Empanada Chilena”, uma espécie de pastel assado, típico do país e que já comi algumas vezes no Brasil. Acabamos parando num local ao lado da estrada e que vendia empanadas quentinhas, saídas na hora do forno de barro. Os “meninos” resolveram provar também da empanada, mas não gostaram. O W@gão ficou mal do estômago por um bom tempo e desconfiamos que ela é feita de carne de Lhama. Eu até gostei das empanadas chilenas originais, mas confesso que a versão brasileira é bem mais gostosa.

O Luiz Cesar desde que saímos do Brasil falava da vinícola “Concha y Toro”, que talvez seja a mais famosa do Chile. Ele queria conhecer o lugar, mas acabamos não programando tal visita. E quando estávamos na metade do caminho para Santiago, sem querer passamos em frente a tal vinícola. O Luis Cesar ainda gritou para o W@gner parar, mas não deu tempo. E como logo em seguida existia um pedágio, não dava pra fazer o retorno. Outro detalhe é que a porteira da vinícola estava fechada, talvez por já ter passado do horário de visitação. De qualquer forma o Luis Cesar pode ao menos ver de longe a vinícola que ele tanto queria conhecer. Foi uma situação parecida com a visita que eu queria fazer a casa de Pablo Neruda que fica na Islã Negra, em Vinã Del Mar. Ambos estivemos muito perto do que queríamos conhecer quando saímos do Brasil, mas acabamos não conhecendo. Quem sabe numa próxima visita ao Chile possamos matar nossa vontade de conhecer estes lugares.

A última parada que fizemos antes de chegar a Santiago, foi no “Monumento a Batalha de Chacabuco”. Foi nesse local que em 1817, San Martín e Bernardo O’Higgins, comandaram as tropas chilenas contra os espanhóis e conseguiram marchar até Santiago, onde declararam a independência do Chile em 1818. Quando chegamos em Santiago ainda não tinha anoitecido, então resolvemos ir até o palácio presidencial, no centro da cidade. No dia 11 de setembro de 1973, sob as ordens de Augusto Pinochet, os militares chilenos bombardearam o palácio presidencial e derrubaram o governo Salvador Allende. O presidente foi morto em circunstâncias não esclarecidas e Pinochet instaurou uma ditadura militar. Enquanto tirávamos fotos nos fundos do palácio, notamos que algumas pessoas tinham entrado para visitar a parte de dentro. Fomos perguntar a um guarda se poderíamos visitar a parte interna e ele nos respondeu que já tinha fechado. Então saímos dali e fomos tirar fotos da parte da frente. Depois demos uma volta a pé pelo centro da cidade e pegamos nosso carro. Ao passar de carro pelos fundos do palácio, vimos uma porção de pessoas entrando. Ou seja, o guarda nos sacaneou por sermos brasileiros e não nos deixou entrar, inventando uma mentira. Essa foi a única situação de preconceito que enfrentamos durante nossa visita ao Chile.

Chegamos no hotel quando estava começando a escurecer. Cada um foi para seu quarto tomar banho e descansar. Mais tarde saímos eu, W@gner e Maico. O Luis Cesar resolveu ficar no hotel, pois não se sentia bem. Fomos para o shopping da noite anterior, onde demos algumas voltas e jantamos na Pizza Hut. O Wagner ainda reclamando que a empanada tinha lhe feito mal. Depois voltamos ao hotel e fomos arrumar nossas malas e dormir.

Na estrada a caminho da Cordilheira dos Andes. (24/05/2009)
Na estrada a caminho da Cordilheira dos Andes. (24/05/2009)
Montanhas e Lago Del inca. (24/05/2009)
Montanhas e Lago Del Inca. (24/05/2009)
Portillo. (24/05/2009)
Portillo. (24/05/2009)
Portillo. (24/05/2009)
Portillo e fronteira Chile/Argentina. (24/05/2009)
Caracoles. (24/05/2009)
Caracoles. (24/05/2009)
Caracoles. (24/05/2009)
Caracoles. (24/05/2009)
Pela estrada andina. (24/05/2009)
Pela estrada andina. (24/05/2009)
Na estrada voltando para Santiago. (24/05/2009)
Na estrada voltando para Santiago. (24/05/2009)
Monumento a Batalha de Chacabuco. (24/05/2009)
Monumento a Batalha de Chacabuco. (24/05/2009)
Palácio Governamental em Santiago. (24/05/2009)
Palácio Governamental em Santiago. (24/05/2009)

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